sexta-feira, 30 de março de 2012

Na Europa a crise já atinge os ovos...

                                                             
As galinhas da Europa passaram a botar menos ovos! Parece que  a crise financeira mundial influenciou sua saúde e seu estado psicológico. Por conseguinte, a Europa se depara com um déficit total de ovos. Nas vésperas da Páscoa, os preços deste produto duplicaram, na maioria dos países da UE, mas a gente, receando o desaparecimento total dos ovos da venda, varre-os dos balcões.
Supermercados franceses limitaram a venda deste produto dietético. Habitantes da República Tcheca viajam à Alemanha para comprar ovos, e os alemães vão com a mesma finalidade à Áustria. O déficit dos ovos provocou problemas também noutros ramos: por exemplo, confeiteiros franceses deparam-se com a falta de 21 milhões de ovos para nececidades de produção.
“A crise foi provocada pela decisão mal-pensada da Comissão Européia de aumentar 50% a área normativa de cria de uma galinha, em galinheiros modernizados. Oficialmente, foi anunciado que esta mudança “levará à humanização da cria da galinha” mas na prática provocou abatimentos em massa das aves”, disse em entrevista à Voz da Rússia Anton Liubic, chefe de projetos agrícolas do  fundo de investimentos Hight Capital.  Em russo, dizemos: queriamos melhorar.
Mais uma razão, que agravou a crise da produção de ovos, foi o grande frio, que repercutiu na produtividade das galinhas poedeiras.
Portanto, soubemos quem teve a culpa. Resta saber: quê fazer? "A importação de ovos da Rússia, seria uma boa saída para a Europa", considera Anton Liubic.
"Raciocinando sobre como a Europa procurará sair da crise, o esquema mais provável será a concessão de subsídios aos avicultores para o alargamento das áreas de cria das galinhas. Mas, no contexto da “crise das dívidas” é pouco provável que tais subsídios sejam bastantes. Por conseguinte, a Europa terá que aumentar o volume das importações de ovos. E para os avicultores russos, esta será uma variante artaente. A avicultura do nosso país desenvolve-se energicamente. Por isto, a Rússia poderá ganhar, no contexto de sua incorporação na OMC. Por exemplo, na Polônia os ovos custam três vezes mais que na Rússia. Se este nível dos preços se mantiver, a importação de ovos da Rússia poderia ser economicamente viável. Atualmente, a procura insatisfeita de ovos na UE ascende a 800 milhões de unidades por mês. E avicultores russos podem conquistar sua parte neste mercado, sobretudo tendo em vista que a UE importa ovos inclusive dos EUA".
Porém, não é fácil organizar as exportações de ovos para a União Européia. Isto, porque seus dirigentes cuidam por todos os pormenores. De acordo com a mesma diretriz,  fica proibida desde 2012, a importação de ovos de todos os países da UE, que não conseguirem assegurar a tempo todos os “direitos da galinha”.
Os peritos não excluem que a “crise dos ovos” na UE continue até o ano que vem. Portanto podemos aconselhar aos  européus que sigam o exemplo de seus vizinhos russos que nos anos de crises criavam galinhas nas sacadas. Só que deverão medir escrupulosamente a área de cria que corresponda a cada galinha. (Com a Voz da Rússia)

Fernando Botero mostra suas pinturas e esculturas na Cidade do México


                
Fernando Botero, o pintor vivo latino-americano mais reconhecido e cotado atualmente no mundo, inaugurará hoje nesta capital a mostra retrospectiva maior que se tenha feito de sua obra.

  A exposição, que se apresenta com motivo do 80 aniversário do pintor e escultor colombiano,é   integrada por 177 peças e permanecerá aberta até o 17 de junho no Palácio de Belas Artes.

Botero nasceu em 19 de abril de 1932 na cidade de Medellín, capital do departamento de Antioquia.

A retrospectiva a compõem 161 pinturas realizadas em diversas técnicas, bem como 16 esculturas, cinco destas são monumentais e se exibem à entrada do edifício sede.

Encontra-se dividida em várias temáticas, como lembranças da infância, o clero, o circo, a natureza morta, as corridas de touros e Abu Ghraib, baseada nas torturas cometidas por soldados estadunidenses nessa prisão iraquiana em 2003.

Esta exposição, cuja curadoria encontra-se a cargo de sua filha Lina, é a quinta que o artista apresenta no México.

O protesto de um deputado norte-americano por causa da morte de um jovem negro



                                
Catorze países europeus participaram, segundo as informações da APCE, da criação de prisões secretas dos EUA. Mas, somente num deles o caso chegou aos tribunais. Zbigniew Sementkovsky, ex-chefe do serviço de inteligência polonês, foi acusado de organizar uma prisão ilegal da CIA no território de seu país.
Uma acusação análoga pode ser apresentada também ao ex-premier Leszek Miller. Outros países da União Europeia fizeram caso omisso deste tema.
A Europa não gosta de lavar sua roupa suja à vista de todos. As informações que denigrem os “campeões da justiça” europeus estão sendo escondidos da população, diz Ievgueni Voiko, perito do Centro da Conjuntura Política da Rússia, e continua:
"Os líderes dos países da UE posicionam-se como políticos extremamente sensíveis em relação ao problema das liberdades e dos direitos humanos. Via de regra, é precisamente aquilo que eles exigem de outros países.  Por isto, para os países da EU, tornar pública a informação sobre as prisões da CIA significaria perder a face. Tanto mais que a Europa não está vivendo, hoje, seus melhores momentos".
Para falar verdade, a UE é incapaz de resolver ela própria este problema. Não foi ontem que apareceram as informações sobre a existência, na Europa, de prisões secretas da CIA, onde indivíduos suspeitos de terrorismo eram não só mantidos mas, às vezes, também torturados. Já em setembro de 2006, o presidente dos EUA, George Bush, confirmou sua existência. Hoje em dia, a opinião pública possui seus endereços concretos, nomeadamente na Lituânia, Romênia e Polônia. São conhecidos também aeroportos na Finlândia, Dinamarca e Noruega, que participaram do programa de transporte dos reclusos da CIA. Na Lituânia, o assunto parou na etapa de instrução pré-judicial, enquanto que os escandinavos nem a iniciaram. Somente a Polônia não só reconheceu a existência de laços com a CIA  mas também encontrou os culpados de várias pessoas terem sido mantidas ilegalmente no território polonês e sujeitas a castigos corporais.
As acusações foram apresentadas ao ex-chefe do serviço de inteligência Zbigniew Sementkowsky, já em janeiro de 2012. Mas este fato só se soube agora, diz o cientista políticopolonês Zygmund Dzentcholowski:
"Perdemo-nos em conjeturas, evidentemente. Foi uma fuga de informação do Ministério Público. Mas compreendemos que fugas deste gênero se organizam por certas razões políticas. A história da prisão da CIA na Polônia provocou a indignação da sociedade. Está claro que os EUA são nosso aliado na Aliança Atlântica e que o combate ao terrorismo é uma prioridade. No entanto, para a maioria da sociedade polonesa é inaceitável dar a um aliado a possibilidade de torturar seus prisioneiros no território do nosso país. E a sociedade exigiu que fosse encontrado o responsável por isso. Por outro lado, o barulho em torno deste caso pode ser uma tentativa do partido governante Plataforma Cívica de encobrir outros casos pouco escrupulosos como, por exemplo, a reforma do sistema de aposentadorias".
A investigação deste caso continua desde 2008, já que os serviços secretos fornecem as informações a este respeito com muitas reticências. Por isto, não adianta esperar uma conclusão rápida deste processo. Mas, por outro lado, Varsóvia já não poderá abafar este caso, considera Aleksei Mukhin, diretor-geral do Centro da Informação Política.
"Não restam dúvidas de que haverá processos penais, porque os poloneses devem levar até o fim os casos iniciados. De contrário, esta iniciativa carecerá de sentido. É pouco provável, porém, que estes processos sirvam de precedente para outros países".
Parece, pois, que problemas de imagem são mais importantes para países europeus do que os valores democráticos, conclui o perito.


Centrais sindicais espanholas elogiam apoio à greve com a participação de mais de 80% de trabalhadores

                                                   

Os dois sindicatos majoritários da Espanha, Comissões Operárias (CC.OO.) e a União Geral de Trabalhadores (UGT), qualificaram hoje como cotundente o respaldo à primeira greve geral contra o governo conservador de Mariano Rajoy.


  Os líderes da UGT, Cándido Méndez, e das CC.OO., Ignacio Fernández Toxo, asseguraram que a paralisação de 24 horas, em rejeição a uma reforma trabalhista que facilita e barateia a demissão, se converteu em um ato de afirmação democrática do povo espanhol.



Em uma coletiva de imprensa conjunta, Méndez e Fernández Toxo sublinharam que a paralisação das atividades desta quinta-feira conta com uma ampla participação dos trabalhadores, e quantificaram em mais do 80 por cento seu acatamento em nível nacional.



Segundo os secretários gerais de ambas as centrais operárias, a adesão é superior a registrada nas paralisações deste tipo que ocorreram em 2002 e 2010, também contra as mudanças introduzidas no mercado de trabalho deste país europeu.



Ontem tínhamos toda a razão ao exigir a profunda correção desta norma, e com a greve de hoje se acrescenta esse respaldo, enfatizou Méndez, após assinalar que os incidentes foram exceções e que a regra foi a participação em massa nas primeiras 12 horas.



Esclareceu que para as associações a greve é o meio, enquanto o fim é conseguir uma retificação do executivo de direita do Partido Popular (PP) à sua política de cortes sociais e trabalhistas que, denunciou, aposta pelo empobrecimento da população.



O líder da UGT exortou o presidente do governo espanhol e líder do PP a abrir a mesa de negociação, em lugar de promover uma guerra de cifras com os sindicatos com relação à adesão ao protesto pacífico.



Recordou, também, que nesta jornada estão previstas multitudinárias manifestações em mais de 100 cidades da Espanha, incluída esta capital, como culminação da massiva paralisação.



O secretário geral das CC.OO. minimizou os informes difundidos pelo Palácio da Moncloa (sede do poder central), segundo os quais a paralisação dos trabalhadores teve uma incidência nula em alguns setores, sobretudo na administração pública.



Fernández Toxo avaliou que a maturidade dos trabalhadores, quem cumpriram de maneira escrupulosa os serviços mínimos estabelecidos, se impôs contr paranoia do governo com sua inusitada mobilização policial em cidades como Madri.



Na sua opinião, o governo fracassou em sua pretensão de converter o protesto pacífico em um conflito de ordem público.



Tanto Méndez como seu par das CC.OO. alertaram que o sindicalismo não cessará seu empenho em conseguir uma profunda emenda da controvertida legislação trabalhista, ainda que o governo já antecipou que não modificará nenhum parágrafo da lei. (Com a PL)

USP está em falta com a democracia


Maior universidade do país e reconhecida por sua excelência, USP vem ganhando fama em outro quesito: o cerceamento da liberdade política

Aline Scarso
da Reportagem

Excelência internacionalmente reconhecida, professores de alto gabarito, uma das 70 melhores instituições de ensino superior do mundo segundo o ranking do instituto britânico Times Higher Education (THE). Essas são características bastante conhecidas da Universidade de São Paulo (USP), que enchem de orgulho o seu reitor, o professor de Direito João Grandino Rodas.

A maior universidade do país, entretanto, vem ganhando fama também em outro quesito: o cerceamento da liberdade de expressão e o aumento do número de processos e expulsões de uspianos que participam de manifestações e ocupações de prédios motivadas por reivindicações políticas.

No dia 09 de março, a Reitoria resolveu se pronunciar publicamente no jornal institucional USP Destaques sobre as manifestações que estão ocorrendo no campus. Em nota, disse que os “protestos extraordinários são cabíveis em um Estado democrático de direito, como o Brasil, por meio de demonstrações etc., mas nunca com a utilização de atos que sejam considerados como crime pelo direito penal, como vem acontecendo há décadas na USP”, em clara referência às últimas ocupações e à movimentação estudantil iniciada no ano passado.

Realmente o cenário não é o dos mais favoráveis aos movimentos sociais, organizações, partidos e indivíduos de esquerda dentro do campus. Desde que Rodas foi nomeado pelo então governador José Serra (PSDB) para a gestão, em dezembro de 2010, seis estudantes foram expulsos, 88 foram presos e 98 processados. Um fato inédito na história da USP.

Além disso, todos os sindicalistas do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) estão sendo processados e a diretoria da Adusp (Associação de Docentes da USP) corre o risco de sofrer processos da reitoria, caso a entidade não se retrate sobre críticas feitas em relação ao mau uso do dinheiro público pela universidade.

“De todas as últimas reitorias, a atual é a mais fechada ao diálogo, a que mais tem adotado medidas unilaterais repressivas, com uso desproporcional e emblemático de força policial que é para dar uma mensagem não apenas ao movimento estudantil e sindical da USP, mas é uma mensagem global do governo do estado de São Paulo, e do PSDB que o dirige, contra os movimentos sociais. Não é coincidência que esse uso sistemático da força da PM e toda uma operação ideológica para justificá-la coincide com a repressão de Pinheirinho”, analisa o professor de História da instituição, Henrique Carneiro.

No último dia 19, centenas de alunos, apoiados por professores, realizaram um ato em frente à reitoria. Em falas, eles ressaltaram que a maior universidade do país está vivendo um período de militarização e judicialização das manifestações políticas. Perseguições que “inexistem” segundo a reitoria.

“Só se a USP for outro Estado”

Um dos pontos reivindicados pelo movimento estudantil é que o reitor finalize o convênio feito com a Polícia Militar do estado em setembro do ano passado. Apesar de assembleias massivas, com a participação de mais de cinco mil estudantes, a reitoria mantém a mesma posição.

Na rede social Facebook, é comum o relato de estudantes que sofreram ou presenciaram constrangimentos causados pela Polícia Militar em abordagens.

Em 28 de fevereiro, quatro calouros foram detidos e levados à 14º DP no bairro de Pinheiros, em São Paulo, por terem sido pegos com 0,4g de maconha, algo próximo ao peso de um confete. O caso mais grave, entretanto, aconteceu no dia 6 de janeiro quando o estudante de Ciências da Natureza, Nicolas Menezes Barreto, teve uma arma apontada para a sua cabeça por um policial, durante uma ação da Corporação no prédio do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Em nota no USP Destaques, a Reitoria diz que a Constituição Federal autoriza a Corporação a exercer o poder de polícia em todo o território nacional e que para mudar isso só haveria dois caminhos: ou emendar a Constituição ou proclamar a USP como um novo Estado soberano, reconhecido pela comunidade internacional.

“Sendo um espaço público é impossível evitar a presença da polícia militar e ninguém questiona isso. O que se questiona é o convênio que foi feito, sobretudo de estabelecerem um banco de dados de troca de informações recíprocas entre a Polícia e a reitoria a partir das ocorrências verificadas. Isso acabou gerando um estágio de medo em relação à presença ostensiva da polícia e permite a lógica da espionagem, como já foi divulgado”, contra-argumenta o juiz e professor de Direito da USP, Jorge Luiz Souto Maior.

Para o juiz, a universidade chegou em um nível muito grave de falência democrática. “A coisa vem numa crescente tão grande que até dá para imaginar que possa piorar. Isso é claramente verificável, começou pequeno e hoje está bem maior a ponto da reitoria ameaçar todo mundo, no [jornal] USP Destaques, dizendo que pode haver processos a partir do que for dito contra ela”, pontua, destacando que as pessoas – como não têm noção do que seja uma imputação caluniosa – deixam de falar e escrever manifestos, textos, planfletos e participar de manifestações. “Realmente calúnia é crime, mas essa ameaça é usada politicamente no sentido de gerar medo e calar as pessoas. E é uma forma repressiva clássica. O debate posto sob uma perspectiva de espada política é um debate que se evita”.

Democratização da USP

Recentemente uma polêmica envolvendo a universidade ganhou destaque na imprensa nacional por sua peculiaridade. Na ocasião, uspianos perseguidos pelo regime militar e parentes de ativistas assassinados se recusaram a receber uma homenagem da instituição, que prevê a construção de um monumento às vítimas da ditadura na Praça do Relógio, na campus Butantã em São Paulo (SP).

Em documento intitulado Manifesto pela Democratização da USP e assinado com 231 nomes, eles afirmavam que a recusa se dava porque a reitoria “reatualiza o caráter autoritário e antidemocrático das estruturas de poder da USP”. Além disso, a placa que indicava a construção utilizava a expressão “Homenagem às vítimas da Revolução de 1964”.

Segundo a reitoria e o Núcleo de Estudos da Violência da USP, que coordena o projeto, a palavra “Revolução” em referência ao golpe militar foi um erro causado pela empresa Scopus Construtora e Incorporadora, que venceu a licitação da obra. O manifesto dos ativistas, entretanto, não foi bem recebido pela reitoria que disse que os assinantes se autointitulam perseguidos e parentes dos assassinados pelo regime.

A situação gerou manifestações e críticas na rede social Facebook. Textos chamavam atenção que o reitor João Grandino Rodas votou de forma favorável aos militares quando fez parte da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), organizada pela Secretaria de Direitos Humanos. Em 10 casos, Rodas votou contra a culpabilidade do Estado, tendo posição igual ao general do exército Oswaldo Pereira Gomes em diversas vezes.

Leia mais:

Manifesto pela Democratização

O manifesto pela democratização da USP, assinado por 231 docentes, surgiu no ano passado para criticar o uso da expressão “Revolução de 1964” na placa da obra de um monumento localizado na Praça do Relógio, na Cidade Universitária, e também para exigir o fim das perseguições políticas pela reitoria e pelo Governo de São Paulo a estudantes, professores e movimentos sociais.

Rodas e a ditadura

A relação entre o reitor da USP, João Grandino Rodas, e a ditadura militar é “indireta”. Com o processo da redemocratização, a lei da anistia foi instaurada e previa que o Estado pagasse indenizações às famílias que foram atingidas pelo regime, ou para as próprias vítimas que tiveram parte de suas vidas interrompidas. Rodas era um dos promotores públicos que julgava os casos de anistia e votou contra a culpabilidade do Estado em 10 casos.

Eleição para reitor

Na USP, uma pequena parte da comunidade acadêmica pode votar para reitor. Em 2009, Rodas foi o segundo candidato mais votado, mas mesmo assim foi escolhido pelo governador José Serra como governante da Universidade.

Estrutura de poder

O regimento disciplinar interno da USP elaborado em 1972, no auge da ditadura militar, vigora até hoje. No regimento consta, dentre outras coisas, a proibição a atividades políticas dentro da universidade.

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Juventude de sete Estados se levanta contra a tortura e pela instalação da Comissão da Verdade

                                                
Da Página do Levante da Juventude
Jovens organizados pelo movimento Levante Popular da Juventude promoveram protestos em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belém e Curitiba , nesta segunda-feira (26/3) contra agentes da ditadura militar que torturaram, mataram, perseguiram militantes e pela instalação da Comissão da Verdade.
Os jovens fizeram uma ação tradicional na Argentina e no Chile chamada de “escracho”, quando são realizados protestos para denunciar a participação de agentes dos regimes autoritários em perseguições, torturas e assassinatos. No Brasil, os jovens apelidaram a ação de esculacho.
As manifestações denunciam que agentes da repressão continuam impunes, apoiam a instalação da Comissão da Verdade e exigem a apuração e a punição dos crimes cometidos durante a Ditadura Militar.
A Comissão da Verdade tem como objetivo esclarecer situações de violação aos direitos humanos, ocorridas entre 1946 e 1988, como tortura, morte e ocultação de cadáveres. O órgão deve identificar os responsáveis pelas violações. Os jovens apoiam a presidenta Dilma a indicar os sete conselheiros que coordenarão os trabalhos.
As ações
Em São Paulo, cerca de 150 jovens realizaram um protesto contra o torturador David dos Santos Araújo, o Capitão "Lisboa", em frente a sua empresa de segurança privada Dacala, na Zona Sul da cidade de São Paulo. Ele é assassino e torturador, de acordo com Ação Civil Pública do Ministério Público Federal. A ação registra o seu envolvimento na tortura e morte de Joaquim Alencar de Seixas. Em agosto de 2010, o Ministério Público Federal ingressou com ação civil pública pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias do delegado da Polícia Civil paulista pela participação direta de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimento forçados e homicídios em serviço e nas dependências de órgãos da União.
No Rio de Janeiro, a juventude realizou ações contra David dos Santos, em frente à filial da empresa Dacala. Cartazes com escritos “levante contra tortura” foram fixados na porta da empresa. Ao mesmo tempo, outros integrantes do Levante penduraram uma faixa nos Arcos da Lapa com os dizeres “Levante-se contra tortura: em defesa da comissão da verdade”, enquanto outro grupo fazia panfletagem em frente ao Clube Militar.
Em Belo Horizonte, 70 jovens participaram da ação de escracho em frente à residência do torturador Ariovaldo da Hora e Silva, no bairro da Graça. A manifestação contou com faixas, cartazes e tambores, além de distribuírem cópias de documentos oficiais do DOPS, contendo relatos das sessões de tortura com a participação de Ariovaldo, para informar a população do currículo do vizinho.
Ariovaldo foi investigador da Polícia Federal, lotado na Delegacia de Vigilância Social como escrivão. Delegado da Polícia Civil durante a ditadura, exerceu atividades no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) entre 1969 e 1971, em Minas Gerais. Na obra Brasil Nunca Mais (Projeto A), ele é acusado de envolvimento na morte de João Lucas Alves e de ter praticado tortura contra presos políticos. Foram suas vítimas Jaime de Almeida, Afonso Celso Lana Leite e Nilo Sérgio Menezes Macedo, entre outros.
Em Porto Alegre, 100 jovens fizeram um ato pela manhã em frente à casa do Coronel Carlos Alberto Ponzi, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações de Porto Alegre e um dos 13 brasileiros acusados pela Justiça Italiana pelo desaparecimento do militante político Lorenzo Ismael Viñas em Uruguaina (RS), no ano de 1980.
No Ceará, cerca de 80 pessoas realizaram a ação em frente ao escritório de advocacia do ex-delegado da Polícia Federal em Fortaleza (CE), José Armando Costa, localizado no bairro da Aldeota.
José Armando Costa foi delegado da Polícia Federal em Fortaleza no início da década de 70. À época, presos políticos relataram à Justiça Militar que a tarefa do delegado era fazer interrogatórios logo após as sessões de tortura e coagia-os a assinar falsos depoimentos sob ameaça. Costa aparece nos depoimentos de ao menos cinco ex-presos políticos torturados no Ceará, contidos no projeto Brasil Nunca Mais, da Arquidiocese de São Paulo.
Em Belém, cerca de 80 jovens realizaram o esculhacho no prédio do torturador e apoiador da ditadura militar Adriano Bessa Ferreira. Entregaram um manifesto à população convocando a sociedade a se posicionar em defesa da Comissão Nacional da Verdade e contra os torturadores.
Adriano Bessa atuou como delator de atividades de militantes que lutavam contra a ditadura. Seu nome consta de listas da extinta Comissão Geral de Investigações (CGI), criada para “apurar atos de corrupção ativa e passiva ou contrários à preservação e consolidação da Revolução Brasileira de 31 de março”. Além de ter prestado serviço militar, fez carreira no setor financeiro. Foi presidente do Banco do Estado do Amazonas, da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belém e gerente de agências bancárias. Foi também professor da Universidade Federal do Pará.
Em Curitiba, aconteceu um ato público na Boca Maldita, centro da capital paranaense, para denunciar os assassinatos, torturas e violações de direitos humanos na Ditadura Militar. Entre os denunciados está o tenente Paulo Avelino Reis, citado como torturador em documentos do Grupo Tortura Nunca Mais.
Levante Popular da Juventude
O Levante Popular da Juventude é um movimento social organizado por jovens que visa contribuir para a criação de um projeto popular para o Brasil, construído pelo povo e para o povo. Não é ligado a partidos políticos.
Com caráter nacional, tem atuação em todos os estados do país, no meio urbano e no campo. Se propõe a articular jovens, militantes de outros movimentos ou não, interessados em discutir as questões sociais e colaborar para a organização popular. Tem como objetivo propiciar que a juventude tome consciência da sua história e da realidade à sua volta para transformá-la.
O Levante organiza a juventude para fazer denúncias à sociedade, por meio de ações de Agitação e Propaganda. Não há bandeiras previamente definidas. A luta política se dá pelas pautas escolhidas pelos próprios militantes, que realizam atividades de estudo e debates, sistematicamente, por todo o país.
Abaixo, leia o manifesto da jornada de luta.


MANIFESTO LEVANTE CONTRA TORTURA




Mas ninguém se rendeu ao sono.
Todos sabem (e isso nos deixa vivos):
a noite que abriga os carrascos,
abriga também os rebelados.
Em algum lugar, não sei onde,
numa casa de subúrbios,
no porão de alguma fábrica
se traçam planos de revolta.
Pedro Tierra
Saímos às ruas hoje para resgatar a história do nosso povo e do nosso país. Lembramos da parte talvez mais sombria da história do Brasil, e que parece ser
propositadamente esquecida: a Ditadura Militar. Um período onde jovens como nós, mulheres, homens, trabalhadores, estudantes, foram proibidos de lutar por uma vida melhor, foram proibidos de sonhar. Foram esmagados por uma ditadura que cruelmente perseguiu, prendeu, torturou e exterminou toda uma geração que ousou se levantar.
Não deixaremos que a história seja omitida, apaziguada ou relativizada por quem  quer que seja. A história dos que foram assassinados e torturados porque acreditavam ser possível construir uma sociedade mais justa é também a nossa história. Nós somos seu  povo. A mesma força que matou e torturou durante a ditadura hoje mata e tortura a juventude negra e pobre. Não aceitamos que nos torturem, que nos silenciem, nem que enterrem nossa memória. Não esqueceremos de toda a barbárie cometida.
Temos a disposição de contar a história dos que caíram e é necessário expor e julgar aqueles que torturaram e assassinaram nosso povo e nossos sonhos. Torturadores e apoiadores da ditadura militar: vocês não foram absolvidos! Não podemos aceitar que vocês vivam suas vidas como se nada tivesse acontecido enquanto, do nosso lado, o que resta são silêncio, saudades e a loucura provocada pela tortura. Nós acreditamos na justiça e não temos medo de denunciar os verdadeiros responsáveis por tanta dor e sofrimento.
Convidamos a juventude e toda a sociedade para se posicionar em defesa da Comissão Nacional da Verdade e contra os torturadores, que hoje denunciamos e que vivem escondidos e impunes e seguem ameaçando a liberdade do povo. Até que todos os torturadores sejam julgados, não esqueceremos, nem descansaremos.
Pela memória, verdade e justiça!

Levante Popular da Juventude

quinta-feira, 29 de março de 2012

OEA quer explicação do Brasil sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog



                                                                                 
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), entidade da Organização dos Estados Americanos (OEA), notificou nesta semana o Estado brasileiro sobre denúncias referentes às circunstâncias da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.
A notificação indica a abertura oficial, pela corte internacional, da investigação sobre a morte do jornalista, ocorrida dentro do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo, órgão subordinado ao Exército, que funcionou durante o regime militar.
O pedido de investigação foi feito por quatro entidades que atuam na defesa de direitos humanos no Brasil: o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), a Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos (FIDDH), o Grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo, e o Centro Santo Dias de Direitos Humanos, da Arquidiocese de São Paulo.
Em nota divulgada hoje (29), as quatro entidades acusam o Estado brasileiro de omissão. "Este caso é mais um exemplo da omissão do Estado brasileiro na realização de justiça dos crimes da ditadura militar cometidos por agentes públicos e privados", destaca a nota.
A denúncia foi enviada à OEA em 2011, porque as entidades consideraram que não houve por parte do Estado brasileiro o devido processamento legal do caso. "Esse caso já deveria ter sido  investigado, processado e julgado e, se for o caso, com a punição dos responsáveis. Isso não ocorreu", disse a advogada Natália Frickmann, da Cejil, uma das organizações que assinam a denúncia.
Segundo Natália, houve tentativas internas para que ocorresse o processamento legal, mas não houve resposta do Estado brasileiro. "Por isso, essa denúncia foi levada à comissão internacional, já que a Convenção Americana de Direitos Humanos determina essa obrigação", explicou a advogada.
De acordo com a denúncia, a única investigação realizada até hoje sobre a morte do jornalista foi feita por meio de inquérito militar, que concluiu pela ocorrência de suicídio, versão apresentada à sociedade e à família de Herzog.
Em 1976, parentes do jornalista apresentaram uma ação civil declaratória na Justiça Federal desconstituindo a versão do suicídio. Em 1992, o Ministério Público do Estado de São Paulo requisitou a abertura de inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte de Vladimir Herzog, mas o Tribunal de Justiça considerou que a Lei de Anistia é um obstáculo para a realização das investigações.
Em 2008, outra tentativa para iniciar o processo penal contra os responsáveis pelas violações cometidas foi feita, mas procedimento foi novamente arquivado sob o entendimento de que os crimes haviam prescrito.

Presidente da China diz que os BRICS são contra todo tipo de protecionismo


Uma ponte sobre três oceanos

Desde quarta-feira, Nova Delhi sedia, durante dois dias, a 4° cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul). Às vésperas do evento, o presidente da China, Hu Jintao, falou à Rossiykaia Gazeta e alguns dos maiores veículos de imprensa mundiais.

- Como a China considera a crescente influência das economias emergentes no cenário mundial?

Hoje em dia um grupo de países emergentes com suas  economias em rápido crescimento se torna uma força importante para a defesa da paz e o desenvolvimento internacional. Cooperando entre si, esses países seguem o caminho do desenvolvimento pacífico e harmonioso.

Eles são parte importante da evolução global, e contribuem para um desenvolvimento mais equilibrado da economia mundial e para que as relações internacionais sejam mais racionais, para que a regulação global seja mais eficaz e a paz internacional seja mais firme.

Após a crise financeira internacional de 2008 são justamente esses países que estimulam, por meio de seu próprio desenvolvimento, a recuperação da  economia mundial. No processo de governança econômica global, sua representação aumenta e seu direito de escolha de uma ordem internacional mais justa e racional se consolida.

Todos esses fatores são outra prova de que sem o desenvolvimento dos países emergentes é impossível alcançar a prosperidade universal e que sem a paz nesses países não haverá paz nem estabilidade no resto do mundo.

Assim, o desenvolvimento desses países tem um impacto construtivo sobre a arquitetura global. A comunidade internacional deve atribuir importância estratégica e apoiar o desenvolvimento deles em longo prazo.

Como a China avalia a dinâmica da cooperação entre os países do Brics, suas eventuais vertentes para o futuro e o papel dos cinco países na regulação global? Na opinião da China, os países do Brics devem aumentar a cooperação para defender os interesses dos países emergentes?

Os países do Brics defendem os interesses dos países emergentes. Em sua colaboração, eles promovem a cooperação Sul-Sul e o diálogo Sul-Norte, e contribuem para a implementação dos “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio” da ONU, do mandado da Rodada de Desenvolvimento de Doha  e do aumento da presença de países emergentes na regulação econômica global.

No entanto, os Brics são contra o protecionismo em todas as suas formas. Em nossa opinião, a cooperação entre os países do Brics atende à demanda objetiva da globalização econômica e democratização das relações internacionais e a causas atuais - paz, desenvolvimento e cooperação -, contribuindo para a construção de um mundo mais harmonioso caraterizado por uma paz duradoura e prosperidade universal.

As cidades de Ekaterimburgo, Brasília, Sanya e Nova Delhi são testemunhas do aprimoramento contínuo do Brics em institucionalização e da criação de uma estrutura de cooperação multidisciplinar em diferentes  níveis. No plano político, a confiança recíproca entre os elementos do grupo aumenta, e a cooperação efetiva entre eles em economia, finanças, comércio e outras vertentes está crescendo.

Registramos os esforços dos países do grupo para reparar e coordenar melhor suas posições em assuntos internacionais de importância crucial e o aumento de seu construtivo papel na regulação global. Podemos dizer que a cooperação entre os países do Brics está assentada sobre uma base sólida e caraterizada por um grande potencial e amplas perspectivas.

A cooperação com os mercados emergentes e países em desenvolvimento, incluindo os países do Brics, tem sido sempre uma prioridade da política externa da China. Temos apoiado e participado com empenho na cooperação dentro do Brics e estamos dispostos a realizar um trabalho conjunto para ampliar os interesses comuns e elevar o nível de cooperação em benefício da nobre causa da paz e do desenvolvimento de toda a humanidade.


Como a China considera a cooperação prática entre os cinco países? Quais resultados importantes já foram alcançados desde que foi criado o Brics? Quais novas iniciativas para o fortalecimento institucional e desenvolvimento da cooperação prática entre os países do Brics podemos esperar em um futuro próximo?

A cooperação prática é uma sólida base para a interação dos países do Brics. Nos últimos anos, essa cooperação, iniciada quase do zero, vem crescendo e assumindo novas formas, servindo aos interesses comuns dos cinco países e assentando-se em uma boa base econômica e social.

No ano passado, os países do Brics, empenhados em colocar em prática o plano de ação sa Declaração de Sanya, intensificaram sua cooperação em áreas como finanças, comércio, indústria, saúde, agricultura, estatística, ciência e tecnologia, artes. O trabalho conjunto trouxe benefícios concretos para os povos dos cinco países e consolidou a dinâmica de cooperação.

No que diz respeito ao desenvolvimento da cooperação entre os países do Brics para a próxima etapa, a China considera necessário priorizar as seguintes metas: em primeiro lugar, é preciso fixar as bases já existentes. Atendendo ao espírito do pragmatismo e do rendimento, é necessário tornar mais completa a cooperação entre os cinco países e elevar sua qualidade com o desenvolvimento de projetos-modelo.


Em segundo lugar, devemos trabalhar com o espírito empreendedor e iniciativa. Para atender às necessidades do desenvolvimento socioeconômico dos países do Brics, devemos buscar novas formas de cooperação e revelar seu potencial, dando nova força e energia ao grupo Brics.

Se nossos países continuarem seguindo o princípio da transparência, solidariedade e ajuda mútua e trabalhando juntos, não duvido que a cooperação multidisciplinar no âmbito do Brcis atingirá novos horizontes em benefício de nossos povos. (Com a Gazeta Russa)
                                              

Após morte de trabalhador, greve geral paralisa obras de Belo Monte

Os cerca de cinco mil trabalhadores do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pelas obras da terceira maior hidrelétrica do mundo, entraram em greve geral nesta quinta, 29. As reivindicações são aumento salarial, redução dos intervalos entre as baixadas (visita dos trabalhadores a suas famílias) de 6 pra 3 meses, o não-rebaixamento do pagamento e solução de problemas com a comida e água. A paralisação começou ontem no canteiro de obras do Sítio Pimental, após um acidente de trabalho que matou o operador de motosserra Orlando Rodrigues Lopes, de Altamira, e hoje se estendeu para os demais canteiros. A saída dos ônibus do perímetro urbano de Altamira para os canteiros de obra, em Vitória do Xingu, foram bloqueadas.
“A pauta é a mesma de antigamente: tudo o que está no acordo coletivo. Não cumpriram nada”, explica um dos trabalhadores. Segundo ele, apesar das greves e pressões realizadas que no ano passado, que levaram a empresa a assinar o acordo coletivo, ao invés de melhorar, as condições de trabalho tem piorado.
“No último pagamento cortaram as horas-transporte, o que diminuiu em até 600 reais o salário do peão”, explica. A justificativa para a redução é que trabalhadores estão sendo removidos da cidade para os canteiros, e que por isso não precisarão do adicional. Por conta disso, ao menos 40 trabalhadores que passaram a residir nos alojamentos provisórios dentro dos canteiros já teriam se demitido. “Pra quem vem de fora o salário já não estava bom. Com esses 600 a menos, nem vale a pena ficar”.
O trabalhador morto em acidente, que, segundo operários prestava serviços para o CCBM, era da empresa terceirizada Dandolini e Peper, e estava trabalhando na derrubada de árvores no canteiro Canais e Diques. “Nós não temos segurança nenhuma lá. Falta EPI [equipamento de proteção individual], sinalização e principalmente gente pra fiscalizar”, reclamam os trabalhadores.
Coerção
“A greve ia estourar no começo de março”, relata outro trabalhador. “Foi quando a gente recebeu o salário [no início do mês] que a gente viu que cortaram as horas in itinere”. O pagamento ocorreu numa discoteca local. “Tratam a gente que nem bicho… Ficam 5 mil trabalhadores numa fila enorme, entra de seis em seis [no escritório provisório]. É muito inseguro, eles dão o dinheiro na nossa mão. Conheço três que foram roubados logo que saíram de lá”, explica.
No dia 3 de março, um trabalhador teria sido demitido por ter tentado, sozinho, paralisar o canteiro Belo Monte, o maior da obra. Funcionários relataram que ele foi colocado com violência em um veículo do CCBM e demitido momentos depois.
Perguntados sobre o sindicato, nenhum trabalhador soube responder onde estavam os dirigentes. “O sindicato não veio, não veio ninguém. Mas vamos continuar a greve até a Norte Energia vir aqui”, concluíram os trabalhadores. (Com o Movimento Xingu Vivo)

A IMPRENSA NA DITADURA


Ditadura Nunca Mais!
 Passados quarenta e oito anos do golpe militar (1º de abril de 1964) viemos a público repudiar com veemência as provocações fascistas das forças armadas que reiteram o elogio à ditadura por elas implantada e comemoram com festas o seu aniversário.   Repudiamos, também com veemência, os jornais e demais veículos da imprensa burguesa – sobretudo a Folha de São Paulo, O Globo  e o Estado de São Paulo –  cuja linha editorial reproduz, quase literalmente, o discurso reacionário e golpista dos militares.

Constatamos com indignação que o Estado brasileiro continua detendo gigantesco arsenal para o exercício da violência, acumulado em processo histórico de longa duração e consolidado pelos vinte e um anos de ditadura militar sangrenta (1964-1985), que veio para instituir o terrorismo de Estado.  O aparelho repressivo tentacular, então montado, segue operando a partir da violência explícita:  o Estado Penal vigente é o sucessor  do Estado de Segurança Nacional – implantado pela ditadura militar.

            É este o terrível legado da ditadura, a qual não fabricou, mas institucionalizou a tortura, transformando-a em política de Estado.  Institucionalizou também a cultura do sigilo, a fabricação do esquecimento, a mentira organizada e a destruição continuada do espaço público.  Tal legado continua em vigor, como mostram as seguintes evidências:  a permanência da tortura ; a proibição do acesso aos arquivos da repressão; a guerra generalizada contra os pobres;  a criminalização dos movimentos populares; a não solução da questão dos mortos e desaparecidos políticos; a impunidade dos torturadores e assassinos de presos políticos e daqueles  que cometem os mesmos crimes nos dias de hoje. O aparelho de Estado não passou por qualquer processo de depuração: permanecem no poder – no legislativo, executivo, judiciário e na burocracia universitária - muitos daqueles que articularam o golpe e foram protagonistas ativos da ditadura militar.  Ditadores e torturadores contumazes são contemplados com cargos públicos, comendas  e nomes de ruas.

Esta situação de barbárie é potencializada pelo racismo institucionalizado.  A manifestação escabrosa desta situação é a política de encarceramento em massa e o extermínio cotidiano da população jovem e negra - trata-se de genocídio sistêmico.  O direito à cidade também é interditado à maioria da população.  O recente massacre na Comunidade de Pinheirinho (São José dos Campos, SP) e a repressão jurídica, institucional e policial que se abate sobre as Comunidades Zilah Spósito Helena Greco, Camilo Torres, Irmã Dorothy e Dandara – todas ameaçadas de despejo pela prefeitura de BH e o governo de Minas Gerais  - completam este quadro.

          Ainda não conquistamos o direito à verdade e à nossa história, o que passa necessariamente pela construção de uma Comissão de Verdade e Justiça independente e popular. Consideramos espúria a Comissão Nacional da Verdade sem justiça cuja efetividade foi comprometida desde o Projeto de Lei da presidenta Dilma (PL 7376, 20 de maio de 2010) e o esforço do governo, de sua base aliada  e do conjunto dos parlamentares, que impediram  o debate público  e se mantiveram fiéis ao compromisso estabelecido com as forças armadas:  a manutenção da impunidade dos torturadores e assassinos de opositores durante a ditadura militar. A Comissão da Verdade sem justiça, instaurada pela lei 12 528, de 18 de novembro de 2011, repetimos, constitui-se em farsa e engodo e até hoje não foi instalada – sinal que o governo continua atrelado às  forças armadas.  
Temos como questão de princípio a responsabilização e punição de todos aqueles que cometeram crimes contra a humanidade. O Estado brasileiro foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos exatamente pela prática destes crimes, em 14 de dezembro de 2010, tendo sido considerado culpado pelo extermínio de 69 guerrilheiros do Araguaia.  A Corte Interamericana dos Direitos Humanos determinou que os restos mortais destes companheiros sejam devolvidos às famílias e os  responsáveis sejam punidos, assim como todos que praticaram crimes semelhantes durante a ditadura. Determinou também que os arquivos da ditadura sejam abertos e que a sociedade brasileira, finalmente, tenha acesso à sua própria história.    Até agora, nada foi feito no que se refere ao cumprimento da sentença.

Todas estas evidências apontadas constituem exemplo expressivo da sobrevivência da ditadura militar no pessimamente chamado Estado democrático de Direito.  O que está na base disso tudo é a garantia da impunidade daqueles que praticaram torturas, assassinatos e desaparecimentos durante a ditadura militar, o que leva à manutenção da tortura como uma das instituições mais sólidas  no país.

Sabemos que a única maneira de reverter esta situação de barbárie é o fortalecimento da nossa luta:  somente o combate da classe trabalhadora e do movimento popular e estudantil terá condições de erradicar de vez esta herança da ditadura militar.
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Ditadura Nunca Mais!
Pela punição dos torturadores e assassinos de opositores durante a ditadura militar!
Pela erradicação da tortura!
Por uma outra Comissão da Verdade  que faça justiça, que seja  independente e de controle popular!

Pela abertura irrestrita dos arquivos!
Abaixo a repressão! Abaixo as  UPPs e invasões policiais e militares nos morros, universidades, ocupações e favelas!
Pelo fim da criminalização dos movimentos populares!
Pelo fim do genocídio dos jovens negros e pobres.
Belo Horizonte, 30 de março de 2012 


ASSINAM ESTE MANIFESTO:
Assembleia Nacional de Estudantes - Livre / ANEL, Associação dos Geógrafos do  Brasileiros / AGB-BH, Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas / AMES-BH, Brigadas Populares, Central Sindical e Popular / CSP-Conlutas, Coletivo Mineiro Popular Anarquista/COMPA, Comitê Mineiro do Fórum Social Mundial, Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais / FSDM-MG, Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania / IHG, Juventude às Ruas, Juventude do PSTU, Liga Estratégia Revolucionária / LER-QI BH, Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas / MLB, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto / MTST, Movimento Luta de Classes / MLC, Partido Socialismo e Liberdade / PSOL, Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado / PSTU, Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal / SIND-REDE BH, Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias de Massas Alimentícias e Biscoitos de Contagem / Sindmassas, União da Juventude Rebelião / UJR.

Contra a privataria da Cultura



                                                     
Ato acontece no dia 3 de abril, terça-feira, no Sindicato dos Engenheiros de SP

As rádios e a TV Cultura de São Paulo se consolidaram historicamente como uma alternativa aos meios de comunicação privados. As rádios AM e FM ficaram conhecidas pela excelente programação de música popular brasileira e de música clássica. A televisão criou alguns dos principais programas de debates de temas nacionais, como o Roda Viva e o Opinião Nacional, e constituiu núcleos de referência na produção de programas infantis e na de musicais, como o Ensaio e o Viola, Minha Viola. As emissoras tornaram-se, apesar dos percalços, um patrimônio da população paulista.

Contudo, nos últimos anos, a TV e as rádios Cultura estão passando por um processo de desmonte e privatização, com a degradação de seu caráter público. Esse e outros fatos se destacam:

mais de mil demissões, entre contratados e prestadores de serviço (PJs);
extinção de programas (Zoom, Grandes Momentos do Esporte, Vitrine, Cultura Retrô, Login) e tentativa de extinção do Manos e Minas;
demissão da equipe do Entrelinhas e extinção do programa, sem garantias de que ele seja quadro fixo do Metrópolis;
aniquilação das equipes da Rádio Cultura e estrangulamento da equipe de jornalismo;
enfraquecimento da produção própria de conteúdo, inclusive dos infantis;
entrega, sem critérios públicos, de horários na programação para meios de comunicação privados, como a Folha de S.Paulo;
cancelamento de contratos de prestação de serviços (TV Justiça, Assembleia e outros);
doação da pinacoteca e biblioteca;
sucateamento da cenografia, da marcenaria, de maquinaria e efeitos, além do setor de transportes.

Pela sua composição e formato de indicação, o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta não tem a independência necessária para defender a Cultura das ações predatórias vindas de sua própria presidência. Mesmo que tivesse, sobre alguns desses pontos o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta sequer foi consultado.

Não podemos deixar esse patrimônio do povo de São Paulo ser dilapidado, vítima de sucateamento promovido por sucessivas gestões sem compromisso com o interesse público, seriamente agravado na gestão Sayad.

Nesse momento, é preciso afirmar seu caráter público e lutar pelos seguintes pontos:

Contra o desmonte geral da rádio e TV Cultura e pela retomada dos programas.
Em defesa do pluralismo e da diversidade na programação.

Por uma política transparente e democrática para abertura à programação independente, com realização de pitchings e editais.

Pela democratização do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta

ATO CONTRA A PRIVATARIA DA CULTURA

3 de abril, terça-feira, às 19h

Sindicato dos Engenheiros de São Paulo

Rua Genebra, 25 – Centro (ao lado da Câmara Municipal)

Gilberto Maringoni

Hamilton Octavio de Souza

Ivana Jinkings

Joaquim Palhares – Agência Carta Maior

Laurindo Lalo Leal Filho

Luiz Carlos Azenha – blog Vi o Mundo

Luiz Gonzaga Belluzzo

Renato Rovai – Revista Fórum e Presidente da Altercom

Rodrigo Vianna – blog Escrevinhador

Wagner Nabuco – Revista Caros Amigos

Emir Sader

Flávio Aguiar

Altercom – Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação

Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

CUT – Central Única dos Trabalhadores

Frente Paulista pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação

Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

FONTE:http://boitempoeditorial.wordpress.com/