Memorial no Antigo DOPS, uma conquista
| José Carlos Alexandre em 1989 em Havana |
José Carlos Alexandre
Cheguei ao Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos pela indicação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. Após a morte do jornalista e vice-presidente do CONEDH Délio Rocha de Abreu.
A bem da verdade, a luta pelos direitos humanos estava presente no meu DNA, poder-se-dia dizer assim.
Já que venho , com muita honra, de uma família de operários e de Nova Lima, terra que disputava com Raposos, o título de "Mocouzinha", devido à luta de seus operários por melhores condições de vida para todos os trabalhadores do mundo.
Meu pai era um misto de trabalhador da Morro Velho e maestro (hoje é nome de sua em Nova Lima com o último tútulo)
E minha mãe foi um das primeiras mulheres a trabalhar na Morro Velho, creio que na Redução...
E tinha uma tarefa extra, além do lar: fazia roupas para uma alfaiataria, a do Nicácio...
No CONEDH imediatamente passei a lutar para que se cumprisse a lei assinada pelo então governador Itamar Franco prevendo a criação e estabelecimento no prédio do antigo DOPS do Memorial dos Direitos Humanos.
Muito justamente, o CONHEDH,.no texto da lei de 2000,é um dos organismos responsáveis pela manutenção do Memorial.
Pelas mãos do Betinho Duarte, participo da Associação dos Amigos do Memorial da Anistia, aquele em construção (?) na Rua Carangola, onde funcionava o Teatro Universitário da UFMG.
E por indicação de Vicente Gonçalves, advogado dos moradores de vilas e favelas de BH, militante histórico das lutas sociais de Belo Horizonte, faço parte da diretoria da Associação dos Perseguidos pela Ditadura cívico-militar de 1964.
Quem me conhece sabe que trabalhava no jornal Novos Rumos,Sucursal de Minas Gerais, quando do 1º de abril de 1964 o jornal foi fechado pela ditadura e eu não conseguia mais empregos, com exceção do jornal da burguesia onde defendia o leite lá de casa e o choupinho no Maletta, por que ninguém é de ferro...
Em todas as oportunidades, como editor de Cidade e depois de Internacional, sempre defendi a criação do Memorial no prédio do DOPS (onde estive três vezes: para recuperar alto falante e aparelhagem de som do PSB, meu primeiro partido, já que o PCB estava na ilegalidade desde 1949, para entrevistar José Gomes Pimenta, Dazinho, o deputado-operário, no dia de sua libertação e para defender, em frente ao prédio, sua transformação no Memorial, ato que acabou acontecendo no ultimo dia 16), símbolo da repressão em Minas Gerais.
Hoje minhas pernas já não me permitem muitas andanças, participação de passeatas ( muitas vezes vim de Nova Lima a BH à frente dos valorosos mineiros da Morro Velho) e manifestações de rua...
Estas linhas todas são para elogiar o trabalho de um brasileiro que pouco aparece mas que já foi vereador e prefeito de Belo Horizonte: Betinho Duarte, que está na Comissão da Verdade de Minas Gerais e foi quem colocou a questão do Memorial no Conselho do Patrimônio Artístico de BH, conseguindo viabilizá-lo, ou pelo menos garantir que sua sede seja efetivamente no antigo DOPS.
Espero que ele, juntamente com o Romanelli, o ex-juiz e também ex-vereador Arutana Cobério Terena, a Cristina Rodrigues , o Márcio Santiago, que é meu colega no CONEDH, e o advogado Vicente Gonçalves possam vir a fazer parte do Conselho Curador do Memorial.
Um nome para o Memorial?
Minha sugestão é que seja Memorial de Direitos Humanos Helena Greco. Ou Memorial Herculano Mourão Salazar, que foi marido da ex-presidente do CONEDH Emely Vieira Salazar.
Comentários