segunda-feira, 30 de junho de 2014

TÚLIO LOPES É O CANDIDATO DO PCB A GOVERNADOR DE MINAS GERAIS

                                   

O PCB oficializou a candidatura do professor Túlio Lopes (foto) ao governo do Estado de Minas Gerais. O candidato a vice-governador será o advogado Roberto Auad. O candidato ao Senado  dos comunistas é o professor Pablo Lima.

O tecelão aposentado José Francisco Neres "Pinheiro" e o servidor público Luis Carlos serão os candidatos a suplentes. O PCB também apresentará vários candidatos a deputados Federal e Estadual.

Prefeitura de BH descumpre acordo e é condenada

                                                                     

            
                       PBH deixa 45 famílias participantes da Cohabita na rua


Maíra Gomes

No início de junho, a Prefeitura de Belo Horizonte perdeu três processos na Justiça, por ter descumprido um acordo, de dezembro de 2013, e deixado 45 famílias na rua. 

O caso começou em 2010, quando 687 famílias participantes da Cooperativa Habitacional Metropolitana Ltda (Cohabita), do bairro Jardim Vitória, na região Nordeste, doaram um terreno para que a PBH  construísse casas pelo programa Minha Casa Minha Vida. “Doamos o terreno em troca de um apartamento para cada um, porque a gente não tinha condição de construir sozinhos. O terreno era nosso e eles sabem disso”, declara Ednéia Aparecida de Souza, uma das cooperadas e atual integrante da diretoria de liquidação da Cohabita. 

Quando os conjuntos habitacionais ficaram prontos, no fim de 2012, foram entregues 517 apartamentos, deixando 170 famílias de fora. De acordo com as normas do programa habitacional, é permitida a doação de 50% dos imóveis sem a aplicabilidade dos critérios, como o perfil socioeconômico das famílias. No entanto, esse percentual não foi levado no caso da Cohabita e os critérios foram aplicados para todos. Assim, 170 famílias ficaram de fora da entrega dos apartamentos. Destas, 45 moravam de favor e não têm para onde ir. 


O golpe

Já no início de 2013, Ednéia foi a um encontro de lideranças com o prefeito Marcio Lacerda e levou um ofício da Cohabita sobre o caso. “Em resposta, ele disse: ‘Não vamos discutir a situação da cooperativa. Quem fez a parceria com vocês foi a secretaria de habitação e ela não existe mais. Então o acordo não existe mais’. Aí descobrimos que ele estava dando um belo calote na gente”, relata. Ela explica que, quando firmada a parceria, a relação com a PBH se dava via Secretaria de Habitação, extinta dois meses depois. 

A cooperativa contatou o Ministério Público Federal (MPF), que elaborou uma recomendação à PBH que não realizasse o sorteio das 300 unidades habitacionais restantes, até que se investigasse o caso da Cohabita. Apesar da recomendação, o sorteio ocorreu no dia 20 de junho de 2013.

No mesmo dia, as 45 famílias cooperadas não contempladas com apartamentos foram para a porta do conjunto habitacional, onde moram acampadas até hoje. “Vivemos situação precária aqui, não tem como se alimentar direito, precisamos usar o banheiro emprestado. As pessoas passam e nos humilham com olhares”, conta Gilvanete Custodia Cardoso, que vive no local com o filho de dez anos e o marido. Eles moravam de favor em um barracão quando foram mandados embora. Sem ter para onde ir, doaram seus pertences e seguem na porta do conjunto. 

Judiciário condena PBH

Em dezembro de 2013, o MPF realizou uma reunião de conciliação entre a PBH e a Cohabita. Dali, saiu um novo acordo. A Prefeitura iria atender imediatamente às 45 famílias acampadas na porta do conjunto habitacional e apresentar as justificativas de indeferimento de todas as 170 famílias em até 30 dias. Como contrapartida, a Cohabita abriu o prédio para a entrada de algumas famílias sorteadas. “Cumprimos a nossa parte e depois deram banana pra gente”, reclama Ednéia. 

A dias para o fim do prazo, a PBH entrou com um recurso contra o acordo. A Justiça negou o recurso. A prefeitura entrou com uma apelação, que também foi negada. Mais uma vez a prefeitura buscou cancelar o acordo, com um agravo. Desta vez em Brasília, já em última instância, foi novamente negado.

“Está claro que a prefeitura agiu de má fé. Quando fez o acordo e quando não cumpriu. Mas não sei se agora, tendo perdido em última instância, vai ser capaz de sustentar esse tratamento. Espero que mude”, afirma o vereador Adriano Ventura (PT), que acompanha o caso desde o início. (Reprodução da Câmara Municipal de Belo Horizonte/Brasil de Fato)

RESQUÍCIO DA DITADURA

                                                   

Manifestações não são crimes contra a segurança nacional, decide juiz

Marcos de Vasconcellos

Manifestantes não podem responder a processo por crimes contra a segurança nacional, previstos na Lei 7.170 de 1983, mesmo que tenham depredado patrimônio público. Isso porque o vandalismo, isoladamente, não pode ser enquadrado como crime de sabotagem. A decisão é do juiz Marcos Vieira de Moraes, do Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária de São Paulo, que determinou o trancamento do inquérito contra a estudante Luana Bernardo Campos, presa em outubro de 2013, durante um protesto na capital paulista.

Luana (foto) e seu namorado foram indiciados com base na Lei de Segurança Nacional porque, segundo a polícia, eles teriam depredado uma viatura policial. Para o juiz Marcos Moraes, porém, as provas apresentadas — uma câmera apreendida com a estudante continha fotos de uma viatura sendo depredada — eram insuficientes. Além disso, “a conduta isolada de depredar, queimar ou destruir uma única viatura policial” não basta para tipificar o crime previsto na lei, pois o bem jurídico tutelado por ela é mais abrangente, atingindo a própria segurança nacional.

A defesa da estudante foi feita pelos advogados Alberto Zacharias Toron, Leopoldo Stefanno Louveira e Armando de Oliveira Costa Neto, do Toron, Torihara e Szafir Advogados. Em petição, os defensores afirmam que ela foi presa e indiciada “apenas porque estava presente na manifestação e registrou com sua câmera diversos atos de vandalismo, sem deles participar”. Ainda que tivesse participado, argumentam, a lei visa proteger “construções e serviços de grande porte e de manifesta importância tanto econômica quanto de planejamento da própria segurança nacional”, e não uma viatura policial.

A acusação contra Luana não se baseou apenas na Lei de Segurança Nacional, apontada como resquício da ditadura por entidades ligadas a direitos humanos — a lei continua em vigor. A estudante de Moda também foi acusada de dano ao patrimônio público, previsto no inciso III do artigo 163 do Código Penal. Quanto a isso, no entanto, o juiz apontou que não há o mínimo de indícios que ela teria sido autora do delito, pois ter uma câmera com fotos de um crime é insuficiente para servir de elemento indiciário.

“Certamente o lamentável ato de vandalismo foi registrado por inúmeros fotógrafos profissionais e amadores, os quais, obviamente, não podem ser considerados autores, partícipes ou cúmplices do crime registrado nas imagens que estamparam os noticiários de vários meios de comunicação impressos e televisivos”, afirma Marcos Moraes, eu sua decisão.

Poesia proibida

Além da câmera, Luana, que tinha 19 anos à época, também carregava um livro de poesia em tom de protesto. Isso bastou para que fosse acusada também de incitação ao crime. A “cartilha”, no entanto, não contém texto incitando a prática de crimes durante as manifestações. A tentativa da polícia de apontar o que na ditadura seria chamado de “material subversivo” também não prosperou. Segundo o juiz, “o simples ato de trazer na mochila um manifesto em poesia com conotações de protesto, sem conferir a ele publicidade a um número indeterminado de pessoas”, não tipifica o crime.

Como a estudante e seu namorado foram presos carregando latas de spray de tinta, o inquérito policial também acusa a estudante de pichação. No entanto, mais uma vez, não há provas de que ela tenha pichado qualquer prédio, apenas fotos em sua câmera, que mostram seu namorado pichando caixas de correio. “Para ser considerada coautora ou partícipe é imprescindível que haja uma efetiva contribuição causal”, lembra o juiz, ao apontar que a possível conivência não pode ser vista como coautoria.

A falta de provas, apontada por todas as 14 páginas da decisão, também fez com que fossem descartadas as acusações de posse ilegal de armas. A acusação com base no artigo 16 da Lei 10.826/2003 foi feita porque, na mochila do namorado de Luana, foi encontrada uma granada, já deflagrada. Assim, além de não estar em posse de Luana, o próprio artefato já não tinha qualquer potencial ofensivo.

Também não foram aceitas pelo juiz as acusações de que a estudante teria cometido o crime de formação de quadrilha. Isso porque, segundo Marcos Moraes, as provas testemunhais e periciais “não trazem indícios mínimos de que Luana fosse integrante de grupo conhecido como black bloc e, principalmente, tenha se associado de forma estável e permanente, com três ou mais pessoas com o intuito de praticar crimes”.

Assim, o juiz determinou o trancamento do inquérito policial. A decisão não é definitiva, uma vez que o Tribunal de Justiça ainda dará a palavra final acerca da matéria, mas já é comemorada pelos advogados da estudante. No pedido de Habeas Corpus, os profissionais afirmam que a prisão se deu porque policiais “após tomarem conhecimento que os integrantes deste grupo autodenominado ‘Black Block’ haviam danificado a viatura daquele Distrito Policial (...) saíram à caça de alguém para atribuírem a responsabilidade, não importasse a que custo”. (Com o Conjur)

Militantes do MST ocupam área na Grande São Paulo

                                                                              

Sábado (28/06) cerca de 150 militantes do MST ocuparam um novo terreno no município de Itapevi, na Grande São Paulo. A área está localizada no bairro Alto da Colina, e pertence à Cohab/SP.

O acampamento Padre João Carlos Pacchin foi criado em 31 de agosto de 2013, quando o MST deu início ao processo de organização da sua segunda Comuna Urbana, a partir da ocupação de dois terrenos contíguos, localizados no bairro Bela Vista Alta, em Itapevi (Grande São Paulo).

Desde a ocupação, se estabeleceu uma batalha política e jurídica para a permanência das mais de 350 famílias na área, em busca de moradia e vida dignas.

Em 18 de novembro, houve a reintegração de posse de um dos terrenos, o que restringiu o número de famílias acampadas a apenas 100 famílias, devido ao tamanho reduzido da área restante.

Em 11 de dezembro, a justiça deu ganho de causa ao proprietário do terreno remanescente. Para denunciar essa situação, foram realizados atos políticos em maio desse ano.

Mesmo assim, a prefeitura não ofereceu atendimento às famílias, que permanecem sem ter onde morar de forma decente. Esses episódios demonstram o descaso do poder público com as famílias e o compromisso do judiciário com os interesses da especulação imobiliária.

Com a iminência do despejo, as famílias decidiram reorganizar o acampamento em nova área, para continuar lutando pelo cumprimento da função social das terras urbanas ocupadas - projetos habitacionais socioambientais, que atendam às necessidades das famílias acampadas, através da garantia de moradias dignas. (Com o Diário Liberdade)



FARC- MEIO SÉCULO DE RESISTÊNCIA

                                                                         

Bruno Carvalho


As FARC seguem uma trajectória própria que deve ser entendida dentro das circunstâncias da difícil realidade que tentam transformar. Esta organização guerrilheira que em meio século não se vergou ante a oligarquia colombiana e o imperialismo mantém-se firme no objectivo de conquistar a paz e o socialismo.


Há 50 anos, um grupo de 46 homens e duas mulheres resistiram às vagas sucessivas de ataques de um exército formado por milhares de soldados apoiados por carros de combate, bombardeiros da força aérea e forças norte-americanas de elite. A operação militar ordenada pelo governo conservador de Guillermo León Valencia deu lugar à épica resistência de um punhado de camponeses cuja luta é hoje acompanhada por milhares de guerrilheiros em prol do progresso e da justiça social.

O primeiro combate dá-se no dia que marca a criação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia: 27 de Maio de 1964. Sob o comando de Manuel Marulanda, Isaías Pardo e Jaime Guaracas, os combatentes conseguem superar o assédio militar e organizar em Julho desse mesmo ano uma conferência que produz um dos textos políticos fundamentais da resistência colombiana. No Programa Agrário, dirigido aos camponeses, operários, estudantes, artesãos e intelectuais revolucionários, dá-se conta da existência de um movimento insurgente, em quatro diferentes regiões, que, desde 1948, sofre a brutal repressão estatal e latifundiária.

Nesse ano, a oligarquia abriu uma profunda ferida na tensa situação que o país vivia assassinando o candidato presidencial que acalentava as esperanças das classes populares colombianas. Dado como provável vencedor, Jorge Eliécer Gaitán foi abatido e o país explodiu de raiva. Nas cidades e nos campos, as populações pegaram em armas e rebentou a guerra entre liberais, comunistas e conservadores. 

Só em Bogotá morreram mais de 500 pessoas nos dias que sucederam o assassinato. Durante mais de dez anos, a violência vitimou cerca de 300 mil e levou à migração forçada de dois milhões de colombianos num país que não tinha então mais do que 11 milhões. Sobre esse período, um dos históricos fundadores das FARC, Jaime Guaracas, destacou que “foram as circunstâncias, a necessidade de defender a vida” que os obrigou a ser guerrilheiros. 

No sul da região de Tolima ficaram zonas inteiras desoladas “porque todas as famílias fugiram e as que não o fizeram foram assassinadas”. Com a radicalização do discurso político à esquerda, o governo militar de Rojas Pinilla declara que “o comunismo soviético procura apoderar-se da pátria”. Aprovam legislação copiada das medidas que aplicam nos Estados Unidos, em plena Caça às Bruxas, contra a esquerda norte-americana. 

Nesse âmbito, proíbem a entrada de Pablo Neruda na Colômbia. Em 1958, um acordo – que acabou por durar até 1977 - entre os partidos conservador e liberal para acabar com a contenda conduz à formação de um governo de unidade entre as duas organizações. Uma amnistia geral levou à desmobilização e ao desarmamento dos principais grupos em confronto mas em várias regiões, sob a direcção dos comunistas e de liberais dissidentes, o campesinato acossado pelas consecutivas agressões dos latifundiários decide não entregar as armas.

Em 1965, já um ano depois da fundação das FARC, o número de guerrilheiros triplica. Hoje, são a maior força popular comunista em armas da América Latina. Combatem um dos mais importantes exércitos do mundo com cerca de meio milhão de soldados e com o apoio directo dos Estados Unidos. O investimento norte-americano na guerra colombiana é superado apenas pelo apoio que Washington oferece a Israel. 

Para além das tropas oficialistas, as FARC-EP e o povo colombiano sofrem ainda o acosso militar das forças paramilitares carniceiras financiadas pela oligarquia e pelos cartéis da droga que controlam o poder político. Este conflito que dura há mais de 50 anos é o tema central das negociações de paz que decorrem em Havana entre as forças beligerantes e dominou a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais que se realizaram em Junho. De um lado, estava o reeleito Juan Manuel Santos, ao qual a esquerda decidiu dar o seu apoio para manter acesa a chama do processo de paz. Do outro , estava Óscar Zuluaga.

O único sangue não derramado é o da oligarquia

«Se ganhar as eleições, suspendo os diálogos», foi assim que o candidato apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe reagiu aos resultados que o colocaram na dianteira da primeira volta das eleições presidenciais. Mas para lá da retórica sanguinária de quem prefere o país mergulhado em violência, há quem se questione por que são sempre os filhos dos trabalhadores a empunhar as armas da oligarquia. A guerra que se trava na Colômbia há mais de meio século é entre classes distintas. Contudo, nas montanhas, selvas, campo e cidade, enfrentam-se mulheres e homens com o mesmo historial de miséria. 

Apesar da mesma condição social, a adesão à guerrilha e ao exército faz-se por diferentes razões. Nos bairros mais pobres das principais cidades colombianas, as forças armadas são muitas vezes uma das poucas opções que restam para a fuga à tragédia social do país mais desigual da América Latina. Por outro lado, quem adere às FARC-EP fá-lo por convicção política e pela necessidade material de conquistar um futuro colectivo de dignidade.

Há quadros que multiplicados por mil revelam a dureza das condições de vida de milhões de colombianos. Num dos seus últimos livros, o jornalista Jorge Enrique Botero revelava a vida de uma jovem cuja experiência atesta a violência sobre quem vive nas traseiras dos Estados Unidos. Filha de uma prostituta e de um comerciante de coca, Solangie era maltratada pela família. 

Em pequena, os irmãos atiraram-lhe ácido sobre a barriga e, aos 12 anos, ela própria esfaqueou um padrasto que a tentara violar. Habituada a ver passar colunas de guerrilheiros pela sua aldeia, nas profundezas da Colômbia, facilmente se sentiu fascinada pela forma organizada e educada com que tratavam a população. Ali, junto ao rio Guaviare, não havia Estado. Era a própria guerrilha que patrulhava as ruas e ajudava a resolver os diferendos locais.

 Foi assim que Solangie começou a colaborar com as FARC. Primeiro dando-lhes informações sobre quem havia começado determinada rixa e, posteriormente, sobre quem eram os homens mais ricos da região. «Sabia trabalhar no campo, sabia andar de bicicleta e a cavalo, sabia ler, escrever e pintar. Adorava pintar. O melhor que desenhava eram os mapas e foi pelos mapas que vim parar à guerrilha», descreveu Solangie.

Pelas características da guerra que trava e por óbvias razões históricas de uma organização construída por camponeses, as FARC-EP subsistem, principalmente, no campo. Mas é falsa a ideia de que a organização guerrilheira está arredada das cidades e que resiste apenas circunscrita nas zonas mais inóspitas do país. Há uma semana, centenas de jovens estudantes encapuzados comemoraram o 50º aniversário das FARC-EP dentro da Universidade Nacional, em Bogotá. 

Cá fora, impedidos de violar a autonomia universitária, tanques militares disparavam jactos de água para o interior do edifício ao mesmo tempo que recebiam o impacto de pedras e cocktails molotov. Há décadas que muitas gerações perseguidas de jovens universitários, sindicalistas e comunistas abandonam as comodidades próprias da vida na cidade e dão o difícil salto para uma realidade que lhes é alheia.

Aprender a viver nas montanhas é como aprender a andar de novo dizem muitos dos que o fizeram. Mas isto não significa que as FARC-EP não operem nas grandes cidades. Seja através do Partido Comunista Colombiano Clandestino (PCCC), seja através das Redes Urbanas Antonio Nariño (RUAN), a actividade nos principais centros populacionais da Colômbia é reconhecida pelas próprias forças policiais e militares.

As FARC lutam pelo fim do narcotráfico

Forjada pelo Pentágono, a grande mentira veiculada pela imprensa é a de que os guerrilheiros comunistas se dedicam à produção e tráfico de cocaína. De facto, as FARC-EP controlam territórios em que os camponeses não têm outra forma de subsistir senão através do cultivo das folhas de coca e da sua venda. 

Sucessivamente, os comandantes farianos têm proposto a erradicação da produção e tráfico de droga através de um programa de substituição de cultivos que dignifique o campesinato e lhe dê condições para viver da produção agrícola. É esse um dos temas centrais que está em cima da mesa nos diálogos de paz e o programa apresentado pelas FARC-EP é claro nos seus objectivos: «Gerar condições materiais e imateriais para o bem-estar das comunidades agrícolas e dos núcleos familiares que as conformam - que, na actualidade, conseguem a sua precária subsistência através do cultivo da coca, amapola e marijuana – num contexto de transformações estruturais da sociedade rural, próprias do processo de reforma rural e agrária integral, socio-ambiental, democrática e participativa que o país e os despojados do campo reclamam».

A justiça social é o caminho para a paz

A oportunidade para a paz, fortalecida pela mobilização das organizações de trabalhadores, camponeses e indígenas, só tem um caminho segundo as organizações guerrilheiras. Como as FARC, também o Exército de Libertação Nacional (ELN) defende que não é possível o fim do conflito sem a erradicação das razões que conduziram à violência: a injustiça social e a perseguição e criminalização das organizações de esquerda. 

Desde que os combates começaram, há mais de 50 anos, foram várias as ocasiões perdidas para um cessar-fogo definitivo. Em 1984, durante a governação conservadora de Belisario Betancur, as negociações conduziram à formação do partido União Patriótica (UP) composto não só por alguns membros da própria organização mas também do ELN e activistas de importantes movimentos sociais, sindicalistas e militantes do Partido Comunista Colombiano. 

O processo de paz rompeu-se com a tragédia genocida que se abateu sobre a UP e com o ataque militar ao acampamento onde estavam instalados os comandantes do secretariado das FARC. Nos dolorosos anos em que os guerrilheiros e as organizações de esquerda tentaram abrir caminho à paz, foram assassinados mais de 5 mil militantes da UP e, entre eles, dois candidatos presidenciais, oito deputados, 13 deputados regionais, 70 vereadores e 11 presidentes de câmara. Muitos dos candidatos e dos eleitos encontraram na selva e nas montanhas, abraçando a luta armada, a única forma de sobreviver.

Só uma década depois é que as FARC-EP se voltaram a sentar à mesa das negociações. Em 1998, as imagens do presidente Andrés Pastrana à espera do comandante Manuel Marulanda, em San Vicente del Caguán, abriram telejornais em todo o mundo. Nesse processo, o governo aceitou desmilitarizar um pedaço de território do tamanho da Suíça para facilitar os diálogos de paz. 

O conturbado processo terminou em 2002 com a posterior eleição de Álvaro Uribe, ex-autarca e suspeito de ligações ao narcotráfico, para presidente da República com a instauração da política de «Segurança Democrática» que levantou duras críticas de organizações de Direitos Humanos e se traduziu em milhares de mortos. 

A modernização das forças armadas colombianas e o envolvimento cada vez maior dos Estados Unidos e da sua tecnologia na guerra traduziram-se em perdas importantes para a organização guerrilheira. Durante os dois mandatos de Álvaro Uribe, faleceu por razões naturais Manuel Marulanda, líder histórico, e caíram em combate vários comandantes do secretariado do Estado-Maior Central das FARC: Ivan Ríos, Raul Reyes, Jorge Briceño e Alfonso Cano.

Apesar dos duros golpes, as FARC-EP adaptaram a sua actividade à nova realidade militar. Depois do extraordinário desenvolvimento da sua estrutura, entre os anos 80 e 90, e de assumir uma linha táctica que lhe permitia suster, em alguns casos, uma guerra de posições, as FARC-EP regressaram à mobilidade necessária para atacar e retroceder sem que isso represente importantes custos para a organização guerrilheira. A verdade é que nos últimos anos têm conseguido manter uma estrutura estável e chegaram aos diálogos de paz com o necessário poder negocial para arrancar importantes vitórias nos acordos que já foram assinados com o governo.

A Colômbia lidera anualmente muitos dos rankings mundiais de sindicalistas e jornalistas assassinados. É também o país com o maior número de deslocados internos do mundo. A luta pela paz não está, por isso, confinada a quem luta também através dos canos das metralhadoras. Partidos, sindicatos e movimentos representativos de importantes sectores sociais da Colômbia têm batalhado para conquistar a paz. Porque a guerra não é apenas entre as organizações guerrilheiras, o exército e os grupos paramilitares. É também contra os trabalhadores, os estudantes e os indígenas, privados da liberdade política de se poderem expressar e lutar num contexto legal por um mundo melhor.

Mas é também injusto dizer que as FARC apenas se dedicam à guerra. Muitos camponeses recorrem aos médicos guerrilheiros para cuidar da saúde. Entre a folhagem da selva e das montanhas, erguem-se verdadeiras cidades. Em muitos casos, é a fronteira da dignidade. Os guerrilheiros estudam, levantam hospitais nos sítios mais improváveis, erguem as suas emissoras clandestinas de rádio, jogam futebol em campos improvisados e organizam peças de teatro. 

Acordam todos os dias às quatro da madrugada e adormecem às oito da noite. Sonham com o dia em que Bogotá esteja nas mãos dos trabalhadores. Inspirados pelos princípios de Marx e Lénine, e pelo exemplo de Simón Bolívar, as FARC-EP mantêm-se fiéis às razões que levaram aqueles 48 camponeses a levantar-se em armas em 1964.

Ao contrário do que dizem as agências internacionais de notícias, as FARC seguem uma trajectória própria que deve ser entendida dentro das circunstâncias da difícil realidade que tentam transformar. Esta organização guerrilheira que em meio século não se vergou ante a oligarquia colombiana e o imperialismo mantém-se firme no objectivo de conquistar a paz e o socialismo. Mas não a paz dos cemitérios em que jazem milhares de revolucionários e progressistas colombianos assassinados. É a paz com justiça social por uma democracia em que os trabalhadores e o povo sejam protagonistas (Com Odiario.info)

domingo, 29 de junho de 2014

A Copa como metáfora e a metáfora da Copa: pela rebelião do valor de uso

                                                   

  1. A mercantilização do futebol ocorre não apenas pela venda do espetáculo desportivo em si mesmo, mas em várias dimensões: no “mercado de jogadores”, na venda dos direitos de imagem, como veículo de propaganda, como empreendimento milionário de empreiteiras, bancos e tantos outros. A velha arte de esfolar várias vezes o mesmo boi. O futebol mercadoria e o seu evento maior – o Campeonato do Mundo – é montado para a realização do lucro das grandes corporações. Se vai haver jogo ou não é um detalhe


Mauro Iasi (*)




O capital se apropria de tudo, não seria diferente no caso do futebol. O destino daquilo que é mercantilizado é ver seu ser transformado em veículo de valor de troca, forma de expressão do valor, que passa a ser primordial, relativizando seu valor de uso original.
Como coisa de valor, sua vida passa a fluir no sentido da realização do valor e no caso da produção capitalista de mercadorias, de mais valor. Quando era um valor de uso, a realização se dava na fruição, no consumo daquilo que se buscava para realizar o desejo do corpo ou do espírito. No ato de se apropriar das propriedades da coisa para saciar nossa fome ou sede, ao ouvir a melodia que nos acalma a alma ou desperta o corpo. Como mercadoria, a realização se dá no ato da troca, na transformação da coisa em equivalente geral monetário, enquanto o valor de uso subsumido fica ali, relativizado, quando não esquecido.

É por isso que a propaganda seduz para o ato da compra, sem que necessariamente o consumo corresponda ao desejo ou a necessidade. Um comercial de refrigerante transpira gotinhas de coisas geladas, paisagens refrescantes, gente feliz em dias quentes, mas a coisa em si, pode ser um xarope adocicado que vai de dar mais sede e te levar a consumir outra vez o produto… que vai te dar mais sede ainda.

No caso particular do futebol, a mercantilização ocorre não apenas pela venda do espetáculo esportivo em si mesmo, mas em várias dimensões: no “mercado de jogadores”, na venda dos direitos de imagem, como veículo de propaganda, como empreendimento milionário de empreiteiras, bancos e tantos outros. A velha arte de esfolar várias vezes o mesmo boi.

O valor de uso originário fica soterrado sob montanhas de formas mercantis que sobre ele buscam seu quinhão da valorização, muitas vezes fictícia e parasitária. É por isso que muitas vezes depois de realizada a farra do valor de troca, nossos estômagos e espíritos futebolísticos permanecem famintos e sedentos.

No entanto, age sobre a forma mercadoria a maldição do valor de uso. Isto é, mesmo relativizado e subsumido, o valor de uso é incontornável. Não é possível que haja uma mercadoria sem valor de uso – ainda que sob a luz de uma certa racionalidade esquecida ele seja uma “utilidade inútil”. Ninguém vai à padaria comprar cigarro almejando um câncer de traquéia. Mas, só quem já fumou sabe o valor de uso de uma boa baforada.

O valor de uso subsumido (mas incontornável) resiste ali onde não devia, mesmo que na subversiva sensação de ausência: na sede e fome não saciadas, na pobreza persistente no país que dizia tê-la abolida no marketing político, na desigualdade da sociedade da igualdade, na falta do sinal na sociedade do acesso total à comunicação 4G… em noventa minutos de… nada.

O futebol mercadoria e seu evento maior – a Copa – é montado para a realização do lucro das grandes corporações. Esta Copa já aconteceu e a FIFA S/A, a maior das corporações, já abocanhou seus lucros, assim como as empreiteiras, os bancos, as empresas publicitárias, os empresários que escalam jogadores no lugar de técnicos, já contabilizam seus lucros. Se vai ter jogo ou não é um detalhe.

Mas esta montanha de valor de troca tem que encontrar um valor de uso sob o qual se agarrar. Assim como a abstração do espírito precisa do corpo, o exu precisa do cavalo. Onze pessoas de cada lado e um apito do árbitro, desperta o esporte e os garotos propaganda se esquecem, ou deveriam esquecer, de seus contratos, das bugigangas que vendem, e a adrenalina comanda os corpos no busca da bola, evitar o adversários, encontrar o caminho da meta.

Cérebro, nervos, músculos… uma coisa chamada ser humano, que já foi um sonho, que já foi sacrifício, que foi entrega e dor, que quer ser conquista, emerge dali de onde foi soterrado pela mercadoria. Um ser composto, uma equipe, um time, se funde com milhares de pessoas que se desviam da bola, tencionam seu músculo antes do chute no exato instante que o jogador vai chutar a bola e em uníssono gritam, abraçam estranhos, choram…

Marx em sua monumental obra se refere a uma ciência que se chamaria “merceologia”, que teria a tarefa de listar todas as formas possíveis de mercadoria. Não sei se existe essa que descrevemos, não sei que valor de uso é esse que consiste o ser do futebol. Posso apenas falar como viciado desta substância. Ela leva um menino de seis ou sete anos a colecionar botões com times de futebol para imitar o jogo sobre uma mesa. Em estágios mais sérios de contágio, o moço passa a organizar campeonatos e a registrá-los em livros. Grita, sozinho ou com amigos, em certames disputadíssimos. Chega até a guardar os times de botão – inclusive as caixas de fósforos encapadas com fita isolante, que serviam de goleiros –, e os registros de anos de campeonato para tentar infectar seus filhos.

Quanto mais amo o futebol, mais odeio o capitalismo.

A Copa deles já ocorreu. Foi contra nós e eles venceram. Alguns desavisados ou mal intencionados festejam. Mas está em curso uma vingança, uma rebelião. Talvez várias. Uma nas ruas, onde exercemos o sagrado direito de não sermos tratados como imbecis (alguns, é verdade, se orgulham em ser imbecis e não foram às ruas – é um direito deles). Ela continua e espero que um dia possamos vencer. Mas existe outra rebelião. Neste tempo em que muita coisa anda despertando, acredito que podemos estar vendo o despertar de um velho e tão maltratado conhecido: o futebol.

Você pode até tentar produzir futebol em série, futebol fordista, ou como disse em seu maravilhoso texto, nosso querido Pasolini, o “futebol prosa”. Mas o “futebol poesia”, resiste, surpreende, desperta. Monarquias futebolísticas (e infelizmente algumas reais) eliminadas e zebras pastando alegremente.

Enquanto alguns correm para abraçar o valor de troca, a forma fetichizada e desumana, prefiro beijar a face do valor de uso que renasce. É a rebelião do valor de uso… preparem-se, pode não ser só no futebol.

(*)Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comité Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio.
Fonte: http://blogdaboitempo.com.br/2014/06/25/a-copa-como-metafora-e-a-metafora-da-copa-pela-rebeliao-do-valor-de-uso/

O lado mais vergonhoso do Capitalismo neste vídeo


Documentário mostra vida de meninas exploradas sexualmente e serve de alerta


Isabela Vieira, em Agência Brasil

“Se a esmola é demais, o santo desconfia” é a frase de alerta em campanha da organização não governamental (ONG) contra o tráfico de pessoas 27 Brasil. Para mostrar a realidade das vítimas nas cidades-sede da Copa do Mundo, a ONG produziu o documentário R$ 1 – O Outro Lado da Moeda, com depoimentos de mulheres e meninas enganadas por falsas promessas. De acordo com a organização, a maioria dos 27 milhões de escravizados no mundo é crianças ou jovens.

“O tráfico de pessoas tem várias faces, mas na questão sexual, o início da cadeia é a exploração sexual de crianças e adolescentes”, disse a diretora executiva da 27 Brasil, Tatiane Rapini. “Há casos em que o pai vende a própria filha ou a menina é enganada com falsas promessas, como a de que vai ser modelo”, completou. Pessoas também podem ser traficadas para o trabalho forçado e para a retirada de órgãos, atividades que movimentam US$ 32 bilhões por ano.

A falta de informação sobre a exploração de crianças e adolescentes, que é crime hediondo, aumenta a vulnerabilidade de vítimas. Somada à falta de acesso a políticas públicas, faz com que  “acreditem que podem melhorar de  vida”.  No Brasil, na maioria das vezes, as meninas acabam traficadas para outras regiões do país, não necessariamente para o exterior. O fluxo é maior do Norte e Nordeste para o Sudeste, mas há também do Sul para o Norte.

“Manaus tem um histórico de muitas questões [de exploração], inclusive, nas populações ribeirinhas. Nossas organizações parceiras lá, reportam casos de meninas indígenas que sofrem, são levadas e vendidas, é complicado”, acrescenta Tatiane. Em entrevista à Agência Brasil, a lider Maria Alice da Silva Paulino, da etnia Karapãnam confirmou o problema nas aldeias.

Com a exibição do R$ 1 – O Outro Lado da Moeda em áreas públicas, a 27 Brasil quer alertar as possíveis vítimas e estimular a sociedade a denunciar às polícias, ao Conselho Tutelar ou ao Disque 100. A entidade indica que são os próprios brasileiros o público-alvo da exploração. “É duro dizer isso, mas quem procura essas meninas menores de idade são homens casados, atrás de uma aventura. Ou seja, pessoas normais”, esclareceu Tatiane.

O documentário faz referência a meninas que acabaram exploradas sexualmente por apenas R$ 1, por um pacote de biscoito ou por ofertas como a de uma casa. Já foi exibido em Brasília, no Lixão da Estrutural, em Belo Horizonte, na Fifa Fan Fest e segue em direção a Fortaleza. Chega à cidade-sede da final do campeonato, o Rio, em 11 de julho. (Com a Revista Fórum)

Justiça de Mato Grosso garante igualdade de direitos

                                                                         
A Justiça do Trabalho de Mato Grosso garantiu a uma trabalhadora transexual, que nasceu com corpo masculino, o direito a trocar de uniforme no vestiário feminino da empresa em que trabalha. 

Quem acionou a Justiça foi uma colega de trabalho que se sentia violada em sua privacidade por dividir o banheiro com "um homem", e pediu indenização por dano moral. 

Na decisão, a juíza responsável pelo caso se opôs "que um trabalhador transgênero, com sentimentos e aparência femininos, fosse compelido a utilizar o vestiário masculino".

Ela avaliou também que obrigá-lo a utilizar um vestiário particular, específico, seria como "reafirmar o preconceito e a discriminação". As informações são do Correio do Estado.

Ucrânia e a União Europeia

                                                            Latuff-Reprodução do Opera Mundi

"A Arca Antes de Noé"

                                                                                   
A primeira arca

Livro conta a história de tabuleta de argila contendo a primeira descrição do Dilúvio, escrita séculos antes da versão bíblica no Gênesis

REINALDO JOSÉ LOPES

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Séculos antes que escribas israelitas anônimos se sentassem para escrever os relatos sobre o Dilúvio que constam do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, múltiplas versões da história, em mais de uma língua, já circulavam pelo Oriente Médio.

O arqueólogo Irving Finkel, do Museu Britânico, foi responsável por decifrar uma das variantes mais antigas da narrativa, composta por volta do ano 1700 a.C. e contendo um detalhe surpreendente: uma "Arca de Noé" redonda.

As aspas são necessárias porque essa arca redonda não foi construída por Noé, como na história bíblica, mas, sim, por um sujeito chamado Atrahasis, que também é o personagem principal de outras versões antigas da história do Dilúvio.

Finkel é especialista na antiga escrita cuneiforme, inventada na Mesopotâmia (grosso modo, o atual Iraque), e conta os detalhes de sua descoberta no livro "The Ark Before Noah" ("A Arca Antes de Noé"), lançado recentemente no Reino Unido.

Na obra, Finkel explica que a tabuleta de argila com caracteres cuneiformes contendo a versão redescoberta da história chegou às suas mãos por meio de Douglas Simmonds, britânico cujo pai, um colecionador particular de antiguidades, havia adquirido a relíquia no fim dos anos 1940. Nenhum dos Simmonds fazia ideia da importância do texto, escrito em acadiano (língua semita, como o hebraico), provavelmente na Babilônia.

DETALHES


A tabuleta contém apenas um fragmento de 60 linhas da história, mas é excepcional por trazer instruções detalhadas da construção da arca, como matéria-prima, formato, dimensões e até a ideia de que os animais deveriam entrar na Arca em pares (veja infográfico).

O modelo da megaembarcação parece ter sido um tipo de "barco-cesto" tradicional da Mesopotâmia, que aparece em gravuras antigas e ainda era usado na região no fim do século 19.

Em entrevista à Folha, Finkel afirmou que a versão que ele decifrou provavelmente é a mais primitiva da região. "Na minha visão, a história do Dilúvio é extremamente antiga e deriva de uma inundação real que aconteceu muito antes da invenção da escrita, talvez milênios antes", diz. "Provavelmente a versão em acadiano é mais antiga que a versão em sumério [outra língua extinta da região], a qual tem um sabor de tradução."

A trama básica do Dilúvio mesopotâmico é quase idêntica à da história bíblica, mas uma das diferenças mais óbvias é que, na narrativa de Atrahasis, existem vários deuses (em vez do Deus único israelita), e são eles, em conjunto, que decidem exterminar a humanidade com as águas. Entretanto, uma das divindades, Enki, resolve "vazar" o plano de seus companheiros divinos para o humano Atrahasis, instando-o a construir o superbarco de maneira a salvar sua família e os casais de animais.
                                                                     
Outra diferença crucial é que, nas histórias mesopotâmicas, os deuses tomam sua decisão drástica porque não conseguem dormir com o barulho feito pela população humana, ou então porque a Terra ficou superpovoada. Na Bíblia, por outro lado, a maldade humana é que teria motivado o dilúvio.

"Isso provavelmente reflete a ideia de que, naquela época, a humanidade ainda não era afligida pela morte, o que levou à superpopulação", conta Finkel. "Nesse caso, a reação dos deuses é uma reação racional a esse problema, e não um castigo moral."

Tudo indica, portanto, que os autores israelitas da Bíblia transformaram a história para enfatizar o que viam como a preocupação de Deus em punir o mal. Isso não significa, porém, que a religião mesopotâmica fosse alheia à importância da moralidade, diz Finkel. "Eles só não faziam tanto barulho em relação a esse tema quanto as religiões posteriores", afirma.

                                                                       
"THE ARK BEFORE NOAH: DECODING THE STORY OF THE FLOOD"

AUTOR Irving Finkel
EDITORA Hoder & Stoughton
PREÇO 352 págs., R$ 33,01 (livro eletrônico)

FONTE: Folha de São Paulo, 29 de junho de 2014. (Com Prestes a Ressurgir)

E Lenin tinha razão: a grande guerra interimperialista

                                                               

A previsão de Lenin se cumpriu de forma dramática. As duas grandes guerras que marcaram a história da humanidade no século XX foram guerras interimperialistas


Emir Sader

Em 1884, as grandes potências coloniais se reuniram em Berlim para decidir sobre a dominação da África entre elas. Consagraram o critério da “ocupação efetiva”, segundo o qual a potencia que ocupasse realmente um pais tinha direitos sobre ele.  Há fronteiras no norte da África que visivelmente foram definidas com regra, riscando sobre uma mesa, para facilitar a troca de territórios entre as 14 potências reunidas, sem importar que povos viviam aí.

Se terminava a divisão do mundo entre os colonizadores. A partir dali, segundo Lenin, cada um só poderia expandir-se às custas de outros. E como a tendência expansiva do capitalismo é permanente, Lenin previa que a humanidade entrava numa época de guerras interimperialistas.
    
A previsão de Lenin se cumpriu de forma rigorosa e dramática. As duas grandes guerras que marcaram a história da humanidade na primeira metade do século XX foram exatamente isso – guerras interimperialistas.  Dois grandes blocos entre, por um lado as potencias que tinham se apropriado inicialmente de grande parte do mundo, lideradas pela Inglaterra e pela França, enfrentadas às que chegavam à repartição do mundo tardiamente – Alemanha, Itália, Japão – que buscavam uma redivisão dos territórios colonizados.
    
Por terem resolvido a questão nacional, com a instalação de Estados nacionais antes que os outros países europeus, sobretudo a Inglaterra e a França puderam construir sua força militar – em particular marítima – e colocar-se em melhor situação para a conquista e consolidação de um império colonial.

A Alemanha, a Itália e o Japão demoraram mais para sua unificação nacional, pela forca relativa das burguesias regionais, com o que chegaram à arena mundial em inferioridade de condições. Tiveram que se valer de regimes autoritários para acelerar seu desenvolvimento econômico, recuperando o atraso em relação às outras potências mundiais.

A primeira guerra mundial, mais além das contingencias do seu começo, foi isso: uma grande batalha entre os dois blocos pela repartição do mundo, especialmente dos continentes periféricos. (A Alemanha chegou a propor ao México que lhe devolveria os territórios que os EUA lhe haviam arrebatado caso se somasse ao bloco liderado por ela.)

Por trás das duas grandes guerras havia a disputa pela hegemonia mundial. A decadência inglesa via assomarem-se duas potencias emergentes – os EUA e a Alemanha. No começo da primeira guerra predominava nos EUA a corrente isolacionista, como se a guerra fosse uma questão europeia. Mas conforme a Alemanha avançava para ganhar a guerra, o governo dos EUA colocou em pratica rapidamente uma campanha ideológica para mobilizar os norteamericanos para a participação na guerra.

1917 foi um ano decisivo na guerra, com a revolução bolchevique fazendo com que a Rússia se retirasse da guerra – seguindo as orientações do Lenin de que se tratava de uma guerra interimperialista -, enquanto os EUA entravam na guerra, fazendo com que a balança se inclinasse a favor do bloco anglo-francês.

Com a segunda guerra – na realidade o segundo round de uma mesma guerra, com as mesmas características e um intervalo de poucos anos – e a segunda derrota do bloco formado pela Alemanha, a Itália e o Japão – se abria o caminho para a hegemonia imperial norteamericana. Guerras interimperialistas, as mais cruéis de todas as guerras, no continente que se considerava o mais civilizado do mundo, para dirimir a disputa hegemônica entre as potencias capitalistas sobre a dominação global. O início da primeira, de que se cumpre agora um século, foi o começo dessa grande debacle europeia. (Com Carta Maior)

sábado, 28 de junho de 2014

Mensagem para Diego Armando Maradona (e Messi)

                                                                

Inesquecível amigo:

TODOS os dias tenho o prazer de ver teu programa sobre a Copa Mundial de Futebol na Telesur, graças a isso, posso observar o nível extraordinário desse esporte universal.

Não creio possível uma educação adequada para os jovens de qualquer país sem o esporte, e no caso especifico dos varões, sem incluir o futebol.

Hoje eu sou político, mas quando criança, adolescente e jovem, fui esportista, e a esta nobre prática dediquei a maior parte do meu tempo livre.

Admiro tua conduta por várias razões. Tive o privilégio de conhecer-te quando triunfaram as idéias mais justas do nosso povo e nenhum poder pôde esmagá-las.

Nada estreitou tanto nossas relações como latino-americanos. Você venceu as provas mais difíceis como atleta e jovem de origem humilde.

Igual que você, cumprimento Messi, atleta formidável que dá glória ao povo nobre da Argentina, nada pode separar o que ambos têm de glória e prestígio, apesar dos esforços mesquinhos dos intrigantes.

Também felicito a Telesul, que tem enriquecido este verão caloroso, e saúdo fraternalmente como você, os excelentes e prestigiosos futebolistas da Nossa América, sem esquecer logicamente, o magnífico e visionário Victor Hugo Morales, que descobre tuas qualidades e tanto tem divulgado o nobre valor do esporte e o povo argentino que vocês representam com honra.

Diego, jamais esquecerei a amizade e o apoio que sempre ofereces-te ao líder bolivariano Hugo Chávez, promotor do esporte e da Revolução da América Latina e dos povos submetidos do mundo.

Fraternalmente


Fidel Castro Ruz

23 de junho de 2014

17h36 (Com o Granma)

A participação do Brasil nas Copas

Reprimir protestos na Copa do Mundo: um negócio explosivo para o Brasil, constatam a Mídia Ninja e a Adital

                                                                 
Mídia Ninja                

Adital
nna Feigenbaum, para Wagingnonviolence.org


Policiais militares sofrem com o efeito das bombas de Gás fabricadas pela Condor. Foto: Mídia NINJA

Em 12 de Junho, a polícia brasileira atirou gás lacrimogênio num grupo de 50 manifestantes não armados que bloqueavam a pista que levava até a arena da Copa em São Paulo. No dia 15, no Rio de Janeiro, outros 200 manifestantes encararam rios de gás lacrimogênio e bombas de efeito moral à medida em que se aproximavam do Maracanã. 

Armados com um arsenal de armas menos letais e aplicando técnicas importadas da equipe SWAT americana do início dos anos 2000, a polícia vestida de acessórios antimotim vem implantando táticas truculentas, empunhando cassetetes e disparando substâncias químicas à queima roupa. No Brasil, esse tipo de ação policial nos protestos é não somente uma forma comum de controle político, mas também um negócio crescente.
                                                                    
A Copa do Mundo e os protestos relacionados a ela por todo país estão trazendo grandes lucros para a empresa com sede no Rio Condor Tecnologias Não letais. Como parte do farto orçamento de segurança da Copa, a Condor faturou um contrato de 22 milhões, fornecendo gás lacrimogêneo, balas de borracha, armas de choque e granadas de luz e som à polícia e forças de segurança privada. Ao vender armamentos de controle de protestos e ordem pública para compradores da polícia, exército militar e Nações Unidas, os negócios da Condor cresceram mais de 30% nos últimos cinco anos.

Eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas - também sediada no Brasil, em 2016 - chamam a atenção para a segurança nacional. Garanta sua performance aos olhos da indústria, e receba convites de todo o mundo para discursos, consultorias e operações de treinamento. Para a Condor e o mais amplo setor de segurança brasileiro, a Copa é como a fashion week: uma oportunidade de mostrar os últimos apetrechos policiais e pescar futuros compradores.
   

Enquanto a Condor não divulga oficialmente os detalhes dos seus lucros, de acordo com o currículo de seu diretor de marketing, a companhia tem vendas internacionais de R$50 milhões em armamento não letal e munição. Nos últimos anos, viu crescer sua receita em 33%, como resultado de uma nova estratégia de marketing, com ferramentas de comunicação cativantes e participação em feiras de comércio. Com essas iniciativas o diretor de marketing tem garantido uma média de crescimento nas vendas em 90%, passando de 12 países para mais de 40, com novos mercados na Ásia e África.

Lucrando com os protestos no exterior

Sob banners gigantes da bandeira brasileira, a Condor possui estande regular nas maiores feiras de exposição de segurança interna do mundo, incluindo DSEI e Milipo, onde exibe seus produtos para governos e compradores militares. Esses novos dispositivos em exposição incluem a granada bailarina, que pula do chão para evitar "rebote" dos manifestantes.

A vasta gama de tecnologias de controle de protestos da Condor é enviada para o exterior, a centenas de cidades ao redor do mundo, incluindo países com abusos dos direitos humanos documentados. Essa prática levou a uma pesquisa minuciosa sobre a promessa de 2010 da Condor de ser a "pioneira na disseminação do conceito não letal no Brasil, pelo uso controlado da escalada da força, sem nenhum prejuízo aos direitos humanos".

Todas as vendas internacionais de gás lacrimogênio no Brasil passam pelos Ministérios de Relações Exteriores e da Defesa. No entanto, eles não guardam registros de como são usados e os dados das vendas não são divulgados. De acordo com o relatório da reportagem investigativa da Pública, "nessa indústria, a norma é a de falta de transparência".

Apesar do uso crescente como força mortal, o "controle de protestos" permanece de fora da Convenção de Armas Químicas, que permite gases usados contra civis. Como outras armas que podem ser classificadas como equipamentos policiais, esses agentes não raramente ficam à margem das restrições de vendas de armas. Isso deixa o comércio para lucro ainda menos regulado que o das indústrias farmacêuticas.

Construindo o comércio brasileiro de controle de protestos

A escalada do Brasil ao topo das indústrias internacionais de policiamento de protestos é amplamente ligada ao resultado do relaxamento das legislações sobre venda de armas, no início dos anos 2000. Em 2002, o governo brasileiro apresentou uma série de políticas flexíveis para aumentar a receita nacional. O ministro da Defesa colaborou com o Itamaraty, Ministério da Ciência e Tecnologia, e outros na área da econômica, de acordo com A Gazeta Mercantil de São Paulo. Frederico Aguiar, o então presidente do setor de contratações e vendas da Condor, disse que "existe uma consciência crescente de que um país politicamente e economicamente importante como o nosso não pode permanecer dependente de sistemas planejados e produzidos no exterior".

Paralelamente a esse movimento de aumentar a produção de tecnologias policiais, mudanças foram feitas nas práticas de policiamento. De acordo com o relatório de Cirro de Barros, da Pública, em 2014 o Brasil estabeleceu à Força Nacional lidar com emergências de segurança pública, integrando um plano maior de expansão do treinamento militar para policiamento da ordem pública.

Em 2006, a Condor e o governo brasileiro realizaram conjuntamente o que na época foi a maior conferência do mundo de armas não letais, catapultando-os no cenário internacional. Entre os discursos, o expert do exército militar dos Estados Unidos coronel John B. Alexander, e também Charles "Sid" Heal, um homem central no desenvolvimento de técnicas militares para policiamento. Conhecido por ter "escrito a bíblia da SWAT", o comandante Heal prestou consultoria à Condor à medida que a companhia expandia seus lucros buscando os mercados de policiamento de protestos e "manutenção da paz". Investigações recentes da Pública revelam um envolvimento contínuo dos Estados Unidos na militarização da polícia brasileira, com consultorias do FBI e conduzidos em centros financiados pelo departamento de estado americano.

Responsabilidade escusa

Enquanto o governo brasileiro aponta aos policiais para escapar da culpa, indústrias corporativas como a Condor permanecem protegidos sob os rótulos com avisos, apesar do crescente uso abusivo de seus produtos. Recentemente, as tecnologias da Condor foram repetidamente utilizadas contra protocolo para intencionalmente elevar os danos e até sistematicamente torturar pessoas na Turquia, Bahrain e Egito. "Nós sempre advertimos sobre o uso de força adequado", afirma Beni Iachan, analista de negócios sênior da Condor. Esse aviso legalmente permite que fabricantes como Condor evitem a responsabilidade, enquanto fornecem mais e mais métodos para uma violenta "escalada de força" aos governos e seus policiais.

Enquanto a receita da Condor sobe pelo mundo, os cilindros, granadas e balas de borracha da empresa continuam sendo atirados à queima roupa nas cabeças das pessoas e nos membros superiores. Artefatos são disparados em espaços fechados, alcançando níveis mortais de envenenamento. E agentes químicos fora de validade com a marca Condor estão sendo usados contra civis, mais recentemente documentado nas ruas da Venezuela.

À medida que os números de mortos e feridos durante o controles de protestos aumenta, está se tornando incrivelmente difícil para companhias como a Condor abrir mão do "não letal" no seus nomes corporativos. Junto a ativistas locais, a campanha brasileira de direitos humanos "Tortura Nunca Mais"e jornalistas investigativos da Pública estão trabalhando duro para aumentar a consciência do público sobre o papel dessas armas nos abusos policiais e a necessidade de maior responsabilização.

Expondo vínculos entre governo e a especulação corporativa sobre os protestos, a Pública está atualmente mapeando a influência da Condor em operações governamentais. "Nós recentemente descobrimos que a Condor tem uma exclusividade de negócio fechada pela Indústria Brasileira de Defesa e Segurança", explica Bruno Fonseca, um dos repórteres investigativos da agência. "Isso significa que todas as instituições de defesa e segurança pública, como a polícia brasileira, podem comprar sem licitação".

O que permite centenas de milhares de armamentos Condor chegarem às mãos das forças de segurança brasileiras sem uma fiscalização do governo. "A Condor tem exclusividade para 27 tipos de equipamentos não letais", diz Fonseca. O uso excessivo de força e desastres para regular as práticas de controle de protestos do governo brasileiro estão agora sob o investigação da campanha global da Anistia Internacional "Deem a eles um cartão amarelo”, que monitora a repressão contra protestos pacíficos na Copa do Mundo.

Com todos os olhares voltados para o Brasil - e seus manifestantes - é hora de não somente resistir à repressão ao direito a manifestação, mas também confrontar os incentivos de mercado que alimentam o uso progressivo da força. "Corporações mundiais como a Condor veem isso como uma oportunidade de lucrar - e eles estão absolutamente ganhando dinheiro com a repressão de estado", afirma Kimber Heinz, da campanha global "Facing Tear Gas".

Desmascarar aqueles que ganham com os protestos revela as intersecções entre o controle governamental e grandes negócios, apontando para novos alvos para campanhas e ações diretas não violentas. "O militarismo é um projeto global com implicações locais," explica Heiz. "Nossa campanha tem como alvo as engrenagens do militarismo: locais de treinamento, feiras de armamentos e programas governamentais, construindo a base para oposição ao militarismo e policiamento desde a raiz."

Conteúdo traduzido. Texto original em http://ninj.as/q2j5i

ALBERTO DINES

                                                                  
                        COPA DO MUNDO
                            
                 Sobre mordidas e legados

 Alberto Dines em 28/06/2014 na edição 804

Reproduzido do El País Brasil, 27/6/2014; intertítulo do OI

      
Em matéria de repercussão, sem dúvida, é a Copa das Copas. Obama, o cestinha, acendeu a luz verde ao posar para fotos a bordo do Air Force One assistindo ao embate da sua seleção com a Alemanha e a porta-voz do Departamento de Estado compareceu ao briefing matinal com a imprensa com o agasalho da seleção ianque.

Também no âmbito da geopolítica o resultado é superlativo: despachados de volta três gigantes (Inglaterra, Itália e Espanha), a Europa futebolística assemelha-se à Europa política, amarrada a velhos vícios, desfibrada. A esta altura do campeonato, Américas e África consolidam-se como as grandes reservas para o futebol do futuro. O que não impedirá que o Velho Mundo por meio da Alemanha, Holanda e França ainda venham a empalmar a Jules Rimet na final da 20ª edição do Mundial de Futebol.

A globalização está ganhando de goleada: a dentada de Luis Suárez no italiano Chielini tornou-se, a partir da terça-feira (24/6), a peça central das preocupações humanas, só perdendo neste segmento para uma abocanhada mais desastrosa e celebrada – a de Eva mordiscando a maçã proibida e experimentado as delícias do pecado. Ambas mudaram o mundo, trouxeram inapelavelmente a questão do crime e castigo para a realidade de bilhões de anjos e vilões.

Nem aí

O mago Lula da Silva estava certo quando apostou todas as fichas no pleito do Brasil para sediar a Copa de 2014. Já o estadista que atende pelo mesmo nome elegeu um poste, porém não cuidou para que ficasse firme e ligado à rede. Coisas da política.

O pressentido caos ainda não se materializou e certamente não se materializará, mas o preço pode ser alto: o país foi obrigado a parar. Sem sistemas de transporte de massa nas cidades-sede a opção ao caos foram férias remuneradas. São Paulo, a imparável, parou nos últimos seis dias (desde o confronto com os camaronenses), concentrada diante de altares de tela plana, em botecos ou churrascarias.

Turistas e jornalistas estrangeiros que não conheciam o país admiram-se: estavam preparados para uma bagunça, esperavam o auê, baixaram expectativas e exigências, parecem felizes. No inverno ameno, um povo festeiro contenta-se em contagiar os visitantes e faturar alguns trocados. Sua magia é tornar tudo distante: apesar do céu azul, daqui não se enxerga a Ucrânia, nem o Iraque, sequer a vizinha Argentina.

A sensação do “day after” já se manifesta em Cuiabá, Natal, Curitiba e Manaus, enquanto suas arenas ainda com cheiro de tinta fresca começam a metamorfosear-se em elefantes brancos e o adjetivo faraônico começa a ser entendido.

Ainda em andamento, sem campeão à vista e muitas surpresas pela frente, a Copa das Copas já entrou para a história com um acervo de lições imperecíveis. Submetidos às aflições de prazos rígidos e padrões impecáveis, saímos pela tangente oferecendo ao mundo a ideia da precariedade feliz, da transitoriedade permanente, do relaxar e gozar, do vai levando e deixa rolar.

Intraduzíveis, estas sensações logo estarão sendo clonadas e o mundo, sem o perceber, se sentirá mais feliz. Nossos craques não mordem, em compensação as autoridades não estão nem ai para os legados. (Com o Observatório da Imprensa)

Palestinos usam "Muro da Vergonha" como telão para ver jogos da Copa




Do alto de seus oito metros de comprimento, o muro simboliza a segregação. Ao separar os palestinos da cidade sagrada de Belém do resto da Cisjordânia, tornou-se um dos emblemas da ocupação israelense dos territórios árabes. Além de servir de tela para artistas como Banksy expressarem sua indignação e ativistas rabiscarem suas palavras de ordem, a população palestina encontrou outra maneira de se apropriar dessa barreira imposta por Israel há mais de dez anos: projetar nela as partidas da Copa do Mundo, evento esportivo que congrega 32 nações diferentes e cujo slogan oficial — “juntos num só ritmo” — é mais uma provocação à construção do paredão.

A iniciativa partiu de um dono de restaurante aficionado por futebol, Joseph Hasboun. A casa de carnes que gerencia, “The Wall Steak House”, estampa logo no nome a paisagem a que seus clientes têm direito ao se acomodar no estabelecimento. Do outro lado da rua, lá está ele, o muro. Desde o dia 12 de junho, quando o Brasil inaugurou o Mundial contra a Croácia, a parede tem também outra função e serve de telão para a transmissão dos jogos da Copa.
                                                            
“É algo como uma resistência civil. Eles podem colocar esse muro, mas não podem nos impedir de fazer isso”, relata o advogado palestino Ihab Jaser, 33, ao veículo local The Jewish Journal, enquanto assistia ao empate entre Alemanha e Gana. “É um lugar bonito, é ao ar livre e tem algum significado”, completa Hasboun, o dono do restaurante.

A transmissão ao vivo dos duelos futebolísticos já se tornou uma tradição, começou em 2010 no Mundial da África do Sul e virou ponto de encontro para grupos de jovens palestinos — e também alguns turistas de passagem por Belém — vibrarem com os grandes craques do futebol. De lá para cá, uma mudança. Para atender à demanda, Hasboun investiu em uma tela maior e agora são quase 20 metros quadrados emprestados pelo muro à nobre causa.

Símbolo da divisão e do acirramento do conflito israelo-palestino, o “Muro da Vergonha”, como também é conhecida a barreira, recebeu recentemente outra entidade “supranacional”. Além de servir de suporte para a transmissão dos jogos da Copa, suas paredes também encararam a paradigmática visita do papa Francisco. Distante apenas algumas quadras da fachada do restaurante-sede das projeções, o líder da Igreja Católica saltou do papa-móvel e encostou na parede para rezar e pedir por paz no Oriente Médio.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

PCB-Minas Gerais realiza sua Convenção Estadual neste domingo


A Revista Imprensa promove mais um curso: Ilustração no Jornalismo

                                                                      

Data: 18/08/2014 (Segunda-Feira)
Horário:  18h30 – 22h30
Local: Av. Paulista, 807 18° andar - Cerqueira Cesar, São Paulo (próximo à estação Brigadeiro do metrô, acesso pela galeria Gemini)

Ilustração no jornalismo

O avanço tecnológico na produção de conteúdo modificou alguns dos métodos pelos quais os profissionais da mídia informam a sociedade. Entretanto, um recurso que não perdeu seu charme (e papel) no jornalismo foi a ilustração. 

Considerada por muitos como uma modalidade de jornalismo, a ilustração desperta o interesse de leitores dos mais diversos perfis mas ainda briga por mais espaço na grande mídia. 

As novas tecnologias permitiram que se explorasse diferentes formatos e plataformas para a produção e divulgação de cartuns, charges, tiras e caricaturas – mas como os artistas especializados têm feito uso de tais ferramentas? 

Além de responder a esta pergunta, a oficina de ilustração no jornalismo discute o espaço cedido à ilustração na mídia nacional e internacional, promove uma reflexão sobre estilos e técnicas próprias e apresenta aos participantes soluções inteligentes encontradas por artistas e jornalistas para expor seus próprios trabalhos. (Com o Portal Imprensa)

10.069 anos de Raul Seixas

                                                                     
A HORA DO DINOSSAURO (programa da Rádio UFMG Educativa 104,5 FM) e o Movimento “PRA SEMPRE RAUL” orgulhosamente apresentam: “A Festa 10.069 anos ”, dia 28 de junho de 2.014, sábado, no Stonehenge Rock Bar – Rua Tupis 1449 – Barro Preto.

Nascido em Salvador, no dia 28 de junho de 1945, na Av. 7 de setembro, número 108, Raul dos Santos Seixas saiu da capital baiana para conquistar os corações de pessoas de todo o país. 

Sua obra coerente, reflete com simplicidade, a alma humana. Inconformado com o tal do “sistema”, Raul fundou a “Sociedade Alternativa” e a “Sociedade Novo Aeon”. 

Ele pregava: “faça o que tú queres pois é tudo da lei”. Conquistou uma legião de adeptos que, como ele, sonhavam com um mundo mais justo.

Tocando com propriedade a obra de Raul Seixas , teremos 03 bandas que conjuntamente montaram um repertorio com mais de 60 músicas o que, com certeza, levará os fãs a loucura. Todos se sentirão em plena “Sociedade Alternativa”. Agora é só aguardar ansiosamente o dia 28 de junho. Raul estará mais vivo do que nunca...

SERVIÇO
Casa abre às 20h Show. “área externa” - Entrada.R$18,00
Bandas:
Carpinteiros do Universo https://www.youtube.com/watch?v=JsgtVbTYMo0
Panela do Diabo - https://www.youtube.com/watch?v=qDTpiWHtCPI
Matheus e os Rauzitinhos -https://www.youtube.com/watch?v=u1VDmcyp8YU
Urcine Neto Artista Plástico autodidata fará exposição com suas telas “tema Raul”
Exibição imagens raras, Fotos, Livros ,espaço Troca Raul.

Censura 18 anos
Inf. A Hora do dinossauro (31) 91331868- 84973828
Stonehenge (31) 3271-3476/ 9247-2020 / 9281-5239 

Gustavito e A Bicicleta tocam na BH Press House



O cantor, instrumentista, arranjador e compositor belo-horizontino Gustavito, acompanhado da banda A Bicicleta, apresenta-se nesta sexta-feira, 27 de junho, a partir das 20h, na Casa do Jornalista (Avenida Álvares Cabral, 400, Centro). O show faz parte do Festival Conexão e da programação do projeto BH Press House. No repertório, canções do primeiro CD do artista, “Só o amor constrói”, lançado há dois anos, e do seu novo disco, “Amorecimento”, inédito.

Na estrada desde 2003, Gustavito já participou de festivais e turnês no exterior. Ele faz parte do coletivo Casa Azul, que desde 2011 vem lançando álbuns de jovens músicos mineiros, como “Flores Maçãs”, de Paulo César Anjinho, “A toda vem é pelo vento”, de Luíza Brina, “Experiência”, do grupo Tiãoduá, e “Música Circular”, de Felipe José.

Gustavito e A Bicicleta fazem um som com influências variadas da cultura popular brasileira, tocado com suingue por instrumentistas talentosos. Suas letras poéticas e de crítica social remetem ao tropicalismo. Em 2012, o blog Embrulhador incluiu o disco “Só o amor constrói” em 43º lugar na lista dos 100 melhores do ano e a faixa “Juriti” como a 25ª melhor. 

Sábado: futebol e música

Neste sábado, 28/6, os destaques da programação da BH Press House são o jogo entre Brasil e Chile, pelas oitavas de final da Copa do Mundo Fifa 2014, às 13h, e o show Dokktor Bhu e Shabê: Conglomano, a partir das 18h. Como vem acontecendo em outros jogos, a Casa do Jornalista estará aberta para aqueles que quiserem acompanhar pela TV o jogo do Brasil e certamente mais uma vez ficará lotada de animados torcedores.