quarta-feira, 22 de junho de 2011

Zorba, o grego

http://www.youtube.com/watch_popup?v=bXxJyIVz-98
Em 1999, com 84 anos: http://www.youtube.com/watch_popup?v=CKHlmb5xcq8

domingo, 19 de junho de 2011

Debates movimentaram encontro de blogueiros



Escrevo antes de voltar a São Paulo, sobre um encontro que ainda não terminou. Já sabemos que, para os que tentaram acompanhar à distância, houve falhas nas transmissões. Porém, posso dizer sem risco de erro que o #2blogprog (2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas) foi um sucesso.
Por Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo

Houve mais inscritos jovens que no primeiro encontro, no ano passado. Houve mais representatividade regional e de gênero nas mesas e nos debates.
Na abertura, o ex-presidente Lula reconheceu o papel importante que a blogosfera teve nas eleições de 2010. Focou na famosíssimo episódio da bolinha de papel, revelando que teve impulso de ir pessoalmente examinar as tomografias do candidato José Serra.
Pudemos ver de perto o efeito popstar que a presença de Lula desperta. Nos bastidores, antes de ser chamado ao palco, provocado pelo Rodrigo Vianna — ele e o ex-presidente são corintianos —, Lula disse, sobre a final da Libertadores, que o Santos era um time “neutro”. “Todo mundo simpatiza com o Santos e o Botafogo”, disse Lula, causando protesto dos santistas, que ainda não aceitaram aquela final perdida para o Botafogo no Pacaembu.
Na apresentação do ministro Paulo Bernardo, que focou a palestra nas questões relativas ao Plano Nacional de Banda Larga e ao marco regulatório das telecomunicações, um momento de tensão: foi quando Eduardo Guimarães questionou o ministro sobre a propriedade cruzada. Mais sobre isso em um post que dedicarei ao assunto.
Na manhã de domingo, um excelente debate entre o jurista Fábio Konder Comparato, o professor Venício Lima e a deputada Luiza Erundina. Mas o que mais me entusiasmou foi a participação em duas mesas que aconteceram à tarde.
Numa delas, Marcelo Branco e Sergio Amadeu concordaram em discordar sobre o PNBL. Polêmica à parte, ambos falaram sobre a sociedade da informação e se referiram com bom humor à mesa que acontecia ao mesmo tempo, em outra sala, sobre Política e Internet, como “debate da era industrial”.
Lá, os partidos políticos, a hierarquia, as formalidades que acompanham a política institucional. Aqui, as novas formas de fazer política, as coalizões que se formam e se desfazem em torno de interesses comuns, a relação informal e vertical entre iguais. Foi bacana constatar que, ainda que por apenas algumas horas, o #2blogprog conseguiu juntar esses dois mundos sob o mesmo teto.
Finalmente, a mesa sobre as recentes eleições no Peru, onde o movimento No Keiko, organizado especialmente através do Facebook, conseguiu angariar metade da diferença de votos pela qual Ollanta Humala derrotou a filha de Alberto Fujimori. Foi uma descrição detalhada e fascinante da campanha feita por gente que participou dos bastidores dela.
Descobrimos ali, durante a palestra, que os peruanos da campanha de Ollanta copiaram a experiência dos universitários brasileiros que criaram, em 2010, a campanha #votoSerrapq. Aliás, a descoberta só foi feita porque um dos brasileiros que inventaram a brincadeira no Brasil estava na plateia e perguntou aos peruanos de onde tinha surgido a ideia do “por que voto em Keiko”.
Para os que não puderam comparecer, eu e a Conceição Lemes decidimos produzir nas próximas semanas entrevistas e relatos sobre os principais assuntos do #2blogprog, especialmente sobre as novas fronteiras das redes sociais, ascensão e domínio do Facebook e novidades do ativismo digital. É uma tentativa não só de informar os leitores da blogosfera, mas também de educar o PIG.

* “É necessária a erradicação do capitalismo”


Em Salvador, o filósofo István Mészáros defende que a crise do capitalismo é estrutural
                         Foto: Amanda Dutra/LabFotoDe passagem pelo Brasil, o filósofo húngaro István Mészáros teve em sua agenda a conferência plenária “Crise estrutural necessita de mudança estrutural”, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), nesta segunda-feira (13). Começava com Mészáros, portanto, o II Encontro de São Lázaro, que comemora os 70 anos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA. O Salão Nobre da Reitoria foi tomado por uma maioria jovem que recebeu Mészáros com entusiasmo e sonoras palmas.


15/06/2011

Ana Maria Amorim
Salvador, BA

Mészáros começa sua fala deixando claro que nada do que ele está propondo pode ser visto como uma “utopia não realizável” e que, para transformarmos este tão-chamado impossível em realidade é primordial que a crise do capitalismo seja avaliada adequadamente. “Sem uma avaliação da crise econômica e social de nossos dias, que já não pode ser negada pelos defensores da ordem capitalista, ainda que eles rejeitem a necessidade de uma mudança maior, a probabilidade de sucesso a esse respeito é insignificante”, diz o filósofo.

Natureza da crise
Para Mészáros, a crise que o mundo enfrenta é uma “crise estrutural profunda e cada vez mais grave, que necessita da adoção de remédios estruturais abrangentes, a fim de alcançar uma solução sustentável”. Apesar de comumente a crise ser apresentada como ‘atual’, Mészáros discorda que ela tenha se originado em 2007, com a explosão da bolha habitacional dos Estados Unidos. A crise teria começado há mais de quatro décadas e, em 1971, ele já escrevia no prefácio de “Teoria da Alienação em Marx” que as revoltas de maio de 68 e seus desdobramentos “salientavam dramaticamente a intensificação da crise estrutural global do capital”.

Por ser uma crise estrutural, e não apenas conjuntural, esta crise não pode ser solucionada no foco que a gera sem que não haja uma mudança desta estrutura que a criou. Mészáros reforça a diferença entre as crises conjunturais e estruturais, diferenciando-as pela impossibilidade destas realimentarem o sistema, se remodelarem a partir de uma nova forma ainda nas bases do sistema capitalista. Isto, contudo, não significa que as crises conjunturais possam se apresentar até mesmo de forma mais violenta que as crises estruturais. “O caráter não-explosivo de uma crise estrutural prolongada, em contraste com as grandes tempestades, nas palavras de Marx, através das quais crises conjunturais periódicas podem elas mesmas se liberar e solucionar, pode conduzir a estratégias fundamentalmente mal concebidas, como resultado da interpretação errônea da ausência de tempestades, como se tal ausência fosse uma evidência impressionante da estabilidade indefinida do ‘capitalismo organizado’ e da ‘integração da classe trabalhadora’”, diz Mészáros.

O que esta crise (que não é nova) teria como características que a definem como estrutural? Mészáros aponta quatro aspectos principais: o caráter universal (ou seja, não é reservada a um ramo da produção, ou estritamente financeira, por exemplo); o escopo verdadeiramente global (não envolve apenas um número limitado de países); escala de tempo extensa e contínua (“se preferir, permanente”, adiciona Mészáros, enfatizando que não se trata de mais uma crise cíclica do capital) e, por fim, modo de desdobramento gradual (“em contrates com as erupções e colapsos mais espetaculares e dramáticos do passado”, diz o filósofo). Assim é construído o cenário que qualificaria esta crise como estrutural, com a impossibilidade de solução das “tempestades” dentro da atual estrutura.

Capitalismo destrutivo
Outro ponto levantado por Mészáros – e recebido com manifestações de apoio pela platéia – foi delinear os “limites absolutos” do capitalismo. Um desses limites passa pelo papel do trabalho na sociedade, que é visto como uma necessidade, tanto para os indivíduos que produzem quando para a sociedade como um todo. Uma situação onde o trabalho seja visto como um problema, ou pior, como uma falha, tem em si um limite a ser resolvido. O capitalismo, para Mészáros, “com seu desemprego perigosamente crescente” (ainda que a questão não seja meramente numérica), apresenta no trabalho um dos seus limites.

Mészáros chama ainda a atenção para outros males dessa estrutura. A primeira questão apresentada pelo filósofo estaria no foco que o capital vem apontado, os “setores parasíticos da economia”. Para ilustrar o que seria isso, Mészáros aponta para o aventurismo especulativo que a economia tem vivenciado (e que, quando peca em seus resultados, é apontado como um fracasso individual, pertencente a um determinado grupo, quando, para o filósofo, deveria ter o sistema como grande culpado, visto que ele deveria responder por aquilo que produz para se oxigenar) e a uma “fraudulência institucionalizada”.

As guerras e o seu complexo aparato industrial militar aparecem como um desperdício autoritário ao qual o capital submete a sociedade. Este ponto é analisado por Mészáros como uma “operação criminosamente destrutiva e devastadora de uma indústria de armas permanente, juntamente com as guerras necessariamente a elas associadas”. Esta produção sistemática de conflitos e estímulo a uma produção militar resultaria no outro limite destrutivo no capitalismo, apesar de não ser apenas resultado deste, que seria a destruição ecológica: “o dinamismo monopolista militarmente embasado teve até mesmo que assumir a forma de duas devastadoras guerras mundiais, bem como da aniquilação total da humanidade implícita em uma potencial terceira guerra mundial, além da perigosa destruição atual da natureza que se tornou evidente na segunda metade do século XX”.

Criar o futuro
“Existe e deve existir esperança”, diz o filósofo. Apesar do retrato de destruição apresentado por Mészáros e vivenciado cotidianamente dentro da própria estrutura capitalista da sociedade, faz-se o esforço de pensar o futuro, não apenas como um desejo sonhador, mas sim como uma tarefa necessária para mudar o sistema.

A solução para os problemas apontados pelo capital já foram apresentados em momentos históricos anteriores. Mészáros resgata as soluções apresentadas para o capitalismo. Relembrando o liberal John Stuart Mill, Mészáros aponta como inconcebível que o capitalismo chegue a “um estado estacionário da economia”, como defendia Mill, pois faz parte da lógica capitalista a incessante expansão do capital e da sua acumulação. Retomando o ponto do limite da ecologia, fica mais visível o caráter ilusório de um freio para o capital, visto que em 2012 será realizado o Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que pretende engajar as nações em um projeto sustentável de crescimento. As tentativas de criar projeções para as taxas de emissão de carbono, por exemplo, sempre presente nas pautas ecológicas, seriam, para Mészáros, a evidência da incompatibilidade entre o capital e o freio, ainda, entre o capital e o não-avanço destrutivo na natureza.

Mészáros ainda aponta como soluções já tentadas na história: a saída social democrata, socialismo evolutivo, o Estado de Bem Estar Social e a promessa da fase mais elevada do socialismo. “O denominador comum de todas essas tentativas fracassadas – a despeito de suas diferenças principais – é que todas elas tentaram atingir seus objetivos dentro da base estrutural da ordem sociometabólica estabelecida”. Pensar a mudança sem erradicar o capital, portanto, seria deixar latente a possibilidade do capital voltar, ser “restaurado”. A mudança, para Mészáros, precisa ser estrutural e radical, como ele bem especificou para a plateia, extirpando o capital pela raiz.

O rombo estadunidense na economia, com um débito alarmante de U$ 14 trilhões, é, para o filósofo, a marca de um desperdício. Ao ver a inquietude dos capitalistas com a China e seus “três trilhões [de dólares] em caixa”, o capitalismo já pensa um “melhor uso” para esse montante. “E qual é o melhor uso? Por de volta no buraco que fizeram nos Estados Unidos?”, questiona Mészáros. Como foi gerado e como se pode assegurar que um rombo desta proporção não se repita na história são perguntas entrelaçadas ao caráter estrutural da crise e, em conseqüência disto, da resposta necessariamente estrutural que ela requer. Crise esta que tropeça em suas intermináveis guerras, devastação da natureza e contínua produção destrutiva.

Brasil de Fato
Foto: Amana Dutra/LabFoto

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dois anos a mais de precarização do trabalho de jornalista

Há exatamente dois anos, no dia 17 de junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal proferiu, por oito votos a um, o acórdão que acabou com a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista.

Os tubarões da mídia aplaudiram sorridentes a decisão que teve como argumento principal a dita “liberdade de expressão”, uma vez que a obrigatoriedade do diploma foi estabelecida em 1969, durante a ditadura militar, através do Decreto-Lei 972.

Evidentemente que esta “liberdade de expressão” é uma expressão usada à exaustão e se assenta, de maneira oportunista, numa memória histórica de um período que todos queremos ver distante. Aproveitando-se disso, apelam para uma “consciência cidadã” que joga na vala comum nossos interesses de classe de maneira geral, nossa unidade enquanto categoria de trabalhadores – pois com esta decisão abre-se o caminho para transformar nossa categoria em uma verdadeira corporação de ofícios de profissionais liberais – e consequentemente, abafam as bandeiras específicas da categoria.

Na prática, essa grave derrota que sofremos perante o STF acarreta o aprofundamento da precariedade das condições de trabalho. Não isoladamente, essa espada de Dâmocles que paira sobre a cabeça dos trabalhadores brasileiros também assombra os trabalhadores em todo o mundo, em decorrência do neoliberalismo que viabiliza e legitima esta exploração e é condecorado com decisões como essa lavrada por Gilmar Mendes.

O que de concreto a categoria dos jornalistas “ganhou” neste dois anos? Acúmulo de funções, jornadas dobradas, salário baixo, assédio moral, etc. A equação é simples: quanto mais desregulamentada a profissão, menor o salário e piores as condições de trabalho.

E o que a maioria dos sindicatos de jornalistas e a Fenaj têm feito de efetivo para fazer voltar a exigência do diploma? Praticamente nada. De maneira (in) conveniente, deixam corer pelos corredores das câmaras e assembleias, na esteira da institucionalidade e longe do cotidiano dos jornalistas, as PECs e as decisões sobre o rumo de nossa categoria!

Com essa decisão que já vai para seu segundo aniversário, o capital midiático e seus soldados patronais veem crescer, a médio e longo prazo, a base de mão-de-obra (número de pessoas aptas a trabalhar). Com isso, amplia-se a oferta de força de trabalho, consequentemente, os salários tendem ao rebaixamento progressivo.

A luta contra este alarmante agravamento de nossas condições de trabalho precisa incorporar urgentemente a luta pela ESTABILIDADE. A realidade tem mostrado que a ameaça da perda do emprego é usada como chantagem surda exercida cotidianamente pelo patronato EXATAMENTE para inibir a luta pela reconquista da dignidade profissional e pessoal dos jornalistas brasileiros.

Não deixemos que a derrota para o STF complete seu terceiro aniversário! Vamos à luta! Pela estabilidade e pela dignidade do exercício da profissão!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Padre mineiro faz greve de fome por 300 famílias que serão despejadas em Itabira.


O padre José Geraldo de Melo, da paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, está fazendo greve de fome há cinco dias para protestar contra o despejo de cerca de 300 famílias da Comunidade Drummond, a 107 quilômetros de 
Belo Horizonte, em Minas Gerais. A área, que a equivale ao tamanho de 30 campos de futebol, foi invadida em 2000 e é considerada particular pela prefeitura e pela justiça.
O prazo para que as famílias deixem a comunidade vai até o fim do mês. Caso haja resistência, a polícia pode ser acionada para a retirada à força.
Enquanto isso, os comovidos com a situação estão acampando em frente à prefeitura da cidade para tentar sensibilizar as autoridades.
Caso parecido
      O bispo Dom Luís Flávio Cappio, da Diocese de Barra, na Bahia, fez greve de fome em 2005 e 2007 para protestar contra as obras de transposição do rio São Francisco. 
O bispo ficou cerca de 30 dias em jejum e só interrompeu quando foi internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), com a saúde em risco.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um 11de setembro igualmente trágico

ONU distribuirá bolsas de estudos para afrodescendentes

A unidade Anti-Discriminação do escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas, em virtude do Ano Internacional dos Afrodescendentes, lança de 10 de outubro a 04 de novembro de 2011, em Genebra, Itália, um programa de Bolsas para descendentes africanos. Os bolsistas terão a oportunidade de contribuir para a promoção e proteção dos Direitos dos afrodescendentes nos seus países e comunidades.
Para participar o candidato deve atender a alguns critérios: ser afrodescendente, falar fluentemente o inglês e ter experiência mínima de quatro anos com questões relacionados ao tema. Deve também apresentar o curriculum vitae, uma carta de apoio de uma organização ou entidade parceira, uma carta de motivação explicando suas expectativas e interesses, e preencher uma ficha que se encontra no link: http://www.ohchr.org/Documents/Events/IYPAD/ApplicationFormIYPAD.pdf.
Todos os documentos deverão estar em inglês e devem ser enviados para o e-mail http://mc/compose?to=africandescent@ohchr.org ou para o fax 004122-928 9050. O prazo para recebimento dos pedidos é até o dia 15 de junho de 2011 e apenas os candidatos pré-selecionados serão contatados.

Fonte: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial


Encontro Estadual Preparatório para a XIX Convenção Nacional de



Dia 10 de Junho ( sexta - feira) CASA DO JORNALISTA

18:30h - Video Sobre Cuba

18:45h – Apresentação Musical Cantora Rosa Helena

19:00h Abertura do Encontro Estadual

Coordenadora - Miriam Gontijo - Diretora da ACJM-MG

Conferência : - Painel sobre O VI Congresso do PCC e as mudanças

na Sociedade Cubana

Expositor : Lázaro Mendez - Cônsul Geral de Cuba

Debatedores: Dirlene Marques e Nelson Dantas (PCB)

Coquetel e Confraternização

Dia 11 de Junho (sábado) CÂMARA MUNICIPAL DE BH

8:30 h - Solidariedade Latino Americana e as Brigadas (ACJM-MG)

Expositores: Beto Almeida - Telma Araújo

Coordenação: José Vieira

10:30h – Terrorismo do Estado Norte Americano - Vitória Playa Girón .

5 Heróis Cubanos.

Expositores: Lázaro Mendéz - Cônsul Geral de Cuba

Coordenaçao: Paulo César

12:30h - Painel sobre O Bloqueio Econômico e Midiático

Expositores: José Carlos Alexandre (PCB) e Miriam Gontijo

Coordenação: Aluisio Moraes

Informes sobre a XIX CONVENÇÃO NACIONAL DE SOLIDARIEDADE A CUBA – 23 á 26 junho S.P.


13:30 h - Encerramento

quinta-feira, 2 de junho de 2011

JORNALISTAS-OPOSIÇÃO ABRE CAMPANHA NACIONAL PELA ESTABILIDADE

ADRIANO, um dos líderes da oposição sindical
Estabilidade Já

O exercício de um jornalismo digno, crítico e transformador exige o pressuposto da liberdade. Mas como falar na liberdade do jornalista sem falar em estabilidade no emprego? Na garantia de que o trabalhador da notícia e seus familiares-dependentes não serão lançados ao absoluto desabrigo se suas informações, análises e opiniões entrarem em choque com os interesses políticos, econômicos e ideológicos dos donos da mídia? É para refletir sobre isso e lutar contra isso que a Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas (OSJM) está lançando com este manifesto a campanha pela estabilidade no emprego no jornalismo.
Como se sabe, primeira grande medida estratégica da ditadura instalada em nosso país em 1° de abril de 1964 pelos patrões e seus prepostos militares foi a supressão da estabilidade no emprego em 1966. Até então, os novos donos do poder centraram sua ação no encarceramento, tortura e morte de comunistas, socialistas, democratas e líderes de movimentos sociais em geral e, de outro lado, na institucionalização jurídico-política da ditadura. Feito isso, os novos mandantes partiram para medidas de alcance estrutural, estratégico, que pudessem garantir – como de fato garantiram – a manutenção e ampliação de já enormes níveis de lucratividade do capital no país.
Pela lei anterior, o trabalhador do setor privado se tornava automaticamente estável após 10 (dez) anos de trabalho na empresa. Em 1966, foi baixada a lei do FGTS (5.107/66), que substituía a estabilidade por uma indenização através de uma ‘opção’ do próprio trabalhador. Com um detalhe: aqueles que não optavam eram perseguidos ou demitidos arbitrariamente sob alegações falsas de justa causa. Vivíamos uma ditadura, enfim. Foi o pilar do regime do FGTS, derrubada a estabilidade, que sustentou o arracho salarial de toda a ditadura e o consequente enriquecimento brutal da burguesia em todo o período.
Cai a ditadura em 1985, mas não cai a pesada corrente do justificado medo do desemprego que chega a impedir o trabalhador de sair à luta por seus interesses e sua dignidade. Tão importante hoje quanto identificar e punir os torturadores da ditadura é a recuperação da estabilidade no emprego para o trabalhador brasileiro.
 O governo brasileiro atual tem que explicitar de que lado realmente está: ou dos trabalhadores, ou dos patrões. Não há outra opção. Na realidade, para o trabalhador a ditadura dos patrões ainda não foi posta abaixo. O movimento sindical, hegemonizado por forças governistas, vem fazendo de conta todo este tempo que não vê este problema, já que enfrentá-lo é enfrentar o patronato em seu interesse mais fundamental: o de seus exorbitantes lucros no país. A estabidade é arma indispensável do trabalhador na luta por suas condições de vida. E hoje, diante da crescente selvageria patronal, temos inclusive que reduzir para um período razoável – de 02 (dois) anos, por exemplo – o prazo para a obtenção da estabilidade.
E para nós jornalistas a estabilidade tem uma dimensão de maior urgência e densidade. Em jogo, nossas condições materiais de vida e, mais que isso, nossa dignidade profissional. Para o real cumprimento de nossa missão de informar, formar e – o mais importante, dizer a verdade –, o trabalhador da notícia necessita da estabilidade como do próprio ar que respira. Que se enfatize ser a inexistência da estabilidade forte fator de estímulo ao assédio moral que nos vitimiza. Fator, inclusive, de deterioração moral e profissional de nossas relações no ambiente de trabalho, abrindo espaços para favorecimentos e perseguições.
É de amplo conhecimento da nossa categoria a ocorrência inclusive recente de demissões absurdas e imotivadas de companheiros de mais que comprovadas capacidades profissional e intelectual, honrados, dignos e competentes – como no caso do Hoje em Dia e Rádio Inconfidência. Citamos estes casos como exemplos emblemáticos, poderíamos citar muitos e muitíssimos mais.
Vivem hoje os jornalistas – e com particular gravidade os mineiros – o cotidiano de um nível salarial absolutamente incapaz de fazer frente às despesas de sustentação familiar e mesmo individual, o que nos obriga a recorrer a dois ou até mais empregos, com raras exceções. É preciso lutar contra isso. E é possível lutar contra isso. É para esta luta que a Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas (OSJM) convoca toda a categoria em nosso estado. E conclama a todos os trabalhadores da notícia em nível nacional a incorporarem esta bandeira como estandarte central de suas lutas.

Belo Horizonte, junho de 2011 - OSJM

Buenos Aires decide eliminar saleiros das mesas dos restaurantes


A medida é tomada para evitar mais doenças cardíacas por causa do uso sal

O governo da Província de Buenos Aires, na Argentina, iniciou nesta semana um programa para eliminar os saleiros das mesas dos restaurantes.
O objetivo da medida, que é parte de um programa para o combate à hipertensão arterial, é conseguir uma redução no consumo de sal e com isso a redução dos riscos de doenças cardíacas entre a população.
Os especialistas afirmam que os clientes dos restaurantes têm o costume de colocar sal nos pratos sem sequer prová-los antes para saber se já não estão suficientemente salgados.
As autoridades locais estimam que até 3,7 milhões dos 15,6 milhões habitantes da província sofram de hipertensão, que pode levar a derrames cerebrais ou problemas cardíacos.
– A intenção é reduzir o risco de hipertensão, enfermidade que afeta um terço da população argentina e que constitui um dos principais fatores que levam a doenças e mortes cardiovasculares –, explicou o secretário da Saúde da província de Buenos Aires, Alejandro Collia.(Com o Correio do Brasil/BBCArgentina/Divulgação)

Brincadeira? Ministério da Saúde classifica o McDonald's como "empresa amiga da saúde"! Será que a Dilma está sabendo?



A adesão da rede de lanchonetes McDonald’s a campanhas do Ministério da Saúde e sua classificação como “empresa amiga da saúde” pela pasta gerou protestos de ONGs e de especialistas em nutrição. Professores universitários da área pedem a desvinculação da pasta de “produtos e campanhas” da empresa.
Depois de aderir às campanhas, a rede de fast foods passou a estampar em suas toalhas de bandeja material educativo elaborado pelo Ministério da Saúde, junto com o lema “Amo muito tudo isso” e a marca da empresa. No verso do material, o McDonald’s também incluiu o cardápio da rede e informações nutricionais.
Por telefone e em nota, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde esclareceu que o foco da cooperação entre o órgão e diversas empresas no país é ampliar o número de pessoas atingidas por suas campanhas. Em nenhum momento o órgão endossa práticas e condutas das empresas.
“O Ministério da Saúde mantém parceria com 384 empresas brasileiras, de diversos setores, que nos apoiam em iniciativas de promoção da saúde e prevenção de doenças. A participação destes parceiros nos ajuda a ampliar o alcance e a visibilidade de nossas campanhas informativas, mas sem implicar endosso irrestrito do ministério às práticas e condutas das empresas”, informou também em nota.
O material, entregue aos consumidores que se alimentam nas lojas da rede, contradiz a promoção da alimentação saudável e de outras políticas do governo federal, na interpretação de especialistas em saúde e nutrição humana. Para os professores da Universidade de São Paulo (USP) e membros da Academia Brasileira de Ciências, Carlos Augusto Monteiro e César Gomes Victora, acompanhados do professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), membro do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), a campanha da rede “é extremamente nociva” e induz o consumidor a pensar que seus produtos deveriam ser consumidos frequentemente.
“A própria composição nutricional do cardápio da rede McDonald’s, descrita nas toalhas, revela quão enganosa é esta campanha publicitária”, reclama a carta dirigida a Alexandre Padilha, ministro da Saúde. Segundo eles, uma refeição formada por uma combinação padrão da rede – o sanduíche Big Mac, mais uma porção média de batatas fritas, um copo médio de refrigerante e uma porção pequena de sorvete com calda – fornece dois terços do total de calorias que um adulto poderia consumir em um dia. Para uma criança, o valor representa praticamente toda a demanda de energia.
Para os professores universitários, é preciso desvincular a marca da rede de quaisquer ações do Ministério da Saúde.
– Pedimos-lhe que ordene a imediata desvinculação das marcas, programas e imagem do Ministério da Saúde do Brasil da marca, produtos e campanhas da empresa McDonald’s – pleiteiam.
Publicidade perigosa
Em outra carta ao ministro, a Frente pela Regulação da Publicidade de Alimentos também pediu a desvinculação das marcas. “Não se justifica, em hipótese alguma, o Ministério da Saúde associar sua imagem a de empresas como McDonald’s atribuindo-lhes o título de ‘Parceiro da Saúde’, uma vez que a sua principal atividade é a comercialização de alimentos que, em sua grande maioria, fazem muito mal à saúde”, contestou a entidade.
“É necessário cuidado especial com as nossas crianças que devem crescer em um ambiente que favoreça seu máximo potencial de desenvolvimento, o que inclui a garantia da proteção contra os produtos comercializados e práticas de marketing empregadas por empresas como o McDonald’s”, considera a Frente.(Com o Correio do Brasil)

O melhor do futebol, com Flávio Anselmo

Alexsandro comemora gol contra o Coritiba
    EXPERIÊNCIA E FÉ REFORÇAM OS AZUIS CONTRA O FLU NO RIO

O tsunami que Cuca anunciou na Toca com a mudança do time azul para enfrentar o Fluminense neste sábado não passou de uma marola. Daquelas bem previsíveis.

Sem Fábio, joga Rafael; o experiente uruguaio Victorino liberado por sua seleção estreia no Brasileiro e se reapresenta na segunda-feira

Uma das grandes “novidades” (?) será Everton na lateral esquerda, visto que Gilberto repetiu que não joga mais naquela posição; Paraná continua adaptado na lateral direita até reclamar, também, ou os dois da posição – Pablo e Vitor – chiarem na reserva.

Sem Henrique, a segunda e maior novidade será Fabrício retornando à equipe, cheio de fé em retomar a posição com atuação de destaque no Rio. Estará ao lado de Leandro Guerreiro, Montillo e Gilberto. Nada de novo aqui, certo?

No ataque, a opção ficou mesmo em Thiago Ribeiro e Wallyson. A montanha de Cuca fez tanto barulho, gritou tanto, e pariu um ratinho. São João do Socapó que nos ajude!

Houve informação apressada sobre a liberação de Maurício Victorino da seleção uruguaia. Disseram que ele havia sido cortado, após ficar na reserva na derrota (2 a 1) no amistoso contra a Alemanha, sábado passado em Sinshem (Ale). Não teve nada disso.

O treinador de lá, Oscar Tabárez, consciente, liberou os atletas que tinham compromissos com os seus clubes de origens. Voltarão para outro amistoso, desta vez em Montevidéu, contra a Holanda, dia 8.

Duas ilustres e perigosas visitas na Toca da Raposa II, na última quarta-feira: Cláudio Caçapa, que estava no Evian da França, e o volante Marcos Paulo, que jogou no Cruzeiro no período de 1996 a 2002.

Por que perigosos, se são pessoas tão bacanas? Acima dos 33 anos, corriam o risco de ser contratados por Cuca, que adora trabalhar com “velhinhos”.

Futebol hoje tem dessas coisas: a única maneira do Cruzeiro ficar livre do volante Pedro Ken, salário de R$ 90 mil, foi emprestá-lo de graça ao Avaí e, ainda por cima, pagará 40% do seu ganho mensal. Bichinho caro este!

Paulo Victor, goleiro, Eron, lateral esquerdo, Roger, lateral direito, e Leleu e Bernard, todos profissionais do Atlético, reforçarão o time júnior no Torneio ICGT (International Cor Groenewegen Toernooi), na Holanda, no período de 11 e 13 de junho, em Uitgeest.

Na pura verdade, irão para a vitrine, na prateleira de negociações. Os dirigentes que seguem com a delegação levam vídeos deles. Reforçarão mesmo, num futuro próximo, os cofres do Atlético e os bolsos de Ricardo Guimarães.

Estranho, Dudu Cearense afinou o discurso com Dorival Júnior. Antes dizia que estava pronto pra estrear. Agora afirma que o ritmo de jogo será o maior problema. Entenda-se!

Não paro de receber mensagens querendo minha opinião sobre a camisa verde-limão de treino lançada pelo Atlético. Não entendo de moda, por isso vou consultar quem entenda e posteriormente eu falo. De princípio, pensei que era camisa de treino do América. Céus!

Marcos Rocha e Glauber foram as novidades no último coletivo do América e enfrentam o Internacional domingo, às 18:30, em Campo Grande. Rocha cumpriu dois jogos de suspensão e está sem jogar há dois meses.

Sua última participação foi contra o Villa Nova (2 a 2), na última rodada da fase de classificação do Campeonato Mineiro. Não pode fazer os dois jogos das semifinais, contra o Atlético, por força de contrato.

Mauro Fernandes diz que não, porém assinará atestado de burrice se não escalar Glauber no lugar de Dudu, expulso na última partida. Diz o técnico que tudo depende de mais uma avaliação no coletivo de sexta-feira.

Também trocou o lateral Thiago Carleto por Wiliam Rocha, ex-Figueirense. Afinal, nos dois jogos, Carleto fez dois pênaltis.

UM JOGO ELETRIZANTE, com tudo com uma decisão tem - pedrada na testa de Murici Ramalho - infantilidade de Edu Dracena provocando sua expulsão aos 47m do segundo, e muitos gols. Cerro Porteño 3 x Santos 3, com os gols santistas feios por Zé Eduardo, outro contra do zagueiro que Neymar tentou driblar o juiz querendo o gol pra ele e o terceiro um belo gol da jóia da Vila Belmiro, O Santos está na final da Libertadores.

O JOGO EM SÃO JANUÁRIO foi igual e bem disputado. O resultado por l a 0 saiu na única jogada trabalhada do ataque vascaíno. No cruzamento da direita, Alecsandro subiu de cabeça e marcou o gol da vitória.

Agora, no jogo de volta, o Coritiba precisa vencer por 2 a 0 e não levar gol. A comemoração de Alecsandro, imitando seu pai Lela que comemorava do mesmo jeito seus gols no Coxa, foi a foto mais mostrada nos sites e jornais (Foto Globo)

O BOTAFOGO NÃO desiste de Gilberto, nem o atleta desiste de voltar ao Rio de Janeiro. O negócio deu uma esfriada nos últimos dias por causa dos imbróglios envolvendo Zezé Perrela, que está na bica de virar Senador da República, ao lado de outro cruzeirense, o HOMEM INVISÍVEL, Clésio Andrade.

O Botafogo bota lenha na fogueira e vai tratar do negócio via o empresário Reinaldo Pitta, amigo de Perrella. Porém não aceita pagar a multa contratual de de R$ 5 milhões. Está disposto a dar o lateral/volante Somália, 22 anos,em definitivo e receber Gilberto.

Segundo dirigentes do clube carioca lá não se cogita pagar por Gilberto, porque ele tem contrato com o Cruzeiro até o fim de 2012 e 35 anos. Barcaça furada, né? É.

Flávio Anselmo

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A dignidade acima de qualquer coisa

                     

   - CARTA AO POVO DE ITABIRA –


Há cerca de 11 anos, famílias pobres da nossa querida terra de Drummond, em busca do direito de

morar com dignidade, ocuparam um grande terreno que estava completamente abandonado e, com muito

esforço, construíram ali suas casas. Agora, anos e anos depois, o Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca

de Itabira, determinou o despejo forçado, com uso de força policial, das mais de 300 famílias que

moram no Bairro Drummond, sem oferecer qualquer alternativa digna. Assim, a partir do próximo

dia 2 de maio, a qualquer momento, a Polícia e os Oficiais de Justiça poderão cumprir a ordem judicial e

expulsar as famílias do terreno, jogando-as nas ruas junto com seus móveis e demolindo suas casas.

Ora, ao longo de todos esses anos, o Poder Público jamais se fez presente em nossa comunidade que

não possui escola, posto de saúde, iluminação pública, esgoto, transporte público, nem nada daquilo que

deveríamos ter por direito. De repente, querem mandar a Polícia Militar, tratando cidadãos pobres que

lutam pela moradia como criminosos.

Entendemos que a situação reflete um conflito social que não pode ser tratado como caso de Polícia. Odespejo não é a solução. Colocar mais 300 famílias nas ruas inaugura um problema ainda maior. No Bairro Drummond, que fica atrás do Cemitério da Paz, vivem centenas de crianças, mulheres, idosos, pessoas em vulnerabilidade social. É preciso serenidade, cautela e maturidade política. A legislação brasileira

prevê inúmeros instrumentos jurídicos para regularizar casos como esse, a exemplo da desapropriação

por interesse social mediante indenização. Em tempos de Programa Minha Casa, Minha Vida, seria

um absurdo despejar mais de mil pessoas sem qualquer alternativa. Esperamos que as autoridades,

especialmente o Prefeito de Itabira, Sr. João Izael, tenham a sensatez de dialogar e buscar uma saída

negociada. O despejo forçado é ilegal, injusto e imoral. Somos cidadãos e cidadãs e exigimos respeito aos nossos direitos.

Da população de Itabira, esperamos solidariedade com a nossa causa que é justa e legítima. No próximo

dia 25, segunda feira, estaremos nas ruas levantando nosso grito de protesto para que a Justiça e a

Dignidade prevaleça sobre o arbítrio e o poder. Por uma cidade onde caibam todos e todas!

- ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO BAIRRO CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE –

Brigadas Populares - Comissão de Justiça de Paz – Diocese Itabira-Coronel Fabriciano – Comissão Pastoral da Terra -

Mandato do Deputado Federal Padre João – Sindicato Metabase de Itabira

Por que o despejo é ilegal, injusto e imoral ?

1. A área ocupada descumpria a função social da propriedade prevista na Constituição, art. 5º, inc. XXIII;

2. Quando as famílias entraram no terreno não havia posse anterior exercida pelos proprietários para justificar a ordem de

Reintegração de Posse contra as famílias do Bairro Drummond;

3. O processo de Reintegração de Posse, que tramitou mais de 10 anos na Justiça, possui inúmeras nulidades processuais;

4. A ordem dada pelo Juiz não delimita a área a ser reintegrada e isso é um dos pressupostos legais para o cumprimento da

ordem;

5. A ordem de despejo também não diz nada a respeito do destino das mais de 300 famílias que estão em via de ser despejadas;

6. A dignidade da pessoa humana e o direito à moradia estão acima dos interesses dos supostos proprietários que jamais deram

qualquer destinação econômica ou social ao terreno;

7. A Constituição e a legislação brasileira, a exemplo da Lei nº. 10.257/01 (Estatuto das Cidades) e da Lei nº 11.977/09 (Minha

Casa, Minha Vida), prevêem vários instrumentos jurídicos que podem ser utilizados pelo Poder Público para solucionar

dignamente o conflito;

8. O despejo forçado sem alternativas de reassentamento digno ou indenização ofende inúmeros tratados internacionais de

direitos humanos dos quais o Brasil é país signatário;

9. O despejo forçado com uso de força policial vai gerar violência e colocar em risco a integridade física das centenas de famílias

que estão dispostas a resistir por suas casas humildemente construídas há mais de 10 anos;

10. O despejo não é a solução, pois não enfrenta o grave problema habitacional que a cidade de Itabira vive atualmente.

Despejo com data marcada e a Prefeitura de Itabira simplesmente se omite

                     

                                      - COMUNICADO URGENTE -

Há 10 dias, desde a manhã do dia 24 de maio, moradores do Bairro Drummond estão acampados em frente à Prefeitura de Itabira - MG, exigindo que o Governo Municipal tome uma providência urgente para impedir a demolição das casas da comunidade onde vivem cerca de 300 famílias, desde o ano 2000.
Ontem, quarta-feira, participamos de uma audiência designada pelo Juiz André Luiz Pimenta, da 1ª Vara Cível da Comarca de Itabira, na qual também estiveram o Procurador do Município, representando o Prefeito João Izael (PR) e o Tenente-Coronel Edvânio Rosa Carneiro do comando da Polícia Militar em Itabira.
Nessa audiência a Prefeitura manteve a posição de não fazer absolutamente NADA para impedir o despejo e preservar a integridade e os direitos dos moradores. O comandante da PM, por sua vez, disse que o planejamento do despejo já está pronto e que irá contar com reforço de batalhões especializados de Ipatinga e da capital Belo Horizonte. A promotora do Ministério Público, presente na audiência, foi completamente omissa e sequer questionou para onde serão levadas as centenas de crianças e idosos que vivem no Drummond.
O Juiz André Luiz Pimenta fixou, então, a data-limite até o dia 31 de julho para que as famílias deixem suas casas voluntariamente, com todos seus pertences, sem nenhuma alternativa digna. A audiência serviu para comprovar que a Prefeitura está determinada a permitir a destruição da Comunidade Drummond!
A situação é extremamente grave e clama pela solidariedade e empenho de tod@s em defesa do Drummond, bairro consolidado há mais de 10 anos numa área que estava completamente abandonada! Um ônibus com militantes da Comunidade Dandara (Céu Azul, BH-MG) também está acampado na Prefeitura de Itabira, mas é preciso que mais pessoas e movimentos fortaleçam essa luta justa.
As autoridades cumpre alertar que as famílias do Drummond estão organizadas e dispostas a lutar por sua dignidade e resistir ao despejo que é ilegal, injusto e imoral. O risco de confronto é real e poderia perfeitamente ser contornado se o Prefeito João Izael não se furtasse do seu dever institucional, na qualidade de mandatário eleito pelo povo de Itabira.
Em assembleia, as famílias decidiram manter o acampamento na porta da Prefeitura por tempo indeterminado, ampliar a mobilização e buscar outros meios jurídicos e políticos para impedir a arbitrariedade do despejo forçado. A população da comunidade que leva o nome do Grande Poeta Itabirano segue em luta, fortalecendo o processo de organização e consciência para resistir contra a intolerância dos poderosos.
Em resumo, estamos correndo contra o tempo! O tenente-coronel da PM que comanda a região de Itabira disse ontem à imprensa que "espera que os moradores saiam por livre e espontânea vontade. Se as famílias não saírem, a PM vai agir imediatamente após o fim do prazo".
Não vamos permitir que a violência praticada no último mês de maio contra os trabalhadores sem-teto de Aracruz - ES, no despejo desumano da ocupação Nova Esperança, se repita aqui em Minas Gerais.
Contribua com a resistência enviando mensagem de repúdio ao despejo para o Prefeito João Izael (PR), clicando AQUI. Ao final, segue mensagem resumida que pode servir de modelo.
Sugerimos que manifestações de repúdio também sejam encaminhadas aos endereços de email do Governador do Estado de Minas (governadorgab@governo.mg.gov.br) e do Presidente do Tribunal de Justiça (gapre@tjmg.jus.br) com cópia para brigadaspopulares@gmail.com
Pedimos ainda que este Comunicado seja repassado para seus contatos dando publicidade ao drama vivido pelos(as) itabiranos(as) que construíram com tanto sacrifício suas moradias na Comunidade Drummond.
Modelo de mensagem em repúdio ao despejo:
"Informado sobre a iminência de desalojamento forçado (despejo) de cerca de 300 famílias sem teto da comunidade Drummond, na cidade de Itabira, Minas Gerais, Brasil, venho manifestar meu repúdio e indignação diante da grave situação em que se encontram essas famílias. Dita comunidade, que se consolidou há mais de 10 anos, reflete o grave problema habitacional que vive o povo pobre do nosso país. No Bairro Drummond vivem centenas de crianças, mulheres, idosos, pessoas em vulnerabilidade social, vítimas de um conflito social que não pode ser tratado como caso de polícia. Sabe-se que o processo judicial que culminou na ordem de despejo (expedida pelo Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Itabira) é repleto de nulidades. É preciso serenidade, cautela e maturidade política. A legislação brasileira prevê inúmeros instrumentos jurídicos para regularizar casos como esse, a exemplo da desapropriação por interesse social mediante indenização. Recentemente, representante da Secretaria de Programas Urbanos foi à Itabira e disse que o Ministério das Cidades poderia aportar recursos federais para solucionar o impasse. Em tempos de Programa Minha Casa, Minha Vida, seria um absurdo despejar mais de mil pessoas sem qualquer alternativa digna. Esperamos que as autoridades, especialmente o Prefeito de Itabira, Sr. João Izael (PR), e o Governador do Estado, Antônio Augusto Anastasia, tenham a sensatez de dialogar e buscar uma saída negociada. O despejo forçado é ilegal, injusto e imoral. Exigimos que seja buscada uma solução justa para que tamanha violência não se consuma contra os(as) trabalhadores(as) de Itabira-MG".

Ocupar, resistir, construir!

Contatos em Itabira-MG:

Adilson (Associação Comunitária): (31) 8656-9616

Wagna e Junio (Brigadas Populares): (31) 8697-6216 / 8695-1966

Padre José Geraldo: (31) 8727-0021

Virgínia (Gabinete Dep. Federal Padre João): (31) 8881-9238

Frente pela Reforma Urbana

- Brigadas Populares -

O Estado não pode lavar as mãos diante de mortes anunciadas

Adelino Ramos, o Dinho, sobrevivente do massacre de Corumbiara, foi assassinado dia 27 de maio, pela manhã,

"As mortes no campo podem se intitular de Crônicas de mortes anunciadas. De 2000 a 2011, a CPT tem registrado em seu banco de dados ameaças de morte no campo, contra 1.855 pessoas. De 207 pessoas há o registro de terem sofrido mais de uma ameaça. E destas, 42 foram assassinadas e outras 30 sofreram tentativas de assassinato. 102 pessoas, das 207, foram ou são lideranças e 27 religiosos ou agentes de pastoral."

NOTA PÚBLICA

A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra – CPT - reputa como muito estranhas as afirmativas de representantes da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Pará, do IBAMA e do INCRA que disseram no dia 25 de maio desconhecer as ameaças de morte sofridas pelos trabalhadores José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados a mando de madeireiros no dia 24/05/2011, em Nova Ipixuna (PA). O ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, chegou a afirmar que o casal não constava de nenhuma relação de ameaçados em conflitos agrários, elaborada pela Ouvidoria ou pela Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo.
A CPT, que desde 1985 presta um serviço à sociedade brasileira registrando e divulgando um relatório anual dos conflitos no campo e das violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras, com destaque para os assassinatos e ameaças de morte, desde 2001 registrou entre os ameaçados de morte o nome de José Claudio. Seu nome aparece nos relatórios de 2001, 2002 e 2009. E nos relatórios de 2004, 2005 e 2010 constam o nome dele e de sua esposa, Maria do Espírito Santo. Pela sua metodologia, a CPT registra a cada ano só as ocorrências de novas ameaças.
Também o nome de Adelino Ramos, assassinado no dia 27 de maio, em Vista Alegre do Abunã, Rondônia, constou da lista de ameaçados de 2008. Em 22 de julho de 2010, o senhor Adelino participou de audiência, em Manaus, com o Ouvidor Agrário Nacional, Dr. Gercino Filho, e a Comissão de Combate à Violência e Conflitos no Campo e denunciou as ameaças que vinha sofrendo constantemente, inclusive citando nomes dos responsáveis pelas ameaças.
No dia 29 de abril de 2010, a CPT entregou ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, os dados dos Conflitos e da Violência no Campo, compilados nos relatórios anuais divulgados pela pastoral desde 1985. Um dos documentos entregue foi a relação de Assassinatos e Julgamentos de 1985 a 2009. Até 2010, foram assassinadas 1580 pessoas, em 1186 ocorrências. Destas somente 91 foram a julgamento com a condenação de apenas 21 mandantes e 73 executores. Dos mandantes condenados somente Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Irmã Dorothy Stang, continua preso.
As mortes no campo podem se intitular de Crônicas de mortes anunciadas. De 2000 a 2011, a CPT tem registrado em seu banco de dados ameaças de morte no campo, contra 1.855 pessoas. De 207 pessoas há o registro de terem sofrido mais de uma ameaça. E destas, 42 foram assassinadas e outras 30 sofreram tentativas de assassinato. 102 pessoas, das 207, foram ou são lideranças e 27 religiosos ou agentes de pastoral.
O que se assiste em nosso país é uma contra-reforma agrária e é uma falácia o tal desmatamento zero. O poder do latifúndio, travestido hoje de agronegócio, impõe suas regras afrontando o direito dos posseiros, pequenos agricultores, comunidades quilombolas e indígenas e outras categorias camponesas. Também avança sobre reservas ambientais e reservas extrativistas. O apoio, incentivo e financiamento do Estado ao agronegócio, o fortalece para seguir adiante, acobertado pelo discurso do desenvolvimento econômico que nada mais é do que a negação dos direitos fundamentais da pessoa, do meio ambiente e da natureza. Isso ficou explícito durante a votação do novo Código Florestal que melhor poderia se denominar de Código do Desmatamento. Além de flexibilizar as leis, a repugnante atitude dos deputados ruralistas, que vaiaram o anúncio da morte do casal, vem reafirmar que o interesse do grupo está em garantir o avanço do capital sobre as florestas, pouco se importando com as diferentes formas de vida que elas sustentam e muito menos com a vida de quem as defende. A violência no campo é alimentada, sobretudo, pela impunidade, como se pode concluir dos números dos assassinatos e julgamentos. O poder judiciário, sempre ágil para atender os reclamos do agronegócio, mostra-se pouco ou nada interessado quando as vítimas são os trabalhadores e trabalhadoras do campo.
A morte é uma decorrência do modelo de exploração econômica que se implanta a ferro e fogo. Os que tentam se opor a este modelo devem ser cooptados por migalhas ou promessas, como ocorre em Belo Monte, silenciados ou eliminados.
A Coordenação Nacional da CPT vê que na Amazônia matar e desmatar andam juntos. Por isso exige uma ação forte e eficaz do governo, reconhecendo e titulando os territórios das populações e comunidades amazônidas, estabelecendo limites à ação das madeireiras e empresas do agronegócio em sua voracidade sobre os bens da natureza. Também exige do judiciário medidas concretas que ponham um fim à impunidade no campo.

Goiânia, 30 de maio de 2011.

A Coordenação Nacional da CPT