Liga Árabe denuncia que Israel tenta judaizar Jerusalém. A mesquita Al-Aqsa foi violada por forças israelenses
Em um comunicado emitido no Cairo, a maior organização do Oriente Médio denunciou que Israel tenta alterar a composição étnica e religiosa de Jerusalém, tolerando o assédio de extremistas judeus e a ocupação por militares do pátio do terceiro lugar sagrado do Islã. A Liga instou a deter o que chamou de tentativa de judaizar a cidade berço das religiões muçulmana, cristã e judia, e cuja parte leste deve ser capital do futuro Estado palestino independente. Por seu lado, o grande xeique do Al-Azhar, Ahmed Al-Tayeb, conclamou aos muçulmanos do mundo a responder a esses "atos bárbaros", demonstrar zelo pelos lugares sagrados e "fúria pelo desprezo judeu". A mais importante instituição do Islã sunita no mundo, com sede no Egito, destacou que essas ações desrespeitam a santidade dos lugares de culto, e também o direito internacional e humano. Colonos israelenses e membros do partido de direita Likud, do premiê Benjamín Netanyahu, ocuparam no domingo o complexo de Al-Aqsa na Cidade Velha de Jerusalém e, apoiados por forças de ocupação de Israel, atacaram idosos e imãs da mesquita. Anteriormente haviam chamado por redes sociais na internet milhares de judeus para assaltar a Al-Aqsa para defender a suposta soberania israelense e reconstruir o Segundo Templo que, segundo o judaísmo, esteve ali. A entrada violenta no pátio da Al-Aqsa, considerada o terceiro lugar santo para os muçulmanos após A Meca e Medina, provocou confrontos e a detenção de 12 palestinos que se mantiveram dentro do recinto para repelir as tentativas dos extremistas de profaná-lo. Os militares israelenses fecharam as portas da mesquita e depois de pressões permitiram o acesso somente a palestinos maiores de 50 anos, o que levou ao governo em Gaza a advertir sobre a possibilidade de "um novo massacre" por forças sionistas e seus colonos. Dirigentes do movimento islamista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, responsabilizaram Netanyahu das conseqüências dos choques nos que foram feridos numerosos palestinos e um oficial sionista. A agressão dos extremistas também foi condenada pelo secretário-geral da Organização de Cooperação Islâmica (OCI), Ekmeleddin Ihsanoglu, que no domingo emitiu um comunicado em sua sede da cidade saudita de Jeddah alertando sobre a "séria escalada". Em nome dos 57 Estados membros, a OCI qualificou como provocação o assalto contra "toda a nação islâmica" e urgiu ao Conselho de Segurança da ONU e a comunidade internacional a atuar imediatamente para frear essa "flagrante violação". (Com a Prensa Latina) |
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