Intelectuais e jornalistas argentinos solidários com a Telesur

                                                    

Intelectuais, jornalistas e militantes políticos da Argentina se solidarizam com a Telesur ante a decisão do governo de Mauricio Macri de tirar o país desse projeto de televisão latino-americana.

Cientistas políticos da estatura de Stella Calloni e Atilio Borón, o filósofo mexicano Fernando Buen Abad, o jornalista e titular das Cátedras Bolivarianas, Carlos Aznárez, entre outros, se concentraram ontem em frente ao escritório da Telesur em Buenos Aires em demonstração de solidariedade e apoio.

Acompanharam os intelectuais, militantes de várias organizações políticas como do Partido Comunista da Argentina e La Cámpora.

Na opinião de Borón, o plano de governo de Mauricio Macri, de aplicar um neoliberalismo duro com todas as políticas antipopulares que implica, exige um apagão informativo para que a sociedade não esteja informada, que não tenha conhecimento do que se passa no exterior, e principalmente do que ocorre na Argentina.

"Estamos presenciando agora como os meios hegemônicos blindam e protegem o presidente no escândalo das empresas fantasmas reveladas nos Panamá Papers", comentou à Prensa Latina.

A ação da administração Macri contra a Telesur é parte de todo este projeto que temos chamado de Plano Condor da Desinformação, ressaltou o diretor do Programa Latino-Americano de Educação à Distância em Ciências Sociais.

Para Pablo Vilas, um dos dirigentes da organização juvenil política La Cámpora, "é uma tentativa de censura do governo fascista de Mauricio Macri".

"Telesur não foi a única voz que nasceu e cresceu ao calor do processo que vivemos na América Latina e no Caribe desde 2005, mas também foi uma janela para reconhecê-lo como um processo continental", afirmou à Prensa Latina.

Através desse canal - sublinhou - conhecemos a realidade de nossos povos e do mundo. "É a única janela para ver e nos fazer ver".

A repórter argentina da Telesur, Carolina Sánchez, reflete que o Governo alega que é uma decisão econômica, com o pretexto de que o canal implica uma despesa para o Estado, "quando está claro que é uma ação política".

Tem relação - acrescentou - com os desacordos com o Mercosul, com os governos populares da região e principalmente contra a Venezuela.

Sánchez recordou que depois de assumir a Presidência Macri solicitou que se aplicasse a cláusula democrática do Mercosul contra o governo venezuelano, "mas percebeu que era uma exigência ridícula, inviável e sem sustentação".

E como consequência começa a agir de outra maneira, e adota a decisão de rescindir o convênio do Estado argentino com a Telesur, opinou a jornalista.

Advertiu que isso deu passagem a que vários operadores de televisão a cabo no país tirassem o sinal da Telesur de seus pacotes.

"O que busca o Governo é que a Telesur não seja vista na Argentina porque não se alinha com a ideologia deste canal latino-americano, e se incomoda com as verdades que difunde, como também lhe incomoda as verdades que divulga qualquer outro meio de imprensa", afirmou a repórter.

(Com Prensa Latina)

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