FLÁVIO ANSELMO


DORIVAL PEDE APOIO DA MASSA PRA REFAZER TIME


Dizia meu pai, Sodico, que a maré não anda boa, o urubu de cima – pra não usar uma expressão chula – cospe no debaixo.

Boa, também, a analogia de Stanislaw Ponte Preta: “o cara azarado vê seu pão cair sempre com a manteiga pra baixo”.

Essa situação vive o Galo. Sair da Copa do Brasil num empate de 0 a 0 com o lanterna do Paulistão, na Arena do Jacaré, e ter duas expulsões na partida seria fácil de analisar: afinal este time não inspira nada em ninguém, mesmo contra adversário tão fraco como o Grêmio Prudente, em casa.

Porém, ter gol legítimo anulado aos 44m do segundo tempo, com nove jogadores e precisando apenas da simples vitória pelo placar mínimo dá pra se encaixar perfeitamente na maré de azar acima. Deve-se levar em conta que os erros de arbitragem são comuns em favor dos mandantes e dos times maiores. A preferência do assistente que anulou o gol de Réver contrariou todas as leis de probabilidades e determinações da Fifa. Nas probabilidades, devia errar em favor do Galo que jogava em casa. Nas ordens da Fifa, existe uma orientação de que, na dúvida, valorize o gol, não marque impedimento. Duvido que o assistente tivesse tanta convicção na marcação do impedimento inexistente.

Tudo bem. Não vou usar tais argumentos para desviar o foco do real: Galo fez uma péssima partida, o tempo todo e não merecia, realmente, outro resultado. Impressionou-me o fato de que ninguém do time, individualmente, tenha mostrado alguma coisa boa. Do goleiro ao ataque, aos que entraram durante a partida, ninguém jogou nada. A torcida livrou a cara de Felipe Souto. Tudo bem! Menino ainda, cheio de personalidade, canhoto, jogou mais que os velhos Serginho, Leo Silva, Rever, Magno Alves, Neto Berola, Mancine, Guilherme, etc, etc. Léo Silva, aliás, se superou: conseguiu apanhar da bola em duas oportunidades ridículas, grotescas e caricatas. Caiu de bunda no chão e pernas para o alto. Impossível não se dizer que este foi um jogo pra se esquecer...Alguns diriam, esquecer não mas pra se tirar lições dele. Pergunto: que lições amigos. Não sobrou nada aproveitável naquela noite fatídica na Arena do Jacaré nem pra se tirar lições. Esqueçam. Apesar da tristeza que tem demonstrado desde o dia da dispensa dos dois jogadores, Dorival Junior abateu-se mais diante da eliminação na Copa Brasil, contudo não atingiu o estágio do desespero total: pedir seu boné, como muitos imaginavam. Pediu mais paciência ao torcedor pra remontar a equipe. Esperemos.

Na altura, os dois empatam. Na conta bancária, vence de goleada o outro. Faltam vários zeros na do meu amigo Osvaldo Reis, o Pequetito, pra pelo menos empatar com o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrela. No talento, ambos fazem 10 a 10. No livro conta corrente das minhas boas amizades, porém, Pequetito dá de goleada. Por que este introito da implacável Trincheira? A propósito do último programa Jogada de Classe, da TV Horizonte, que participamos. Orlando Augusto repetiu as informações dos setoristas da Toca da Raposa: WP 9 já é do Palmeiras. Pequetito atalhou: ainda não falta a rubrica no contrato. Mais uma vez estava certo o excelente narrador da Rádio Globo. Porque Zezé Perrela que já havia anunciado o negócio com o Palmeiras, de graça, subiu nas tamancas: “se Vitor não vier, Wellington volta” ? Como no futebol, as verdades continuam sem valer 20m, Perrela voltou atrás do atrás. O Palmeiras e o Sport, também, e Vitor vem aí.

Nesta quarta de futebol em todas as bandas, algumas surpresas aconteceram. Outras tiveram perto. Em Montevidéu, por exemplo, o Nacional bateu no Fluminense (2 a 0), campeão brasileiro, e, praticamente, o mandou embora da Libertadores. O Santos continua vivo na competição, mas quase foi também. Fez 3 a 0 de início no Colo Colo, depois teve jogadores expulsos, e sofreu dois gols. Os chilenos mantiveram o segundo lugar no grupo e o Peixe, em terceiro, terá que brigar muito por uma vaga. O Internacional, bem na fita, perdeu no México ( 0 a l) para o Jaguares. Com 10 pontos é, ainda, o primeiro do grupo. Na Copa do Brasil, o Vasco passou por maus momentos mas conseguiu virar em cima do ABC ( 2 a 1) e garantir a vaga pra outra fase. O Botafogo, também, com a vitória (3 a 0) sobre o Paraná classificou-se. O São Paulo suou, porém fez o dever de casa e tirou o Santa Cruz (2 a 0). A Copa do Brasil se afunila e o sonho do Galo de ganhar a competição pela primeira vez entra pela 22ª chance para o ralo.

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