Pequim _ Nos Estados Unidos, os carros costumam vir cheios de estereótipos. Ford Crown Victoria: carro de gente da polícia. Toyota Prius: yuppie ambientalista rico. Hummer: egoísta beberrão de gasolina.
Na China, onde o mercado de carros de passageiros importados tem apenas três décadas de história, um conjunto completamente diferente de estereótipos está se estabelecendo _ e as montadoras estrangeiras nunca tiveram tanta coisa em jogo.
Por exemplo, pegue a Mercedes-Benz, marca que em boa parte do mundo sugere respeitabilidade endinheirada. Na China, muita gente acha que a Mercedes-Benz representa o reino dos aposentados.
A Buick, há muito tempo associada nos Estados Unidos a pessoas com poucos recursos, é, ao contrário, vista como uma dos mais luxuosas marcas automobilísticas da China.
Porém, nenhum veículo chinês desenvolveu uma reputação tão reforçada quanto o Audi A6, escolha semioficial dos burocratas chineses. Do sul do país à capital, no norte, o formato lustroso do A6 e suas janelas invariavelmente escurecidas transpiram uma aura de privilégio estatal e autoridade e, para muitos cidadãos comuns, bafejam corrupção.
"O Audi ainda é o carro escolhido pelas autoridades governamentais", disse Wang Zhi, taxista de Pequim que percorre as congestionadas ruas da capital há 18 anos. "É sempre melhor dar passagem para um Audi _ nunca se sabe com quem você está mexendo, mas há uma boa chance de ser alguém arrogante." (Com o The New York Times)