Construção do edifício-sede do Sindicato dos Jornalistas voltará a ser discutida em assembleia dia 5. Estas informações são do site do SJPMG. A Oposição Sindical tem posição diferente, exposta aqui: o prédio atual deve ficar intacto, pois é parte da história da luta contra a ditadura cívico-militar e pela dignidade do jornalista. Veja aqui as duas posições, lembrando que, pelo próprio noticiário do site do Sindicato, a fachada e parte da Casa seriam preservados, entendo assim também o painel da pintora Yara Tupinambá. Vamos lá no dia 5 para discutir e entender melhor...
Durante primeira seção da assembleia-geral extraordinária (AGE) para deliberar sobre a construção do edifício-sede, na sexta-feira (18), os associados aprovaram a realização de outras seções da AGE até que a categoria esteja totalmente esclarecida sobre o assunto. Nova assembleia foi marcada para o dia 5 de março, às 19h30, na sede do Sindicato. A presidente do SJPMG, Eneida da Costa, propôs como ponto de pauta do novo encontro a leitura de uma minuta da carta-convite do contrato de permuta para a construção do prédio. Outras pautas poderão ser sugeridas pela categoria até a próxima reunião.
De acordo com a presidente, a proposta é abrir uma AGE e fazê-la em várias seções, tornando mais amplo o debate sobre o assunto. “Precisamos abrir os debates sobre a construção da nova sede. O momento econômico é favorável. Não podemos deixar de discutir nessa hora. Pretendemos chegar ao término desse processo atendendo à real vontade dos jornalistas associados ao Sindicato”, disse. Para ela, a diretoria tem como pauta de trabalho construir o edifício-sede, mas quem vai definir sobre isso são os votos dos jornalistas associados.
“Um processo com absoluta transparência, com o Sindicato assessorado por uma equipe técnica altamente profissional em todas as negociações”, disse o ex-presidente do SJPMG, Manoel Guimarães. Sobre a votação nas assembleias pela categoria, o assessor do departamento jurídico do Sindicato, Luciano Marcos, informou que esse é um direito do associado em dia com a entidade.
“Tivemos todos os cuidados, chamamos a assembleia por edital, por exigência da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). É preciso lembrar também que o estatuto da Casa reza que qualquer ação que envolva uma situação patrimonial tem que se chamar a assembleia. Todos têm direito de voz, mas o direito de voto é do associado em dia ” disse o advogado.
O prédio
Na sua exposição, o arquiteto Gustavo Penna disse que, desde a primeira versão do projeto, há 32 anos, o projeto original perdeu área construída, em função de mudanças na Lei de Parcelamento Uso e Ocupação do Solo de BH, principalmente no quesito coeficiente de aproveitamento do solo urbano. “O primeiro projeto foi feito com 24 andares, no atual são 15 andares. No Centro da cidade hoje, só é permitido a construção de prédios menores.
A proposta nossa é de que o prédio gerasse uma praça embaixo, já que o jornalista quer humanizar a cidade e luta por isso, ele próprio, no seu próprio edifício ele criaria um logradouro, uma praça própria, chamada Praça da Notícia, exemplos de generosidade e desprendimento e está presente no primeiro projeto e nesse, que vamos apresentar hoje, com algumas vantagens.
O prédio ao invés de ser um bloqueio, tem uma permeabilidade, um passarinho atravessa pelo prédio e isso significa menos obstáculo na cena.
Preserva-se a casa ao lado, dentro do contexto, preserva-se o portal de entrada.
No nível de quem passa pela rua o edifício está em outra visão, não pertence ao universo do transeunte, que atravessa pela Álvares Cabral e sai na Espírito Santo", relatou o arquiteto.
De acordo com ele, o edifício não está na rua, não gera loja na rua e não é um obstáculo, é uma praça.
" Em vez de fazer um não, faz um convite. Esse é o prédio", concluiu.
Em seguida, o advogado e especialista em direito imobiliário, Kênio Pereira, disse que a casa do jornalista está localizada num ponto nobre da cidade, mas é um imóvel que já está depreciado, porque é muito antigo, é um imóvel que não tem auditório, a parte de informática, de cabeamento, é necessário analisar essa proposta com muito carinho, porque a tendência é melhorar as condições de trabalho no Sindicato.
Na sequência dos trabalhos da noite, da primeira seção da AGE sobre a construção da nova sede, os demais componentes da mesa fizeram suas exposições. Logo em seguida, foi a vez dos associados participarem com suas propostas e questionamentos sobre o assunto.
A jornalista Helena Barcelos disse que é favorável à construção do prédio. “Primeiro vou deixar claro minha posição: eu sou a favor do prédio, porque no caso da nossa categoria, no caso do Sindicato dos Jornalistas, a discussão já está mais do que amadurecida e hoje o Sindicato tem uma postura muito madura de que é necessário a construção do prédio, até para a sua sobrevivência financeira", observou Helena.
Pelo tombamento da Casa dos Jornalistas (é o que defende a Oposição Sindical do SJPMG)
É hora de preservarmos nossa história e resgatarmos nossa tradição de luta
Vinte anos após sua fundação, em 1945, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) firmou praça no palacete da Avenida Álvares Cabral, 400, onde foi instalada a Casa dos Jornalistas, sede do sindicato e palco de importantes lutas da história do Brasil.
O imóvel foi doado em 1965, pelo então governador Magalhães Pinto – um dos artífices do golpe militar de 1964 –, com a provável intenção de tentar alinhar a categoria aos interesses golpistas, que obscurecerem o País entre os anos de 1964 e 1985. Entretanto, como testemunha a história, os jornalistas de Minas fizeram da sua Casa uma das trincheiras da resistência ao regime militar.
Em meados da década de 1970, com a abertura da Casa dos Jornalistas para outras categorias, o SJPMG foi berço da retomada de um verdadeiro movimento sindical, abrindo caminho para a reconquista da independência, autonomia e consciência de classe dos sindicatos, frente à Central Geral dos Trabalhadores (CGT), com seu sindicalismo pelego e de resultados. O papel dos jornalistas mineiros contra a ditadura foi tão importante, que no início da década de 1980, a Casa foi alvo de um atentado a bomba de autoria do Comando de Caça aos Comunistas (CCC).
A história da Casa dos Jornalistas é parte da história do SJPMG, consequentemente, dos jornalistas de Minas. Portanto, esses fatos históricos são mais do que lembranças do passado, são um registro de quem somos, do que fizemos e do que podemos fazer. O tombamento da Casa – hoje ameaçada de demolição – representa a preservação da nossa identidade como uma categoria combativa, representativa, capaz de interferir nos rumos da história.
Por isso, a Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas (OSJM) rechaça a proposta de construção de um prédio no terreno onde está a nossa Casa. Para além do discurso utilitarista de que com as salas obtidas na permuta o SJPMG passaria a ter recursos para melhor representar a classe, está o exemplo de combatividade passado e recente dos trabalhadores da notícia – como na Campanha Salarial de 2012 – de que um sindicato forte e representativo se constrói no fogo das lutas de sua categoria.
Não podemos, em hipótese alguma, assumir o discurso de que a origem da crise de representatividade pela qual passa o SJPMG estaria na falta de dinheiro para gerir o sindicato. A reposta para esse problema está igualmente contextualizada na história do sindicalismo brasileiro, que a partir do início da década de 1990 começou a perder sua razão de ser: a defesa das reivindicações concretas dos trabalhadores, em favor de um sindicalismo que coloca objetivos político-partidários acima e à frente dos interesses específicos, imediatos e concretos da categoria que representa.
Não defendemos um sindicalismo apolítico. Também não somos contrários à atuação de militantes políticos – organizados partidariamente ou não – no sindicato, inclusive com participação nas direções sindicais.
Entretanto, é decisivo ficar claro que sindicato não é partido. E sem dúvida, o progressivo abandono da natureza essencial do sindicalismo fatalmente conduz, como tem conduzido, ao distanciamento ou mesmo abandono dos trabalhadores do seu sindicato, ao esvaziamento, a assembleias vazias, a congressos de cartas marcadas, formais, inócuos.
Com o aguçamento da crise econômica em nível mundial, a tendência é o aprofundamento da exploração dos trabalhadores, por meio de propostas como o projeto de lei do Acordo Coletivo Especial (ACE) – reforma trabalhista – já encaminhado ao Congresso Nacional, patrocinado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, que resultará na perda dos direitos consagrados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Diante desse quadro, mais uma vez os trabalhadores da notícia serão chamados a ocupar o seu lugar na história. E o palco da retomada da tradição de combatividade dos jornalistas de Minas é a nossa Casa, a Casa dos Jornalistas.
Impedir a demolição da Casa não representa somente preservar o patrimônio histórico de Belo Horizonte. É manter viva a nossa identidade, valorizar a nossa história, que nos dignifica e nos faz herdeiros de uma tradição de luta que nos impõe a responsabilidade – como formadores de opiniões, consciências e ideologia – de nos unirmos mais uma vez à vanguarda dos trabalhadores brasileiros.
Não podemos abrir mão da Casa dos Jornalistas, pois a demolição da Casa representará definitivamente o nosso enfraquecimento, a perda da nossa memória, raízes, referências éticas e históricas; a perda da nossa identidade, que nunca mais poderá ser resgatada das ruínas da especulação imobiliária.
É em nome de um sindicato forte e combativo, que tem no exemplo de sua categoria a inspiração para seguir lutando que a Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas conclama todos os trabalhadores da notícia para participarem da Assembleia Geral Extraordinária, que será realizada no dia 5 de março, às 19h30, na Casa dos Jornalistas.
Também defendemos que todos – sindicalizados ou não, inadimplentes ou não – tenham direito a voz e voto, pois não está em jogo uma meia dúzia de garrafas vazias, mas a opção por um sindicato representativo de trabalhadores ou um sindicalismo utilitarista, pragmático, sem memória, história, valores e ideal.
Pelo tombamento da Casa dos Jornalistas (é o que defende a Oposição Sindical do SJPMG)
É hora de preservarmos nossa história e resgatarmos nossa tradição de luta
Vinte anos após sua fundação, em 1945, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) firmou praça no palacete da Avenida Álvares Cabral, 400, onde foi instalada a Casa dos Jornalistas, sede do sindicato e palco de importantes lutas da história do Brasil.
O imóvel foi doado em 1965, pelo então governador Magalhães Pinto – um dos artífices do golpe militar de 1964 –, com a provável intenção de tentar alinhar a categoria aos interesses golpistas, que obscurecerem o País entre os anos de 1964 e 1985. Entretanto, como testemunha a história, os jornalistas de Minas fizeram da sua Casa uma das trincheiras da resistência ao regime militar.
Em meados da década de 1970, com a abertura da Casa dos Jornalistas para outras categorias, o SJPMG foi berço da retomada de um verdadeiro movimento sindical, abrindo caminho para a reconquista da independência, autonomia e consciência de classe dos sindicatos, frente à Central Geral dos Trabalhadores (CGT), com seu sindicalismo pelego e de resultados. O papel dos jornalistas mineiros contra a ditadura foi tão importante, que no início da década de 1980, a Casa foi alvo de um atentado a bomba de autoria do Comando de Caça aos Comunistas (CCC).
A história da Casa dos Jornalistas é parte da história do SJPMG, consequentemente, dos jornalistas de Minas. Portanto, esses fatos históricos são mais do que lembranças do passado, são um registro de quem somos, do que fizemos e do que podemos fazer. O tombamento da Casa – hoje ameaçada de demolição – representa a preservação da nossa identidade como uma categoria combativa, representativa, capaz de interferir nos rumos da história.
Por isso, a Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas (OSJM) rechaça a proposta de construção de um prédio no terreno onde está a nossa Casa. Para além do discurso utilitarista de que com as salas obtidas na permuta o SJPMG passaria a ter recursos para melhor representar a classe, está o exemplo de combatividade passado e recente dos trabalhadores da notícia – como na Campanha Salarial de 2012 – de que um sindicato forte e representativo se constrói no fogo das lutas de sua categoria.
Não podemos, em hipótese alguma, assumir o discurso de que a origem da crise de representatividade pela qual passa o SJPMG estaria na falta de dinheiro para gerir o sindicato. A reposta para esse problema está igualmente contextualizada na história do sindicalismo brasileiro, que a partir do início da década de 1990 começou a perder sua razão de ser: a defesa das reivindicações concretas dos trabalhadores, em favor de um sindicalismo que coloca objetivos político-partidários acima e à frente dos interesses específicos, imediatos e concretos da categoria que representa.
Não defendemos um sindicalismo apolítico. Também não somos contrários à atuação de militantes políticos – organizados partidariamente ou não – no sindicato, inclusive com participação nas direções sindicais.
Entretanto, é decisivo ficar claro que sindicato não é partido. E sem dúvida, o progressivo abandono da natureza essencial do sindicalismo fatalmente conduz, como tem conduzido, ao distanciamento ou mesmo abandono dos trabalhadores do seu sindicato, ao esvaziamento, a assembleias vazias, a congressos de cartas marcadas, formais, inócuos.
Com o aguçamento da crise econômica em nível mundial, a tendência é o aprofundamento da exploração dos trabalhadores, por meio de propostas como o projeto de lei do Acordo Coletivo Especial (ACE) – reforma trabalhista – já encaminhado ao Congresso Nacional, patrocinado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, que resultará na perda dos direitos consagrados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Diante desse quadro, mais uma vez os trabalhadores da notícia serão chamados a ocupar o seu lugar na história. E o palco da retomada da tradição de combatividade dos jornalistas de Minas é a nossa Casa, a Casa dos Jornalistas.
Impedir a demolição da Casa não representa somente preservar o patrimônio histórico de Belo Horizonte. É manter viva a nossa identidade, valorizar a nossa história, que nos dignifica e nos faz herdeiros de uma tradição de luta que nos impõe a responsabilidade – como formadores de opiniões, consciências e ideologia – de nos unirmos mais uma vez à vanguarda dos trabalhadores brasileiros.
Não podemos abrir mão da Casa dos Jornalistas, pois a demolição da Casa representará definitivamente o nosso enfraquecimento, a perda da nossa memória, raízes, referências éticas e históricas; a perda da nossa identidade, que nunca mais poderá ser resgatada das ruínas da especulação imobiliária.
É em nome de um sindicato forte e combativo, que tem no exemplo de sua categoria a inspiração para seguir lutando que a Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas conclama todos os trabalhadores da notícia para participarem da Assembleia Geral Extraordinária, que será realizada no dia 5 de março, às 19h30, na Casa dos Jornalistas.
Também defendemos que todos – sindicalizados ou não, inadimplentes ou não – tenham direito a voz e voto, pois não está em jogo uma meia dúzia de garrafas vazias, mas a opção por um sindicato representativo de trabalhadores ou um sindicalismo utilitarista, pragmático, sem memória, história, valores e ideal.
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