Organizações da esquerda mineira se reúnem e pautam unidade para o movimento nas ruas (Na concentração deste sábado O jornal do SBT calculou que 120 mil pessoas participaram das manifestações em BH. A Globo News registrou mais de 60 mil e a BBCBrasil, mais de 66 mil, enquanto a Band News também ficou em mais de 60 mil)

                                                         
Reunião preparatória para manifestações deste sábado

Mais de 150 pessoas, de diversas organizações sociais – sindicatos, partidos, movimentos sociais, pastorais sociais, estudantes – se reuniram na noite desta sexta-feira (21) em Belo Horizonte

Joana Tavares

de Belo Horizonte (MG)


Mais de 150 pessoas, de diversas organizações sociais – sindicatos, partidos, movimentos sociais, pastorais sociais, estudantes – se reuniram na noite de sexta-feira (21) em Belo Horizonte para discutir as mobilizações em curso na cidade e no país e tentar traçar formas de atuação conjunta. A próxima manifestação na cidade vai acontecer neste sábado (22) e promete reunir mais de 100 mil pessoas.

“Esse espaço não substitui a assembleia popular, e estaremos lá também no domingo”, explica Bruno Abreu Gomes, médico e diretor do Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte (Sindibel), que sediou a reunião.

A maioria das pessoas demonstrou otimismo com a situação atual das mobilizações na capital mineira: “A conjuntura mudou, e mudou pra melhor”, resume Joceli Andreoli, da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens e do Comitê do Plebiscito Popular pela redução das tarifas de energia. “Esse é o momento em que precisamos dar um passo a mais na nossa organização, pois as massas estão em disputa”, continua. 

Na visão de Joceli – e de grande parte das pessoas que se manifestaram – as mobilizações têm pautado temas de interesse popular e cabe às organizações seguir no trabalho de formação e disputa ideológica para que os temas da direita e da mídia não sejam hegemônicos nas palavras de ordem e na condução dos processos.

Um dos elementos destacados como positivos para as lutas em Belo Horizonte foi o histórico de unidade construído há anos em Minas Gerais, que foi catalisado com a greve dos professores em 2011. Por isso a questão da educação – com demandas como o investimento do pré-sal e 10% do PIB, royalties do minério e aumento do salário – foi apresentada como uma das questões centrais para articular o debate.

Mas não é só essa: os direitos da população LGBT, dos negros, dos sem-terra, dos que lutam por moradia e reforma urbana, a redução da tarifa de energia e diversas outras também foram levantadas como bandeiras antigas – e atuais – que precisam ser agitadas e propagandeadas. Todas foram reunidas dentro do conjunto de pautas do Projeto Popular, como fundamentais para serem colocadas nas ruas. O central, na conclusão dos presentes, é organizar, politizar, investir na unidade e no desgaste ao governo estadual e da prefeitura.

 Passe livre e Copa do Mundo

Em Belo Horizonte, o primeiro grande ato – que reuniu oito mil pessoas – aconteceu no sábado (dia 15), após uma coincidência de ato organizado pelo Comitê Popular dos Atingidos pela Copa (Copac) e da solidariedade às manifestações em São Paulo, contra o aumento das passagens e por melhorias no transporte coletivo.

Apesar de o aumento na capital mineira ter sido realizado no dia 29 de dezembro de 2012, o tema também foi um catalisador dos protestos, e segue na pauta de reivindicações. O prefeito Marcio Lacerda tem anunciado proposta de reduzir em dez centavos a tarifa (o reajuste foi de R$ 0,15; a passagem passou de R$ 2,65 para R$ 2,80), mas as organizações estudantis são contra a proposta. “É uma mixaria isso que ele está propondo. E o projeto de lei dele prevê tirar recursos da saúde. Achamos que ele tem que revogar o último aumento das passagens, porque foi ilegal. Belo Horizonte não pode continuar privilegiando a máfia do transporte coletivo”, afirma Gladson Reis, vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. (confira entrevista na íntegra abaixo).

Gabi Santos, estudante e militante do Copac, explica que houve uma necessidade de ampliar o debate, em locais públicos, e por isso foi organizada uma assembleia popular, e outra está prevista para domingo (23). Segundo ela, a primeira assembleia debateu os temas e decidiu por pautar o passe livre, as denúncias referentes à Copa do Mundo, a PEC 37 e o Estatuto do Nasciturno. (confira entrevista na íntegra abaixo).

A direita caminha

Gladson e Gabi são dois dos militantes que têm percebido – e sofrido – as pressões da direita. Uma foto do líder estudantil circula na internet e já teve, segundo Gladson, mais de 2.500 compartilhamentos, com comentários ultra-conservadores. Gabi tem sido seguida e vigiada por policiais. Mas os dois – e os demais militantes presentes na plenária – estão otimistas frente aos rumos do movimento.

Renan Santos, militante do Levante Popular da Juventude, acredita que a reação de setores da direita, inclusive da mídia, veio da própria natureza das reivindicações, de caráter popular. “Vendo que isso toma uma proporção cada vez maior, a sociedade apoiando, é óbvio que eles vão tentar disputar o movimento. E é isso que estão tentando fazer, de uma semana pra cá”, afirma. “Cabe a nós, movimentos sociais, organizações políticas de esquerda, cabe à gente entrar firme nessa disputa e retomar o movimento para as pautas populares, retomar que o povo vá pra rua lutar pelos seus direitos e necessidades legítimas. Esse é nosso desafio agora”, completa.

 O Dia “D”

Além da participação no ato no sábado e na assembleia popular de domingo, as organizações se preparam para o ato do dia 26, quarta-feira próxima, dia de jogo da Copa das Confederações em Belo Horizonte. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), vai fazer greve no dia, e promete colocar a base na rua. Outras categorias se comprometeram com o mesmo. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), trará seus militantes dos acampamentos e assentamentos.

Apesar de ter sido rechaçada por parte dos participantes nas manifestações, as organizações de esquerda acreditam que têm papel central a cumprir no processo. “Toda nossa discussão se resume à luta capital e trabalho. Então o sindicato vai se posicionar do lado do trabalho, do lado da população. Então é uma discussão de quem vai ficar com a riqueza, uma disputa de orçamento. E os sindicatos têm que apoiar isso”, afirma Lindolfo Fernandes de Castro, do Sindicato dos Auditores Fiscais (Sindifisco/MG). “É lógico que gente tem que ter um certo cuidado para não querer impor a pauta da gente, mas somar, passar a pauta e as experiências que a gente vem acumulando”, completa.(Com o Brasil de Fato)


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