Vômito de dólares na reunião do G-20 em Seul, Coreia do Sul


Cesar Fonseca
A dose do remédio contra a crise despejada por Barack Obama aos integrantes do G-20 provocou rejeição geral. O novo poder internacional, ancorado nesse forte colegiado, não aceita fazer sacrificios para salvar a economia americana, enquanto sofre prejuízos. Mas, qual a saída? Não há, a não ser que o dólar abra espaço para o poder emergente de uma nova cesta de moeda. Estará ou não presente nessa nova divisão a moeda sul-americana, que tem garantia real nas riquezas sulamericanas, movimenadoras da manufatura global?
A briga de cachorro grande já começou no ambiente do G-20, na Coréia, Seul, nesse final histórico de 2010 em que o Brasil elegeu primeira mulher presidente no regime democrático a governar com folgada maioria no Congresso, aberto, portanto, à influência popular, para aprofundar reformas populares, a fim de intensificar a distribuição da renda nacional, ainda, excessivamente, concentrada, injusta e, totalmente, incompatível com a proposta de desenvolvimento sustentável.
O Brasil, como emergente internacional, que passou no teste da crise, justamente, por não seguir recomendações para tomar os remédios neoliberais que anteriormente eram recomendados, sob pressão, para superação das crises, vê sua voz crescer no cenário internacional. Se falasse fino com Washington, que recomendou a velha austeridade monetária e fiscal imperialista, quando o imperialismo foge de sua própria lei, válida, apenas, para os outros, talvez não chegasse aonde chegou, agora, tornando-se importante no ambiente do G-20.
Dilma e Lula estarão na cena internacional, para assistir de camarote, o mundo vomitar o excesso de dólares norte-americanos. A dose foi para leão. Com areia e tudo, os Estados Unidos tentam enrabar a humanidade com o juro negativo para cancelar sua dívida e transferir para os outros a cota dos ajustes necessários ao alcance do objetivo nacionalista dos Estados Unidos.
Mas, se o nacionalismo americano visa os americanos, por que não haveria estouros nacionalistas como contrapolo à jogada imperialista suicida de Tio Sam? Os emergentes, em maioria no G-20, já rasgaram a proposta do secretário de Tesouro, Timothy Geithner, de tentar equalizar superavitários e deficitários comerciais na cena global para que se ajustem mecanicamente nas regras das economias clássicas. A reação negativa está sendo geral.
Os superavitários, como China e Alemanha, teriam que desvalorizar suas moedas e voltar para os seus mercados internos. Já os deficitários, como os emergentes em geral, teriam que entrar no ajuste fiscal brabo para compensar as decisões que tomaram de elevar os gastos públicos para enfrentar a crise, como foi o caso brasileiro.
Nem o grupo dos superavitários nem o dos eternamente deficitários engoliram a jogada americana. O vômito é geral. Os superavitários consideram a valorização de suas moedas o desmonte de sua base industrial, que se sustenta na exportação. Alemães e chineses se juntam contra essa tentativa. Contrargumentam que a questão relevante é a enxurrada de dólares lançada na circulação que desmonta bases industriais mundo afora. Golpe no desenvolvimento
FECHAR A ECONOMIA
Certamente, Lula e Dilma, diante do impasse do dólar, que ameaça a saúde econômica brasileira e sul-americana, já pensam em fechar a economia contra a entrada absurda da moeda americana que destroi a base industrial e eleva a taxa de desemprego. Se foi o mercado interno que salvou o Brasil da crise, porque não redobrar as apostas nele, no momento em que o mercado externo entrou em colapso, pelo menos por enquanto?
Os deficitários, do mesmo modo, não concordarão que os gastos públicos anticíclicos que ajudaram os governos a enfrentar a crise mundial com sucesso, apostando no consumo interno, sejam considerados promotores de déficits. Como ocorre o deficit, se os gastos do governo repassados como empréstimos ao BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica sustentam o dinamismo das empresas industriais, da agricultura familiar e a construção civil no programa Minha Casa Minha Vida, cujos resultados são retornos positivos sobre o capital investido? Não há deficit. Há, sim, superavit. A receita tributária crescente comprova a nova realidade. O aumento dela não decorre do aumento continuo da carga tributária , mas do dinamismo econômico lulista que envolte a participação de fundos financeiros estatais que se transformaram nos novos fatores de decisão.
A pregação neoliberal em curso para conter o deficit é ideológica. Ela visa conter a disposição estatal de utilizar os bancos públicos (BNDES, BB, CEF) para emprestar barato às atividades produtivas. Considera essa jogada déficit, quando, na verdade, a estratégia governamental obriga os bancos a emprestarem também barato. Isso eles não querem. Tentam vender o discurso de deficit para não baixarem seus juros elevados, estes, sim, causadores dos deficits e da inflação.
Sabendo que as forças políticas expressas no comando econômico sindical dos fundos de investimentos estatais não aceitarão as ordens que Washington visa implementar a partir de sua proposta na reunião do G-20, dificilmente, no governo Dilma o receituário neoliberal que está sendo recomendado emplacaria, se ele foi a razão de desastres econômicos anteriores. Conter o desenvolvimentismo interno para contribuir para um equilibrio global coordenado por uma moeda desacreditada? Brincadeira de Tio Sam. Entrar no mecanicismo econômico washingtoniano vendido na reunião de Seul é continuar acreditando em papai noel. O que pode acontecer na nova babel expressa na capital coreana nessa primeira década do século 21? Primeiramente, seria preciso saber quem vai coordenar a proposta americana? Os americanos? Amarrar cachorro com linguiça?
A briga de cachorro grande já começou no ambiente do G-20, na Coréia, Seul, nesse final histórico de 2010 em que o Brasil elegeu primeira mulher presidente no regime democrático a governar com folgada maioria no Congresso, aberto, portanto, à influência popular, para aprofundar reformas populares, a fim de intensificar a distribuição da renda nacional, ainda, excessivamente, concentrada, injusta e, totalmente, incompatível com a proposta de desenvolvimento sustentável.
O Brasil, como emergente internacional, que passou no teste da crise, justamente, por não seguir recomendações para tomar os remédios neoliberais que anteriormente eram recomendados, sob pressão, para superação das crises, vê sua voz crescer no cenário internacional. Se falasse fino com Washington, que recomendou a velha austeridade monetária e fiscal imperialista, quando o imperialismo foge de sua própria lei, válida, apenas, para os outros, talvez não chegasse aonde chegou, agora, tornando-se importante no ambiente do G-20.
Dilma e Lula estarão na cena internacional, para assistir de camarote, o mundo vomitar o excesso de dólares norte-americanos. A dose foi para leão. Com areia e tudo, os Estados Unidos tentam enrabar a humanidade com o juro negativo para cancelar sua dívida e transferir para os outros a cota dos ajustes necessários ao alcance do objetivo nacionalista dos Estados Unidos.
Mas, se o nacionalismo americano visa os americanos, por que não haveria estouros nacionalistas como contrapolo à jogada imperialista suicida de Tio Sam? Os emergentes, em maioria no G-20, já rasgaram a proposta do secretário de Tesouro, Timothy Geithner, de tentar equalizar superavitários e deficitários comerciais na cena global para que se ajustem mecanicamente nas regras das economias clássicas. A reação negativa está sendo geral.
Os superavitários, como China e Alemanha, teriam que desvalorizar suas moedas e voltar para os seus mercados internos. Já os deficitários, como os emergentes em geral, teriam que entrar no ajuste fiscal brabo para compensar as decisões que tomaram de elevar os gastos públicos para enfrentar a crise, como foi o caso brasileiro.
Nem o grupo dos superavitários nem o dos eternamente deficitários engoliram a jogada americana. O vômito é geral. Os superavitários consideram a valorização de suas moedas o desmonte de sua base industrial, que se sustenta na exportação. Alemães e chineses se juntam contra essa tentativa. Contrargumentam que a questão relevante é a enxurrada de dólares lançada na circulação que desmonta bases industriais mundo afora. Golpe no desenvolvimento
FECHAR A ECONOMIA
Certamente, Lula e Dilma, diante do impasse do dólar, que ameaça a saúde econômica brasileira e sul-americana, já pensam em fechar a economia contra a entrada absurda da moeda americana que destroi a base industrial e eleva a taxa de desemprego. Se foi o mercado interno que salvou o Brasil da crise, porque não redobrar as apostas nele, no momento em que o mercado externo entrou em colapso, pelo menos por enquanto?
Os deficitários, do mesmo modo, não concordarão que os gastos públicos anticíclicos que ajudaram os governos a enfrentar a crise mundial com sucesso, apostando no consumo interno, sejam considerados promotores de déficits. Como ocorre o deficit, se os gastos do governo repassados como empréstimos ao BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica sustentam o dinamismo das empresas industriais, da agricultura familiar e a construção civil no programa Minha Casa Minha Vida, cujos resultados são retornos positivos sobre o capital investido? Não há deficit. Há, sim, superavit. A receita tributária crescente comprova a nova realidade. O aumento dela não decorre do aumento continuo da carga tributária , mas do dinamismo econômico lulista que envolte a participação de fundos financeiros estatais que se transformaram nos novos fatores de decisão.
A pregação neoliberal em curso para conter o deficit é ideológica. Ela visa conter a disposição estatal de utilizar os bancos públicos (BNDES, BB, CEF) para emprestar barato às atividades produtivas. Considera essa jogada déficit, quando, na verdade, a estratégia governamental obriga os bancos a emprestarem também barato. Isso eles não querem. Tentam vender o discurso de deficit para não baixarem seus juros elevados, estes, sim, causadores dos deficits e da inflação.
Sabendo que as forças políticas expressas no comando econômico sindical dos fundos de investimentos estatais não aceitarão as ordens que Washington visa implementar a partir de sua proposta na reunião do G-20, dificilmente, no governo Dilma o receituário neoliberal que está sendo recomendado emplacaria, se ele foi a razão de desastres econômicos anteriores. Conter o desenvolvimentismo interno para contribuir para um equilibrio global coordenado por uma moeda desacreditada? Brincadeira de Tio Sam. Entrar no mecanicismo econômico washingtoniano vendido na reunião de Seul é continuar acreditando em papai noel. O que pode acontecer na nova babel expressa na capital coreana nessa primeira década do século 21? Primeiramente, seria preciso saber quem vai coordenar a proposta americana? Os americanos? Amarrar cachorro com linguiça?
(Texto e ilustração publicadas na Pátria Latina/Divulgação)
Comentários