terça-feira, 30 de junho de 2015

Quase todos nós, jornalistas que iniciamos nos anos 60, somos,digamos, alunos de José Hamilton Ribeiro e de sua atuação na revista "Realidade", uma espécie de 'mãe' da revista "Veja"

                                                   Passaralho ronda as redações

                                                               

José Hamilton Ribeiro analisa crise na profissão; Sindicato faz defesa intransigente  do Emprego e Salário



O jornalismo enfrenta uma de suas maiores crises. A opinião é do jornalista José Hamilton Ribeiro, consagrado repórter da Rede Globo de Televisão, que nos anos 90, por duas vezes, compôs a direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), editou o jornal Unidade e foi criador da coluna Moagem, que hoje ganha versão online no site do Sindicato.

Com 60 anos de profissão, José Hamilton continua em atividade como repórter especial do Globo Rural. Nos anos 90 ele escreveu para o Unidade o “Tratado Geral do Passaralho”, um artigo que pretendia desvendar a origem da palavra nas redações e denunciar as demissões da época. Para quem não sabe, “passaralho” é um jargão conhecido apenas na categoria para definir as demissões em massa, tema bastante atual, diga-se de passagem.

José Hamilton é um pesquisador da categoria. Há 18 anos, por ocasião do 60º aniversário do Sindicato, ele escreveu o livro “Jornalistas 1937 a 1997 – A história da Imprensa de São Paulo" vista pelos que batalham laudas (terminais), câmeras e microfones. Em 2010 recebeu o título de Cidadão Paulistano da Câmara Municipal de São Paulo - é nascido na cidade de Santa Rosa do Viterbo, na região de Ribeirão Preto. Também é detentor de cinco Prêmios Esso e autor de oito livros.

“O que eu posso dizer é que nos meus 60 anos de jornalista nunca vi uma crise dessas. Acho que é a maior crise da imprensa, do jornalismo dos últimos tempos, do qual eu sou testemunha. Antes disso, eu também não acredito que tenha havido uma crise dessas proporções”, analisa Hamilton.

 Defesa do Emprego

Para tentar reagir às demissões em massa, a direção do Sindicato entregou aos patrões no final de maio a pauta de reivindicações da Campanha Salarial de Jornais, Revistas e Assessoria de Imprensa, com cláusula para dificultar as dispensas.

A campanha salarial, cujo eixo é a “Defesa do Emprego e do Salário”, possui uma cláusula específica para que as empresas se comprometam a não promover dispensas sem justa causa.

Nesta cláusula, se aceita pelos patrões, as empresas só poderão fazer demissões por acordo de “interesse mútuo” entre o empregador e o trabalhador que, após os entendimentos, deverá formalizar seu interesse na rescisão, obtendo anuência do Sindicato e retornando ao RH para as formalidades legais.

Para José Hamilton Ribeiro, o “passaralho” atual é fruto do ajustamento da tecnologia da mídia, com a entrada da internet, que mudou as características da informação e solaparam a estrutura comercial. “A gente vê grandes empresas se ajustando, se apertando. E a primeira vítima é o trabalhador - o jornalista”.

Para ele, as consequências vão além de quem produz a notícia, mas também atinje quem as recebe. “A sociedade, de repente, fica desprotegida de uma cobertura profissional que antes tinha uma estrutura própria de vida e, hoje está abalada para não soçobrar.”

 Sofrimento aberto

José Hamilton acredita que o momento é de “espanto” e, principalmente, de muita paciência e observação. “É preciso ficar de olho bem aberto para ver quais as oportunidades que este mundo cria porque a crise afeta de um lado e de certa maneira privilegia de outro e, os jornalistas precisam observar esta mudança para ver em que momento novamente podem ancorar o barco da nossa categoria”.

Em sua avaliação, a profissão foi muito afetada pelas mudanças no mercado de trabalho. “Se formos pensar em uma categoria em especial, eu acho que a nossa é a mais sacrificada”.

Para ele, os jornalistas são diferentes dos outros trabalhadores, porque existem alguns setores que não estão sendo tão afetados pelas demissões. “Acho que se você isolar uma categoria, a dos jornalistas está sendo a mais danificada, é a que está com o sofrimento mais aberto”.

Quem é José Hamilton Ribeiro

José Hamilton completará este ano 80 anos de idade. Ele está sindicalizado desde 1957, quando possuia apenas 22 anos. Em 1991, fez parte da junta governativa do Sindicato, presidido à época por Antonio Carlos Fon. Na gestão de 1994-1997, de Everaldo Gouveia Filho, foi diretor Cultural. Ele também editou o jornal Unidade e criou a coluna Moagem.

Começou a carreira na Rádio Bandeirantes. Em 1956, foi para a Folha de São Paulo, que deixava de ser Folha da Manhã. Cobriu a primeira missa realizada em Brasília, em 1957. Em 1962, na editora Abril foi redator-chefe da revista Quatro Rodas e, em 1966, fez parte da Revista Realidade.

Em março de 1968 foi enviado ao Vietnã como correspondente de guerra. Ele virou notícia ao perder a parte inferior da perna esquerda após a explosão de uma mina terrestre, na cidade vietnamita de Quang Tri.

Após se recuperar, Ribeiro não desistiu da profissão. Ganhou muitos prêmios, inclusive com reportagens feitas sob censura. Na década de 1970, passou alguns anos no interior paulista, mas retornou à capital em 1978, quando foi para a televisão.

Na TV Tupi foi diretor do programa Pinga-Fogo e dirigiu o Jornal Hoje, de Campinas. Em 1981 entrou no programa Globo Repórter e logo em seguida passou para o Globo Rural. Em 1985, junto com Humberto Pereira, diretor do programa, fundou a revista Globo Rural. (Com o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo)

 Foto: Comunicação UFSC

Afinal qual é a posição dos comunistas gregos sobre a crise atual?

                                                                 
Grécia: entrevista de Kostas Papadakis (*) a odiario.info

A evolução da situação grega deve ser acompanhada com a maior atenção, além do mais pelo incessante massacre mediático com que os grandes media a envolvem. O diario.info não partilha necessariamente de todas as opiniões e apreciações enunciadas nesta entrevista, mas a sua publicação é necessária e não apenas como informação. É necessária como sinal de caloroso apreço pela coragem e firmeza do combate que o KKE leva a cabo.


1. ¿Qual é a posição do KKE sobre o referendo?

Como é bem sabido, o governo do partido “de esquerda” - e na essência social-democrata - SYRIZA e do partido de direita nacionalista ANEL, num esforço para gerir a quebra total dos seus compromissos eleitorais, anunciou um referendo para 5 de Julho de 2015, com a única pergunta se os cidadãos estão ou não de acordo com la proposta de acordo apresentada pela UE, o FMI e o BCE e que se refere à continuação das medidas antipopulares, pela saída da crise capitalista com a Grécia no euro.

Funcionários do governo de coligação estão a apelar ao povo a que diga “Não” e deixam claro que este “Não” ao referendo será interpretado pelo governo grego como uma aprovação da sua própria proposta de acordo com a UE, o FMI, o BCE, cujas 47+8 páginas contêm igualmente medidas antipopulares e anti-operárias duras, com o fim de aumentar a rentabilidade do capital, o “crescimento” capitalista e a permanência do país no euro.

O governo SYRIZA-ANEL, que nem por um momento deixou de elogiar a UE, “a nossa casa europeia comum”, o “acervo europeu”, reconhece que a sua proposta é 90% idêntica à proposta da UE, do FMI, do BCE e tem muito pouco a ver com o que SYRIZA tinha prometido antes das eleições.

Juntamente com os partidos do governo de coligação (SYRIZA-ANEL) e a favor do “Não” posicionou-se o Aurora Dourada fascista, que apoiou abertamente o retorno à moeda nacional.

Por outro lado, a oposição de direita da ND e o PASOK social-democrata, que estiveram no governo até Janeiro de 2015, juntamente com o partido TO POTAMI (nominalmente de “centro” mas na essência reaccionário) posicionaram-se a favor do “Sim” às bárbaras medidas da Troika e afirmam que isto será interpretado como consentimento e “permanência na UE a qualquer custo”
Na realidade ambas as respostas levam a um “Sim” à União Europeia e à barbárie capitalista.

Durante a sessão no parlamento, em 27 de Junho, a maioria governamental de SYRIZA-ANEL rejeitou a proposta do KKE de colocar perante o julgamento do povo grego as seguintes propostas:
- Não às propostas de acordo da UE, do FMI, do BCE e do governo grego

- Saída da UE – Abolição dos memorandos e de todas as leis da sua aplicação

Com a sua postura o governo mostrou que quer chantagear o povo para que este aprove a sua proposta à Troika, que é a outra face da mesma moeda. Está a pedir ao povo que aceite os seus planos antipopulares e responsabilizá-lo pelas suas novas opções antipopulares, seja através de um acordo supostamente “melhorado” com os organismos imperialistas, ou por meio de uma saída do euro e o retorno à moeda nacional, que o povo será chamado a pagar de novo.

Nestas condições, o KKE está a apelar ao povo para que utilize o referendo como uma oportunidade para reforçar a oposição à UE, para que se reforce a luta pela única saída realista da actual barbárie capitalista, que tem apenas um conteúdo: Ruptura – Saída da UE, cancelamento unilateral da dívida, socialização dos monopólios, poder operário e popular.

O povo, com a sua acção e a sua escolha deve responder ao engano da falsa pergunta que o governo coloca e rejeitar tanto a proposta da UE, do FMI, do BCE como a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambas as propostas contêm medidas antipopulares bárbaras que se acrescentarão aos memorandos e às leis da sua aplicação dos governos anteriores, da ND-PASOK. Ambas servem os interesses do capital os lucros capitalistas.

O KKE sublinha que o povo não deve escolher entre Esquila e Caribdis mas sim expressar no referendo, por todos os meios e formas, a sua oposição à UE e aos memorandos permanentes. Deve “cancelar” este dilema ao votar pela proposta do KKE.
Não à proposta da UE, FMI, e BCE
Não à proposta do governo
Saída da UE, com o povo no poder

2. Como avalia os resultados das negociações do governo grego com a Comissão Europeia?

O governo do Syriza-ANEL está há quatro meses a negociar com a troika, as «instituições», ou seja a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o FMI, mas não a favor dos interesses do povo. Trata-se de uma negociação com os credores, que é a priori antipopular, com a qual o governo está a tratar de assegurar os interesses da burguesia grega no quadro do antagonismo geral que se desenvolve entre os Estados Unidos e a Alemanha, assim como entre os países da zona euro, sobre a fórmula da gestão capitalista. 

Esta negociação reflecte a confrontação geral em que a burguesia grega tem como objectivo, entre outros, assegurar um superavit baixo para os próximos anos, passando capitais destinados à amortização de empréstimos para o financiamento estatal dos grupos empresarias. Com estes capitais como ferramenta tentam recuperar da crise capitalista. 

Portanto, os grupos empresariais e as associações (Federação de Industrias etc.) apoiam o governo que se apressou a servir os seus interesses. O acordo antipopular de 20 de Fevereiro já previa que se mantivessem as leis antipopulares do memorando aprovadas pelo ND e pelo PASOK, enquanto se preparam novas medidas antipopulares no sistema tributário, privatizações, abolição de direitos de segurança social, etc. 

As negociações estão a levar a um novo acordo-memorando, seja qual for o seu nome.

Portanto os interesses do povo grego não são servidos se alinharem por planos antipopulares, que aliás implicam medidas anti-laborais bárbaras; pelo contrário, é necessário lutar contra eles de modo combativo e sem passividade. O povo não é responsável pela dívida da plutocracia; nem a criou nem tem de a pagar. 

Contra a lógica de uma renegociação antipopular, cujo resultado o povo já pagou e estão a chamá-lo para pagar de novo, o KKE pede ao povo que exija a abolição das leis antipopulares e a recuperação das perdas dos anos anteriores, abrir caminho para o cancelamento unilateral da dívida e, ao mesmo tempo, sair da UE, com o povo no poder.

Cada trabalhador deve pensar que o SYRIZA se tinha comprometido a romper com os memorandos mas agora traz outro e mantém vigentes todas as leis do memorando. O KKE, pelo contrário, apresentou de novo em Fevereiro no Parlamento um projecto de lei para o cancelamento dos memorandos e das leis antipopulares pertinentes. 

Além disso, apresentou uma proposta para o restabelecimento do 13º salário e do 14.o, aplicação imediata do salário mínimo de 751€ como base para aumentos — que haviam sido abolidos pelo governo da ND e do PASOK — aplicação obrigatória dos convénios colectivos sectoriais, etc.

3. Como estão a reagir os que votaram com o SYRIZA sobre os retrocessos perante as exigências da Comissão Europeia que invalidam as promessas feitas durante e período eleitoral? E a classe operária?

As «promessas» eleitorais do SYRIZA, o chamado programa de Tessalónica, eram migalhas que de qualquer modo não tirariam as famílias da pobreza e da miséria. Tratava-se de medidas que reciclariam a pobreza mais extrema, mesmo sob a consigna: «contra a crise humanitária», exonerando o próprio sistema capitalista, dando a entender que se trata de uma ocasião excepcional e não da própria natureza de um sistema explorador que está a apodrecer. 

Constituiriam mesmo os primeiros projectos de lei do governo que iam ser aprovados independentemente do resultado da negociação. Mas logo depois das eleições «o programa de Tessalónica» transformou-se de um programa de 100 dias num programa de quatro anos. Assim as promessas de restabelecer o salário mínimo passaram para um futuro longínquo e dependem do «apetite» dos próprios empregadores.

Enquanto o imposto sobre bens imóveis (ENFIA) mantém-se no período próximo. Assim, os impostos existentes estão a aumentar e o povo vai pagar muito caro o aumento das taxas de IVA. Ao mesmo tempo, o 13.o mês (pelo Natal) foi adiado, mesmo para os mais fracos economicamente.

O aumento do limiar de entradas isentas de tributação foi também adiado para os finais de 2016. Em contrapartida, estão a promover as privatizações de portos, aeroportos, bloquearam as reservas disponíveis dos municípios, de organismos estatais e os fundos de segurança destinados a cobrir as necessidades populares básicas.

Enquanto se está a planificar o corte das pensões antecipadas e entre elas as profissões pesadas e insalubres, das mulheres trabalhadoras com filhos menores de idade, etc. Perante essa política governamental profundamente antipopular, os trabalhadores e outros sectores populares pobres que acreditaram nas esperanças que fomentaram as forças da nova social-democracia do SYRIZA, não devem ficar decepcionados mas sim tirar as conclusões políticas necessárias. 

Ou seja, que não existem «soluções fáceis favoráveis ao povo» quando o povo concede a responsabilidade a um governo que opera no quadro da UE e na senda do desenvolvimento capitalista. Portanto, o povo é soberano só quando possui os meios de produção, livre da UE, e pode satisfazer as suas necessidades com uma planificação científica central.

4. Como interpreta o enfraquecimento relativo da reacção popular nos últimos meses? Quais são as perspectivas para a luta de massas no futuro próximo?

Para lá da repressão e das provocações utilizadas pelos governos da ND e do PASOK nos anos da crise, um factor determinante que foi usado para enfraquecer o movimento operário e impedir o desenvolvimento da sua união e da sua orientação de classe, foi que a classe burguesa e o seu pessoal proporcionaram a ideia de que outro governo de gestão burguesa se encarregará de resolver os problemas populares e dos trabalhadores. 

A intenção de apresentar o governo com o SYRIZA no seu núcleo como salvador do povo provocou uma contenção grave do movimento operário. Fomentou a passividade e falsas ilusões, do que resultou que exista mesmo agora um retrocesso na luta operária e popular. Nos primeiros dias depois das eleições o novo governo tratou de por o povo a aplaudir activamente os objectivos da burguesia nas negociações antipopulares. 

Poucos meses depois, cada vez mais gente compartilha as advertências do KKE sobre o carácter e a missão deste governo. Uma série de mobilizações de trabalhadores não remunerados, grevistas, contratadores nos centros de trabalho são um fenómeno diário. A greve dos trabalhadores no sector da saúde, a 20 de Maio, foi um passo importante porque a situação nos hospitais estatais é explosiva dado que nem sequer têm gaze e os pacientes não só pagam caro por tudo, como ainda trazem os medicamentos de casa, materiais, etc. 

As mobilizações que o PAME está a organizar a 11 de Junho reclamando que não se aplique o novo acordo antipopular podem significar uma mudança na força, na combatividade do movimento operário, podem marcar um novo ponto de partida para o confronto da ofensiva do governo, da UE e do capital contra o povo, para a recuperação das perdas. A organização do seu contra-ataque para a criação de uma aliança popular forte contra os monopólios e o capitalismo.

5. As divergências no movimento comunista internacional actualmente são óbvias. A que se atribuem? Qual é a posição do KKE?

Sim, efectivamente há desacordos e divergências em assuntos-chave de importância estratégica. Mas o crucial é determinar qual é a base sólida e os critérios para os examinar. Os alicerces estão na cosmovisão  marxista-leninista, nos princípios da luta de classes, na estratégia revolucionária. Só nesta base é possível fortalecer o verdadeiro carácter comunista dos partidos comunistas, conquistar a unidade da classe operária e a sua aliança com as demais camadas populares pobres, conseguir agrupar e preparar as forças trabalhadoras e populares para o derrubamento da barbárie capitalista, pelo socialismo-comunismo. 

De outro modo, os partidos comunistas ficam expostos ao efeito corrosivo das forças burguesas e oportunistas, ao parlamentarismo, à incorporação na gestão burguesa, às alianças sem princípios, à participação em governos de gestão burguesa sob o título de «esquerdas» «progressistas», à opção e à alienação por detrás das uniões imperialistas, a convergência com forças e formações oportunistas, como o chamado Partido da Esquerda Europeia ou a sua expressão política, GUE-NGL. 

A base de tudo isso é a lógica daninha de etapas entre o capitalismo e o socialismo. O etapismo, que historicamente não se confirmou em caso algum, está a embelezar o capitalismo, está a criar ilusões de que se pode humaniza-lo através da gestão burguesa, com a participação dos partidos comunistas. Este caminho levou à mutação e dissolução de partidos comunistas, por exemplo, em França, Itália, Espanha, etc. 

Esta percepção de «etapas», que se baseia em elaborações obsoletas do movimento comunista internacional, acalma o derrubamento do poder capitalista, o próprio socialismo, a «segunda vinda» e fragiliza a preparação da classe trabalhadora e dos seus aliados para esta tarefa monumental. Na pergunta crucial «revolução ou transformação», o etapismo opta pela transformação.



O KKE quer um debate aberto e essencial entre os partidos comunistas sem etiquetas e sem aforismos sobre assuntos chave de importância estratégica para que se elabore uma estratégia revolucionária contemporânea. Cada partido é responsável por responder e justificar a sua opinião e postura.

6. Como encara o KKE a ofensiva actual do imperialismo em múltiplas frentes: Ucrânia, Médio Oriente, América Latina, China, Rússia?

 Os Estados Unidos, tal como a União Europeia, a NATO e os seus governos, estão a levar a cabo planos perigosos contra os povos. O fortalecimento da articulação da UE com a NATO, assim como as intervenções imperialistas independentes da UE com a formação de um euro-exercito regular e o fortalecimento das forças militares para executar guerras e missões imperialistas pelos interesses dos monopólios, confirmam a agudização dos antagonismos pelo controlo dos mercados, das fontes e das rotas de transporte de energia. 

A corrida armamentista com os estandartes da NATO, os programas avançados de armamento dos chamados países emergentes como a China e a Rússia e de países do Médio Oriente, são reveladores e constituem um prelúdio perigoso da forma e dos métodos com que o sistema capitalista procura recuperar da sua crise profunda. São pura hipocrisia as alianças das potências que estão «dispostas» a actuar contra os jihadistas, que foram apoiados pela NATO, Estados Unidos e a UE, os traficantes de pessoas nos países onde a UE e seus aliados entraram a ferro e fogo em intervenções imperialistas causando enormes vagas de imigrantes.

O governo grego que subscreveu tudo isso, anunciou que vai criar uma nova base da NATO no Egeu para as necessidades da UE e da NATO e dos planos imperialistas e que disponibilizará forças armadas e bases ao serviço da NATO. Subscreveu todos os comunicados militares da UE nas cimeiras e dos ministros de assuntos exteriores e de defesa da UE, enquanto fortalece as relações políticas, económicas e militares com Israel que ataca o povo palestino. É esse o governo das «esquerdas» do SYRZA-ANEL e queremos sublinhar que as forças que se apressaram a celebrá-lo, ficaram irremediavelmente expostas.

 Os povos devem intensificar a sua luta para frustrar os planos imperialistas, pelo que é necessário estar em vigilância militante. O KKE desempenha um papel essencial na luta contra a implicação da Grécia nos planos imperialistas, exige que regressem as forças militares gregas das missões euro-atlânticas ao estrangeiro, que sejam encerradas as bases dos Estados Unidos e da NATO. O KKE luta pelo afastamento da NATO e da UE, sendo o povo dono do seu destino.

7. Como vê a nova estratégia de Barack Obama sobre as relações dos Estados Unidos com Cuba?

É particularmente importante que a longa luta do povo cubano em condições muito difíceis e a mobilização mundial de solidariedade contra o bloqueio inaceitável dos Estados Unidos tenham exercido pressão sobre o governo dos Estados Unidos para discutir o seu levantamento. O mesmo acontece com a UE com a chamada Posição Comum e as sanções que impõe há anos contra Cuba. Esta pressão e este movimento mundial de solidariedade que se tem desenvolvido impulsionaram a libertação dos cinco patriotas cubanos.

Mas, não há qualquer complacência ou ilusão já que o imperialismo não deixa de utilizar tanto o engodo como o chicote com o fim de incorporar e subjugar os povos sob a sua estratégia. Por isso é necessário que a solidariedade internacional revele os ajustes da táctica do adversário para que se não apliquem os planos que o imperialismo internacional está a preparar e que se implementem através de sanções, chantagem, e ameaças ou negociações.

8.     Qual a opinião do KKE sobre o chamado Socialismo do século 21 e o papel dos intelectuais de esquerda da América Latina a esse respeito? Mesmo hoje em dia, consideram como modelo os chamados governos progressistas, de esquerda, da América Latina?

Ainda hoje os chamados governos progressistas, de esquerdas, da América Latina que constroem o «socialismo do séc.21» são considerados como modelo. Esta fabricação ideológica opõe-se à própria experiência popular daqueles países que estão a experimentar a política antipopular, a pobreza, a exploração enquanto os monopólios estão a enriquecer.

A fabricação ideológica do «socialismo do séc. 21» reúne as diversas correntes social-democratas e oportunistas, académicos latino-americanos que garantem que falam em nome do marxismo mas distorcem-no, porque o «socialismo do séc. 21» no seu conjunto caracteriza-se pela agressividade contra o marxismo-leninismo e o movimento comunista internacional, promovendo como solução as reformas burguesas que não afectam o poder do capital. 

É a expressão de certas secções da burguesia, sobretudo na América Latina, que aspiram a uma melhoria do financiamento estatal para a criação de infra-estruturas, mão-de-obra especializada necessária para os monopólios – que não estão dispostos a financiá-los – a fim de aumentar a sua rendibilidade. Uma orientação semelhante existiu também nas décadas anteriores nos países da Europa Ocidental. 

Trata-se das necessidades das classes burguesas desses países para que se reforça a sua posição no antagonismo internacional. O «socialismo do séc. 21» é uma fonte de distorção do conceito do socialismo científico já que não afecta o poder burguês. É apenas uma fórmula de gestão do sistema capitalista a expensas da classe operária e das demais amadas populares de cada país.

9. Quais as razões - em contradição com a posição de Marx sobre a extinção gradual do Estado – para que o Estado em vez de enfraquecer estava continuamente a agigantar-se (URSS, Cuba, China)? 

O estudo da experiência da construção socialista é o assunto de que o nosso partido se tem ocupado nos últimos 20 anos. Tirámos conclusões sobre os princípios da construção do socialismo através de um estudo a fundo, de um debate colectivo sobretudo da experiência da URSS, principalmente das decisões tomadas no âmbito da economia. 

Hoje em dia, este debate é necessário para cada partido comunista. Porque, por exemplo, é um problema e uma expressão da situação difícil do movimento comunista internacional o facto de que hoje em dia existem partidos comunistas que negam os princípios, as leis científicas da construção socialista, o poder operário, a socialização dos meios de produção, a planificação e o controlo operário e popular.

O KKE defende a necessidade da revolução socialista e os princípios da nova sociedade e, desse ponto de vista, participa no debate que está em curso no movimento comunista. Nesta perspectiva examinamos, por exemplo, os acontecimentos na China onde, segundo os dados, prevalecem as relações capitalistas de produção.

Para chegar ao ponto de falar da extinção do Estado uma pré-condição necessária é o fortalecimento das relações de produção comunistas, não o seu enfraquecimento. A experiência histórica da contra-revolução, que ainda não acabou, mostra que a tarefa de desenvolver relações comunistas de produção e distribuição requer o desenvolvimento da teoria do comunismo científico pelo partido comunista através do estudo das leis da construção socialista. 

A experiência mostrou que os partidos no poder, na URSS e noutros Estados socialistas, não só não tiveram êxito nessa tarefa como também sofreram a erosão do oportunismo e se transformaram em veículos da contra-revolução e da restauração do capitalismo.

10. O homem realizou conquistas destacadas no âmbito da ciência e da técnica, mas mudou muito pouco desde a Grécia e Roma, como mostram as guerras, cada vez mais cruéis, e a escalada de crimes do imperialismo. A velocidade com que o «homem velho» reapareceu para milhões na Rússia e na China, e está a aparecer em Cuba, parece mostrar que a transição do socialismo para o comunismo será muito mais lenta do que o previsto por Marx e Engels. A história desmentiu o mito do «homem novo»? Que pensam disto?

Não concordamos com essa ideia. Tudo o que afirmaram Marx e Engels, assim como Lénine, se confirmou e confirma de modo absoluto hoje em dia. A resposta à pergunta surge no próprio carácter da época inaugurada pela Grande Revolução Socialista, que é a época da transição do capitalismo para o socialismo. 

O capitalismo está na sua última fase imperialista. As condições materiais para a construção do socialismo estão já a amadurecer. O partido comunista deve pois ser capaz de responder com a sua estratégia e táctica para o desenvolvimento da luta de classes, ajudar a classe operária a estar consciente da sua missão histórica, a prepará-la para o confronto com o verdadeiro inimigo, ou seja a UE, os monopólios e o seu poder. A elaboração da estratégia revolucionária é a tarefa dos partidos comunistas independentemente da correlação de forças.

O objectivo é que os partidos comunistas que crêem na luta de classes e seus princípios, na necessidade histórica do derrubamento do poder burguês e na construção do socialismo-comunismo elaborem uma estratégia que cumpra com a própria razão da existência de um partido comunista: reunir forças para o confronto com o poder dos monopólios e não para a gestão e perpetuação da barbárie capitalista. O capitalismo é um sistema apodrecido e obsoleto e nenhum modo de gestão pode dar-lhe rosto humano. A luta pelo socialismo, portanto, não é uma declaração para um futuro longínquo mas um tema chave que determina todos os outros. A questão chave é como trabalha dia após dia um partido comunista para alcançar esse objectivo. 

* Membro do CC e eurodeputado do KKE
Tradução: Manuela Antunes

Carta à presidente Dilma

                                                                                   

"Senhora presidente,

Acompanho com interesse sua visita ao Grande Irmão do Norte. Percebo sua descontração quando se reúne com grandes empresários, uma contrapartida necessária ao permanente mau humor quando é forçada a fazer política e  prestar esclarecimentos ao povo brasileiro. Qualquer aprendiz de caixeiro-viajante sabe como é fundamental sorrir para potenciais clientes. Portanto, presidente, sorria para os que enxergam no Brasil terreno fértil para sugar mais-valia dos trabalhadores. Eles engordarão estatísticas e ajudarão a melhorar índices de popularidade. Quem sabe dão uma força para o Brasil conseguir uma vaguinha permanente no Conselho de Segurança da ONU ?

Agora, cá entre nós, não precisava exagerar nos rapapés. Encontrar-se com um dos maiores genocidas do século vinte e tratá-lo como “pessoa fantástica, com grande visão global” ? Declarar que teve “uma conversa inspiradora” com um dos assassinos mais sanguinários da História, o produtor eficiente de déspotas (entre os quais, aqueles que ordenaram a sua tortura e a de seus companheiros), com um político cínico e ardiloso ? Desculpe a franqueza, mas falar isso de Henry Kissinger equivale a elogiar o cabo Anselmo, o coronel Brilhante Ulstra, o delegado Sérgio Paranhos Fleury. A uni-los, laços de sangue inocente derramado.

Os de memória curta, e não acho que seja o seu caso, talvez não se lembrem de quem é esse velhinho nonagenário, com cara bonachona. Kissinger tem um prontuário de crimes que torna os piores mafiosos reles amadores. Em bem documentado livro (O julgamento de Kissinger, Editora Boitempo), Christopher Hitchens faz uma lista, provavelmente incompleta, das barbaridades do senhor K. Ele é culpado pelo seguinte:

* Morte de cerca de 600 mil civis no Camboja e 350 mil no Laos, resultado de bombardeios ordenados por ele, durante o governo Nixon.

* Morte de pelo menos 500 mil civis em Bangladesh. Kissinger levou os Estados Unidos a apoiarem e armarem o general Yahia Khan para o golpe de Estado de 1971.

* Planejamento e conspiração que levou à derrubada do governo de Salvador Allende, no Chile, em 1973. O general Pinochet, que assumiu o poder com total apoio da diplomacia norte-americana, liderou um dos regimes mais sangrentos e cruéis da América Latina. Durante uma reunião na Casa Branca, Kissinger disse que “não vejo por que temos que nos sentar para esperar, vendo como um país se torna comunista devido à irresponsabilidade de seu próprio povo”.

* Apoio ao general Suharto no genocídio de, pelo menos, 200 mil pessoas em Timor Leste, a partir de 1975.

* Planejamento do golpe militar que resultou na deposição, em 1974, do presidente eleito Mihail Makarios, em Chipre.

Esta, senhora presidente, é a “pessoa fantástica”. Ao ver a foto de vocês dois sorrindo e dando as mãos, fiquei triste. Ouvi os gritos dos chacinados nas catacumbas das ditaduras. Olhei, com horror, a sombra dos corpos destroçados por napalm e bombas de fragmentação. Senti a indignação dos povos com a arrogância imperial, que só trouxe miséria e desesperança. É essa imagem espectral que rondava seu aperto de mãos com o carniceiro de cabelos brancos. Lamento que a representante do meu país tenha que curvar a espinha a esse ponto, para não perder bons negócios.

Que faça uma boa e tranquila viagem de volta. De minha parte, lembrarei sua façanha em terras ianques: uma vítima da ditadura militar que afagou a mão de quem armou seus algozes.

Receba meu abraço inconformado.

Jacques Gruman" (*)


(*) Jacques Gruman é engenheiro, militante internacionalista da esquerda judaica no Rio de Janeiro.

Partido Comunista da China tem 87 milhões de membros

                                                                               
Até o fim de 2014, a Partido Comunista da China (PCCh) tinha em total 87,79 milhões de membros, registrando um aumento de 1,3 % em comparação com o número do ano anterior, revelou o boletim estatístico do PCCh publicado ontem (29). 

Segundo o documento, o PCCh possui 4,36 milhões de organizações básicas, crescendo 56 mil em relação ao do ano anterior, um aumento de 1,3%.

Em termos de sexo, etnia e experiência educacional, o número de membros femininos é de 21,67 milhões, ocupando 24,7% do número total, com um aumento 0,4 ponto percentual em comparação com a do ano anterior. 

O número de membros partidários das minorias étnicas é de 6,05 milhões, ocupando 6,9% do número total. O número de membros com diplomas do ensino superior é de 37,76 milhões, ocupando 43,0% do número total, com um crescimento de 1,4% em comparação com o do ano anterior.

Em relação à profissão, 7,34 milhões são operários, 25,94 milhões são agricultores, pastores e pescadores, 12,53 milhões são técnicos das empresas, instituições públicas, e organizações privadas sem fins lucrativos, 9,01 milhões são administradores das empresas, instituições públicas, e organizações privadas sem fins lucrativos, 7,40 milhões trabalham nos governos e órgãos partidários, 2,25 milhões são estudantes, e 16,22 milhões são partidários aposentados.

Em 2014, o PCCh continuou a controlar o crescimento do número de membros partidários e se dedicou a melhorar a qualidade dos novos membros. No ano passado, o PCCh recebeu 2,057 milhões de novos membros, reduzindo 351 mil em relação ao do ano anterior, uma queda de 14,6%. 

A margem do aumento do número dos membros partidários tem sidos menos de 2% por dois anos consecutivos. Com o diariodopovoonline)

Democracia Ateniense vs. Deuses Neoliberais

                                                               
                                                                                 
O primeiro-ministro Alexis Tsipras dá ao povo grego a oportunidade para decidir o próprio destino via um referendum democrático. É o que basta para pôr a troika - Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia (CE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) - em surto de fúria. Adiante, resumidamente, tudo que se precisa saber sobre o "sonho" de UE.

Tsipras, claro, está certo; teve de convocar um referendum porque a troika dera "um ultimatum à democracia grega e ao povo grego". De fato, "ultimatum  que contraria os princípios fundadores e os valores da Europa". 

Mas por quê? Porque a aparentemente tão sofisticada rede político-econômica das "instituições" europeias - o CE, o Eurogrupo, o BCE - teve de enfrentar uma séria decisão política; e essencialmente por causa da sua sórdida mistura de ganância e incompetência, não conseguiram tomar nenhuma decisão política. Agora, afinal, os cidadãos da UE começam a poder ver com mais clareza quem são os inimigos deles: as tais "instituições" nada transparentes que, supostamente, os representam.   

Os - até aqui - 240 bilhões de euros do resgate da Grécia (que mostrou a Grécia sendo usada como lavanderia do dinheiro dos 'resgates' de bancos franceses e alemães) já fizeram a economia nacional encolher mais de 25%; o desemprego é gigante; e miséria cresce a níveis sem precedentes. 

E para as "instituições" da UE - plus o FMI - jamais houve qualquer Plano B; foi sempre à moda do euro-arrocho - uma espécie de Choque e Pavor econômico - ou caiam fora (e mergulhem no desespero). O pretexto sempre foi "salvar o euro". E o que torna tudo mais absurdo é que a Alemanha não dá importância alguma a se a Grécia quebra, e se a saída da Grécia da Eurozona ("Grexit") é inevitável. 

E ainda que a UE opere, na prática como um monstrengo simulado e reacionário, o que mais intriga é ver intelectuais até aqui respeitáveis, como Jurgen Habermas, a denunciar o Syriza como partido "nacionalista" e elogiando o ex-e-eterno office-boy de Goldman Sachs e hoje presidente do BCE, Mario Draghi.

À espera de Diógenes 

O Referendum de 5 de julho vai muito além de os gregos responderem se aceitam ou rejeitam mais gigantescos aumentos de impostos e cortes em aposentadorias (que afetam pessoas que já vivem abaixo da linha oficial de pobreza); é o sine qua non que a troika tenta impor - qualificado como "medidas bárbaras" por vários ministros gregos - para desbloquear mais um resgate.

Pode-se argumentar que dia 5 de julho outro referendo, mais pertinente, estará respondendo à seguinte pergunta: "Qual é a linha vermelha para que a Grécia mantenha-se na Eurozona?"  

O primeiro-ministro Tsipras e o ministro das Finanças Varoufakis derrubaram os rumores de que aceitariam qualquer humilhação para permanecer na Eurozona. Só serviu para radicalizar ainda mais a elite político-econômica alemã - da Dama de Ferro Merkel ao ministro das Finanças Schauble. O "segredo" mal escondido deles é que agora eles querem a Grécia fora do euro.

E isso está levando não poucos gregos - dos que ainda acreditavam nos benefícios de uma casa financeira comum de todos - a aos poucos começarem a aceitar uma Grexit. E de cabeça erguida.

O Banco Central Europeu ainda não detonou a bomba atômica - de esmagar todo o setor bancário grego. Mas de fato, com o encerramento do processo de Assistência de Emergência à Liquidez (orig. Emergency Liquidity Assistance, ELA) no fim de semana passado, o mundo desabará se milhões de gregos decidirem sacar seu dinheiro na abertura dos bancos, antes do referendum.

O Banco da Grécia, "como membro do sistema-euro", como se lia num comunicado, "tomará todas as medidas necessárias para garantir estabilidade financeira aos cidadãos gregos nessas difíceis circunstâncias." Implica limitar fortemente os saques nos bancos - o que garantirá sobrevida à Grécia até o dia do referendum. 

Verdade é que ninguém sabe o que acontecerá depois de 5 de julho. A Grexit é possibilidade muito clara. Projetando além disso e colhendo uma folha do "Anel" [dos Nibelungos] de Wagner, também parece claro que as "instituições" do euro, elas mesmas, estão jogando gasolina ao fogo que pode eventualmente consumir a Eurozona - consequência direta do empenho delas para imolar os gregos, como Brunnhilde.

O que a Grécia - berço da civilização ocidental - já mostrou ao mundo deve ser motivo de orgulho para os gregos; nada como um tiro de democracia, para fazer os Deuses do Neoliberalismo perderem as estribeiras.

Fica-se tentado a invocar um Diógenes pós-moderno, o primeiro filósofo homeless, só com sua lanterna, à procura de um homem honesto (em Bruxelas? Berlim? Frankfurt?) e sem jamais encontrar. Mas em vez de ele cruzar com a maior celebridade daquele tempo -Alexandre o Grande -, imaginemos outro encontro, quando nosso Diógenes pós-moderno toma sol numa praça ateniense.

- "Sou Wolfgang Schauble, Senhor da Finança Alemã."
- "Sou Diógenes, Cínico."
- "Posso oferecer-lhe tudo que você deseja."
- "Desejo que caia fora do meu sol. Está fazendo sombra."
 29/6/2015, Pepe Escobar,SputnikNews
http://sputniknews.com/columnists/20150629/1023985989.html
(Com Pravda.Ru)

Governo israelense quer alimentar à força prisioneiros palestinos em greve de fome

                                                                                    
Khader Adnan estava em greve de fome há 55 dias e foi libertado na última segunda-feira (29/06) Efe



Guila Flint , de Tel Aviv (*)

Para ministro de Segurança Publica, greve de fome é "atentado suicida" contra Israel; "não permitiremos que os prisioneiros morram em nossas cadeias", disse

      
Israel quer permitir que autoridades penitenciárias alimentem à força prisioneiros em greve de fome. A lei já foi aprovada pela comissão legislativa do governo e será apresentada ao Parlamento.

Para o governo de Israel, a possibilidade de que um prisioneiro palestino morra na prisão em consequência da greve de fome representa um risco à imagem do Estado no exterior.

Segundo o ministro de Segurança Publica, Gilad Erdan, a greve de fome dos prisioneiros palestinos é um "atentado suicida" contra Israel. "Não permitiremos que os prisioneiros morram em nossas cadeias", afirmou o ministro, membro do partido governista Likud.

Vale lembrar que o único lugar no mundo ocidental em que a prática da alimentação forçada foi aplicada nos últimos anos é a prisão de Guantánamo.

Leonid Edelman, presidente da Federação dos Médicos de Israel, declarou que os médicos locais não vão cumprir a lei e que continuarão agindo de acordo com a ética médica, que proíbe explicitamente a alimentação forçada.

Em carta ao ministro Erdan, Edelman afirmou que "não poderemos colaborar com uma lei que contradiz totalmente nossas obrigações profissionais e éticas".

Em resposta, o ministro disse que "nós acharemos médicos que estarão dispostos a colaborar".

O ex-presidente da comissão de Ética da Federação dos Médicos, Avinoam Reches, declarou que "greve de fome é um ato politico e não um problema médico, portanto o Estado não pode empurrar esse problema para os médicos.

Convenções internacionais proíbem os médicos de colaborarem com alimentação forçada dos grevistas, pois se trata de uma forma de tortura. Espero que nenhum médico do nosso sistema público colabore com essa decisão e, se alguém o fizer, será julgado por nosso tribunal. Eu pretendo violar essa lei, prefiro ser preso".

Gansos não, prisioneiros palestinos sim

A lei em Israel proíbe a alimentação forçada de gansos (para a produção da iguaria foie gras), que é considerada desumana.

Reches, que é um neurologista renomado do Hospital Hadassa e professor da Universidade Hebraica, questiona: "então essa prática é desumana em relação aos gansos, mas pode ser aplicada contra seres humanos?", e explica que o procedimento é praticamente o mesmo nos dois casos, pois se introduz um tubo pelo nariz ou pela boca, que leva o alimento diretamente ao estômago. Isso causa grande sofrimento e risco de morte se a pessoa tenta resistir ao "tratamento", pois o alimento pode se desviar  para o pulmão e o "paciente" pode morrer sufocado.

À beira da morte

Na manhã desta segunda-feira (29/06), as autoridades israelenses finalmente concordaram em libertar o prisioneiro palestino Khader Adnan, depois de 55 dias de greve de fome e no momento em que os médicos avaliaram que a morte dele era "iminente".

Adnan ficou algemado a uma cama no hospital Assaf Harofeh, ao sul de Tel Aviv, durante três semanas. Ele começou a greve de fome no dia 6 de maio e também se negou a receber suplementos de vitaminas e minerais, só tomando água durante todo o período da greve.

O prisioneiro exigiu ser libertado ou julgado, após ser detido, há um ano, segundo o dispositivo da "prisão administrativa", sequela das leis marciais do Mandato Britânico na Palestina, que permite que as autoridades prendam pessoas sem levá-las a um tribunal e mesmo sem informá-las quais são as acusações contra elas, por tempo indeterminado e por "razões de segurança".

Atualmente existem cerca de 400 prisioneiros palestinos em cadeias israelenses sob o dispositivo de prisão administrativa.

Khader Adnan, identificado com o grupo Jihad Islâmico na Cisjordânia, tem 37 anos e já foi preso 10 vezes sob o dispositivo da prisão administrativa. Na última vez, em 2012, ele fez uma greve de fome de 66 dias e acabou sendo libertado. Ao todo, Adnan já passou seis anos de sua vida em cadeias israelenses, sob prisão administrativa.

O grupo israelense Médicos pelos Direitos Humanos exigiu a libertação imediata de Adnan e advertiu que ele corria serio risco de morte. Segundo o grupo, em sua condição atual, e após perder mais de 20 quilos, ele não constituía perigo algum e estar algemado à cama não passa de tortura e humilhação.

Após o anuncio do acordo de libertação, Adnan concordou em começar a tomar soro e deverá ficar mais duas semanas no hospital para que possa voltar a se alimentar gradualmente.

Quando o Parlamento israelense aprovar a lei da alimentação forçada, prisioneiros como Adnan poderão ser submetidos a essa prática em vez de serem libertados.

(*) Guila Flint cobre o Oriente Medio para a imprensa brasileira há 20 anos e é autora do livro 'Miragem de Paz', da editora Civilização Brasileira. (Com Opera Mundi)

O referendo de 5 de Julho e a posição do KKE (Partido Comunista Grego)

                                                      
                                                              

                    "DESLIGAMENTO DA UE, COM O POVO NO PODER"
Como é bem conhecido, o governo da "esquerda" e na essência social-democrata do partido SYRIZA e a "direita" nacionalista do partido ANEL, numa tentativa de administrar a completa bancarrota dos seus compromissos pré eleitorais, anunciou um referendo para o dia 5 de Julho de 2015, sendo a única pergunta se os cidadãos concordam ou não com o acordo proposto, o qual foi posto em cima da mesa pela UE, FMI e BCE e refere-se à continuação das medidas anti-povo para uma saída da crise capitalista, com a Grécia permanecendo no euro. 

Responsáveis da coligação governamental apelam ao povo para dizer "não" e tornam claro que este "não" no referendo será interpretado pelo governo grego como aprovação para a sua própria proposta de acordo com a UE, FMI, BCE, a qual, nas suas 47+8 páginas também contém duras medidas anti-povo e anti-trabalhadores, com o objectivo de aumentar a lucratividade do capital, do "crescimento" capitalista e da permanência do país no euro. 

Como admite o governo SYRIZA-ANEL, o qual continua a louvar a UE, "nosso lar europeu comum", a "façanha europeia", esta proposta sua é 90% idêntica à proposta da UE, FMI e BCE e tem pouco relacionamento com o que o SYRIZA prometeu antes das eleições. 

O fascista Aurora Dourada, juntamente com os partidos da coligação governamental (SYRIZA-ANEL), tomaram posição a favor de um "não" e também apoiaram abertamente o retorno a uma divisa nacional. 

Por outro lado, a oposição de direita ND, o social-democrata PASOK que governou até Janeiro de 2015, juntamente com o POTAMI (que constitui um partido do centro, essencialmente um partido reaccionário) tomaram posição a favor de um "sim" às medidas bárbaras da Troika, a quais, declaram eles, serão interpretadas como sendo consentimento a "permanecer na UE a todo custo". 

Na realidade, ambas as respostas levam a um sim à "UE" e à barbárie capitalista. 

Durante a sessão de 27/Junho do parlamento, a maioria governamental do SYRIZA-ANEL rejeitou a proposta do KKE de que as seguintes questões fossem colocadas perante o julgamento do povo grego no referendo: 


NÃO ÀS PROPOSTA DE ACORDO DA UE-BCE-FMI E DO GOVERNO GREGO 
DESLIGAMENTO DA UE – ABOLIÇÃO DO MEMORANDO E TODAS AS SUAS LEIS DE APLICAÇÃO
Com esta postura, o governo demonstrou que quer chantagear o povo levando-o a aprovar a sua proposta à troika, a qual é o outro lado da mesma moeda. O que significa dizer: é pedir ao povo grego o seu consentimento para os seus planos anti-povo e para arcar com as suas novas opções anti-povo, ou através de um novo acordo alegadamente "melhorado" com as organizações imperialistas, ou através de uma saída do euro e um retorno a uma divisa nacional, algo a que o povo será chamado a pagar mais uma vez. 

Nestas condições, o KKE conclama o povo a utilizar o referendo como uma oportunidade para fortalecer a oposição à UE, a fortalecer a luta pela única saída realista da barbárie capitalista de hoje. O conteúdo desta saída é: RUPTURA-DESLIGAMENTO DA UE, CANCELAMENTO UNILATERAL DA DÍVIDA, SOCIALIZAÇÃO DOS MONOPÓLIOS, PODER DOS TRABALHADORES E DO POVO. 

O povo, através da sua actividade e da sua escolha no referendo, deve responder ao engano da falsa pergunta colocada pelo governo e rejeitar a proposta da UE-FMI-BCE e também a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambas contêm bárbaras medidas anti-povo, as quais serão acrescentadas ao memorando e às leis de aplicação dos anteriores governos ND-PASOK. Ambos servem os interesses do capital e dos lucros capitalistas. 

O KKE enfatiza que o povo não deve escolher entre Scila e Caribdis, mas deve exprimir, com todos os meios disponíveis e por todas as vias, sua oposição à UE e seu memorando permanente no referendo. Ele deve "cancelar" este dilema lançando dentro da urna eleitoral, como seu voto, a proposta do KKE como seu voto 


NÃO À PROPOSTA DA UE-FMI-BCE 
NÃO À PROPOSTA DO GOVERNO 
DESLIGAMENTO DA UE, COM O POVO NO PODER
A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/en/... 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sábado Resistente debate Coratio, filme sobre o livro Brasil Nunca Mais



Filme Coratio abre debate sobre os 30 Anos do histórico livro Brasil Nunca Mais


Paulo Vannuchi, Anivaldo Padilha, Bruno Paes Manso e a diretora Ana Castro conversarão com o público no dia 4/7, no Memorial da Resistência SP

O primeiro Sábado Resistente de julho debaterá, por meio do documentário Coratio, os 30 anos do lançamento do livro Brasil: Nunca Mais, a primeira publicação que denunciou a tortura promovida pelo Estado na ditadura civil-militar de 1964-1985. O filme foi realizado com base em documentos oficiais.

Coratio é um documentário sobre a violência de ontem e de hoje. O “Nunca Mais” do título do livro era um apelo: “para que nunca se esqueça, para que nunca mais aconteça”. Mas infelizmente não conseguimos viver essa realidade. A violência não sumiu. Ao contrário: a tortura e as violações dos direitos humanos parecem institucionalizadas. Coratio discute por que ainda repetimos os mesmos erros do passado. E se existem novos caminhos pra percorrermos no presente e no futuro. Sem violência, sem absurdos.

Lançado em julho de 1985, o livro chegou às livrarias sem qualquer anúncio. Em duas semanas já estava no topo das listas de mais vendidos. Um dos principais objetivos da publicação foi preservar a memória do que ocorreu durante a ditadura. E assim tentar garantir que a tortura e o desrespeito aos direitos humanos nunca mais acontecessem.

Como eles fizeram isso? De uma forma audaciosa e corajosa. Em 1979, com os primeiros passos rumo à redemocratização, alguns advogados decidiram agir para que os documentos produzidos pelos militares não fossem destruídos ou queimados – prática comum em cenários de redemocratização. E usando uma brecha legal do sistema, passaram a copiar todos os processos que estavam no Superior Tribunal Militar, em Brasília. Secretamente.

Para montar essa operação eles precisavam de dinheiro para comprar as máquinas fotocopiadoras, pagar os funcionários, montar um escritório. Procurados pelos advogados, o reverendo presbiteriano Jaime Wright e o cardeal da igreja Católica Dom Paulo Evaristo Arns embarcaram nesta ousada empreitada. Conseguiram levantar o dinheiro com o apoio do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). 

Ao todo foram copiados 710 processos e seus anexos, um total de mais de um milhão de páginas. Um grupo de pesquisadores finalizou um primeiro projeto, chamado de “A”, em que se reuniu de forma sistemática tudo o que havia nos processos.

Para que mais pessoas tivessem acesso às chocantes informações que eles encontraram, Dom Paulo Evaristo Arns decidiu resumir o projeto “A” em um livro. Coordenados por Paulo de Tarso Vannuchi, os jornalistas Ricardo Kotscho e Frei Betto foram os responsáveis por transformar as seis mil páginas no livro “Brasil: Nunca Mais”. O livro, lançado pela editora Vozes, está em sua 40° edição.

Mas, três décadas depois do lançamento ainda não podemos dizer "nunca mais" para a tortura e violência do Estado.  As práticas de violações dos direitos humanos, por agentes do Estado continuam. 

A atividade é gratuita e não é necessário se inscrever.

Assista ao trailer do documentário clicando aqui.

PROGRAMAÇÃO: Sábado, 4 de julho de 2015 (14h às 17h30)

14h – Boas vindas


Kátia Felipini Neves (Memorial da Resistência de São Paulo)
Maurice Politi (Núcleo de Preservação da Memória Política)
Ana Castro (Diretora do documentário Coratio)

14h15 – Exibição do documentário Coratio

15h30 – Debate


Anivaldo Padilha (Formado em Ciências Sociais, ex-preso político, foi diretor do Departamento Nacional da Juventude da Igreja Metodista.  Após a prisão, passou treze anos no exílio, onde continuou sua luta contra a ditadura. Foi coordenador do Grupo de Trabalho "O Papel das Igrejas durante a Ditadura", da Comissão Nacional da Verdade)
Bruno Paes Manso (Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (2012), com mestrado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (2003). Graduado em Economia pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (1993) e em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (1996). Atualmente realiza pesquisa de Pós Doutorado no Núcleo de Estudos da Violência da USP sobre homicídios, confiança institucional e legitimidade. Jornalista da Ponte e da VICE)
Paulo Vannuchi (Coordenador do livro “Brasil: Nunca Mais”, ex preso político, foi ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (205 – 2011) e atualmente é membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos – CIDH, da Organização dos Estados Americanos – OEA)

Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.

Prêmio Vladimir Herzog de anistia e direitos humanos abre inscrições


                                                                  
Profissionais da imprensa de todo o Brasil já podem inscrever suas reportagens no 37° "Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos". O prazo para participar termina dia 31 de julho. 

O prêmio está dividido em categorias como artes, fotografia, documentário de TV, rádio, jornal, internet e revista.

Para concorrer ao prêmio, o jornalista precisa preencher uma ficha de cadastro e anexar a matéria publicada no site da instituição.

A escolha dos vencedores será feita em duas fases. A decisão final acontece em sessão pública com exibição ao vivo na internet no dia 30 de setembro. 

A cerimônia de premiação será realizada no Teatro da Universidade Católica, em São Paulo, no dia 20 de outubro.

Movimento realiza manifestação no Dia Internacional de Luta contra à Tortura

                                                                                 
   Movimento Ocupa DOPS
Ato aconteceu em frente ao antigo prédio do Dops do Rio de Janeiro, centro de repressão política e tortura.

O Movimento Ocupa Dops realizou no sábado (27) um ato público em frente ao antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) para marcar o Dia Internacional de Combate à Tortura. 

O evento prestou homenagem a Inês Etienne e Estrella Bohadana, militantes de esquerda vítimas da tortura do Estado durante o período da ditadura militar mortas neste ano - em 27 de abril e 11 de maio, respectivamente.

O evento iniciou as 16h e contou com uma série de atividades, como o Sarau do Cárcere, a exibição do filme "Ser Tão Cinzento", de Henrique Dantas, debate com o diretor de cinema Silvio Tendler, esquetes Teatrais de atores da Escola Martins Pena.

O Ocupa Dops consiste em uma campanha pela transformação do prédio do que  pertenceu ao Dops-RJ em espaço de Memória da Resistência e reúne entidades e ativistas defensores dos direitos humanos. O edifício, que se localiza no Centro da cidade do Rio de Janeiro, na esquina da Rua da Relação com a Rua dos Inválidos, consta no relatório final da Comissão Nacional da Verdade como um local em que diversas violações de direitos humanos foram perpetradas pelo Estado. 

O movimento propõe que o espaço se converta numa referência de direitos humanos e que abrigue acervos e atividades relacionados ao direito à memória, verdade e justiça.  Caso a iniciativa seja vitoriosa, a ideia é que os projetos para a concepção do espaço deverão ser escolhidos a partir de um concurso público, com a supervisão do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ).

O edifício tem sido reconhecido pelo seu valor histórico e artístico, e já foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Atualmente, entretanto, em mau estado de conservação, com muitos documentos em deterioração. O Ocupa Dops reivindica que a administração do edifício, atualmente feita pela Polícia Civil, seja transmitida à Secretaria Estadual de Cultura. Uma reunião para tratar desse assunto com os respectivos órgãos estava agendada para esta segunda-feira (29).
                                                         
                                                                                                                 Tânia Rêgo/ABr                                                          
O prédio

Inaugurado em 1910, o edifício foi construído para sediar a Repartição Central de Polícia, abrigando ao longo dos anos distintas polícias políticas responsáveis por reprimir setores sociais que supostamente pudessem comprometer a “ordem pública”, entre eles sambistas, capoeiristas e adeptos das religiões afrobrasileiras. 

Já entre 1962 e 1985, funcionou neste prédio o Departamento de Ordem Política e Social do Rio de Janeiro (Dops-RJ), um dos principais órgãos de perseguição política, tortura, morte e desaparecimento forçado de pessoas durante a ditadura civil-militar, tornando-se um dos principais símbolos dos anos de chumbo na cidade do Rio de Janeiro. (Com o Brasil de FAto/Movimento Ocupa DOPS)

Tsipras promete renunciar caso 'sim' ganhe no referendo sobre dívida grega

                                                                            
                                          Pixação nas ruas de Atenas pede voto pelo 'não'


Vanessa Martina Silva e Patrícia Dichtchekenian | São Paulo - 29/06/2015 - 17h37


“Propusemos um acordo mais justo socialmente e que haja uma negociação sobre a dívida. Se não aceitam isso, o que posso fazer?”, questionou
      
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse nesta segunda-feira (29/06) que, caso o sim vença, renunciará um dia após o referendo convocado para que a população decida sobre aceitar ou não o acordo proposto pelos credores sobre a dívida grega. 

O premiê foi eleito no ano passado com uma proposta antiausteridade e vem travando, há cinco meses, negociações com a troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Europeu), sem sucesso.

Tsipras ressaltou que está disposto a participar de debates com a oposição que defende o acordo
“Nos elegeram nas urnas para seguir na União Europeia, mas não para seguir tolerando a austeridade”, disse.

O premiê convocou a população a votar pelo “não” no referendo que será realizado no próximo domingo (05/07). Para Tsipras, “um voto no ‘não’ dará a nosso governo uma posição muito mais forte para continuar as negociações”. 

E convocou a população a votar dessa forma: “os credores nos deram um acordo… nós pedimos que vocês o rejeitem com toda a força”. Segundo ele, o referendo será uma continuidade das negociações.

As declarações vieram após o governo grego decretar a restrição de capitais. A partir daí, credores europeus pressionaram Atenas a respeito do referendo.

O líder grego afirmou que a decisão de não estender o programa de resgate foi feita para “fechar os bancos com o objetivo de que o povo grego não possa decidir”, sugerindo que a medida foi tomada para evitar a realização do referendo. 

 “Pensaram que este governo de esquerda seria um parêntesis e vão se enganar. (…) Este é o primeiro governo que faz o que promete. Prometemos negociar com dureza e é o que estamos fazendo”, disse.
"Nós temos a justiça do nosso lado. Se nós temos que superar o medo, então não temos nada a temer", escreceu o líder no Twitter:

Apesar disso, reiterou que a decisão do povo será respeitada, seja qual for. Questionado por um jornalista se respeitará as urnas, respondeu: “Não tenho apego à cadeira. Eu não sou primeiro-ministro porque amo a cadeira.” Ele mencionou ainda outros processos de consultas populares que foram respeitados dentro da União Europeia, como na Irlanda, e pediu que o grupo faça o mesmo com a Grécia.

“Propusemos um acordo mais justo socialmente e que haja uma negociação sobre a dívida. Se não aceitam isso, o que posso fazer?”, questionou, durante entrevista em Atenas. “Nós fizemos tudo o que era humanamente possível nos cinco meses desde que chegamos ao poder”, afirmou.
                                                                          
    Manifestação desta segunda é considerada uma das maiores desde 2012
           Com relação ao prazo de 48 horas dado ao país para aceitar ou rejeitar a oferta feita pelo Eurogrupo, o premiê foi taxativo: “responderemos o ultimato em uma semana, quando tivermos a decisão do povo grego”. 

Ele disse ainda não acreditar que a Europa queira tirar a Grécia do euro. “Não o farão. O custo seria enorme para eles. Eles querem mais e mais de nós”, afirmou. “Queremos que essa coisa de ‘grexit’ [saída do país da zona do euro] tenha fim. Nós queremos deixar esse círculo vicioso da pobreza”.

“Eu pedi uma extensão [à chanceler alemã, Angela Merkel e ao presidente francês, François Hollande], eu falei sobre a necessidade de democracia. Ninguém pode me responder”. Ao mesmo tempo, o premiê grego disse que, se os credores oferecerem hoje um acordo, o país "paga o FMI amanhã".

Manifestação

Milhares de manifestantes se concentraram na noite (tarde em Brasília) desta segunda-feira (29/06) na praça Syntagma, em Atenas, em apoio ao governo do premiê Alexis Tsipras e para defender o voto “não” no referendo marcado pelo governo para decidir sobre o resgate da União Europeia à Grécia.
'Tudo é sempre sobre outra coisa': Por que é preciso punir Atenas

Ganhadores do Nobel de Economia acreditam que Grécia deve dizer 'não' a acordo com credores

O governo grego tem sido bastante pressionado pelos europeus por conta do referendo, marcado para o próximo domingo, 5 de julho. No próximo fim de semana, os gregos deverão responder à pergunta: “Você aceita as medidas propostas pelas Instituições Europeias?”. Ao passo que o governo grego incentiva a população pelo “não”, sócios europeus buscam reverter esse cenário.

"Votem sim", pede Juncker

Temendo que a possibilidade de que a Grécia saia da zona do euro, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, pediu que o povo grego “vote pelo sim”. "Peço aos gregos, que amo profundamente, que votem sim seja qual que for a pergunta", afirmou. "A saída da Grécia da zona do euro nunca foi uma opção para mim", acrescentou o líder do bloco. 

Além de membros do Conselho Europeu e do FMI (Fundo Monetário Internacional) e BCE (Banco Central Europeu), a situação na Grécia também preocupa os governos europeus. 
Agência Efe

Merkel descartou hoje a possibilidade de se negociar com a Grécia uma linha de financiamento de curto prazo caso as negociações sejam retomadas, pois "não há nenhuma base legal" para isso, segundo a chefe de Governo alemã.

Em discurso nesta tarde no Parlamento inglês, o ministro de Finanças do Reino Unido, George Osborne, destacou no risco de uma saída da Grécia da zona do euro ao dizer que "ninguém deveria subestimar o impacto" que isso teria para a economia europeia e para a britânica.

Já o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, convocou também para esta segunda uma reunião extraordinária com uma comissão especial para avaliar as possibilidades de evitar um “contágio” da crise em Atenas.

Por sua vez, Hollande criticou as decisões dos últimos dias tomadas pelo governo grego encabeçado pelo partido de esquerda Syriza, especialmente a convocação do referendo. "Deploro a escolha. Estávamos perto de um acordo", disse.
                                               
                                                                   Agência Efe
                                    Aposentados leem manchetes dos jornais desta segunda

Para o premiê da Itália, Matteo Renzi, o "referendo grego não é um jogo entre a Comissão Europeia e Tsipras, mas um derby entre o euro e a dracma [antiga moeda grega]".

Entenda caso

Novas filas foram vistas em caixas eletrônicos nesta segunda na Grécia, poucas horas depois de o governo limitar a retirada de dinheiro a € 60 diários, bem como o fechamento de bancos e dos mercados até o dia 7 de julho. A partir desta terça (30/06), no entanto, aposentados poderão sacar até € 120.

No domingo (28/06), o primeiro-ministro do país, Alexis Tsipras, anunciou que o Banco Central da Grécia “foi obrigado” a decretar um controle de capitais a partir desta segunda.

Conforme o comunicado, poderão ser realizados pagamentos com cartão no país, assim como transações internas, por meio dos serviços bancários na internet. De acordo com o governo grego, as pensões dos aposentados não farão parte dessas limitações.

Divididos sobre referendo e calote, gregos começaram a lotar os caixas eletrônicos no sábado (27/06) para sacar dinheiro em Atenas, já expressando medo de ter suas divisas bloqueadas em um futuro próximo.

Esta terça é o prazo-limite estabelecido pelo Eurogrupo para o pagamento de uma parcela de 1,5 bilhão de dólares ao FMI.

Nos últimos meses, o governo grego — encabeçado pelo partido de esquerda Syriza — tentou negociar com os credores a possibilidade de um novo empréstimo no valor de 7,2 bilhões de euros, em troca de reformas orçamentárias. Uma das principais exigências do Eurogrupo é o corte no setor previdenciário, algo a que os ministros do Syriza radicalmente se opõem. (Com Opera Mundi)

A crise no Brasil: bolha imobiliária?


                                                            
    Foto: Mateus Pereira/Secom Governo da Bahia (CC BY 2.0)
Alejandro Acosta

 A caderneta da poupança tem registrado o maior volume de saques dos últimos 20 anos. Neste ano, até o mês de maio, as retiradas somaram R$ 32,3 bilhões

Por que aumentam os saques da poupança?

Em torno de 65% dos recursos da poupança são usados pelos bancos para o crédito imobiliário. O rendimento da poupança, abaixo da inflação oficial, representa um dos motivos das retiradas. Mas há ainda o aprofundamento da crise capitalista que tem obrigado os brasileiros a recorrerem à poupança para pagar dívidas.

À queda da poupança se soma a saída dos fundos estrangeiros do Brasil, nos últimos dois anos, devido ao aumento do risco. O financiamento dos imóveis ficou concentrado nas mãos dos bancos públicos, principalmente a CEF (Caixa Econômica Federal), que passou a fornecer, de R$ 70 bilhões em 2011, para mais de R$ 140 bilhões em 2014.

Até o ano passado, a CEF financiava até 80% do valor dos imóveis. Agora só financia a metade e, no caso dos imóveis com valor superior aos R$ 750 mil, somente 40%.

Os bancos privados aumentaram os juros do crédito imobiliário, em maio, que passaram para taxas entre 10,3% e 11,6%.

Aonde conduz a contração do crédito imobiliário?

Os efeitos da contração do crédito imobiliário se traduzem na contração do setor da construção civil que hoje emprega mais de quatro milhões de trabalhadores.

Junto com o aumento da desaceleração industrial, representa um dos fatores relacionados com o aumento do desemprego.

O aprofundamento generalizado da crise econômica conduz, inevitavelmente, ao aumento da inflação, da carestia da vida e do desemprego. Ao mesmo tempo, para quem já possui financiamento imobiliário, o valor das parcelas aumentou e deverá aumentar ainda mais no futuro.

A redução da procura colocará em xeque os valores dos imóveis, que triplicaram nos últimos cinco anos. Gigantescos volumes de capitais especulativos migraram, dos países centrais para os chamados países emergentes, em busca de lucros. 

Mas, conforme tem aumentado a tendência a esses países serem atingidos pela crise capitalista, esses capitais têm buscado o “porto seguro” das dívidas públicas ou quando ficam, exigem altas taxas de juros.

A queda dos preços provocará a repetição das situações que se tornaram muito comuns a partir de 2008, as mesmas que já tinham sido vistas antes no nosso hemisfério, principalmente após a bancarrota da Argentina em 2001. 

Os preços dos imóveis caem (às vezes violentamente) e os compradores são obrigados a pagar financiamentos maiores que o valor dos imóveis, apesar de já terem feito pagamentos durante vários meses ou mesmo anos. Se a essa situação somarmos a piora das condições de vida, e ainda o desemprego, que estão colocados para o próximo período, a inadimplência tende a disparar.

No Brasil, mesmo não existindo a especulação com os nefastos derivativos financeiros nos níveis dos países centrais, a bolha imobiliária existe e tem uma origem clara. O principal fator é que o governo carrega o crédito imobiliário nas costas. Agora, o dinheiro da poupança, que fornece algum capital privado, está ficando cada vez mais enxuto.

Há uma encruzilhada imposta pelas próprias contradições do “nosso sistema capitalista tupiniquim”. O imperialismo exige um maior saque dos países latino-americanos, principalmente, por meio de mecanismos financeiros altamente parasitários, como a ultra podre dívida pública.

Ao serem tirados recursos do mercado imobiliário, a crise no setor produtivo acaba acelerando, ao mesmo tempo que se acentua a tendência ao estouro de bolhas financeiras com o potencial de gerar enormes rombos nos bancos.

Mas quais seriam as alternativas? Na realidade, o capitalismo parasitário não tem alternativas. Trata-se da conhecida, e muito atual, política do “salve-se quem puder”.

A única saída passa pelo rompimento com o imperialismo. Pelo desconhecimento da dívida pública e a estatização dos bancos, em primeiro lugar. Essa tarefa somente pode se realizar sobre a base de uma ampla mobilização popular, que é a única maneira possível para enfrentar, e derrotar, o imperialismo.

O estado burguês ainda pode continuar garantindo os lucros do capital financeiro, mas as consequências inevitáveis são o aumento da inflação, com mais recessão, e desemprego. Ou seja, ingredientes altamente explosivos que conduzem a um novo ascenso operário. (Com o Diário Liberdade)