domingo, 31 de janeiro de 2016

CONSTRANGIMENTO NA FÁBRICA

                                                                  
               
               Trabalhador apalpado durante  revista 
                feita na empresa será indenizado

Um empregado que teve as nádegas apalpadas em frente aos colegas durante revista será indenizado. Para a 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, a revista foi feita de forma vexatória, violando o artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal, que assegura a inviolabilidade da intimidade e imagem pessoal.

O empregado trabalhava em uma fábrica de automóveis em Betim (MG). Na reclamação trabalhista, ele conta que constantemente era submetido a revista pessoal, onde tinha todas as partes do corpo apalpadas por seguranças armados, inclusive nas nádegas, para vistoriar o bolso traseiro da calça. Ressalta que outros empregados conseguiam ver o local do procedimento, o que causava ainda maior constrangimento.

A montadora, em sua defesa, afirmou que a revista era feita de forma aleatória e individual, podendo recair sobre qualquer empregado, com total respeito e sem o alegado toque em partes íntimas.

O juiz da 3ª Vara do Trabalho de Betim (MG) negou o pedido de indenização por entender que não ficou demonstrada a prática de ato ilícito e que causasse dano moral do empregado. O juiz observou que o fato de a empresa fazer a revista não configura excesso ou abuso de direito, apenas zelo para com o seu patrimônio. O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) manteve a sentença.

Em recurso ao TST, o processo foi analisado pelo ministro Alexandre Agra Belmonte, que concluiu que a revista era realizada de forma abusiva, com ofensa à intimidade e à dignidade do trabalhador, considerando, sobretudo, que a empresa dispunha de outros meios para fiscalização, como câmeras de circuito interno de televisão.

Para Belmonte, o constrangimento de ser submetido a tal procedimento na presença de outros colegas, sem indícios ponderáveis de lesão ao patrimônio da empresa, é intolerável.  "Se a empresa desconfiava de seus empregados, que adotasse outros meios de fiscalização, capazes de impedir delitos, preservando, no entanto, a intimidade de cada um", afirmou. Por unanimidade, a Turma fixou o valor da indenização em R$ 20 mil.

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(Com a Conjur)

Eleições presidenciais em Portugal: vitória de Marcelo, “filho de Deus e do Diabo”

                                                                          
 Luis Leiria, de Lisboa para o Correio da Cidadania (*)

Eleições presidenciais em Portugal: vitória de Marcelo, “filho de Deus e do Diabo”
Exatamente dois meses depois, no domingo 24 de janeiro, o candidato Marcelo Rebelo de Sousa, apoiado pelos mesmos partidos da direita, o PSD e o CDS, venceu as eleições presidenciais, logo à primeira volta, com 51,99% dos votos (nas eleições de 4 de outubro, a direita unida tivera 38,5%). Significa isto que a direita recuperou o terreno, em tão pouco tempo, depois de ter perdido o governo? Não: são eleições diferentes, e as presidenciais não podem ser vistas como uma espécie de segunda volta das parlamentares.

Além disso, apesar de a vitória do professor de direito e comentarista televisivo Marcelo Rebelo de Sousa ser uma derrota da esquerda, ela foi obtida com uma política muito diferente da que PSD e CDS vinham levando depois de saírem do governo.

Sistema semipresidencialista

Já aqui falamos das particularidades do sistema político português, habitualmente caracterizado como semipresidencialista (ou semiparlamentarista). Isto significa que o presidente da República é o chefe do Estado, mas não do governo. O executivo é formado de acordo com o resultado das eleições parlamentares e responde diante do Parlamento – e não do presidente. 

Eleições parlamentares e presidenciais são separadas, em datas diferentes, e os mandatos têm durações diferentes: o do Presidente da República, cinco anos, e o do governo que sai das eleições parlamentares, quatro (se não houver antecipação de eleições). É comum que presidente e primeiro-ministro sejam de partidos diferentes.

As eleições parlamentares elegem os deputados (em Portugal não há senadores) e é do Parlamento que sai o governo, chefiado por um primeiro-ministro. Cabe ao presidente designar o primeiro-ministro, mas este, a partir do momento em que é nomeado, responde ao Parlamento.

Porém, o presidente não é uma “Rainha da Inglaterra”: a Constituição dá-lhe uma espécie de superpoder, uma “bomba atômica”, que é a faculdade de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Pode ainda vetar leis, mas, se estas forem aprovadas de novo no Parlamento, é obrigado a promulgá-las.

Ao contrário das eleições parlamentares, onde apenas se podem candidatar partidos legalizados, as eleições para a Presidência são destinadas a candidaturas individuais, de cidadãos de mais de 35 anos, desde que sejam apoiados por 7.500 eleitores. Assim, os candidatos podem ou não ter o apoio de partidos, e mesmo, como aconteceu nestas últimas eleições, um partido pode apoiar mais do que um candidato.

Resultados

No domingo, Marcelo Rebelo de Sousa venceu as eleições presidenciais, logo à primeira volta, com 51,99% dos votos. Só haveria segunda volta se nenhum candidato tivesse mais do que 50% de votos. Nesse caso, os dois mais votados disputariam uma nova eleição três semanas depois.

No segundo lugar, ficou António Sampaio da Nóvoa, professor universitário, ex-reitor da Universidade de Lisboa, apoiado por uma parte do PS, com 22,9%, e em terceiro Marisa Matias, eurodeputada, apoiada pelo Bloco de Esquerda, com 10,13%. A deputada Maria de Belém, ex-ministra e ex-presidente do PS, apoiada por parte deste partido, ficou em quarto lugar com 4,24% dos votos e o ex-padre Edgar Silva, apoiado pelo PCP, ficou em quinto, com 3,95%. Os cinco candidatos menos votados obtiveram, somados, 6,8% dos votos e houve 1,24% de votos em branco e 0,93% de votos nulos.

Apoiado pelo PSD e pelo CDS, Marcelo fez questão de que nem Passos Coelho (o primeiro-ministro que aplicou a política da troika e da austeridade, líder do PSD) nem Paulo Portas (vice-primeiro-ministro do mesmo governo e líder do CDS) aparecessem em qualquer ação de campanha ou tempo de antena. Não renegou os apoios, mas fez gala de não contar com qualquer das duas máquinas partidárias.

Durante a campanha, Marcelo serviu cafés atrás do balcão de um boteco, penteou uma cabeleireira, contratou um táxi para percorrer o país, almoçou sanduíches e garantiu que era o “candidato da marmita”. Parecia seguir a inspiração de Jânio Quadros, embora não haja notícia de que tenha alguma vez pulverizado a gola do terno de talco para fingir que era caspa.

Na verdade, sua campanha foi uma não-campanha, porque não precisava dela. Há 16 anos que o “Professor Marcelo” tem um “tempo de antena” semanal em horário nobre da televisão onde comenta política, economia, mas também desporto e apresenta livros. A sua notoriedade é tão elevada que três das quatro primeiras pesquisas, logo após ter confirmado ser candidato, lhe davam resultados acima dos 60%.

Ainda assim, e mesmo procurando evitar ao máximo os principais temas, fez questão de se distanciar abertamente da política de PSD e CDS. Ao contrário destes dois partidos, que hostilizam o governo de António Costa, a quem acusam de não ter legitimidade para governar, Marcelo Rebelo de Sousa apoiou esse mesmo governo e todas as suas medidas e criticou a polarização direita-esquerda, afirmando a intenção de acabar com as fraturas e “unir os portugueses”. 

O objetivo era conquistar uma parcela dos eleitores do PS, ao mesmo tempo em que garantia o voto da direita, por pura e simples falta de alternativa: apesar de serem dez os candidatos à presidência, nenhum se declarou de direita e o próprio Marcelo dizia situar-se na “esquerda da direita”.

“A lealdade não é o seu forte”

Os jogos de palavras e a inconstância das posições que defende são, aliás, uma característica do presidente eleito, que, quando apanhado em contradição se escuda no fato de ser há anos comentarista e não político ativo – e isto apesar de ter sido um dos fundadores do PSD e até mesmo seu líder durante três anos. Paulo Portas, o líder do CDS, não esconde que não confia em Marcelo Rebelo de Sousa.

Nos tempos em que Portas era diretor de um jornal e ainda não entrara na política, afirmava que a lealdade “não era o forte” do professor de direito. “Eu costumo dizer que Marcelo é filho de Deus e do Diabo. Deus deu-lhe a inteligência e o Diabo deu-lhe a maldade”, afirmou em 1993, numa entrevista de televisão que ficou célebre. “Sobretudo uma pessoa que quer ser primeiro-ministro tem de se tornar confiável. E tornar-se confiável significa que a gente possa acreditar nele”, dizia Portas. Marcelo nunca foi primeiro-ministro, mas agora chegou à presidência.

Filho de um político ativo da ditadura de Salazar e Caetano, que ocupou cargos como governador de Moçambique e ministro do Ultramar, das Corporações e da Saúde, o jovem Marcelo renegou a educação paterna e viveu a chamada crise acadêmica de 1969, quando os estudantes de Coimbra enfrentaram a ditadura, participando em manifestações de apoio ao regime.

No final da ditadura ligou-se a um setor da oposição consentida do regime, que via na política colonial do governo um obstáculo à aproximação à Comunidade Econômica Europeia (CEE) e entrou no semanário Expresso, lançado por este setor. Começou assim a sua vinculação aos meios de comunicação, que sempre fez questão de manter – no Expresso, no Semanário, na rádio TSF, nos canais de televisão RTP e TVI.

A verdade é que como comentarista sempre teve mais sucesso que como político: quando foi líder do PSD não conseguiu levar o partido à vitória, a sua candidatura à câmara (prefeitura) de Lisboa também foi derrotada. Como experiência governativa pode apenas exibir um cargo de secretário de Estado da presidência do Conselho de Ministros e logo em seguida de Ministro dos Assuntos Parlamentares do VIII Governo Constitucional (1981-1983).

Derrota para a esquerda

Mesmo tendo uma política diferente do PSD e do CDS que o apoiaram, a vitória de Marcelo é uma derrota da esquerda, que tinha como primeiro objetivo forçar uma segunda volta e derrotá-lo nessa segunda eleição. O principal responsável por essa derrota é o Partido Socialista, que se dividiu entre o apoio a dois candidatos – Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém –, sendo que António Costa, o primeiro-ministro, não tomou posição pública por nenhum deles.

Há quem pense que o PS operou essa divisão com a intenção de facilitar a vitória de Marcelo, e que essa seria a verdadeira opção da direção socialista. É uma visão conspirativa da História que parece despropositada. O PS dividiu-se entre dois candidatos não por um qualquer maquiavelismo da sua liderança (como se isso fosse possível!), mas, sim, porque é um partido com fortes elementos de crise.

Apesar de ter conquistado o governo, a sua votação ficou muito aquém do que esperava e, à sua esquerda, viu crescer Bloco de Esquerda e PCP que, juntos, chegaram a quase 19%. O fantasma da pasokização continua a pairar e há grandes divergências sobre o rumo a seguir.

Salomonicamente, António Costa afirmou que a primeira volta das eleições seria uma espécie de primárias do PS. O resultado é que não houve segunda volta. O candidato Sampaio da Nóvoa, ex-reitor da Universidade de Lisboa e um desconhecido nas lides políticas, conseguiu decolar e chegar aos 22,9%, contando com o apoio de três ex-presidentes – Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.

Mas a candidatura de Maria de Belém, que no início aparecia em segundo lugar nas pesquisas, desmoronou para 4,24%. A ex-presidente do partido contava com apoios ilustres, como o do ex-candidato à presidência Manuel Alegre, mas demonstrou graves falhas éticas no seu currículo, como quando acumulou o trabalho de consultoria para uma empresa privada de saúde (Espírito Santo Saúde) com o cargo de deputada, quando participava justamente da Comissão de Saúde do Parlamento. A machadada final foi a descoberta de que Maria de Belém fazia parte da lista de 30 parlamentares que recorreram ao Tribunal Constitucional para defender privilégios específicos que tinham terminado (subvenções vitalícias).

O segundo lugar de Sampaio da Nóvoa, porém, teve como base uma campanha dirigida a conquistar votos ao centro, dando destaque ao apoio do general e ex-presidente Ramalho Eanes que, em 1975, liderou o 25 de Novembro, o episódio que marcou o início da contrarrevolução que pôs fim à fase mais aguda da Revolução dos Cravos. A obsessão por obter votos do centro deu origem a uma campanha ambígua, por vezes pouco clara e tentando evitar assuntos mais difíceis como o da União Europeia.

O triunfo de Marisa Matias

O Bloco de Esquerda apostara numa eventual candidatura de Carvalho da Silva, ex-secretário-geral da central sindical CGTP, a maior do país, e ex-dirigente do PCP. Mas, no final de maio de 2015, o atual investigador e sociólogo anunciou que não iria se candidatar. “Eu manifestei disponibilidade mas nunca me inscrevi na corrida, nem me coloquei na linha de partida”, disse.

A essa altura, o partido liderado por Catarina Martins já estava concentrado nas eleições de outubro, quando obteria o maior resultado da sua história, e decidiu deixar para depois de 4 de outubro a decisão da candidatura às presidenciais.

O anúncio da candidatura da eurodeputada Marisa Matias só se deu a 7 de novembro. Por essa altura, Marcelo Rebelo de Sousa já anunciara que era candidato um mês antes (e na verdade estava em campanha há 15 anos), e Sampaio da Nóvoa fazia a sua campanha há sete meses. Havia, assim, um enorme risco nesta candidatura, que a jovem socióloga de 39 anos aceitou correr, com um entusiasmo que haveria de contagiar muita gente.

A candidatura de Marisa Matias reforçou a imagem de renovação do Bloco de Esquerda como um partido que soube fazer a transição dos dirigentes do tempo da revolução de abril de 1974 para uma geração mais jovem – e, mais ainda, uma geração onde as mulheres têm papel de destaque, como bem observou o The Guardian e, mais recentemente, a Folha de S. Paulo.

A líder do Bloco, Catarina Martins, 42 anos, conduziu o partido à sua maior vitória de sempre em 4 de outubro de 2015, numa campanha onde o seu próprio desempenho foi decisivo para o resultado. A jovem deputada Mariana Mortágua, de 29 anos, ganhou destaque na comissão parlamentar de inquérito ao Banco Espírito Santo e desde então firmou-se como uma das mais importantes parlamentares do país – e a irmã gêmea Joana, eleita deputada nas últimas eleições, segue-lhe os passos.

Marisa Matias, deputada europeia do Bloco de Esquerda desde 2009, vai no segundo mandato e tem desenvolvido uma atividade incansável nas mais variadas áreas. Em 2011, foi eleita pelos pares, com mais de 350 votos obtidos por voto secreto, como Deputada do Ano na área da saúde, tendo sido a única deputada do Grupo Parlamentar da Esquerda Unitária a receber este prêmio desde a sua criação. Dedicou-se também a questões internacionais, como a dos refugiados ou a da Palestina, tendo em setembro de 2014 presidido a apresentação das conclusões da sessão extraordinária sobre Gaza do Tribunal Russell para a Palestina, no Parlamento Europeu, com membros do júri como Ken Loach e Roger Waters.

A campanha de Marisa Matias foi uma lufada de ar fresco numas eleições normalmente pomposas e institucionais. A candidata falou sempre de forma clara, como quando afirmou que se fosse presidente vetaria o orçamento retificativo já aprovado pelo governo António Costa por causa do banco Banif.

Este orçamento determinou a aplicação de 3 bilhões de euros de dinheiro público no Banif, um banco em dificuldades que já se encontrava intervencionado pelo Estado e foi vendido ao Santander. A decisão foi uma imposição da Comissão Europeia ao governo português e representou a primeira fratura entre o PS, por um lado, e o Bloco de Esquerda e o PCP, que votaram contra essa medida – e recorde-se que o governo do PS se baseia num acordo de sustentação parlamentar com estes dois partidos. O resgate de 3 bilhões do Banif só seria aprovado devido à abstenção do PSD.

“Defesa do país contra a finança”

Marisa Matias foi a única candidata presidencial a opor-se a esta solução para o banco, que mais uma vez penalizou a população para beneficiar o sistema financeiro. A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda foi também a primeira a trazer ao debate a questão das subvenções vitalícias aos ex-deputados, que com apenas 12 anos de mandato tinham direito a uma aposentadoria para toda a vida.

Apesar de esse privilégio ter sido extinto em 2005, havia ainda muitos deputados que tinham direito a ele, e que reclamaram ao Tribunal Constitucional, que lhes deu razão. A decisão causou escândalo generalizado, e complicou a situação da candidata Maria de Belém, quando se descobriu que fora uma das parlamentares a entrar com o recurso diante do Tribunal.

Enquanto esta candidatura desmoronava, a de Marisa Matias crescia. Na sua intervenção na noite eleitoral, a porta-voz do Bloco, Catarina Martins, destacou a “capacidade extraordinária” de Marisa, que “colocou no centro da agenda a defesa do país contra a finança, a defesa dos direitos contra o privilégio”.

Catarina Martins afirmou que “a determinação do Bloco mudou o mapa político em Portugal”, pois “há um povo que quis começar a desmantelar a austeridade e que escolhe este espaço político para a luta e para a defesa de trabalhadores e reformados. O Bloco é a força fundamental para essa política de confiança”.

Os 10,13% dos votos são o melhor resultado jamais obtidos pelo Bloco de Esquerda em eleições presidenciais, quase o dobro dos 5,3% conquistados por Francisco Louçã em 2006. Em contraste, o PCP obteve o pior resultado em presidenciais, tendo o candidato Edgar Silva recebido apenas 3,9% dos votos.

“Durante esta campanha milhares de pessoas me falaram das suas vidas, dos seus problemas, das suas lutas, muitas delas me pediram que não me esquecesse delas e que nunca desistisse. Eu quero aproveitar esta ocasião para lhes confirmar que não as esquecerei e que não vou desistir”, afirmou Marisa Matias na noite eleitoral.

Enquanto os candidatos digeriam os resultados eleitorais e Marcelo Rebelo de Sousa se preparava para a posse, que será no dia 9 de março, uma pesquisa confirmava que as presidenciais não alteraram o balanço de forças entre os partidos. Segundo o Instituto Aximage, se as eleições parlamentares se realizassem agora, PSD e CDS, juntos, teriam apenas 39% dos votos, enquanto que PS, Bloco de Esquerda e PCP teriam 52%, mantendo-se assim intocável a maioria dos partidos de esquerda.


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(*) Luis Leiria é jornalista.

Jorge, bem amado pelos russos (Lembro-me agora da época em que fui diretor em Minas Gerais do Instituto Cultural Brasil-União Soviética, sempre com o apoio do jornalista Dídimo Paiva que emprestava a sede do Sindicato todas as vezes em que a gente tinha eleições para a diretoria...José Carlos Alexandre)

                                                                         
Escritor brasileiro ganhou fama na Rússia por proporcionar aos leitores temas que inexistiam na literatura soviética. Foto: Iakov Berliner / RIA Nóvosti

“Semelhante a uma rajada de vento tropical, abateu-se sobre nós a vida misteriosa de um país longínquo do Novo Mundo, cujas tempestades e paixões são, literalmente, de tirar o fôlego de qualquer um”, descreve Vera Kuteichtikova, renomada pesquisadora da obra de Amado, sobre o primeiro livro de Jorge traduzido para russo.

Sem dúvida, suas obras começaram a ser traduzidas por corresponderem às exigências ideológicas mais rígidas da época. Membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro, redator-chefe do jornal do partido “Hoje” e dirigente do Instituto de relações culturais com a URSS, Amado tornou-se um importante ativista não só do movimento comunista brasileiro, mas internacional.

Durante a União Soviética, Amado jamais foi criticado. Nunca se comentou sobre suas divergências com a política da URSS e os críticos se encantavam com ele. No entanto, a afeição dos leitores comuns não surgiu por causa de afiliações políticas. 

Seu romance “Seara Vermelha”, presente em todas as bibliotecas rurais naquela época, foi o livro mais lido entre todas as obras de autores estrangeiros.

Para os leitores soviéticos da época, grande parte dos quais originários do campo, os destinos dos heróis propostos por Amado encontravam admiração. As pessoas que viveram a coletivização e a fome nos anos 1930, os terríveis anos de guerra e a destruição do pós-guerra, receberam “Seara Vermelha” como um livro sobre sua própria vida. Encontravam nele algo que não havia e não poderia haver na literatura soviética.

Em 1945, no 2° Congresso dos Escritores Soviéticos, Amado chegou a dizer que o principal defeito da literatura soviética era a falta de atenção aos sentimentos humanos. No entanto, o menosprezo por determinados sentimentos não é uma característica única da literatura soviética, mas da literatura russa como um todo.

A célebre frase de Tolstói “todas as famílias felizes são igualmente felizes” já dizia muito sobre isso. Os leitores queriam ler sobre amores trágicos, não correspondidos e realizados, mas também sobre o amor que vence e supera tudo.

Nos romances de Amado, os russos puderam ouvir os sinos radiantes de amor ardente e puro, que traz inesgotáveis alegrias e regozijo da alma. Por isso, suas obras foram aceitas na Rússia e nelas os russos descobriram aquilo que lhe é característico: amor à liberdade, grandiosidade da alma, humanidade, fé e, sobretudo, a alegria de viver.

Acostumados a encarar a vida de maneira trágica, parecia ainda mais difícil para os russos ser otimista quando se tinha diante do olhos, ao longo de sete meses do ano, uma planície infinita coberta de gelo e  sem único dia de sol.  

Nesse contexto, os romances de Amado regeneram o cotidiano e, como um antídoto, conferiram leveza e harmonia a um mundo tão cinzento.

(Com a Gazeta Russa)

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E agora o Universo: A Nasa exibe o planeta anão Ceres

Um domingo de pescaria em Betim


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Que novidades mais virão?

Regimento Interno da 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos está disponível para consulta pública

                                                                                
                                "Prezadas conselheiras e prezados conselheiros.

"Conforme solicitado pelo Coordenador do CNDH, informo que encontra-se disponível para a consulta pública a proposta de Regimento Interno da 12ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos. A consulta estará aberta até o dia 12 de fevereiro. As sugestões de alteração do documento, que define as regras de funcionamento e a organização do evento, devem ser enviadas para o e-mail: cndh@sdh.gov.br. Após a consulta pública, o Regimento Interno será aprovado pelo Plenário do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).

Solicitamos a  ajuda de tod@s para a divulgação em suas redes.

Abaixo  vai o link da publicação:
http://www.sdh.gov.br/noticias/2016/janeiro/envie-sugestoes-para-a-realizacao-da-12a-conferencia-nacional-de-direitos-humanos-1"

(Com Osmar Rezende)

República da Cromolândia (Qualquer semelhança com a situação brasileira seria mera coincidência?)




César Príncipe

As recentes eleições para a Presidência da República ampliaram o efeito e demonstraram a eficácia das campanhas de imagem. Venceu, como era das previsões político-climáticas, o candidato mais vendível a públicos tele(visados). A promoção de ícones não é um monopólio das tevês, mas os restantes meios são subsidiários ou retrógrados.

No Ocidente, uma grande televisão tem mais força do que uma grande religião. Os fanáticos ou fiéis do écran são formatados pelo sistemicamente catalogado e homologável. Milhões de telespectadores são diariamente alimentados por via auditiva e visual. Jazem ligados à máquina. Só algumas minorias têm capacidade de autodefesa nacional e global. 

As fábricas de moldes e modas operam em laboração contínua. O processo de captura e persuasão de audiências conta, à partida, com inúmeros complacentes e cúmplices, viciados em tablets em vez de tabuadas, instados a trocar convicções por caras. O culto do padroeiro, dos posters da realeza, das vampices e vipices aburguesadas, dos cromos futebolísticos, das beldades de passarela e dos galãs e barbies do cinema, dos ídolos da canção – assenta no indivíduo- show, no iluminado-bafejado pelos holofotes. 

Os programadores de atracções fazem entrar pelas nossas casas dentro profissionais da demagogia e fantoches da diversão. Ocupam, em tempo real, o centro das salas e a parede nobre dos dormitórios. São armas apontadas a alvos. Procuram e conseguem rebaixar os níveis de atenção e selecção. Objectivo:   transformar cabeças humanas em cabeças de gado. 

O poder mediático, pouco a pouco, torna o bicho ou a bicha num familiar, e assim canoniza qualquer criação ou criatura com recorte e potencial para servir os donos disto tudo. Para culminar os toques e retoques dos tevê-eleitos, irrompem, de canal em canal, dezenas de comentadores, quase todos abalizados e quase todos simuladores de independência, provindos de universidades católicas e laicas e de outras linhas de montagem e lavagem de cérebros. 

Haverá ainda e por aí quem se espante? É a sociedade do espectáculo como modelo de sequestro psicopcional, de infantilização e degradação do espaço cívico e cultural. Exemplos triunfantes:   Cicciolina e Grillo, a actriz pornográfica e o comediante da Itália das berlusconices, a concubina feita rainha, o bobo feito rei; Jardel (Brasil), antigo futebolista, analfabeto relapso, teve direito a puta-secretária e a conexões com corleones locais. E por aí adiante, Deus meu! A lista seria abundante, exuberante. 

A democracia burguesa é inclusiva:   jamais excluirá ladrões de estirpe, criminosos de guerras convencionais e assimétricas, truões sem noção das cenas que fazem, safadinhas de anúncios classificados, fala-baratos de cátedra, dealers de interesses, ideias ou ideais (grossistas e retalhistas). 

Marcelo tirou cursos de cadeirão académico, de líder partidário, de conselheiro de presidente da República e de candidato a presidente da Câmara e a presidente da República. E, além de ter ido repetidamente à praça como professor-opinador de todas as matérias, foi protagonizando rábulas de engraçadinho da turma. Pelos vistos, o chamado povo gosta do género:   24 de Janeiro dixit . Marcelo ganhou à primeira, com apoio maciço e massivo dos equipamentos mediáticos e apoiado nas suas graças. Que de muitas é ornado. Rezam os boletins. Recebeu um embaixador em cuecas. Fugiu dos fotógrafos em mota de água. 

Lançou-se ao Tejo para um banho de poluição e saiu limpo e vivo. Guiou um táxi pelas mourarias, com mini-saia no banco traseiro. Travestiu-se de gentil coiffeur de balzaquianas. Estacionou num lugar reservado a deficientes. Sabe-se lá que mais lhe debitam ou virão a averbar no currículo. Mas não foram nem serão as traquinices-marcelices o grande risco para as barreiras constitucionais e para as expectativas dos portugas em geral e dos seus votantes em particular, muitos provavelmente distraídos, levados na onda hertziana. 

O que advirá? Aguentem, aguentem! O entertainer seduziu e poderá abandonar, na primeira e apertada curva, milhares ou milhões de teledependentes-telede(votos). Mas a decepção não será universal:   neste preciso momento, há um cidadão feliz em Portugal e que dificilmente se arrependerá de haver apostado no filho do ministro de Salazar e putativo afilhado de Caetano:   Ricardo Salgado (o do banco sólido e confiável) terá um amigo do peito em Belém. Preocupante será que Marcelo, como Cavaco e Passos e Portas, abdique de ser presidente dos portugueses e se trespasse, no meio das travessias e travessuras, como presidente-delegado de Bruxelas, do BCE, do FMI e de corporações autóctones de idêntico jaez. 

Pior do que Cavaco não será possível. Diz-se. Assevera-se. Jura-se. Arrenega-se. Mas Marcelo deu uma cabazada nas eleições e, em termos de conservadorismo táctico-militante e da carteira de compromissos, era o mais enfeudado dos dez candidatos. Há muitos anos que, na Cromolândia, não vencem os melhores. Que mais, caríssimos? 

Temos o Santo Marcelo entre nós. Obrigado, portugueses! 
28/Janeiro/2016
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Hillary Clinton: Israel primeiro que tudo

                                                         

Robert Fantina (*)

Em 2008, Hillary Clinton disputava a nomeação pelo Partido Democrático em clara vantagem sobre Barack Obama, de acordo com os media do império na época.

Hillary pode ser a mais perfeita imitação da Barbie, como disse James Petras numa das suas visitas a Lisboa, mas aprendeu, na altura, quanto vale o lobby judeu numa eleição para o mais alto cargo nos EUA, como prova este texto de Robert Fantina.

Então, Rahm Emanuel, filho de um sionista russo «membro das forças de Irgún de Begin» na limpeza étnica, e alegado «oficial do exército israelita» ou apenas «membro do Amal, o serviço secreto do exército israelita» trocou a meio campanha de Hillary, de que era o principal responsável, pela de tesoureiro da campanha de Obama. Como consequência desta transferência, Obama veio a consagrar-se candidato dos Democratas, depois de ter batido todos os recordes de recolha de fundos (a rainha das sondagens nos EUA…), alegadamente junto do lobby judeu norte-americano.

E Hillary teve de contentar-se com o lugar de secretária de Estado de Obama, que desempenhou, sem brilho e nem glória, durante 4 anos.

Ainda que faltem dez meses para o próximo exercício de futilidade eleitoral nos EUA, a maioria das sondagens não dizem o que mais gostariam que acontecesse à ex-secretária de Estado Hillary Clinton: uma vitória estrondosa da sua candidatura. É um bom sinal que, apesar de não ter no campo democrático nenhum opositor real que se destaque, a grande coroação esperada parece não vir a ter lugar.

Centrando-nos na adoração que a srª Clinton sente por Israel, e vendo os seus comentários sobre essa nação de apartheid pode ter-se uma visão clara de algumas das perspectivas mais amplas e preocupantes que a srª Clinton parece ter claramente assumidas.

Em 6 de Janeiro, apareceu no The Jewish Journal um artigo de opinião escrito pela srª Clinton. Trata-se de um ensaio servil, sentimentalista, típico da narrativa de alguém que tenta ocupar o grande lugar político nacional dos EUA e que sabe ter de prestar homenagem ao seu amo e senhor israelense. Há vários pontos neste ensaio que dizem muito sobre a srª Clinton:

«Estou especialmente preocupada pela nova onda de violência dentro do próprio Israel: apunhalamentos brutais, disparos e ataques com veículos que apenas procuram semear o medo entre os inocentes.»

O número de palestinos assassinados na Cisjordânia, só por colonos e pelas terroristas forças israelenses de ocupação, é a mais alta dos últimos dez anos. Por que razão a srª Clinton não está «especialmente preocupada» pela continuada onda de violência contra os palestinos numa zona que, inclusive os EUA, dizem que Israel ocupa de forma ilegal? Acaso não procuram esses brutais ataques «semear o medo» entre os inocentes?

«Só a solução dos dois Estados negociada entre as partes pode proporcionar aos palestinos a independência, soberania e dignidade, e levar aos israelenses as fronteiras seguras e reconhecidas de um Estado democrático judeu.»

Porquê, oh porquê, a srª Clinton continua a fazer esta ridícula declaração? As fronteiras do Estado judeu foram reconhecidas pela maioria do mundo, incluindo as Nações Unidas, que são as que foram determinadas antes de 1967. Não há nada para negociar. Despreza a srª Clinton o direito internacional? Parece sentir que Israel, tal como os EUA nos seus acordos internacionais, está na verdade acima da lei?

Uma vez mais, devo assinalar que as negociações que se têm vindo a realizar de forma intermitente ao longo de vinte anos, só podem ser eficazes se cada uma das partes quer qualquer coisa que a outra tem e que só poderá ser alcançada se entregar qualquer coisa que ela tem. Israel quer a Palestina inteira, e dela se vai apoderando, pedaço a pedaço, com total impunidade. Por que razão deverá a Palestina aceitar mais conversações inúteis?

A srª Clinton fala de fronteiras «seguras e reconhecidas» de um Estado judeu, mas parece não considerar reconhecer de forma alguma as fronteiras «seguras e reconhecidas» de um Estado palestino.

«Temos de continuar a luta contra os esforços globais para deslegitimar Israel. O Movimento a favor do Boicote, Desinvestimento e as Sanções, conhecido como BDS, é a última frente de batalha. O BDS demoniza os intelectuais e cientistas israelenses – inclusive os jovens estudantes – e compara Israel com o apartheid sul-africano. Isto é um erro e há que por termo a esta campanha.»

Os esforços mais significativos para deslegitimar Israel são os que faz o próprio Israel. A sua sociedade racista onde os judeus têm mais direitos que qualquer outra pessoa; o seu sistema de segregação, próprio de um apartheid; o seu total desprezo pelos direitos humanos dos palestinos; as suas declarações homicidas e racistas feitas pelas autoridades do seu governo, tudo isso deslegitima ainda mais o país, demonizando-o, e com razão. Israel é amiúde comparado com o apartheid sul-africano e a comparação é legítima.

E não o é apenas no contexto de Palestina e Israel em que a srª Clinton demonstra uma enorme ignorância ou uma grande desonestidade. O seu ensaio também continha estas pérolas de sabedoria:

«Temos que trabalhar com os nossos amigos e parceiros para privar o ISIS de território no Médio Oriente, desmantelar a infraestrutura global de terror e reforçar as nossas defesas em casa. Não podemos limitar-nos a conter o ISIS, temos que o derrotar.»

É realmente esse o objectivo dos EUA? Garikai Chengu, investigador da Universidade de Harvard, sugeriu em Setembro de 2014 que o ISIS «é um produto made in USA», um instrumento de terror desenhado para dividir e conquistar o Médio Oriente, rico em petróleo, e contrariar a crescente influência do Irão na região.

Em Junho de 2015, numa coluna do The Guardien, o editor associado Seumas Milne escreveu o seguinte: «Os EUA e os seus aliados não só estavam a apoiar e armar uma oposição que sabiam estar dominada por grupos sectários extremistas; estavam dispostos a consentir a criação de algum tipo de «Estado Islâmico» - apesar do «grave perigo» que tal pressupunha para a unidade do Iraque – como amortecedor sunita para debilitar a Síria.

Apesar de tudo isto, a srª Clinton não comentou onde e como o ISIS obteve grande parte do seu sofisticado armamento. Em 2014, o Departamento de Defesa emitiu um comunicado onde falava de alguns progressos para a destruição do ISIS. Dizia o comunicado à imprensa: «Os três ataques destruíram três veículos armados do ISIL, uma bateria anti-aérea montada num veículo do ISIL, um posto de controlo do ISIL e um «armazenamento de dispositivos explosivos improvisados (IED, na sua sigla em inglês)…»

Alex Kane, em comentário a esta informação em Alternet, disse o seguinte: «O que o Pentágono não referiu é que os veículos armados e a artilharia bombardeada tinham provavelmente sido pagos com dólares dos impostos estadunidenses. As armas que o ISIS possui são outra forma sombria de contragolpe pela invasão estadunidense do país (Iraque) em 2003. 

Qualquer coisa parecida como a intervenção que na Líbia derrotou o ditador Muamar Kadafi, mas que também destabilizou o país e facilitou um enorme fluxo de armas para os combatentes do Mali, onde a França e os EUA empreenderam uma guerra em 2013». Portanto, como não só está em dívida com os lóbis israelenses mas também com os denominados contratados da defesa nos EUA, a srª Clinton utilizará o poderio militar estadunidense para destruir o que o tal poderio militar estadunidense proporcionou ao ‘inimigo’.

«Temos que enviar uma mensagem ao Irão. Em Teerão não podem haver dúvidas de que os seus dirigentes violam os compromissos procurando, desenvolvendo ou adquirindo qualquer arma nuclear, nem que os EUA os irão dete. O Irão testar a nossa determinação com as suas esperiências com misseis balísticos, pelos quais deveríamos impor-lhes novas sanções. Têm que compreender que os EUA actuarão com decisão se o Irão violar o acordo nuclear, inclusive se for necessária a acção militar.»

Uma vez mais, qualquer pessoa tem que perguntar por que é que Israel pode ter armas nucleares e o Irão não pode. Parece que, no retorcido ponto de vista sobre o mundo da srª Clinton, alguns países podem ter capacidade para defender os seus cidadãos e outros não. E parece que os que podem são precisamente os que não respeitam o direito internacional.

«Necessitamos de assegurar que Israel continue a manter a sua vantagem militar qualitativa».

Os EUA enviaram para Israel quase 4.000 milhões de dólares em 2015, grande parte da qual de índole militar, que serviu para matar mais de 2.000 palestinos, incluindo mais de 500 crianças. Israel bombardeou hospitais, centros de refúgio das Nações Unidas, escolas mesquitas e edifícios residenciais, tudo em violação do direito internacional. É assim que consegue que se mantenha ‘a qualitativa vantagem militar de Israel’.

Continuar com este texto é uma tarefa só ao alcance de estômagos fortes; como fez anteriormente em muitas ocasiões, a srª Clinton suspira romanticamente quando fala de Israel.

«Para mim, isto é mais do que política, é qualquer coisa de pessoal. Nasci poucos meses antes de Israel declarar a sua independência. A minha geração chagou á maioridade a admirar o talento e a tenacidade do povo israelense, que converteu um sonho em realidade no duro solo desértico. Vimos como uma pequena nação lutou sem medo pelo seu direito de existir e construir uma florescente e enérgica democracia. 

E, depois de tudo isso, a procura da paz por Israel foi tão inspiradora como a sua habilidade para a guerra. É por isso que, como muitos outros estadunidenses, sinto uma profunda conexão espiritual com Israel. Somos nações entrelaçadas, dois territórios levantados por emigrantes e exilados que procuravam viver e rezar em liberdade, animados por espíritos democráticos e sustentados pelo labor e sacrifício de gerações de patriotas».

O povo israelense ‘converteu o sonho em realidade’ em cima a expulsão forçada de quase 700.000 palestinos deslocados e das tumbas de pelo menos 10.000 assassinados, para dar lugar a que aquele sonho se convertesse em realidade.

Israel é uma democracia apenas na visão da srª Clinton e de outros políticos que dependem das muito generosas doações dos lóbis israelenses para comprarem os seus poderosos lugares. Só com votações periódicas um país não se converte numa democracia.

A srª Clinton elogia a busca da paz por Israel, ignorando a contínua construção de assentamentos condenada por todo o mundo. Acaso não sabe a srª Clinton que é uma violação do direito internacional que uma potência ocupante traslade permanentemente os seus cidadãos para terras ocupadas? Não ouviu o Primeiro assassino israelense, Benjamin Netanyahu afirmar categoricamente que não vai retirar nenhum colono dos ilegais assentamentos na Cisjordânia? Esta é simplesmente uma prova mais de que o direito internacional não tem qualquer significado para a srª Clinton.

E aí temos a mulher que vai ser, que poderia muito bem vir a ser, presidente. Que significará tudo isso? Mais opressão para os palestinos; mais guerra; mais desestabilização no Médio Oriente; mais invasões estadunidenses onde os EUA decidam que os seus interesses e os do seu amado Israel estão ameaçados, espezinhando o direito internacional e a diplomacia. Mais do mesmo, de ‘não há razão como a do bastão’; menos atenção aos direitos humanos por todas as partes e mais ajuda para que os ricos sejam mais ricos.

Buscamos em vão um democrata ou um republicano que se diferencie da srª Clinton. Mas não há um ‘mal menor’ em quem votar; o mal é universal nos dois principais partidos políticos estadunidenses, que parecem clones um do outro. Já está na hora de aparecer um terceiro partido viável no passa por ser uma democracia dos Estados Unidos. Até que isso aconteça o negócio será tão sangrento como de costume.

(*) Robert Fantina é jornalista e escritor. O seu último livro é Empire, Racism and Genocide: a History of US Foreign Policy
Este Texto foi publicado em www.rebelion.org/noticia.php?id=207934

Tradução de José Paulo Gascão

Com o Diario.info)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Supercomputador chinês está em pleno funcionamento

                                                                    

O supercomputador chinês Tianhe I, que pode calcular mil trilhões por segundo, está funcionando plenamente. Essa informação foi revelada recentemente pela engenheira do Centro de Supercálculo de Tianjin da China, Zhang Ting.

Zhang disse à imprensa que o Tianhe I está oferecendo serviços aos setores de exploração de petróleo, produção de equipamentos de high-end, fabricação farmacêutica, desenhos animados, novas energias, novas matérias, entre outros.

Zhang revelou que com o apoio do Tianhe I, o Centro de Supercálculo de Tianjin já se tornou uma importante plataforma de cálculo de nuvem dos setores referidos. Ela indicou que atualmente o supercomputador está em plena carga e até em sobrecarga, com mais de 1400 projetos tratados por dia.

Até o momento, o Centro de Supercálculo de Tianjin já realizou cooperações profundas com mais de 100 empresas e trouxe mais de dois bilhões de yuans de lucros para estas.

(Com a Rádio Internacional da China)

Circula na internet: cartilha ensina o uso de drogas (não se sabe se o vídeo é autêntico...)

O perfeito habitat da individualidade


                              

Carlos Lúcio Gontijo  

          Vivemos em um mundo de idealismo escasso. Os políticos de hoje só se sentem responsáveis pelos problemas sociais se estiverem investidos de algum mandato. Ex-prefeitos ou ex-vereadores, em cidades grandes e pequenas, assistem seu município ruir e não movem uma palha, agindo como se não fizessem parte da sociedade à qual um dia comandaram.

         Há muito tempo, não voto em candidato a vereador que alega poder, uma vez eleito, fazer muito mais pela comunidade. Na maioria das vezes, trata-se de pessoa com relevante trabalho comunitário, buscando uma explicação minimamente palatável para a sua entrega à cooptação, ou sedução pelas benesses oficiais da vereança.

          Minha proximidade profissional com o jornalismo, a literatura e a poesia me passa a certeza de que estamos mergulhados num contexto de falta de amor e interpretação de texto – fruto do materialismo egoísta e da espantosa quantidade de analfabetos funcionais. Assistimos a um radicalismo político sem precedentes, com muita gente jogando os ensinamentos da história brasileira na lata de lixo e colocando-se como defensor explícito do retrocesso e, em alguns casos, apresentando o pelourinho e as masmorras como se fossem novos projetos de luz e libertação democrática.

          A vida inteira, à maneira e uma espécie de norma para viver em paz, eu tentei mover-me sempre à distância daqueles que não veem nada além si mesmos. Contudo, não há como fugir dessa tragédia com a manutenção, por exemplo, de uma conta no “facebook”, onde a pessoa se sente anônima na multidão e, assim, a individualidade encontra o seu habitat perfeito, a ponto de as monstruosidades e demonstrações explícitas de intolerância, preconceito e racismo saírem tranquilamente do armário, com toda a pompa, circunstância e língua mais afiada que a guilhotina da Bastilha.

          Não há na atual conjuntura qualquer possibilidade de estabelecimento de diálogo, pois todos abraçaram a surdez que se apropria de todo dono da verdade, que não está nem aí para abrir espaço em sua trincheira de luta fundamentalista, na qual a opinião contrária não deve ser sequer ouvida e se possível eliminada.

          Confesso-lhes que tenho a minha página virtual na internet como se fosse um mural de divulgação de minha obra literária, apesar da consciência de que poucos (ali) se interessam pelo assunto. Se posto alguma mensagem de autores como Carlos Drummond ou Guimarães Rosa, observo que a repercussão é quase que zero, comprovando que nossos intelectuais de relevo no mundo da literatura e da poesia são apenas símbolos citados em discursos, numa forma de falsa demonstração de erudição, mas efetivamente não são lidos pelos deslustrados agentes que pinçam suas frases.

          Basta um rápido estudo do quadro político de qualquer uma das pequenas cidades do interior brasileiro, para se chegar à conclusão de que no Brasil a política é um intrincado jogo de interesses imediatistas, no qual o poder público é tratado como coisa de ninguém, tanto pela população quanto pelas autoridades legalmente constituídas, que negociam inescrupulosamente os cargos da máquina administrativa, sangrando os cofres públicos e levando os municípios à bancarrota.

          Lamentavelmente, quando falamos em corrupção política somos obrigados a nos remeter à sociedade, que é de onde saem os nossos representantes, que uma vez eleitos repetem no exercício de seus mandatos os mesmos ilícitos e os mesmos “jeitinhos” inseridos no relacionamento cotidiano entre os cidadãos, onde todos querem levar vantagem em tudo, pouco se importando com o avanço de uma sociedade em que é natural o mais capaz ser substituído pelo mais sagaz, confundindo inteligência com a malandragem da esperteza.  

          Carlos Lúcio Gontijo

          Poeta, escritor e jornalista

         www.carlosluciogontijo.jor.br

Haitianos nas ruas exigem anulação de eleições fraudulentas

                                            

Nós não vamos obedecer! Declaração
de 68 organizações de base no Haiti


Nesta declaração, escrita pouco antes do adiamento da eleição presidencial de 24 de janeiro, 68 organizações de base no Haiti dirigem um apelo urgente à solidariedade com sua luta por eleições livres e justas, dignidade e justiça.

A declaração foi escrita enquanto dezenas de milhares de haitianos foram às ruas, expondo-se a assassinatos, gás lacrimogêneo, espancamentos e tortura policial, para exigir a anulação das eleições fraudulentas, que deram as posições de liderança nas corridas legislativas e presidenciais a candidatos escolhidos pelo presidente Michel Martelly.

O adiamento da eleição presidencial foi uma vitória dramática e duramente conquistada pelo movimento popular, que tinha insistido em que nenhuma eleição ocorreria até que pudesse ser livre, justa e democrática.

A luta pelo direito de voto e de participação de todos os haitianos no processo político continua.

TEMOS A HONRA DE CIRCULAR ESTA MENSAGEM PODEROSA

"NÓS NÃO VAMOS BEDECER"

Um apelo à solidariedade do movimento popular do Haiti

Refletindo sobre a luta pelos direitos de voto, liderada pelo Dr. Martin Luther King Jr., e tantos outros lutadores corajosos, pela justiça, há cinquenta anos, nos Estados Unidos; Sobre a luta “uma pessoa, um voto” liderada por companheiros de Mandela na África do Sul; após refletir sobre as lutas em toda parte, chegamos à conclusão de que um povo não pode ser soberano se não têm o direito a votar. 

Nenhum povo pode manter a sua dignidade se seu voto não conta. Como foi claramente afirmado pelo presidente Aristide: “Se nós não protegermos nossa dignidade, nossa dignidade vai escapar de nós!” Esta é a razão de nossa luta, e por isso pedimos às pessoas lutadoras em todo o mundo que se solidarizem com a gente.

Seis anos depois do terremoto que sacudiu o país, causando a morte de centenas de milhares de haitianos, nós, organizações haitianas, no contexto de reflexão, tiramos nossos chapéus e humildemente dizemos ao povo todo do planeta que abriram seus corações para nós: "Nós não esquecemos seus atos de solidariedade”. 

O impulso à partilha manifestado por pessoas de todo o mundo deveria ter ajudado o povo haitiano a reconstruir seu meio ambiente, reconstruir suas vidas. Pena! Hoje a vida da maioria dessas pessoas não mudou. Atirando sal na ferida, personagens sem vergonha, proprietários de escravos locais, autorizados por várias organizações internacionais, sequestraram os fundos de reconstrução.

Logo após o terremoto, as organizações internacionais aproveitaram nosso estado momentâneo de impotência para ocuparem o espaço político. Hoje, o povo haitiano está envolvido em um grande esforço para recuperar o espaço e exercer o seu direito de voto. Numa conspiração em grande escala, os mesmos que sequestraram as verbas para a reconstrução, querem evitar que as pessoas escolham seu governo, para continuarem o saque dos recursos do país.

Depois de muitas estratégias projetadas para remover as pessoas da equação política, colonialistas locais uniram forças com colonialistas internacionais para obrigar as pessoas a aceitarem escolhas contrárias a seus interesses. Funcionários ilegítimos, implementaram planos de remoção urbana e de grilagem de terras, atacando tanto a classe média como as classes mais pobres, e colocando o país à beira do colapso. A resistência do povo arrefeceu o "aparelho de terror," impedindo-o de concluir seu programa.

Agora eles querem colocar mais funcionários ilegítimos no comando do governo, para continuar seu ataque. A violência flagrante perpetrada em Ile-a-Vache, os massacres horrendos perpetrados contra o povo de Arcahaie, o massacre contínuo das pessoas de Cité Soleil, por manifestar a vontade de votar; vários atos de agressão perpetrados em todo o país, no contexto de apropriação de terras ou supressão de eleitores, convencem o povo haitiano de que eles estão em uma luta pela sua própria existência.

Dizemos não, NÃO VAMOS OBEDECER A FUNCIONÁRIOS ilegítimos. A autodefesa é uma legítima lei universal. Desobediência Civil é um direito universal, aceito quando um povo confronta um regime ilegal. O direito de eleger um governo é universalmente aceito como forma de pessoas protegerem suas existências. Hoje, confrontado com o perigo apresentado pelo colonialismo local e internacional, o povo haitiano iniciou um movimento de RESISTÊNCIA PELA EXISTÊNCIA. Eles pedem solidariedade às pessoas de todos os lugares do planeta.

 O plano dos colonialistas locais e internacionais não é um terremoto, ainda que tenha causado danos muito maiores para o país. Nossa experiência de seis anos desde o terremoto não é diferente da experiência de outros países pequenos com recursos naturais e humanos. O saque das organizações internacionais promove uma orgia, enquanto os meios de comunicação internacionais fazem vista grossa diante das mentiras dos "seus" embaixadores, em nome de seu países.

O exército haitiano, agora sendo reconstruído para oprimir o povo, é um presente ao povo haitiano por parte da Organização dos Estados Americanos (OEA). A Epidemia de cólera e a Polícia haitiana, sedenta de sangue e corrupta, foram os presentes das Organização das Nações Unidas (ONU) para o povo haitiano. A Mídia é muda, enquanto o
país se aproxima do colapso total.

Nós dizemos não, NÓS NÃO OBEDECEREMOS.
Nós não iremos cavar nossos próprios túmulos.
Nós preferimos dizer a verdade e expor a conspiração.

Lista de firmantes

Action Nationale des Chauffeurs (ANC)
Aide Humanitaire
Alternative Syndicale pour le Transport Moderne (ASTM)
APMS: Action des Paysans de Masson Sion
APTN: Association pour le Développement Terre Noire
Association Professionelle des Enseignants Haitiens pour l’Avancement de l’Education (APEAE)
APSAB: Association Planteur Savane Dubois
Asosiyasyon Fanm Senlwidisid (AFS)
Asosiyasyon Fanm Vanyan Okay (AFVO)
Asosiyasyon Machann Aken (AMA)
Asosiyasyon Peyizan Gwomaren (APG)
BPN (Baz Popile Nord)
Baz Fanmi Lavalas Aken
Baz Fanmi Lavalas Anike
CEGBD
CHANJE LESON
CURO: Comité Usager Rodaille
COSCOB
CRCSPFL (Cellule de Reflexions des Cadres Socio Professionnels de Fanmi Lavalas)
CUREH (Cercle Universitaire pour le Renouveau d’Haiti)
DEMELE FANM
G.R. (Gwoup Refleksyon)
FAJEP (Fanm an Aksyon pou Jistis ak Pwogre)
FANM LENTO
FANM WOZO
FASA
Groupe Alternative pour Petites et Moyennes Entreprises (GRAPME)
Gwoupman Plante Senlwidisid (GPS)
JOFAP
Baz Fanmi Lavalas Kanperen
Baz Fanmi Lavalas Kavayon
Kodinasyon Peyizan Sid (KPS)
KPDS (Konbit Planteur pou Devlopman Sanyago)
KORE MAP KORE W
Le PHARE
Baz Fanmi Lavalas Maniche
MOFUP
MOJIDMA: Mouvement des Jeunes Intègres pour le Développement de Marigot
Mouvement d’Opposition Citoyenne (MOC)
Mouvman Tet Kole Kavayon (MTKK)
OBMP
Oganizasyon Devlopman Solon (ODS)
Oganizasyon Fanm Vanyan (OFAV)
OGANIZASYON LEVE KANPE
OJFS
Baz Fanmi Lavalas Okay
Organisation 30 Septembre
OPG: Organisation Paysan de Grande Rivière
Organisation Sans Bloff (OSB)
OPDPS: Òganizasyon Pou Devlopman Peyizan Sarazin
OPPB: Organisation Paysan Platon Blan
Plateforme Nationale des Syndicats de Transports Fidele (PNSTF)
POGRES (Oganizasyon Planteur pou Devlopman Sanyago)
Baz Fanmi Lavalas Port Salut
Pou Solèy Leve
Regroupement des Enseignants Normalien Haitien (RENOH)
RFDP (Rasanbleman Fanm pou Devlopman Petitans)
Rasanbleman Militan Pwogresis (RMP)
RASSINE (Rasanbleman Sitwayen NORD AK NORD EST)
SDDC (Societe d’Encadrement pour le Developpement Communautaire)
Baz Fanmi Lavalas Senlwidisid
Solidarite Jenn Kavayon (SJK)
SOPU- FANM pou FANM
S.O.S Transport Federee
Baz Fanmi Lavalas Tibiron
Baz Fanmi Lavalas Torbec
Union du Mouvement Syndical de Transport Public (UMSTP)
UJDSB:Union des Jeunes pour le Developpement Savane du Bois.

Comitê de Ação Haiti
www.haitisolidarity.net, no Facebook, @ HaitiAction1

Foto: http://poderlatinonews.com

(Com o Diário Liberdade)

Ato em Brasília cobra prisão de condenados pela chacina de Unaí

                                                                 
Mandantes e intermediários recorrem da sentença em liberdade. Manifestação lembra ainda de projeto que muda conceito de trabalho escravo

Passados 12 anos da chamada chacina de Unaí (MG), auditores-fiscais e outras categorias realizam pela primeira vez um ato para lembrar a data com todos os envolvidos julgados e condenados. A manifestação diante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, , seria para cobrar a prisão de mandantes e intermediários, que recorrem da sentença em liberdade: os irmãos Antério e Norberto Mânica, Hugo Pimenta e José Alberto de Castro.

Os quatro apresentaram recursos, ainda na 9ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, onde ocorreu o julgamento, e a expectativa é de que cheguem ao TRF1 no mês que vem.

O Sinait, sindicato nacional dos auditores-fiscais, quer que os desembargadores julguem rapidamente os recursos, mantendo as condenações. O ato  integra a programação de eventos da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), na semana de combate à prática. 

Tanto Antério como Norberto foram condenados a 100 anos de prisão. A pena ficou um pouco menor porque ambos chegaram a ser presos no início das investigações. A do ex-prefeito de Unaí por dois mandatos pelo PSDB ficou em 99 anos e 11 meses, enquanto a do empresário caiu para 98 anos e meio.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) chama a atenção para um projeto de lei (PLS 432, de 2013) que muda o conceito de trabalho escravo, "desconsiderando situações como 'jornada exaustiva' e 'condições degradantes de trabalho', consideradas análogas ao regime de escravidão. O projeto está incluído na ordem do dia da sessão de 3 de fevereiro, no Senado.


De 1995 (ano em que foram criados os grupos móveis de fiscalização) até o ano passado, foram feitas mais de 1.900 operações pelo país, com 49 mil trabalhadores resgatados. (Com o MST)

Jovens desfilam em favor da pátria em Havana: Marcha dos Archotes

                                                                                   
                                                                                    Ismael Francisco
     O presidente Raúl Castro presidiu a Marcha dos Archotes na capital cubana. Dentre os presentes, organizações de massa, da sociedade civil, lideranças do Partido Comunista Cubano, o ex-presidente do Uruguai Juan Mujica e sua mulher, a senadora Lucia Topolansky. Destacaram-se saudações ao histórico líder cubano José Martí e foram dados vivas ao Sétimo Congresso do PCC

(Com Cubadebate/Granma)

7 Dúvidas sobre o Alzheimer

                                                                  
                                                                 Reprodução da internet
O surgimento da doença de Alzheimer desperta várias incertezas no doente e nos familiares.  Conheça 7 dúvidas frequentes que acometem as pessoas quando os primeiros sintomas se manifestam

1- Que profissionais devem acompanhar a saúde do doente de Alzheimer?

O doente pode se consultar com neurologistas, geriatras, psiquiatras e até mesmo clínicos gerais. Além disso, é importante, durante o tratamento, que o doente receba o apoio de outros profissionais, como cuidadores familiares,  terapeutas ocupacionais, psicólogos,  nutricionistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, dentistas e muito mais. O importante é que o médico escolhido esteja capacitado a dar um diagnóstico amplo e preciso.

2- O que causa o Alzheimer?

O surgimento do Alzheimer está ligado ao acúmulo das proteínas beta-amilóide insolúvel e tau no cérebro, o que causa a morte das células nervosas.  A presença dessas proteínas no cérebro se espalha progressivamente pelo córtex cerebral, causando a morte dos neurônios e a atrofia das regiões atingidas.  Essas proteínas atacam primeiramente o hipocampo e os lobos temporais, responsáveis pela memória, se espalhando posteriormente por todo o cérebro.

3-  Após o acúmulo das proteínas, em quanto tempo os sintomas começam a surgir?

Acredita-se que esse acúmulo pode acontecer por vários anos antes que os primeiros sintomas comecem a se manifestar. As fases do Alzheimer são dividias em três: inicial, intermediária e final, que vão desde o primeiros sintomas, como perda de memória e confusões, até a total dependência do doente, no último estágio. Em geral, pacientes diagnosticados antes do 65 anos possuem um avanço mais rápido da doença; já em idosos acima dos 80 anos ele se torna mais lento. O idoso pode chegar a viver até 20 anos nessa condição.

4-  Quais são os impactos do avanço do Alzheimer?

Do ponto de vista patológico, o Alzheimer atinge apenas as regiões cerebrais relacionadas à cognição e ao comportamento.  Mas outras alterações podem acontecer em diversas partes do corpo,  como infecções e pneumonias por aspiração. Além disso, a medicação tomada para controlar os sintomas psiquiátricos pode aumentar os riscos de quedas ou problemas cardiovasculares.

5-  O Alzheimer pode avançar com que velocidade?

Não há uma velocidade regular na progressão do Alzheimer. Existem muitas variáveis que podem influenciar em seu avanço, como a idade na hora do diagnóstico, a agressividade da doença, a demora para iniciar o tratamento, outras doenças que podem atingir o idoso e a forma como os familiares cuidam do doente.

É comum que pessoas com menos de 65 anos tenham uma evolução mais rápida quando diagnosticado. Entretanto, pessoas diagnosticadas com mais de 80 anos costumam ter uma evolução mais lenta.

6- Mulheres estão mais propensas a desenvolver o Alzheimer?

É mais comum vermos mulheres com Alzheimer porque a expectativa de vida feminina é maior que a dos homens, mas a frequência do aparecimento da doença é semelhante em ambos os sexos.

7-  A depressão na terceira idade pode aumentar as chances do idoso desenvolver Alzheimer?

A depressão pode causar alterações cognitivas, o que se torna um fator de risco para o aparecimento do Alzheimer.


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

As eleições presidenciais portuguesas




INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL DO PCP

Estas eleições confirmaram a importância do PCP intervir com uma voz própria e autónoma no debate sobre o papel e poderes exigidos ao Presidente da República. Nenhuma outra candidatura inscreveu com idêntica clareza o valor da Constituição da República como referência essencial para um outro rumo na vida política nacional que assegure plenamente o direito dos portugueses e do país ao desenvolvimento, ao progresso e justiça social.

1. Estas eleições confirmaram a importância do PCP intervir com uma voz própria e autónoma no debate sobre o papel e poderes exigidos ao Presidente da República. Nenhuma outra candidatura inscreveu com idêntica clareza o valor da Constituição da República como referência essencial para um outro rumo na vida política nacional que assegure plenamente o direito dos portugueses e do país ao desenvolvimento, ao progresso e justiça social. 

Na candidatura de Edgar Silva esteve presente não só o inequívoco comprometimento com o integral cumprimento e respeito pela Constituição mas também, como nenhuma outra, a assumpção de toda sua dimensão política, económica, social e cultural. Uma assumpção única e singular da dimensão dos direitos, do valor do trabalho, da expressão complementar dos vários sectores na economia mista que consagra, da afirmação dos interesses, da soberania e da independência nacionais.

Pela intervenção da candidatura de Edgar Silva foi dada voz aos direitos e interesses dos trabalhadores, dos reformados, dos pequenos e médios empresários, dos agricultores, dos pescadores. Por aí passaram os problemas dos jovens e das mulheres, dos criadores da cultura e as soluções para responder às suas aspirações. Nela confluíram as mais prementes questões do desenvolvimento económico e social, da produção nacional, da criação do emprego, da distribuição do rendimento.

A candidatura patriótica e de esquerda, liberta de qualquer comprometimento com os grupos económicos e o capital financeiro, que com autoridade e coerência rejeita os ditames da União Europeia. A candidatura portadora de um projecto de liberdade, democracia, justiça social, desenvolvimento e soberania. A candidatura que sem hesitação se assumiu como a candidatura dos trabalhadores, a candidatura de Abril, vinculada aos seus valores.

2. O resultado obtido por Marcelo Rebelo de Sousa é inseparável de uma cuidada e prolongada construção mediática, prolongada aliás até ao dia da eleição, da indisfarçável procura pelo candidato de ocultar e dissimular o seu real posicionamento sobre questões cruciais do papel do Presidente da República bem como de uma afirmação ostensiva e falsa quanto a uma alegada independência negada pelo que de facto representa. Como insistentemente o PCP sublinhou, o candidato Marcelo Rebelo de Sousa era não só o candidato do PSD e CDS como constituía o prolongamento, com esta ou aquela alteração de estilo, daquilo que marcou os mandatos de Cavaco Silva.

A escassa margem de votos que lhe permitiu não enfrentar a segunda volta comprova a real possibilidade que o PCP sempre afirmou quanto às condições para ser derrotado se todos se tivessem verdadeiramente envolvido neste objectivo.

A eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente da República constitui na actual fase da vida política nacional um factor negativo que não pode deixar de suscitar legitimas inquietações quanto ao seu futuro mandato. Independentemente das repetidas afirmações, Marcelo Rebelo de Sousa, quer pelas concepções que assume quanto à Constituição da República, quer quanto ao seu indissociável percurso com a política de direita e o PSD não dá garantias de um exercício na Presidência vinculado aos valores e princípios constitucionais. A que acresce a sua ligação ao PSD, e ao CDS, e aos projectos que alimentam para procurar repor a política de declínio económico e retrocesso social que marcou a vida política nos últimos quatro anos.

As múltiplas afirmações que durante a campanha foi produzindo, quanto ao respeito que assumirá face aos deveres constitucionais que incumbem ao Presidente da República, quanto à sua proclamada independência face ao partido a que pertence e o apoiou ou quanto à atitude face a outros órgãos de soberania e ao regular funcionamento das instituições, vão ter agora nas responsabilidades de que vai ser investido, a comprovação sobre o real posicionamento político e institucional de Marcelo Rebelo de Sousa e a exigência de actuar em conformidade.

3. O resultado obtido pela candidatura de Edgar Silva fica aquém do valor que o seu projecto exigia quer quanto ao objectivo destas eleições – assegurar como Presidente da República quem defendesse, respeitasse e cumprisse a Constituição – quer quanto ao que ela representa e expressa de uma intervenção coerente e insubstituível para a intervenção e a luta presente e futura por um outro rumo para a vida política nacional. Um resultado construído a pulso, no quadro de um panorama mediático desigual e de promoção e favorecimento de outras candidaturas e de apelos a sentimentos populistas e anti-democráticos.

A corrente de mobilização que a candidatura de Edgar Silva suscitou, o esclarecimento que fez dos problemas do país e das soluções e política necessária para os enfrentar e a inestimável contribuição que a sua campanha e a acção dos milhares de activistas que nela participaram deram para combater desalentos e dar confiança na construção de um Portugal melhor e mais justo, projecta-se num futuro próximo como um factor essencial para o desenvolvimento da luta e das batalhas políticas que a nova fase da vida política nacional coloca aos trabalhadores, ao povo aos democratas e patriotas.

Nenhum outro voto como o voto em Edgar Silva corresponde a um sólido comprometimento com uma política patriótica e de esquerda. Nenhum outro voto como o voto em Edgar Silva pesará num futuro próximo para a intervenção e a luta dos trabalhadores e do povo em defesa dos seus direitos, na devolução dos seus rendimentos, na afirmação soberana e independente do País.

Uma saudação especial ao camarada Edgar Silva que protagonizou esta exigente e importante batalha, com uma grande capacidade, empenho, convicção e dignidade, a todos os que votaram na sua candidatura, aos milhares de activistas e apoiantes que construíram uma campanha sem paralelo com quaisquer outras candidaturas de contacto directo, de mobilização e esclarecimento sobre a situação do País e o papel exigido ao Presidente da República para, no respeito com a Constituição, agir para assegurar uma ruptura com o rumo de declínio e retrocesso social a que o País tem sido submetido.

4. Quero aqui reafirmar aos trabalhadores e ao povo português que podem contar com o Partido Comunista Português, com a sua intervenção, determinação e luta, na actual fase da vida política nacional como sempre, para defender, repor e conquistar direitos, para resolver problemas e responder a justas aspirações, nos salários e nas pensões, no emprego e no combate à precariedade, na saúde, na educação, na segurança social e na cultura, para apoiar tudo quanto de positivo possa ser alcançado e combater medidas e opções que se revelem negativas, para romper com a política de direita, recusar imposições externas e assegurar uma política patriótica e de esquerda, a democracia, o desenvolvimento, a soberania nacional, um Portugal com futuro.

(Com o Partido Comunista Português)