O melhor do futebol, com Flávio Anselmo


MAGNATA PERDEU AS CHANCES DE SER HERÓI DO CLÁSSICO

Aquele chavão de que clássico se decide nos detalhes é isso aí. Magno Alves, goleador do Galo na temporada, cheio de experiências, passagens em vários times nacionais e estrangeiros, teve nos pés em três oportunidades de decidir o clássico em favor do Galo.
A torcida e o técnico Dorival Júnior se fixaram naquela em que ele ficou livre, na frente do goleiro Fábio, aos 29m do segundo tempo, e perdeu. Intrigante nesse lance é que não existe nenhum mérito na saída do excelente goleiro azul e a forma limpa como tirou a bola do atacante atleticano.
Alguns colegas preferem afirmar que Magno Alves amarelou, com a figura gigantesca de Fábio à sua frente. Outros falam na mais ridícula das alternativas que faltou experiência ao andado Magnata.
 Sobrou nada pro goleiro Fábio!

Tudo bem! Mas sobrou sim. Como sobrou no lance em que Leandro Guerreiro cometeu seu único erro na partida e o Magnata roubou-lhe a bola. Aproximou-se da entrada da área e mandou o chute forte, cruzado. Fábio fez excelente defesa.

Como, também, os méritos são de Gil no lance do primeiro tempo no qual o Magnata sobrou livre na área, pronto pra chutar e marcar. Gil deu-lhe um pé de ferro, jogando a boa pra escanteio e comemorou como se tivesse feito gol.

Não sou e nem fui especialista em fazer gols. Sabia como evitá-los. A vida me ensinou que é bom respeitar os especialistas, daí entender que a justificativa de Magno Alves é válida.

Na frente de Fábio e preferiu driblar em vez de chutar, Magnata tem lá suas razões. Disse ele: “é um lance rápido. A gente que vive no futebol há muito tempo, sabe disso. Numa questão de segundos, a decisão equivocada. Quando pensei em fazer o lance, Fábio veio e voltou, acabou me enganando”.

Magno Alves sabe que ficará marcado e que sempre existirá a imagem dele querendo driblar em vez de chutar. Todos dirão: “este até eu faria”.

Consolo do Magnata: no futebol é preciso que um erre para o outro ganhar.

Este clássico, como os anteriores, haverá de render muito. Nada contra a arbitragem do Selene, criticada por Dorival Júnior. Estranhei o choro do técnico alvinegro.

A arbitragem não teve nenhum erro fatal e se cometeu deslizes prejudicou os dois lados. Dorival fez jus ao Troféu Bebê Chorão!

Não quero dizer que teve pretensões de transferir responsabilidades, mesmo porque disse logo depois que a vitória azul foi justa.

Se houvesse um pouco mais de boa vontade com os vices campeões o trabalho geral dos treinadores seria mais valorizado. Chamar Cuca de pé frio é negar o óbvio. Só vai à decisão de uma competição quem ralou pra chegar lá.

Ser vice do Brasileiro é uma condição que a maioria busca e o título seria a conseqüência final.

Disputar a Libertadores da maneira como o Cruzeiro fez não diminui em nada sua Comissão Técnica. A derrota em casa, somados os pequenos e grandes erros do time e do treinador, não apaga ainda assim o trabalho realizado antes.

Portanto, com seus defeitos, suas vicissitudes, acertos e carinha mentirosa de anjo, Cuca tem brilho próprio. Lembram de Telê Santana, acusado de pé frio por causa das derrotas nas Copas de 82 e 86 e no Mundialito de 80?

Pois é. Foi bicampeão mundial com o São Paulo. É adorado no Morumbi.

E pelo lado de Dorival Júnior, o vice-campeonato estadual dignificou o trabalho com a prata da casa, que o armar Roger, numa atitude bonita, fez questão de aplaudir nas suas declarações e, pessoalmente, na entrega das medalhas aos jovens atletas.

O grande Atlético de 80 começou por aí, com a valorização dos meninos da casa.

Situação danada essa entre Alexandre Kalil e Valdir Barbosa! Torcedores dos diferentes lados podem opinar à vontade a respeito da briga deles. Eu me esbarro num empecilho: sou amigo de ambos. Gosto e respeito os dois.

Só que no episódio nenhum tem razão. Nem presta serviço ao futebol mineiro com este bate-boca.

Ao afirmar que não respondia o lacaio da presidência do Cruzeiro, Kalil abriu portas a possíveis agressões verbais iguais ao seu excelente diretor Eduardo Maluf, que dialoga e fala pelo Atlético em várias oportunidades.

Na forma como respondeu Kalil, por outro lado, Barbosa compromete o trabalho de seus colegas de Imprensa, meio de onde ele saiu, visto que a reação do atleticano na Justiça envolverá todas as partes.

Quem caluniou e quem deu guarida às calúnias.

Nos meus tempos de menino pequeno lá em Caratinga, ao sentir que dois amigos se preparavam para as vias de fato, eu dizia: “não me peçam apoio nem compaixão; porque vocês são dois bobões falando bobagens”.

E eu tinha apenas 12 anos. Acredito.

Que Gilberto trata a bola por você e tem excelente intimidade com ela, ninguém discute. Mas que é um chato de galocha, não há, também, como negar. Na decisão de domingo, ao fazer o segundo gol bateu no braço para alguns torcedores e xingou palavrões. Depois, questionado por repórteres sobre seu gesto afirmou que a culpa era da Imprensa que insufla os torcedores contra ele. Para outros repórteres, negou-se a dar entrevista.

Constantemente seu procurador Alexandre Pitta, outra mala, envolvido em brigas com a Receita Federal, planta na mídia informações sobre a saída de Gilberto. Estaria a caminho do Botafogo, apesar de ter contrato com o Cruzeiro até 2014.

Na minha casa, dizem logo: “isto é coisa de velho ranzinza”. Se Gilberto quer ir embora pro Rio, porque não o deixam ir em paz? Tragam Bernardo de volta. Caso consigam, claro!

Meu companheiro Hércules Santos ficou indignado ao ver a vovó, a mamãe e a tia de Cuca subindo degrau por degrau na Arena do Jacaré, e o elevador panorâmico parado. Problema que aflige há tempo a turma que trabalha com material pesado. E o Tonico Anastásia, nosso governador, que não deu, ainda, os 10% de aumento prometido aos inativos do estado, parece que tem outra meta, além do Senado: matar os velhinhos aposentados e os visitantes.

Flávio Anselmo

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