Rússia caminha para a construção de uma base robotizada na Lua
Cientistas russos determinaram os prováveis locais de alunissagem da sonda “Luna – Glob”. O seu lançamento, a realizar-se em 2014, marca o reinício do estudo pela Russia do satélite natural da Terra com ajuda de estações automáticas, iniciada há algumas décadas por “Lunokhods”.
O Instituto de pesquisas cósmicas junto da Academia de Ciências da Rússia escolheu seis pontos ótimos em que a sonda pode pousar, - revelou na entrevista à “Voz da Rússia” o pesquisador do instituto Igor Mitrofanov.
A sonda “Luna – Glob” é destinada para a pesquisa das regiões polares da Lua. É que nas regiões polares o meio natural da Lua é totalmente diferente daquele que tinha sido estudado no quadro de programas soviético e americano “Luna” e “Apolo”;
Nos últimos anos a sondagem da superfície da Lua à distância permitiu descobrir sintomas da água, existente em forma de gelo nas crateras subpolares que se encontram permanentemente na sombra, fora do alcance dos raios do Sol. A água enche os poros do regolito, o minério lunar. Por analogia com os solos eternamente gelados da Terra, pode-se falar dos “solos eternamente gelados da Lua”.
A sonda poderá investigar as suas propriedades com ajuda de aparelhos, capazes de determinar o teor da água dentro do solo. A sonda terá também uma manipulador, destinado a retirar amostras do solo das profundidades de até dois metros. As amostras tomadas serão inseridos nos aparelhos, instalados a bordo, para uma análise geoquímica detalhada. Isto ajudará a descobrir, donde surgiu a água na Lua. A propósito, este processo ajudará também a descobrir, donde surgiu a água na Terra, pois inicialmente o nosso planeta era seco e quente, - diz Igor Mitrofanov.
É bem provável que foram os cometas que trouxeram a água para a Lua e para a Terra. Existem dois momentos que distinguem a Terra da Lua. A Terra tem a força de gravidade muito maior e uma atmosfera densa. Foi graças a isso que o nosso planeta reteve a água, surgiram rios, lagos, oceanos, surgiu a vida. A Lua não tem atmosfera e a força de gravidade ali é pequena. A água pode existir na sua superfície somente nas condições de extremo frio.
Mas não somente os pesquisadores é que necessitam da água. Este é o mais importante recurso da futura exploração da Lua que vai começar, provavelmente, a partir dos pólos, - supõe Igor Mitrofanov.
Quando for levantada a questão de expedição pilotada e de criação de uma estação lunar, os recursos aquáticos irão abastecer a estação com o oxigênio e água para o dia-a-dia. Pode ser também produzido o hidrogênio, um excelente combustível para os mísseis. Na realidade, estamos agora empenhados na prospecção hidrológica para a futura exploração da Lua.
A sonda “Luna-Glob” torna-se o primeiro “sinal precursor” do vasto programa de retorno da Rússia para este satélite da Terra. Na sonda será instalado um radiofarol de orientação, o que permitirá a outros aparelhos pousar na região indicada com um grande grau de precisão.
Algumas outras missões, incluindo “Luna – Resurs”, previstas pelo programa russo, darão início à criação de uma base robotizada na Lua, o que vai preparar, por sua vez, tudo o necessário para o desembarque mais tarde do homem neste satélite da Terra. A cosmonáutica russa retorna não somente para a Lua mas também para o cosmos remoto em geral. Bem em breve vai começar o projeto “Fobos – solo”, - um vôo para Fobos, o satélite do planeta Marte.( Com a Voz da Rússia/Ria Novosti)

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