sexta-feira, 31 de maio de 2013

Só pode ser brincadeira: Israel ameaça a Rússia por enviar armas a Síria. Uma charge de Carlos Latuff no Opera Mundi


Convocada a jornada internacional para exigir a retirada de tropas do Haiti

                             
RESUMEN LATINOAMERICANO

As tropas da ONU permanecem reprimindo o povo haitiano no lugar de ajudá-lo e protegê-lo.

CONVOCATÓRIA PARA O 1° de junho de 2013

Jornada continental pela retirada da MINUSTAH do Haiti

Há exatamente nove anos, em 1° de junho de 2004, as tropas militares da MINUSTAH, a Missão das Nações Unidas pela Estabilização do Haiti, invadiam este país irmão sob o pretexto de uma suposta “estabilização” que nunca chegou. Muito pelo contrário.

No lugar de melhorar a situação gerada pelo golpe de Estado de 2004, a MINUSTAH buscou aumentar os níveis de violência para um povo despojado de todos os seus direitos, contendo a opressão de um sistema baseado no trabalho semiescravo, o desemprego de 70% da população economicamente ativa e salários desumanos.

Em vez de promover a paz, as tropas da ONU cometem violações sistemáticas dos direitos humanos essenciais da população, além de importarem o cólera, enfermidade que até agora deixou mais de 8.000 mortos e enfermado mais de 600.000. Expressamos nossa especial indignação frente à atitude da ONU que preferiu evocar a imunidade de suas tropas a fim de recusar qualquer indenização às famílias das vítimas e a reparação dos imensos danos causados ao país.

Onde quer que se olhe, é inconcebível continuar sustentando que a MINUSTAH – militares e policiais oriundos, em grande parte, do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Equador, Guatemala, Peru, Colômbia, El Salvador – devem permanecer no Haiti.

Em 2011, o Senado Haitiano votou por unanimidade a retirada das tropas da MINUSTAH para o ano de 2012. Os Ministros de Defesa dos países da MINUSTAH destacaram a necessidade de reduzir a presença de suas tropas e estabelecer um plano de retirada em junho de 2012, ainda que este compromisso tenha ficado só nas palavras. As organizações haitianas realizaram inúmeras manifestações maciças contra a presença da MINUSTAH, incluindo funerais simbólicos em Petite Riviére de l’Artibonite e Porto Príncipe, em outubro de 2011. Alguns acordos jurídicos estão em curso contra a ONU no que se refere ao cólera e um conjunto de entidades trabalha sem descanso a respeito.

A MINUSTAH, lamentavelmente, fracassou no que tange aos objetivos estabelecidos pelo Conselho de Segurança da Nações Unidas. Ou melhor, o único objetivo cumprido foi o de ocupar militarmente esse país a serviço de interesses que não são os do povo irmão haitiano. Sua presença responde a uma política que priva o povo haitiano de sua cidadania, de seus serviços públicos, de sua terra, de seus bens naturais. 

Está claro que a MINUSTAH não poderia manter-se, sem o apoio militar e diplomático do Canadá, Estados Unidos e França, sempre a serviço de suas corporações e dos acordos de livre comércio e investimento que as favorecem. Por isso, o Senado haitiano também votou contra a entrada de duas multinacionais mineradoras dos EUA e do Canadá, que hoje estão saqueando ricas jazidas de ouro, cobre e prata no Haiti, “a pobre”, sob a proteção da MINUSTAH.

O Haiti não deve ser mais o laboratório da economia e da “segurança” neoliberal. São políticas que fizeram da dívida uma arma a mais contra os povos, como vivido em toda nossa América, o Sul global e agora também na Europa.

O Haiti não precisa de tropas militares, nem da MINUSTAH nem de nenhum outro país.

O Haiti necessita do reconhecimento de sua dignidade, de seu potencial e de seu direito à autodeterminação, assim como de todo o povo.

Precisa que tirem de cima as mãos e as botas que os dominam. Precisam de médicos, sanitaristas, educadores, engenheiros, técnicos, todos eles a serviços da reconstrução que o povo haitiano reclama, um povo historicamente dizimado, porém que conserva a dignidade de ser o primeiro país livre e antiescravista de Nossa América.

Por tudo isto, convocamos, neste 1° de junho, a mobilização para reclamarmos:

- a retirada imediata da MINUSTAH e de todas as tropas militares estrangeiras do território haitiano;

- o fim da ocupação econômica e do saque, incluindo a supressão dos acordos do livre comércio;

- O reconhecimento dos crimes cometidos pela MINUSTAH, incluindo a introdução do cólera, a sanção aos responsáveis e à indenização das vítimas;

- a restituição e reparação da dívida história, financeira, social e ecológica que se deve ao povo do Haiti;

- Uma verdadeira política de cooperação internacional que respeite os direitos à soberania e à autodeterminação do povo haitiano.

CLOC/Vía Campesina

Jubileo Sur/Américas

Servicio Paz y Justicia en América Latina

Campaña contra las Bases Militares Extranjeras en América Latina

Grito Continental de los Excluidos/as

Convergencia de Movimientos de los Pueblos de las Américas-COMPA

Secretariado Internacional Cristiano de Solidaridad con los Pueblos de América Latina-SICSAL

Plataforma Interamericana de Derechos Humanos, Democracia y Desarrollo-PIDHDD

SOAWatch

Nacionais:

PAPDA-Haití

Batay Ouvriye-Haití

Tet Kole Ti peyizan Ayisyen TK-Haití

Défenseurs des Opprimés DOP-Haití

Confederation des Syndicats des secteurs privés et public CTSP-Haití

Comitê “Defender o Haiti é defender a nós mesmos”-Brasil

Rede Jubileu Sul Brasil

PACS-Brasil

Coordenação Nacional da INTERSINDICAL-Brasil

CSP-Conlutas Brasil

Fundação Dinarco Reis - Brasil

Fórum Mudanças Climática e Justiça Social-Brasil

Comité de Solidaridad por el Retiro de las Tropas Argentinas de Haití

Central de Trabajadores de la Argentina-CTA

Diálogo 2000-Jubileo Sur Argentina

Adolfo Pérez Esquivel, Premio Nobel de la Paz (Argentina)

Nora Cortiñas, Madre de Plaza de Mayo Línea Fundadora-Argentina

Mirta Baravalle, Madre de Plaza de Mayo Línea Fundadora-Argentina

Comité Oscar Romero Buenos Aires-SICSAL Argentina

Servicio Paz y Justicia SERPAJ Argentina

Resumen Latinoamericano

Coordinadora por el Retiro de las Tropas de Haití-Uruguay

Movimiento Social Nicaragüense "Otro Mundo es Posible"

Intipachamama-Nicaragua

Equipo de Servicios de las CEBs-Nicaragua

Cristianos Nicaragüenses por los Pobres

ILSA-Colombia

Comisión Ética contra la Tortura-Chile

Observatorio por el cierre de la Escuela de las Américas-Chile

Comité Oscar Romero-SICSAL Chile

Bia´lii, Asesoría e Investigación A.C-México

Centro de Documentación en Derechos Humanos “Segundo Montes Mozo S.J.” CSMM-Ecuador

Plataforma Interamericana de Derechos Humanos, Democracia y Desarrollo, PIDHDD-capítulo Ecuador

Casa da América Latina - Brasil

Rev. Luis Carlos Marrero Chasbar, Grupo de Reflexión y Solidaridad Oscar A. Romero-Cuba

Revda. Daylíns Rufín Pardo, Centro de Estudios del Consejo de Iglesias de Cuba.

Comité Oscar Romero-Amazonía peruana

Comité Oscar Romero Vigo-España

Comité Oscar Romero Madrid-España

José Luis Soto-Espacio de Comunicación Insular

Gustavo Patiño Alvarez

Manuel Vargas Chavarria

Iolanda Toshie Ide

Leticia Rentería

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/index.php?option=com_content&task=view&id=3614&Itemid=1&lang=en

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Viagem de Xi Jinping confirma nova era na diplomacia

                         
  
 Beijing, 31 mai (Prensa Latina) A viagem iniciada hoje pelo presidente Xi Jinping pelas Américas confirma que Beijing promove uma diplomacia multidirecional que propõe uma nova dinâmica a suas relações internacionais, uma mensagem que seus líderes levam em pessoa a diversas regiões do mundo.

Jinping partiu hoje à frente de uma delegação oficial que visitará Trinidad e Tobago, Costa Rica, México e terminará na Califórnia, onde terá uma reunião de cúpula com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Especialistas nesta capital consideram que a primeira visita de um presidente chinês a Trinidad e Tobago promoverá o conhecimento tanto dessa ilha como da região do Caribe anglófono como um todo.

Durante sua estada na cidade de Porto Espanha, o chefe de Estado aproveitará a ocasião para se encontrar e compartilhar com os mandatários de Antigua e Barbuda, República Dominica, Granada, Bahamas, Jamaica, Guiana, Suriname e Barbados sobre as perspectiva de maiores vínculos econômicos e de colaboração, segundo foi divulgado.

Em Trinidad e Tobago, Costa Rica e México, está previsto que o presidente Xi assine acordos de colaboração e tenha reuniões prolongadas com seus anfitriões, o que é considerado aqui relevante para aumentar a confiança mútua e ampliar os vínculos com essa região do mundo.

Para analistas em Beijing, a aproximação entre a China e a América Latina, regiões do mundo com maior crescimento econômico em momentos de recessão no chamado primeiro mundo, demonstra que são sócios naturais com aspirações comuns de mudar a ordem econômica mundial.

Já a cúpula entre Xi e Obama, que encerrará sua viagem, pode ser uma boa oportunidade para que os líderes de ambas potências se conheçam melhor, aprofundem sua confiança e resolvam divergências na hora de avaliar suas relações e as crises em diversas partes do mundo.

Em menos de três meses no poder, Xi e o primeiro-ministro Li Kegiang levaram ao mundo a intenção desta nova diretiva de melhorar suas relações internacionais e elevar o nível de cooperação.

O presidente realizou sua primeira viagem oficial no final de março, passando pela Rússia, Tanzânia, África do Sul - onde participou da Cúpula do Brics, um órgão de economias em ascensão integrado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - e finalizando na República do Congo.

Por sua vez, o primeiro-ministro Li viajou à Índia, Paquistão, Suíça e Alemanha para fortalecer os vínculos deste gigante asiático com seus vizinhos e com a Europa, e demonstrar que a segunda maior economia do mundo está disposta a cooperar com velhos amigos e também com novos aliados.

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Mais de um milhão precisam de ajuda humanitária no Sudão

A ONU (Organização das Nações Unidas) revelou na semana passada que, mesmo com ajuda internacional, mais de um milhão de pessoas da região de Darfur, no Sudão, ainda precisam de ajuda humanitária.
                                               
                                                                                                   Agência EFE

Já são mais de dez anos de operações contra a fome e pobreza no local que não surtiram o efeito esperado. A subsecretária-geral para assuntos humanitários da entidade, Valerie Amos, afirma que a comunidade internacional deve se esforçar mais para garantir que as pessoas da região de Darfur, no Sudão, possam se tornar mais autossuficientes.

“Estou desapontada, que mesmo com as diversas operações, não conseguimos autossuficiência”, afirma Amos.

Segundo informações oficiais da ONU, Darfur passa por grave crise econômica e social há uma década e o número de pessoas afetadas tem crescido durante esse período. De acordo com o OCHA (Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários), existem atualmente 1,4 milhão de pessoas que recebem assistência humanitária em cerca de 100 campos para pessoas deslocados em Darfur.

A ONU acredita que a melhor solução para a problemática no país africano é construir pontes mais fortes "entre o trabalho humanitário e o trabalho de desenvolvimento". No entanto, afirma Amos, isso se tornou cada vez mais difícil, pois "muitas ONGs estão enfrentando uma séria escassez de financiamento e não têm os recursos necessários para atender às crescentes necessidades humanitárias", analisa.

Em abril, a Conferência de Doadores para Darfur em Doha levantou 3,6 bilhões de dólares, incluindo um compromisso de 2,6 bilhões de dólares do governo do Sudão.

Em sua declaração, Amos saudou os compromissos, mas ressaltou que o Sudão também passa por uma crise de financiamento. Estima-se que 7,2 bilhões de dólares sejam necessários para um esforço de seis anos, apoiado pela ONU, para fazer com que Darfur consiga ser autossustentável através do investimento na infraestrutura do país.

A ONU critica os movimentos rebeldes no Sudão e os considera responsáveis por crimes contra a humanidade em Darfur similares aos que pesam sobre Omar al Bashir, presidente sudanês, que tem ordem de prisão expedida pelo TPI (Tribunal Penal Internacional).

O conflito de Darfur causou mais de 300 mil mortos desde que começou, em 2003, e obrigou 2,7 milhões de pessoas a abandonar suas comunidades de origem, segundo dados oficiais da Nações Unidas.(Com Opera Mundi)


A manifestação de 25 de maio em Belém, Portugal

Contra a Exploração e o Empobrecimento 

Governo Rua!
                                                

Arménio Carlos [*]

Camaradas, amigas e amigos 

Saudamos esta imensa multidão de homens, mulheres e jovens que se concentram em Belém, para exigir o fim desta política, a demissão deste Governo, a marcação de eleições que devolvam ao povo o poder de decisão do seu presente e abram portas à libertação de Portugal do garrote da troica e da política de direita. 

Mais do que salvar a coligação governamental como pretende o Presidente da República, nós estamos aqui a manifestarmo-nos para salvar o país de uma política que inferniza as nossas vidas e hipoteca o futuro colectivo da nação. 

Uma política que está a levar os ricos a ficarem mais ricos à custa do povo, da exploração dos trabalhadores, do empobrecimento dos reformados e dos desempregados e que nega aos jovens o direito de trabalharem e viverem no seu país! 

Dois anos depois da assinatura do famigerado “memorando de entendimento” e de governo PSD/CDS, temos em todo o esplendor a natureza de uma política que devasta o tecido social e destrói a economia! Longe vão os tempos dos discursos de Passos e Portas que afirmavam o combate às injustiças sociais e prometiam prosperidade. 

Prometeram crescimento económico, e colocaram o país sob os efeitos de uma recessão sem fim à vista! 

Prometeram mais emprego, e geraram mais de 1 milhão e meio de desempregados! 

Prometeram a contenção da dívida, e esta já ultrapassa os 127% do PIB! 

As promessas em período de eleições, deram lugar à austeridade em catadupa. 

E os discursos, que elogiavam o trabalho, transformaram-se em agressões constantes aos trabalhadores! 

Um jorro de medidas intermináveis como atesta as recentemente apresentadas no Documento de Estratégia Orçamental e as que preparam para o Orçamento Rectificativo. São medidas que visam promover o maior despedimento colectivo da história da democracia, o aumento do horário de trabalho e a extorsão sem precedentes, plasmada no roubo aos salários e pensões, a quem trabalha e trabalhou na Administração Pública! 

Este é um assalto que é desferido de todas as maneiras: com o congelamento e a redução do salário nominal, com a negação à progressão na carreira, com o aumento de descontos, quer por via do aumento do IRS, quer do aumento da ADSE, agora imposto aos reformados que passam a ser considerados ricos quando auferem mais de 485€! 

Tal como no passado, também no presente recorrem à velha máxima do “dividir para reinar”. 

No passado, foi assim com a redução das pensões da CGA que rapidamente foi seguida para o Regime Geral da Segurança Social; 

Com o Código do Trabalho, que era só para os trabalhadores do privado e foi, depois, transposto para o sector público; 

Com os cortes nos subsídios de férias e natal, que era só para os trabalhadores da Administração Pública e do Sector Empresarial do Estado, mas que logo foi replicado para o sector privado. 

E não haja equívocos: caso avançassem com o aumento da jornada de trabalho para o sector público, haveria um aproveitamento das inúmeras empresas do sector privado que praticam horários inferiores às 40 horas, para tentar aumentar a carga de trabalho! 

Se porventura as medidas anunciadas fossem implementadas aos trabalhadores da Administração Pública, não tardaria o dia em que as mesmas se generalizariam aos trabalhadores dos restantes sectores de actividade. 

Esta é uma luta de todos e para todos porque menos funcionários públicos e menos verbas para os diferentes ministérios, significa menos e piores Serviços Públicos! 

Isto porque sob o eufemismo da reforma do Estado, o que está em curso é um processo de reconfiguração e desmantelamento das principais conquistas de Abril, centrada numa política de terra queimada de ataque à Escola Pública, gratuita e de qualidade, ao Serviço Nacional de Saúde e à Segurança Social. 

Um processo que se alicerça numa poderosa campanha ideológica, com o recurso a instituições internacionais que, por onde passam, semeiam pobreza e retrocesso social! 

É assim com o FMI e o memorando da troica. Um memorando que agride o povo e o país. Um memorando que tem de ser derrotado! 

É assim também com o relatório da OCDE, que mesmo antes de elaborado já tinha tirado as conclusões à medida da encomenda do Governo: 
Flexibilizar ainda mais o mercado de trabalho, para despedir ainda mais depressa e mais barato! 
Enfraquecer os direitos sociais, para reforçar os do capital! 
Aumentar a carga fiscal sobre o povo, para que os “patriotas” do PSI 20 e tantos outros, continuem a ser apátridas na hora do pagamento de impostos! 
Subir os preços de bens e serviços essenciais, para que as privatizadas EDP, GALP, REN, PT continuem a ser o maná dos lucros dos grandes accionistas!
Mas a OCDE sabe que para impor estas medidas é preciso subverter a democracia! Por isso, propõe a concentração do poder num corpo de dirigentes superiores da Administração que, independentemente das eleições, tinham de assegurar a continuação da política de direita. É contra o regime democrático que actuam! É o poder do povo de decidir que querem atacar! É contra estas medidas anti-democráticas que temos de lutar. 

Por isso, não pode haver contemplações com aqueles que nos roubam todos os dias, que nos impõem juros impagáveis, que espalham o desemprego e promovem as falências! Não se pode negociar a dimensão do saque, não se pode negociar a rapidez com que o assalto deve ser feito! A única postura é dizer basta! Basta de roubo, basta de memorando! Basta de troica! Basta de Governo PSD/CDS! 


Camaradas, amigas e amigos 

O Governo apresenta Programas, Acordos, Estratégias, Pactos, sempre com a retórica do emprego, do crescimento e da competitividade. Falam, falam, mas crescimento, competitividade e emprego, nem vê-los! 

Se fosse pela repetição da afirmação de que é necessário crescimento e emprego, Portugal já era uma superpotência da U.E. 

Desde os PEC's – o compromisso para o crescimento, emprego e competitividade, assinado entre os Parceiros Sociais do costume e o Governo de então, do PS/Sócrates, passando pelo Acordo para o Crescimento, competitividade e emprego, assinado mais uma vez com os mesmos de sempre, com Passos e Portas, à Estratégia para o Crescimento, Emprego e Fomento Industrial apresentada com grande pompa por ministros e secretários de Estado, o que não faltam são declarações de mera propaganda! 

O certo é que não há crescimento, emprego e competitividade com esta austeridade. O certo é que há cada vez mais pobreza, exclusão e fome em Portugal 

Bem pode o ministro Paulo Portas afirmar-se como grande defensor dos reformados, que nós não esquecemos que foi o CDS que deu cobertura a medidas que atingem esta camada e a generalidade da população. Foram eles, com o PSD, que estiveram na redução do acesso ao subsídio de desemprego; nos cortes dos salários, pensões, reformas e subsídios de férias e Natal dos trabalhadores da Administração Pública e dos pensionistas e reformados; na lei dos despejos; no corte do abono de família, do complemento solidário para idosos e de outras prestações sociais; no aumento do IRS e do IMI; na subida do IVA da restauração e em tantas outras matérias que penalizam fortemente o povo português e fragilizam ainda mais os reformados! 

Para aqueles que afirmam que não há alternativa, na verdade o que querem é manter em funções o seu Governo. O maior problema que enfrentam é o do medo de dar a palavra ao povo e de receber em troca a certidão de óbito a um Governo que é repudiado pela generalidade da população. 

A melhor forma de defender a instituição Presidência da República passa por o Presidente respeitar e fazer respeitar a Constituição da República Portuguesa. 

Convocar eleições e atribuir ao povo a responsabilidade de com o seu voto encontrar saídas e soluções para os problemas com que o país se confronta, é reforçar e consolidar a democracia! 

O país precisa de uma alternativa política que aplique uma política alternativa e acabe de vez com esta alternância, do jogo da roda de cadeiras! 

O país precisa de uma política alternativa que rompa com fio condutor que nos conduziu à presente situação! 

Uma política que aposte na procura interna! As empresas não investem porque não têm perspectivas de vendas e não têm perspectivas de vendas porque a população não tem rendimento disponível para comprar! Para relançar o investimento e produção nacional, é fundamental aumentar os salários, começando pelo salário mínimo nacional e aumentar as pensões de reforma 

Uma política que diminua a carga fiscal sobre quem trabalha e trabalhou e a aumente para os que acumulam os milhares de milhões de euros distribuídos sob a forma de dividendos! 

Uma política que alargue as prestações sociais de desemprego a todos os que delas necessitem, e vá buscar dinheiro às centenas de milhares de milhões de euros que são jogados na especulação bolsista. 

Uma política que respeite e efective o direito à contratação colectiva e acabe com o bloqueio e a violação dos direitos individuais e colectivos dos trabalhadores. 

Uma política que aumente o orçamento da educação e da saúde e reduza a transferência de verbas em juros pagos a agiotas e chantagistas!

Uma política que utilize a CGD para financiar o tecido produtivo e ponha os accionistas da SLN a pagar o buraco do BPN! 

Uma política que invista em equipamentos sociais e culturais e pare com os lucros garantidos nas PPP'S! 

Uma política que reforce a Administração Pública, que contrate mais trabalhadores onde estes são necessários e melhore os serviços públicos, pare com as privatizações e acabe com as rendas escandalosas do sector energético! 

Uma política de verdade que rompa com a mentira repetida até a exaustão de que não há dinheiro para reformas e prestações sociais, mas que nunca põe em causa os montantes, prazos e juros transferidos para o exterior! 

Para a concretização destas e outras medidas, há que desenvolver uma luta sem tréguas! 

Pelo esclarecimento! Pela mobilização! Vamos, com confiança, lutar por uma vida melhor! 

Luta que exige uma unidade na acção de todos os trabalhadores, independentemente das suas opções politico-sindicais. Esta ofensiva é contra todos. Logo, exige a resposta convergente de todos. 

Uma unidade que está na génese da nossa central, deste movimento sindical, desta CGTP-IN, que é porque assim querem os trabalhadores que seja a sua organização de classe. 

Unidade na acção e luta que temos de intensificar no dia 30 de Maio, primeiro dos quatro feriados que o Governo nos quer roubar, na luta dos Professores, dos Enfermeiros, dos trabalhadores da Saúde, da Administração Pública Central e Local, dos Resíduos Sólidos da Câmara Municipal de Lisboa, da VALORSUL, da SEKURIT, do METROPOLITANO DE LISBOA, da EUROPAC, da PRÉ, da FABOR, da MOTOMER, dos Correios, das Forças de Segurança, dos Militares, das populações pela defesa e melhoria dos serviços públicos. 

Vivemos um tempo cheio de desafios. Estamos em Maio a afirmar Abril. Em Junho vamos demonstrar a força de Maio! 

E citando o poeta Bertolt Brecht: 

Não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, 
pois em tempo de desordem sangrenta, 
de confusão organizada, 
de arbitrariedade consciente, 
de humanidade desumanizada, 
nada deve parecer natural, 
nada deve parecer impossível de mudar.

VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES! 

A LUTA CONTINUA! 

Lisboa, 25 de Maio 2013 

[*] Secretário-Geral da CGTP-IN 

Este discurso encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Terena é morto em reintegração de posse na Terra Indígena Buriti, em Mato Grosso do Sul

                                

Oziel Gabriel morreu na manhã desta quinta-feira, 30, depois de ser levado com graves ferimentos de arma de fogo; polícia federal e indígenas seguem na área retomada

Renato Santana

do Cimi, de Brasília (DF)

Conforme informações de lideranças Terena, o indígena Oziel Gabriel morreu na manhã desta quinta-feira, 30, depois de ser levado com graves ferimentos de arma de fogo para um hospital da região de Sidrolândia (MS), município onde incide área retomada pelo povo Terena pertencente à Terra Indígena Buriti, declarada em 2010 como de ocupação tradicional. Nesse momento, os indígenas estão refugiados na mata. 

A partir das 6 horas, a Polícia Federal iniciou a reintegração de posse da área, ocupada desde o último dia 18 pelos indígenas e de propriedade do ex-deputado estadual (PSDB) Ricardo Bacha, com bombas de feito moral, spray de pimenta e tiros de armas letal e não letal. Cerca de outros 13 Terena também foram encaminhados para o hospital com graves ferimentos a tiros. 
                                                 
“Mataram um guerreiro Terena. Tem guerreiro no hospital. Chegaram de forma covarde, com balas e bombas. Atiraram pra matar. Não teve negociação. O Estado manda em tudo, em juiz, em tudo. Nós aqui morrendo por um pedaço de terra. Oziel (foto) era jovem, comprometido com a vida de seu povo”, denuncia a liderança Gerson Terena, por telefone. Era possível ouvir tiros, gritos e mulheres chorando. 

De acordo com Gerson, crianças, mulheres e anciãos não foram respeitados. Os cerca de 3.500 Terena presentes na área retomada foram pegos de surpresa “numa operação de guerra”, nas palavras da liderança. Entre 300 e 400 policias atacaram todos os pontos da área indígena. Espalhados, os policiais lançaram bombas de efeito moral; nesse momento, os tiros eram de borracha. 

“Depois começaram a atirar pra valer (arma de fogo). Resistimos com pedras e eles atiraram. Foi um horror, um horror. É doído a gente ver um patrício morrer defendendo algo que lhe pertence. Essa terra é nossa, é a nossa vida. A Justiça disse que é nossa. Mesmo assim, morremos sobre ela... morremos por um pedaço de chão. Vamos ficar aqui, vamos resistir”, declara Gerson Terena. A liderança reforçou que os indígenas não sairão da área retomada na Terra Indígena Buriti.      

No último dia 20, os Terena já tinham resistido a uma tentativa de reintegração (leia matéria aqui). Na ocasião, o delegado da Polícia Federal Alcídio de Souza Araújo confiscou de forma ilegal equipamentos de jornalista (veja vídeo aqui). 

Depois desses episódios, a Justiça suspendeu a reintegração até esta quarta-feira, 29, dia em que houve uma tentativa de reconciliação, mas o fazendeiro Bacha se negou a aceitar o fato de que a área é indígena e só aceitava como acordo a saída dos Terena da terra, cuja presença indígena foi atestada com provas materiais datadas do século XIX. (Com o Brasil de Fato)

A professora Anita Leocádia Prestes estará em BH para tomar parte da VI Convenção Mineira de Solidariedade a Cuba


29.º FESTROIA - UM MUNDO DE EMOÇÕES

                                                              

Histórias de amor, cinema belga, talentos reconhecidos internacionalmente... isto e muito mais pode ser encontrado na programação da 29.ª edição do Festroia, que inclui 174 filmes provenientes de 43 países, de 7 a 16  de junho em Setúbal, Portugal.

Sendo o ano da Bélgica, esta mostra inclui 30 filmes (21 longos e 9 curtos), todos produzidos nos últimos 10 anos, à exceção de "Daens" ("A oposição"), datado de 1992 e que era presença obrigatória nesta homenagem por ter sido nomeado para os Óscares e nos contar a história verídica de um Padre (Daens) que lutou ao lado do povo contra a opressão e pela liberdade.

O filme tem a participação de Jan Decleir, o homenageado com o Golfinho de Ouro de Carreira, que estará presente no Festroia para receber o galardão na Cerimónia de Abertura.

A secção temática Filmes de Amor traz muitas paixões ao Festival, com a apresentação de 14 longas-metragens europeias sobre amores, desamores e outros sentimentos. Com abraços, tangos, afetos proibidos entre gays, heterossexuais ou até irmãos, fica a promessa de muita emoção e bastantes lágrimas.

Em competição estarão 47 filmes divididos pela Secção Oficial, as Primeiras Obras e O Homem e a Natureza. Com uma seleção fortíssima na Secção Oficial, o festival apresenta películas de realizadores incontornáveis, como o finlandês Mika Kaurismäki, o holandês Jos Stelling, o sérvio Srdan Golubovic ou o islandês Baltasar Kormákur.

Como é habitual, os mais novos não foram esquecidos, havendo sessões infantis (3 aos 6 anos) com 9 curtas-metragens vindas da Estónia, bem como 4 longas-metragens para os jovens dos 10 aos 16 anos.

Cuba rebate com números dúvidas sobre a capacitação de médicos formados no país

                                                      

"Em Cuba, há 25 faculdades de medicina, todas públicas, e uma Escola Latino-Americana de Medicina, na qual estudam estrangeiros de 113 países, inclusive do Brasil"




A polêmica gerada pela disposição do governo de contratar cerca de 6 mil médicos de Cuba para trabalhar na atenção primária à saúde nas regiões mais carentes do país é estimulada, entre outras razões, pela dúvida sobre a formação profissional deles. Mas o governo cubano rebate as dúvidas com números. Em Cuba, há 25 faculdades de medicina, todas públicas, e uma Escola Latino-Americana de Medicina, na qual estudam estrangeiros de 113 países, inclusive do Brasil.

A duração do curso de medicina em Cuba, a exemplo do Brasil, é seis anos em período integral, depois há mais três a quatro anos para especialização. Pelas regras do Ministério da Educação de Cuba, apenas os alunos que obtêm notas consideradas altas em uma espécie de vestibular e ao longo do ensino secundário são aceitos nas faculdades de medicina.

Médicos cubanos que atuam no Brasil contam que, em Cuba, o estudante tem duas chances para ser aprovado em uma disciplina na faculdade: se ele for reprovado, é automaticamente desligado do curso. Na primeira etapa do curso, há aulas de biomédicas, ciências sociais, morfofisiologia e interdisciplinaridade.

Nas etapas seguintes do curso, os estudantes de medicina em Cuba têm aulas de anatomia patológica, genética médica, microbiologia, parasitologia, semiologia, informática e outras disciplinas. Segundo os médicos cubanos, não há diferença salarial entre os profissionais exceto pela formação – os que têm mestrado e doutorado podem ganhar mais.

De acordo com os profissionais cubanos, todos os estudantes de medicina passam o sexto ano do curso em período de internato, conhecendo as principais áreas de um hospital geral. A formação dos profissionais em Cuba é voltada para a chamada saúde da família: os médicos são clínicos gerais, mas com conhecimento em pediatria, pequenas cirurgias e até ginecologia e obstetrícia.

Porém, a possibilidade de contratar médicos cubanos gera críticas e ressalvas de profissionais brasileiros. Mas o governo brasileiro considera que a necessidade de profissionais e de garantia de saúde para toda a população brasileira deve prevalecer em relação às eventuais restrições aos estrangeiros.

No começo do ano, os prefeitos que assumiram os mandatos apresentaram ao governo federal uma série de demandas na área de saúde. Na relação dos pedidos apresentados pelos prefeitos estavam a dificuldade de atrair médicos para as áreas mais carentes, para as periferias das cidades e para o interior do país.(Com a Abr/Pátria Latina)

O fantasma das privatizações

                                                     
Concessões e incentivos do governo federal à iniciativa privada 
recebem críticas e mobilizam movimentos sociais e sindicais

                                          
Patrícia Benvenuti

da Redação 

Uma série de iniciativas do governo federal reacendeu, nas últimas semanas, os debates sobre a privatização no país. Um dos motes para a discussão foi a 11ª Rodada de Licitações de Blocos para Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural. Promovido entre 14 e 15 de maio no Rio de Janeiro, o leilão arrecadou R$ 2,8 bilhões – R$ 823 milhões a mais do que o antigo recorde, R$ 2,1 bilhões obtidos em 2009. 

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) comemorou o resultado do leilão, realizado após uma pausa de cinco anos. A diretora-geral do órgão, Magda Chambriard, afirmou à imprensa que a rodada foi um bom parâmetro para “mostrar o apetite” das empresas para o próximo leilão, previsto para outubro. 

Movimentos sociais e sindicais, por outro lado, não ficaram nada satisfeitos com o novo leilão. Em 12 de maio, cerca de 600 integrantes de organizações populares promoveram ocupações no Ministério de Minas e Energia (MME) e na ANP para pressionar o cancelamento do leilão. 

Um espectro dos anos de 1990

O petróleo é apenas uma das preocupações das entidades, que temem uma retomada das privatizações que marcaram a década de 1990 durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso. Isso porque outros setores importantes da infraestrutura, como portos e usinas de energia elétrica, podem seguir destino semelhante ao dos aeroportos, entregues à exploração de empresas privadas em 2012. 

Para o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP) João Antônio de Moraes, o governo comete um “equívoco” ao adotar a política de concessões. “É um equívoco do governo colocar à disposição de empresas privadas, principalmente multinacionais, setores estratégicos da economia, como a energia e o petróleo”, afirma. Dos 30 grupos vencedores do leilão do petróleo, 18 são estrangeiros. 

Na avaliação do advogado e integrante da Consulta Popular, Ricardo Gebrim, apesar das diferenças jurídicas entre os regimes de concessão e privatização, as medidas do governo federal podem ser consideradas “privatizantes”. Ele entende que não há motivos para se optar, nesse momento, pelas concessões. 

“Não há necessidade e não faz sentido o governo brasileiro abrir espaços para a iniciativa privada quando ele próprio pode gerir. Ele [Estado] tem experiência, capacidade tecnológica, quadros, recursos que permitem isso”, explica. 

Na mesma semana que se realizava o 11ª leilão do petróleo, o governo conseguia aprovar, no Congresso Nacional, a Medida Provisória (MP) 595, que estabelece um novo marco regulatório para o setor portuário. O objetivo da chamada “MP dos Portos”, segundo o Planalto, é dar mais competitividade ao setor. A expectativa é de que a medida atraia investimentos de até R$ 50 bilhões ao setor. 

A medida vem sofrendo críticas por dar mais abertura à iniciativa privada. Um dos pontos mais polêmicos se refere ao transporte de cargas pelos portos privados. De acordo com as regras atuais, os portos privados só estão autorizados a transportar as próprias cargas. 

Com a MP, eles poderão realizar o transporte de cargas de outras empresas, entrando em competição direta com os públicos. Segundo opositores da medida, isso resultaria na falência gradativa dos portos públicos, que não conseguiriam enfrentar a concorrência. 

O presidente da Federação Nacional dos Portuários (FNP), Eduardo Guterra, partilha das preocupações e afirma que a medida pode causar uma “concorrência desleal” entre os dois tipos de portos. Ele explica, porém, que negociações da categoria com o governo garantiram algumas vitórias, como proteção especial aos trabalhadores e a retirada do parágrafo que permitia a concessão dos portos públicos e de sua administração para empresas privadas. 

“Todas as questões que nós colocamos como ponto de negociação com o governo foram contempladas”, comemora.

Usinas elétricas

Outro setor que vem ganhando atenção é o das usinas de energia. Até 2015, 12 hidrelétricas e 23 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) terão seus contratos de concessão encerrados. De acordo com a lei 9.074/95, terminado o prazo de concessão, as usinas terão que ser novamente licitadas  para novos interessados na exploração. Organizações populares reivindicam que a União tome medidas para mudar a legislação, podendo assim manter o controle sobre o setor elétrico. 

O governo, no entanto, não dá sinais nesse sentido. Em abril o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que o leilão da usina de Três Irmãos, em Andradina (SP), deverá ocorrer ainda no primeiro semestre. Antes controlada pela estatal Companhia de Energia de São Paulo (Cesp), a hidrelétrica de Três Irmãos teve seu contrato de concessão vencido em 2011. 

A Cesp foi uma das três empresas que recusaram a oferta do governo para ter renovada a concessão de suas hidrelétricas, dentro do plano para baratear a tarifa de energia. 

Para o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Joceli Andrioli, o governo perde a oportunidade de retomar o controle de bens estratégicos, preferindo manter a privatização do setor e os lucros das empresas privadas. 

“É uma tremenda contradição, é um erro político extraordinário”, afirma Andrioli. “Está se jogando a soberania nacional no lixo”, completa. 

O secretário-geral da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), Emanuel Cancela, critica o fato de o governo Dilma apostar nas privatizações – um tema que, na sua opinião, foi decisivo para conquistar o mandato. “Ela [Dilma] ganhou o debate e eleição [em 2010] justamente se contrapondo às privatizações. E agora faz justamente o contrário do que apregoou?”, critica. (Com o Brasil de Fato/Antonio Cruz-ABr.


Rússia testa novo método de combate à obesidade

                  

Programa russo de redução segura 
de peso mostra resultados positivos

Nutricionistas russos desenvolveram um novo método de combate ao excesso de peso. A obesidade, verdadeira epidemia que atingiu muitos países nas últimas décadas, pode ser tratada agora com ajuda de uma nova substância, sob observação de médicos e psicólogos.

Em Moscou, foi feito um balanço dos resultados do primeiro programa russo de redução segura de peso. A iniciativa, que envolveu três mil médicos e 100 mil pacientes de 50 cidades do país, foi do Centro Científico de Endocrinologia do Ministério da Saúde.

O tratamento se baseia num composto de sibutramina, um fármaco cujo efeito básico é o aumento da sensação de saciedade. Depois dos testes, quase 30 mil mulheres e homens russos afirmaram que haviam se livrado da sensação constante de fome, que antes os levava a comer descontroladamente – e a engordar.

Quase 20 mil participantes do tratamento sentiram novamente confiança nas próprias forças e relataram êxitos profissionais. E oito mil mulheres, reduzindo o peso, conseguiram engravidar.

Segundo os endocrinologistas, o êxito da ação dependeu em muito não apenas dos medicamentos e da permanente atenção dos médicos, mas também da assistência psicológica aos pacientes. O programa vai continuar, e está aberto para inscrições.

CURSO PARA ESTUDANTES

Além disso, o Ministério da Saúde da Rússia planeja elaborar um curso resumido para estudantes, com o objetivo de educá-los para o perigo dos calóricos fast-foods e refrigerantes à moda ocidental.

Na Rússia, segundo dados oficiais, uma em cada três famílias não observa um regime alimentar saudável. Há regularmente em seu cardápio um excesso de sal e gorduras, e faltam vitaminas.

A alimentação não racional é tida pelos médicos russos como a principal causa dos quilinhos a mais, que em excesso podem causar diabetes, doenças do coração e até mesmo câncer. (Com o Diário da Rússia)


APERTANDO O CINTO

Brasileiro diminui apetite pelo consumo e economia patina
                                                         
O brasileiro apertou o cinto e começou 2013 gastando bem menos do que terminou 2012. Um comportamento novo e que atingiu em cheio a economia local, impactando de maneira decisiva o crescimento do país nos últimos meses de janeiro, fevereiro e março, período tido como decepcionante por empresários, analistas nacionais e internacionais.

Após o apelidado "pibinho" de 2012, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre voltou a tirar o sono do mercado, com avanço de apenas 0,6% frente ao mesmo período do ano anterior. O número ficou abaixo das projeções do governo (que esperava 1%), dos bancos e investidores, que giravam em torno de 0,9%, mas dentro das estimativas pessimistas dos economistas, que não apostavam em nada abaixo de 0,55% ou acima dos 1,20%. 

Como resultado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reagiu com conservadorismo. O órgão intensificou o ritmo de aumento da taxa básica de juros, a Selic, elevando em 0,5 ponto porcentual, o que leva o índice para 8% ao ano – notadamente, um dos mais altos do mundo.

Se a coisa continuar mais ou menos nessa toada até o final do ano, a projeção é de que o Brasil cresça tímidos 2,4%. O resultado seria abaixo ao registado em 2011, quando tivemos um avanço de 2,7%. Mas, certamente, superior ao que conseguimos no ano passado, quando o Brasil acumulou alta de módicos 0,9% - desempenho que abalou sensivelmente a confiança interna e externa na política econômica da presidente Dilma.

E por falar em governo federal, pode-se dizer que o anúncio desse novo desempenho brasileiro colabora para engrossar o caldo da pressão que recai sobre a presidente, que segue com a batata assando em fogo brando, porém contínuo.

Atordoada, a equipe econômica de Dilma já fez todo o esforço possível para tentar acelerar o crescimento e recolocar o Brasil "como um dos membros mais dinâmicos do clube do BRICS”, como escreveu o Financial Times sobre a situação brasileira.

O país anunciou uma série de medidas recentemente, como a redução de impostos no setor elétrico ou o incentivo ao crédito dos bancos públicos para tentar aumentar o gasto dos consumidores, este último, o motor que fez girar as engrenagens da economia na década passada. Mas, até aqui, foi tudo em vão. Eis que os investimentos impulsionados pelos especialistas de Brasília não alavancaram o setor produtivo e, agora, o brasileiro decidiu conter seu apetite pelas compras. Deu no que deu: o consumo das famílias estagnou em 0,1% em comparação ao trimestre anterior, segundo o relatório do governo.

Mas, afinal de contas, porque o brasileiro está gastando menos? A resposta é simples e envolve a soma entre inflação alta e os bancos temerosos com o endividamento, diminuindo sensivelmente suas linhas de financiamento para o público - empresas e consumidores finais.
 A escalada da inflação está literalmente comendo parcela significativa da massa salarial do brasileiro em 2013. Nem é preciso estar muito atento aos preços para perceber que, nos últimos meses, subiu o preço de praticamente tudo no país: alimentos, roupas e produtos industrializados. Mais recentemente, o dólar voltou a subir (fechou na quarta-feira, dia 29, cotado em R$ 2,11, o maior nível desde 4 de dezembro), o que impacta diretamente nos importados, e os sistemas de transporte coletivos de São Paulo e Rio de Janeiro, as duas principais cidades brasileiras, foram reajustados.

Acrescente a isso o nível do endividamento das famílias. Em maio, 64,3% das casas tinham algum tipo de dívida, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNCC). Em abril, essa fatia de famílias endividadas era de 62,9%. Em maio de 2012, de 55,9% – quase 8 pontos percentuais abaixo da atual.

O percentual de quem está com contas em atraso também cresceu (de 21,5% em abril, para 21,6% em maio), saltando de 6,7% para 7,5% o montante dos que assumem não terem condições de pagar seus débitos.

Mas isso tudo, como acontece no dinâmico universo da economia, pode mudar rapidamente. Ajudaria muito se os bilhões de reais anunciados em investimentos em infraestrutura, tão importantes para o Brasil, começassem a fluir com mais eficiência até seu destino, fazendo girar uma agenda positiva – e lucrativa – que interessa ao governo, ao mercado e, principalmente, ao sempre esperançoso brasileiro comum.(Com a Voz da Rússia)

Seiscentos convidados aplaudem primeiro casamento gay na França

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Trincheira do Flávio Anselmo (direto de Caratinga)

                                             


JUSTIÇA MANDA CRUZEIRO E MINAS 
ARENA INDENIZAREM TORCEDOR


(De Caratinga) Deu no Superesportes: O Cruzeiro e a Minas Arena deverão indenizar um torcedor que acionou a justiça por conta dos problemas encontrados no clássico entre o time celeste e o Atlético na reabertura do Mineirão, em 3 de fevereiro. Pela decisão do juiz Elton Pupo Nogueira, do Juizado Especial Cível de Belo Horizonte, Bruno Jorge dos Santos deverá receber R$ 2,6 mil. Desse valor, R$ 100 correspondem à restituição do que foi pago pelo ingresso, enquanto R$ 2,5 mil serão por danos morais. Como a decisão foi em primeira instância, ainda cabe recurso.

Opinião da Trincheira: se a moda pegar o Cruzeiro que trate de colocar outra cláusula no seu contestado contrato com a tal de Minas Arena. Que ela assuma sozinha as custas do mal atendimento.



ANTES DE QUARTA-FEIRA:



Imagino que antes do matinê das três horas da tarde de ontem que o Cruzeiro participou por imposição da CBF no curral do Boqueirão, atual estádio do Furacão, Marcelo Oliveira tenha mandado bênçãos especiais aos seus orixás pra que no returno a madrasta CBF estabeleça o jogo entre eles no Baleião de Beagá. Mas agradeça por lhe permitirem repetir a equipe das goleadas anteriores impostas ao Resende e ao Goiás.

E que, também, possa Pacote mantê-las contra o Botafogo, no sábado, em Volta Redonda. São testes importantes pra convencer a torcida azul da qualidade da equipe e do seu possível entrosamento.



ALA JOVEM



A ala jovem do Cruzeiro que bate sempre asas fora da hora, por conta da voracidade financeira do clube e de seus parceiros investidores tem no Vasco da Gama o ninho ideal enquanto esperava propostas do estrangeiro.

Por causa da besteira que fez no caso de Bernardo, cuja multa foi fixada em apenas l,5 milhão de euros – pagos pelo próprio falido Vasco da Gama – numa bobeada da gestão ZZ Senador, a atual diretoria decidiu fixar a multa do futuro craque Alisson em 7 milhões de euros.

Alisson está emprestado ao Vasco como parte da transa da ida de Dedé pra Toca da Raposa.Outros jovens tomarão o mesmo rumo tão logo Paulo Autuori, treinador do Vasco, faça a indicação dos nomes.



RG-10 INDICIADO



A pedido do departamento jurídico do Cruzeiro, Ronaldinho Gaúcho foi indiciado e será julgado por aquela cabeçada ( ou nucada?) que deu em Leandro Guerreiro no clássico decisivo do Campeonato Mineiro. O julgamento tá marcado pra próxima terça-feira. Sempre assim, os atletas acham que vivos demais, que podem bater sem que ninguém veja. Só que hoje as câmaras da televisão mostram tudo, em detalhes.



COM DOIS OLHOS AGORA



Ronaldinho Gaúcho com o olho esquerdo inchado e dolorido por causa da bolada recebida durante a partida contra o Tijuana no México, fez aquilo tudo que se viu na virada do Galo no segundo tempo. Imaginem bem agora que RG-10 terá as duas vistas curadas nessa partida contra os mexicanos no Horto, nesta quinta-feira, pelas quartas de final da Libertadores. Preparem os foguetes: Galo nas semifinais, sem dúvida!



LEMBRANDO TOSTÃO



Nesse episódio da bolada, puro acidente, já que o zagueiro do Tijuana chutou e a bola bateu no pé esquerdo de Jô e foi no olho de RG-10, me lembrei do episódio de Tostão. Também foi numa bolada que ele teve a retina descolada. Rebatida do zagueiro Ditão, do Corinthians.

Craque genial, após deixar o Brasil todo em suspense sobre o seu aproveitamento na Copa do México, em 70, Tostão que formara uma dupla fenomenal com Pelé nas eliminatórias, chegou ao México cercado de desconfiança. Zagalo queria Roberto, do Botafogo, seu cumpincha na equipe.

Dizia que Tostão não podia formar dupla com o Rei. Mas como formara nas eliminatórias?

Este argumento não valia pra comissão técnica. Na verdade, ela duvidava que Tostão pudesse jogar com o olho esquerdo naquelas condições. Mas ele ganhou a posição nos treinos, se impôs como genial que era e foi uma das feras do Brasil no Mundial.  

Não foi artilheiro como nas eliminatórias, porém realizou jogadas inesquecíveis como aquela do gol de Jairzinho. Após a jogada de Tostão, a bola passou pelos pés do Rei e saiu mansa pro chute final do Furacão. Golaço!



É O QUE DIZEM...
Fausto Pimentel Cortes Júnior – Vitória-ES – Saiu do Horto, tá morto!
Iraq Rodrigues – Lagoa Santa – Em Beagá há três tocas. Toca I, Toca II e Toca o Hino do Galo
POR QUE VEIO?
Lembram do Morais, aquele meia que despontou no Vasco, sumiu pelo mundo e veio aparecer no Atlético? Poisé. Teve até contrato e viveu bons dias na Cidade do Galo, como apêndice. Até que constaram ser apêndice supurado e o extirparam. Morais, 28 anos, rescindiu amigavelmente seu vínculo e se mandou.

De revelação e promessa estava como aposentado ao aportar por aqui. Quem teve a ideia de trazê-lo agora não dá a cara a tapas.

Morais estreou no segundo tempo da partida contra o Nacional, quando o time alvinegro venceu por 3 a 1, em Patos de Minas. Depois, o jogador entrou em campo na vitória sobre o Boa, por 4 a 0, e na derrota para a Caldense, por 2 a 1. Afinal, o que ele veio fazer aqui, Cuca?



POLITICAGEM

                         &

                             BOTEQUIM



A Globo atualmente tem exibido às pencas três programas de encher o saco: novela das nove; Zorra Total e propaganda política do Garoto dos Neves, senador Aécio Neves. O lenga –lenga dele no espaço político do PSDB é um só: pau no governo Dilma, com a qual concorrerá nas próximas eleições se Serra deixar e a elogiar a sua passada administração de oito anos, através daquela mentira chamada Choque de Gestão, e a do atual governador, aliando fiel, professor Anast-azia. O povo mastiga, mas não engole.


Filme documentário, Cabra Marcado para Morrer foi dirigido por Eduardo Coutinho inicialmente em fevereiro1964, sendo obrigado a interromper as filmagens devido ao golpe militar de 31 de março, quando as forças militares cercam a locação no engenho da Galiléia. Dezessete anos depois em 1984 retoma o projeto, seu lançamento foi no ano seguinte em 1985. Conta história das Ligas Camponesas de Galiléia e de Sapé além da vida de João Pedro Teixeira que era um líder camponês da Paraíba assassinado a mando de latifundiários de Pernambuco em 1962. Através de depoimento da viúva Elizabeth Teixeira, de seus filhos e de camponeses que presenciaram a história, coletou informações para o documentário. O tema principal do filme passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os longos anos do regime militar.

II Jornada de 5 dias em solidariedade pelos Cinco Cubanos começa amanhã (30) em Washington

                               

Começa amanhã (30) em Washington D.C., Estados Unidos da América (EUA), a II Jornada de Denúncia e Solidariedade ‘5 dias pelos 5 em Washington DC’. O evento, que segue até a próxima quarta-feira (5), reunirá milhares de ativistas, personalidades internacionais e organizações de solidariedade com Cuba.

O objetivo do evento é intensificar e fortalecer o movimento em defesa da liberdade de Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero e Fernando González, que, junto de René González, são conhecidos como os cinco cubanos que foram presos em 12 de setembro de 1998 nos Estados Unidos acusados de terrorismo, já que, na verdade, eles atuavam para impedir ações de grupos anticubanos. Depois de ter completado sua condenação, René González está de volta a Cuba. No entanto, o movimento pela defesa dos outros quatro "heróis cubanos” continua, já que a condenação deles é considerada injusta.

Antes da abertura da Jornada, na quinta-feira (30), haverá uma conferência de imprensa com a participação de advogados e convidados especiais para falar sobre a situação dos cinco cubanos e, em seguida, serão dadas as orientações acerca do evento. Às 19h (horário local) haverá a abertura com o ato público "O papel de Cuba na África e os 5 cubanos na Angola”, com projeção do documentário Uma Odisseia na África seguido de debate, que contará com a presença do embaixador cubano em Washington, José Ramón Cabañas, e do representante da Embaixada da Namíbia, Eugene Puryear.

Na sexta-feira (31) serão realizados atos de divulgação pública com distribuição de informação nas ruas em diferentes pontos de Washington e um seminário fechado com residentes cubanos e cubano-americanos nos Estados Unidos, onde serão traçadas estratégias sobre a campanha no país norte-americano pela liberdade dos cubanos acusados injustamente por terrorismo.

Já no sábado (1º) ativistas estadunidenses, canadenses e cubano-americanos realizarão uma grande manifestação em frente à Casa Branca. Para este momento, o Comitê Organizador 1º de Junho, com base em Nova Iorque, está preparando ônibus para fazer uma caravana da qual participam representantes de diversas organizações que lutam pela liberdade dos chamados ‘heróis cubanos’ em vários países. No final da tarde, representantes religiosos e artistas realizam um ato ecumênico cultural na Igreja Saint Stephen, momento que terá a presença da secretária de relações internacionais da Conferência Cristão pela Paz para América Latina e Caribe, Yeidckol Polevensky.

Um evento comunitário com caminhada no centro de Takoma Park e apresentação de Hip Hop dos artistas Head Roc e Mighty Gabby marcam o domingo (2). Na segunda-feira (3) terão início as atividades de Lobbyno Capitólio dos EUA, quando se reunirão parlamentares de países como Venezuela, México, Itália, Chile e Alemanha para participar do evento.

Ainda neste dia haverá debate com juristas internacionais no Centro Legal George Town, convocado pelo advogado dos Cinco Cubanos, Martin Garbus, momento que contará com a contribuição de defensores de direitos humanos e de membros da Anistia Internacional. Após uma reunião com sindicalistas haverá a inauguração de 15 pinturas de Antonio Guerrero durante o Painel de Intelectuais no Busboys and Poets. As obras retratam os primeiros 17 meses que os cinco passaram nas celas de confinamento máximo, há cerca de 15 anos.

Dando continuidade à programação da II Jornada, na terça-feira (4) haverá apresentação, no Busboys and Poets, de três livros que retratam a história dos Cinco Cubanos presos nos Estados Unidos: Os últimos soldados da Guerra Fria, do brasileiro Fernando Morais; O que se encontra através da água: a verdadeira história dos Cinco cubanos, do canadense Stephen Kimber; e Cuba e seus vizinhos: democracia em movimento, de Arnold August.

O encerramento da II Jornada de Denúncia e Solidariedade ‘5 dias pelos 5 em Washington DC’ será marcado na tarde de quarta-feira (5) por uma mostra de fotografias, resultado do percurso feito de motocicleta por três jovens durante seis meses em sete países da América Latina em solidariedade com os heróis cubanos, e com uma videoconferência entre participantes do evento nos EUA e familiares dos cubanos em Havana, momentos que serão realizados na Embaixada da Venezuela em Washington.

Quem quiser apoiar e aderir à Jornada pode escrever para: apoyojornada@gmail.com. 

Desrespeito aos direitos humanos avança em todo o mundo, afirma a Anistia Internacional

                                                                               
A carência de ações globais em relação aos direitos humanos está tornando o mundo um lugar cada vez mais perigoso para refugiados e migrantes, afirmou a Anistia Internacional (AI), no último dia 22, durante o lançamento do relatório anual “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo”, relativo ao ano de 2012.

— A incapacidade de lidar eficazmente com situações de conflito está gerando uma subclasse global. Os direitos das pessoas que fogem das guerras estão desprotegidos, disse Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional.

De acordo com Shetty, milhões de migrantes estão sendo empurrados para situações de abuso, incluindo trabalho forçado e abuso sexual, em razão das políticas anti-imigração.

— Muito disso é alimentado pela retórica populista de governos que atribuem suas dificuldades internas aos refugiados e migrantes.

O relatório Anistia Internacional destaca que em 2012, a comunidade global testemunhou uma série de emergências de direitos humanos que forçaram um grande número de pessoas a buscar segurança, dentro e fora das fronteiras dos países. “Desde a Coréia do Norte, até Mali, Sudão e República Democrática do Congo houve pessoas fugindo de suas casas, à procura de refúgio seguro. 

O mundo ficou observando enquanto os militares e policiais da Síria agrediam civis indiscriminadamente, e submetiam a desaparecimento forçado, detenção arbitrária, tortura e execução extrajudicial todos aqueles que consideravam contrários ao governo. Enquanto isso, grupos armados continuavam a fazer reféns, torturar e executar sumariamente em menor escala, afirma o estudo.

— O respeito pela soberania do Estado não pode ser usado como desculpa para a omissão. O Conselho de Segurança da ONU deve continuamente contestar os abusos que destroem vidas e obrigam as pessoas a fugir de suas casas. Isto significa rejeitar doutrinas desgastadas e desprovidas de moralidade de que massacres, tortura e fome não são da conta de ninguém, ressaltou Shetty, que aplaudiu a adoção pela ONU, em março de 2013, do Tratado sobre o Comércio de Armas:

— A proteção de refugiados e das pessoas deslocadas não pode mais ficar cabe a todos nós. O mundo sem fronteiras das comunicações modernas torna cada vez mais difícil esconder os abusos atrás das fronteiras nacionais, e oferece oportunidades sem precedentes para que todos possam defender os direitos dos milhões que precisaram deixar suas casas, afirmou Shetty.

Risco

O relatório da Anistia Internacional afirma que a União Europeia vem implementando medidas de controle de fronteira que colocam em risco as vidas de milhões de pessoas. “Em todo o mundo, os migrantes e requerentes de asilo são regularmente trancafiados em centros de detenção e, em casos extremos, são mantidos em engradados de metal ou até mesmo contêineres”, diz o texto.
                                                               
Sobre este aspecto, Salil Shetty(foto) ressaltou que um futuro mais justo só será viável com o respeito aos direitos humanos, independentemente da nacionalidade dos cidadãos:

— Os direitos de um grande número dos 214 milhões de migrantes do mundo não foram protegidos pelo país de origem ou o hospedeiro. Milhões de imigrantes foram submetidos a trabalho forçado e, em alguns casos, ao regime de escravidão. Os governos os tratam como criminosos e as empresas se preocupavam mais com lucros do que com os direitos dos trabalhadores. O mundo não pode permitir zonas de exclusão na demanda global pelos direitos humanos. A proteção dos direitos humanos deve se aplicar a todos os seres humanos, onde quer que estejam.

Indígenas

Em relação ao Brasil, o estudo divulgado pela Anistia Internacional frisa que o país reúne leis que garantem o respeito aos direitos humanos de sua população, mas apresenta um déficit de justiça que permeia diversos setores da sociedade, especialmente em relação aos moradores de favelas e aos indígenas.

Outro ponto crítico levantado pela Anistia se refere às ações violentas por parte da polícia. O documento chama a atenção também para o déficit de justiça no caso das pessoas que lutam pelos direitos de comunidades ameaçadas, especialmente no campo.

Comissão da Verdade

Entre os avanços conquistados no Brasil em 2012, a AI cita a criação da Comissão Nacional da Verdade.

— A Comissão é um passo importantíssimo, porque o Brasil desenvolveu resistência muito grande a falar desse assunto – é uma conquista muito recente que possibilita essa discussão em âmbitos estaduais e também na imprensa. Além disso, ela permite que a sociedade se olhe no espelho, analise seu papel, seja de cúmplice, vítima ou espectador, e que, claro, o Estado assuma os crimes que cometeu, sublinhou Atila Roque, Diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil, em entrevista à BBC Brasil.

Para Roque, o relatório evidencia que o Brasil deve decidir se quer ter os direitos humanos como política de Estado.

— Temos grandes projetos de desenvolvimento em curso e foco em alcançar um protagonismo global. Mas é preciso coerência. Desenvolvimento não é desenvolvimento sem respeito aos direitos humanos.

 Com informações da Anistia Internacional Brasil e BBC Brasil. (Com a ABI)