Teatro Municipal João Franzen de Lima, ficção e realidade

                                                               
Uma cena de do curta-metragem "Merda"
José Carlos Alexandre

Dias atrás assistir a um curta-metragem , dirigido por Gilberto Scarpa, de nome curtinho:"Merda".

O Canal Brasil costuma repetir seus curtas e é bom que o faça, dando ocasião para se revê-los.

O enredo é bem shakespeariano, como fazem questão de deixar claro produtores e diretor. E não por acaso aparece com destaque durante sua exibição um cartaz: "5 x Shakespeare.

Parte do cenário é o Teatro Municipal de Nova Lima, com sua fachada inconfundível, tendo ao lado as escadarias da Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

Cenários que fizeram grande parte de minha infância e adolescência, já que vivi um período de efervescência das lutas operárias na cidade.

Todas elas começando justamente na Praça Bernardino de Lima, onde se situam o Teatro e o histórico Sindicato dos Mineiros.

O filme é muito atual já que põe a nu a ética, a honestidade, o companheirismo e os perigos de se entregar aos falsos amigos.

Neste descaminho, o mensalão e o petrolão, notícias de todo dia que ameaçam de impeachment o atual governo dilmapetista.

Curiosamente vejo entre os colaboradores do curta nomes conhecidos como os dos diretores Helvécio Ratton e Criz Assi, o que só tem a exaltar o trabalho do Scarpa.

Como que se relance, ao assistir ao curta-metragem, vejo meus primeiros passos como político.

Inicialmente como menino-político, participando das assembleias dos mineiros no Teatro, sempre lotado, estendendo-se para o adro da Igreja, para o restante da praça.

(Faço uma pausa para me lembrar de Jaime Goiffman, preço político quando tinha apenas quatro anos de idade)

Ao mesmo tempo vejo-me nas primeiras filas do Teatro, nas matinês de domingo, torcendo em segredo pela vitórias dos índios americanos contra os "conquistadores" do Oeste.

E no mesmo cenário, participando de programas de auditório da então nascente Rádio Itatiaia (ela dividia o Teatro Municipal com o cine Ouro).

Ou à noite, em companhia de meus pais, também no Municipal, assistindo a peças teatrais, onde se destacavam artistas conhecidos do dia a dia das lides da cidade...

E ao mesmo tempo, vejo-me falando aos operários de Nova Lima, defendendo salário família, 13º salário, melhores dias para todos os trabalhadores do mundo...

"Merda", tem como pano de fundo artistas que se cansam da vidinha burguesa e decidem desaparecer com o dinheiro da bilheteria.

Coincidentemente eu desde cedinho, como se pode deduzir, decide-me por combater essa nossa vidinha capitalista de "m" em busca de novos horizontes...

E continuo em pleno combate...

Pelo menos enquanto houver injustiça, desigualdade, mensalão, petrolão, roubalheira generalizada neste país.

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