Muro das Lamentações


Perguntam-me insistentemente se visitei em Jerusalém o Muro das Lamentações. Fi-lo, com a mais absoluta pureza d'alma. Nem poderia ser diferente, como amante da história e da Bíblia-parte do Velho Testamento- em particular.
Com a consciência de que estava realmente observando e tocando o que restou do templo de Herodes, erguido no local onde Salomão construiu o histórico templo, destruído pelos babilônios...
Como que embriagado de êxtase, diante da Cidade Velha de Jerusalém, diante de um local considerado o segundo mais sagrado pelos judeus, lutei contra minhas intenções mais secretas.
Não a de colocar algum bilhetinho entre as seculares pedras do Muro. Mesmo porque não atinei com a ideia de dirigí-lo a quem quer que seja.
A quem dirigia minhas tortas linhas?
Baixinho, de modo a que nenhum dos visitantes -a maioria judeus ortodoxos, com seus grossos sobretudos, apesar do calor mais do que sufocante-pudesse ao mesmos perceber minha emoção, tampouco vislumbrar o que escapasse de meus lábios, comecei a lamentar...
Lamentei a falta de entendimento entre os homens, levando-os à mais calamitosa de todas as atitudes: a guerra.
Lamentei que povos praticamente da mesma origem -tiveram o ancestral comum, Abraão- até hoje estejam longe de viver em paz.
Lamentei, em especial, a Guerra dos Seis Dias, em 1967, responsável pela perda de mais territórios do povo palestino para seu parente mais próximo, o povo judeu.
Lamentei os milhões de palestinos hoje vivendo na Diáspora, desde 1948, com a criação do Estado de Israel, sem que a ONU, com ou sem ajuda do Brasil, não aprovasse também a criação do Estado Palestino.
Lamentei - por que não? - o número de israelenses vivendo em casebre piores do que os de algumas das mais pobres favelas brasileiras...
Lamentei a construção de muros -estes, sim, da vergonha- dividindo cada vez mais os dois seculares povos...
Lamentei que o governo direitista israelense insista em permitir que judeus constituem construir colônias em território palestino.
E lamentei, por fim, que, nós, povos do mundo inteiro, não nos comovamos com o sofrimento dos palestinos, humilhados e ofendidos cada vez mais por uma super potência comprimida em apenas uns poucos quilômetros quadrados , como é Israel, graças ao armamentismo insano.

Comentários

Unknown disse…
Adorei o texto... cheio de história e sensibilidade. Parabéns, e que suas - feitas também minhas - lamentações possam ser ouvidas e transformadas em ações em busca da paz na região.