Em apoio a Ice Band

Ice Band, a solidariedade de todos

Um caso de agcressão que precisa ser investigado e punido
Preconceito social e racismo
O apoio popular em ato embaixo do viaduto Santa Teresa

O Duelo de MCs, o Centro de Referência Hip Hop Brasil, a Família de Rua e o Coletivo Nospegae Mostraram sua força na ultima sexta-feira. Cerca de 500 pessoas , dentre elas, militantes do Hip Hop, ativistas dos movimentos sociais e populares, artistas, representantes de organizações da sociedade civil e amigos a participarem do lançamento da campanha Desarme a Violência Dentro de Você.
COVARDIA
Foi embaixo do viaduto Santa Teresa, na região Leste de Belo Horizonte,m em homenagem ao rapper Hudson Carlos de Oliveira, o Ice Band. O foi covardemente agredido domingo passado, em crime de motivação racista e de intolerância,em frente ao monumento de homenagem a Zumbi dos Palmares, no bairro Santa Efigênia.
MUROS DA CIDADE
A partir de agora, todas as sextas-feiras um muro da cidade receberá a intervenção de um artista plástico de periferia, até que o processo judicial se encerre com a condenação dos culpados por este ato de barbárie que fere a dignidade humana e os direitos civis de todos os brasileiros.
QUEM É ICE BAND
Ice Band é nome artístico do rapper Hudson Carlos de Oliveira, morador do Aglomerado da Serra. Sua história no cenário do Hip Hop em Belo Horizonte começou em 1997, quando apresentava o programa Uai Rap Soul, na Rádio Favela FM – 106,7. Permaneceu como apresentador do programa até 1999 e lá estabeleceu contatos importantes com grupos de rap locais e nacionais.
POESIAS
Seu círculo de amizades crescia e o interesse pelo rap acompanhava este processo. Em 2002, Ice Band já havia escrito algumas poesias que dependiam das bases eletrônicas para que se tornassem raps.Entretanto, a dificuldade de obter as bases acabou atrasando o lançamento do seu CD independente. “As bases representavam a maior dificuldade do meu trabalho inicialmente.
"Quando participei de um evento em Goiás, conheci o Mano Sagaz, do grupo Suspeitos na Mira. Ele me deu dez bases eletrônicas, das quais sete usei para compor o cd. Aqui em Belo Horizonte, a maioria dos produtores querem ganhar em cima dos trabalhos, tornando muito alto o preço a ser pago” , avalia.
A decisão de se expressar munido de ritmo e poesia nasceu em função das amizades que fez ao lá das amizades do Uai Rap Soul e das ações na Casa latina, onde é articulador do Hip Hop. Segundo Ice Band, a ONG Casa Latina é essencial para o desenvolvimento de seu trabalho.
A instituição apóia artistas a desenvolver projetos em parcerias com escolas e entidades e suscita discussões sobre a realidade dos países latino-americanos, tendo como foco a situação política e econômica de Cuba.
Além da Casa Latina, Hudson é integrante do Coletivo Hip Hop Chama, e vice-presidente da ONG REDAMIG – Redutores de Danos de Minas Gerais, ele lançou em junho deste ano seu primeiro cd independente: “Ice Band e Os Sobreviventes – Experimentando Idéias” .
Os sobreviventes são rappers Blitz (Crime Verbal), Moon, Dj Tininim (Crime Verbal), B.Boy Saci (Hip Hop Chama) e Fernando B.Boy (Grupo Impacto).
Ultimamente, também tem realizado shows solo.As letras de Ice Band relatam experiências próprias e da vida na favela. Um de seus raps “Sobrevivente de Guerra” é testemunhal e fala sobre a condição social dos moradores das favelas e periferias brasileiras diante da violência a que são submetidos. As outras letras que compõe o seu repertório propõem uma reflexão sobre temas que vão da política à discussão da sexualidade, como o papel do rapper na sociedade; a luta do brasileiro pobre e militante social; preconceitos contra moradores de rua e homossexuais; a juventude que não consegue encontrar uma saída e adota o crime como meio de sobrevivência; as mortes dos fiscais de Unaí e a luta pela terra.
OS VERDADEIROS BANDIDOS
“Falo sobre a vida do crime, sobre quem são os verdadeiros bandidos da sociedade brasileira, prego a revolução sem revólver na mão, uma revolução de consciência, de atitude, postura”, enfatiza o rapper. A crítica social expressa nas letras de Ice Band inclui também a polícia: “Os fardados fazem os mais pobres sofrerem violências, como dizia Ernesto Che Guevara: a farda modela o corpo e atrofia a mente. Antigamente os capitães da mata eram os negros que ascendiam e se tornavam superiores socialmente e pegavam os próprios negros. É um paralelo ao que acontece hoje, é uma história que é reconstruída através da polícia.O Brasil ainda tem, também somado a este fato, uma postura herdada da ditadura militar. O respeito aos direitos humanos é muitas vezes ignorado.
HISTÓRIA DE VIDA
O rapper carrega no corpo e nas reflexões a marcada do período em que era envolvido com a violência. “Sou portador de uma deficiência no olho esquerdo por causa de uma arma de fogo. Tive um desvio de conduta e me envolvi com o mundo à margem da sociedade, acabei fazendo inimizades e também várias marcas no corpo. A visão do olho esquerdo eu perdi quando levei um tiro na cabeça. Hoje meu lado esquerdo enxerga com o coração”, afirma.
A mudança de vida de Ice Band é explicada por ele mesmo, que enxerga na militância, no rap e na família seus principais pilares. “Mudei através da base educacional que conquistei nos movimentos sociais e das bases eletrônicas, com o rap. Tive também a base familiar, apoiado pela minha mãe, Nina Jana, minha esposa, que trabalha na minha produção musical, meu filho, o bebê Hudson, a Instituição Martinho Lutero, na qual trabalhei como educador e a Rádio Favela, como apresentador. Já estive preso, já estive no hospital e a arte me ajudou a querer viver, passar uma idéia positiva para comunidade, onde tem gente se matando e morrendo. O rap é música de protesto e resistência e tem um papel educacional importante para as comunidades”
DIÁLOGO
O rapper considera importante estabelecer um diálogo com outros públicos além do rap: “Considero conversar sobre temas políticos e sociais, através de boas letras, uma forma de buscar novos aliados e fortalecer o rap, sempre trabalhando a questão da reivindicação social, conscientizando as pessoas, sem forçar a barra”, diz. Ele avalia a experiência com outros públicos positiva do ponto de vista da receptividade das mensagens. Ele relata cita uma apresentação que fez em junho de 2006 durante o expediente de uma agência da Caixa Econômica Federal, na Telemar, em que surpreendeu o público. Ele conta que a articulação para a realização do show foi iniciada através de uma matéria publicada no jornal Estado de Minas, que despertou o interesse da empresa pelo trabalho.
UMA ONDA NO AR
Na arte, além da música, Ice Band participou da produção do filme “Uma Onda no ar”, dirigido por Helvécio Ratton, mediando a relação entre comunidade e equipe técnica. (Com Duelo de MCs/Aglomerado da Serra/O Tempo/Google)

Comentários

brialvim disse…
Olá, parabéns pela homenagem e pelo histórico levantado. Ficou mto bom!

Abço, Brígida Alvim (jornalista, também indignada com a violência e preconceito, e solidária ao Hudson).
HUDSON CARLOS disse…
OLA AMIGOS E AMIGAS ESTOU BEM MELHOR E HJ ANOITE FAREI SHOW NO DUELO DE MCS ..ESTÃO CONVIDADOS..ABRAÇÃO E OBRIGADO PELO APOIO..