Sábado, 15h: Projeto Cine Bijou traz filme sobre Estela de Carlotto, líder das Abuelas de la Plaza de Mayo
Segundo filme do ciclo de cinema dedicado ao resgate da memória e da verdade histórica mostrará no sábado (20/4) a luta da líder das Abuelas de la Plaza de Mayo, Estela de Carlotto, para desmascarar a farsa sobre o assassinato da filha, Laura, e resgatar o neto desaparecido, nascido na prisão.
Inscrições pelo e-mail contato@nucleomemoria.org.br.
Lugares limitados (80).
Ficha técnica
Verdades Verdadeiras – A Vida de Estela
Argentina, 2012
Diretor: Nicolás Gil Lavedra
Atores: Susu Pecoraro, Alejandro Awada, Inés Efron, Rita Cortesse, Carlos Portaluppi
Duração: 110 minutos
O filme narra a trajetória de Estela de Carlotto, cuja filha, Laura, militante de grupos de oposição à ditadura instalada na Argentina em 24 de março de 1976, é presa e assassinada pelo regime militar. Até então uma mulher de classe média como qualquer outra, Estela se converte em uma lutadora dos direitos humanos ao lado de dezenas de outras mães que tiveram seus filhos sequestrados e mortos ou desaparecidos pelo regime.
Presidente da organização Abuelas de la Plaza de Mayo, que conseguiu identificar e restituir a identidade de 108 crianças roubadas de suas famílias após a execução de seus pais, Estela de Carlotto foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz e se converteu em uma das principais ativistas dos direitos humanos em todo o mundo.
O filme de Nicolás Gil Lavedra conta com atuações marcantes de Susu Pecoraro e Alejandro Awada, e foi indicado a 17 prêmios internacionais de cinema.
Debate após a projeção.
O Cine Bijou, para quem não o conheceu, foi um dos mais importantes cinemas da cidade de São Paulo. Ficava na Praça Roosevelt e, durante quase todo o período da Ditadura Civil-Militar Brasileira (1964-1989) cumpriu um inesquecível papel de resistência simbólica e artística: ali foram exibidos inúmeros filmes críticos e independentes. Fechado no final dos anos 1980 e correndo o risco de ter sua história esquecida ou pouco discutida, seu espaço, no entanto, não deixou de abrigar a arte de resistência, tendo uma de suas salas (a antiga Sérgio Cardoso) se tornado a sede do grupo de teatro dirigido pela militante socialista Dulce Muniz.
Foi juntando a força do significado histórico do Cine Bijou com a garra de militantes que resistiram contra a ditadura (como a Dulce e os companheiros do Núcleo Memória), e de jovens militantes de hoje, que nasceu a idéia de "reativar" o Cine Bijou.
Assim, o Cine Bijou - Cinema e Memória realizará quinzenalmente – sempre aos sábados, às 14hs – atividades gratuitas na antiga Sala Sérgio Cardoso do Bijou (atual Teatro Studio 184).
Tendo como eixo o Cinema e sua discussão, apresentaremos também pequenas intervenções em outras linguagens: teatro, música, artes plásticas, etc.
Desta maneira, entendemos que possamos enfrentar o que consideramos dois importantes aspectos da construção democrática ora em curso: por um lado, fortalecer a preservação e difusão da nossa Memória Cultural e Política da resistência; por outro, ampliar o acesso a essa memória e aos bens culturais atraindo, sobretudo, a participação de adolescentes e de jovens trabalhadores pobres que moram ou freqüentam a região do Centro Velho da cidade de São Paulo. Vale destacar, dentre estes grupos, a importância que damos a coletivos periféricos das mais variadas formas de resistência, dentre os quais está o pessoal do Sarau da Ademar – coletivo de jovens poetas e artistas da Cidade Ademar -, que já começou a somar no projeto.
Paralelamente – e até para que possamos cumprir com êxito as tarefas que nos propomos – faz parte do nosso projeto a construção de um espaço capaz de atrair e aglutinar jovens artistas, pesquisadores, historiadores e estudiosos das várias áreas do saber, lado a lado com as gerações que viveram e resistiram nesses diversos campos, durante a ditadura.
Deste modo, o Cine Bijou, que desempenhou um importante papel na formação dessas gerações que resistiram nos anos 1960, 1970 e 1980, retoma por meio deste projeto o seu papel junto às novas gerações que, neste início do século 21 estejam interessadas na consolidação e ampliação da democracia em nosso país.
CINE BIJOU – CINEMA E MEMÓRIA
LOCAL: Teatro Studio 184, Pça Roosevelt, 184 – Centro de São Paulo

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