sábado, 6 de agosto de 2016

A batalha do Somme de 1916


                                                                          

 John Catalinotto (*)     

Os líderes políticos de França e Inglaterra, juntamente com observadores de outros países, reuniram-se em França no dia 1º de Julho, no centenário da Primeira Batalha do Rio Somme. Uma das batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial. Foi o epítome do massacre conhecido como a guerra das trincheiras, em que a maior parte dos poderes da Europa sacrificou as vidas de milhões de jovens para conseguir o controlo do mundo colonial. Essa guerra, que durou quatro anos, foi chamada a grande matança.

A batalha do Somme de 1916

O horror da guerra foi tão insuportável que levou a uma revolução social na Rússia que aterrou os capitalistas no poder. Hoje, com entidades supranacionais como a União Europeia, as classes dirigentes podem tentar impedir novas guerras entre os imperialistas na Europa. Mas isso não os impediu de se unirem e usarem a NATO, uma força militar europeia dirigida pelos Estados Unidos, nas tentativas de reconquistar os seus impérios perdidos da Jugoslávia ao Afeganistão, ou até de arriscar uma guerra com a Rússia agora capitalista.

Os generais britânicos que em 1916 enfrentaram as forças alemãs no Somme correspondem à caricatura da classe no poder, cuja estupidez só é igualada pela arrogância. Pensaram ter um plano fantástico: uma semana de fogo de artilharia permanente britânico iria amolecer as linhas alemãs. Aconteceu que a sua barragem de artilharia, iniciada na última semana de Junho, matou algumas tropas alemãs, desarmou algumas metralhadoras e destruiu alguns dos obstáculos de arame farpado.

Ignorando este falhanço, a 1º de Julho de 1916, os generais ingleses ordenaram a ofensiva planeada contra o exército alemão. Obedecendo às suas ordens, tropas britânicas carregadas com equipamento, seguiram com dificuldade e lentamente a caminho das linhas alemãs. Foram dizimadas pelas metralhadoras alemãs. No fim do primeiro dia, 58 000 ingleses tinham sido mortos ou feridos. A frente tinha avançado dois quilómetros, pouco mais de uma milha.

A batalha prosseguiu durante cinco meses. Quando a neve a parou em Novembro de 1916, a luta tinha morto ou ferido cerca de 420 000 britânicos, 200 0000 franceses e 500 000 alemães. Um total de mais de um milhão de baixas. A frente tinha avançado cerca de sete milhas.

Embora o grosso das baixas fosse de ingleses, alemães e franceses do continente, os imperialistas tinham chamado também tropas das colónias para a batalha. Entre as vítimas britânicas estavam soldados da Irlanda, Índia, Nigéria e até da Terra Nova no Canadá escassamente povoada; as baixas nas tropas francesas incluíam vietnamitas, senegaleses e argelinos; entre os alemães contavam-se habitantes do Tanganica, Ruanda e Polacos.

UMA GUERRA IMPERIALISTA.

Os dirigentes das democracias imperialistas europeias da França e da Inglaterra assim como as monarquias da Alemanha, Áustria-Hungria e Rússia entraram no ano de 1914 sem hesitação, até com entusiasmo. Cada um deles acreditava que o seu exército ia ter uma vitória rápida. Crescia-lhes água na boca à ideia de novos territórios e novas colónias — como se viu mais tarde quando a revolução dos trabalhadores da Rússia venceu, revelou e publicou tratados que os dirigentes haviam mantido secretos.

Não foram batalhas heróicas que as tropas travaram, mas a terrível umidade, o frio, a fome e a monotonia das trincheiras, quebrada apenas pelos tiros ocasionais de artilharia e o medo de uma morte rápida ou pior ainda lenta. Com a miséria imposta às massas na Europa, o sofrimento intenso das tropas, abria as portas a revoluções jamais vistas na Eurásia. À frente dessas revoluções estariam os mesmos soldados e marinheiros que as classes dominantes tinham armado, ensinado a lutar e transformado em máquinas de guerra.

Em Novembro de 1918, quando a guerra acabou, tinham sucedido grandes rebeliões e motins em quase todas as forças armadas imperialistas. As classes dominantes da França e da Alemanha e os seus generais conseguiram abafá-las. Mas as rebeliões levaram à queda das monarquias na Alemanha e no império austro-húngaro, as potências derrotadas e conseguiram uma revolução social na Rússia que mudou o mundo.

Agora as classes dominantes da Europa e dos Estados Unidos preparam-se para exportar a guerra para o antigo mundo colonial, como exportaram o desemprego e a fome. Se são solenes quanto ao Somme, não é porque odeiem o sofrimento dos trabalhadores e dos camponeses na Europa. É porque receiam que esse sofrimento leve à revolução que acaba com o seu poder.
Adaptado de um capítulo do próximo livro de Catalinotto «Voltem as Armas: Motins, revoltas de soldados e revoluções.

(*) John Catalinotto, de Nova Iorque, dirigente do Workers Party, professor, amigo e colaborador odiario.info

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