DIA DO JORNALISTA

José Carlos Alexandre
No Dia do Jornalista um pouco de recordações O surgimento do jornal União Sindical, destinado a reunir os sindicatos de trabalhadores em torno de reivindicações básicas e fundamentais para seu fortalecimento.

Estávamos na ditadura militar. Com os principais sindicatos mal saindo da intervenção do Ministério do Trabalho. Os partidos políticos cassados. O Partido Comunista Brasileiro quase destroçado com a prisão e/ou morte da maioria de seus comitês Central e estaduais.

Tínhamos poucos jornais alternativos, destacando-se , em âmbito nacional,o Pasquim.

Então, num dia 25 de março, data significativa para o proletariado brasileiro (em 1922 era criado o PCB) promovemos um almoço para sindicalistas, num dos hotéis centrais- e lançamos a ideia de nos reunir-nos periodicamente...

Estava criado o clima para a fundação de um jornal que pudesse servir de pretexto para nossa atuação no meio sindical. Para visitas aos trabalhadores nas diversas regiões do Estado.

Era um tempo difícil, de muita censura, com os olhos dos órgãos de repressão sempre de olho, com o Ministério do Trabalho desconfiado.

Partimos então para o número zero, depois o um e assim por diante.

Com noticiário, inicialmente banal, como lista de aniversariantes das categorias profissionais...

De qualquer maneira isto nos aproximou mais e aproximou os trabalhadores de suas direções sindicais.

Já as primeiras edições, entretanto, davam cobertura aos nossos editoriais. Do primeiro ao último, enfocando a necessidade de se combater o arrocho salarial, promover a melhoria das relações de trabalho, melhores condições de vida, em defesa da previdência social e da garanti do emprego.

No período apareceu um plano governamental que se pretendeu implantar um sistema de previdência privada para para substituir o atual , de previdência pública, com contribuição tripartite.

A previdência privada acabou vindo, sem contudo liquidar com a previdência pública...

Nossos editoriais se tornavam cada vez mais acalorados,assim como nossas manchetes. Pouco a pouco o noticiário passou a ser mais enxuto, sem as relações de aniversariantes, passando a abordar as questões salariais, de horários de trabalho, de exploração do trabalho feminino etc.

Uma só vez nosso editorial deixou de sair. Por pura ironia de nossa parte, embora poucos , à época tenham percebido.

Como um de nossos diretores havia sido preso, sendo arrancado de sua casa "na calada da noite" e levado para "local incerto e não sabido", episódio que relatamos num pronunciamento na sede da Associação Mineira de Imprensa, quando outro diretor, João de Paulo Pires, teve inaugurado seu retrato na ]galeria dos imortais da AMI.

Em lugar do editorial União Sindical publicou um anúncio da Coca-Cola...E, por mais ironia ainda: acabamos por receber o valor do espaço, conforme tabela...

O dinheiro foi destinado a nosso Socorro Vermelho : para ajudar a família de um dos presos políticos mineiros...

Com a lei da anistia e a volta dos exilados, o jornal foi vendido, outro grupo, igualmente de esquerda e com o mesmo ideal dos fundadores, assumiu a direção...
Mas cada um de nós continuamos a lutar pela derrota dos golpistas, até que o último dos generais acabou saindo pela porta dos fundos... E só pararemos o dia em que os trabalhadores conquistarem efetivamente o poder , com o socialismo.

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