Camponeses em greve de fome contra Banco Itaú

                                                            
Os camponeses Elvira Cândida de Jesus Pereira e Ronaldo Rodrigues da Costa iniciaram nesta segunda-feira (16) uma greve de fome. O jejum começou depois de o banco Itaú rejeitar acordo para o pagamento de sua dívida e manter ordem de despejo contra a família, que vive há 47 anos no local.
Elvira Cândida mora com seu marido, João Batista Pereira, três filhos e o genro em uma pequena propriedade rural, no município de Catalão, no sudeste goiano.
Em 29 de março, um Oficial de Justiça, acompanhado de um policial militar, foi à propriedade para cumprir a ordem de despejo, após a terra ter sido leiloada pelo Banco Itaú por causa de uma dívida que o camponês possui. Em 1997, João Batista fez empréstimo de R$ 12 mil com o Banco do Estado de Goiás (BEG) para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O camponês pagou metade do valor ao banco. Em 2001, o Itaú comprou o BEG e a dívida dos R$ 6 mil restantes migrou de banco. Agora, a gerência do Itaú alega que a dívida passou para R$ 80 mil.
Em solidariedade à família, o camponês e membro da direção do Movimento Camponês Popular (MCP) Ronaldo Rodrigues da Costa também entrou em jejum.
Os camponeses reivindicam, junto ao Itaú e ao Judiciário, o cancelamento do leilão. Além disso, eles pedem que o governo federal intervenha junto ao Itaú para garantir que o banco apresente o valor atualizado da dívida, baseada na resolução 4.028 do Banco Central, que permite a repactuação de dívidas.
Em reunião, semana passada, sobre a dívida, da gerência do banco Itaú, com o casal de camponeses e a coordenação do Movimento Camponês Popular (MCP), por intermédio do Ministério Público Federal, o Itaú requereu o pagamento de 80 mil reais e posteriormente abaixou para 20 mil reais. Mas, vinculou o recebimento da dívida à homologação do leilão e ao despejo da família. Diante disso, Elvira Cândida iniciou jejum, por tempo indeterminado, e está disposta a dar sua vida para defender seu local de moradia e sua única fonte de sobrevivência. Em solidariedade, o camponês e membro da direção do MCP, Ronaldo Rodrigues da Costa, também entrou em jejum.
Cálculos revelam que o valor máximo da dívida está hoje em 15 mil reais, respeitando a revolução, do Banco Central sobre a renegociação de operações de crédito rural no âmbito do Pronaf. Em 1997, João Batista fez empréstimo de 12 mil reais com o Banco do Estado de Goiás (BEG) para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). João Batista pagou metade do valor ao banco. O restante do valor não foi pago devido à problema grave de saúde de um dos filhos do casal. Em 2001, o Itaú comprou o BEG e a dívida dos seis mil reais restantes migrou de banco. João deu como garantia do empréstimo a penhora de animais e a hipoteca da terra, mas o Judiciário de Catalão não executou a penhora, que seria uma forma menos agravante. Houve o leilão da terra por menos da metade de seu valor e sem notificação à família.

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