quarta-feira, 31 de julho de 2013

FIJ lança campanha pela livre circulação dos jornalistas palestinos

                                                     

 A Federação Internacional dos Jornalistas lançou recentemente uma campanha para que a ONU pressione o governo de Israel a tratar jornalistas palestinos em conformidade com as leis internacionais sobre liberdade de imprensa, liberdade de circulação dos jornalistas e do seu direito de informar. O primeiro passo da campanha é uma petição em quatro línguas que já circula em nível internacional.

"Apesar de uma longa campanha de 15 anos pela FIJ e organizações de direitos civis, não conseguimos até agora convencer as autoridades israelenses a reconhecerem a carteira internacional de Jornalista quando apresentada por profissionais palestinos nos territórios ocupados, como acontece em todo o mundo, e tratá-los como coletores de notícias, dando-lhes acesso a áreas onde acontecimentos importantes estão ocorrendo", reclama o presidente da entidade, Jim Boumelha.

Os sindicatos e federações de jornalistas de todo o mundo aprovaram a campanha por unanimidade no 28º Congresso Internacional dos Jornalistas, realizado em Dublin, em junho passado. O objetivo é assegurar que as autoridades israelenses reconheçam a carteira da FIJ como credencial oficial todos os jornalistas, independentemente da sua nacionalidade.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas da Palestina, constantemente as autoridades israelenses restringem ou proíbem a movimentação os jornalistas entre a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, entre a Cisjordânia e Israel, entre Israel e Gaza, e dentro da própria Cisjordânia, com seus 505 postos de controle militar na região.

O presidente da FIJ faz um apelo aos apoiadores da campanha para que, além de assinarem a petição global, busquem ampliar este movimento de solidariedade junto às entidades sindicais, organizações da sociedade civil e de direitos humanos, entidades estudantis, grupos de mulheres, entre outros. "Qualquer coletivo pode ser solidário com esta causa e seu apoio será um enorme impulso para nossos colegas palestinos", conclama Boumelha.

Para aderir e compartilhar a campanha, confira os links em inglês, francês, espanhol e em árabe. (Com a FENAJ, cujo vice-presidente, Celso Schroder, é vice-presidente da FIJ)

Orelha humana é recriada em laboratório, registra a BBC News

                                                  
 Orelha recriada em laboratório (Foto: Massachusetts General Hospital)



Cientistas americanos dizem ter dado um passo na direção de produzir uma orelha humana completa em laboratório, a partir de células de um paciente.

Em uma nova experiência de engenharia de tecidos, os pesquisadores conseguiram desenvolver uma orelha humana com tecido animal.

O substituto artificial tem a flexibilidade de uma orelha real, dizem os pesquisadores do Massachusetts General Hospital, em Boston, Estados Unidos.

A técnica pode um dia vir a ser usada para ajudar pessoas que tenham perdido ou deformado a orelha, eles acreditam.

A engenharia de tecidos é um campo crescente na ciência médica, no qual órgãos substitutos são feitos em laboratório. Anteriormente, os pesquisadores haviam produzido um ouvido artificial, do tamanho do de um bebê, no dorso de um rato.

No mais recente estudo, apresentado na publicação científica Journal of the Royal Society Interface, tecidos vivos de vacas e ovelhas foram usados junto a uma armação de arame flexível, que tinha a forma 3D de um verdadeiro ouvido humano.

O órgão produzido foi, em seguida, implantada num rato cujo sistema imunológico havia sido desativado, permitindo à orelha crescer.

"Nós demonstramos a primeira orelha humana adulta", disse à BBC Thomas Cervantes, que liderou o estudo.
O avanço foi significativo por várias razões, disse ele.

Cientistas dizem ter conseguido manter a flexibilidade natural da cartilagem
"Primeiro, fomos capazes de manter a forma da orelha, após 12 semanas de crescimento no rato. Em seguida, porque conseguimos manter a flexibilidade natural da cartilagem."
Arame de titânio

As células foram cultivadas em uma armação de arame de titânio, que é modelada de acordo com a dimensões de uma verdadeira orelha humana, feita a partir de uma tomografia computadorizada.

O novo trabalho mostra que, em teoria, é possível criar células suficientes - pelo menos em animais - para fazer uma orelha humana em tamanho real.

"Em um modelo clínico, o que gostaríamos de fazer é colher uma pequena amostra de cartilagem do paciente e, em seguida, fazer o mesmo processo", disse Cervantes. "Esta pesquisa é um passo significativo na preparação para testes clínicos em humanos."

Ele disse que espera que o processo avance para os testes em cerca de cinco anos.

Maria Cristina Craciun canta Caruso. A garotinha é neta de Luciano Pavarotti

Lutas e Revoltas Populares da América Latina é o tema da Agenda NPC 2014 (Eu adquiri a agenda deste ano, contando as "Lutas, revoltas, levantes e insurreições populares." Um bom trabalho. Aconselhável para sindicalistas, jornalistas, historiadores e demais interessados na Revolução Brasileira. José Carlos Alexandre)

                                                     
Sindicatos e demais organizações que quiserem encomendar a agenda personalizada de 2014 já podem entrar em contato com o NPC para saber os preços e como proceder. No próximo ano, o material apresentará, a cada dia, notícias e informações sobre lutas e insurreições ocorridas nos países latino-americanos desde o século 19 até os tempos atuais. 

Na abertura de cada mês estão textos sobre importantes acontecimentos, como a Revolução Cubana, a Insurreição Negra do Haiti, a formação do Exército Zapatista de Libertação Nacional, o pensamento de José Carlos Mariátegui, as lutas dos mineiros na Bolívia etc. 

Esses artigos foram escritos por jornalistas e pesquisadores, como Gilberto Maringoni, Nilton Viana, Mário Maestri, Mergulhão Ruas, Pedro Carrano, Claudia Korol, Carolina Ojeda, Beto Almeida e outros colaboradores. O objetivo do material é possibilitar conhecer melhor a história dos nossos vizinhos, contribuindo para uma integração cada vez maior entre os países do continente.

"Rio, 40 Graus" (Belíssima produção, embora algumas cenas estejam um tanto quanto prejudicadas pela ação do tempo. A Ancine e outros órgãos deveriam se empenhar em restaurar o trabalho de Nelson Pereira dos Santos. Mas dá para assistir, dando-se o devido desconto...)



O povo do Rio de Janeiro e suas dificuldades

Rio, 40 graus é um filme brasileiro de 1955, com roteiro e direção de Nelson Pereira dos Santos.
É considerada a obra inspiradora do cinema novo, movimento estético e cultural que pretendia mostrar a realidade brasileira. O filme foi censurado pelos militares, que o consideraram uma grande mentira. Segundo o censor e chefe de polícia da época, "a média da temperatura do Rio nunca passou dos 39,6°C". (FONTE: Wikipédia, a enciclopédia livre.) Com Prestes a Ressurgir.
                                                    

Aladim e o gênio da garrafa

                               

Luiz Werneck Vianna (*)


Sobre as jornadas de junho rios de tinta já foram derramados e outros tantos ainda vêm por aí, na busca de explicações para o levante popular de âmbito nacional que tudo e todos pôs de pernas para o ar. Nada mais justo, porque eventos dessa natureza, quando o social, desavindo com as margens institucionais que lhe conformam o hábito e orientam seu cotidiano, irrompe nas ruas com a fúria de um fenômeno natural, marcam, em geral, o fim de uma era e o começo de outra. Não se pode mais não ver: esgotou-se o ciclo da modernização "por cima" que, em ondas sempre renovadas, cada qual com um estilo adaptado às suas circunstâncias - do de Vargas dos anos 1930 ao de Lula e Dilma nos dias atuais, passando pelo de Juscelino e dos generais-presidentes do regime militar -, vem dominando a imaginação das nossas elites políticas e os objetivos que perseguem.

A longa duração de tal ciclo certamente pode ser explicada pelas características próprias da nossa formação, em que o Estado trouxe para si a tarefa de criar uma nação a partir de uma teoria política, como nas lições de Euclides da Cunha, e fez do Direito Administrativo, sob a interpretação estatólatra do influente ministro do Império visconde do Uruguai, um dos principais instrumentos para a realização dos seus propósitos. Modelar por cima uma massa tida como amorfa rumo aos ideais civilizatórios, discipliná-la e exercer sobre ela uma pedagogia cívica demandava a ação permanente do educador até que ela viesse a demonstrar estar apta a se auto-orientar.

De fato, foi sob um sistema de orientação centralizador, estatista, com o vértice do poder político dotado de um decisionismo que não conhecia freios e contrapesos, que o País transitou à sua moda para a civilização, superando as forças centrífugas que ameaçavam a sua unidade e evitando o risco maior, na avaliação de suas elites, do caudilhismo que imperava no mundo hispano-americano.

As nações, tal como os indivíduos, anotava Tocqueville nas primeiras páginas de A Democracia na América, carregam consigo as marcas de suas origens, e foram elas que ressurgiram dominantes no regime republicano, em particular na recriação do regime pela chamada Revolução de 1930, portadora do projeto de modernização do País pela indústria e pela criação de uma moderna força de trabalho. Nessa hora decisiva de mudanças sociais e econômicas, ao Estado caberia o papel estratégico de instituir as bases materiais e ideais para essa grande transformação, adotando a fórmula corporativa nas relações entre as classes sociais sob a sua tutela, ao tempo em que se instituía, como no texto da Carta de 1937, em intérprete privilegiado "do pensamento da Nação". A modernização seria filha do decisionismo político.

Mais uma vez essa modelagem, em seus traços principais, foi bem-sucedida, e seria reiterada em momentos seguintes, particularmente no regime militar, quando se completou a obra da modernização econômica com a incorporação do mundo agrário ao modo de produção especificamente capitalista. Na esteira desses processos, contudo, e a partir das profundas mudanças operadas em nossas estruturas demográficas e societais, emergiram movimentos sociais e partidos políticos que denunciaram a natureza autocrática do sistema historicamente imperante, abrindo espaço para a democratização do País.

Dentre esses novos personagens, destacaram-se o sindicalismo das fábricas metalúrgicas do ABC e o Partido dos Trabalhadores, nascido da iniciativa de suas lideranças, apresentando-se como portadores de uma nova agenda sindical e política. Partiu deles a denúncia do caráter tutelar da legislação trabalhista, que logo evoluiu para uma contundente crítica ao processo pelo qual se realizou a formação histórica brasileira, subscrevendo argumentos de pensadores como Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro, que, por afinidades eletivas, concederiam suporte intelectual à fundação do novo partido.

A trajetória do PT surge, então, alinhada ao tema moderno da autonomia dos seres sociais quanto ao Estado, em clara oposição à cultura heterônoma prevalecente, mas sua ênfase nos movimentos sociais, no basismo e no assembleísmo seria responsável, nos seus primeiros tempos, por uma recusa acrítica da política, assim como sua interpretação sinistra da História do País não lhe permitiria a valorização dos seus aspectos positivos.

O caminho eleitoral foi o da sua preferência, opção que conduziu à busca de alianças políticas, às quais aderiu com maior desenvoltura quando a conquista do governo se tornou uma possibilidade tangível. Nesse movimento, a expressividade do moderno, que era sua marca identitária, aos poucos se diluiu, em especial quando se tornou governo, levando-o a absolver acriticamente a História do País, antes objeto de sua feroz condenação. O passado não seria mais uma página virada, mas uma experiência a ser retomada, e, nessa toada, Lula e seu sindicalismo se reencontraram com a era Vargas, virando as costas para o moderno e tudo de novo que emergia da vida social.

Retomam-se a ideologia do nacional-desenvolvimentismo e políticas de grandeza nacional e, no pior estilo da modernização autoritária, o moderno se alia ao atraso oligárquico não para induzir sua transformação, mas para se fundir com ele. A estatalização dos movimentos sociais desertificou a sociedade civil, deixando-lhe apenas as redes sociais, por onde a juventude e seus valores por autonomia respiram.

O itinerário das jornadas de junho, das ruas aos sítios do Congresso e do Palácio do Planalto, significa um estado de rebelião contra esse retorno. Agora que o gênio saiu da garrafa, ninguém sabe o que ele pode aprontar, e não é verdade que tenhamos à mão um Aladim capaz de negociar com ele.

(*) Luiz Werneck Vianna, professor-pesquisador da PUC-Rio

terça-feira, 30 de julho de 2013

Chineses recriam 'dente' a partir da urina humana


                                                       
                                                    Dente humano | Foto: BBC

Dente recriado na China é rudimentar e menos rígido que o dente humano natural

Cientistas chineses criaram dentes rudimentares a partir de algo que poderia ser considerado improvável: a urina humana.

O resultado do estudo, apresentado pela publicação científica Cell Regeneration Journal, mostrou que a urina pode ser utilizada como fonte de células-tronco que seriam capazes de se transformar em pequenas estruturas parecidas com os dentes humanos.

O time de cientistas da China espera que a técnica possa ser desenvolvida para possibilitar a reposição de dentes perdidos.
No entanto, outros pesquisadores de células-tronco ponderam que para atingir esse objetivo muitos obstáculos ainda precisam ser vencidos.

Times de pesquisadores em todo o mundo estão estudando maneiras criar novos dentes para repor aqueles perdidos pela idade ou por má higiene bucal.

Urina

As células-tronco, que são as células capazes de se transformar em qualquer outro tipo de tecido, são assunto popular de pesquisas.

Os pesquisadores do Guangzhou Institutes of Biomedicine and Health, na China, utilizaram a urina como ponto de partida para seus experimentos.

Células que normalmente são expelidas pelo corpo, através do sistema urinário, foram alteradas em para que se tornassem células-tronco.

Uma mistura dessas células com outros materiais orgânicos retirados de ratos foi então implantada nos próprios roedores.

"Esta (a urina) é provavelmente uma das piores fontes, pois existem muito poucas células desde o início (do processo) e a eficiência de transformá-las em células-tronco é muito baixa"
Chris Mason, professor da University College of London
Os cientistas chineses afirmaram que depois de três semanas o grupo de células começou a se parecer com um dente: "a estrutura parecida com o dente continha polpa dental, dentina, espaço de esmalte (área vazia do dente que possivelmente poderia ser ocupada pelo esmalte) e órgão de esmalte (estrutura que precede o surgimento do esmalte no dente)".
Entretanto, o dente criado pelos chineses não era tão rígido quanto um dente natural.
Mas ainda que o resultado do estudo chinês não venha a ser utilizado pelos dentistas como uma opção viável, seus pesquisadores defendem que pode nortear pesquisas mais aprofundadas para se chegar ao "sonho final de total regeneração do dente humano para terapia clínica".
Fonte inadequada
Para o professor Chris Mason, da University College of London (UCL), a urina utilizada pelos chineses foi um ponto de partida inadequado.
"Esta (a urina) é provavelmente uma das piores fontes, pois existem muito poucas células desde o início (do processo) e a eficiência de transformá-las em células-tronco é muito baixa", rebate Mason.

"Você simplesmente não faria (a pesquisa) dessa forma", reforça o pesquisador da UCL.

O cientista também alertou sobre os riscos de contaminação, como aquela causada por bactérias, que seriam bem maiores se comparados ao uso de outros tipos de células.

"O grande desafio aqui é que o dente tenha polpa com nervos e vasos sanguíneos que temos que ter certeza que se integrariam para se transformarem num dente permanente". (Com a BBC)

Passeata dos bancários leva Campanha Nacional para as ruas de São Paulo

 Mobilização não é só por salário, mas também por condições de trabalho 
                                        


"Tenho colegas que entram para trabalhar as 8h da manhã e só conseguem sair às 9h da noite todos os dias. Tem muitas pessoas saindo do banco sendo demitidas ou pedindo demissão por não aguentarem mais. E, para piorar, não entra ninguém no lugar. Temos de trabalhar por três e até quatro pessoas." O relato é de um bancário que acompanhava atentamente os discursos do ato na Praça do Patriarca que lançou a Campanha Nacional 2013, nesta terça-feira 30, no centro de São Paulo.

O funcionário figura entre os cerca de 9 mil trabalhadores que responderam à consulta do Sindicato para saber as prioridades deste ano e está inserido no percentual de 17,9% que responderam que usam medicamento controlado e nos 13,8% que precisaram se afastar do trabalho por motivo de doença. 

"Fiquei afastado por alguns meses pelo INSS por conta de problemas psicológicos que contraí devido à rotina pesada de trabalho. E hoje ainda tenho de ingerir medicamento controlado, pois não consigo me recuperar totalmente", desabafa o trabalhador.

Campanha na rua 

É para mudar a realidade desse e de inúmeros trabalhadores da categoria em todo o país que o Sindicato levou às ruas do Centro o mote da Campanha 2013: #Vem pra luta vem!

A pauta de reivindicações foi entregue pelo Comando Nacional dos Bancários à federação dos bancos (Fenaban) também nessa terça e, segundo a presidente do Sindicato, Juvandia Moreira, as questões relativas à saúde e condições de trabalho são tão importantes quanto as reivindicações econômicas. 

"Hoje os bancários de todos os bancos sofrem com a cobrança de metas. O sufoco é tão grande que há casos de bancários que sofrem enfarte devido à pressão diária que têm de enfrentar. Nessa campanha vamos insistir que os bancos mudem essa lógica já na negociação que teremos no dia 8, para discutir saúde e condições de trabalho. Os bancários exigem menos metas para terem mais saúde", disse. 

Nas ruas 

Em caminhada iniciada em frente à sede da entidade, os bancários da base do Sindicato - São Paulo, Osasco e região - ao lado de representantes dos trabalhadores de vários municípios do estado e de sindicatos filiados à Fetec-CUT/SP (federação dos bancários do estado de São Paulo, filiada à CUT) percorreram as ruas 15 de Novembro, Alvares Penteado e Quitanda. 

No trajeto, acompanhados pelo ritmo do samba, personagens com pernas de pau e performance de malabares, os dirigentes sindicais paravam para mandar o recado à população e aos trabalhadores da categoria, enquanto era distribuído informativo contendo as principais reivindicações da categoria em agências do Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander, entre outros.

A secretária-geral do Sindicato, Raquel Kacelnikas, lembrou de outra importante pauta da categoria e alertou sobre os riscos ao emprego caso o Projeto de Lei 4330 seja aprovado. "Esse PL praticamente pulveriza a Consolidação das Leis do Trabalho e abre as portas para a terceirização fraudulenta. Temos de resistir a esse ataque a nossos direitos."

A manifestação também contou com representantes da Apcef-SP, Contraf-CUT, Afubesp e do ex-presidente do Sindicato e deputado estadual (PT), Luiz Cláudio Marcolino.

Nesta quarta 31, a campanha será lançada em Osasco e em várias regiões da capital. E no dia 2, na região da Paulista. (Com a Contraf)

Jornalistas vencem ações milionárias contra veículos de Fortaleza-CE

                                                             

Jornalistas do Ceará (Foto: Reprodução Sindjorce

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) venceu processos judiciais movidos contra oito veículos de comunicação de Fortaleza, que violaram direitos trabalhistas nos últimos dez anos.

As oito empresas de comunicação foram condenadas a ressarcir 221 jornalistas em valores que somam mais de R$ 8 milhões. Entre os beneficiados alguns trabalharam e outros ainda atuam no jornal O Povo, rádio O Povo, Rádio Verdes Mares, Rede TV, TV Cidade, TV Diário, TV Jangadeiro e TV Verdes Mares.

As empresas de rádio e de televisão foram condenadas a pagar as diferenças salariais devidas a jornalistas em relação à remuneração de radialistas no período de 2003 a 2007. O jornal O Povo foi condenado a ressarcir profissionais por horas extras trabalhadas entre 2004 e 2005, e multado por descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho de 2006/2007. A única ação que ainda aguarda julgamento de recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST) é contra a TV Jangadeiro, que questiona a decisão da 12ª Vara do Trabalho, confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), favorável aos trabalhadores.

Nos demais processos, os jornalistas apenas aguardam a conclusão da elaboração dos cálculos dos valores a serem recebidos. O TST já se pronunciou e em alguns casos as empresas não recorreram das decisões em primeira instância.

De acordo com o assessor jurídico do Sindjorce, Carlos Chagas, não há mais dúvida sobre a existência do direito.

— O que ainda pode ser discutido são os valores e o prazo de execução das sentenças propriamente dita. No debate sobre os cálculos, ainda é cabível recurso aos tribunais sobre os valores, por ambas as partes, o que pode resultar em certa demora no processo.

Os cálculos estão sendo feitos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Nas duas ações que atingem a TV Verdes Mares, a Rádio Verdes Mares e a TV Diário, o Sistema Verdes Mares de Comunicação terá de pagar R$ 8.139.308,80 a um grupo de 58 jornalistas. Em um dos processos, o montante é de R$ 7.442.360,76 para 46 profissionais, sendo o menor valor de R$ 49.685,54 e o maior de R$ 350.525,08.

Em outra ação a decisão beneficia mais 12 jornalistas da TV Verdes Mares, que deverá destinar R$ 697.048,04, numa variação de R$ 18.709,87, o valor mínimo, até R$ 181.179,66, a maior quantia.

— Os valores variam por profissional, em função das particularidades de cada um, se recebe apenas o piso, se tem cargo de chefia etc., afirmou o economista do Dieese, Ediran Teixeira.

O juiz Eliude dos Santos Oliveira, na ação movida contra a TV Cidade, condenou a empresa a pagar os valores correspondentes aos pisos salariais assegurados nas sentenças normativas de 2003, 2004, 2005 e 2006; aos reajustes dos salários bases não enquadrados nos pisos salariais e de todas as parcelas integrantes das remunerações, também de acordo com os índices assegurados nas sentenças normativas; às diferenças salariais decorrentes dos pisos e reajustes, com os devidos reflexos nas demais parcelas a título de férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, aviso prévio e FGTS com a multa de 40% e demais parcelas integrantes da remuneração; às multas na base de 10% do salário-base, por descumprimento das cláusulas normativas do piso salarial; à multa de 10%  por descumprimento das cláusulas do reajuste salarial, cumulativamente, mês a mês, referente aos anos de 2003 a 2006; e à verba honorária de 15% incidente sobre o montante da condenação.

Dos 221 jornalistas beneficiários, muitos fazem parte de mais de uma ação judicial. Há 86 jornalistas contemplados por mais de uma decisão porque trabalharam, no período de 2003 a 2007, em mais de um veículo.

*Com informações do Sindjorce.(Com a ABI)

Seis questões sobre a urgência da democratização da comunicação

                                                                 

 Dênis de Moraes (*)


Retomo e amplio aqui seis pontos da entrevista que dei à jornalista Najla Passos, publicada pela revista MídiacomDemocracia, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), em janeiro de 2013. As questões se tornam ainda mais oportunas neste momento em que se intensificam duas importantes campanhas de entidades da sociedade civil que lutam por um sistema de comunicação democrático no Brasil: “Para expressar a liberdade”, que defende uma nova e abrangente lei geral de comunicações; e o Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações, cuja finalidade é regulamentar os artigos da Constituição de 1988 que impedem monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação de massa e estabelecem princípios para a radiodifusão sob concessão pública (rádio e televisão). 

1. Por que a luta pela democratização da comunicação é uma necessidade urgente da sociedade brasileira?

A democratização do sistema de comunicação é uma exigência incontornável e inadiável diante da absurda concentração monopólica da mídia em mãos de poucos grupos privados e dinastias familiares. A legislação de radiodifusão brasileira continua sendo uma das mais anacrônicas da América Latina. Até hoje, não foram regulamentados os artigos 220 e 221 da Constituição promulgada em 5 de outubro de 1988, que, respectivamente, impedem monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação de massa (art. 220, § 5º) e asseguram preferência, na produção e programação das emissoras de rádio e televisão, a “finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”, além da “promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação” (art. 221, I e II). 

No caso da radiodifusão sob concessão pública, torna-se essencial uma regulação capaz de estabelecer os requisitos de interesse social para que as empresas concessionárias de rádio e televisão cumpram adequadamente suas atribuições de informar, esclarecer e entreter. São urgentes mecanismos legais para coibir a concentração e a oligopolização, além de assegurar lisura e transparência nos mecanismos de concessão de outorgas de canais. 

2. Qual tem sido a ação do Estado brasileiro no setor estratégico de comunicação?

O imobilismo dos sucessivos governos chega a ser alarmante. As políticas públicas de comunicação, quando existem, são absolutamente tímidas, limitadas, fragmentadas e desencontradas. Não há uma visão estratégica, por parte do poder público, sobre o estratégico campo da comunicação de massa. Isso é grave porque as políticas públicas são indispensáveis para a afirmação do pluralismo, como também para definir o que deve ser público e o que pode ser privado, resguardando o interesse coletivo frente às ambições particulares.

3. Quais as consequências deste imobilismo por parte do poder público?

As consequências são graves. A concentração da mídia não para de acentuar-se. É aguda a concentração na televisão aberta. De acordo com levantamento do projeto Os Donos da Mídia, seis redes privadas (Globo, SBT, Record, Band, Rede TV e CNT) dominam o mercado de televisão no Brasil. Essas redes privadas controlam, em conjunto, 138 dos 668 veículos existentes (TVs, rádios e jornais) e 92% da audiência televisiva.

A Globo, além de metade da audiência, segue com ampla supremacia na captação de verbas publicitárias e patrocínios. De maneira geral, tem-se a percepção de que os governos se omitem em relação a esse grave problema por receio de contrariar os megagrupos que controlam o setor. Se esse receio não existe, por que nada se faz? 

Persiste o coronelismo eletrônico (concessões diretas ou indiretas de licenças de rádio e televisão a parlamentares e políticos profissionais). Até quando vamos testemunhar o fechamento de rádios comunitárias, com a apreensão, autorizada pela Anatel ou por mandados judiciais, de equipamentos pela Polícia Federal e o indiciamento dos responsáveis com base em dispositivos dos arcaicos Código Brasileiro de Telecomunicações (1962) e Lei Geral de Telecomunicações (1997)?

4. Na América Latina, o quadro parece bem diferente do brasileiro, pois governos progressistas têm tomado medidas importantes para atacar os monopólios e democratizar a comunicação em seus países. Quais as mais relevantes?

A defesa do direito social e humano à comunicação constitui um relevante avanço de perspectiva em países latino-americanos com governos progressistas. A participação protagônica do Estado nas questões comunicacionais é ponto consensual. Durante 30 anos, o neoliberalismo tentou nos convencer de que o mercado seria capaz de distribuir informações e conhecimentos de maneira equânime. Um engodo, já que o mercado é elitista e está estratificado, o que marginaliza os setores populares de maneira dramática. Então, numa região marcada por desequilíbrios e profundas desigualdades, o Estado precisa intervir para garantir a diversidade cultural, a soberania nacional e o acesso e o usufruto social das tecnologias.

Desde a última década, a comunicação ingressou nas agendas públicas como um dos temas prioritários. Da atitude de comprometimento assumida por presidentes progressistas, como Cristina Kirchner, Rafael Correa, o saudoso Hugo Chávez e Evo Morales, resultaram legislações antimonopólicas, como, por exemplo, a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual (a chamada Ley de Medios), a Lei Orgânica de Comunicação do Equador, a Lei de Radiodifusão Comunitária do Uruguai e a Lei de Comunicação Popular da Venezuela. 

São leis avançadas e inclusivas, que renovam marcos regulatórios para a outorga de canais de rádio e televisão, apoiam meios alternativos e comunitários, fomentam o audiovisual independente e a integração cultural em bases cooperativas. Em suma, invertem, beneficamente, as prioridades em favor da liberdade de expressão e da cidadania, desfazendo privilégios e discriminações acumulados ao longo de décadas pelo capital privado.

5. O descompasso entre o Brasil e países vizinhos fica mais evidente...

O descompasso é gritante. Basta olharmos para os países vizinhos e verificarmos como o nosso país ficou para trás em termos de providências governamentais em prol da diversidade informativa e cultural. Os governos daqueles países não retrocedem, mesmo diante das sórdidas campanhas opositoras movidas por grupos monopólicos de mídia e elites reacionárias cujas vantagens e conveniências estão sendo afetadas pelas medidas democratizadoras. No Brasil, a menos de um ano e meio do término do mandato de Dilma Rousseff, vai se reduzindo muito a expectativa de que a presidenta rompa com a inércia de seus antecessores e demonstre vontade política para promover mudanças significativas no atual sistema de comunicação, a partir de consultas e discussões com os setores da sociedade civil envolvidos. Se isso acontecer, a era Lula completará 16 anos de convivência com a concentração monopólica da mídia e suas sérias consequências.

6. Qual o papel dos movimentos que lutam pela democratização da comunicação, neste cenário?


Não é por falta de diagnósticos e proposições consequentes que não se renova o sistema de mídia do Brasil. A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro de 2009 com a expressiva participação de delegados escolhidos por entidades da sociedade civil, pelo empresariado e pelo próprio governo, foi um marco histórico em termos de esclarecimento e discussão pública das questões comunicacionais, tendo sido precedida por uma série de conferências estaduais e municipais. A Confecom definiu os temas prioritários que devem ser enfrentados pelo poder público para a democratização da comunicação no país. E, no entanto, três anos e meio depois, a imensa maioria das 633 proposições da Conferência não foi implementada.

Nos últimos meses, vem crescendo a mobilização de entidades da sociedade civil em torno de duas iniciativas convergentes na luta pela democratização da comunicação no Brasil: a campanha “Para expressar a liberdade” (http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/) e o Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações (http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/index.php/2013-04-30-15-58-11). São propostas fundamentais que têm como pressuposto a necessidade de se pôr fim à concentração monopólica da mídia. Visam esclarecer, sensibilizar e mobilizar a sociedade civil para a importância de construirmos um sistema de comunicação descentralizado e plural, com equilíbrio entre os três setores envolvidos: o estatal/público, o privado lucrativo e o social/comunitário não lucrativo. Essas iniciativas merecem o mais amplo respaldo popular.
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 Desenvolvo questões abordadas neste artigo nos meus livros Mídia, poder e contrapoder: da concentração monopólica à democratização da informação,em parceria com Ignacio Ramonet e Pascual Serrano (São Paulo, Boitempo/Faperj, 2013), e Vozes abertas da América Latina: Estado, políticas públicas e democratização da comunicação (Rio de Janeiro, Mauad/Faperj, 2011).

(*) Dênis de Moraes é doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1993) e pós-doutor pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO, Argentina, 2005). Atualmente, é professor associado do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense, pesquisador do CNPq e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ. Autor de mais de 25 livros publicados no Brasil, na Espanha, na Argentina e em Cuba.  Foi contemplado em 2010 com o Premio Internacional de Ensayo Pensar a Contracorriente pelo Ministerio de Cultura de Cuba e pelo Instituto Cubano del Libro. (Com a Editora Popular/Prestes a Ressurgir)


Trincheira do Flávio Anselmo

                                                           

CRUZEIRO PEGA FLUMINENSE SEM ABEL BRAGA ,DISPENSADO,  E EM CRISE

 Não sei se é bom, ou ruim, enfrentar um time sem técnico. Sendo Abel Braga, minha dúvida aumenta mais ainda. Se ele deixa o clube após dois anos bicampeão carioca e campeão Brasileiro, com um cartel de 217 partidas, 117 vitórias, 44 empates e 59 derrotas  aí é que prefiro guardar minha boca pra comer minha farinha.

Direis: sem Abel à margem do gramado, orientando com aquela sua garra costumeira, o Tricolor perde mais ainda seu norte, que já não acha há cinco partidas com derrotas.

Sei não! É costume no futebol os "entendidos" de plantão garantirem que na troca de treinador uma equipe se fortalece de imediato. Não foi o que se viu no São Paulo, por exemplo.

Numa rápida regressão, veremos que o São Paulo trocou Ney Franco por Paulo Autuori e não melhorou nada.

É, podereis afirmar: o Vasco trocou Paulo Autuori por Dorival Júnior e venceu duas seguidas.

 Coincidência! Não será pela queda de Abel Braga que o Fluminense se transformará - de um dia pra outro - num bicho medonho, capaz de meter medo no Cruzeiro nesta quarta-feira no Rio.

RAPOSA E SEU PROBLEMA

Aquela entrada covarde e desnecessária de Richarlyson no menino Mike causou o  maior dano que o Cruzeiro poderá ter nesta partida no Rio, na defesa da liderança do Campeonato Brasileiro. Se não joga Mike, o técnico Marcelo Pacote terá a alegria de manter o time que terminou o clássico goleando o Time Alternativo do campeão da América por 4 a 1. Bem sem fôlego, Ceará será o substituto de Mike. Apenas essa alteração.



TEMPO PRA JÚLIO



O novo reforço dos azuis, o volante Júlio Baptista conversou com Marcelo Pacote e pediu três semanas de prazo pra adaptação do Málaga pro Cruzeiro. É justo. Depois de tantos anos no futebol europeu, Júlio Baptista, que saiu daqui jovem, precisa de tempo pra reaprender as malandragens brasileiras.

A minha dúvida principal é sobre quem sairá pra Júlio jogar?

Tenho outras:  volante ou meia armador mais parrudo que a meninada que joga no momento, Júlio Baptista não tirará a movimentação e a velocidade da equipe? Jogará tão avançado como o preguiçoso do Diego Souza ou voltará pra compor três volantes com Nilton e Souza?

As especulações comem à solta na Toca da Raposa entre os cumprimentos ao presidente Gilvan do Pinho Tavares pela contratação do rapaz de 31 anos.



NEY OU LUXA?



Nas Laranjeiras  falam, também, em Cristovão Borges, atualmente com ótimo trabalho no Bahia. Enquanto esteve desempregado, ninguém pensou em Cristovão. Agora passam a assediá-lo, colocando minhocas na cabeça do moço.

 Porém, os nomes mais fortes são os de Ney Franco e de Vanderlei Luxemburgo. Espero que a cartolagem tricolor não reviva tal defunto!



RICK NA BERLINDA



O pontapé dado no menino Mike pelo raivoso cão de guarda atleticano e que mexeu até com a cabeça de Cuca - obrigou-o  tirá-lo do jogo porque amarelado fatalmente seria expulso -  também mudou o conceito do técnico do Atlético quanto à titularidade da lateral esquerda do time. Grande parte da Massa agradece a decisão do treinador: Júnior César volta à posição e Richarlyson vai esquentar o banco de reserva.

VOLTAM AS FERAS

Inclusive Bernard estará de volta ao time do Atlético como personagem principal de mais um capítulo de sua nove "Vai ou desocupa a moita". A quem diga que na entrevista coletiva de terça-feira o Bambino de Ouro falou em tom de despedida. Mas há quanto tempo não tem sido assim? Pelo andar da carruagem o Urso Bravo só vai mesmo liberar Bernard no fim do ano.

Contra o Atlético "Furacão" nesta quarta-feira, no cemitério do Horto ninguém terá refresco. Cuca já decidiu que Rick perde o lugar pra Júnior César e o resto do time será aquele de sempre. Os dois Atléticos não estão bem na classificação o que torna a partida de vida ou morte. Mais de morte pro Furacão. Afinal, caiu no Horto...

NETO BEROLA


Outro assunto: Neto Berola que deixou o banco de reserva no clássico logo após Cuca fazer a terceira substituição. O atacante não gostou de ser ignorado até pro time B. Cuca ficou de conversar com ele.

Só que o risco de Berola receber cartão vermelho aplicado por Alexandre Kalil, sempre duro nos casos de indisciplinas, é grande.



ESCOLHA ESTRANHA



Não gostei e parece que grande parte da torcida não gostou, também, de ouvir Cuca em sua entrevista coletiva destacar que o planejamento até o final do ano quando o Atlético disputará o Mundial inter Clube, em Marrocos, a Copa do Brasil deverá ser priorizada até o torneio mundial. Pergunto: a Copa do Brasil é mais importante pro Atlético que o Brasileiro?

Segundo Cuca, o Galo já tem lugar garantido ano que vem na Libertadores como campeão da última competição. Muito bem. Qual é o objetivo da Copa do Brasil senão levar o vencedor à Libertadores?

Ao Atlético restou no Brasileiro restou o título que vale tanto, na opinião dos torcedores, quanto a Copa Libertadores, ainda que pro Galo não lhe ofereça este benefício.

Estaria na Libertadores e, quem sabe, de sobra com o título Brasileiro que o clube não ganha desde 1971. A opção pela Copa do Brasil, que me desculpe o Cuca, vale tanto quanto trocar um fusquinha velho por um Mercedes zero.

DEU NO GLOBOESPORTE.COM
         

                         MORTE NO CATAR



O atacante equatoriano Christian “Chucho” Benítez, do El Jaish, do Catar, morreu na madrugada de domingo pra segunda-feira após sofrer parada cardiorrespiratória. A informação foi confirmada pelo clube árabe, que havia contratado o jogador do América, do México, há apenas três semanas.
De acordo com os primeiros relatos, Benítez, um dos grandes nomes da Seleção do Equador, começou a sentir dores na região do abdômen e foi levado a um hospital, com apendicite.Ninguém sabe porque morreu.

Eu, hein! O pessoal tarado pra jogar no Catar tome como exemplo essa triste morte de um rapaz sonhador.



THIAGO SILVA RENOVA



 O zagueiro Thiago Silva deu mais um passo pra se consolidar no PSG. Neste sábado, ele acertou renovação de contrato até 2018, recebendo aproximados 12 milhões de euros por ano.
Convertendo pro câmbio atual, este valor se aproxima dos R$ 3 milhões mensais, totalmente livres de impostos. Com isso, o Barcelona desistiu de vez da contratação do zagueiro brasileiro.



POR FALAR NO BARÇA



Neymar trabalhou no Barcelona pela primeira vez. O atacante se apresentou ao clube, fez alguns exames médicos e conheceu o técnico Gerardo Martino, contratado do Newell’s Old Boys na semana passada.

Martino, apelidado de “Tata”, reuniu todo o grupo no meio do campo 1 e fez um discurso inicial. Nele, o comandante falou sobre a preparação do plantel pra mais uma Liga, que começará oficialmente no dia 18 de agosto, contra o Levante. Neymar ficou o tempo todo encostadinho em Lionel Messi. Não é bobo este santista!

   
       Flávio Anselmo
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Trabalhadores do McDonald's e concorrentes entram em greve nos EUA

                                                                               

Centenas de trabalhadores de redes de fast food de sete cidades dos Estados Unidos entraram em greve na segunda-feira (29) e pretendem manter a paralisação durante toda esta semana. Eles protestam contra o que chamam de “salário de miséria de 7,25 dólares a hora”. Os funcionários trabalham nas lanchonetes McDonald's, Burger King, Wendy's, KFC e Domino's Pizza.

De acordo com reportagem da revista Forbes, muitas das lojas dessas empresas estão fechadas ou funcionam com capacidade reduzida. As cidades estadunidenses em que ocorre a greve são Nova York, Chicago, St. Louis, Detroit, Milwaukee, Kansas City e Flint.

As empresas de fast food estadunidenses costumam pagar aos seus atendentes e cozinheiros no país o salário mínimo de US$ 7,25 por hora (cerca de R$ 16). Segundo os trabalhadores, isso não é suficiente para garantir a sobrevivência familiar. Além do baixo salário, eles também reclamam da ausência de benefícios, das precárias condições de trabalho e da grande pressão em que têm que trabalhar.

Violino avaliado em R$ 4 milhões é encontrado

                                            
 Foto de arquivo do Stradivarius roubado em Euston (PA)

Um violino Stradivarius fabricado há mais de 300 anos, e avaliado em R$ 4,1 milhões, foi recuperado pela polícia do transporte britânico depois de ter sido roubado há dois anos das mãos da violinista Min-Jin Kym.

O roubo ocorreu em uma lanchonete perto da estação de trem de Euston, na área central de Londres. De acordo com a polícia, o instrumento foi encontrado em uma propriedade na região de Midlands, área central da Inglaterra.

A violinista disse que sentiu "uma incrível euforia" ao descobrir que o Stradivarius havia sido localizado.
O nome da cidade onde o instrumento foi recuperado não foi divulgado pela polícia, que ainda está investigando como o violino saiu de Londres e foi parar na região.
O instrumento foi encontrado praticamente intacto, com apenas alguns pequenos danos, segundo a polícia.

A violinista Min-Jin Kym, de 35 anos, afirmou que "continua não acreditando" no que aconteceu. "A cada momento do dia, ou até mesmo quando estava dormindo, a perda do instrumento, o sentimento de responsabilidade, estava lá", afirmou.

"Este era o instrumento que eu tocava desde adolescente, então era uma grande parte da minha identidade por muitos anos", acrescentou a violinista. "Obviamente foi devastador."

Mas, agora, depois da recuperação do instrumento raro, além da euforia, Min-Jin Kym afirma que ainda sente "um frio na barriga".

O roubo ocorrido em 2010 foi tema de um programa de televisão da BBC sobre crimes ocorridos na Grã-Bretanha. A polícia pediu informações ao público e, em 2011, um homem e dois adolescentes foi condenados.

Mas o violino de 1696 não foi encontrado na época, assim como seus dois arcos que também haviam sido roubados - um deles avaliado em 62 mil libras (cerca de R$ 215 mil) e outro em 5 mil libras (R$ 17 mil).

A polícia britânica chegou a pensar que um violino recuperado na Bulgária em março poderia ser o instrumento desaparecido, mas um especialista analisou o instrumento e concluiu que era uma réplica.
"Sempre afirmei que a raridade e características únicas (do violino) tornariam qualquer tentativa de venda extremamente difícil, se não inútil, pois negociadores de artes e antiguidades já estabelecidos reconheceriam facilmente como um artigo roubado", afirmou o investigador Simon Taylor, que liderou as buscas pelo Stradivarius.

Um porta-voz da polícia informou que o violino foi entregue à companhia responsável pelo seguro do Stradivarius, a Lark Insurance Broking Group, e a devolução do instrumento a Kym está sendo negociada.
Antonio Stradivari, o fabricante dos famosos violinos, nasceu em 1644 e morreu na cidade de Cremona, na Itália, em 1737.

Ele fabricou mais de mil violinos, violas e violoncelos e recebia encomendas de famílias reais de toda a Europa. Acredita-se que ainda existam 650 instrumentos fabricados por ele.(Com a BBCBrasil)

Entrevista com João Pedro Stedile

                                                                      

“Se não viabilizarmos uma constituinte, entraremos numa crise política prolongada”

Nilton Viana (Brasil de Fato, Redação)

“A única saída política a curto prazo é lutarmos pela convocação de uma constituinte exclusiva para promover as reformas políticas que abrirão espaço para as necessárias reformas estruturais.”


Em Junho, no auge dos protestos que sacudiram o país, o Brasil de Fato publicou uma entrevista com João Pedro Stedile, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro das articulações dos movimentos sociais brasileiros por mudanças sociais, para fazer um balanço e entender o significado daquele momento.

Agora, passado um mês daquele momento histórico, e após a realização do dia nacional de paralisações, convocado pelas centrais sindicais e pelos movimentos sociais, publicamos nova entrevista com Stedile. O dirigente acredita que está definitivamente enterrada qualquer possibilidade de mudança política através do actual Congresso. E ele é taxativo: “Se não viabilizarmos uma assembleia constituinte, entraremos numa crise política prolongada, cujos desdobramentos ninguém sabe como acontecerão”.

Brasil de Fato – Passado o primeiro mês das grandes mobilizações e da paralisação de 11 de Julho, que balanço você faz?
João Pedro Stedile – O resultado das grandes mobilizações ocorridas em Junho é extremamente positivo. A juventude passou a limpo a política institucional e rompeu com a pasmaceira da política de conciliação de classes, em que se dizia que todos ganhavam. Depois, tivemos a paralisação nacional do dia 11 de Julho – organizada pelas centrais sindicais e pelos sectores organizados da classe trabalhadora – que apesar da manipulação da imprensa burguesa foi realmente um sucesso. A maior parte da classe trabalhadora nos grandes centros do país não foi trabalhar. E seguiu-se em muitas cidades mobilizações representativas ou massivas, por demandas locais, contra a prepotência da polícia, contra os governos locais, como o caso do Rio de Janeiro, Vitória, Porto Alegre, etc. Tudo isso recolocou as massas em movimento actuando na luta política concreta e usando as ruas como espaço de disputa.

E qual o significado disso do ponto de vista programático? 
Do ponto de vista programático, estamos assistindo a uma conjugação de dois polos: de um lado a juventude contestando a forma de fazer política, a falta de representatividade do Congresso, do poder Judiciário e governos. Desnudando a gravidade da crise urbana, na situação dos transportes e a vida nas cidades. E fazendo a crítica à Rede Globo e apoiando a democratização dos meios de comunicação. E de outro lado, com a entrada em cena dos sectores organizados da classe trabalhadora, foi posto na agenda as demandas por reformas estruturais, relacionadas com as necessidades socioeconómicas de todo o povo. Como é a garantia dos direitos sociais, contra a lei de terceirização e precarização das condições de trabalho, pela redução da jornada de trabalho e o factor previdenciário. Também a pauta da soberania nacional contra os leilões de petróleo e a pauta da política económica, contra as altas taxas de juros, por uma reforma tributária, que revise inclusive a política de superavit primário que vem sendo aplicada desde o governo FHC.

Por que a proposta da presidenta Dilma de realizar uma constituinte e um plebiscito não prosperou? 
A presidenta Dilma sentiu o barulho das ruas e num primeiro momento apresentou a proposta de realização de uma constituinte e a convocação de um plebiscito oficial para consultar o povo sobre essas mudanças. Foi uma boa iniciativa, apesar de que o plebiscito proposto estava relacionado a pequenas mudanças eleitorais, que não tinham uma relevância maior de reforma política. Mas, por incrível que pareça, ela foi boicotada e derrotada. Primeiro por sua base parlamentar, que na verdade não é base do governo, é base das empresas que financiaram suas campanhas. Segundo, foi boicotada pelo PMDB e por parte da própria bancada do PT. E assim está definitivamente enterrada qualquer possibilidade de mudança política através do actual Congresso. Ou seja, se comprovou, mais uma vez, que ninguém corta seus próprios privilégios. Pior. Em meio a toda essa mobilização, os principais representantes dos poderes constituídos se comportaram com escárnio frente às demandas das ruas, ao usar os jatinhos da FAB para ir a festas e jogo da selecção. E as maracutaias do presidente do STF com suas mordomias, sua promiscuidade com a Globo, empregando um filho, e a denúncia de que recebeu mais de 500 mil reais sem trabalhar da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Tudo isso deixou a presidenta derrotada politicamente. Acho que seu futuro depende agora de muita coragem. Primeiro deveria fazer uma reforma ministerial para trocar imediatamente vários ministros da área política, Casa Civil, da Justiça e da Comunicação que ainda não escutaram as ruas… E dar uma prova de que quer mudar. Se afastar o mais rápido possível do PMDB e seguir ouvindo as ruas!

Como você vê o comportamento e os objectivos da burguesia brasileira frente a essas mobilizações? 
Os sectores organizados da burguesia brasileira e que a representam nos mais diferentes espaços também ficaram atónitos diante das mobilizações, sem saber o que fazer e tacteando suas tácticas. Vejam a própria postura da Globo como foi se alternando ou as orientações que davam para suas polícias militares. Eles continuam divididos. Uma parte continua apoiando o governo Dilma, embora preferisse que o Lula voltasse para dar mais segurança ao pacto de classes que se estabeleceu em 2002. E outra parte da burguesia, mais ligada ao agronegócio e ao sector rentista do capital financeiro, se articula em torno de um único objectivo: desgastar ao máximo o governo Dilma para colher os frutos nas eleições de 2014. Porém, eles ainda não têm um candidato que consiga representar seus interesses e ao mesmo tempo capitalizar os desejos de mudança das ruas. Até porque eles não são a mudança, eles são o retrocesso, a volta aos programas neoliberais e a maior dependência do Brasil aos interesses estrangeiros. Eles vão continuar tentando motivar a juventude para que coloque temas reaccionários ou utilizar o 7 de Setembro para exaltação da pátria, como faziam no passado. Mas, para nossa sorte, acho que eles também estão mal na foto, como diz o ditado. E a juventude não entrou nessa. E com a entrada da classe trabalhadora em cena, se colocaram temas da luta de classe na rua.

O que deve acontecer nas ruas daqui para frente? 
É muito difícil prever o desdobramento. É certo que as mobilizações vão continuar. Tanto de maneira pontual contra questões locais, como o caso do governador do Rio de Janeiro, os pedágios de Vitória, a luta pela tarifa zero, que só está começando… E os sectores organizados da classe trabalhadora já se programaram para diversas mobilizações durante todo o mês de agosto. Dia 6 de agosto teremos manifestações dos sectores sindicais, na frente de todas as sedes patronais, contra o projecto de terceirização e pela redução da jornada de trabalho. Na semana de 12 de agosto, teremos uma grande mobilização dos jovens estudantes, por temas relacionados com a educação. Dia 30 de agosto está marcada nova paralisação nacional com a mesma pauta política e económica da mobilização do dia 11 de Julho. Tenho certeza que essa paralisação será ainda mais significativa. E na semana de 7 de Setembro teremos mobilizações contra os leilões do petróleo, da energia eléctrica, as mobilizações do grito dos excluídos que envolvem as pastorais das igrejas etc. Assim, teremos um Agosto muito activo. Mas o principal é que consideramos que está se abrindo um novo período histórico de mobilizações de massa, que será prolongado, até que se altere a correlação de forças políticas na institucionalidade.

E qual é a proposta dos movimentos sociais frente a essa situação? 
Frente a essa conjuntura, temos discutido nos movimentos sociais e realizado inúmeras plenárias locais, estaduais e nacionais dos mais diferentes espaços para ir acertando os passos unitários. Achamos que devemos estimular todo tipo de mobilização de massa nas ruas, como já descrevi sobre o mês de agosto. E por outro lado, a única saída política a curto prazo é lutarmos pela convocação de uma constituinte exclusiva para promover as reformas políticas que abrirão espaço para as necessárias reformas estruturais. Como o Congresso não quer constituinte e derrotou o próprio governo, cabe às forças populares se mobilizarem e convocarem por conta própria um plebiscito popular que pergunte ao povo uma única questão: você acha necessário uma assembleia constituinte exclusiva para realizar as reformas? E com esse plebiscito popular, organizado por nós mesmos, colher milhões de votos, por exemplo, entre Setembro e Novembro, e aí fazer uma grande marcha a Brasília e entregar ao parlamento a proposta, para que eles convoquem a eleição dos constituintes junto com a eleição de 2014. E aí teríamos o Congresso temporário, funcionando, e outra assembleia constituinte que teria, por exemplo, seis meses (durante o primeiro semestre de 2015) para promover as reformas que as ruas estão exigindo. No próximo dia 5 de agosto, realizaremos uma plenária nacional de todos os movimentos sociais brasileiros, para debater essa e outras propostas e aí darmos os encaminhamentos necessários. Espero que os dirigentes que por ventura lerem essa entrevista se motivem a participar dessa importante plenária que será realizada em São Paulo.

Mas você acha que essa proposta tem viabilidade política? 
Nesse momento estamos fazendo muitas consultas entre os movimentos sociais, correntes partidárias, forças populares e a aceitação é muito grande. Se conseguirmos organizar um plebiscito popular e ele recolher milhões de votos, isso será a pressão para encontrar uma saída política. Se não viabilizarmos uma assembleia constituinte, entraremos numa crise política prolongada cujos desdobramentos ninguém sabe como acontecerão. Até porque as eleições de 2014 não vão resolver os impasses colocados nas ruas.

23/07/2013 (Com odiario.info)

Pela suspensão imediata das demissões na Rede Minas

                                                               
Os trabalhadores da Rede Minas realizarão às 13h desta terça-feira (30/7), um ato contra o sucateamento da emissora. Cerca de 50 funcionários já foram demitidos e outros 100 estão na iminência de serem dispensados ainda nesta semana.

Desde a aprovação do projeto de lei, em maio, que estabelece uma nova estrutura para o preenchimento das vagas na emissora por meio de concurso público, a Rede Minas sofre um processo de sucateamento e a demissão dos trabalhadores compromete a qualidade da programação.

Aos trabalhadores da Rede Minas toda nossa solidariedade e apoio. Participe do ato que será realizado às 13 horas, na porta da TV, na Av. Nossa Senhora do Carmo, 931, Sion.

Toda solidariedade aos trabalhadores da Rede Minas!

Pela suspensão das demissões na Rede Minas!

PAPA POP & PROVOCADOR

                                              
Estado laico esquecido, religião oficial consagrada

Alberto Dines em 30/07/2013 na edição 757

      
Ninguém lhe roubará o título de figura mais humana, simpática e mais calorosa do mundo. Quintessência da bonomia e da lhanura. Esses galardões o papa Francisco conquistou no seu primeiro périplo internacional, aqui, no Brasil, e o manterá, esperamos, por um longo tempo.

Percebeu a bagunça na organização do evento e generosamente a atribuiu a si, acobertando involuntariamente a irresponsabilidade embutida na incúria e na incompetência dos anfitriões.

Por outro lado, a visita do sumo pontífice, embora riquíssima em matéria de provocações e estímulos de ordem moral e política, não conseguiu nos aproximar da discussão direta sobre um dos problemas centrais do mundo contemporâneo: o poder religioso e a ausência de um contrapoder democrático para contrabalançá-lo. Em outras palavras: a questão do laicismo do Estado continuará fermentando, adiada e explosiva.

Com a sua visível obsessão pela transparência, o papa Francisco tentou lembrá-la no discurso dirigido à sociedade civil, no belíssimo monumento à cultura que é o Theatro Municipal do Rio de Janeiro (sábado, 27/7). Texto surpreendente, em todos os sentidos – enfatiza a “cultura do encontro”, valoriza uma “humanização integral”, prega uma “democracia muito além da lógica da representação”, propõe um “humanismo na economia”, chega a louvar um Estado laico, “sem assumir como própria qualquer posição confessional”, porém só admite nessa igualdade os santificados por alguma crença religiosa.

E nosotros,hermano Jorge Mario Bergoglio?

Nós, agnósticos, descrentes ou não-crentes, nós os que levamos às últimas consequências a condição de pensantes, nós os que duvidamos não somos filhos de Deus? Este observador sempre imaginou que os céticos e até mesmo os ateus seriam os preferidos dos pastores de almas porque têm a coragem para questionar e adiantar-se ao rebanho.

Como democratas intransigentes e integrais, respeitamos a presença daquilo que o papa Francisco denominou “fator religioso na sociedade”, mas como humanistas, herdeiros do Renascimento e do Iluminismo – e não apenas na economia – sonhamos com algo mais abrangente, um laicismo autêntico, legítimo, capaz de valorizar aqueles que não necessitam de intermediários para aproximar-se de Deus, nem se curvam ou cultivam dogmas e tabus.

Estimativas inflacionadas

Foi um discurso rico, estimulante sob o ponto de vista filosófico e algo desafiador sob o ponto de vista político por escancarar a percepção de que o laicismo dos crentes nunca será absoluto, sempre relativizado: segrega os descrentes, não lhes oferece o mesmo espaço-cidadão.

A cobertura do discurso nas edições de domingo (28/7) só agravou a noção de que nosso país adota uma religião oficial. Apenas a Folha de S.Paulo tentou valorizar com um subtítulo o parágrafo sobre laicismo do discurso pontifical. Os demais se contentaram em reproduzir burocraticamente a íntegra. E estamos conversados.

Na segunda-feira (29), nenhum opinionista deu sequência à opinião do papa Francisco, exceto o jornalista Luís Paulo Horta, que dividiu com o também jornalista Frei Betto o recanto de opinião do caderno diário do Globo sobre a Jornada Mundial da Juventude .

A grande verdade é que nossa imprensa não é laicista, nem laica, não se ocupa/preocupa com secularismo ou a isonomia no Estado de Direito. Nunca o fez. Exceto no período 1808-1822, quando, a exemplo de Hipólito da Costa, alguns jornalistas-fundadores assumiam-se como maçons e, mais tarde, nos albores da República, quando os positivistas defendiam a rigorosa separação entre Igreja e Estado.

Hoje, a forte penetração do Opus Dei nos grandes e médios jornais brasileiros, tanto nos comandos intermediários como na cúpula das entidades corporativas, não permite nem permitirá que o debate sobre o laicismo possa prosperar e ser incorporado à agenda para o aperfeiçoamento democrático.

A prova mais recente foi a cobertura da visita do papa Francisco não apenas intensa, extensa e pouquíssimo isenta como também nada pluralista. Aliás, assumidamente devocional e engajada. Quando a mídia não assume os princípios de tolerância e respeito às diferenças, o Estado adota o mesmo comportamento e incorpora os mesmos favorecimentos.

Jornais impressos não são obrigados a ser equilibrados, mas caso pretendam uma imagem de credibilidade deveriam tentar posturas mais naturais, equidistantes. Porém a TV, sobretudo a TV aberta, é uma concessão pública, do Estado, e, como tal, não pode estar atrelada a uma religião, muito menos transmitir cultos religiosos ao vivo em versão integral.

Não foi o que aconteceu com a cobertura da homilia do papa na quinta-feira (25/7), pela GloboNews, transmitida ao vivo de Copacabana com os/as âncoras in loco, tiritando de frio, porém devidamente aquecidos pela fé religiosa.

Também a via-crúcis, encenada na mesma Copacabana, foi transmitida integralmente (sem comerciais) pela Rede Globo, em TV aberta, ao vivo, na noite de sexta-feira. O único jornalista a registrar o pecado foi Nelson de Sá, da Folha (sábado, 27/7). A Rede Globo não ofereceu explicações. E ninguém cobrou. Nem a Folha, embora o jornal tenha sido o único veículo a contestar as estimativas absurdamente inflacionadas divulgadas pelos organizadores no tocante ao número de participantes dos diferentes eventos da Jornada.

Dupla de gigantes

Ao contrário do que aconteceu na Copa das Confederações permeada por críticas e questionamentos, o noticiário geral da JMJ foi energizado pela devoção. Até mesmo as tremendas falhas de organização e logística da prefeitura do Rio foram perdoadas. No balanço final apresentado pelo prefeito Eduardo Paes na segunda-feira (29) ele se autoconferiu a nota dez e ficou por isso mesmo. Assim se constroem factoides e ilusões.

O natural entusiasmo dos jovens peregrinos e a emoção dos cariocas extasiados com a figura benevolente do pontífice foram sutilmente utilizados para maquiar a imperdoável improvisação. A ausência de acidentes ou incidentes nas colossais concentrações humanas nas areias de Copacabana não pode ser tomada como façanha das autoridades. Resultaram da índole de um povo simples, crente, fascinado pelos espetáculos, atraído por uma intensa, demorada e perfeita cruzada motivadora.

Seus autores: a dupla de gigantes da comunicação devidamente irmanados: a igreja católica e a Rede Globo.(Com o Observatório da Imprensa)


segunda-feira, 29 de julho de 2013

O outono de Gabriel García Márquez

                               
Faz um ano li nos jornais um atentado grave para todos que amam a criação e a literatura: o gênio essencial de nome Gabriel García Márquez estava perdendo a memória. De lá para cá, por caridade ou leviano movimento do noticiário, ninguém mais falou. É como se perdêssemos também a memória sobre a memória do genial mestre do romance. Razão por que retomo aqui este breve lapso.

Urariano Mota

Quando se espalhou como peste a notícia, o anúncio da demência veio de Plínio Apuleyo Mendoza, amigo da juventude de García Márquez, sobre quem Plínio publicou o bom livro Cheiro de Goiaba. Assim Plínio Apuleyo Mendoza anunciou a desgraça:

“No dia em que ele completou 85 anos (6 de março), liguei para dar parabéns, mas quem falou comigo foi Mercedes, sua esposa. Ela preferiu assim porque ele não se lembrava de mim…

Mendoza também contou que o filho do Márquez, Rodrigo – que é seu afilhado –, revelou a ele que o pai precisa ver as pessoas "porque senão, pela voz, não sabe quem está falando". Nas últimas vezes em que conversamos pessoalmente, na Cidade do México, ele repetiu várias vezes: "Como anda você? O que tem feito? Quando volta de Paris?" Muitos amigos comuns com quem falei sobre o assunto disseram que com eles aconteceu a mesma coisa. Gabo fez as mesmas perguntas. Existe a suspeita de que ele tenha algumas fórmulas. Se não reconhece alguém, não pergunta ‘quem é você?’. Prefere fazer perguntas genéricas”.

Essa notícia, em um ano carregada de velhice precoce, além do puro registro dos jornais, que anunciam desastres, explosões, esquartejamentos, queima de pessoas e livros entre um anúncio comercial e outro, mereceria um ensaio sobre as pessoas que são tão imensas que esquecemos a sua materialidade. As pessoas são de carne, ainda que tão queridas. Mas como esta coluna é sempre um ensaio de algo melhor que poderia ser escrito, quem sabe, um dia mais adiante, prefiro lembrar que essa morte anunciada, da memória no maior escritor vivo, já se encontrava na biografia Gabriel García Márquez: uma vida, de Gerald Martin, publicada no Brasil em 2010. Dela ontem à noite pude copiar, com a respiração tensa:

“Gabo não podia mais dar respostas claras e acuradas a perguntas diretas e inesperadas, e era capaz de esquecer o que acabara de dizer cinco minutos antes. Eu não era especialista sobre as diferentes formas e progressões da perda da memória, mas minha impressão foi de que sua condição progredia com bastante constância. Era duro ver um homem que havia feito da memória o foco central de toda a sua existência assediado por tal infortúnio. Gabo era “um recordador profissional”, como sempre se chamou…

Com dicas adequadas podia lembrar-se de mais coisas do passado remoto – embora nem sempre os títulos de suas obras – e travar uma conversa razoavelmente normal e até bem-humorada. Mas sua memória imediata estava fragilizada, e Gabo se mostrava claramente angustiado com isso e sobre a fase em que parecia ter entrado. Depois que conversamos sobre seu trabalho e seus planos por algum tempo, declarou que não tinha certeza se voltaria a escrever. Então ele disse, quase melancólico: ‘Escrevi bastante, não escrevi? As pessoas não podem ficar frustradas, e não podem esperar mais nada de mim, não é?’

Estávamos sentados em imensas poltronas azuis, numa saleta íntima do hotel, de onde se via o anel rodoviário do sul da Cidade do México. Lá fora estava o século XXI, voando. Oito pistas de tráfego incessante.

Ele me olhou e disse:

– Sabe, algumas vezes fico deprimido.

– Como? Você, Gabo, depois de tudo que realizou? Não acredito. Por quê?

Ele gesticulou para o mundo além da janela – a grande artéria de tráfego intenso, a intensidade silenciosa de todas aquelas pessoas comuns vivendo a vida num mundo que não era mais seu –, depois voltou o olhar para mim e murmurou:

– Porque percebo que tudo isso está chegando ao fim”.

Dizer o quê, escrever o quê sobre a última notícia que veio tarde, desprezada um ano depois, dizer o que agora? Aquele anúncio veio com um atestado semelhante à verdade, porque repórteres copiam os fatos. O que é que podemos fazer diante da sentença, que não admite recurso, desse tribunal da vida? Gabriel García Márquez, em toda nossa juventude, nos deu conforto, humor e um estado de graça para suportar o risco da morte. Lá na pensão, em atividade clandestina, a sua literatura era melhor que cinema, viajar ou beber cerveja.

Então voltemos a seu livro máximo. Em Cem anos de solidão ele escreveu um dia e para sempre: “El mundo era tan reciente, que muchas cosas carecían de nombre, y para mencionarlas había que señalarlas con el dedo”.

Assim foi, assim é. Penso que o escritor na sua memória ao fim, mesmo que esquecido em seu canto um ano depois, aprofunda todos os días a sua volta ao princípio do mundo. (Com Pátria Latina)

DIREITOS HUMANOS


Organização campesina denuncia aumento assassinatos na América Central

                                                             
Representantes da Coordenação Latino-Americana de Organizações do Campo (CLOC) Via Campesina da América Central, juntamente com comunidades guatemaltecas, relatam que cresceu a criminalização contra a luta dos movimentos camponeses e indígenas. Os países onde mais aumentaram os números de assassinatos, prisões, perseguições e intimidações foram Honduras, Panamá e Guatemala.

Só em Honduras, nos últimos três anos, foram 115 camponeses e camponesas assassinados e em torno de três mil processados por causa de suas lutas pela terra. Segundo o informe da CLOC, na Guatemala e no Panamá, ampliou-se o número de dirigentes presos, perseguidos e assassinados, bem como o crescimento de despejos violentos e a remilitarização das comunidades.

O elevado número de famílias despejadas de suas terras é resultado das políticas governamentais e da interferência das empresas transnacionais, que investem em monoculturas. Essas iniciativas têm provocado o empobrecimento de milhares de famílias. Portanto, na avaliação da CLOC, é importante denunciar mundialmente o que está acontecendo com os povos da região.

A CLOC Via Campesina da América Central também manifesta sua solidariedade com os povos do Baixo Aguan Valle de Sula e de Río Blanco, em Honduras; com as 12 comunidades de San Juan Sacaepéquez, Santa Cruz Barillas, comunidades do Vale de Polochic, de San José Del Golfo, Santa María Xalapan, San Rafael las Flores, os 48 rincões de Totonicapán, entre outras. Solidariedade também manifestada com os povos do Panamá. Os líderes sociais desses países também receberam manifestações de apoio.

Os representantes do Movimento Campesino Internacional e a CLOC Via Campesina solicitam ainda ao Estado da Guatemala que pare com as políticas de repressão e criminalização contra os defensores da vida e da terra; exigem respeito pela vida humana, com orientação para aprovar políticas públicas voltadas aos direitos humanos; e demandam aos organismos nacionais de internacionais de direitos humanos que vigiem e denunciem as constantes violações que sofrem os povos desses países.

Eles anunciam que serão realizadas manifestações pacíficas nos países da região, e em cada um desses países será formulada uma petição para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, no intuito de solicitar proteção para os dirigentes e comunidades que lutam pelo respeito à vida.(Com a Adital)