MTST leva às ruas mais de 25 mil pessoas em ato contra a Copa
O grupo começou a se reunir às 17h, em frente à estação Vila Matilde do metrô. O local foi escolhido por sua proximidade com a Arena Corinthians, estádio que receberá a abertura da Copa do Mundo no próximo dia 12 de junho. A distância entre o ponto de encontro e o estádio, destino do movimento, é de apenas 7 km.
Na caminhada de mais de duas horas, lideranças do movimento entoavam palavras de ordem e letras adaptadas de canções de sucesso e gritos de guerra. 'Trem das Onze' ("moro em Jaçanã, se eu perder esse trem...", do compositor Adoniram Barbosa, se tornou "moro no barracão, se eu pegar essa marcha..." O canto corintiano "aqui tem um bando de louco" virou "aqui tem um bando de louco, louco por moradia! Para aqueles que acham que é pouco, é porque não conhecem a nossa sina!"
Por volta das 20h30, os manifestantes começaram a chegar à entrada do estádio. Segundo o MTST, a massa estava concentrada em mais de 25 mil pessoas - bem distante dos 12 mil divulgados pela PM.
"O Itaquerao não vai ser dos gringos! Daqui a 8 dias só vai ter burguês aqui. Mas hoje este estádio é do povo", discursou Guilherme Boulos sobre o carro de som do grupo, pedindo para as pessoas se espalharem para os lados para permitir que todos conseguissem ficar na área do protesto, que, segundo o movimento, levou mais de 25 mil. "Arra, urru, o Itaquerao é nosso", agitou entre um rap e outro cantado por colegas de movimento.
"Nós não queremos violencia, nosso movimento tem conduzido tudo de forma pacífica e civilizada. O que estamos dizendo é que é preciso que uma vez pelo menos nesta Copa do Mundo o povo seja visto", prosseguiu por volta das 21h10, já na parte final do protesto, em frente ao estádio, onde o grupo chegou às 20h30.
"O ingresso custa 500 conto! Nós não vamos estar lá! Queremos ver nossa reivindicação atendida! Estamos aqui, esperando! Estamos dando o nosso recado, que ja demos quando paramos em outras oportunidades vias de todo o país. Agora que deixamos claro que não temos medo, que vai ter muita gente de verde e amarelo no estádio, mas vai ter mais gente de vermelho do lado de fora!"
O principal motivo para o novo protesto é a falta de resultados concretos em relação às reivindicações do grupo. São seis os tópicos defendidos pelo MTST para uma ampla reforma urbana na cidade, passando por saúde, educação, segurança, soberania - pensão vitalícia às famílias dos operários mortos em obras do Mundial, garantia de trabalho informal e prevenção à exploração sexual -, transporte e moradia.
É esta última questão o principal foco do grupo. O MTST aguarda uma decisão da prefeitura em relação à ocupação Copa do Povo, localizada a quatro quilômetros do estádio corintiano, ocupada por famílias sem-teto desde o início de maio. "Temos tido negociações, mas nada concreto. Assim, vamos pressionar nas ruas", disse ao iG Guilherme Boulos, um dos coordenadores do movimento.
O grupo também exige mudanças no programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida e a criação de uma política nacional para prevenir despejos forçados em reintegrações de posse.
Existe a possibilidade de o grupo novamente voltar às ruas para uma grande manifestação ainda nesta semana, na sexta-feira (6), quando a seleção brasileira enfrenta a Sérvia em amistoso no Estádio do Morumbi, na zona sul da cidade.
A última grande manifestação anti-Copa do movimento ocorreu no dia 22 de maio. Na ocasião, 15 mil pessoas, de acordo com a PM - 20 mil, segundo Boulos -, se reuniram no Largo da Batata, na zona oeste da cidade, e caminharam em direção à Ponte Octávio Frias Filho, na região sul.
Na ocasião, o grupo conseguiu fechar algumas das principais vias da cidade pelas quais passaram, como Avenida Brigadeiro Faria Lima, Ponte Cidade Jardim e Marginal Pinheiros sentido-Interlagos.
Além do MTST, estarão presentes no ato grupos como o Movimento Passe Livre (MPL), Comitê Popular da Copa e Frente Nacional de Lutas Campo e Cidade.
A última grande manifestação anti-Copa do movimento ocorreu no dia 22 de maio. Na ocasião, 15 mil pessoas, de acordo com a PM - 20 mil, segundo Boulos -, se reuniram no Largo da Batata, na zona oeste da cidade, e caminharam em direção à Ponte Octávio Frias Filho, na região sul. (Com o IG/MTST/Ninja/Divulgação)

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