Educação mineira caminha para promoção automática: um ataque grosseiro à qualidade do ensino!
Publicado em 5 de dezembro de 2013 por socialistalivre
Quando se trata da educação dos filhos dos trabalhadores, na lógica do governo Anastasia/Aécio Neves (PSDB), “saber” não importa, o que importa é “fingir que se sabe”: essa é a essência da política educacional implantada em Minas Gerais, tudo para que o estado gaste o mínimo possível de dinheiro com a educação pública dos filhos da classe trabalhadora.
Quando o governo mineiro criou o PAV (Programa Acelerar para “Vencer”), a lógica já era essa, empurrar alunos repetentes para as séries posteriores custe o que custar. Assim, estudantes que estavam no sexto ano, por exemplo, por conta de reprovações, com o PAV, em dois anos já saltaram para o ensino médio, diga-se de passagem, sem a menor base de conhecimento para acompanhar as exigências das disciplinas dos anos subsequentes.
A “novidade” em Minas Gerais agora é que alunos repetentes, sem sequer a intermediação do PAV, serão automaticamente promovidos para as séries que, conforme idade, “espera-se” que esses estudantes deveriam estar. Por exemplo, um jovem de 15 anos que está no oitavo ano, por conta de reprovações, estará automaticamente reclassificado e promovido para o terceiro ano do ensino médio. Um absurdo completo.
Ao invés de instruir verdadeiramente os filhos da classe trabalhadora, atendendo diferenciadamente os alunos com dificuldade de aprovação nas séries regulares, o governo pretende simplesmente negar esse direito à educação a esses jovens e fingir que existe escolaridade em Minas Gerais, concedendo diplomas de segundo grau para uma fatia significativa de estudantes que estarão praticamente analfabetos.
Por que estudantes, pais e educadores da escola pública de Minas Gerais deveriam aceitar essa política de faz de conta na educação? Ora, uma educação que não instrui, uma educação que não alfabetiza, uma educação que não ensina a ler criticamente e a escrever coerentemente, uma educação que não ensina avaliar-criticar os conhecimentos científico-econômico-político-histórico-sócio-culturais da humanidade, uma educação que não promove o saber não serve para nada: é uma “educação” oca.
Portanto, com mais essa política de promoção automática implantada nas escolas públicas de Minas Gerais, o governo Anastasia/Aécio Neves (PSDB) está cometendo um crime contra os estudantes filhos da classe trabalhadora e, inclusive, contra a construção do saber que deveria ser o objetivo máximo da educação. É indecente, sob o ponto de vista da classe trabalhadora, pensar que esses tucanos querem governar o país em 2014. Para quê? Para destruir toda a possibilidade de educar os filhos da classe trabalhadora brasileira?
Enfim, ao não se educar os filhos da classe trabalhadora, a ideologia burguesa do governo tucano é clara: para essa ideologia dominante, trabalhadores não têm de aprender a pensar, têm de trabalhar e aceitar a exploração capitalista. E pronto. Estudantes, professores e pais devem repudiar esse e todo tipo de promoção automática na escola pública.
Aos trabalhadores jamais deve interessar uma educação de “faz de conta”! A ignorância não ajudará os filhos da classe trabalhadora em NADA! É possível que esse ataque à educação também se repita em outros estados e regiões. O que importa, de qualquer forma, é que devemos repudiar todos os governos que tentarem impor essa política deliberadamente antieducativa. Diga não à promoção automática!
Por: Gílber Martins Duarte – Socialista Livre – Conselheiro do Sind-UTE-MG e diretor da subsede do Sind-UTE em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutorando em Análise do Discurso/UFU – Membro da CSP-CONLUTAS.
Comentários