quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Seminário organizado pela Universidade de Pequim destaca obras literárias brasileiras

                                                                    
"O Cavaleiro da Esperança", de Jorge Amado, em chinês

A faculdade de línguas estrangeiras da Universidade de Pequim realizou no final do mês passado, o seminário “Paisagens, Regiões e Literatura Nacional: diferenças de tempo e espaço na cultura brasileira”. Foto: Diário do Povo Online)

Rafael Gonçalves de Lima e Renato Lu

A faculdade de línguas estrangeiras da Universidade de Pequim realizou em setembro, o seminário “Paisagens, Regiões e Literatura Nacional: diferenças de tempo e espaço na cultura brasileira”. O evento foi organizado pelo Núcleo da Cultura Brasileira da Universidade de Pequim, em conjunto com os departamentos de português e espanhol, e o Instituto de Literatura Mundial da mesma universidade.

Cerca de 100 pessoas estiveram presentes no seminário, em sua grande maioria alunos chineses de graduação em língua portuguesa das universidades de Pequim, Universidade de Comunicação da China e Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, todas localizadas na capital chinesa.

O encontro contou com os palestrantes Prof. Francisco Foot Hardman, professor titular de literatura do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e a Prof.ª Min Xuefei, professora associada do departamento de português da Universidade de Pequim e tradutora de Clarice Lispector para o chinês. 

O Prof. Hu Xudong, muito conhecido na China pelo seu livro “Uma Paixão Casual no Brasil” (去他的巴西, em chinês), e vice-diretor do Núcleo da Cultura Brasileira da Universidade de Pequim, foi o moderador do evento acadêmico.

Em sua palestra, o professor Francisco Hardman afimou que o papel das universidades, para além de ser uma fonte de conhecimentos, deve servir de elo de amizade e paz entre as culturas. O professor brasileiro trouxe vários elementos da cultura, das artes e da literatura brasileira, citando autores e obras nacionais como “Tenda dos Milagres” de Jorge Amado, “Os Sertões” de Euclides da Cunha e “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector. O professor brasileiro também fez referência ao “Monumento às Bandeiras” do escultor Victor Brecheret e ao filme “Serras da Desordem”, produzido pelo cineasta Andrea Tonacci em 2006.

Por sua vez, a Prof.ª Min Xuefei, que esteve no Brasil por três vezes, manifestou sua paixão pelo país e avaliou bem a palestra do Prof. Francisco Hardman. Ela pediu aos alunos de português que eles dediquem mais tempo à literatura brasileira, particularmente ao livro “Os Sertões”, que considera um clássico para se conhecer a literatura e cultura brasileiras.

Também estiveram presentes do evento Glaucia Zuniga, professora de língua portuguesa e cultura brasileira da Universidade de Pequim, Prof. Thomas Patrick Dwye, professor titular do programa de pós-graduação em sociologia da Unicamp e Lúcia Anderson, doutoranda no programa de ciências sociais da Unicamp e ex-funcionária a agência chinesa de notícias Xinhua.

O evento se soma a uma série de esforços feitos pela China para conhecer mais o Brasil e falar a sua língua, o português . Atualmente, cerca de 35 universidades chinesas oferecem cursos de língua portuguesa como bacharelado. 

O Cavaleiro da Esperança

Em termos literários, a China também tem avançado para conhecer mais e melhor o Brasil. Segundo um levantamento recente feito pelo Prof. José Medeiros da Silva, professor de português da Faculdade de Línguas Estrangeiras de Zhejiang, a China tem se esforçado desde longa data para permitir que os chineses tenham acesso à literatura brasileira, mostrando ao Diário do Povo um exemplar em chinês do livro “O Cavaleiro da Esperança” de Jorge Amado, publicado em língua chinesa em 1953, e “Os Sertões” de Euclides da Cunha, publicado na China em 1959.

Tanto a Universidade de Pequim, da China, como a Unicamp, do Brasil, são instituições de ensino superior de qualidade e de renome internacional. A Universidade de Pequim, por exemplo, já figura entre as 50 melhores universidades do mundo segundo a Times Higher Education World University Rankings. (Com o diariodopovoonline)

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