Marcha da Maconha 2012



Grupo lança campanha na internet para arrecadar fundos para a Marcha da Maconha 2012, que acontece em São Paulo no dia 19 de maio. Intenção é abandonar os mitos e discutir a questão das drogas com mais seriedade no país

“A ideia de que possa existir um mundo sem drogas é absolutamente impossível”, diz Henrique Carneiro, professor da Faculdade de História da USP, numa das cenas iniciais do pequeno vídeo (acima) que o comitê organizador da Marcha da Maconha em São Paulo começou a divulgar nesta quinta-feira, 15 de março. São apenas quatro minutos, tempo suficiente para lançar um turbilhão fatos e conceitos ao debate sobre a legalização e regulamentação das drogas no Brasil — e para convocar os simpatizantes da causa para a tradicional manifestação anual na Avenida Paulista, que neste ano está marcada para o dia 19 de maio.

O vídeo é um chamado a desentorpecer a razão, a quebrar o tabu, a romper a cortina de fumaça que, por medo ou moralismo, impede uma discussão mais séria e aprofundada sobre o tema no Brasil. A Marcha da Maconha estava proibida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo até o ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a tese de que a manifestação fazia apologia às drogas. Até lá, a polícia não teve dó e desceu o sarrafo em quem participava do protesto. Tudo devidamente autorizado pelos desembargadores paulistas. Agora a constitucionalidade da Marcha está garantida. Nada mais justo: numa democracia, os cidadãos têm direito de contestar as leis vigentes e propor mudanças na legislação. Não tem a ver só com maconha: tem a ver com liberdade.



Aliás, os dados envolvendo a estratégia de guerra às drogas em curso no Brasil e no mundo são alarmantes. O México é o caso mais flagrante do absurdo: desde 2006, quando o governo de Felipe Calderón decidiu que iria acabar com os cartéis do país, mais de 50 mil pessoas já foram executadas — um sem número de inocentes, claro, que estavam acidentalmente no fogo cruzado porque eram pobres. No Brasil, a maioria dos detentos que lotam nossas insalubres cadeias está condenada por tráfico de drogas. Mas não são os bilionários barões do narcotráfico que apodrecem atrás das grades: são os pequenos comerciantes, as mulas, os aviõeszinhos, e parte significativa deles é réu primária e rodou com pouca quantidade de drogas.

A criminalização das substâncias psicoativas vem fazendo com que os governos latino-americanos, passadas as ditaduras militares, estejam colocando as forças armadas de novo nas ruas — desta vez, como outrora, por um motivo supostamente nobre. É assim na Colômbia, México, Peru, Equador, Guatemala, El Salvador e Brasil, para citar alguns exemplos. Por aqui, estamos ficando imunes às cenas de tanques de guerra subindo morros para liberar zonas dominadas pelo tráfico. Mas, o que acontece depois que acaba o espetáculo e as luzes da TV se apagam?

Nesse meio tempo, um grupo cada vez maior de pessoas pede o fim da guerra às drogas e a adoção de políticas mais racionais para resolver o problema do tráfico e da violência que tomou de assalto as grandes cidades brasileiras. Parte da solução, dizem, passa pela legalização e regulamentação das drogas, assim como acontece com álcool, tabaco e medicamentos, cuja venda está permitida, mas não para qualquer um, nem em qualquer situação: há regras. É o que pregam os organizadores da Marcha da Maconha, que está lançando uma campanha no Catarse para arrecadar fundos e fazer o movimento florescer em 2012. (Com Outras Palavras)

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