sexta-feira, 3 de março de 2017

Moscovita conta como é sambar pela Portela

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Juliana Titáeva, 26, tem o samba apenas como hobby e dirige uma agência de relações públicas em Moscou

No sambódromo do Rio, Juliana Titáeva foi uma das passistas que ajudaram a tirar a Portela dos 33 anos de jejum

Maria Azálina/Gazeta Russa

Quando ingressou como passista na Portela, a moscovita Juliana Titáeva, 26, não sabia que celebraria junto com a escola a saída de 33 anos de jejum no pódio do sambódromo.

Formada em análise de investimentos e sócia de uma agência de relações públicas em Moscou, a russa acompanhou da quadra da Portela a apuração.

“Em seis semanas [de estada no Rio], passei a ser parte da escola, ela entrou no meu coração e na minha alma. É verdade, estou aos prantos, estou numa felicidade sem fim  por ser parte de acontecimentos que entram para a história do samba. É uma vitória após 33 anos de silêncio”, disse à agência Tass.

Caminho para a vitória

Para entrar na escola, Titáeva passou por três etapas de seleção e foi convidada por inúmeros programas de TV brasileiros – inclusive o de Fátima Bernardes - para falar sobre o assunto.

Mas o samba é só um hobby para a russa, que caracteriza as emoções dos sambistas como “surreais” e diz que esses se preparam para o carnaval “como se fossem para a guerra”.

“Minha ala de passistas é composta por moços e moças que dançam samba de verdade, então não dá para simplesmente comprar um lugar ali. São todos da comunidade, são praticamente o coração da escola. É difícil descrever o tipo de emoções que presenciei entre essa gente. Logo antes de ir ao Sambódromo, eles se reúnem em círculo segurando as mãos uns dos outros e rezam. É como ir à guerra”, diz.

Ela também conta que foi grande a preparação para enfrentar mais quase uma hora de samba sob o calor do Rio.

“Em 72 minutos, toda a escolar atravessa o Sambódromo. No final das contas, a gente passa cerca de 40 minutos lá no total, e não me parece difícil. Primeiro porque você é preparado para isso nos ensaios, e depois porque suas pernas esfoladas e a fantasia desconfortável já não importam:  você para de sentir isso ao entrar numa espécie de transe”, diz Titáeva.

Apesar de a russa dizer que não pretende se tornar uma sambista profissional, ela garante que estará no sambódromo em 2018.

“Estarei lá sem sombra de dúvida!”, arremata.

Com as agências de notícias Tass e Sputnik.

(Com a Gazeta  Russa)

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