QUERO MORRER FELIZ

                                                                   

(Flávio Anselmo - novembro/2018)



Se eu morrer amanhã,

bem cedinho, de manhã

não deixo saudade, e nem

quero ser louvado, também.

Chamado de bom moço,

feito uva sem caroço.

Não digam que deixei

o mundo órfão de uma mente sã.

Deixei nada!

Ninguém chorará por mim.

Vou catar saudade se houver

nos cantos da vida espalhada,

e saberei que de ti não terei nada,

nem choro, nem vela, só ódio e melancolia.

Tu alertarás a ruindade de meus poemas,

 serviriam apenas pra alimentar o ódio crescente

de inveja pelo que faço imprudente

desde nossa mocidade:

plagiei samba, amei e fui amado

beijei a quem quis,

então sabes: se morrer amanhã

morrerei feliz, bem feliz

e te sobrará apenas a tristeza matriz,

rainha dela, convulsiva e eterna.



Dirás, enraivecida, que fui pífio poeta

de versos pobres, que servem de alerta

pois abrem caminho aos beijos fatais,

criam e matam amores caudais,

que atraídos pela harmonia dos versos

cantados sob balcões diversos,

ocupados por mulheres solitárias,

clareadas por estrelas e luminárias

que, ainda, plantea

violões em serenata na lua cheia.

(FIM)





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