terça-feira, 29 de abril de 2014

Israel não é dos judeus, afirma historiador


                                                

Em livro, Shlomo Sand defende tese controversa tanto à direita quanto à esquerda no espectro político israelense
Segundo autor, ideia de propriedade da terra é moderna e europeia e não tem origem na tradição religiosa

Assista, no link abaixo, à exposição sobre o conteúdo do livro "A Invenção da Terra de Israel" realizado por seu autor, o historiador Shlomo Sand:
https://www.youtube.com/watch?v=vQb5chFPad8


Diogo Bercito

De Jerusalém

As notícias da construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia são recebidas com pessimismo por palestinos. Na comunidade internacional, diz-se que a política de expansão entrava a paz.

Mas o historiador Shlomo Sand se preocupa, por ora, com outras edificações: não as casas erguidas em assentamentos, e sim as construções feitas em cima da história sionista. "É imaginação política pensar que esse território pertence aos judeus", afirma  em entrevista à Folha.

No livro "A Invenção da Terra de Israel", Sand estuda a ideia de que há uma relação entre o Estado de Israel e o texto sagrado – e, então, discute se o argumento religioso pode ser de fato a pedra angular de uma nação.

Em ambos os casos, ele conclui que não. "A tradição judaica enxergava essa terra como sagrada e nunca pensou que ela devesse estar em posse dos judeus", afirma.

"Mas a maior parte dos israelenses foi educada como eu, estudando a Bíblia não como livro religioso, mas como uma obra nacional."

A ideia é controversa tanto à direita quanto à esquerda no espectro político israelense, assim como foi polêmica a teoria expressa em seu livro anterior, "A Invenção do Povo Judeu" (download aqui), em que Sand criticou a noção de que há "uma existência judaica pura".


O "mainstream" dos historiadores em Israel discorda, mas Sand afirma, por sua vez, que "a historiografia local está cem anos atrasada".

"Uma das fraquezas da esquerda sionista, no país, é a crença ingênua de que Israel pertence aos judeus."

A questão pode parecer acadêmica, mas tem peso real na política. Israel exige que palestinos reconheçam o "caráter judaico" do Estado para dar continuidade às negociações de paz entre ambos. A liderança palestina se recusa a fazer esse gesto.

"Definir o Estado como 'judaico' não é democrático", diz Sand. "É como falar que o Brasil é um país branco."

SIONISMO

Segundo a tese de "A Invenção da Terra de Israel", "a ideia de propriedade da terra é europeia e moderna" e não tem a sua origem na tradição judaica. "Os sionistas criaram a noção de que Israel pertence aos judeus."

Israel foi criado em 1948, após décadas de imigração judaica para o que era, à epoca, o mandato britânico da Palestina. O movimento sionista pedia, desde o fim do século 19, o estabelecimento de um Estado judaico.

"A maior parte das pessoas se opunha a essa noção", afirma Sand. Até que o nazismo perseguiu judeus na Europa, vitimando milhões deles no Holocausto, após o que a imigração a Israel passou a ser assunto urgente.

Se A "Terra de Israel" era vista como uma noção espiritual, sem correspondente no mundo, ela em breve tornou-se o que Sand considera ser "imaginação política".

A história, afinal, "é sempre composta por mitos". "Mas não acho que seja racional falar em um Estado 'judaico' enquanto os palestinos estão aqui", diz Sand.

"A maior parte das pessoas na Cisjordânia é palestina. Dessa maneira, é terra palestina. Mantemos pessoas sem direitos civis por décadas. O Estado de Israel é democraticamente amoral."

FONTE: Folha de São Paulo, 26/4/2014. Caderno Ilustrada.  

Alberto Dines esvreve: 1964 + 50

                                       


Assassinato do torturador lembra que a repressão não acabou


Alberto Dines em 29/04/2014 na edição 796

      
A parolagem da mídia e das autoridades sobre a morte do tenente-coronel reformado Paulo Malhães nos remete diretamente aos tempos da ditadura.

E não apenas porque a vítima era um notório vilão, torturador confesso, violador assumido dos direitos humanos, figura de proa na máquina da repressão militar e importante testemunha na Comissão Nacional da Verdade.

A repentina volta ao passado dá-se em parte porque reencontramos os mesmos subterfúgios, manhas e evasivas dos tempos em que a linha-dura fazia o que bem entendia e o resto do país se contentava com as migalhas dos releases policiais.

Compreende-se o cuidado do governo, mas ninguém está clamando pela revisão ou revogação da Lei da Anistia. O que chama a atenção e assusta é a cobertura morna, burocrática, de um caso que as autoridades (inclusive federais) não poderiam tratar com tanta displicência e a mídia com tanta ligeireza.

Compreende-se que família e amigos desejassem apressar as providências funerárias. Mas o lado pessoal não pode sobrepor-se aos aspectos legais, morais e humanitários. A morte de um brutamonte não encerra os efeitos das brutalidades. Só comprova que a brutalização está viva. Ativa.

Página aberta

As dúvidas e suspeitas que envolvem o personagem e a sua eliminação não admitem tamanha desatenção e rapidez. A divulgação da guia de sepultamento atendia ao desejo da família de enterrar o corpo, mas acabou criando um clima de “caso encerrado” com a menção a um edema pulmonar, isquemia do miocárdio e miocardia-hipertrófica. Acontece que esta última era pré-existente, as duas primeiras ocorrências podem ter sido causadas por um estresse muito grande (asfixia, por exemplo).

Na segunda-feira (28/4), no quinto dia depois do assassinato, a curiosidade dos jornalões parecia plenamente satisfeita. Ninguém cobrou o laudo local e cadavérico, nem a lerdeza da Polícia Civil do Rio a quem o caso foi encaminhado.


E exceção vai por conta do valente O Dia, do Rio de Janeiro, que em reportagem de Juliana Dal Piva, publicou detalhada entrevista com a viúva Cristina Malhães (a última mulher do militar) onde revela importantes dados sobre a ação por ela testemunhada: o casal foi rendido à luz do dia por três bandidos que estavam com as armas da própria coleção de Malhães. Durante 10 horas ficou presa enquanto os criminosos faziam o serviço. Depois foi ameaçada de morte (ver “Paulo Malhães foi rendido com suas armas”). 

A hipótese inicial de latrocínio só foi descartada na tarde da segunda-feira quando se revelou que afinal a Polícia Federal entrara na investigação e examinaria os computadores do militar. Certamente porque o governo estava incomodado com a cobrança da Comissão de Direitos Humanos da ONU anunciada horas antes.


É possível que a partir de agora a mídia abandone o faz-de-conta informativo dos tempos da autocensura. E lembre-se dos laudos de legistas como o famigerado Harry Shibata que sequer examinava os cadáveres das vítimas da tortura.

A ditadura não é uma página virada, nem se encerra com as rememorações sobre os seus primeiros 50 anos.

Leia também

Sobre vulcões e seus roncos – A.D. (Com o Observatório da Imprensa)

Riocentro foi realizado por militares para retardar a abertura política

                                                                


Testemunhas ouvidas pela CNV não têm dúvida: atentado poderia ter matado milhares de pessoas e investigação foi manipulada

A Comissão Nacional da Verdade apresentou hoje (29/04) à sociedade o relatório preliminar de pesquisa "Riocentro: Terrorismo de Estado Contra a População Brasileira" no qual conclui que o atentado foi "um minucioso e planejado trabalho de equipe realizado por militares do I Exército e do Serviço Nacional de Informações (SNI) e o que o primeiro inquérito policial militar (IPM) sobre o caso, aberto em 1981, foi manipulado para posicionar os autores diretos da explosão apenas como vítimas.



Duas testemunhas ouvidas pela CNV, Mauro César Pimentel, 52 anos, que prestou seu depoimento na audiência, e o almirante Júlio de Sá Bierrenbach, 94 anos, cujo depoimento foi gravado em vídeo pelo assessor da CNV, André Vilaron, na última sexta-feira (25/04), afirmaram, respectivamente, que os militares tinham bombas no carro para um atentado com muito mais vítimas e que o primeiro IPM foi manipulado desde o início para colocar os dois autores, o capitão Wilson Machado, e o sargento Guilherme do Rosário, que morreu na explosão, como vítimas e não autores de um crime.

Para o coordenador da CNV, Pedro Dallari, o caso Riocentro foi o último de uma série de 40 atentados ocorridos entre janeiro de 1980 e abril de 1981, "que visavam dificultar a abertura política iniciada em 1979 e dar uma sobrevida ao regime militar".

Segundo o relatório da CNV, apresentado pelo gerente de projetos Daniel Lerner, cerca de 20 mil pessoas estavam no Riocentro na noite de 30 de abril de 1981 para assistir um show organizado por Chico Buarque de Hollanda para o Dia do Trabalhador. O grupo que planejou o atentado conseguiu até que a Polícia Militar recebesse uma ordem para não realizar policiamento dentro do espaço onde ocorria o show.

O número de vítimas do atentado frustrado poderia ser muito maior. Além da bomba que explodiu no estacionamento, mais uma bomba explodiu na casa de força do Riocentro. O intuito era que faltasse energia que impedisse o show e causasse tumulto, mas o artefato não causou o efeito desejado. Depoimentos apontam que duas bombas sob o palco foram retiradas do local antes de serem detonadas e Pimentel e outras testemunhas afirmam que havia duas outras bombas no carro, que foram retiradas da cena do crime.

O depoimento de Pimentel foi aplaudido pelo público presente. Ele tinha 18 anos quando foi com amigos ao Riocentro para assistir o show de Fagner. Ele tinha o sonho de ter um Puma e notou algo de estranho ao olhar para o veículo e ser hostilizado e xingado pelos ocupantes do carro esporte de propriedade do capitão Machado. "Que é que você está olhando, sai daqui?", indagou Rosário. "Só estava olhando o carro, um dia quero ter um", respondeu a testemunha. "Vai à merda!", praguejou o sargento.

Pimentel, entretanto, nunca mais esqueceu as cenas que se seguiram. Ele havia esquecido a carteira no carro e passou por três do Puma e pode ver no porta-malas dois cilindros iguais a outro que estava no colo de Rosário. Ele pegou a carteira e caminhou mais alguns metros e ouviu a explosão.

Imediatamente Pimentel voltou-se para trás, a tempo ainda de tentar socorrer Machado e ver sua identificação de militar. Rosário estava morto. Ele e os amigos decidiram pedir ajuda. Quando voltaram ao carro, Machado e as bombas já haviam sido levados. Pimentel discretamente deixou os documentos de Machado em cima do carro e foi embora.

Ele não tem dúvidas que os militares tinham explosivos suficientes para causar um número muito maior de vítimas no atentado. Ele guardou a história por 30 anos, inclusive de sua família, e só a revelou em 2011, pois foi da PM por 15 anos e temia represálias. "Não preciso ler, não trago anotação, pois os fatos estão na minha cabeça há 30 anos", afirmou emocionado.

A advogada Rosa Cardoso, integrante da CNV, agradeceu o depoimento e a coragem de Pimentel. "Quero lhe agradecer pela sua firmeza e a sua coragem. Essa doação que você está fazendo à sociedade brasileira por meio é inestimável", afirmou.

O almirante Júlio de Sá Bierrenbach era ministro do Superior Tribunal Militar (STM) quando o inquérito policial militar sobre o Riocentro chegou ao tribunal para ser julgado. O caso já veio arquivado da auditoria militar onde tramitou e o militar da Marinha foi o único a votar contra o arquivamento do processo e pedir que Machado continuasse como investigado e a apuração, retomada.

Para Bierrenbach, "o IPM (do Riocentro) foi uma vergonha e isso é facilmente demonstrável". Ele afirmou considerar absurdas a absolvição e as promoções que Wilson Machado, co-autor do atentado, recebeu na carreira. "Vítimas uma ova! Eles fizeram o atentado. O capitão vai ao Riocentro com uma bomba, a bomba explode. O colega morre. E ele é promovido. Isso é um absurdo!", afirmou.

O advogado José Carlos Dias, membro da CNV, que conheceu pessoalmente Bierrenbach, disse que o juiz era justo e ponderado. Para Dias, o caso Riocentro deve ser julgado pois sobre ele não recai a lei de Anistia, argumento com o qual concorda o ex-ministro do STM. "Precisamos julgar o caso do Riocentro. É uma das maiores violências já cometidas pelo regime militar, pois se tivesse dado certo, poderiam ter morrido milhares de pessoas", afirmou Dias.

A audiência terminou com o depoimento de Betinho Duarte, da Comissão da Verdade de Minas Gerais, que falou sobre os atentados a bomba realizados por grupos de extrema direita no Estado, que foi palco de 58 atentados a bomba desde 1965. Em Minas agiam pelo menos três grupos paramilitares, entre eles o Comando de Caça aos Comunistas (CCC). 


CNV realiza reunião com Comissões da Verdade Universitárias

                                                                

A Comissão Nacional da Verdade realizou na última sexta-feira (25/04) reunião com Comissões da Verdade Universitárias, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a fim de discutir diretrizes para a redação do relatório final da CNV e a agenda das próximas a atividades.

A reunião teve a participação de assessores da CNV e de representantes de dez Comissões da Verdade Universitárias: Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade de Brasília (UnB), Universidade de Campinas (Unicamp), Universidades do Estado do Ceará, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

As contribuições das comissões universitárias comporão o capítulo sobre graves violações no ambiente universitário e as recomendações do relatório final da CNV. Nesse sentido, as comissões destacaram a importância de se ter uma atividade permanente de resgate da memória histórica, seja por meio de um órgão de Estado como também pelo financiamento de linhas pesquisa sobre memória, verdade e justiça.

A Comissão Nacional da Verdade tem feito visitas a universidades com o objetivo de realizar parcerias e acompanhar o andamento dos trabalhos. Até agora, foram visitadas a UnB, USP e UFES. Para o mês de maio, estão previstas mais visitas a Universidades.

Ainda no próximo mês, está prevista também a realização de uma audiência pública sobre ditadura e educação. A próxima reunião nacional das Comissões da Verdade Universitárias deve acontecer no dia 6 de junho, no Rio de Janeiro.

As comissões das universidades, entre outras atividades, têm trabalhado em diversas ações de memória e verdade, tais como:
- Identificação das vítimas da repressão em cada instituição de ensino superior (IES) a que estão vinculadas;
- Iniciativas para demarcar e preservar locais de memória nos campi;
- Identificação de locais e estruturas de informação nas universidades, como, por exemplo, as Assessorias Especiais de Segurança Institucional (Aesi ou ASI), que eram braços do Serviço Nacional de Informações;
- Estudo de mecanismos de repressão no meio acadêmico, como o decreto-lei 477, que resultou na demissão de professores e expulsou alunos opositores do regime;
- Ações de incentivo à pesquisa sobre o período da ditadura;
- Reparação acadêmica, com medidas como a restituição de cargos de professor e a rematrícula de alunos expulsos.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sociedade civil quer participar do processo de regulamentação do Marco Civil da Internet

                                                         
   Jota A

No dia 23 de abril a presidente Dilma Rousseff sancionou o Marco Civil da Internet, aprovado no dia anterior pelo Senado. O projeto define os direitos e deveres de usuários e provedores de serviços de conexão e aplicativos na internet e poderá ser regulamentado por decreto. Entidades da sociedade civil reivindicam participação no processo de elaboração da regulamentação.

A sanção presidencial ocorreu na abertura do Encontro Global Multissetorial sobre o Futuro da Governança da Internet - NET Mundial, realizado em São Paulo, com a participação de representantes de governos, especialistas e usuários da rede de vários países. Em seu discurso, Dilma defendeu o respeito aos direitos humanos, à privacidade e à liberdade de expressão na internet.

Inicia-se agora uma nova fase, a da regulamentação do Marco Civil da Internet. O texto da Lei 12.965, aprovado dia 22 no Senado, prevê que a regulamentação ficará a cargo da Presidência, que deve ouvir o Comitê Gestor da Internet do Brasil e a Anatel. Como não impede que outros setores sejam consultados, organizações que colaboraram para a elaboração do projeto reivindicam que a sociedade seja ouvida no processo de regulamentação da lei.

Pontos polêmicos, como as situações onde a neutralidade de rede poderá ser dispensada, a acessibilidade e a qualidade de banda larga a ser ofertada pelas empresas de telecomunicações e a guarda de registros e acesso a aplicações na internet, bem como a garantia da privacidade e do sigilo das comunicações precisam ser analisadas.

Para o presidente da FENAJ, Celso Schröder, a aprovação do Marco Civil foi importante. E o mais fundamental agora é assegurar uma regulamentação democrática. "Obviamente há interesses antagônicos neste processo. 

A FENAJ sustenta a necessidade de universalização do acesso, a garantia da liberdade dos usuários, o controle social sobre a plataforma tecnológica da internet e o papel do Estado de promover a regulamentação de forma democrática, assegurando a participação das organizações da sociedade civil”, defende.

Aposentados têm isenção adicional no Imposto de Renda a partir dos 65 anos


                                                           

Além da isenção prevista na tabela progressiva do Imposto de Renda, atualmente em R$ 1.710,78 mensais, os aposentados passam a ter um benefício fiscal adicional, no mesmo valor, a partir do mês em que completam 65 anos.

Ou seja, os valores pagos pela Previdência Social da União, dos Estados ou dos municípios passam a ser livres de IR até o valor de R$ 1.710,78 mensais – sem prejuízo da parcela inicial já isenta. O valor que exceder esse limite ficará sujeito à incidência de imposto na fonte e também na declaração. Os demais rendimentos recebidos também estarão sujeitos à tributação.

Dessa forma, os aposentados com 65 anos ou mais devem informar a soma dos valores mensais isentos – até o limite de R$ 1.710,78 – na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, no código 6. Já a diferença entre o total dos proventos de aposentadoria ou pensão e a soma desses valores mensais isentos será entendida como rendimento tributável.

40 anos depois da Revolução dos Cravos, Portugal democrático sofre com austeridade

                                                                  

Com desemprego de 15% e um pacote financeiro conduzido pela Troika, portugueses lembram a data receosos pelo futuro
          
Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às tres e tal
para que a Lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal

[excerto de Poemarma, 1967]

Esses versos do poeta Manuel Alegre, de 77 anos, estranhamente anteciparam o movimento que, na madrugada de 25 de Abril de 1974, tomaria o Terreiro do Paço e o Quartel do Carmo, em Lisboa, enchendo as ruas de cravos vermelhos e depondo o então ditador Marcello Caetano. Ele substituiu Salazar e se exilaria depois no Rio de Janeiro, trabalhando como professor universitário de Direito. O profético poema, difundido anos antes em fotocópias clandestinas, tornou-se em uma forte poética da mudança.
                                                      
Civis no Largo do Carmo. Movimento das Forças Armadas (MFA) e populares ocuparam o local, em resistência naquele abril de 1974

As mudanças possibilitadas pela Revolução dos Cravos foram fulcrais para Portugal. “Construiu-se uma democracia ao meu entender robusta. Essa foi a grande conquista do 25 de Abril até hoje”, disse a Opera Mundi Boaventura de Sousa Santos, professor aposentado da Universidade de Coimbra e um dos mais respeitados intelectuais portugueses. O país por fim seguiu a onda democrática e a criação do Estado de bem-estar social conduzidas na Europa depois da Segunda Guerra.

A abertura democrática significou direitos civis e políticos, mas não só isso. Os direitos sociais foram garantidos pela Constituição: direito à habitação, saúde, educação, previdência social, justiça, cultura, entre outros. Também foi a época das nacionalizações, do fim da guerra colonial e do surgimento da classe média. A entrada na União Europeia ajudaria a modernizar o país por meio da transferência de 80 bilhões de euros em fundos entre 1986 a 2011 – o equivalente a 9 milhões de euros por dia.

Outras agendas, contudo, não foram cumpridas. Uma delas foi a reforma agrária, impulsionada depois da Revolução pela esquerda parlamentar mais radical e membros ligados ao Movimento das Forças Armadas, sobretudo na região do Alentejo. O grupo foi isolado na esteira de um golpe mililtar que em novembro de 1975 impôs uma linha política mais moderada.

Presente

Quarenta anos mais tarde, porém, as palavras que definem Portugal podem estar mais próximas dos versos desencantados escritos pelo mesmo Manuel Alegre em plena democracia dos anos 1990, quando o centro-direitista Cavaco Silva – atual presidente – era primeiro-ministro: “Vinte anos depois Abril não rima”.

Portugal de hoje, com uma taxa de desemprego de 15% e um pacote financeiro conduzido pela Troika (Comissão Europeia, FMI e Banco Europeu), celebra a Revolução receoso dos lesivos impactos da austeridade em áreas decisivas na vida das pessoas.

“Estamos voltando ao modelo pré-Revolução”, lamenta Boaventura de Sousa Santos, que defende a auditoria da dívida externa portuguesa. Os baixos salários e a desigualdade social colocam o país entre os mais desiguais da Europa.

Atualmente, 18% das pessoas em Portugal vivem no limiar da pobreza (com média de renda de 400 euros mensais), enquanto 10,9% da população enfrenta privação material severa. A gestão dos fundos europeus, alocados em excesso em áreas de infra-estrutura como rodovias, não conseguiu aproximar os indicadores sociais em Portugal da média do bloco.

Se a entrada na União Europeia ajudou o país a se modernizar, foi ao mesmo tempo, junto com a moeda única, seu algoz. “Quando a Europa fez uma virada neoliberal, o país também a acompanhou”, diz Boaventura. As medidas de austeridade implementadas desde 2011 seguem o memorando assinado com a Comissão Europeia: privatizações, reforma previdenciária, subida de impostos, aumento dos custos de saúde e educação para os cidadãos e limitação das transferências sociais do Estado. Para o equilíbrio de forças dentro do bloco europeu, Boaventura aposta em uma união entre os países do Sul – os que mais sofrem com a crise econômica.

Diante desse cenário desolador, por que não há mobilizações populares como as que se seguiram à Revolução de 1974? Segundo o sociólogo, as manifestações populares requerem dois requisitos: a frustração e a expectativa de quem quer lutar por direitos ou que espera que os resultados sejam positivos. Em Portugal, falta a segunda. “No Brasil, por exemplo, há ambas neste momento”, contrapõe. “Alguns defendem que, se a situação aqui piorar, haverá movimentos populares. Eu acho justamente o contrário: ficaremos mais paralisados”. (Com Opera Mundi)


Índio, da nova Intersindical: “Temos é de superar o capitalismo e a exploração de classe”


Central foi fundada para responder a necessidades que outras sindicais brasileiras não respondem
                                                           
                      
             Índio durante o congresso de fundação da Intersindical. Foto: Nelson Ezídio

No último dia 30 de março foi fundada oficialmente, na cidade de São Paulo, a mais nova central sindical brasileira, a Intersindical – Central da Classe Trabalhadora.

O congresso de fundação da central, que ocorreu entre os dias 28 e 30 de março, contou com a participação de centenas de trabalhadoras/os e diversas lideranças do movimento sindical e social brasileiro. Fizeram intervenções no evento representantes da Pastoral Operária, da Auditória Cidadã da Dívida, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, do Movimento Terra Livre, da Consulta Popular, do Polo Comunista Luis Carlos Prestes, dos partidos políticos PCB/PSOL e da fração pública da central governista CUT, a “A CUT pode mais”.

Em entrevista ao Diário Liberdade, o Secretário Geral da Intersindical, Edson Carneiro “Índio”, eleito no congresso, nos contou um pouco mais sobre o processo da fundação da central e os planos de luta da Intersindical para os dois próximos anos.

Além de Secretário Geral e membro da nova direção da Intersindical, Índio é professor, bancário e militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Diário Liberdade (DL): O que diferencia a Intersindical das outras centrais?

Edson Carneiro “Índio”: Independência política, democracia, classismo, entre outros, são os pontos que nos diferenciam. Apesar da existência das várias centrais sindicais hoje no Brasil, em nossa opinião nenhuma delas consegue responder a essas necessidades. Por isso fundamos a INTERSINDICAL - Central da Classe Trabalhadora.

DL: Atualmente, no Brasil tem se praticado quase que exclusivamente um sindicalismo econômico, tendo abandonado o sindicalismo político. A Intersindical defende enfrentar este quadro?

Índio: Para nós a luta sindical deve ter um duplo caráter. Defender melhores condições de vida e de trabalho, na luta por emprego, salário e direitos. Mas nossa tarefa é articular a luta econômica a uma luta política pela transformação social. Para a INTERSINDICAL, não basta obter conquistas imediatas, que podem ser retiradas a qualquer tempo. Temos é de superar o capitalismo e a exploração de classe. Por isso, devemos assumir com dedicação as reivindicações imediatas sem deixar de, continuamente, combiná-las ao objetivo estratégico da construção de uma sociedade socialista.

DL: Quais são as principais metas que esta primeira executiva, tendo o senhor como secretário geral, pretende executar?

Índio: São muitas tarefas, mas o principal é avançar na organização e na capacidade de fortalecer as lutas sociais. Nosso próximo congresso será daqui dois anos. Este ano, teremos Copa do Mundo, eleições gerais e muitas lutas. Então teremos de combinar as tarefas para a consolidação da nossa central sem cair na autoconstrução que não ajuda no fortalecimento das lutas sociais. Os desafios são enormes, mas nossa disposição não é menor.

DL: A Intersindical será uma central baseada na centralidade do trabalho ou irá ao encontro de outras lutas populares?

Índio: A Intersindical não tem dúvidas da centralidade do trabalho na luta contra o capital. Por isso, nossa central é composta apenas pelos trabalhadores e trabalhadoras. Por isso nossa central não aglutina setores policlassistas, como é o caso do movimento estudantil, que valorizamos e respeitamos, porém deve ter sua própria organização. Mas além do movimento sindical, a Intersindical é composta por movimentos de trabalhadores que lutam por terra, moradia, direitos sociais etc.

Além disso, é preciso ter política de organização para os setores que estão no trabalho informal, precarizado, sem representação sindical e política. Essa não é tarefa fácil, mas é uma exigência da realidade imposta pela reestruturação produtiva e pelas novas formas de organização, gestão e contratação da força de trabalho no Brasil. O garoto que vende chiclete no trem, os “mal” chamados de estagiários, o pessoal do telemarketing ou aqueles que emitem nota fiscal de serviços quando deveriam ter um contrato formal de trabalho, são “peças” da engrenagem que garante lucros para os capitalistas. Eles também precisam de organização sindical.

DL: Sua direção hoje é composta apenas por sindicalistas ou abre espaço para lideranças de outros movimentos da sociedade civil, que diretamente não tem relação com o mundo do trabalho?

Índio: Temos, sim, na direção companheiros que militam nos movimentos populares, na luta por moradia, por terra. Um dos desafios do próximo período é aumentar a participação destes setores na central.
                                                          
                  Assembleia de fundação da Intersindical. Foto: Nelson Ezídio

DL: Por que vocês optaram por fundar uma nova central e não ingressar na CSP-Conlutas, única central, entre as maiores, independente do governo federal?

Índio: Desde 2006, quando saímos da CUT, buscamos dar nossa contribuição para construir uma central a mais unitária possível. Foi assim que, naquele mesmo ano, criamos a Intersindical não como uma central, mas como instrumento de luta para aglutinar os setores que buscavam uma central combativa, com independência política e democracia. Em 2008, após amplo debate entre os setores que participavam da Intersindical, houve uma cisão, pois alguns companheiros se negavam a participar de uma central com a Conlutas. Nós, ao contrário, aceitamos o desafio e entre 2008 até o final de 2011, demos a batalha para construir uma central mais ampla, mais unitária, mais plural.

Foi por acreditar e defender a unidade que participamos, em junho de 2010, do chamado Conclat, em Santos. Mas o desfecho daquele congresso evidenciou que o setor majoritário do Conlutas nunca quis unidade real. Unidade, para eles, só serve se for sob o hegemonismo sectário do seu partido [PSTU]. E para nós, particularmente num momento de fragmentação profunda como esse que vivemos, unidade real pressupõe democracia, construção coletiva e fundamentalmente, independência e autonomia também dos partidos políticos.

DL: Qual a diferença principal da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora com a CSP-Conlutas?

Índio: São várias as diferenças. Democracia é uma delas. Compartilhamento das tarefas é outra. Também não somos correia de transmissão de nenhum partido político. Construímos nossa direção no diálogo, sem ultimatos, valorizando a participação de todos os setores. Tem, também, a diferença no caráter da CSP-Conlutas, que admite a participação para além dos setores da classe trabalhadora. Isso tem importância para garantir que praticamente todos os militantes do partido que dirige a Conlutas sejam delegados nos congressos e eventos daquela central. Além disso, eles fazem questão de colocar na central movimento estudantil e movimentos contra opressões para que os sindicatos sejam plataforma (material, política, financeira) para as políticas do PSTU no movimento. Foi por isso que aquele partido fundou, não apenas uma central. Fundou, também, uma entidade estudantil, um movimento de mulheres, um movimento antirracista, um movimento LGBT e até agiu para dividir aliados para criar seu próprio movimento de moradia. Assim, dividem as frentes de luta apenas pela autoconstrução partidária, infelizmente.

DL: Qual a opinião de vocês sobre o imposto sindical?

Índio: Nossa opinião é que o imposto sindical ajuda a sustentar um sindicalismo pelego, distante dos trabalhadores, dependente do Estado. Foi para embolsar o dinheiro do imposto sindical que surgiram milhares de sindicatos no último período. Na enorme maioria das vezes, os sindicatos que se utilizam do imposto não desenvolvem política de sindicalização, nem querem a participação dos trabalhadores. Por isso, o imposto sindical deve acabar. As entidades devem ser sustentadas pelas contribuições decididas pelos próprios trabalhadores, democraticamente. É por isso que a Intersindical não fará uso desse dinheiro.

DL: Quais as principais categorias da classe trabalhadora que estão atualmente organizadas na Intersindical?

Índio: Apesar de ainda minoritária, nossa central aglutina trabalhadores de distintas categorias e ramos, das mais diversas regiões do país. Do setor público, privado, da cidade e do campo. Professores, químicos, bancários, servidores públicos das diversas instâncias (municipais, estaduais, federais, autarquias), trabalhadores rurais.

DL: No ato de fundação os dirigentes afirmaram que a central deva ser independente dos patrões, governo e partidos políticos. Mas e o PSOL?

Índio: O fato de ter militantes de um partido em um sindicato, não significa, necessariamente, transformá-lo em correia de transmissão do partido. E o PSOL respeita isso. Nós não atuamos na central com a política definida nos fóruns do partido. O PSOL não tem um comitê central nem outro organismo que determina o que eu vou fazer na Intersindical.

Basta ver que existem militantes do PSOL na Intersindical, na CSP-Conlutas e em outras centrais. Será que isso acontece com a militância do PSTU? Não.

O PSOL e outras organizações partidárias que defendem os interesses dos trabalhadores são nossas aliadas na luta social. Mas uma coisa é ter partidos aliados. Outra bem diferente é a central – ou os sindicatos - ser dependente do partido.

DL: No ato de fundação, vocês também negaram apoio a alguma candidatura de imediato. O objetivo é apresentar uma plataforma de reivindicações paras os candidatos. Caso o candidato comprometa com as propostas terá o apoio da central?

Índio: Vamos apresentar para as diversas candidaturas e para o debate na sociedade uma plataforma com as medidas que julgamos necessárias para mudar a realidade brasileira. Mas a INTERSINDICAL, enquanto entidade, não apoiará nenhuma candidatura. (Com o Diário Liberdade)


Comissão da Verdade apresenta terça-feira, dia 29, relatório sobre Riocentro

                                                               

A audiência será transmitida ao vivo na internet pela CNV

A Comissão Nacional da Verdade apresenta na próxima terça-feira, 29 de abril, em audiência pública no auditório do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, relatório preliminar de pesquisa sobre o atentado no Riocentro, ocorrido em 30 de abril de 1981, promovido por militares inconformados com os rumos da abertura política que vinha sendo promovida no país desde o final da década de 1970. O atentado no Riocentro não foi o único nesse período. Mais de 40 atentados a bomba foram realizados por grupos de extrema direita no Brasil entre setembro de 1979 e abril de 1981.

O objetivo do atentado era explodir bombas para causar pânico e mortes na população civil presente no Riocentro em 30 de abril de 1981, onde ocorria show de música popular brasileira, organizado por artistas e sindicatos em comemoração ao dia do trabalhador (1º de maio), e atribuir a responsabilidade pelo atentado a grupos armados de oposição à ditadura. Entretanto, uma das bombas trazidas pelo chefe da seção de operações do DOI do I Exército, capitão Wilson Machado, e pelo sargento Guilherme Pereira do Rosário, explodiu no interior do Puma de Machado, ferindo gravemente o primeiro e matando o segundo na hora.

Parte da apresentação da CNV, que será transmitida ao vivo pela internet, se baseia em documentos encontrados na residência do ex-chefe do DOI do Rio de Janeiro, coronel Júlio Miguel Molinas Dias, assassinado em 2012, em Porto Alegre. Os documentos foram apreendidos pela polícia civil gaúcha e a Comissão Nacional da Verdade recebeu cópia do acervo, em novembro de 2012, do governo do Rio Grande do Sul.

O material apreendido na casa de Molinas e entregue à CNV foi analisado pelo ex-membro da CNV Cláudio Fonteles, que produziu e divulgou um texto a respeito em maio de 2013. Acesse no link: http://www.cnv.gov.br/images/pdf/publicacoes/claudio/Atentado_Riocentro.pdf

Os documentos de Molinas sobre o caso Riocentro trazem anotações detalhadas sobre as atividades que ele, como comandante do DOI do Rio, desempenhou logo após o atentado. Na capa da documentação, Molinas informa que o relatório produzido por ele foi entregue ao coronel Leo Frederico Cinelli, chefe do serviço de informações do Estado Maior do 1º Exército, em 8 de maio de 1981, nove dias após a explosão da bomba.

A apuração da CNV também se baseia em outros processos que apuraram o caso, como dois Inquéritos Policiais Militares, realizados em 1981 e 1999, além de documentos produzidos pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados em 1996 e depoimentos colhidos pelo Ministério Público Federal.

Agentes públicos foram convocados e testemunhas foram convidadas para prestar depoimento durante a audiência.

O relatório preliminar de pesquisa sobre o caso Riocentro é o sexto que a CNV divulga desde 18 de fevereiro deste ano. Os cinco primeiros abordaram os seguintes temas: Centros de Tortura em instalações militares, Caso Rubens Paiva, Casa da Morte de Petrópolis, Centros Clandestinos de Tortura e Caso JK. Acesse a íntegra dos relatórios já divulgados e os documentos relacionados em: http://www.cnv.gov.br/index.php/relatorios-parciais-de-pesquisa

SERVIÇO

O quê: Audiência pública para apresentação de relatório preliminar sobre caso Riocentro
Quando: 29 de abril de 2014, terça-feira
Horário: 09h30
Local: Auditório do Arquivo Nacional, Praça da República, 173 – Centro, Rio de Janeiro
Transmissão ao vivo: www.cnv.gov.br/aovivo

domingo, 27 de abril de 2014

Mahamoud Abbas está certo. Presidente palestino classifica Holocausto como " crime mais atroz" . (Eu já disse aqui que todo mundo deveria visitar em Jerusalém o Museu do Holocausto. Existem outros por aí, inclusive, em Berlim e em Curitiba. O de Jerusalém, contudo, me parece o mais emocionante. Ninguém consegue sair indiferente ao drama enfrentado pelos judeus e demais povos vitimados pelo Holocausto depois de passar uns quatro ou cinco horas no " Yad Vashem".)

                                                                             

Netanyahu, por sua vez, fala em novo Holocausto por parte do Hamas. Este Netanyahu é um direitista e tanto...
          
O presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, classificou neste domingo (27/04) o Holocausto como "o crime mais atroz que se produziu contra a humanidade na era moderna".

Segundo a agência palestina "Wafa", Abbas uniu-se às demonstrações de condolências a Israel, que lembrará a partir desta noite o Dia do Holocausto, conforme o calendário judeu, uma jornada de luto na qual serão acesas seis tochas e na qual amanhã soarão as sirenes por todo o país.

Neste contexto e dias após Israel dar por concluído o processo de paz negociador com os palestinos por causa do acordo de reconciliação alcançado entre o movimento islamita Hamas e o nacionalista Fatah para reunificar-se sob um mesmo governo, o líder do movimento nacionalista segue acreditando em um acordo.

"Durante a incrivelmente triste lembrança do Dia do Holocausto, fazemos um pedido ao governo israelense de aproveitar a atual oportunidade de paz para alcançar uma paz justa e completa na região, baseada na visão dos dois Estados: Israel e Palestina vivendo lado a lado em paz e segurança", declarou Abbas.

Israel fala em "novo Holocausto"

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por sua vez, acusou o Hamas de querer provocar um novo Holocausto. "O Hamas nega o Holocausto e inclusive tenta criar um outro Holocausto com a destruição do Estado de Israel. Esse é o Hamas com o qual 'Abu Mazen' (o presidente palestino Mahmoud Abbas) decidiu formar uma aliança na semana passada", disse o primeiro-ministro israelense durante a reunião semanal de seu gabinete realizada hoje (27) em Jerusalém.

Segundo informações divulgadas por seu escritório, Netanyahu, no entanto, expressou sua esperança que Abbas "rejeitará esta aliança com o Hamas e retornará ao caminho para uma paz verdadeira", e ressaltou qual é a principal ameaça a seu Estado neste momento. 

"O Irã lidera a lista daqueles que querem nossas vidas; declarou sua intenção de destruir-nos. Além de seus esforços para dotar-se de armas nucleares, braços iranianos financiam e treinam o Hamas e outras organizações terroristas em nossas fronteiras", comentou. 

Netanyahu lembrou que "a principal diferença entre a vulnerabilidade dos judeus durante o Holocausto e sua situação atual é que hoje temos um Estado soberano forte com um Exército sólido que pode defender-nos contra os que querem nossas vidas."

Universidade de Coimbra realiza a Jornada em Defesa da Reforma Agrária

                                                                   
A universidade de Coimbra, em Portugal, organiza para a próxima semana, entre os dias 29 e 30 de abril, um debate sobre a questão agrária no Brasil e em Portugal.

A atividade na universidade portuguesa se soma as mais de 45 universidades brasileiras que realizam a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária ao longo de todo o mês de abril.

As atividades acontecem no Centro de Estudos Sociais, e se inserem no âmbito do ano internacional da agricultura familiar (garantido na Assembleia Geral das Nações Unidas) e dos 40 anos da Revolução dos Cravos (que teve inicio no dia 25 de abril de 1974).

Para os que estão distantes das terras lusitanas, também será possível acompanhar a atividade por meio de uma vídeo-conferência, durante o debate "Diálogos entre saberes, memória e luta pela terra: os casos de Brasil e Portugal", às 13h (horário de Brasília). (Com o MST)

Nesta segunda, reunião da Frente Independente pela Memória, Verdade e Justiça, às 18h30 no IHG


Os Indiferentes

                                                                   
Antonio Gramsci

11 de Fevereiro de 1917

Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heroica.

A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. 

A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. 

Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. 

Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.

A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.

Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. 

Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.

Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes. 


Primeira Edição: La Città Futura, 11-2-1917
Origem da presente Transcrição: Texto retirado do livro Convite à Leitura de Gramsci"
Tradução: Pedro Celso Uchôa Cavalcanti.
Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive
HTML de: Fernando A. S. Araújo
Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License (Com Prestes a Ressurgir)

Antonio Gramsci: 77 anos de sua morte

                                                                   

Há exatamente 77 anos , em 27 de abril de 1937, morreu Antonio Gramsci, pensador marxista e valoroso combatente comunista italiano.

Cronologia de sua vida (da edição brasileira dos Cadernos):
http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=123

                                                   




Para download: "Antonio Gramsci" na coleção Educadores MEC/Editora Massangana. CLIQUE NO LINK ABAIXO:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me4660.pdfhttp://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me4660.pdf


"Alguns me consideram um demônio, outros quase um santo. Não
quero ser mártir nem herói. Acredito ser simplesmente um homem médio,
que tem suas convicções profundas e não as troca por nada no mundo."

Carta de Gramsci, do cárcere, a seu irmão Carlo, em 12 de
setembro de 1927.

Detalhes da Marcha da Maconha este ano em São Paulo

Gabriel García Márquez dá entrevista quando dos 40 anos de "Cem Anos de Solidão!

Um documentário de Yves Billon e Mauricio Martínez-Cavard. Em sua casa de Cartagena de Índias (Colômbia), o escritor concedeu uma entrevista na qual convergem a realidade do mundo construído de casos e sortilégios e a vida de um homem que se converteu em seu mais fiel repórter. Um encontro realizado em 2007, no marco dos quarenta anos da primeira edição de Cem Anos de Solidão.(Com o Observatório da Imprensa)

sábado, 26 de abril de 2014

Reflexos da ditadura na educação impedem país de avançar

                                                               

Em audiência na Câmara, especialistas pontuaram as heranças do período autoritário que impactam na má qualidade do ensino público e no acesso à educação.


Brasília - Os reflexos da ditadura civil militar sobre a educação foram tão nocivos e profundos que até hoje, 30 anos após o início da redemocratização, impedem o país de alavancar a qualidade e democratizar o acesso a este que deveria ser um direito fundamental de todo brasileiro.  Em audiência pública promovida pela Comissão de Educação da Câmara, quinta (24), especialistas foram unânimes em apontar as heranças do regime como principais responsáveis pela má qualidade da educação pública e pela vergonhosa falta de acesso a ela para os pelo menos 14 milhões de analfabetos, além de número maior ainda de analfabetos funcionais.

Presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti  (foto) lembrou que a ditadura pôs fim ao ambiente de otimismo pedagógico dos educadores brasileiros com o avanço da educação popular e emancipatória já nos primeiros dias após o golpe. Em 14 de abril de 1964, um dia antes do general Castelo Branco assumir o posto de ditador, foi extinto o Programa Nacional de Alfabetização, que vinha sendo implantado no país pelo educador Paulo Freire e seria inaugurado oficialmente em maio. Segundo ele, não foi nenhum rompante do regime. A decisão já havia sido tomada um ano antes, quando Castelo Branco ouvira Paulo Freire em um evento no interior paulista. “Vocês estão engordando cobras”, teria diagnosticado o futuro ditador.

Na sequência, vieram as reformas educacionais que arrasaram com o modelo de educação brasileira. O presidente do Instituto narrou que, em 10 de junho de 64, na primeira reunião com secretários de educação, Castelo disse textualmente: o objetivo do meu governo é estabelecer a ordem entre trabalhadores, estudantes e militar.  E seu ministro Suplicy completou: estudante deve estudar, professor deve ensinar, e não fazer política. “Aí está o programa da ditadura: uma visão autoritária da educação e uma visão tecnicista que ainda permanece, suavizada, sem a ostentação e arrogância daquele período”, avaliou.

Gardotti ressaltou também a introdução do caráter mercantilista da educação, trazido dos Estados Unidos, que a transforma em negócio, ao invés de direito. “Havia uma lógica de privatizar”, denuncia. Ele criticou a reforma universitária, que promoveu a “departamentalização”, apontada como estratégia para fragmentar o conhecimento. E também a forma autoritária como eram impostos os diretores, selecionados não pelo desempenho acadêmico, mas pelo perfil gerencial. “A reforma universitária visava reformar para desmobilizar”, resumiu.

Sobraram críticas também à reforma do ensino básico, feita de modo a impedir o crescimento intelectual dos alunos. “A reforma da educação básica tem coisas hilárias, como dizer que todo mundo tem que se profissionalizar porque Jesus Cristo foi carpinteiro”, exemplificou. Segundo ele, em uma época que até o Banco Mundial preconizava que os trabalhadores tinham que ter uma formação generalista, a ditadura obrigou todas as escolas de ensino médio a introduzir a formação técnica compulsório, sem nenhum preparo para isso, e o resultado foi um fracasso.

Outro fracasso registrado foi o do Mobral, criado para alfabetizar jovens e adultos e extinto no governo Sarney. Em quase 20 anos, o programa, que prometia acabar com o analfabetismo em 10, conseguir reduzir a taxa apenas de 33% para 25%. “O Mobral alfabetizou muito pouco. E era muito mais fácil do que hoje, porque esses 8% residual que temos agora está no campo e em locais de difícil acesso”, analisou.

No inventário dos prejuízos causados pela ditadura à educação brasileira, ele incluiu também o desmantelamento dos vários movimentos sociais e populares, a eliminação da representação estudantil e a perda da capacidade dos educadores de influir nos rumos da educação. Para ele, é preciso mudar a concepção da educação. “Nós temos que formar professores a partir de uma outra ótica, de uma outra concepção de educação que respeite o saber das pessoas, que introduza o diálogo, o respeito, e vença aquilo que é o mais duro do que foi herdado da ditadura: a falta de democracia”, diagnosticou.

Como exemplo, ele citou o quanto ainda é difícil implantar um conselho de escola ou mesmo difícil discutir política na escola, o que considera salutar para o país.

“Estamos formando gerações sem discutir que país queremos”, afirmou. Gardotti lembrou que Paulo Freire já dizia que educar é politizar sim. “Não podemos formar estudantes na velha teoria do capital humano: estude, trabalhe e ganhe dinheiro. Paulo Freire respondeu claramente a esta teoria na época: a educação que não é emancipadora faz com que o oprimido queira se transformar em opressor”, concluiu.

O sociólogo e colunista da Carta Maior, Emir Sader, lembrou que o arrocho salarial foi tão importante para a sustentação da ditadura quanto a repressão sistemática, o que acabou comprometendo a qualidade dos serviços públicos, inclusive a educação. “O santo do chamado “milagre econômico” foi o arrocho salarial”, afirmou. Segundo ele, até então, a escola pública era um espaço de convivência entre a classe pobre e a classe média, um espaço de socialização. “A classe média, a partir daquele momento, passou a se bandear para escola particular, fazendo um esforço enorme, colocando no orçamento os gastos de escola e deixando a escola pública como um fenômeno social de pobre”, observou.

O sociólogo avalia que a ruptura causada foi tão significativa que a escola pública, até hoje, não recuperou seu vigor. “A democratização não significou a democratização do sistema educacional, não significou a recuperação da educação pública, da saúde pública. Isso está sendo feita a duras penas na última década, mas com uma herança acumulada brutal. Já tem reflexos no ensino universitário, mas não em toda a educação: a escola pública nós perdemos”, ressaltou.

Para ele, os investimentos em educação superior são importantes, mas é a reconquista da qualidade da educação primária e média que deve ser tema fundamental e urgente à democracia brasileira. “Estamos muito atrasados. Até a saúde pública, apesar do viés duríssimo da perda da CPMF, nós conseguimos melhorar agora com o programa Mais Médicos. Mas a educação, não. A estrutura de poder herdada da ditadura só se consolidou, inclusive a da educação privada”, observou Sader, lembrando que os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso aprofundaram ainda mais o processo de privatização deflagrado pelos militares.

Sadir Dal Rosso, professor da Universidade de Brasília (UnB), uma das mais afetadas pelo golpe civil militar, submetida a três intervenções, abordou o impacto da ditadura na universidade e na construção do pensamento brasileiro. Segundo ele, o controle das administrações universitárias, a demissão e expurgos de professores que não concordavam com o regime, os assassinatos de estudantes, o controle das organizações estudantis e a implantação de serviços de informação no meio acadêmico causaram prejuízos imensuráveis ao país, que ainda precisam ser investigados e punidos. “É necessário esclarecer a verdade e, neste sentido, é necessário rever a Lei da Anistia”, defendeu.(Com Carta Maior)

Realidades do Mundo Árabe em festival de filmes da UFRJ



O festival é uma oportunidade para conhecer alguns desses filmes que terão poucas chances de chegarem aos circuitos de exibição comercial


Nove filmes apresentando diversos aspectos da realidade em países árabes, alguns documentários, outros ficção, começam a ser apresentados pelo Fórum de Ciência e Cultura da Universidade federal do Rio de Janeiro (UFRJ) entre os dias 25 e 28 deste mês, em sessões com entrada franca.

Este mini Festival de Cinema Árabe reúne produções realizadas por palestinos (o curta Condom lead é famoso), por sul-americanos (brasileiros e argentinos), por um grupo do Marrocos/Bélgica e França, por libaneses e até uma coprodução de longa, Fidaï, globalizada e filmada por um grupo inusitado composto de China/Grã Bretanha/França/Alemanha/Kuwait/Argélia.

É uma oportunidade única para conhecer alguns desses filmes que terão poucas chances de chegarem aos circuitos de exibição comercial dominados, em praticamente sua totalidade pela indústria das majors do cinema comercial americano.

Serviço:

I MOSTRA UFRJ DE CINEMA ÁRABE De 25 a 28 de abril 

Entrada franca.Sessões no Cine Joia/ Av. Copacabana,680
PROGRAMAÇÃO DOS FILMES / Todos com legendas em português

25/04, sexta, às 20h

OK, BASTA, ADIÓS, de Rania Attieh & Daniel García
(Longa, ficção, 93 min., Líbano, 2011)
Trailer: http://vimeo.com/15869222 


26/04, sábado, às 18h 


HABI, LA EXTRANJERA, de María Florencia Álvarez

(Longa, ficção, 92 min., Argentina/Brasil, 2013) / Com debate
Trailer: 
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=PUfPbcIS2Rs



26/04, sábado, às 20h

THE LEBANESE ROCKET SOCIETY, de Joana Hadjithomas & Khalil Joreige 
(Longa, doc, 95 min., Líbano/França, 2012) 
Trailer: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Kas41F-MMkE 

27/04, domingo, às 18h

CONDOM LEAD, de Mohammad Hushki 

(Curta, ficção, 15 min., Palestina, 2012)
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=M4tE5NevnX8&feature=youtu.be


HIJAB- MULHERES DE VÉU, de Paulo Halm 

(Documentário, 80 min., Brasil, 2013) /Com debate

27/04, às 20h


CONSTANTINO, de Otavio Cury 

(Longa, documentário, 93 min., Brasil/Síria, 2012)
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=chVofJttQEQ&list=PLC3B4541377AAACDD&feature=share&index=22ÓN 


28/04, às 16h

SOB O VÉU DO ISLÃ , de Luiz Carlos Lucena
(Longa, doc, 74 min., Brasil, 2012)
Trailer: http://youtu.be/inzvs4q1Q1M


28/04, às 18h

DEATH FOR SALE, de Faouzi Bensaïdi 

(Longa, ficção, 117 min., Bélgica/França/Marrocos, 2011) /Com debate
Trailer: http://youtu.be/-IhuypWgzeY

28/04, às 20h


FIDAÏ , de Damien Ounouri 
(Longa, documentário, 82 min., França /China/ Argélia /Alemanha/Kuwait/UK, 2012) 
Trailer: http://youtu.be/f38Y-dlV9QY

Fórum de Ciência e Cultura/UFRJ

Av. Rui Barbosa, 762 – 22250-020 – Flamengo – RJ

Av. Pasteur, 250 - sala 203 - 22290-900 - Urca

www.forum.ufrj.br -

Tel.: 55 21 2552 1195 /1048 ou 55 21 2295 2346 

A mística de Gogol

                                                                                 
                                                                                 Ilustração: Natália Mikhailenko

Já faz muitos anos que a Rússia e a Ucrânia não conseguem dividir entre si o grande escritor Nikolai Gogol (1809-1852), autor de "Almas Mortas", "O Inspetor Geral", "Taras Bulba" e "O Capote".

Ele, de fato, nasceu na Ucrânia, no povoado de Sorochintsi, província de Poltava. Mas viveu na Rússia, escreveu em russo e a Ucrânia de seus livros era uma Ucrânia de ficção, de histórias fabulosas. Gogol recebia informações sobre o país quase na totalidade pela correspondência que mantinha com sua mãe, que havia ficado na Malorossia (Pequena Rússia), como então se denominava aquela parte do Império Russo.

Viajante, inventor de histórias

Por coincidência, Gogol nasceu no dia 1º de Abril, Dia da Mentira. Há até quem acredite que é em homenagem a Gogol que se comemora esse dia. Mas a verdade é que Nikolai Vasílevitch estaria mais próximo do dia de Todos os Santos ou da Noite de Santa Valbuga, com seu misticismo, mistério e magia, do que do Dia da Mentira. 

A dose mística em seus livros não é menor do que a comédia existente neles [o dia 1º de abril na Rússia não é apenas o dia da mentira, mas sim o Dia do Riso (e das partidas/brincadeiras). Está mais próximo do entendimento anglo-saxão de “Fool’s day”]. Ele sabia como ninguém tecer e combinar estes dois elementos.

Por sua aparência física –cabelo comprido, nariz grande e corpo franzino– Gogol se parecia com um hippie. Houve um tempo em que era moda entre os hippies de Moscou trazerem no peito brochinhos feitos à mão com a imagem do Gogol usando os óculos redondos de Lennon.

Debaixo do desenho havia a inscrição: “John Lennon”. Aliás, o monumento de Gogol, no bulevar com o mesmo nome, serve, desde meados dos anos 1970 até hoje, de ponto de encontro para os hippies. Em Moscou existem muitos monumentos bonitos, mas foi precisamente o de Gogol que eles escolheram e essa escolha não foi casual.

Tal como os hippies, Gogol levava uma vida nômade. Não ficava muito tempo no mesmo lugar, só se sentia bem viajando. Por isso, é inútil esta discussão entre a Rússia e a Ucrânia sobre quem ele era de verdade. Sim, era russo. Sim, era ucraniano. Mas, com igual sucesso, era alemão e italiano. Afinal, ele também esteve em Roma e Munique.

Quase nada do que viu ficou refletido em seus livros. Muitos de seus personagens eram tão viajantes quanto ele próprio: Khlestakov, Tchítchikov, Ivan Fiôdorovitch Chponka. Quanto mais rápido giravam as rodas da carruagem, mais seguramente o leitor ia cair em um mundo paralelo, onde os mortos esperam, os perus são do tamanho de bezerros e trinta e cinco mil mensageiros correm ao redor do mundo, se apressando para entregar a boa nova.

Realista é coisa que Gogol nunca foi. Não estaremos exagerando muito se dissermos que ele pode ser considerado o pioneiro da história e da reconstrução histórica alternativas. Foi ele que em grande parte criou a tradição oral ucraniana e a tradição oral urbana de São Petersburgo. 

E de tal modo convincente eram as suas histórias e lendas inventadas que até hoje tem quem acredite nelas. Os estudiosos já provaram que as coisas descritas por Gogol no épico cossaco "Taras Bulba" nem de perto, nem de longe aconteceram –nem com os cossacos, nem com os ucranianos, nem com os poloneses. Mas a versão gogoliana da história é de tal modo contagiante que fica difícil não acreditar nela.

Misticismo

Quando a sociedade progressiva da época chamou "O Inspetor Geral" de peça revolucionária, acusadora da burocracia real, Gogol ficou seriamente assustado. Ele não tinha em mente nada daquilo. Apenas havia passado para o papel um mundo imaginado, povoado por criaturas fantásticas. Seja como for, ele começou a atribuir a ideia de "O Inspector Geral" ao grande poeta Pushkin. Supostamente, dizia ele, teria sido Pushkin que lhe contou a história de "O Inspetor Geral" e, ao mesmo tempo, também a das "Almas Mortas". E Pushkin era um clássico, uma autoridade inquestionável, quem iria lhe pedir satisfações? Pushkin era um deus para ele.

No final da vida, Gogol conversava muito com o sacerdote ultraortodoxo pai Matvei. Este tentava persuadi-lo a renunciar à literatura e a se entregar por completo à fé. E do mesmo jeito o persuadia para que renunciasse à Pushkin. O pai Matvei via em Pushkin o centro de todos os demônios, de todas as heresias. Gogol durante muito tempo resistiu, mas, por fim, acabou cedendo. E ao renunciar à Pushkin, ele disse adeus à vida, a tudo o que lhe era precioso. (Com a Gazeta Russa)


Verdade: nada nos pertence

Não deixe o samba morrer

FELICIDADES

                                              SALVE 21 de ABRIL DE 2014 



                                                          Parabéns Fátima de Oliveira

                                                                 
                                                     José Carlos Alexandre
                                                                                                                       
                                                       Yuri Ferreira Oliveira Alexandre

                                                                                   
                                                          Ygor Ferreira Oliveira Alexandre
                                                                             
                                                                         Anita