Inscrições abertas para o Prêmio Abdias Nascimento


                                                

 Seguem abertas até 31 de julho as inscrições para o Prêmio de Jornalismo Abdias Nascimento. A disputa, que busca incentivar a produção de reportagens que estimulem a igualdade racial, chega a sua terceira edição e vai distribuir R$ 35 mil aos vencedores das sete categorias (Impresso, Televisão, Rádio, Internet, Mídia Alternativa ou Comunitária, Fotografia e Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros).

Neste ano, as inscrições serão feitas totalmente online, pelo site do Prêmio. O regulamento e sugestões de tema para reportagens também estão disponíveis no www.premioabdiasnascimento.org.br.

“Com a terceira edição do Prêmio esperamos incentivar a pluralidade na imprensa brasileira por meio de matérias jornalísticas que contribuam para o combate ao racismo na sociedade”, destaca Sandra Martins, jornalista e coordenadora do Prêmio.

O lançamento do concurso ocorreu no dia 7 de maio, no auditório do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, com um debate sobre a cobertura de políticas de ações afirmativas pela imprensa nacional (foto).

“Na revista Veja, por exemplo, 77% dos textos são contrários às ações afirmativas raciais (como as cotas)”, destaca o professor João Feres Júnior, coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ação Afirmativa da Uerj. Ele coordenou pesquisa sobre conteúdo publicado a partir de 2001, na revista Veja e nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo.

A jornalista Luciana Barreto, da TV Brasil, vencedora do Prêmio Abdias em 2012 na categoria Televisão com o trabalho Negros no Brasil – Brilho e Invisibilidade, lembrou do racismo nas redações, na definição de pautas e na contratação de profissionais.

“Fazer jornalismo hoje e pensar na questão do negro é lutar contra todas as forças contrárias. É escutar: 'Você não vai alisar o seu cabelo?'”, destaca Luciana.

O cineasta Joel Zito Araújo também participou do debate da terceira edição do Prêmio Abdias. Ele lança, em maio, o filme Raça, com a história de personagens negros brasileiros.
Para Bruno Cruz, diretor do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio que participou da mesa de abertura do evento, a falta de profissionais negros nas redações e de reportagens relativas à temática racial no País é uma consequência do racismo: “A ausência de pautas sobre o combate à discriminação no Brasil é mais um crime contra os negros.”

O Prêmio de Jornalismo Abdias Nascimento, realizado pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio (Cojira-Rio), conta com apoio das Cojiras de Alagoas, do Distrito Federal, de São Paulo e da Paraíba, além do Núcleo de Jornalistas Afro-Brasileiros e da Diretoria de Relações de Gênero e Promoção da Igualdade Racial dos Sindicatos do Rio Grande do Sul e da Bahia. As entidades integram a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Étnico-racial (Conajira), da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ).

O Prêmio tem o patrocínio da Fundação Ford e da Oi. E conta com o apoio da Fundação W. K. Kellogg e da Fundação Palmares e do Fundo Baobá. (Com a FENAJ)

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