segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Desfile militar serve de advertência para que não se repitam os horrores do passado

                                                         

Hans Van De Vem (*)

PEQUIM,31 de agosto (Diário do Povo Online) - A decisão da China de organizar uma parada militar a 3 de setembro para marcar o 70º aniversário do dia da vitória deve-se a importantes fatores domésticos e globais.

Em nível doméstico, reforça a conglomeração do povo chinês em torno de um marco histórico comum, construído com base na resistência conjunta contra as agressões externas e ao esforço para criar uma nação moderna e próspera.

A demonstração de material bélico vai de encontro ao objetivo de demonstrar que a nação está a par das restantes potências mundiais e, deste modo, é capaz de defender o seu povo. 

No inconsciente comum da nação chinesa, esta demonstração de capacidade militar é importante. Especialmente se for tido em conta que durante cerca de dois séculos a nação sofreu várias derrotas e invasões, o que deixou marcas profundas na identidade nacional.

Ao nível global, esta parada tem como objetivo a consciencialização da comunidade mundial relativamente ao papel desempenhado pela China na Segunda Guerra Mundial, especialmente no contexto asiático, face à agressão japonesa, nunca se resignando e resistindo ativamente até ao final da guerra do lado das potências aliadas. 

Embora no ocidente, o contribuição  chinesa na Segunda Guerra Mundial seja ainda considerada reduzida, para a China e para o seu povo, a vitória final é um dos momentos chave na sua história moderna.

O Japão rendeu-se em território chinês não a 3 de setembro de 1945, mas a 9 do mesmo mês, em Nanquim às 9h00 da manhã. 

A escolha chinesa para o dia da rendição (9 horas do dia 9 de setembro de 1945) deve-se ao som parecido do número 9 com a palavra resistência. 

Chiang Kai-Shek, o líder de então, declarou que a política chinesa seria de “devolver a agressão com generosidade”.

Os 3 dias de comemoração nacional, decididos pela liderança Chinesa no ano anterior, refletem esse espírito. De agora em diante, as vítimas do massacre de Nanquim serão lembradas a 13 de dezembro e a vitória da China sobre o Japão a 3 de setembro. 

A inclusividade das celebrações é notável, pois põem as rivalidades históricas entre o Partido Comunista e o Partido Nacionalista (Kuomintang). Este ano, veteranos que lutaram por ambas as fações vão participar nas comemorações.

A China revê-se um pouco nas palavras do ex-presidente alemão Richard von Weizsacker datadas de 8 de maio de 1985. 

Ele afirmara que para a Alemanha, a rendição aos aliados de 1945 foi um dia de libertação e não de derrota. 

O dia da libertação serve também para lembrar a grande derrota para a humanidade dos anos antecedentes que não se deve voltar a repetir – esta é uma responsabilidade da presente e das futuras gerações.

(*) Hans Van De Vem é professor de História Moderna da China no Departamento de Estudos Asiáticos da Universidade de Cambridge. (Com o diariodopovoonline)

8º aniversário da Casa da América Latina

                                                   

                                           CONVITE

A Casa da América Latina, convida a tod@s, a participarem da cerimônia do seu  8º Aniversário e a entrega da Medalha Abreu e Lima, a cinco internacionalistas.
A Cerimônia se dará no dia, dois de setembro de 2015, às 18:30hs, no Plenário da Assembléia Legislativa (ALERJ),na Rua Primeiro de Março, S/N - Centro -Rio de Janeiro
            Contamos com sua honrosa presença

Agraciados :

Beatriz Bissio
Jose Mujica
Paulo Ramos
Sindicato dos Petroleiros
TeleSur

Fóruns Regionais - Depois de Aloísio Lopes


Uma hora de música comunista italiana

Fascismos: ontem e hoje

                                                                 
                                                             Frederico Haikal/Hoje em Dia

O ex-vereador e ex-prefeito de Belo Horizonte Betinho Duarte convida para o debate "Fascismos: ontem e hoje", com o professor e cientista Político Otávio Dulci (foto) dia 11, sexta-feira, às 19h na sede do CREA, avenida Álvares Cabral, l500. 6º andar, no bairro Santo Agostinho.

Betinho, que é membro da Rede em Defesa da Humanidade, estará lançando na ocasião seu último livro "Estamos vivos.A volta será pior.O DNA do terrorismo de direita em Minas", no qual o professor  Otávio Dulci contribui com o artigo "Fascismos: ontem e hoje", tema que abordará no debate.

No texto que se encontra no capítulo 34, o professor lembra que "a intolerância é uma das marcas da mentalidade fascista.Trata-se de negar a diversidade, de erradicar as diferenças e de atingir os diferentes."

Em suas conclusões, Otávio Dulci diz que em época de crise no Brasil, crescem as diferenças e também as inseguranças quanto ao futuro.

Show de Déa Trancoso

                                                                                   
                                                                                                   Kika Antunes
Projeto ELAS
apresenta

DÉA TRANCOSO

Teatro de Câmara - Cine Theatro Brasil
01 de setembro – terça-feira - 19:30 h

Celebrando 50 anos de vida, e 25 de carreira, a cantora e compositora passeia por sua trajetória

O projeto ELAS, criado e coordenado por Luiz Trópia e Tadeu Martins, apresenta no dia 01 de setembro a cantora, compositora, escritora e produtora cultural Déa Trancoso, que sobe ao palco do Teatro de Câmara Cine Brasil, acompanhada pelo violonista, cantor e compositor, Ricardo Novais.

O concerto celebra os 50 anos de vida e 25 de carreira da talentosa artista e vai mostrar músicas de seus quatro discos: O violeiro e a cantora (2000), Tum Tum Tum (2001), Serendipity (2013) e Flor do Jequi (2013).

Déa mostrará também canções inéditas que farão parte de seu novo trabalho, previsto para 2016, e a canção “Tempo”, uma parceria dela com Ricardo Novais.

A mineira Déa Trancoso foi indicada duas vezes ao Prêmio da Música Brasileira (2007, em quatro categorias – concorrendo com Maria Bethânia, Chico Buarque, Daniela Mercury e Alceu Valença – e 2013, em uma categoria, concorrendo com Elba Ramalho e Simone Guimarães).

Déa criou em 2011 o selo TUM TUM TUM DISCOS, pelo qual lançou seus três álbuns. Ela já se apresentou em turnês pelo país e pela Europa e suas canções já foram gravadas por artistas como Ná Ozzetti, Mônica Salmaso, Ceumar, Gonzaga Leal e Isabel Nogueira.

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$15,00 (meia) pelo telefone 2626-1251
no site www.compreingressos.com e nas bilheterias do Cine Theatro Brasil

Informações: 8893-7806 – 8474-2050

PREVISTO NA LEI

                                                                                       
    
Hospital de Porto Alegre tem de garantir acompanhante para idoso internado

O Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, tem de assegurar a todos os idosos internados o direito de contar com um acompanhante durante o período de internação. A decisão liminar é da 3ª Vara Federal da capital gaúcha. A medida, proferida pela juíza federal Maria Isabel Pezzi Klein, também abrange pacientes em observação, inclusive no setor de emergência.

A Ação Civil Púbica foi ajuizada pelo Ministério Público Federal com base em Representação feita por um jovem. O rapaz alegou ter sido impedido de permanecer com o avô enquanto este aguardava por um leito no setor de casos emergenciais. O direito de acompanhante é garantido no artigo 16 do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003).

De acordo com o MPF, o gerente de Pacientes Externos do hospital teria alegado que as taxas de ocupação da emergência, historicamente acima de 100% de sua capacidade, inviabilizariam o acompanhamento dos pacientes por familiares. Para o autor da ação, entretanto, a situação deveria ser resolvida pela entidade sem prejudicar direito expressamente previsto em lei.

A instituição defendeu-se informando a existência de demanda elevada, aliada à falta de leitos para internação e à insuficiência de recursos humanos e infraestrutura necessários ao cumprimento da legislação. Acrescentou que, em caso de concessão da medida liminar, há risco do dano irreparável reverso, pois a administração pública teria de deslocar verbas para o atendimento da determinação judicial. Destacou, ainda, a excessiva procura de cuidados hospitalares em casos de doença de menor complexidade, que poderiam ser solucionados na rede de atenção básica de saúde.

Ao decidir liminarmente o caso, a julgadora afirmou estar ciente das dificuldades enfrentadas por inúmeras instituições hospitalares no país. "A superlotação das instituições hospitalares, em especial aquelas cujo atendimento seja 100% pelo SUS, não é desconhecida por este Juízo, entretanto, este fenômeno se apresenta já de longa data e, não obstante todo o sofrimento sentido pela população mais carente de nosso país, não se verifica qualquer providência mais efetiva por parte do Poder Público para amenizar tal situação, seja na construção de mais hospitais, ou na ampliação da rede hospitalar já existente, com o aumento do número de leitos, seja, também, na busca de uma maior eficácia na rede de atenção básica de saúde”, escreveu no despacho.

Para a juíza, eventuais impossibilidades de cumprimento deverão ser justificadas por escrito, pelo profissional médico, sendo-lhe vedada a alegação genérica da superlotação do estabelecimento.

O prazo fixado para o atendimento à decisão judicial é de 20 dias, a contar da citação, sob pena de aplicação de multa diária no valor de R$ 200, cobrada sobre cada caso individual. Cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Com informações da Assessoria de Imprensa da Justiça Federal do RS.
(Co a Conjur)

Um grande começo!


                                                                                                                                                           Juvenal Balán


Amanhã, 1º de setembro, começa em cada sala de aula em Cuba um novo ano letivo e para agrado das mães que trabalham, aumentam em mais de 2,7 mil as vagas para os jardins de infância (creches)

UM novo ano escolar começa amanhã, 1º de setembro, em cada sala de aula em Cuba, nas quais vão entrar quase dois milhões de alunos do ensino geral e superior, e onde o principal objetivo a ser alcançado pelos professores é conseguir maior qualidade em todos os processos da educação e formação integral dos alunos, não só no domínio do conhecimento, mas também em adquirir ferramentas para compreender o mundo em que vivem e serem cidadãos cívicos e éticos, capazes de transformar sua realidade.

Em declarações recentes à imprensa dos dirigentes dos ministérios da Educação (Mined) e do Ensino Superior (MES), soube-se que estão prontos os estabelecimentos educacionais e os materiais escolares e de vida para o presente ano letivo, no qual aumentaram as matrículas do ensino médio, ensino técnico-profissional e a formação de professores e adultos profissionais, mas diminuem no ensino fundamental. Entretanto, e para o agrado das mães que trabalham, aumentaram em mais de 2,7 mil as vagas para os jardins de infância (creches).

Embora em infraestruturas tecnológicas e edificações educacionais ainda haja muito trabalho a fazer, o Mined destinou 17,5 milhões de dólares para a importação de material escolar, como lápis de escrever e de cores, aquarelas, cadernos de cores e desenhos, entre outros, bem como a manutenção construtiva realizada até agora a 2.584 instituições, mais das 1831 previstas.

Por outro lado, mais de 3 mil estudantes em quarto e quinto anos dos cursos universitários vão apoiar a instrução no ensino geral, compromisso ratificado pelos participantes no recente Conselho Nacional da Federação dos Estudantes Universitários (FEU), o que contribuirá para uma maior cobertura educacional que atualmente é deficiente, também beneficiada por mais de 8,3mil graduados de nível médio e superior dos centros pedagógicos. No entanto, se mantem essa situação crítica em Havana e Matanzas, que vai ser reforçada com contingentes de professores de outros territórios.

Como prioridades na educação são mantidas neste curso as matérias como História de Cuba e a língua nativa, assim como o domínio do idioma Inglês e o constante aperfeiçoamento de professores, os quais acabam por influenciar a necessária formação integral dos alunos. (Com o Granma)

"YO TE NOMBRO LIBERTAD"

      
                                                                   

Lançamento da Campanha "YO TE NOMBRO LIBERTAD" pela liberdade dos presos políticos da Colômbia. 
HOJE, segunda-feira, 31 de agosto
Hora: 18:00h
Local: Câmara Municipal do Rio de Janeiro - (Praça Floriano, S/N - Cinelândia - Térreo), com participação do companheiro Marcelo Chalreo da OAB.
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Na Colômbia temos aproximadamente 10.000 presos e presas políticas, dos quais mais do 90% são civis, presos de consciência, companheiros e companheiras camponeses, sindicalistas, indígenas, estudantes, acadêmicos/as, artistas, jornalistas, defensores/as de direitos humanos, entre outros... Só da Marcha Patriótica entre 2010 e 2015 temos tido mais de 300 companheiros/as presos, na atualidade são 92 em cárceres, mas somam mais de 100 com processos judiciais abertos. 

Segundo dados oficiais, em 1998 haviam 43.259 presos, o que implicava uma taxa de superlotação nos cárceres de 31,1%; no inicio de 2015 eram 116.760, chegando a 52,9% de superlotação, sendo que em alguns casos chega a 300%. Entres esses 17 anos se têm construído novos centros penitenciários, sob o modelo estadunidense, mas a população carcerária quase triplicou, como consequência das políticas de criminalização do protesto social, do pensamento crítico e da pobreza... O total de presos, contando os presos em domicilio e outras modalidades chega a mais de 140.000. 

Os presos políticos sofrem constantes torturas e diversas violações aos direitos humanos.
Em geral sem têm paupérrimas condições de vida: fome, insalubridade, insegurança, entre outras...
Milhares de presos na Colômbia não têm tido julgamento.   

Por tudo isso e mais, é fundamental que no processo de paz na Colômbia consigamos a liberdade de todos e todas os presos e presas políticas, e que se redefina a política carcerária em geral. Nessa caminhada é fundamental o acompanhamento e solidariedade internacional. Porque a luta social não é crime, é um passo para a liberdade!

Contamos com vocês e suas organizações, os presos políticos na Colômbia contam com vocês.
Também convidamos a todos os colombianos e colombianas democráticas e sensíveis ao processo de paz, que moram no Brasil, a que nos juntemos nesta iniciativa
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Organizações que apoiam até hoje a Campanha "YO TE NOMBRO LIBERTAD" e as diversas iniciativas pela liberdade dos presos políticos da Colômbia:

1.     ACJM (Associação Cultural José Martí – RJ, Santos SP, RGS)
2.     ALAL (Associação Latino-americana de Advogados Laboristas)
3.     BONDE DA CULTURA
4.     BRIGADAS POPULARES
5.     CALLES (Casa da América Latina Liberdade e Solidariedade)
6.     CASA DA AMÉRICA LATINA
7.     CEBRAPAZ
8.     CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil)
9.     CMP (Central de Movimentos Populares do Brasil)
10.  COLETIVO FEMINISTA ANA MONTENEGRO
11.  COLETIVO MINERVINHO OLIVEIRA
12.  COMITÊ DE SOLIDARIEDADE À LUTA DO POVO PALESTINO (Rio de Janeiro)
13.  CONAM (Confederação Nacional das Associações de Moradores)
14.  CORRENTE SINDICAL UNIDADE CLASSISTA
15.  CRM (Centro de estudos estratégicos Ruy Mauro Marini)
16.  CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
17.  ESNA (Encontro Sindical Nossa América)
lign: justify;"> 18.  FDIM (Federação Democrática Internacional das Mulheres)
19.  FITEE federação Interestadual dos Trabalhadores em estabelecimento de Ensino)
20.  FSM (Federação Sindical Mundial)
21.  IELA – UFSC (Instituto de Estudos Latino-americanos)
22.  JCA (Juventude Comunista Avançando)
23.  JUVENTUDE 5 DE JULHO
24.  MARCHA PATRIÓTICA CAPÍTULO BRASIL
25.  MAS (Movimento Avançando Sindical)
26.  MMC (Movimento de Moradia da Cidade de São Paulo)
27.  MOPAT (Movimento Palestina para Todos e Todas)
28.  MOVIMENTO DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS
29.  MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores)
30.  MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra)
31.  MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto)
32.  GEA-SUR – UNIRIO (Grupo de Estudos em Educação Ambiental desde El Sur)
33.  OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil)
34.  OCAC (Organização Comunista Arma da Crítica)
35.  ORGANIZAÇÃO A MARIGUELLA
36.  PARTIDO COMUNISTA COLOMBIANO
37.  PT (Partido Dos Trabalhadores)
38.  PCB (Partido Comunista Brasileiro)
39.  PCdoB (Partido Comunista do Brasil)
40.  PCML (Partido Comunista Marxista-Leninista / Brasil)
41.  PCR (Partido Comunista Revolucionário)
42.  PCLCP (Polo Comunista Luiz Carlos Prestes)
43.  PPL (Partido Pátria Livre)
44.  PSOL (Partido Socialismo e Liberdade)
45.  REFUNDAÇÃO COMUNISTA
46.  SINDIPETRO
47.  TSCC-RJ (Trabalho Social Crítico da Colômbia – Rio de Janeiro)
48.  UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES
49.  UNEGRO (União de Negros pela Igualdade)
50.  UJC (União da Juventude Comunista)
51.  UJS (União da Juventude Socialista)

PALAVRAS SEM EQUILÍBRIO

                                                                           
             Paulo Henrique Amorim terá de indenizar Ali Kamel por chamá-lo de racista


Pedro Canário

O blogueiro e apresentador Paulo Henrique Amorim foi condenado mais uma vez a indenizar o diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel. Na sexta-feira (28/8), a juíza Lindalva Soares Silva, da 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro, fixou em R$ 20 mil o valor a ser pago pelo blogueiro por danos morais cometidos em entrevista ao jornal Unidade, do Sindicado dos Jornalistas de São Paulo.

De acordo com a juíza, “em uma sociedade civilizada, um jornalista precisa administrar com precisão e equilíbrio aquilo que diz, pois esta é a matéria prima do seu trabalho”. A liberdade de expressão, continua a juíza,  "não pode romper com os padrões da convivência civilizada, do respeito recíproco, tampouco podem gerar situações de constrangimento, através de palavras desproporcionais, ainda que lastreadas em críticas”.

Na entrevista contra a qual Kamel se insurgiu, Paulo Henrique Amorim fala do livro Não Somos Racistas, escrito pelo diretor da Globo e publicado em 2006. A obra é um texto de Kamel contra o sistema de cotas raciais. Diz ele que, ao impor esse sistema, o governo “divide o Brasil em duas cores, eliminando todas as nuances características da nossa miscigenação”.

Para o diretor da Globo, a política de cotas trabalha com a ideia de “brancos” e “não-brancos”, considerando os últimos, automaticamente, pretos. Quando na verdade, segundo o livro, a maioria dos brasileiros é parda. As cotas raciais, segundo Kamel, podem criar no Brasil “uma separação de cores que nunca existiu, promovendo ódio racial”.

Em entrevista ao jornal do Sindicado dos Jornalistas de São Paulo, Paulo Henrique Amorim critica o livro e a ideia que o motivou. Foi a conclusão do raciocínio que rendeu a condenação ao blogueiro: “Direi até o fim dos meus dias que o senhor Ali Kamel é um dos esteios mais sólidos do pensamento racista brasileiro”.

Segundo Amorim, “aquele livro é um dos centros ideológicos, uma das matizes filosóficas do pensamento racista ao delegar, ao subtrair a maldita herança da escravidão que está aqui até hoje”. “Seu Ali Kamel escreveu um livro para dizer que no Brasil a maioria não é negra, que a maioria é de pardos e, como não há negros, não precisa de cota.”

Para a juíza Lindalva Silva, está claro que houve violação a honra de Kamel”. “Houve uso desproporcional da linguagem”, segundo ela. “Agiu o réu de maneira abusiva ao não tomar o devido cuidado exigido no emprego da linguagem estando à conduta adequada aos artigos 186 e 187 do Código Civil devendo indenizar o autor pelos prejuízos sofridos”, diz a sentença.

Clique aqui para ler a sentença. (Com a Conjur)

O dinheiro compra a verdade

Kike Estrada/Rebelión/Divulgação
 

"No Brasil, em muitas circunstâncias, a imprensa é o primeiro poder", afirma Paulo Henrique Amorim em seu novo livro


                                                                                   


Jornalista lança livro sobre o papel de imprensa na história brasileira; “em muitas circunstâncias, a imprensa é o primeiro poder”, aponta

O jornalista Paulo Henrique Amorim está lançando o livro O Quarto Poder - uma outra história. Nele, o apresentador e blogueiro mescla sua trajetória profissional com a história de poder da imprensa brasileira em momentos históricos.

"No Brasil, em muitas circunstâncias, a imprensa é o primeiro poder. A força dela aqui é superior à força que a gente encontra em outras democracias no mundo", afirmou Amorim que chama a reunião dos grandes grupos midiáticos brasileiros de Partido da Imprensa Golpista (PIG).

O nome do criador da Rede Globo Roberto Marinho é bastante presente no livro. Amorim conta que, diferentemente das publicações antigas sobre Marinho “de bajulação rasteira e vulgar” seu livro mostra bastidores e trata o empresário “com as armas que ele deveria ser tratado”.

Em uma das passagens, Amorim conta qual foi a ordem de Marinho para a equipe de redação da emissora no episódio do debate entre os então presidenciáveis Collor e Lula, no segundo turno em 1989: “o que for de melhor do Collor com o que for de pior do Lula”.

O livro também conta detalhes do surgimento da Rede Globo e de como o governo do ditador Artur da Costa e Silva (1967-1969) salvou a emissora, fazendo as estatais comprarem maciças cotas de publicidade. 

“A Rede Globo nasceu de uma ilegalidade, financiada por um grupo americano, o Time-Life, o que era proibido pela Constituição. O Roberto Marinho deu uma garantia das posses pessoais dele, sabendo que a Globo receberia uma publicidade a preço de tabela. 

A Globo vendeu esses espaços para as estatais e pôde comprar a parte do Time-Life e saiu no lucro”, denuncia.

O lançamento do livro é na próxima quinta-feira (3), às 19:30, na Livraria Saraiva do Shopping Higienópolis, em São Paulo (SP). (Com o Brasil de Fato)

domingo, 30 de agosto de 2015

Flagrantes do lançamento do livro "Estamos Vivos. A volta será pior. O DNA do terrorismo de direita em Minas", de Betinho Duarte, na última sexta-feira no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais

A deputada federal Jô Morais foi ao lançamento


Betinho Duarte lançou mais um livro, agora sobre atentados
Jornalista Fernando Miranda e sua esposa
Jornalistas Paulo Lott e José Carlos Alexandre
Advogado Vicente Gonçalves, velho militante do PCB
Vereador Gilson Reis com Betinho

Jornalistas Aloísio Morais e Arthur
                                                Dentre os presentes, parentes de vítimas da ditadura

Agatha Christie - O segredo do seu êxito

                           
                                                        
Miguel Urbano Rodrigues

Agatha Christie (1890/1978) foi uma escritora importante?

Sim, muito importante. Dos seus livros, traduzidos em 100 idiomas, foram vendidos mais de 4 mil milhões de exemplares. Um total de vendas assombroso, somente superado pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare.

Mas porventura foi uma grande figura da literatura mundial? Não.

Sobre ela foram escritos dezenas de livros, quase todos elogiosos. Uma das suas peças de teatro, A Ratoeira, permaneceu no cartaz no Reino Unido durante mais de uma década. A Rainha Elisabeth, sua grande admiradora, atribuiu-lhe o título de Lady do Império.

Mas nunca obteve o apreço da crítica literária séria.

Como explicar o seu êxito comercial que ultrapassa o de qualquer outro autor de romances policiais, de Conan Doyle a Georges Simenon?

A leitura da sua autobiografia* ajudou-me no esforço para encontrar uma resposta.

Agatha nasceu numa mansão da estância balnear de Torquay. O pai era um americano britanizado. Não trabalhava, como era habitual na época vitoriana para quem vivia dos rendimentos.

Nas memórias a escritora recorda uma infância feliz numa família abastada da alta classe média. Quando no final do século XIX diminuíram os dinheiros que chegavam dos EUA, os pais alugaram a casa de Torquay e foram passar um ano no sul de França e depois na Bretanha, onde o custo de vida era menor.
«Uma das coisas que, penso, sentiria mais - escreveu na velhice – se fosse criança nos dias de hoje, seria a ausência de criados».

As referências à criadagem da época, que ela admirava pelo «orgulho profissional», são abundantes.

Agatha nunca frequentou uma escola. Estudou em casa e em pensionatos franceses, sobretudo música e canto.

Casou aos 22 anos, em l912, com Archibald Christie, um oficial da Força Aérea, que, finda a I Guerra Mundial, se tornou corretor da City londrina. 

Amou intensamente o companheiro, viajou pelo mundo com ele, mas após 14 anos de um casamento harmonioso (nasceu uma filha em 1919), o marido apaixonou-se por uma amiga e pediu o divórcio. 

A escritora conta que olhou para ele e percebeu que afinal era «um desconhecido». Agatha, angustiada, desapareceu durante dias, sofreu horrores, teve uma crise de amnésia.

O seu primeiro livro, um policial, foi escrito durante a guerra mas, recusado por seis editoras, somente foi publicado em 1920. Passou praticamente despercebido.

Durante anos Agatha resistiu a assumir-se como escritora, embora publicasse romances com alguma frequência. O êxito tardou. Para ele contribuiu a personagem que criou, Hercule Poirot, um excêntrico detetive belga muito vaidoso.

A publicação em folhetins dos primeiros livros e a adaptação ao teatro de outros foi para ela uma importante fonte de recursos. No início da II Guerra Mundial já era a escritora mais lida da Inglaterra e nos EUA a sua popularidade era enorme.

Muito inteligente, sensível, com uma imaginação prodigiosa, sentiu sempre dificuldade em se expressar em público, mas cativava as pessoas, era uma comunicadora superdotada.

«Sou muitas coisas - assim se retratou na Autobiografia - bem-disposta, exuberante, distraída, esquecida, tímida, afetuosa, completamente desprovida de autoconfiança, moderadamente altruísta (…) Gosto de sol, de maçãs, de quase todo o tipo de música, de comboios, de quebra-cabeças numéricos, e de tudo o que tenha a ver com números, de nadar no mar, de silêncio, de dormir, de sonhar, de comer, do cheiro de café, de lírios, da maioria dos cães e de ir ao teatro».

Essa confidência não ajuda muito a avaliar a sua personalidade complexa, contraditória, desconcertante.

Nas suas viagens por todos os continentes acumulou uma soma impressionante de conhecimentos. Mas não os transformou numa cultura extensiva, integral. Não tentou sequer esse desafio.

Nos seus livros o leitor não encontra um pensamento estruturado, uma meditação profunda sobre a existência e a História dos países do Médio Oriente onde viveu largos anos.

Ciente das suas limitações, é uma escritora de espumas. Criou um estilo, mas cultiva o superficial, a banalidade.

O tratamento da temática do quotidiano é em alguns escritores de uma grande riqueza. Em Georges Simenon, por exemplo. Nos seus romances, ele retrata admiravelmente les petits gens, as porteiras de Paris, os taberneiros, as prostitutas, as velhas solteironas, os clochards do Sena. O comissário Maigret é a antítese do Poirot de Agatha.

Perguntaram um dia a André Gide quem era na sua opinião o maior escritor da França. A sua resposta desconcertou o entrevistador: Georges Simenon. Exagerou, mas o criador de Maigret atravessou as portas da grande literatura; a mãe de Poirot não.

A gente de baixo não merece atenção especial de Agatha. Não é por snobismo que a esquece. Concentra a sua atenção na sua gente. Com a exceção dos romances de Miss Marple, a velha senhora de uma aldeia inglesa, e de Tommy e Tupence, escolhe as personagens na aristocracia, na gentry britânica, na alta burguesia, no mundo das artes.

Diz ter sido inspirada por Conan Doyle. Mas um abismo intransponível separa Poirot de Sherlock Holmes.

Os seus livros estão infestados de estereótipos e de lugares comuns, de disparates. É categórica na afirmação de que a amizade entre homens e mulheres lhe aparece como um absurdo. 

Sofreu muito durante as duas guerras. Mas concluiu que «vencer uma guerra é tão desastroso como perdê-la». Não hesitou em confessar que «o melhor de escrever naquele tempo é que eu relacionava o trabalho diretamente com dinheiro».

Cultiva com requinte o suspense. Mas a sua técnica faz dela, para alguns críticos, uma «escritora batoteira». Porquê?

Agatha lembra que gostou sempre de abrir «pistas falsas», para enganar o leitor. Mas oculta até às últimas páginas informações indispensáveis para a identificação do criminoso. Em alguns casos, depois de matar várias pessoas, este só aparece quase no final.

O happy end, talvez para atenuar o choque inerente à violência do tema, é frequente nos seus livros, sobretudo a relação amorosa entre personagens secundárias.

As viagens da juventude e as prolongadas estadas com o segundo marido no Iraque contribuíram para o êxito de alguns dos seus romances.

A pedido de um amigo, escreveu aliás um romance policial cuja ação se situa no Egipto faraónico.
Mas os leitores não encontram nesses livros algo que possa revelar um interesse profundo da autora – sequer interesse - pelas culturas da Assíria, da Suméria, ou do vale do Nilo no tempo do último Ramsés.

Na Autobiografia, iniciada em 1950 e concluída em 1965, três quartos são dedicados à infância, à adolescência, à juventude, ao convívio com o primeiro marido. 

Os 48 anos vividos com Max Mallowan, o segundo marido, um eminente arqueólogo, merecem-lhe menos atenção. A desproporção choca o leitor.

***

Agatha Christie somente é concebível na Inglaterra do seu tempo. Como mulher e escritora foi totalmente inglesa, inimaginável noutro país, noutro século.

Mas escreveu para milhões de não ingleses, foi por eles admirada como pelos seus compatriotas.
Como compreender, como explicar o seu imenso, surpreendente êxito literário?

Creio que para ele foi determinante ir ao encontro do que é comum no «gosto» da esmagadora maioria dos leitores de qualquer nacionalidade.
Ela escreveu o que as pessoas gostam que lhes digam.

Agatha faz-me pensar nas audiências enormes das telenovelas, na abertura à mediocridade. Penso também no êxito dos comentadores políticos da televisão cujas opiniões ofendem a inteligência.

Obviamente que Aristóteles ou Einstein não poderiam inspirar ao homo sapiens contemporâneo o interesse despertado pelos livros de Agatha Christie.

Autobiografia, Agatha Christie, 900 páginas, Editora ASA, Lisboa,2011 (Com odiario.info)

A banda feminina do exército chinês: um grupo de “beldades de ferro”

                                                                      
                                                                  



PEQUIM- (Diário do Povo Online) - Com o Dia da Vitória cada vez mais próximo, como preparam os soldados o seu espírito para ir de encontro à solenidade desta ocasião?

Recentemente, os jornalistas do exército tiveram acesso exclusivo à orquestra militar e foram averiguar o estado das preparações.

Como primeira banda integralmente feminina do Exército de Libertação do Povo Chinês, elas acrescentam uma identidade singular à orquestra. Mas quem pensar que elas apenas têm aptidão para a música, está enganado. 

Este grupo de senhoras não deixa a desejar face ao sexo oposto. Elas fazem questão de seguir os mesmo padrões de treino dos homens, não desistindo sob pretexto algum.

Por vezes, até se esforçam mais que eles no cumprimento das árduas tarefas diárias! 

Elas acreditam que apenas com a perseverança e suor podem manter as suas belas silhuetas, assim como o seu nível de performance musical, digno da ocasião especial onde se preparam para participar no dia 3 de setembro.

Durante a reportagem, deparamo-nos com um facto. Elas são um grupo de soldados comuns que vão participar na parada militar, mas simultaneamente são o grupo menos comum. Elas são um grupo de “beldades de ferro”!

2º Encontro Nacional da Reforma Agrária


Prostitutas, greves e mortos (os limites do realismo fantástico)


                                                                  
Mauro Luis Iasi

Enquanto isso, em um suposto país imaginário chamado Espanha, duas notícias abalam os cidadãos de bem: as prostitutas de luxo se recusam a fazer sexo com os banqueiros e os mortos estão sendo despejados de seus jazigos por falta de pagamento.

“Buenas noches… a pátria estarrecida enfrenta uma de suas maiores crises”, diz o locutor do jornal televisivo com aquele tom sarcástico que mescla dramaticidade e um toque sardônico, como se dissesse: “Sua mãe morreu… e estou adorando isso.”

Em entrevista, a líder da associação das profissionais do sexo afirma que “nós somos as únicas com capacidade real de pressionar o setor” para que cumpra com suas funções sociais. Segundo os dados apurados por esta emissora, estas senhoras afirmam que os bancos deveriam liberar linhas de crédito especial para os mais pobres e empresas que enfrentam dificuldades. Voltaremos a esta notícia logo após nossos intervalos comerciais.

Logo após alguns minutos de comerciais – alguns inclusive de bancos nos quais se insiste como você pode ser realmente feliz e atingir seus objetivos abrindo uma conta (afinal, o verdadeiro objetivo das instituições financeiras não é o lucro, mas o bem estar de seus clientes) – o locutor volta: “Falamos com figuras eminentes do setor financeiro que deram sua opinião sobre a crise e a posição firme das prostitutas. 

‘Esta é uma afirmação caluniosa e descabida’, disse um grande magnata das finanças, ‘querem atacar nossa reputação ilibada e a sagrada instituição da família. Jamais usaríamos de tal expediente para saciar os desejos da carne. Quero aproveitar para desmentir que tenha alterado minha agenda de viagens para paraísos sexuais no terceiro mundo: todos eram compromissos anteriormente assumidos, a senhora pode confirmar com minha secretária… não, com ela não, é melhor com a responsável pela comunicação social de nossa instituição’”.

A esposa do banqueiro também deu uma declaração: “Não nos atingem aqueles que dos escalões chafurdados na perdição e no pecado querem manchar nossa reputação e a honra de nossas famílias. Tenho total confiança em meu esposo, até porque, se for verdade ele sabe que arrancarei seus ovos e servirei na paeja de domingo, cabrón sinvergüenza…”.

Os serviços de segurança afirmam que a líder do movimento não representa de fato a categoria e que os serviços estariam garantidos. “É uma minoria destituída de sentimentos de pátria e de honra, envolvidas com perigosos grupos extremistas”. “Lembremos, disse o oficial de polícia, as palavras de Marx ‘nossos burgueses, não contentes em ter à sua disposição as mulheres e filhas dos proletários, sem falar na prostituição oficial, tem singular prazer em cornearem-se uns aos outros’, a influência marxista é patente”, concluiu o representante da lei e da ordem que foi levado preso logo em seguida por ter citado Marx ao vivo num programa de alcance nacional.

Um especialista da UFRJ, eminente universidade brasileira, afirmou, em férias na Espanha: “A greve é um direito, não somos contra a greve, mas ela deve ser usada somente em último caso, para não banalizar este instrumento tão importante, de forma que as prostitutas deveriam tentar outras formas de luta antes desta tão drástica”. Infelizmente, o especialista não soube indicar quais seriam estas “outras formas”, nem em que casos a greve poderia ser usada, mas insistiu que, “sem descartar o sexo presencial, deveriam se dar preferência a formas eletrônicas e digitais, mais modernas e interativas”.

Outro eminente representante de uma grande casa bancária alemã afirmou que “passamos por um momento de austeridade e cortes serão necessários, mas todos nós sabemos que não será nesta área, até por que se tivermos que cortar alguma coisa será na Grécia”. Imediatamente a Asociación Nacional de los Psicoanalíticos Lacanianos Autênticos (cisão da Asociación de Psicoanalíticos Lacanianos Verdaderos) marcou um simpósio internacional para discutir a relação entre a crise, os cortes e a interrupção do gozo, numa clara referencia a síndrome de castração implicada na declaração, não chegaram, no entanto, a um acordo sobre a referencia à Grécia.

Alguns participantes alegam que se trata de uma referência no campo do Real e se aplica ao país que atravessa uma grave crise, enquanto outros afirmam categoricamente que se insere no campo do Simbólico e tem evidentes relações com a pátria do complexo de Édipo. Um terceiro grupo afirma que pode ser as duas coisas e prepara uma nova cisão na Asociación.

O filósofo esloveno Slavoj Žižek não emitiu uma opinião, pois foi acometido de um grave ataque de riso que já dura dois dias, mas afirmou que está preparando um livro de aproximadamente mil páginas sobre o tema.

“Não é possível, está notícia só pode ser falsa, cariño! Como que, então, as prostitutas de luxo podem fazer uma greve”? “Como vou saber Lola, cada uma, como vou saber”? “Como não, pois não trabalha em um banco, cariño”? “Sou bancário… bancário, corazón… não tenho acesso a coisas… de… coisas de luxo”. “Por que você é tão estúpido”? “Eu… eu não disse nada”! “Por que gritas”? “Cariño…” “Carinho un carajo… que nadie va a follar hoy por la noche… la puta madre”!

Outra notícia estarrecedora trata do despejo dos mortos. A administração dos cemitérios afirma que várias famílias deixam de pagar as taxas e que diante da crescente demanda por espaços, será necessário desalojar os mortos para liberar jazigos para os que chegam e podem pagar. Em uma transmissão “ao vivo” nosso repórter foi conversar com os ocupantes para conhecer sua opinião sobre tal ação.

“Estamos aqui, diretamente do cemitério, para saber a opinião dos mortos sobre mais esta medida dramática de nossas autoridades, como o senhor vê a situação?”. “Ora minha filha, eu também acreditei naquela história de ‘descanse em paz’, veja você, aqui está uma confusão só. Não é verdade que falte terra, para os pobres qualquer cantinho serve, estamos acostumados a morrer em vida e não estranhamos a vida na morte, mas os ricos são um problema, com seus túmulos enormes que parecem catedrais, estátuas de anjos com grandes asas a segurar senhoras, analogias de suas profissões em vida, ocupam um espaço enorme”.

Os mortos não reclamam muito das taxas, são os vivos que pagam, mas as moedas para o barqueiro têm gerado muita reclamação. “Ninguém mais enterra ninguém com moedas nos olhos ou na boca, então chega na hora da travessia e o barqueiro não quer nem saber. O serviço está muito ruim, quando era público funcionava, mas depois que privatizaram a travessia virou um caos. Ganhou a licitação uma empresa brasileira, a CCR Barcas, com o slogam ‘nosso serviço é de morte’, e tudo ficou muito confuso por aqui.”

Os mortos ricos não aceitam ir nas barcas com os pobres e exigem o direito de trazer seus iates para a travessia. “Veja só, disse um barqueiro, que não quis se identificar porque é terceirizado, o cara chega com um iate de 170 metros, com onze cabines, tem até um mini submarino, duas piscinas, custando mais de oitocentos milhões de dólares, e aí me dá duas moeda de ouro e me pede para passar ele na frente”. O senhor Caronte, que começou a vida como barqueiro e hoje é um grande magnata que controla várias firmas de terceirização não quis dar entrevistas. Mas sua acessória afirmou que um barqueiro ou outro receber dinheiro para atravessar não é fato novo, que nos velhos tempos tentaram até empurrar um ramo de acácia para passar gente viva para o inferno”.

Os ricos não correm o risco de serem desalojados. No entanto, só por precaução, os trabalhadores madrileños fizeram uma coleta para pagar as taxas do túmulo de Franco. Diante da ameaça de desalojar os inadimplentes, os mortos pobres é que estão preocupados. “Fui desalojado minha vida inteira, primeiro de minha terra, depois de algumas moradias que não consegui pagar e alguns empregos em épocas de crise, minha mulher me jogou pra fora de casa por causa do vinho, só falta agora me jogarem pra fora de minha cova”. “O que me deixa mais tranquilo, seguiu o defunto, é que minha família mudou-se para o Brasil e deve estar bem lá na Vila Autódromo no Rio de Janeiro”.

O problema dos mortos teve consequências também para os vivos. Fora de suas tumbas os mortos têm que se virar entre os vivos e isso tem gerado muitos problemas. “Quando você chega para tentar um emprego, disse um jovem de Barcelona (uma cidade imaginária), agora tem que disputar a vaga também com os mortos. Eles levam uma série de vantagens sobre nós, não comem, não dormem, não ficam mais doentes, alguns estão em danação eterna, então, não ligam muito para as condições de trabalho, embora outras afirmem que no inferno era melhor. Quanto à aparência, é, não é nada boa, mas para telemarketing tá valendo”.

Para o governo, a volta dos mortos não é um problema. “Em algumas áreas, disse um representante do governo, pode ser mesmo uma solução. Veja a previdência, por exemplo, com os mortos no mercado de trabalho podemos aumentar a idade para a aposentadoria para patamares razoáveis até equilibrar as contas”. “Há muito preconceito com relação à morte, disse um grande empresário, nós capitalistas temos a mente aberta a novas possibilidades, já exploramos os vivos até que morram, porque não explorar os mortos até que renasçam”?

Boa noite.

Leia, na coluna de agosto de Mauro Iasi, “Três crises… falta uma“, uma análise da crise política e da crise econômica, que se entrelaçam na atual conjuntura brasileira.

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Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

http://blogdaboitempo.com.br/2015/08/25/prostitutas-greves-e-mortos-os-limites-do-realismo-fantastico/

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O Partido Comunista Grego frente às eleições antecipadas


                                                                
KKE

O governo SYRIZA-ANEL demitiu-se recentemente, o que resultou na antecipação de novas eleições parlamentares (mais provavelmente em 20/Set). 

Como é bem sabido, o SYRIZA ganhou as eleições em Janeiro de 2015 enganando os trabalhadores, prometendo a abolição das leis anti-povo, as quais foram anteriormente aprovadas pelos governos do PASOK e da ND, após os acordos (memorandos) com as organizações imperialistas (UE, FMI, BCE). 

O KKE advertiu em tempo oportuno que o SYRIZA, um partido oportunista que se transmutou em partido social-democrata, foi a "esquerda" escolhida pela burguesia para administrar a crise e não pode implementar uma linha política a favor do povo. 

Nosso partido formulou a posição de que não pode haver saída a favor da classe trabalhadora e dos demais estratos populares dentro do caminho de desenvolvimento capitalista, da UE e da NATO. 

Como foi demonstrado nestes poucos meses de gestão do capitalismo, a "esquerda" SYRIZA, a qual governou em conjunto com a "direita" nacionalista do partido ANEL, não só não aboliu os dois memorandos anteriores e a maior parte das 400 leis anti-povo de aplicação, como implementou-as e aprovou através do Parlamento um terceiro acordo (memorando) com as potências imperialistas ainda mais penoso que os anteriores.

Este acordo tem o apoio dos outros partidos burgueses e foi por eles votado no Parlamento: o partido de "direita" ND, o "social-democrata" PASOK e o do "centro" POTAMI. Este novo acordo massacra quaisquer direitos que tivesse restado, impõe novas reduções em salários e pensões, abole direitos de segurança social, impõe tributação ainda mais intensa sobre os estratos populares, promove a política de privatizações, etc. 

Além disso, o governo "esquerda patriótica" actuou sistematicamente durante estes meses dentro do quadro da participação do nosso país nas uniões imperialistas da NATO e da UE, da "aliança estratégica" com os EUA. Ele participou em toda missão e exercício da NATO, organizou exercícios militares com Israel, prometeu uma nova base para os EUA e a NATO (na ilha de Cárpatos), votou na UE pela extensão e reforço da guerra comercial contra a Rússia, etc. 

Assim, demonstrou-se na prática que o governo SYRIZA-ANEL é mais um governo anti-povo, o qual com slogans "de esquerda" servia de um modo igualmente confiável a burguesia, a UE e a NATO tal como os governos anteriores haviam feito. 

Hoje, os partidos governantes SYRIZA-ANEL, utilizando os mesmos argumentos que a ND e o PASOK utilizaram no passado, defende o novo acordo anti-povo como o único meio de manter o país na Eurozona e na UE, algo que ele apresenta como a salvação do povo. O SYRIZA, tal como todos os outros partidos burgueses, semeia entre a classe trabalhadora e o povo a ilusão de que a UE e o capitalismo podem ser humanizados, enquanto os trabalhadores continuam a suportar as medidas anti-povo. 

Ao mesmo tempo, o sistema político burguês, a fim de conter e controlar quaisquer mudanças radicais na consciência do povo que pudessem ser provocadas pela revelação do papel do SYRIZA, continua a fabricar novos partidos. Um de tais partidos, com o nome de "Laiki Enotita" (Unidade do Povo), foi constituído por antigos deputados e ministros do SYRIZA. 

Estas forças, as quais estiveram activas como "plataforma de esquerda" dentro do SYRIZA, arcam com graves responsabilidades quanto ao engano do povo. Eles participaram, mesmo enquanto ministros, na implementação das anteriores leis anti-povo. 

Eles participaram activamente na tentativa durante o período anterior de trapacear o povo pretendendo que há uma proposta alternativa para ele no interior dos muros da UE e concordou com o acordo anti-povo que o governo SYRIZA-ANEL assinou com a Troika em 20 de Fevereiro, com a proposta anti-povo de 47 páginas submetida pelo SYRIZA à UE, etc. 

Agora que as ilusões promovidas pelo SYRIZA foram corroídas, estas forças promovem o retorno à divisa nacional como solução para o povo, juntamente com outras medidas para a administração do sistema. Elas actuam como uma "barreira" à radicalização do povo, procurando aprisionar o povo dentro do caminho do desenvolvimento capitalista. 

Ao longo de todo este período o KKE revelou sistematicamente o papel do SYRIZA e dos outros partidos burgueses, lutou pela abolição do memorando e de todas as medidas anti-povo, por impedir novas medidas, por desenvolver a luta dos trabalhadores e do povo para a recuperação das suas perdas e a satisfação das suas necessidades em combinação com a única solução alternativa que é do interesse da classe trabalhadores e dos demais estratos populares. 

[É necessário] o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida, com o poder dos trabalhadores e do povo. 

Estamos a travar a luta com esta linha [política] a fim de fortalecer o KKE nos movimentos dos trabalhadores-populares e no Parlamento, continuando firmemente a luta pelos interesses da classe trabalhadora e pela sua libertação dos grilhões da exploração capitalista. 
24/Agosto/2015
A versão em inglês encontra-se em http://inter.kke.gr/en/articles/In-the-face-of-the-early-elections/ 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Ex-presidente do Uruguai é homenageado na ABI

                                                                    

Vice-Presidente da ABI, Paulo Jerônimo (Pajê), Samuel Guimarães, José Mujica, Darc Costa, Carlos Lessa e Maria Hernandez

Em cerimônia realizada nesta quinta-feira (27), na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o ex-presidente e atual senador uruguaio José Mujica foi homenageado pela Federação de Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul (Federasur) com o prêmio “Personalidade Sur 2015”, por sua atuação política e social em seu país. Segundo Darc Costa, presidente da Federasur, o objetivo da premiação é celebrar figuras ilustres de destaque mundial nas Américas.

Durante a solenidade, Mujica falou sobre a América Latina, o momento político atual e a importância de viver em coletividade e da valorização de cada minuto da vida. Seu discurso é marcado pela crítica à civilização do consumo e à política, à acumulação de bens e riquezas, o esbanjamento das elites, que compram artigos supérfluos e questionou: “Isto por acaso é felicidade?

De acordo com Mujica, é preciso mudar a mentalidade das pessoas e o comportamento dos políticos, que devem defender a maioria do povo, ao invés de preservar o interesse de uma minoria privilegiada. “Não há homem grande, há causa grande”, disse, arrancando aplausos entusiasmados:  “Os políticos têm que viver como a maioria e não como a minoria. Não há homens grandes, mas sim grandes causas. Somos seres coletivos. Temos que viver, e o capita não é mais importante que a vida. O homem, com a tecnologia, conquistou mais 40 anos de vida, apesar de ninguém saber o que isso de fato significa. (Com a Associação Brasileira de Imprensa)

Temos sim que lutar contra a diminuição da idade penal, porém devemos também lutar para que as escolas sejam reinventadas, com bases transformadoras e humanísticas do trabalho social concreto, e que cada vez menos se pareçam com o ideário bárbaro das prisões.

                                                             

Luís Fernandes (*)

Recentemente, no Brasil, temos acompanhado as tentativas de mobilização por parte de amplos setores da sociedade para a luta contra a diminuição da maioridade penal. Para além dos lobbies econômicos (privatização do sistema carcerário) e da orientação política de segurança pública nacional, baseada na guerra e terror às classes populares com o discurso de combate ao tráfico de drogas, a proposta de diminuir a idade penal no Brasil é mais uma inversão social e valorativa canalizada pelos interesses das classes dominantes no país.

Vejam bem. O Brasil, em pleno século XXI, sequer conseguiu vencer o analfabetismo. O desemprego juvenil aumentou significativamente nos últimos anos, os setores em expansão da nossa economia, quando geram emprego, o fazem à custa de precarização e volatibilidade. Pior que isso, o país do samba e do futebol (este último em plena decadência) também é um dos “campeões mundiais” de encarceramento e assassinato, tendo a juventude como a principal vítima.

É neste cenário social que se ergue em nossa superestrutura jurídico e política, como principal debate nacional sobre a juventude brasileira, a questão da diminuição da idade penal. Obviamente, os interesses particulares de frações da classe dominante ganham adesão e apoio por meio da grande mídia, tendo como base o crescente discurso e sentimento de ódio irracional e medo, em diversos setores sociais. Numa tentativa legítima de se contrapor a esta onda reacionária, a campanha contra a diminuição da maioridade penal tem se unificado em torno da consigna: “Menos prisões e mais escolas”. Contudo, até que ponto o atual modelo de escola não reforça esta mesma lógica, na qual o encarceramento juvenil passa a ser a grande solução para os problemas sociais estruturais?

Ora, para responder esta questão sem maiores profundidades, nem precisamos citar autores oriundos de tradição marxista. Passando por Adam Smith, Michael Focault e Pierre Bourdieu, a escola cumpre um papel institucional chave na formação da modernidade. Para o primeiro, ao defender a expansão da educação pública, esta deveria estar alinhada com o desenvolvimento da divisão social do trabalho e a regulação dos preços dos salários em determinadas atividades e, principalmente, voltar-se para a disciplinarização da força de trabalho para a grande indústria. 

Tendo como enfoque as relações de poder no tecido social, Focault identifica um traço comum nas instituições modernas. Segundo o autor, a vigilância e a punição fazem parte da lógica de disciplinarização na modernidade e, nesse sentido, a escola, o hospício e a prisão teriam traços em comum e, muitas vezes, complementares. Bourdieu, ao realizar estudos de caso em escolas públicas francesas, retoma um antigo argumento de Althusser ao identificar no espaço escolar a reprodução das desigualdades sociais. Superficialmente, apresentamos estas reflexões para constatarmos que a escola em si não é uma instituição transformadora, mas, na maioria dos casos, conservadora da ordem social.

A escola não é uma ilha isolada. Ela é um espaço onde determinados conflitos sociais e culturais se manifestam com maior ou menor intensidade. A atual crise sistêmica do capitalismo desemboca em uma profunda crise civilizatória da sociedade burguesa e suas instituições. Talvez, a escola seja uma das instituições onde essa crise está sendo mais sentida. Em países altamente desiguais, como o Brasil, essa crise é ainda mais nítida. Problemas típicos do século XX ainda não foram superados: analfabetismo, universalização do ensino médio, fim do vestibular, etc. 

Ao mesmo tempo, nos deparamos com uma geração de jovens, filhos da classe trabalhadora, sem grandes perspectivas na vida, a dada à situação econômica e social do país. Quanto mais a escola se expande, mais ela perde legitimidade. O mito da ascensão social via escola cai por terra: o desemprego, a rotatividade do mercado de trabalho e os baixos salários provam a limitação desse discurso. Entre as camadas médias e mais privilegiadas, a legitimidade social da escola se sustenta meramente através do utilitarismo do conhecimento e da busca por títulos para concorrer no mercado de trabalho.

As escolas no Brasil, assim como as prisões, funcionam como grandes depósitos de pessoas. Sua lógica de adestramento dos sujeitos e o tecnicismo do conhecimento prevalecem com dificuldades. Algumas fundações e organizações empresariais vem se debruçando sobre o problema escolar. Em muitos casos, há um descompasso entre as necessidades do novo padrão de acumulação do capitalismo e o modelo escolar implementado no século passado. 

Pelo visto, para os porta-vozes do capital, não há mais necessidades de tantos conteúdos e disciplinas. Há de se acompanhar a complexificação da divisão social do trabalho e especificar mais os currículos. Cada vez mais, a escola baseada na igualdade jurídica dos iluministas vai perdendo espaço para uma escola utilitarista e abertamente desigual, pautada pelos ideólogos do grande capital em crise.

A disciplinarização continua como um dos seus grandes objetivos. Agora, em determinados espaços populares, disciplina é sinônimo de militarização do espaço escolar. Os conflitos terão cada vez menos a mediação da pedagogia ou do professor, e serão intercedidos da polícia. Em espaços elitizados, a vigilância será a melhor forma para fazer isso. A adoção de câmeras em salas de aula é um importante instrumento para controle pedagógico e padronização comportamental nas escolas. Outra tendência da educação pautada pelo capital é o investimento em tecnologia.

A “nova escola” é tão opressora e disciplinadora quanto a “antiga”, mas sua grande novidade é o uso da tecnologia, sendo utilizada para a padronização curricular e pedagógica. A outra “novidade” é a institucionalização da perseguição ideológica a vozes destoantes. Já existem projetos de lei que criminalizam professores por “defenderem suas ideologias em sala de aula”, assim como a tendência de transformar a rebeldia e o questionamento dos jovens em patologias psíquicas. Questionar e pensar não são bem vindos para as tendências da “nova” escola.

Neste sentido, urge para os sindicatos dos professores, associações estudantis, pais e movimentos populares construírem uma visão mais coerente e geral sobre a educação do país. Os professores, pouco a pouco, se convertem em verdadeiros agentes carcerários nas “novas escolas”. Chega-se ao fim da autonomia pedagógica do professor; a má formação e os baixos salários fazem parte do controle e do perfil do professor que interessa para a “nova pedagogia escolar do capital”. Nesse caso, o debate da política educacional determina a própria situação econômica-social dos profissionais da educação.

As lutas ocorrem e vão se intensificar, mas é necessário este salto político qualitativo. A luta de classes também é uma luta política na construção de visões de mundo. Desse modo, temos sim que lutar contra a diminuição da idade penal, porém devemos também lutar para que as escolas sejam reinventadas, com bases transformadoras e humanísticas do trabalho social concreto, e que cada vez menos se pareçam com o ideário bárbaro das prisões.

(*) Luís Fernandes é professor e membro do Comitê Central do PCB

CARGO PÚBLICO

                                                           
Contratação de celetistas por conselhos 
profissionais é questionada no STF

Dispositivos de leis que permitem aos conselhos de fiscalização profissional a contratação de pessoal sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho estão questionados no Supremo Tribunal Federal. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.367 foi ajuizada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Como não existem leis de criação de cargos públicos, o procurador-geral pede que as normas questionadas sejam declaradas inconstitucionais, mas sem pronúncia de nulidade por 24 meses. O período de tempo estabelecido seria o suficiente para que seja instaurado processo legislativo sobre a matéria e para que o Congresso Nacional aprove as leis necessárias sobre o tema.

A ação questiona o parágrafo 3º do artigo 58 da Lei 9.649/1998, que dispõe sobre aplicação do regime jurídico da CLT aos empregados desses conselhos, o artigo 31 da Lei 8.042/1990, que cria os conselhos federal e regionais de economistas domésticos, e o artigo 41 da Lei 12.378/2010, que regulamenta o exercício da arquitetura e do urbanismo, e cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo.

Esse artigo da Constituição, conforme a ADI, foi alterado pela Emenda Constitucional 18/1998, que admitia a contratação de servidores celetistas pelos conselhos. Contudo, a alteração no artigo 39 feita pela emenda foi suspensa pelo STF, no julgamento da medida cautelar na ADI 2.135, por inconstitucionalidade formal, uma vez que a alteração não foi votada em dois turnos em cada Casa do Congresso Nacional.

Após a decisão final da corte, voltou a vigorar a redação original do artigo 39, que determina a adoção do regime jurídico estatutário para servidores da administração direta, de autarquias e fundações da União, estados, Distrito Federal e municípios, a ser definido por lei de cada ente político.

Segundo o procurador-geral, os dispositivos contrariam o artigo 39 da Constituição Federal de 1988, segundo o qual “a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas”.

Para o PGR, reconhecido o caráter público das atividades desenvolvidas pelos conselhos de fiscalização profissional, exercidas como manifestação de poder de polícia e, por consequência, a natureza autárquica dessas instituições, é necessário que o regime jurídico de direito público seja aplicado a essas entidades, o que gera a incidência do artigo 39 da Constituição. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF. (Com a Conjur)