Vigílias em 100 cidades dos EUA pedem justiça para Trayvon Martin
Cidadãos de 100 cidades dos Estados Unidos se mobilizarão hoje em uma vigília nacional e pedirão justiça para o adolescente afro-americano Trayvon Martin, cujo assassino George Zimmerman foi inocentado há uma semana da acusação de homicídio em segundo grau.
O reverendo Al Sharpton fez a convocação na última segunda-feira após a decisão de um júri de declarar inocente ao ex-guarda noturno, que matou o jovem de 17 anos de idade em fevereiro de 2012 enquanto caminhava desarmado por uma comunidade da Flórida, no sul do país.
"Haverá manifestações neste sábado em 100 cidades diante de escritórios federais, para pressionar o governo a que proteja nossos direitos cívicos", anunciou o religioso.
De acordo com Sharpton, as marchas também exigirão a condenação de Zimmerman e a revogação da lei popularmente conhecida como "dispara primeiro e pergunte depois", invocada pelo acusado para se declarar não culpado pelo incidente.
Acrescentou que defensores dos direitos civis preveem se reunir nos dias 23, 24 e 25 de julho em Miami com o objetivo de planejar uma campanha contra a existência dessa legislação na Flórida e em outros 22 estados do país do norte.
Mais de 11.249 pessoas assinaram uma petição para boicotar o chamado estado do sol enquanto esteja vigente esta figura legal, pela qual o reverendo norte-americano Jesse Jackson pediu declarar esse território como uma zona com regime de apartheid (sistema de segregação racial).
Até o cantor Steve Wonder negou-se a cantar na Flórida e em todas as localidades estadunidenses ou países que mantenham leis desse tipo, em solidariedade com Martin.
O presidente Barack Obama ontem fez suas primeiras declarações sobre o tema em uma visita surpresa e questionou se as leis sobre defesa preventiva contribuem verdadeiramente com a paz e com a segurança, mas não se pronunciou contra a absolvição de Zimmerman.
Também sugeriu às autoridades federais revisar esse tipo de regulamentos e ajudar a educar as polícias locais no tratamento das relações raciais.
A decisão do júri a favor de Zimmerman desencadeou desde o último sábado massivos protestos de rejeição em cidades como Chicago, Nova York, Sanford, Califórnia, Oakland, Los Angeles e São Francisco, onde milhares de manifestantes mostram indignação e frustração pelo tratamento do caso.
Artistas famosos como Beyoncé, Rihanna, John Cusack, Richard Dreyfuss, Nia Vardalos, Kat Dennings e Whoopi Goldberg também criticaram o veredito.
Além das marchas, pelo menos 42.652 pessoas assinaram duas petições publicadas no site digital da Casa Branca para que o Governo abra um julgamento civil e acuse o ex-vigia voluntário.
O processo judicial contra Zimmerman é qualificado como um dos mais mediáticos dos últimos tempos e também um dos eventos que mais causou divisão em décadas porque poderia aumentar a controvérsia no país sobre temas pendentes como armas, racismo e os abusos dos agentes públicos.(Com a PL)

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