Estudantes canadenses gritam
nas ruas contra nova lei que
restringe as manifestações
Dezenas de milhares de canadenses saíram hoje às ruas em Montreal em sinal de protesto contra a nova lei das manifestações. A Polícia estava preparada para enfrentar os ativistas.
Foram utilizados bastões, canhões de água, granadas de luz e ruído, além de gás lacrimogéneo. Cerca de 300 pessoas foram detidas, 20 outras ficaram feridas em resultado dos confrontos com os policiais.
A nova lei proíbe a realização de manifestações e comícios sem prevenir previamente a Polícia. Para além disso, não são autorizadas concentrações em massa de estudantes junto a estabelecimentos de ensino. Concentrações em massa são consideradas as que tenham mais de 50 participantes. Os estudantes recusam-se a cumprir estas determinações das autoridades e prometem continuar os protestos, conforme diz um dos participantes:
“As autoridades devem suspender esta lei, enquanto não aconteceu algo irremediável. A verdade é que eles podem ferir gravemente alguém ou até atingir mortalmente. Isso será uma terrível tragédia, ninguém quer que tal aconteça mas não temos outra saída”.
A lei foi aprovada por exigência do premiê da província do Quebec na última sexta-feira. A nova norma legal prevê pesadas multas para os manifestantes que impeçam a ida às aulas por parte de outros estudantes: até cinco mil dólares para os manifestantes, 7-35 mil para os líderes das associações estudantis e 125 mil para as próprias organizações. A partir de agora, em caso de a manifestação ter 10 ou mais pessoas, os organizadores são obrigados a informar a Polícia com uma antecedência de oito horas, com indicação do local da sua realização ou do percurso a seguir. Martin Desjarden, presidente da Federação de Estudantes Universitários, fala-nos sobre a situação:
“O ministro da Segurança declarou na conferência de imprensa que não se acabou totalmente com o direito de protestar, mas apenas que este foi melhor estruturado. Eles defendem esta lei, mas as suas ações continuam as mesmas. Desta forma, as autoridades pressionam os estudantes cada vez mais e esperam que o movimento se desagregue por si próprio. Na verdade, se passa o contrário. O movimento de protesto vai aumentando e já saiu para fora das fronteiras do Quebec. Temos visto muitos manifestantes de Vancouver, Toronto e Calgary”.
Ao mesmo tempo, o Governo não quer recuar. O primeiro-ministro do Quebec, Jean Charest, recordou que geralmente as manifestações terminam em distúrbios, tendo sido esta a razão invocada para adotar a lei.
Agora, as aulas na maioria das universidades do Quebec estão suspensas.
A contraposição entre 170 mil estudantes da província (cerca de um terço de todos os estudantes do ensino superior) e o Governo começou em fevereiro. O detonador foi a declaração do primeiro-ministro sobre o aumento das propinas quase para o dobro.Com a Voz da Rússia/Vesti/Ru)

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