José Carlos Alexandre News

Jornalista profissional fui durante muito tempo editor de Internacional do então Diário da Tarde, de Belo Horizonte, onde iniciei como redator e colunista sindical, passando depois para a Editoria de Cidades. Antes, trabalhei como repórter e colunista do jornal Novos Rumos, sucursal de Minas Gerais, até que o golpe militar que instaurou a ditadura, em 31 de março de 1964, fechou o jornal. Participei como colaborador de outras publicaçoes do PCB durante a ditadura . Nos anos 70 fundei e fui diretor geral do Jornal União Sindical, que era distribuído aos trabalhadores do Estado, através de sindicatos e federações de trabalhadores do campo e da cidade. Também trabalhei como assessor de imprensa em várias entidades sindicais do Estado, além de ter ajudado a fundar sindicatos de trabalhadores rurais e, em Belo Horizonte, Uniões de Defesas Coletivas. Sou responsável por este blog há mais de quatro anos. Com muita honra sou cidadão honorário de Belo Horizonte. Também sou conselheiro de Direitos Humanos, membro do CONEDH (Conselho Estadual de Defesa dos
Direitos Humanos)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Veja em "Carta Maior": Brasil entre a ruptura e a inércia

O Brasil entre a ruptura e a inércia

O Brasil precisa fazer na educação (e na saúde) o mesmo que Lula fez com o salário mínimo: uma ruptura em relação à inércia conservadora. Num intervalo de oito anos o presidente petista elevou o poder aquisitivo do mínimo em mais de 53% em termos reais. Rejeitou a lógica incremental. Entendeu que mudar apenas na margem seria manter à margem os que sempre viveram na soleira do país.

Deu-se então a mudança estrutural. Um novo degrau de acesso à renda passou a ordenar a vida de milhões de brasileiros beneficiando a economia e toda a sociedade. O poder de compra popular, associado às políticas de combate à fome e à miséria, revelou-se um contrapeso decisivo de demanda interna na crise mundial.

Criticado pela ortodoxia, Lula desabafou: 'foi preciso uma crise igual ou pior que a de 1929 para a elite brasileira entender o acerto histórico dessa decisão'. Os avanços registrados na educação desde 2002 não são desprezíveis. O Fundeb pavimentou o caminho a melhora do ensino básico; o Prouni alargou o acesso à educação superior; a rede de escolas técnicas dobrou. Os resultados só não são melhores porque o gargalo do ensino médio, sob guarda-chuva estadual, ainda desabona a ficha escolar da juventude pobre.

A guerra pela qualidade é uma guerra por orçamento. Os recursos fiscais destinados à educação são da ordem de R$ 85 bi; os da saúde giram em torno de R$ 90 bi. Somados, ficam muito aquém do saco sem fundo da dívida pública que consome mais de 1/3 da receita tributária federal entre juros, refinanciamentos e amortizações. A inércia se propõe a elevar a fatia da educação do equivalente a menos de 5% do PIB para 7% dele. Até 2020.

Mesmo com o aumento substantivo de 22,2%, o novo piso do professorado brasileiro não vai além de R$ 1.451,00, por 40 horas semanais, em classes com média de 30 alunos. Quem se habilita? Pesquisas indicam que a carreira do magistério tornou-se uma espécie de lotação da meia-noite: a escolha dos que não tem mais escolha, impedidos de concorrer em outras áreas por conta das piores notas no ENEM.

Os dados do Enad confirmam: predominantemente, a opção pelo magistério é feita pelos que tem renda mais baixa (até três mínimos) e são obrigados a conciliar o trabalho e estudo. Entidades representativas dos municípios brasileiros alegam que nem isso podem pagar: precisariam de um subsídio federal de R$ 7 bi/ano para viabilizar a nova folha do professorado. Compare-se esse 'déficit' com o supergasto na ponta dos juros: fica claro que o salto na educação passa por um corte graúdo no apetite rentista, caso contrário, como atrair os melhores talentos que uma revolução educacional requer?

Na Finlândia, o extremo oposto que ocupa a 3ª posição no ranking do Pisa, entre 65 países, o magistério é a opção preferencial de um em cada cinco estudantes. Cursos de pedagogia são disputados em uma seleção rigorosa: 10 candidatos por vaga; o ensino é 99% público, não há 'incentivos' de desempenho para escamotear arrocho, classes são pequenas e o salário médio se equipara ao das carreiras mais valorizadas. Um dia a Finlândia decidiu que não podia desperdiçar nenhuma criança e nenhum jovem. E o Brasil?
Postado por Saul Leblon às 21:21

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