A era Dilma


José Carlos Alexandre

O discurso da presidente Dilma Rousseff (ela própria insiste em se intitular, erroneamente, presidenta) foi mais ou menos o que se esperava de um governo continuista.
Com uma política externa que se anuncia com fortes ligações com o imperialismo norte-americano.
Nem se poderia esperar outra coisa de um governo tão direitista quanto o de seu antecessor.
O chamamento às forças opositoras- uma espécie de lugar comum nas falas de presidentes latino-americanos- em busca de um governo de união nacional da mesma forma era previamente esperado.
Meras palavras vazias...
Mesmo porque, não há que se capitular a um ajuntamento de partidos sem ideologia e excessivamente pragmáticos como os que apoiaram o governo passado e permanecem na base de sustentação do iniciado ontem.
Da parte dos verdadeiros partidos de esquerda não há outra alternativa senão a de derrotar o governo Dilma nas ruas, exigindo uma política externa independente, as reformas há muito prometidas e sempre adiadas, como a agrária, a urbana, a política e outras.
Além de se batalhar intensamente para fazer valer as recomendações contidas no Terceiro Programa Nacional de Defesa dos Direitos Humanos, na Conferência Nacional de Comunicação e em outros fóruns nacionais de reivindicações.
A era Dilma, que se inicia, portanto, está a merecer das forças políticas, sociais e populares, intensas lutas reivindicatórias.
Uma das mais expressivas, a que procure consolidar os museus e institutos de defesa dos direitos humanos que ponham a nu os crimes da ditadura militar , viabilizem a punição dos culpados, principalmente dos torturadores e agilizem a devida reparação aos sobreviventes e/ou parentes dos perseguidos políticos.

(Imagem: Agência Brasil/Divulgação)

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