quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A TRAGÉDIA DE SANTA MARIA E A LÓGICA DA EMOÇÃO PURA

               
Diorge Konrad (*)

Somos jovens, belos, bêbados e caretas...
Sempre em bandos e às vezes em dois...
Curtindo grandes amores,
(...) olhando as estrelas a espera de carinho e a procura
de um futuro que não chega.

(Bob Marley)

Como sempre, escrevo desde Santa Maria. Desta vez com o peito apertado, com o coração na boca, sem qualquer procura pela razão dialética. Neste momento é a emoção que comanda o teclado, é a voz do sentimento que constrói frases que querem dizer algo. Mas há pouco, muito pouco a dizer.

Ainda em Porto Alegre, durante um final de semana estendido, depois de uma aula sobre Classes e Estado, no 5º Curso Nível II do PCdoB/RS, as 9h30min do fatídico dia 27 de janeiro, na Banca da República, na Cidade Baixa, fico sabendo da tragédia de Santa Maria. Ainda não da sua dimensão.

As tristes notícias começaram a vir aos poucos. Permitam-me as particularidades no meio da comoção, mas elas evidenciam o quanto qualquer um de Santa Maria (cidade que, como muitos, adotei para estudar, onde fiquei para trabalhar, onde conheci minha mulher e meu Partido, onde nasceu minha filha) está vivendo estes dias.

As 15h30min fiquei sabendo com o meu irmão, Diomar Konrad (ex-aluno da História e da Propaganda e Publicidade da UFSM). Foi encontrado o corpo da sua enteada, Bibiana Berleze, entre as vítimas no Centro Desportivo Municipal, para onde levaram todos os corpos. Antes, minha companheira já sabia da morte de seu aluno do Curso de Arquivologia da Universidade Federal, Leandro Nunes da Silva.Ângelo Nicolosso Aita, estudante de Medicina Veterinária, era primo de meu aluno de graduação e do Mestrado em História. 

Suziele Cassol era irmã de uma ex-orientanda minha do extinto Mestrado de Integração Latino-Americana – MILA. O Rafael Ferreira era educador do Práxis – Pré -Vestibular Popular, projeto de educação popular do qual sou coordenador geral, e que envolve ensino, pesquisa e extensão da UFSM. Até o ano passado, no prédio em que moro, passeava Ivan Munchen, estudante da Medicina Veterinária.  Ou seja, dificilmente um de nós não tenha algum ente querido, próximo ou conhecido.

As mensagens que me chegam da cidade, de Porto Alegre, do Brasil e do Exterior, expressam o sentimento do mundo com tantas perdas, de tantos jovens: “Que tristeza o que ocorreu ai em sua cidade!”; “Ainda consternado, envio meus pesares, afeto e solidariedade a todos!”; “Imagino as terríveis horas de angústia que vocês e muitos amigos e colegas de vocês devem estar vivendo diante deste fato pavoroso!”; “Companheirão, que tristeza enorme!”; “Minha solidariedade diante desta brutalidade!”; “meu profundo pesar pela perda de tantos jovens e pelo sofrimento de tantas pessoas. 

Saibam que tenho pensado muito em vocês todos, desejando que, juntos e solidariamente, possam superar esta imensa tristeza”; “ hay que establecer las reponsabilidades del asesinato, y no dejar que los verdaderos culpables desvíen el foco hacia chivos expiatórios!”; “Como toda a comunidade da UFSM e o povo brasileiro estou transtornado!”; “Tragédia para todo o País. 

Devemos reivindicar uma rigorosa apuração sobre as causas que determinaram esta tragédia!”; “Quanta tristeza. Quantos jovens ceifados no momento em que desabrochavam para a vida. Quantas famílias destroçadas!”; “Quando fico refletindo e tentando imaginar a dor dos familiares das vítimas, a minha revolta torna-se maior, principalmente, quando escuto as noticias que dão conta da falta controle e fiscalização e ainda a indiferença à sensibilidade humana deste capitalismo perverso!!!!....os donos e os seguranças preocupados no maldito dinheiro !!! trancando portas...!”. 

Até agora, noite de 28 de janeiro, são tantos os mortos, especialmente dos cursos da Universidade Federal de Santa Maria: 22 da Agronomia; 15 da Medicina Veterinária; 14 da Tecnologia de Alimentos; 5 da Zootecnia; 3 das Ciências Econômicas e mais 3 da Terapia Ocupacional; respectivamente, 2 da Tecnologia em Agronegócios, da Engenharia Florestal , das Ciências da Computação, da Engenharia Civil, do Mestrado em Bioquímica Toxicológica, da Terapia Ocupacional, da Odontologia, da Terapia Ocupacional, da Engenharia de Controle e Automação e da Metereologia; além de alunos da da Arquivologia, Filosofia Bacharelado, do Mestrado em Agronomia, do Mestrado em Educação Ciências da Vida e Saúde, das Letras Português, da Comunicação Social – Relações Públicas, da Comunicação Social – Jornalismo, da Administração Diurno – Cesnors, da Pedagogia Licenciatura Diurno, da Administração, da Licenciatura em Educação Especial, da Enfermagem, da Educação Física, do Desenho Industrial, da Pedagogia Licenciatura Plena, da Matemática Licenciatura, da Farmácia, das Ciências Biológicas – Licenciatura, da Licenciatura em Teatro, das Artes Visuais – Bacharelado e da Nutrição – Cesnors; enfim, de 38 cursos da UFSM. Mais uma centena e pouco estavam entre os graduandos e mestrandos que pereceram nesta data fatídica.

O que aconteceu foi um misto de ganância capitalista, irresponsabilidade de alguns e tragédia anunciada. Eis o que aconteceu com estes jovens, a maioria da UFSM e do primeiro ano de seus cursos.

Santa Maria é uma cidade de muitos universitários e de cidades variadas do Rio grande do Sul e do Brasil, alguns deles estrangeiros. Estas festas, tradicionais na cidade continuam acontecendo para arrecadar fundos para pagar o "mercado de formaturas" que enriquece algumas empresas à custa do sacrifício financeiro de diversos alunos e famílias. Muitos, sem recursos, fazem o máximo para arrecadar fundos para a formatura e saldar a empresa que filma e fotografa, além do aluguel dos clubes de Santa Maria, os quais cobram muito pela locação, seja para a solenidade, seja para as festas das famílias.

Esta semana que passou, no trevo de acesso da UFSM, eu e minha companheira e camarada, também professora da UFSM, vimos vários estudantes divulgando o sugestivo e trágico nome do evento: 'AGROmeração', o qual reunia acadêmicos das áreas das ciências rurais que tradicionalmente fazer este tipo de atividades. Num lugar de no máximo seiscentas pessoas, fala-se que se aglomeravam cerca de mil e quinhentas.

Depois de tudo o que aconteceu em Santa Maria, mais de duzentos jovens não serão o “futuro” do País!!!!!! Como disse Bob Marley, “a espera de carinho e a procura de um futuro que não chega”.

Alguém tem mais explicações????????



(*) Professor Adjunto do Programa de Pós-Graduação do Curso de História - Licenciatura Plena e Bacharelado e do Departamento de História da UFSM, Doutor em História Social do Trabalho pela UNICAMP

Síria faz denúncia formal na ONU sobre ‘ataque' de Israel


                                      
A síria convocou o comandante da ONU em Golã para fazer um protesto formal~

O governo da Síria apresentou nesta quinta-feira uma reclamação formal à ONU sobre um ataque dentro de suas fronteiras que teria sido realizado por Israel.
Há informações desencontradas sobre qual era realmente o alvo do ataque. As autoridades israelenses não confirmaram nem negaram a ação, enquanto que o Exército sírio disse que jatos israelenses atacaram um centro de pesquisa militar a noroeste de Damasco na quarta-feira, matando duas pessoas e ferindo outras cinco.

Já fontes dos Estados Unidos, da área de segurança do Líbano, diplomatas ocidentais e rebeldes sírios afirmam que o ataque foi contra um comboio de caminhões com armas que se dirigia ao Líbano. O Exército sírio nega isso.
Autoridades sírias e iranianas sugeriram que pode haver uma retaliação.
O bombardeio ocorreu em um dos momentos mais turbulentos da história da Síria, que vive há 22 meses é palco de enfrentamentos entre forças leais ao presidente Bashar al-Assad e rebeldes que querem que ele deixe o poder. Até agora, cerca de 60 mil pessoas já morreram no conflito.
Irã
O Ministério de Relações Exteriores da Síria convocou o comandante da ONU na região das Colinas de Golã para fazer seu protesto formal, dizendo que a ação israelense violou o acordo de 1974 entre as partes, que tecnicamente continuam em guerra desde então.
Observadores da ONU estão presentes em Golã desde 1974 com a tarefa de fornecer uma área de separação e garantir forças e armamentos limitados em ambos os lados.
Um ataque israelense na Síria pode causar um grave incidente diplomático, segundo analistas, já que o Irã disse que iria tratar qualquer ataque israelense à sua aliada Síria como um ataque a seu próprio território.
O chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, condenou o suposto ataque aéreo e o qualificou de “uma ação deliberada baseada nas políticas ocidentais” para minar a estabilidade na Síria.
Os militares sírios disseram que "grupos de terroristas armados" – um termo para identificar grupos rebeldes – já haviam tentando diversas vezes capturar o centro de pesquisas em Jamraya nos últimos meses, mas sem sucesso.
Acredita-se que o local seja o abrigo do Centro Sírios de Pesquisa e Estudos Científicos (conhecido pela sigla em francês CERS), que seria responsável por desenvolver armas químicas e biológicas.
O Exército sírio já havia denunciado um aumento da atividades de aviões israelenses na região no decorrer da última semana.

No entanto, nesta quinta-feira um funcionário do governo americano disse que o ataque não visou o centro de pesquisas, mas um comboio de caminhões estavam carregando mísseis antiaéreos russos SA-17.
Os Estados Unidos fizeram um alerta à Síria para que não transfira armas à milícia xiita Hezbollah, que são aliados da Síria no Líbano, dizendo que ações nesse sentido iriam desestabilizar ainda mais a região.
Israel já havia expressado temores de que mísseis e armas químicas da Síria pudessem cair nas mãos de militantes como os do Hezbollah.
De acordo com Jonathan Marcus, correspondente da BBC para assuntos diplomáticos, a operação israelense pode ser vista como uma alerta para as autoridades sírias e para o Hezbollah.
"Exatamente como o Hezbollah vai reagir é algo que ainda não está claro. O ataque de julho a um ônibus com turistas israelenses na Bulgária sugere que se for ocorrer uma resposta, ela pode ser indireta, com maior probabilidade de ser contra alvos israelenses ou judaicos fora de Israel do que na fronteira com o Líbano", disse Marcus.(Com a BBCBrasil/Site do PCB)

Ministério Público denuncia jornalista por texto ficcional

                           
Desembargador do Tribunal de Justiça, Edson Ulisses, disse que teve a honra ofendida em crônica sobre coronelismo. O texto, entretanto, sequer cita o nome e a função da autoridade


O Ministério Público de Sergipe denunciou criminalmente o jornalista José Cristian Góes, no último dia 23, por causa de um texto ficcional sobre coronelismo. O desembargador do Tribunal de Justiça do Estado, Edson Ulisses, é autor da ação e acusa Góes de ter ofendido a sua honra. Segundo a ação, o jornalista chamou o desembargador de “jagunço” e a sua mulher, irmã do governador Marcelo Déda (PT), de “feia”. A crônica, entretanto, sequer cita o nome e a função do desembargador.

A passagem “chamei um jagunço das leis, não por coincidência marido de minha irmã” é causadora da polêmica . Góes propôs escrever um novo texto esclarecendo que jamais havia feito referência a pessoas concretas ou ao desembargador, mas Edson Ulisses rejeitou a proposta. O desembargador também negou a possibilidade de diálogo e acordo para que o processo não fosse adiante.

Diante do quadro, o MP propôs ao jornalista que aceitasse pagar três salários mínimos ou cumprir três meses de prestação de serviços à comunidade. A transação penal, uma espécie de confissão do crime, foi recusada pelo jornalista. “Em hipótese alguma aceito que cometi crime quando escrevi um texto ficcional que fala de um coronel irreal. Não aceito porque jamais citei, nem direta e nem indiretamente, o senhor Edson Ulisses. A prova é o texto”, disse. Diante disso, o MP denunciou criminalmente Góes.

A audiência foi acompanhada na parte externa por movimentos sociais, sindicais, religiosos e partidários, que reivindicavam o respeito à liberdade de expressão e o direito de comunicação. Outra audiência deve ocorrer no mês de março.

Entidades nacionais e internacionais de direitos humanos estão preparando uma série de manifestações para a data. Elas também escreveram uma nota em defesa do profissional (Leia abaixo).

Liberdade de Expressão: direito fundamental para o exercício da cidadania

Nota de solidariedade ao jornalista Cristian Góes

As entidades sindicais, movimentos sociais, organizações populares e partidos políticos abaixo-assinados vêm a público manifestar solidariedade ao jornalista Cristian Góes, que está sendo, injustamente, alvo de dois processos judiciais (um criminal e um cível) movidos pelo Desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe, Edson Ulisses de Melo.

A motivação do Desembargador Edson Ulisses foi um artigo de caráter ficcional escrito por Cristian Góes, em maio deste ano, em seu blog no Portal Infonet. Mesmo o artigo não fazendo qualquer referência a nomes, datas, lugares ou fatos, o Desembargador entendeu que Cristian Góes, de algum modo, o atacava e, por isso, decidiu processar o jornalista.

Mesmo sem ser citado em qualquer linha do artigo, o Desembargador Edson Ulisses alega injúria, difamação e pede a prisão de até quatro anos do jornalista, abertura de inquérito policial e pagamento de indenização em valores a ser fixado pelo juiz, além do valor de R$ 25 mil para as custas do processo.

O artigo escrito pelo jornalista nada mais é que o exercício criativo de descrever uma situação que poderia ter acontecido em qualquer tempo e em qualquer lugar do mundo, que, em vários aspectos, ainda tem marcas do coronelismo e do autoritarismo político e econômico.

Por isso, para nós, não restam dúvidas que a ação judicial impetrada pelo Desembargador se configura como um ataque à liberdade de expressão, direito fundamental para o exercício da cidadania.

Direito este que é previsto no artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos que, no último dia 10 de dezembro, completou 64 anos.  Diz o artigo XIX: “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de ter opiniões sem sofrer interferência e de procurar, receber e divulgar informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

Direito garantido também na Constituição Federal brasileira, de 1988. Diz o artigo 5º, IX, da nossa Carta Magna: “É livre a expressão da atividade intelectual, artísticas, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Dessa forma, entendemos que a ação judicial contra o jornalista Cristian Góes não fere somente a sua liberdade, mas a de todos aqueles que defendem a verdadeira liberdade de expressão e o direito humano à comunicação. Com ações como esta, o Desembargador Edson Ulisses processa não só o jornalista Cristian Góes, mas nos processa também.

Por isso, por meio desta nota e cotidianamente em nossas ações, continuaremos na luta diária pela garantia do direito à liberdade de expressão para todos e todas, e não somente para alguns.

19 de dezembro de 2012

Entidades que assinam a nota:

ABRAÇO – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária em Sergipe
Associação Desportiva, Cultural e Ambiental do Robalo - ADCAR
ANEL – Assembleia Nacional dos Estudantes Livre
Associação dos Geógrafos do Brasil
Cáritas Diocesana de Propriá
CCLF – Centro de Cultura Luiz Freire
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Sergipe – CTB/SE
Central Sindical e Popular – CSP/CONLUTAS
Central Única dos Trabalhadores em Sergipe – CUT/SE
Coletivo Azedume
Diretório Acadêmico de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe
ENECOS – Executiva Nacional dos/as Estudantes de Comunicação Social
Fórum em Defesa da Grande Aracaju
Grupo de Pesquisa em Marketing da Universidade Federal de Sergipe
Instituto Braços
Instituto de Formação Humana e Educação Popular
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos em Sergipe
Movimento Não Pago
Núcleo Piratininga de Comunicação
PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – Diretório Municipal de Aracaju
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) – Diretório Municipal de Aracaju e Diretório Estadual de Sergipe
Renajorp - Rede Nacional de Jornalistas Populares
Sindicato dos Agentes de Medidas Socioeducativas de Sergipe
Sindicato dos Bancários de Sergipe
SINDICAGESE – Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Cimento, Cal e Gesso do Estado de Sergipe
SINDIFISCO – Sindicato do Fisco do Estado de Sergipe
SINDIJOR – Sindicato dos Jornalistas do Estado de Sergipe
SINDIJUS – Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Sergipe
SINDIPETRO AL/SE – Sindicato Unificado dos Trabalhadores do Ramo do Petróleo, Químico, Petroquímico, Plástico e Fertilizante de Alagoas e Sergipe
SINTESE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe
SINTUFS - Sindicato dos Trabalhadores Técnico Administrativo em Educação da Universidade Federal de Sergipe
STERTS – Sindicato dos Radialistas do Estado de Sergipe
União da Juventude Comunista - UJC
ULEPICC-BR – União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura, Capítulo Brasil.
Pessoas que aderem à nota:

Adriana Sangalli, jornalista (Rio de Janeiro)
Alexandrina Luz Conceição, professora do Núcleo de Pós-Graduação de Geografia da Universidade Federal de Sergipe
Álvaro Brito, jornalista, vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro
Alejandro Zambrana, fotógrafo (Sergipe)
Allan de Carvalho, jornalista (Sergipe)
Arlene Carvalho, enfermeira (Rio de Janeiro)
Bia Barbosa, jornalista (São Paulo)
Caio Teixeira, jornalista (Santa Catarina)
Carlos Pronzato, cineasta e escritor (Salvador)
Carole Ferreira da Cruz, jornalista (Sergipe)
Caroline Rejane Sousa Santos, jornalista, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Sergipe
Cecília Figueiredo, jornalista (São Paulo)
César Bolaño, professor da Universidade Federal de Sergipe
Cláudio Nunes, jornalista (Sergipe)
Clécia Carla Silva Santos, jornalista, mestranda em Comunicação da Universidade Federal de Sergipe
Débora Melo, jornalista (Sergipe)
Demétrio Varjão, economista (Sergipe)
Diego Barboza, jornalista (Sergipe)
Edivânia Freire, jornalista (Sergipe)
Elaine Tavares, jornalista (Santa Catarina)
Elma Santos, radialista (Sergipe)
Ethiene Fonseca, publicitário e jornalista (Sergipe)
Fernanda de Almeida Santos, estudante de audiovisual da Universidade Federal de Sergipe
Flávia Cunha, professora (Sergipe)
Gabriela Melo, jornalista (Sergipe)
George Washington, jornalista, ex-Presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Sergipe
Hamilton Octavio de Souza, professor da PUC-SP e editor da Revista Caros Amigos
Hellington Chianca Couto - Professor (Rio de Janeiro)
Heitor Cesar Oliveira, historiador e membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro
Heitor Pereira Alves Filho, professor substituto de Economia do Petróleo da Universidade Federal de Sergipe
Iracema Corso, jornalista (Sergipe)
Isabela Raposo, radialista (Sergipe)
Isaías Carlos Nascimento Filho, padre (Sergipe)
Ivan Moraes Filho, jornalista e produtor do programa Pé na Rua (Pernambuco)
Ivan Pinheiro (Rio de Janeiro), Secretário Geral do PCB
Izabel Nascimento, professora (Sergipe)
Janete Cahet, jornalista (Sergipe)
Joanne Mota, jornalista (São Paulo)
Joe Igor, Diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado de Sergipe
Jonas Valente, jornalista, Secretário-Geral do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal
José Dias Firmos dos Santos - Servidor Público Federal (Sergipe)
José Leidivaldo Oliveira, estudante de Com. Social/Jornalismo-UFS
Juliana Sada, jornalista (São Paulo)
Júlio César Carignano, jornalista (Cascavel, Paraná)
Keka Werneck, jornalista, Secretária-Geral do Sindicato dos Jornalistas do Mato Grosso
Leonor Costa, jornalista, 1ª tesoureira do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal
Lilian França, professora da Universidade Federal de Sergipe
Lúcia Rodrigues, jornalista (São Paulo)
Luige de Oliveira, sociólogo (Sergipe)
Luis Alberto Barbosa Pinto, historiador, músico e tesoureiro do PSOL Sergipe
Luiz Antonio dos Santos, jornalista (Rio de Janeiro)
Luiz Gustavo de Mesquita Soares, jornalista, membro do grupo Sindicato é Pra Lutar (Santos/SP)
Márcio Rocha, radialista (Sergipe)
Márcio Rogers Melo de Almeida, economista (Sergipe)
Marcos Urupá, jornalista, membro do Intervozes e do LutaFENAJ! (Distrito Federal)
Marina Schneider, jornalista (Rio de Janeiro)
Mário Augusto Jakobskind, Presidente da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da Associação Brasileira de Imprensa
Matheus Ítalo Nascimento, Diretor Executivo e fundador da Agência Prime Propaganda
Matheus Pereira Mattos Felizola - Prof. Dr. Universidade Federal de Sergipe
Natália Alexandre, engenheira eletricista (Bahia)
Paulo Sousa, jornalista, radialista, publicitário
Pedro Carrano, membro da Diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Paraná
Pedro Estevam da Rocha Pomar, jornalista (São Paulo)
Pedro Paulo de Lavor Nunes (Sec. de Formação Política da UJC-Sergipe)
Priscila da Silva Góes, professora de História (Sergipe)
Renato Lima Nogueira, jornalista (Sergipe)
Renato Prata, integrante do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD)
Renato Rovai, editor da Revista Fórum e professor da Faculdade Cásper Libero (São Paulo)
Roberto Morales, integrante da Justiça Global
Rogério Alimandro, membro da Executiva do Partido Socialismo e Liberdade Diretório do Rio de Janeiro (PSOL/RJ)
Romério Venâncio, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Sergipe
Sílvia Sales, jornalista (Pará)
Sônia Aguiar, jornalista e professora da Universidade Federal de Sergipe
Tarcila Olanda, jornalista (Sergipe)
Valério Paiva, jornalista e membro do Diretório Estadual do PSOL (São Paulo)
Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT)
Venício Lima, jornalista e sociólogo (Distrito Federal)
Verlane Aragão, professora da Universidade Federal de Sergipe
Wesley Pereira de Castro, mestrando em Comunicação da Universidade Federal de Sergipe
Iran Barbosa, vereador de Aracaju pelo PT
Para aderir à nota de solidariedade, basta enviar um e-mail para liberdadedeexpressao.sergipe@gmail.com
http://www.brasildefato.com.br/node/11744

Por que a Islândia experimentou uma forte recuperação económica após o colapso financeiro de 2008?



                                                            

Martin Zeis

O presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimmson, foi entrevistado neste fim de semana (26-27/01/2013) no World Economic Forum, em Davos. Perguntaram-lhe porque a Islândia desfrutou uma recuperação tão forte após o seu completo colapso financeiro em 2008, ao passo que o resto do mundo ocidental luta com uma recuperação que não tem pernas para andar. 

Grimsson deu uma resposta famosa ao repórter financeiro da MSM, declarando que a recuperação da Islândia se devia à seguinte razão primária:

"… Fomos suficientemente sábios para não seguir as tradicionais ortodoxias prevalecentes do mundo financeiro ocidental nos últimos 30 anos. Introduzimos controles de divisas, deixámos os bancos falirem, proporcionámos apoio aos pobres e não introduzimos medidas de austeridade como você está a ver aqui na Europa. ..."

Ao ser perguntado se a política da Islândia de deixar os bancos falirem teria funcionado no resto da Europa, Grimsson respondeu:

"... Por que é que os bancos são considerados as igrejas sagradas da economia moderna? Por que é que bancos privados não são como companhias aéreas e de telecomunicação às quais é permitido irem à bancarrota se tiverem sido dirigidas de um modo irresponsável? A teoria de que você tem de salvar bancos é uma teoria em que você permite aos banqueiros desfrutaram em seu próprio proveito o seu êxito e deixa as pessoas comuns arcarem com os seus fracassos através de impostos e austeridade. O povo em democracias esclarecidas não vai aceitar isso no longo prazo. ..."

A entrevista com Grimmson (02:56 m) está disponível em inglês: 
28/Janeiro/2013



Acerca da Islândia, ver também:
A guerra financeira contra a Islândia , Michael Hudson
A recuperação do desastre neoliberal , Michael Hudson
Islândia: a chantagem odiosa , Jean Tosti
As eleições da Islândia , Michael Hudson
Mensagem da Islândia a Portugal , Nick Dearden
A Islândia mostrou o caminho: recusar a austeridade , Salim Lamrani
A Islândia pode recusar a servidão da dívida , Michael Hudson
A crise económica na Islândia: o remédio do FMI não é a solução , Michael Hudson
"O esquema de reembolso é chantagem" , Olafur Eliasson
Capitalismo abutre: O novo desastre bancário da Islândia , Olafur Arnarson, Michael Hudson e Gunnar Tomasson
Islândia, combata esta injustiça , Eva Joly
Os islandeses colhem os benefícios da sua revolta , Omar R. Valdimarsson
Sobre o resultado do referendo do Icesave , Ólafur Ragnar Grímsson
Um mundo em guerra financeira , Michael Hudson
A solução islandesa , Eduardo Lucita
As guerras europeias quanto à dívida que vêm aí , Michael Hudson
A crise financeira na Grécia e na União Europeia , Michael Hudson
Crimes económicos contra a humanidade , Lourdes Beneria e Carmen Sarasua
A escravidão da dívida – Porque ela destruiu Roma e porque nos destruirá se não for travada , Michael Hudson
Que alternativa à não saída do euro? , Octávio Teixeira
Lições do Sul para uma Europa em crise? , Rémy Herrera
Quando banqueiros se tornam ladrões, a economia desmorona , Devinder Sharma
Islândia não tem de reembolsar Reino Unido e Holanda , 29/Jan/2013 

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... 

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .


Funcionários públicos franceses em greve por melhoras salariais


                                          
  
Mais de cinco milhões de trabalhadores do setor público francês estão convocados a uma greve hoje em todo o país para exigir do Governo o aumento de seus salários e o fim das demissões.

Umas 120 manifestações foram programadas ao longo do dia pelas três principais forças sindicais: a Confederação Geral do Trabalho, Solidários e a Federação Sindical Unitária.

Um comunicado conjunto destas organizações informa que os trabalhadores do Estado perderam 10% de seu poder de compra na última década e cerca de 20% deles só recebem uma remuneração equivalente ao salário mínimo.

Desde 2010 todos os salários foram congelados pelo governo do então presidente Nicolás Sarkozy, uma medida que a atual administração mantém vigente.

Os sindicatos também exigem que seja revogado o plano de redução de postos de trabalho da maioria dos ministérios, como prevê o programa de austeridade orçamental implementado para equilibrar as finanças públicas e adequar às exigências dos tratados europeus.

A mobilização acontece uma semana antes de começarem as negociações com o executivo, previstas para 7 de fevereiro, onde serão discutidas as condições de trabalho e o plano de reestruturação de todo o setor.

A ministra da Função Pública, Marylise Lebranchu, assegurou que compreende a difícil situação de muitos servidores públicos, mas recusou qualquer compromisso com aumentar os salários ou parar as demissões.

Aumentar em um porcento a renda de todos os empregados estatais custaria 1,8 bilhões de euros, em um momento no qual o Governo se propõe a reduzir 10 bilhões em despesas.

Segundo Bernadette Groison, secretária geral da Federação Sindical Unitária, todo mundo conhece a complicada situação econômica do país, mas as autoridades deveriam ter a capacidade de tomar uma atitude e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores públicos.

Durante sua campanha eleitoral, o agora presidente François Hollande prometeu criar 13 mil postos anuais em alguns setores prioritários, como educação, segurança e justiça.

No entando, ao chegar ao poder, afirmou que estes novos empregos serão preenchidos por aqueles trabalhadores que saíram do resto dos ministérios, para não alterar o valor total do orçamento.(Com PL)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A morte de Beto foi confessada pelos torturadores com a frase "Seu amigo esteve aqui"


                                                          
Obra foi financiada por Sérgio Campos, ex-companheiro de guerrilha de Beto na VAR-Palmares, possivelmente a última pessoa a estar com ele, antes de seu desaparecimento. 
Recursos vieram da indenização recebida do Estado como reparação pela perseguição política sofrida durante a ditadura de 196

A história do comandante Breno, o amigo de Dilma

Biografia conta a vida do desaparecido Carlos Alberto Soares de Freitas

(O Globo, 21/10/2012)

A verba para a sobrevivência dos que viviam na clandestinidade para combater a ditadura era curta. Por isso, toda vez que a saudade de comer pato com laranja batia em Breno e Estela, eles pulavam o almoço ou o jantar e juntavam diárias para poder se deliciar com a pequena iguaria divida entre os dois.

Breno (ou Beto, como também era chamado) era Carlos Alberto Soares de Freitas, um dos dirigentes da VAR-Palmares desaparecido em 15 de fevereiro de 1971. Estela é ninguém menos que a presidente Dilma Rousseff, amiga e companheira de militância. 

Essa e outras histórias estão em "Seu amigo esteve aqui" (Zahar), livro da jornalista Cristina Chacel, que chegou às livrarias neste fim de semana. O lançamento oficial será em 5 de novembro em Belo Horizonte e no dia 12 no Rio de Janeiro.

Cristina começou a escrever o livro em 2009, a convite de Sérgio Campos - ex-companheiro de Breno na VAR-Palmares e possivelmente o último a estar com ele antes de seu desaparecimento. Campos também foi preso, provavelmente pouco depois de Beto, e levado para o DOI-Codi/RJ. E foi ele quem financiou a obra, lançada agora, com parte da indenização recebida do Estado como reparação pela perseguição política.

- Eu sabia da repressão, da ditadura, mas do Beto nunca tinha ouvido falar. E acho que isso foi bom porque só assim consegui chegar a esse personagem, quando o vi como uma pessoa comum, alguém que podia ser seu primo ou irmão. Precisei desconstruir até com os mais próximos essa imagem de herói - contou Cristina.

A autora também traz à tona uma sucinta, porém inédita, pista sobre seu desaparecimento. De acordo com a obra, o falecido militante da Ação Popular (AP) Vinícius Caldeira Brandt contou ao ex- integrante da Polop e deputado federal do PSDB José Aníbal que chegou a ver Beto numa prisão em São Paulo. Antes disso, a única informação conhecida sobre o guerrilheiro vinha de outra grande amiga dele: Inês Etienne Romeu. A morte de Beto foi confessada, em tom de bravata, a Inês pelos torturadores da Casa de Petrópolis com a frase que titula o livro: "Seu amigo esteve aqui". (Com o Instituto João Goulart)

“Novo Jornal” frauda uso de logomarca da AMI

                                           
A ABI informou à Associação dos Magistrados Brasileiros que a sua logomarca está sendo utilizada sem sua autorização pelo senhor Marco Aurélio Carone, editor em Belo Horizonte do site “Novo Jornal”, que pratica um jornalismo destituído de ética e se especializou em ataques a personalidades do Estado, como o próprio Governador Antônio Anastásia e o Senador Aécio Neves. Se necessário, a ABI ajuizará medidas judiciais contra essa usurpação.(Nota do site da  ABI. Eu entrei no site do "Novo Jornal" e não consegui ver  a irregularidade apontada pela ABI))

Para pagar dívidas...

Termina hoje em Cuba encontro internacional Pelo Equilíbrio do Mundo


                
Depois de três dias de intenso debate, termina hoje na capital cubana o III Encontro Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, com uma intervenção especial do ex-presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva.

Lula chegou a Havana há dois dias convidado para participar do evento, que reúne personalidades como o intelectual brasileiro Frei Betto, o Prêmio Nobel argentino Adolfo Pérez Esquivel, assim como os ex-presidentes de República Dominicana Leonel Fernández e da Guatemala Alvaro Colom.

Um porta-voz do comitê organizador deste evento disse à Prensa Latina que a conferência do ex-presidente brasileiro está prevista para esta manhã.

Durante o encerramento do encontro, também será entregue o Prêmio Internacional José Martí da Unesco ao intelectual brasileiro Frei Betto, em reconhecimento à sua obra fecunda como escritor e seu ativismo social comprometido com a justiça.

Além disso, será realizado um simpósio sobre a crise econômica mundial, e apresentado um painel que analisará o tema da integração na América Latina e Caribe.

As comissões de trabalho concluirão a sessão da manhã com o debate Simón Bolívar, José Martí e o equilíbrio do mundo, onde participarão intelectuais de Cuba, Itália e Argentina.

Antes do encerramento do evento, o historiador da Cidade de Havana, Eusebio Leal, aprensentará uma palestra.

Mais de 800 intelectuais assistiram à Conferência Pelo Equilíbrio do Mundo, encontro que de 28 a 30 de janeiro analisou problemáticas do mundo contemporâneo a partir da perspectiva do pensamento do Herói Nacional de Cuba, José Martí.(Com Cubadebate)


Líder norte-coreano reclama apoio para construir nação próspera


                            
                                       Pronunciamento de Kim Jong-un

1- Trabalho incessante com as massas

2- Manter-se inquebrantável ante quaisquer adversidades

3-Melhorar o nível de vida da população
  
 Pyongyang, 30 jane (Prensa Lat O líder norte-coreano Kim Jong Um pediu o apoio das bases do partido dirigente na atual construção de uma nação socialista próspera e em fazer realidade o sonho de Kim Jong Il de oferecer ao povo riqueza e conforto.

O  dirigente máximo da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) expressou estes critérios em um discurso pronunciado durante a IV Conferência de Secretários de base do Partido do Trabalho da Coreia que tem lugar nesta capital com uns 10 mil participantes, informou hoje a agência oficial Kcna.

Só se as células de base do Partido permanecem fortes, a organização se manterá inquebrantável ante qualquer adversidade e não há nada que temer e nada é impossível, agregou Kim.

O líder da RPDC expressou que a tarefa mais importante da atualidade é preparar aos membros do Partido do Trabalho da Coreia (PTC) como genuínos seguidores das ideias de Kim Il Sung e Kim Jong Il e que seu trabalho com as massas vinculem a esta organização política mais ao povo.

Uma tarefa importante, agregou Kim, é organizar com energia e mobilidade aos integrantes do PTC e outras pessoas na implementação das políticas da organização, em momentos em que avança uma dinâmica geral para construir uma sociedade socialista próspera.

Segundo o jovem líder norte-coreano, a mais relevante tarefa revolucionária do PTC na atualidade é transladar à realidade o "nobre desejo de Kim Jong Il... até os últimos momentos de sua vida, de chegar riqueza e conforto ao povo sob o socialismo".

Disse que para conseguir a viragem para a construção de um gigante econômico e melhorar o nível de vida da população, as organizações do partido a todos os níveis devem exitosamente desempenhar seus papéis e exortou aos secretários de base trabalhar com mais responsabilidade.(Com PL)


MA HOMENAGEM TARDIA PARA O COMPANHEIRO CÍCERO


Escrevo como uma homenagem tardia, mas também como forma de apaziguar o meu espírito que se remoi por não estar nesse momento cercada pelos muitos companheiros e companheiras diante da tristeza e dor pelo assassinato do companheiro Cícero. Nunca vivenciei de forma tão opressiva o distanciamento entre corpo e coração: se meu corpo permanece no rj, meu coração encontra-se em campos, dolorido e solidário à familia de Cicero. Peço então aos que puderem que encaminhem para a família de Cícero esta homenagem como um pedido de desculpas meu...envergonhado pela minha ausência, na esperança de que o desejo de estar presente supere distâncias...

Não cheguei a tempo de me deslocar para Campos, assim escrevo marcada por profunda tristeza de não poder prestar essa homenagem ao Cícero e com o opressivo sentimento de impotência diante da certeza de que um gesto como esse, tão ignóbil, tão torpe como o assassinato de um homem, cuja vida se voltava para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna, mesmos as palavras silenciam por vergonha!

Conheci Cícero na luta por conquistarmos a Usina improdutiva Cambahyba e já se passaram um pouco mais de 1 década em que as muitas famílias de sem terra esperam essa desapropriação, o que demonstra que o tempo é uma estrada com muitos caminhos e o nosso judiciário, no que se refere em garantir justiça para os deserdados da terra, escolhe sempre o caminho mais longo, quando não resolve parar no meio do caminho.

Uma das características mais marcantes de Cícero, pelo menos para mim, era justamente sua voz. Grossa e potente. É que habitualmente falo alto e assim sempre me alegra encontrar irmãos e irmãs que compartilham dessa incontinência vocal. Mas Cícero, com certeza, me ganhava.

Muitas marchas foram embaladas por palavras de ordem entoadas pelo Cícero e nós, caminhantes da terra, sabemos o quão bem faz ter ao lado um companheiro que seja capaz de levantar, mais do que a poeira da terra, os nossos ânimos. E era isso que Cícero fazia com grande maestria. Embalava como ninguém as nossas caminhadas.

Mas é preciso que se diga: o fantástico na potência da voz de Cícero não era um produto de um dom particular do seu timbre, mas sim a certeza de que Cícero trazia dentro de si muitas vozes. Cícero era nosso caleidoscópio vocal!

Não falava por si e sim por muitos, milhares. Sua força derivava disso, de uma generosidade que o fazia emprestar sua voz para todos os que pela opressão da miséria, da injustiça acabam silenciando no desespero, restando-lhes apenas um sopro de vida. Cícero sabia a importância do falar, do gritar na vida dos injustiçados, pois seja narrando nossas histórias, seja gritando palavras de ordem espantamos os inimigos da vida, da esperança, da justiça.

Cícero foi silenciado, mas de forma diversa do que esperam seus assassinos - e não se iludam nós sabemos quem são: os mesmos vermes da história que por séculos mantêm para si enormes extensões de terra cujo único fim está em especular, parasitas cuja única atividade de exploração não é a da terra, mas sim dos homens e mulheres que sobre ela estão -, o silêncio de Cícero será temporário.

As muitas vozes que seu corpo carinhosamente guardava estão agora soltas levadas pelo vento e como sementes pousarão na terra, tão amada por Cícero, e germinarão em muitas outras vozes e um grito se ouvirá saindo da terra, ensurdecedor, fazendo estremecer em qualquer parte do mundo um latifundiário, que pense ser possível ignorar os deserdados da terra, os milhares de sem terra, de quilombolas, de indígenas e tantas identidades, que como diz a canção “põe com carinho a semente pra alimentar a nação”, que ouse se esconder no argumento da legalidade:

CICERO VIVE...ETERNAMENTE!

I.P.

Sem Terra mantém ocupação do Incra em Minas


                                                

Cerca de 350 Sem Terra dos movimentos sociais do campo seguem ocupando o prédio da superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belo Horizonte, Minas Gerais, há oito dias.
O órgão foi ocupado na segunda, dia 21/01 para pressionar o governo federal a destravar a pauta da Reforma Agrária, paralisada há mais de dez anos em Minas Gerais.
Após a ocupação o presidente do Incra, Carlos Guedes, ordenou a suspensão das negociações com os Sem Terra enquanto o órgão permanecer ocupado, mas os movimentos sociais do campo prometem não sair do prédio enquanto o governo federal não cumprir as reivindicações e destravar a pauta da Reforma Agrária.

Enquanto o governo não dá respostas, os movimentos estão massificando a mobilização com a chegada de mais famílias Sem Terra de várias regiões de Minas, que também estão trazendo porcos e galinhas para criar em frente ao órgão.

“Ocupamos o Incra para pressionar e cobrar a presidente Dilma a retomada da Reforma Agrária, com as desapropriações de latifúndios e o desenvolvimento dos assentamentos no estado. Os Sem Terra não aguentam mais tantas promessas do Incra que não são cumpridas. A paciência dos Sem Terra chegou no limite”, denuncia o coordenador do MST em Minas Gerais, Enio Bohnenberger.

Audiências - Os Sem Terra conseguiram para a próxima quarta-feira (30/01), a promessa de uma audiência com o Ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Pepe Vargas e o presidente do Incra, em que será discutido os problemas do Incra em Minas Gerais, que vem travando a pauta da Reforma Agrária.

No dia 04/02, os Sem Terra se reúnem com os deputados federais e estaduais do Partido dos Trabalhadores (PT) de Minas Gerais, para cobrar a retomada da Reforma Agrária no estado. E no dia 06/02, também será realizada uma Audiência Pública, em que será feita a denuncia dos despejos violentos que vem ocorrendo em acampamentos de Sem Terra no estado e as ameaças de 35 novos despejos. As duas atividades serão realizadas na Assembléia Legislativa, em Belo Horizonte.

Os trabalhadores também aguardam uma audiência com o governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, dentro do prazo de dez dias, para discutir a questão dos despejos de Sem Terra no estado.

Jornada de Lutas - A ocupação faz parte da Jornada de Lutas dos movimentos sociais no estado, que exige a desapropriação de latifúndios, a retomada da Reforma Agrária, a suspensão dos 35 mandados de despejos de acampamentos no estado, o fim da violência contra os trabalhadores rurais e a condenação de Adriano Chafik, responsável pelo massacre de Felisburgo.

Participam da ocupação no Incra militantes Sem Terra de vários movimentos sociais do campo, como MST, Movimento de Luta pela Terra (MLT), Movimento Popular dos Sem Terra (MPST), Movimento de Luta pela Terra e Moradia (MLTM), Movimento Popular pela Reforma Agrária (MPRA), Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf-Cut) e o Movimento de Luta Família São José dos Cravos.

Negociações - Durante audiência entre o MST e o Secretário de Defesa Social do Estado de Minas Gerais, Rômulo Ferraz, na última terça-feira (22/01), o secretário se comprometeu com a criação de uma comissão com representantes do governo estadual, PM, Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais e dos movimentos sociais, para discutir, caso a caso, as limares de reintegração de posse das fazendas ocupadas, procurando esgotar todas as formas de negociação antes de realizar os despejos das famílias Sem Terra.

O Comandante da Polícia Militar, Coronel Márcio Santana, que também participou da audiência, admitiu que alguns despejos vem sendo realizados de forma truculenta, ocorrendo inclusive de madrugada, à revelia do comando da PM estadual. Porém, Santana afirmou que o comando estadual da PM irá realizar uma ação coordenada para manter o controle das ordens de reintegração de posse, procurando evitar despejos ilegais e violentos.

Também estiveram presentes representantes do Ministério Público estadual, o superintendente regional do Incra, Carlos Calazans (foto) , e do Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais (ITER). 
Justiça latifundiária - Os Sem Terra denunciam a atuação parcial da Vara Agrária e da Justiça Federal de Minas Gerais, que na maioria dos processos relacionados à ocupação de latifúndios as liminares são favoráveis aos fazendeiros, decretando imediatamente o despejo das famílias acampadas.

“A Vara Agrária e a Justiça Federal de Minas Gerais tem feito um julgamento parcial e político-ideológico das ações dos movimentos sociais, com mandados judiciais a favor dos fazendeiros. Postura que tem contribuído para a paralisação da Reforma Agrária no estado”, denuncia Bohnenberger.

Segundo os trabalhadores, o Poder Judiciário e o sucateamento do Incra pelo governo federal representam o maior entrave da Reforma Agrária do Brasil, e consequentemente o avanço da violência no campo, pois na medida em que a Reforma Agrária não avança, cresce a violência dos latifundiários contra os Sem Terra, com despejos truculentos e assassinatos de trabalhadores rurais.

O Judiciário mineiro emitiu ações de despejo para 35 acampamentos de trabalhadores Sem Terra em Minas. “A caneta que assina as ações é do Judiciário, aliado ao latifúndio, que depois de oito anos não julgou os responsáveis pelo Massacre de Felisburgo. 

O sucateamento e falta de estrutura do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no estado também impedem a desapropriação de terras e o assentamento das famílias”, denuncia Silvio Netto, da Coordenação Estadual do MST. 

Somente o MST de Minas Gerais possui mais de 3.700 famílias Sem Terra, que vivem em 42 acampamentos, de forma precária e provisória a mercê da violência do latifúndio e abandono do governo federal, à espera da Reforma Agrária. Alguns acampamentos se arrastam por mais de 15 anos.(Com o MST)


Narradores do Açu



"SE TIVER QUE MORRER, VAMOS MORRER JUNTOS!"

Depoimentos de pequenos agricultores que estão sendo expulsos de suas terras, em São João da Barra (RJ), para a instalação de um mega empreendimento de Eike Batista. O governo do Rio de Janeiro está desapropriando na marra pequenas propriedades pela ridícula quantia de R$1,90 o metro quadrado e cedendo gratuitamente toda a região para Eike Batista, com a cumplicidade do governo federal.

O empresário agora tenta alugar para a Petrobras as terras desapropriadas. Nesta sexta-feira, Eike levou Lula para sobrevoar em seu helicóptero o Porto de Açu, no contexto do lobby para viabilizar a negociata.


Construção do edifício-sede do Sindicato dos Jornalistas: assembleia em 05 de março

                                                                                                                                Alexandre Carvalho

                                                          
Durante primeira seção da assembleia-geral extraordinária (AGE) para deliberar sobre a construção do edifício-sede, na sexta-feira (18), os associados aprovaram a realização de outras seções da AGE até que a categoria esteja totalmente esclarecida sobre o assunto. Nova assembleia foi marcada Para o dia 5 de março, às 19h30, na sede do Sindicato. A presidente do SJPMG, Eneida da Costa, propôs como ponto de pauta do novo encontro a leitura de uma minuta da carta-convite do contrato de permuta para a construção do prédio. Outras pautas poderão ser sugeridas pela categoria até a próxima reunião.

De acordo com a presidente, a proposta é abrir uma AGE e fazê-la em várias seções, tornando mais amplo o debate sobre o assunto. “Precisamos abrir os debates sobre a construção da nova sede. O momento econômico é favorável. Não podemos deixar de discutir nessa hora. Pretendemos chegar ao término desse processo atendendo à real vontade dos jornalistas associados ao Sindicato”, disse. Para ela, a diretoria tem como pauta de trabalho construir o edifício-sede, mas quem vai definir sobre isso são os votos dos jornalistas associados.

“Um processo com absoluta transparência, com o Sindicato assessorado por uma equipe técnica altamente profissional em todas as negociações”, disse o ex-presidente do SJPMG, Manoel Guimarães. 

Sobre a votação nas assembleias pela categoria, o assessor do departamento jurídico do Sindicato, Luciano Marcos, informou que esse é um direito do associado em dia com a entidade. “Tivemos todos os cuidados, chamamos a assembleia por edital, por exigência da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 

É preciso lembrar também que o estatuto da Casa reza que qualquer ação que envolva uma situação patrimonial tem que se chamar a assembleia. Todos têm direito de voz, mas o direito de voto é do associado em dia ” disse o advogado

O prédio

Na sua exposição, o arquiteto Gustavo Penna disse que, desde a primeira versão do projeto, há 32 anos, o projeto original perdeu área construída, em função de mudanças na Lei de Parcelamento Uso e Ocupação do Solo de BH, principalmente no quesito coeficiente de aproveitamento do solo urbano. “O primeiro projeto foi feito com 24 andares, no atual são 15 andares. No Centro da cidade hoje, só é permitido a construção de prédios menores.

A proposta nossa é de que o prédio gerasse uma praça embaixo, já que o jornalista quer humanizar a cidade e luta por isso, ele próprio, no seu próprio edifício ele criaria um logradouro, uma praça própria, chamada Praça da Notícia, exemplos de generosidade e desprendimento e está presente no primeiro projeto e nesse, que vamos apresentar hoje, com algumas vantagens. 

O prédio ao invés de ser um bloqueio, tem uma permeabilidade, um passarinho atravessa pelo prédio e isso significa menos obstáculo na cena. Preserva-se a casa ao lado, dentro do contexto, preserva-se o portal de entrada. 

No nível de quem passa pela rua o edifício está em outra visão, não pertence ao universo do transeunte, que atravessa pela Álvares Cabral e sai na Espírito Santo", relatou o arquiteto. De acordo com ele, o edifício não está na rua, não gera loja na rua e não é um obstáculo, é uma praça. " Em vez de fazer um não, faz um convite. Esse é o prédio", concluiu.

Em seguida, o advogado e especialista em direito imobiliário, Kênio Pereira, disse que a casa do jornalista está localizada num ponto nobre da cidade, mas é um imóvel que já está depreciado, porque é muito antigo, é um imóvel que não tem auditório, a parte de informática, de cabeamento, é necessário analisar essa proposta com muito carinho, porque a tendência é melhorar as condições de trabalho no Sindicato.

Na sequência dos trabalhos da noite, da primeira seção da AGE sobre a construção da nova sede, os demais componentes da mesa fizeram suas exposições. Logo em seguida, foi a vez dos associados participarem com suas propostas e questionamentos sobre o assunto. 

A jornalista Helena Barcelos disse que é favorável à construção do prédio. “Primeiro vou deixar claro minha posição: eu sou a favor do prédio, porque no caso da nossa categoria, no caso do Sindicato dos Jornalistas, a discussão já está mais do que amadurecida e hoje o Sindicato tem uma postura muito madura de que é necessário a construção do prédio, até para a sua sobrevivência financeira", observou Helena.(Com o site do SJPMG)

Formada a Comissão da Verdade dos Jornalistas



                                                                    

Instalada na última semana, durante o Seminário Internacional Direitos Humanos e Jornalismo, em Porto Alegre, a Comissão da Memória, Justiça e Verdade dos Jornalistas Brasileiros levantará os casos de violações dos direitos humanos cometidos contra profissionais da área no período da Ditadura Militar. A Comissão, presidida pelo ex-Vice-presidente da ABI e ex-Presidente da Representação da entidade em São Paulo, Audálio Dantas, tem por objetivo editar uma publicação que deve ser entregue à Comissão da Verdade do Governo Federal até agosto.

Audálio coordenará os trabalhos ao lado da militante Rose Nogueira, do jornalista Carlos Alberto Caó, do diretor de Relações Institucionais da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade, e do ex-deputado Nilmário Miranda (PT). Além da pesquisa em documentos oficiais do período 1964 a 1988, o grupo, com apoio de comissões estaduais, vai entrevistar vítimas e consultar publicações da época.

Saiba mais sobre os integrantes da Comissão:

Audálio Dantas
Atuando no Jornalismo desde 1954, trabalhou em grandes veículos de comunicação do país, como a Folha da Manhã, revistas O Cruzeiro, Veja, Realidade, Manchete, entre outros. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo de 1975, ano em que seu amigo, o jornalista Vladimir Herzog foi torturado e morto no DOI-CODI, até 1978, quando foi eleito deputado federal pelo MDB. 

Em 1983, foi o primeiro presidente eleito por voto direto para a Federação Nacional dos Jornalistas. Sua trajetória de defesa das liberdades democráticas marca sua longa trajetória no Jornalismo brasileiro.

Carlos Alberto Oliveira dos Santos (Caó)
Advogado e jornalista, foi preso na década de 1960 devido à sua atuação política. Iniciou no Jornalismo em 1964, no Rio de Janeiro, no jornal Luta Demrática. Atuou em órgãos como o Diário Carioca, Tribuna da Imprensa, O Jornal, Jornal do Commercio,  e Jornal do Brasil. Presidiu o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro de 1981 a 1984. Em 1982 elegeu-se deputado federal pelo PDT e foi Secretário do trabalho e da Habitação do governo de Leonel Brizola.

Reeleito deputado federal, participou do processo constituinte de 1987 a 1988, sendo responsável pela inclusão, na Carta Magna, da definição de que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível e de projeto de lei que regulamentou a Constituição prevendo pena de prisão para os crimes de racismo.

Sérgio Murillo de Andrade
Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina por duas gestões, 1993 a 1999. Na Federação Nacional dos Jornalistas-Fenaj, já foi vice-presidente Sul, Secretário-Geral e presidiu a entidade de 2004 a 2010.

Trabalhou no Diário Catarinense e Gazeta Mercantil, foi correspondente do Diário do Sul e atuou como free-lancer de diversas publicações nacionais. Foi professor de jornalismo e assessor de imprensa no serviço público e empresarial. É diretor de Relações Institucionais da Fenaj.

Nilmário Miranda
Deputado estadual pelo PT mineiro de 1987 a 1990 e deputado federal de 1991 a 2003, assumiu recentemente novo mandato de deputado federal. Preso político por 3 anos na década de 1970, foi o primeiro ministro dos Direitos Humanos do Brasil, durante o governo Lula.

É autor de várias publicações sobre direitos humanos. Dentre elas o livro “Dos filhos deste solo”, lançado em 1999, juntamente com o jornalista Carlos Tibúrcio.

Rose Nogueira
Atuou em veículos como a Folha de São Paulo, TV Cultura e TV Globo. Presa e torturada em 1969, ficou detida no Presídio Tiradentes, em São Paulo, por 9 meses. Presidiu o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana-Condepe-SP de 2006 a 2009. Militante do Grupo Tortura Nunca Mais, representa a entidade na Comissão da Verdade de São Paulo e é diretora do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. É autora do livro Crimes de maio, sobre os assassinatos ocorridos durante as ações do Primeiro Comando da Capital-PCC em 2006.

* Com informações da Fenaj e do Comunique-se.

Sociedade chinesa diz não ao desperdício de alimentos

                                   
Ideal é levar o restante da refeição para casa, deixando os pratos limpos...


Cerca de 50 milhões de toneladas de alimentos na China foram desperdiçados, quantia que poderia alimentar 200 milhões de pessoas no país. Os chineses gostam de se reunir na mesa diante de uma abundante refeição. Mas muitos pratos são depois jogados no lixo. O repórter descobriu num restaurante em Beijing que apesar do slogans colocados na parede que pedem a eliminação do desperdício, as mesas são cheias com pratos que quase não foram tocados.. Poucas pessoas levam as comidas que sobram para casa. O dono do restaurante, Hu, disse ao repórter que nos últimos anos o desperdício é muito comum em seu restaurante, especialmente nas refeições de negócios onde quase a metade da comida é jogada no lixo.  

"O negócio mensal do restaurante é cerca de 200 mil yuans. A refeição de negócios rende de 50 a 80 mil yuans. Normalmente, dois pratos são suficientes para uma refeição de duas pessoas, mas não é raro se pedir até cinco ou seis pratos. É impossível que duas pessoas comam tudo. O desperdício para uma refeição de negócios de 10 pessoas é ainda maior."

Não levar para casa as comidas que sobram após a refeição é uma caraterística dos chineses. Senhor Fu é um trabalhador de uma empresa estatal da China. Ele considera que este fenômeno tem relação com a cultura do país. Eles acham que os chineses fazem isso para não perder a pose na frente de amigos.

"Nos encontros pessoal e familiar, normalmente as pessoas levam as comidas que sobraram, mas não em uma refeição de negócio. Acham que não fica bem. Mas não se deveria desperdiçar tanto alimento por esta razão."

A refeição paga como despesa pública é outra importante causa para um desperdício tão grande. Muitos cidadãos se opõem à refeição luxuosa paga pelo poder público. A senhora Zhang, que trabalha em uma universidade diz:

"Acho que isso não é adequado. O dinheiro dos contribuintes é gasto sem restrição, e de forma inadequada. O dinheiro público não deve ser utilizado para pagar refeições, mas sim para servir ao povo."

Recentemente, a China elaborou uma série de medidas para regulamentar a recepção pública. Ao mesmo tempo, dizer "não" ao desperdício já se passa a fazer parte de grande parte da sociedade chinesa. Por exemplo, alguns internautas iniciaram na Internet a "ação de prato limpo", que apela para se levar as comidas não utilizadas para casa e deixar apenas os pratos vazios no restaurante.(Com a Rádio Internacional da China)

Radares e Pontos para detectar avnços de sinal

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Eleito e empossado o novo presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT)

                                                                           
Conheça o presidente da ABGLT


 Carlos Magno Fonseca tem uma trajetória muito rica e expressiva de lutas, conquistas e realizações dentro dos movimentos sociais brasileiros. Sua dedicação, coragem e inteligência são algumas das qualidades que tornam este militante um exemplo a ser valorizado e seguido.

Nascido em 12 de novembro de 1971, na cidade de Santarém, no oeste do Estado do Pará, filho de Élvio Fonseca, funcionário público, e Eurídice Silva Fonseca, domestica, desde cedo Carlos Magno Fonseca teve na sua formação pessoal uma forte referência politica. Seu pai, Élvio Fonseca, exerceu mandato de vereador e fundou o Fluminense Atlético Clube, um dos principais times de futebol da cidade e da Escola de Base do Fluminense, tendo também contribuído para a concretização de outras obras naquela cidade.

Carlos estudou no Colégio Dom Amando, dirigido por irmãos canadenses da Congregação da Santa Cruz. Naquele colégio tradicional de Santarém e do Estado do Pará, Carlos Magno concluiu o primeiro grau (Ensino Fundamental) e também o primeiro ano do segundo grau (Ensino Médio).

Em 1998,  Carlos Magno Fonseca se mudou para a capital, Belém do Pará, com o objetivo de se preparar para o vestibular. E foi na capital paraense que o jovem Carlos Magno começou sua militância social e politica, participando do Movimento de Juventude da Igreja Católica, na Igreja Jesus Ressuscitado, no bairro da Marambaia. E no mesmo ano, tornou-se membro filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), período em que participou ativamente da campanha eleitoral da Presidência da República, apoiando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989; e também da mobilização conhecida como "Fora, Collor!, em 1992, que resultou na ameaça de "impeachment" e na renúncia do então presidente Fernando Collor de Mello.

Em 1990, aprovado no curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Pará, Carlos Magno Fonseca começou a participar do Movimento Estudantil, atuando como diretor do Centro Acadêmico do referido curso.

Seis anos mais tarde, em 1996, Carlos Magno iniciou o curso de Jornalismo na Universidade Federal do Pará (UFPA), tornando-se um líder estudantil muito conhecido em nível quanto nacional, tendo exercido, por duas gestões, o mandato de presidente do Centro Acadêmico de Comunicação. Magno também foi diretor do glorioso Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Naquele mesmo ano, deixou o PT para filiar-se ao recém-criado Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU). Carlos Magno participou ativamente do efervescente movimento estudantil paraense, atuando ativamente na luta pela implantação da meia–passagem estudantil, também na luta por eleições diretas pra Reitoria, também nas greves contra a privatização das universidades Federais  e pela democratização dos meios de comunicação.

1999: Em Belo Horizonte, MG, o jovem Carlos Magno
participou ativamente do congresso da União 
Nacional dos Estudantes (CONUNE).
No ano 2000, Carlos Magno Fonseca concluiu o curso de Jornalismo e mudou-se para Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, iniciando  a sua militância no Movimento Social LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), e prosseguindo com sua militância no Movimento Estudantil, desta vez na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, onde cursava a Faculdade de Letras.

Em 2002, Carlos Magno fundou o Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS-MG), uma das principias organização LGBT do Estado mineiro e que tornou-se uma das principais organizações LGBT do País,  responsável por inúmeras ações pró-LGBTs.
Carlos Magno no movimento "Fora, Collor!"
Em 2005,  o CELLOS-MG tornou-se o grupo responsável pela organização da Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte (MG), sendo Carlos Magno o  coordenador-geral do maior evento de visibilidade e afirmação dos direitos civis e humanos da comunidade de LGBTs do Estado de Minas Gerais.

No período de 2009 a 2011, Carlos Magno Fonseca coordenou o Centro de Referência pelos Direitos Humanos e Cidadania LGBT da Prefeitura de Belo Horizonte (MG). Além disso, dentro da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), a maior rede de organizações LGBT da América Latina, com status consultivo junto à ONU (Organização das Nações Unidas), Carlos Magno exerceu os cargos de secretário da Regional Sudeste (2007 a 2010); e secretário de Comunicação (2009 a 2013). Em 26 de janeiro de 2013, foi eleito e empossado presidente da ABGLT para o mandato que termina em janeiro de 2016.


Carlos Magno Fonseca é eleito e empossado presidente da ABGLT, em 26 de janeiro de 2013.

Carlos Magno Fonseca é um militante das questões, demandas e causas sociais com uma longa e rica trajetória de lutas e uma marcante e exemplar trajetória de importantes ações que resultaram em inúmeras conquistas de benefícios para a população de LGBT, tornando-se um exemplo de liderança, dentro das militâncias para as gerações do presente e do futuro

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Ativistas da Cúpula dos Povos defendem legislação migratória comum na América Latina

                                            

Legislação regional envolvendo aspectos trabalhistas é outro tema abordado por palestrantes

    
Os países da América Latina e do Caribe devem apostar em uma política migratória comum, mas sem copiarem os modelos europeus sob o risco de estimular a xenofobia. Essa é a opinião de ativistas que participaram da quarta edição da Cúpula dos Povos, em Santiago, no Chile, organizada entre os dias 25 e 27 de janeiro, em paralelo à reunião de cúpula da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

Um dos expositores, o sociólogo francês Fabien Cohen, acha que a América Latina vive um momento decisivo, onde terá que enfrentar o crescimento dos fluxos imigratórios e os conflitos que isso gera, por isso precisa criar medidas para lidar com o problema.

"Se as Américas copiarem as políticas migratórias europeias vão fracassar, e estimular a xenofobia. A esperança é que os governos daqui sejam ousados e pensem em soluções conjuntas, até porque o intenso fluxo migratório daqui é quase todo entre países do continente", analisou Cohen. O acadêmico propôs durante o encontro a formulação de um manifesto em favor de uma legislação migratória conjunta no continente, assinado pelas organizações de trabalhadores presentes na Cúpula dos Povos e dirigido aos chefes de Estado presentes na cúpula. O documento foi entregue nesta segunda-feira (28/01).
                                 
                                                                                      Victor Farinelli/Opera Mundi
O sociólogo francês Fabien Cohen, que participa da Cúpula dos Povos, no Chile

Em outra palestra, Cohen chegou a propor que modelos socioeconômicos sul-americanos como os de Brasil, Venezuela e Equador sejam inspirados para combater os problemas atuais da Europa.

Para Etiel Moraga, advogado especialista em casos de direitos imigratórios e assessor jurídico da CUT do Chile (Central Única dos Trabalhadores), o risco da falta de uma política migratória conjunta é deteriorar o conceito de integração defendido pelos discursos oficiais. "As pessoas ouvem seu presidente falando sobre integração e se entusiasmam com a ideia de 'continente sem fronteiras'. Mas quando chegam a outro país não conseguem trabalho ou somente atividades precárias. Uma hora vão perceber que essa integração é demagógica, ou só para as empresas, não para elas", comentou.

Segundo Moraga, nos últimos vinte anos são raros os tratados entre países da região que abordam temas trabalhistas. "Estamos na época dos tratados puramente comerciais, que não falam sobre leis trabalhistas. Não pretendem integrar leis ou criar uma legislação multilateral, para garantir direitos a todos os trabalhadores incluindo os imigrantes", analisou o advogado, que destacou que o máximo que existe nos tratados de livre comércio são cláusulas dizendo que “qualquer caso de conflito laboral ocorrido em virtude do promovido pelo tratado será resolvido através do estabelecido pela lei do país onde o caso ocorreu".

Trajetória pessoal

Durante o encontro foram apresentados vários outros relatos de imigrantes que vivem no Chile. Uma das intervenções mais emocionantes e aplaudidas do evento foi do frentista haitiano Adneau Desinord, presidente da OSHEC (Organização Sociocultural dos Haitianos do Bairro Estación Central), órgão representante da comunidade imigrante de seu país.

"A integração comercial latino-americana e caribenha é importante, mas se queremos falar em integração de verdade, precisamos pensar também em uma política imigratória conjunta para os nossos países", disse Desinord.

Em sua exposição, o haitiano citou exemplos de maus tratos no trabalho sofridos pela coletividade haitiana, e também de amigos de outros países, como peruanos e equatorianos. "O que se defende como direitos humanos para o imigrante muitas vezes é o direito de estar em um país. Porém, devemos defender também o direito a ter um trabalho decente com os mesmos direitos de qualquer trabalhador nativo, caso contrário essa permanência no país fica sujeita às piores condições".

Desinord chegou ao Chile em outubro de 2009. Três meses depois, sofreu de longe com a dor dos parentes e amigos que enfrentaram o terremoto de janeiro de 2010.

No entanto, foi a tragédia haitiana que lhe propiciou um golpe de sorte. Seu visto de turista havia expirado há poucas semanas, e ele não possuía um contrato de trabalho para conseguir um novo. Foi quando a então presidente do Chile, Michelle Bachelet, anistiou todos os haitianos que residiam ilegalmente no país, como medida paralela aos vistos de permanência concedidos aos refugiados daquele país que chegaram após o terremoto. "Nas Américas, qualquer uma delas, toda boa notícia para um imigrante dentro das Américas traz euforia, porque não são normais. É difícil receber uma dessas depois de saber que pessoas que você ama morreram, e depois que todo o seu país foi destruído", disse.

Outra exposição que mobilizou os presentes foi a exibição do vídeo do entregador equatoriano Freddy Quiñones. Em março de 2011, ele foi algemado num poste por policiais militares após por desrespeitar um sinal vermelho de bicicleta, quando levava uma entrega.(Com Opera Mundi)