TRINCHEIRA D FLÁVIO ANSELMO
NEYMAR VIRA PRINCÍPE NA CATALUNHA ANTES DE JOGAR PELO BARÇA
A ex-Joia santista encontrou seu artesão na Seleção. Seja através da força motivadora do dinossauro Luiz Felipe Scolari - e nesse mister ele bom pacas - ou pela desvinculação das responsabilidades de carregar o time do Santos, sozinho, nas costas. Neymar com certeza mereceu algumas sessões de descarrego do truculento técnico do Brasil até se sentir leve, livre e solto no escrete.
Ganhou a camisa 10 e o respeito decisivo dos brasileiros e dos estrangeiros.
Contra a Itália, foi Neymar de armadura nova. Levando cacetadas, mas as distribuindo, também. Como o Rei Pelé fazia; não apanhava impunemente.
O agressor que esperasse o troco mais à frente. A inexperiência de Neymar, frango novo neste terreiro, levou-o a cometer três faltas fortes seguidas, e numa delas tirou o lateral Abate de campo, trocado por Maggio. Levou cartão amarelo.
DISPOSIÇÃO CONTAMINA
A exagerada disposição de Neymar contaminou o resto do time. A Itália já não tinha Pirlo e De Rossis e perdeu mais dois no primeiro tempo, vítimas da agressividade brasileira. Nosso time começou a 120 por hora, assustou os italianos, porém após os 10m passou a distribuir pancadas.
David Luiz foi amarelado antes de Neymar. Ali por volta dos 20m, o Brasil tinha nove faltas contra apenas três dos italianos.
O beque brasileiro, também, levou o seu e saiu do jogo. Entrou Dante, que teoricamente, seria melhor na cobertura das costas de Marcelo por ser, também, canhoto. Foi bom, entretanto, na área, pra fazer o primeiro gol, num lance de impedimento, aos 45m. Tanto Fred que cabeceou antes pra Buffon rebater a bola, quanto Dante estavam impedidos. Brasil 1 a 0.
ESQUENTA O JOGO
Na fase final, o jogo foi esquentado. Balotelli de um lado e Neymar do outro. O italiano se desentendia com Luiz Gustavo e quase saíram no tapa. Neymar topava Maggio e não afinava. Saíam faíscas. Aos 2m, pelas costas de Marcelo, sem cobertura, Giacherini recebeu um magistral passe de calcanhar de Balotelli - penso que foi sem querer! - e empatou em 1 a 1, com chute cruzado.
Amigos, vou lhes contar o que já sabem, porque o Brasil todo viu. Aos 10m, Neymar leva falta de Maggio e ele mesmo cobra com uma categoria que o levou às manchetes dos principais jornais da Catalunha. No ângulo, sem defesa pra Buffon. Brasil 2 a 1.
GENIAIS TAMBÉM
Foram geniais, também, o passe longo de Marcelo e a matada no peito de Fred, completando de perna esquerda, no terceiro gol, aos 21m. Brasil, 3 a 1. Dois minutos, por avaliar a Itália entregue e pra não correr risco do segundo cartão amarelo e da consequente expulsão, Felipão tirou Neymar e colocou Bernard.
Avaliação errada. Os italianos estavam vivos e com a ajuda do árbitro marcaram o segundo gol. Tudo igual, né? Afinal, no nosso primeiro gol Fred e Dante estavam impedidos, lembram-se? O juiz deu pênalti de Luiz Gustavo em Balotelli e a defesa brasileira parou. Ele mandou seguir e Chiellini chutou pras redes. Brasil, 3 a 2.
FINAL DRAMÁTICO
Seria difícil a Itália tirar da gente a classificação. O empate, caso ela chegasse lá, era bom pra nós, também. Eles mandaram uma bola na nossa trave. Porém, foi o Brasil quem marcou. Hernandes tomou a bola pela esquerda, passou pra Bernard. O atleticano apenas rolou pra Marcelo soltar a bomba. De novo, o considerado melhor goleiro do mundo soltou nos pés de Fred. O goleador não vacilou: Brasil 4 a 2.
Eis aí, em resumo, a história de um grande clássico entre os maiores ganhadores de Copa do Mundo. O Brasil é penta e a Itália tetra.
Ah, o último recado da partida. Quando Arnaldo César Coelho falar que o árbitro é bom, não acreditem. Este que apitou Brasil 4 x 2 Itália é simpático, sorridente, mas apita que nem o pessoal do quadro de árbitros da FMF.
SURPRESA GERAL
A maior surpresa desta rodada que finalizou o Grupo A foi o público do Mineirão. Numa partida sem nenhuma atrativo e rodeada pela já inconveniente manifestação popular, mais de 52 mil pessoas foram ao Gigante da Pampulha ver o México bater o Japão por 2 a l, com gols de Chicharito Hernandes. Depois na volta pra casa, tiveram de enfrentar a ira dos vândalos e o saco cheio da PM.
NADA DE NOVO
O complemento da terceira rodada da fase de classificação da Copa das Confederações nada trouxe de novo nos jogos finais do Grupo B. A Espanha manteve 100% de aproveitamento e num ritmo de bolero - dois pra lá, dois pra cá - derrotou a Nigéria por 3 a 0.Dois gols de Jorge Alba e um de Fernando Torres, que agora tem cinco e é o artilheiro da competição.
Na outra partida, no Recife, pra não fugir da regra, a simpática equipe do Taiti, apesar de torcida dos presentes no estádio, costume aliás que se iniciou no Mineirão, tomou dos implacáveis uruguaios por 8 a 0, - a terceira goleada: 6 a 1 da Nigéria; 10 a 0 da Espanha.
Entretanto, deram de goleadas em todas as outras seleções nos quesitos simpatia, humildade e jogo limpo.
SEMIFINAIS DEFINIDAS
Por questão de respeito, a Fifa e a mídia não anteciparam oficialmente as semifinais. Brasil em primeiro e Itália, em segundo, sabia-se que enfrentariam Uruguai e Espanha, respectivamente. Seria impossível a Nigéria tirar a Espanha do primeiro lugar, mesmo sendo possível, como foi, o Uruguai golear Taiti por 8 a 0.
Azar da Itália que pega os espanhóis na quinta-feira, as quatro da tarde, no Castelão, em Fortaleza, numa das semifinais. A outra será na quarta-feira entre Brasil e Uruguai, no Mineirão, também às quatro horas. A final está marcada pra domingo, dia 29.
A Espanha do extraordinário André Iniesta não é derrotada há um porrilhão de jogos. Não gostaria que fosse a Itália a arrancá-la o selo. Que venha a Fúria na final contra o Brasil que espero não nos faça nenhuma surpresa desagradável aqui no Mineirão diante dos perigosos uruguaios.
OUTRAS SURPRESAS
Além daquele mundial de 50 que causou o Maracanazzo, a maior lembrança esportiva da nossa ex-província, os celestes pregaram-nos outras peças em torneios menores.
Eu estive presente numa dessas peças, em 1980, no Mundialito de Montevidéu, promovido pela Fifa pra comemorar os 30 anos da conquista da Copa pelo Uruguai, no Brasil. Eu era diretor de esportes da Rádio Capital e transmitimos o torneio pra todo País. O time nacional era comandado por Telê Santana. A Celeste Olímpica venceu-nos na final por 2 a 1.
Em seguida fui a mais dois mundiais com Telê de treinador, em 82 e 86. O Brasil perdeu os dois. Certa vez me encontrei com Telê em Santos Dumont, eu viajava pro Rio e ele voltava de lá, e num rápido papo, brinquei: " É Mestre, vamos escolher entre nós dois aquele que é o grande pé frio da Seleção." Ele deu um sorriso, mas não gostou.
CALA A BOCA BELLETTI
Juliano Belletti, o vira-casaca, que começou nos juvenis do Cruzeiro e parou de jogar como atleticano, dá algumas escorregadas legais nas transmissões do Sportv. Gosta de afirmar sua amizade com o pessoal da Espanha onde atuou alguns anos pelo Barcelona. Por isso disse que "Iniesta é o maior jogador da Espanha no momento". Até aí tudo bem, até porque Lionel Messi é argentino.
Porém ao completar seu raciocínio com este disparate -" e um dos melhores na história do futebol" - mostrou que conhece pouco da verdadeira história do futebol mundial. Iniesta é um craque, sem dúvida. Mas na relação dos 200 melhores jogadores do mundo, em todos os tempos, ele estaria fora. Sem dúvida.

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