terça-feira, 31 de agosto de 2010

Zé Baliza & Filhos


Projeto QUINTAS DA VIOLA

02 de setembro – Quinta-feira – ZÉ BALIZA & FILHOS

Jequitibar - Av. Assis Chateaubriand, 577 - Floresta
Sempre a partir das 20 horas - Ingresso: R$10,00
Informações: 3271.6522 - 8893.7806 - 8474.2050
Reservas de mesa – 3271.6522
Zé Baliza nasceu no povoado de Formiguinha, zona rural do município de Cláudio, Centro-Oeste mineiro. Desde sua adolescência, compunha e cantava música sertaneja raiz. Depois veio para Belo Horizonte para trabalhar e estudar, ficando a música, assim, um pouco esquecida.
Em 1983, voltou a compor, e em 1985 formou a dupla Zé Baliza e Bajaré, que foi consagrada no II Festival Troféu Viola de Ouro, promovido pelo SESC/MG, Secretaria de Estado da Cultura e Rádio América, obtendo o primeiro lugar com a música "Cai a goteira". No ano seguinte, no III Troféu Viola de Ouro, ficou em segundo lugar. Teve, então, gravada a música "Canção dos Boiadeiros", num compacto duplo produzido pelo SESC/MG, com as 4 músicas vencedoras daquele festival. Além desses, a dupla ganhou vários festivais do gênero.
Em 1986, gravou seu primeiro disco, um compacto, com as músicas autorais "A oferta do barão" e "Mulher vaidosa"; e em 1988 um belíssimo LP, produzido por Téo Azevedo. Além de se apresentar em várias cidades de Minas Gerais, a dupla fez shows em todos os teatros e casas de show de Belo Horizonte, daquela época, dentre eles o realizado no Teatro Clara Nunes, sob a direção musical e roteiro de Luiz Trópia e João Evangelista Rodrigues.
Em 1990, Zé Baliza e Bajaré atingiram seu ápice, participando de um especial para TV espanhola, sob a direção de Roberto Talma e roteiro de Geraldo Carneiro, especial este que teve participação de grandes nomes da música brasileira, como Tom Jobim, Nana Caymmi, Paulinho da Viola, Conjunto Época de Ouro, Gonzaguinha, Gilvan de Oliveira e outros. Especial que depois foi para Portugal e mais tarde transformou-se em vídeo-disco nos Estados Unidos.
Com o afastamento do Bajaré, Zé Baliza gravou um CD solo, autoral. E montou o grupo Zé Baliza & Filhos, sempre fiel as raízes, integrando, agora, a programação do projeto "Quintas da Viola" no Jequitibar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Repressão em Honduras


Embajada norteamericana dirige

la represión contra el pueblo hondureño

como en los en los años 80


El dirigente del Frente Nacional de Resistencia Popular FNRP, Carlos H. Reyes, acusó a la Embajada norteamericana en Tegucigalpa de dirigir la represión en contra del pueblo, como lo hizo en la década de los 80.
Reyes hizo estas declaraciones después que miles de maestros, padres de familia y alumnos, en la Universidad Pedagógica Nacional, en la ciudad de Tegucigalpa.
El dirigente popular expresó que “como en la década de los años 80, la represión es desde la embajada norteamericana”.
Reyes acuso a la embajada, de ser quien le facilita las bombas lacrimógenas, para reprimir al pueblo hondureño que desde el día del golpe de Estado se mantiene movilizada de forma permanente.
El sindicalista acusó también que la represión es montada localmente por una mafia de empresarios de terratenientes, para acabar de apoderarse del país, esa es la estrategia que llevan ellos pero se han equivocado, severo el dirigente.
Red Morazánica de Información
(Ilustração: Allan Macdonald/Divulgação)

A INSCRIÇÃO INVENCÍVEL



Bertolt Brecht



No tempo da Guerra Mundial
Em uma cela da prisão italiana de San Carlo
Cheia de soldados aprisionados, de bêbados e ladrões
Um soldado socialista riscou na parede com um estilete:
VIVA LÊNIN!
Bem alto na cela meio escura, pouco visível, mas
Escrito com letras imensas.
Quando os guardas viram, enviaram um pintor com um balde de cal
Que com um pincel de cabo longo cobriu a
Inscrição ameaçadora.
Mas, como ele apenas acompanhou os traços com a cal
Via-se agora em letras brancas, no alto da cela:
VIVA LÊNIN!
Somente um segundo pintor cobriu tudo com pincel largo
De modo que durante horas desapareceu, mas pela manhã
Quando a cal secou, destacou-se novamente a inscrição:
VIVA LÊNIN!
Então enviaram os guardas um pedreiro com uma faca para eliminar a inscrição.
E ele raspou letra por letra, durante uma hora E quando terminou, lá estava no alto da cela, incolor
Mas gravada fundo na parede, a inscrição invencível:
VIVA LÊNIN!
Agora derrubem a parede!
Disse o soldado.

Fabinho e a política mineral


Minas é um dos estados que mais produzem minério de ferro no mundo. Não só minério de ferro, outros minerais. Não é à-toa que o Estado foi batizado como Minas Gerais, porque aqui se encontra uma grande diversidade de minerais, principalmente, minério de ferro. E como eu disse há pouco quase 90% do minério que a gente produz sai pra fora. Empresas chinesas têm crescido muito no nosso Estado, principalmente, com o advento da crise de 2008 que pequenas e médias mineradoras praticamente quebraram.


Essas empresas foram adquiridas com capital chinês que não investem nada ou quase nada em desenvolvimento, em ciência e em tecnologia e em preservação ambiental. Simplesmente sugam essa riqueza, que é processada em aços na China e depois retorna para o Brasil. Existe um problema de degradação ambiental sério.


Viajando do Sul de Minas pra cá próximo à Serra de Igarapé você vê que aquele pedaço da serra esta acabando. Praticamente daqui a pouco lá do Sul de Minas você vai enxergar Belo Horizonte, porque a serra está diminuindo sem um compromisso ou respeito com o ambiente em si. A tributação é extremamente injusta e até suspeita.
Como que um Estado que é o maior produtor de minério de ferro do Brasil e um dos maiores do mundo e que onde sempre estão se encontrando novas jazidas tenha uma das menores tributações?


Como eu disse chega a 2,5% do faturamento líquido enquanto na Austrália está em 95%. No Canadá na ordem dos 25%, 26%. Nos EUA é acima dos 18%. Há uma renúncia fiscal colocada aí. Há uma parcialidade em relação à questão ambiental por parte do poder público que, às vezes, não fiscaliza como deveria fiscalizar.


Nós entendemos que a extração mineral no Estado de Minas é um dos pontos fundamentais para que o Governo possa alternar essa relação degradante da exploração. Isso não significa que nós vamos parar de produzir minério de ferro e que Minas Gerais vai ficar atrasada.


É possível fazer desenvolvimento econômico. É possível continuar extraindo os minerais do nosso Estado, mas com uma tributação mais justa que possa gerar riquezas no Estado e uma contrapartida social para a população e, principalmente, com uma fiscalização mais austera. Quase todos os anos nós temos denúncias de barragens de sedimentos de mineradoras que rompem, contaminam o lençol freático, contaminam os rios, os igarapés e quem acaba saindo perdendo com isso são as populações ribeirinhas.


Matam-se os peixes, praticamente inviabiliza a água potável e até mesmo inviabiliza a água para poder irrigar uma plantação, gerando prejuízos econômicos, prejuízos sociais. Eu poderia citar vários exemplos desse tipo. Não só de rompimento de barragem, de rejeitos, mas de escoamento de esgoto industrial direto nos rios, inclusive dessas mineradoras, sem nenhum tratamento sanitário.


O que vai inevitavelmente piorar a qualidade de vida das populações das cidades ribeirinhas. E muitas das vezes o poder público municipal faz vistas grossas, porque existe contrapartida, como falei ainda há pouco, nos processos eleitorais.


Boa parte dos candidatos das regiões mineradoras sejam candidatos a deputado estadual ou federal ou mesmo os candidatos a governador recebem contribuições eleitorais neste período exatamente dessas mineradoras. . É a contrapartida à ausência mais austera do poder público. Isso pra nós é um absurdo. E isso tem que ser combatido.
(Trecho de matéria publicada no Hoje em Dia)

Imagem: Bernardete Amado/Divulgação)

Os comunistas e as eleições


O Bloco Operário Camponês (BOC):

a tentativa de via eleitoral dos comunistas

Como todos sabem a trajetória do PC do Brasil (PCB) iniciou-se em 1922. Influenciados pela experiência da Revolução Russa de 1917, um pequeno grupo de militantes reuniu-se em Niterói, nos dias 25, 26 e 27 de março, e fundaram o Partido Comunista do Brasil (PCB). Os 9 militantes presentes representavam várias organizações de caráter comunista das cidades de São Paulo, Recife, Porto Alegre, Niterói, Cruzeiro (SP) e do Distrito Federal. Podemos citar a "União Maximalista de Porto Alegre" dirigida por Abílio Nequete e o Grupo Comunista de Recife sob a liderança de Cristiano Cordeiro.
Outra organização que participou das discussões preparatórias e dos trabalhos do congresso de fundação do PCB foi o Grupo Comunista do Rio de Janeiro, que editava a revista "Movimento Communista" importante instrumento para divulgação e mobilização dos grupos comunistas do país. Dirigida pelo jornalista Astrojildo Pereira, a revista em seu primeiro número em janeiro de 1922, conclamava a unidade do proletariado em torno das idéias comunistas, deixando explícitas suas finalidades, "trilhamos o bom caminho e cônscios de nossas responsabilidades, afirmamos nossa fé inquebrantável no triunfo final do comunismo".
O PCB teve como principais desafios em seus primeiros anos de existência os embates com os militantes anarquistas e as perseguições do governo do presidente Arthur Bernardes que, praticamente, durante seus quatro anos de mandato (1923-1927), governou um país em permanente Estado de Sítio.
Assim, ao longo da década de 1920, apesar de toda a insipiência do movimento sindical, das disputas teóricas com os anarquistas e da repressão do governo, o PCB conseguiu estabelecer núcleos organizados em várias cidades do pais, principalmente, nos maiores centros urbanos.
No ES as primeiras informações sobre a ação dos comunistas remetem exatamente a esse período. Os relatos são sobre a organização de bases entre os ferroviários na cidade de Cahoeiro de Itapemirim.Mesmo com todos os problemas enfrentados os comunistas brasileiros conseguiram realizar seu II Congresso Nacional, em maio de 1925, novamente na cidade de Niterói.
Nesse fórum partidário foram aprovadas resoluções políticas que apontavam para a necessidade da intensificação dos trabalhos de organização e mobilização entre o operariado.No campo político o partido avaliava que depois dos dois primeiros levantes tenentistas de 1922 e 1924, o clima de instabilidade e disputas havia estabelecido uma divisão entre as elites do país que apontava para uma encruzilhada sobre o modelo de desenvolvimento nacional: em uma direção os defensores do "industrialismo" - apoiados pelo imperialismo dos EUA - e na outra direção os adeptos do "agrarismo" - apoiado pelo imperialismo inglês.
A contradição sobre a chamada "concepção dualista" da sociedade brasileira, tese defendida e elaborada pelo intelectual Otávio Brandão, apontava para uma "terceira revolta" que deveria contar com o PCB pronto para conduzi-lá.Contudo, com o fim do governo de Arthur Bernardes veio também a suspensão do Estado de Sítio. Isso possibilitou que, a partir de 1927, o PCB pudesse ter uma atuação mais aberta e passasse a realizar, por exemplo, panfletagens e comícios com uma relativa liberdade.
Entretanto, após algum tempo a relativa liberdade dos comunistas sofreu um duro golpe, foi apresentado o projeto Aníbal Toledo que, apesar dos protestos e varias manifestações contrarias, contou com ampla maioria no Congresso Nacional e acabou sendo aprovado em agosto daquele mesmo ano.
Também conhecida como "Lei Celerada", a nova legislação repressora previa: a ilegalidade dos partidos de oposição, prisões de dirigentes, expulsão de estrangeiros, proibição de greves, de manifestações de trabalhadores, o fechamento de sindicatos, de organizações e entidades classistas. Novamente considerado ilegal, o PCB precisou buscar alternativas para ampliar seus espaços políticos.Foi nesse contexto que os dirigentes comunistas intensificaram a experiência da frente de massas, chamada de Bloco Operário.
Assim, surgiram em todo país os núcleos do Bloco Operário Camponês (BOC). Em sua primeira experiência eleitoral o BOC obteve uma importante vitória: elegeu dois vereadores na cidade do Rio de Janeiro (Distrito Federal na época).Um dos vereadores – ou intendentes como eram chamados - outro intendente eleito pelo BOC no DF, foi o camarada Minervino de Oliveira, importante dirigente do partido que chegou a ocupar o posto de Secretário Geral do PCB.
Veterano militante, recrutado a partir de sua participação nas greves operárias da década de 1910, Minervino era marmorista e havia entrado para o PCB em seus primeiros anos de fundação.Aproveitando o momento de crescimento do partido naquele momento ocasionado pela política de frente ampla do BOC a direção do PCB resolveu ousar ainda mais: lançar Minervino de Oliveira candidato à presidência da república pelo BOC nas eleições de 1930.
Mesmo com todas as dificuldades e perseguições – Minervino chegou a ser preso pela polícia durante um comício na cidade de Campos- RJ - foram organizados núcleos estaduais e municipais do BOC em quase todos os estados do país, inclusive, no Espírito Santo.
Dessa maneira, Minervino de Oliveira foi o primeiro candidato operário que disputou as eleições presidenciais no Brasil.Esse pleito – mais uma disputa marcada pela corrupção e fraude eleitoral - teve como resultado a vitória do candidato paulista Julio Prestes, que recebeu o apoio do então presidente Washington Luiz.
As eleições de 1930 representaram um marco na histórica política brasileira, pois significaram a ruptura da aliança entre as elites de SP e MG. Os políticos mineiros apoiaram o candidato da Aliança Liberal, Getúlio Vargas, que pouco tempo depois liderou um Golpe de Estado, conhecida como "Revolução de 1930", que derrubou o presidente Washington Luiz e deu inicio a chamada Era Vargas.
Apesar de ter sido pontuada por problemas e debilidades o lançamento de um candidato operário ao cargo de presidente da república cumpriu uma importante missão durante aquela complexa e agitada conjuntura política: demonstrar que o partido podia aproveitar os debates eleitorais para organizar os trabalhadores.
No momento atual de redefinição da tática eleitoral do PCdoB recordar experiências como do BOC são importantes para relembrar que os comunistas já enfrentaram e superaram obstáculos muito maiores dos que estão postos na atualidade .
(Publicado por Paulo Kautscher em 29 agosto 2010 às 19:13 em POLÍTICA no site Luta pela Educação -Diário de Classe)

Crime impune em Uberaba


" Temos o registro da morte do estudante do 5º período de enfermagem Carlos Eduardo Martins Fontes, de 25 anos, após agressão na madrugada de 21/04/2010. Uma das amigas de Carlos Eduardo contou que na saída da festa, um individuo começou a falar com o estdante. Quando Carlos se virou, o rapaz começou a agredí-lo. Um amigo desse indivíduo deu um chute no peito de Carlos, que caiu e bateu com a cabeça em uma pedra.
No dia 06 de maio de 2010, a Delegacia de Homicidios de Uberaba esclareceu o caso. Felipe Assunção de Oliveira confessou ter sido o autor da agressão que derrubou Carlos Eduardo (com a queda, Carlos sofreu traumatismo craniano e, mesmo sendo socorrido, veio a obito). Felipe agrediu Carlos Eduardo acreditando que ele estava agredindo seu primo, Marcos Assunção de Lucca. Felipe e Marcos informaram que não conheciam a vitima e desconheciam que se tratava de um homossexual.
Interessante observar que, no caso de Carlos Eduardo, um homicidio qualificado, não consta denuncia do MP, muito menos ação penal iniciada, passados tres meses de conhecida a autoria do crime. O CONEDH deve entrar com força neste caso".

(Esclarecimentos recebidos pelo membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Osmar Rezende, enfocando atentados contra homossexuais e/ou simpatizantes da causa LGBT em Minas Gerais)

sábado, 28 de agosto de 2010

O Operário em Construção


Vinícius de Moraes



E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.



Era ele que erguia casas

Onde antes só havia chão.

Como um pássaro sem asas

Ele subia com as casas

Que lhe brotavam da mão.

Mas tudo desconhecia

De sua grande missão:

Não sabia, por exemplo

Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião

Como tampouco sabia

Que a casa que ele fazia

Sendo a sua liberdadeEra a sua escravidão.

De fato, como podia

Um operário em construção

Compreender por que um tijolo

Valia mais do que um pão?

Tijolos ele empilhava

Com pá, cimento e esquadria

Quanto ao pão, ele o comia...

Mas fosse comer tijolo!

E assim o operário ia

Com suor e com cimento

Erguendo uma casa aqui

Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente

Um quartel e uma prisão:

Prisão de que sofreria

Não fosse, eventualmente

Um operário em construção.

Mas ele desconhecia

Esse fato extraordinário:

Que o operário faz a coisa

E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia

À mesa, ao cortar o pão

O operário foi tomado

De uma súbita emoção

Ao constatar assombrado

Que tudo naquela mesa

– Garrafa, prato, facão –

Era ele quem os fazia

Ele, um humilde operário,

Um operário em construção.

Olhou em torno: gamela

Banco, enxerga, caldeirão

Vidro, parede, janela

Casa, cidade, nação!

Tudo, tudo o que existia

Era ele quem o fazia

Ele, um humilde operário

Um operário que sabia

Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento

Não sabereis nunca o quanto

Aquele humilde operário

Soube naquele momento!

Naquela casa vazia

Que ele mesmo levantara

Um mundo novo nascia

De que sequer suspeitava.

O operário emocionado

Olhou sua própria mão

Sua rude mão de operário

De operário em construção

E olhando bem para ela

Teve um segundo a impressão

De que não havia no mundo

Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão

Desse instante solitário

Que, tal sua construção

Cresceu também o operário.

Cresceu em alto e profundo

Em largo e no coração

E como tudo que cresce

Ele não cresceu em vão

Pois além do que sabia

– Exercer a profissão –

O operário adquiriu

Uma nova dimensão:

A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu

Que a todos admirava:

O que o operário dizia

Outro operário escutava

.E foi assim que o operário

Do edifício em construção

Que sempre dizia sim

Começou a dizer não.

E aprendeu a notar coisas

A que não dava atenção:

Notou que sua marmita

Era o prato do patrão

Que sua cerveja preta

Era o uísque do patrão

Que seu macacão de zuarte

Era o terno do patrão

Que o casebre onde morava

Era a mansão do patrão

Que seus dois pés andarilhos

Eram as rodas do patrão

Que a dureza do seu dia

Era a noite do patrão

Que sua imensa fadiga

Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!

E o operário fez-se forte

Na sua resolução.

Como era de se esperar

As bocas da delação

Começaram a dizer coisas

Aos ouvidos do patrão.

Mas o patrão não queria

Nenhuma preocupação

– "Convençam-no" do contrário –

Disse ele sobre o operário

E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário

Ao sair da construção

Viu-se súbito cercado

Dos homens da delação

E sofreu, por destinado

Sua primeira agressão.

Teve seu rosto cuspido

Teve seu braço quebrado

Mas quando foi perguntado

O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário

Sua primeira agressão

Muitas outras se seguiram

Muitas outras seguirão.

Porém, por imprescindível

Ao edifício em construção

Seu trabalho prosseguia

E todo o seu sofrimento

Misturava-se ao cimento

Da construção que crescia.

Sentindo que a violência

Não dobraria o operário

Um dia tentou o patrão

Dobrá-lo de modo vário.

De sorte que o foi levando

Ao alto da construção

E num momento de tempo

Mostrou-lhe toda a região

E apontando-a ao operário

Fez-lhe esta declaração:

– Dar-te-ei todo esse poder

E a sua satisfação

Porque a mim me foi entregue

E dou-o a quem bem quiser.

Dou-te tempo de lazer

Dou-te tempo de mulher.

Portanto, tudo o que vês

Será teu se me adorares

E, ainda mais, se abandonares

O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário

Que olhava e que refletia

Mas o que via o operário

O patrão nunca veria

.O operário via as casas

E dentro das estruturas

Via coisas, objetos

Produtos, manufaturas.

Via tudo o que fazia

O lucro do seu patrão

E em cada coisa que via

Misteriosamente havia

A marca de sua mão.

E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão

Não vês o que te dou eu?

– Mentira! – disse o operário

Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se

Dentro do seu coração

Um silêncio de martírios

Um silêncio de prisão.

Um silêncio povoado

De pedidos de perdão

Um silêncio apavorado

Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas

E gritos de maldição

Um silêncio de fraturas

A se arrastarem no chão.

E o operário ouviu a voz

De todos os seus irmãos

Os seus irmãos que morreram

Por outros que viverão.

Uma esperança sincera

Cresceu no seu coração

E dentro da tarde mansa

Agigantou-se a razão

De um homem pobre e esquecido

Razão porém que fizera

Em operário construído

O operário em construção.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

PCB promove ato político


ATO POLÍTICO DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
SÁBADO – 04 DE SETEMBRO DE 2010.
HORÁRIO – 15 HORAS
LOCAL – RUA CURITIBA – 656 – 7º ANDAR.
Contará com a presença de IVAN PINHEIRO candidato a presidência da República pelo Partido Comunista Brasileiro – PCB e de todos os candidatos do PCB em Minas Gerais.
(Imagem: José Carlos Alexandre)

As palavras de Saramago



Único escritor de língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel, José Saramago (1922-2010) é um exemplo perfeito do intelectual engajado preconizado pelo autor de As palavras, Jean-Paul Sartre. Com efeito, a intervenção na esfera pública, o comprometimento com uma visão crítica do mundo, a defesa de ideias muitas vezes polêmicas, a indignação diante das injustiças e desigualdades econômicas e sociais são características marcantes de alguém que jamais separou o escritor do cidadão e sempre disse com todas as palavras o que pensava.
Este livro, editado por Fernando Gómez Aguillera, biógrafo espanhol de Saramago, traz uma ampla seleção de declarações do escritor extraídas de jornais, revistas e livros de entrevistas, publicados em Portugal, no Brasil, na Espanha e em diversos outros países, da segunda metade da década de 1970 até março de 2009.
Os textos estão organizados cronologicamente no interior de núcleos temáticos que abrangem as questões mais recorrentes nas manifestações do escritor. A primeira parte, centrada na pessoa José de Sousa Saramago, reúne comentários sobre sua infância, a formação autodidata, a trajetória pessoal, os lugares onde morou, bem como reflexões sobre si mesmo - o pessimismo, a indignação, a coerência, a primazia da ética - que traçam o perfil de um escritor sempre disposto a praticar a introspecção e a compartilhar seu pensamento com a opinião pública.
A segunda parte, em que vem para o primeiro plano a figura do escritor, traz reflexões sobre o ofício literário que mostram sua plena consciência dos procedimentos romanescos, concepções pouco ortodoxas para um comunista sobre as relações entre literatura e política - “não vou utilizar a literatura para fazer política” - e o papel do escritor na sociedade: “Se o escritor tem algum papel, é intranquilizar”.
Na terceira parte, quem fala é o cidadão José de Sousa Saramago, o crítico, entre outras coisas, da globalização econômica, do “concubinato” dos meios de comunicação com o poder, do consumismo, do comunismo soviético, da paralisia da esquerda incapaz de inovar, do conservadorismo da Igreja católica, da postura de Israel em relação aos palestinos e do irracionalismo generalizado do mundo capitalista. Sua voz clama pela democracia social plena - não apenas formal e eleitoral -, pelo respeito integral aos direitos humanos e pelo sagrado direito de espernear: “Ao poder, a primeira coisa que se diz é não”.
As palavras de Saramago compõe o retrato falado de um escritor que exerceu seu ofício com o profissionalismo de um operário, a pertinácia de um militante político, a consciência de um cidadão e a visão ampla de um verdadeiro intelectual.Um lançamento da Companhia das Letras

POBRES E RICOS

(Allan Macdonald/Telesur/Divulgação)

Seminário Nacional de Vendas


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A realidade dos sem terra




















MST - A LUTA PELA TERRA - SEBASTIÃO SALGADO


Existem dezenas de milhares de famílias brasileiras que vivem em acampamentos à beira das estradas em vários pontos do país. São famílias de sem-terra que vão se juntando e formando verdadeiras cidades, às vezes com uma população de mais de 10 mil habitantes.As condições de vida são as mais rudimentares; falta tudo: água, alimentação, instalações sanitárias, escola para as crianças, assistência médica, etc. Além disso, essas pessoas vivem em grande insegurança, sujeitas às provocações e violências por parte dos jagunços e outras forças de repressão organizadas pelos latifundiários que temem a ocupação de suas propriedades improdutivas. A situação nessas “cidades” é de fato pior que a dos campos de refugiados na África, pois os sem-terra não contam com a proteção das autoridades, não recebem assistência institucional e nenhuma organização humanitária ou a Organização das Nações Unidas lhe presta socorro.Seja como for, os deserdados da terra alimentam a esperança de melhores dias e uma coisa é certa: não querem mais fugir para as cidades, que já não podem mais absorvê-los, dar-lhes trabalho e condições dignas de vida. Preferem, pois, resguardando-se das ameaças da delinqüência e da prostituição dos grandes centros urbanos, permanecer nos acampamentos à margem das estradas e esperar pela oportunidade de ocupar a terra tão sonhada, mesmo correndo risco de vida. Seus projetos são idênticos: lavrar um pedaço de terra finalmente seu, construir uma casa para a família, assegurar o sustento desta e, por meio da cooperativa a ser criada, comercializar os excedentes de sua produção agrícola, garantindo a manutenção de escola para os filhos. É esse, em síntese, o sonho comum dos sem-terra.

O que querem os jovens


A Conferência internacional da Juventude foi inaugurada no México, na cidade de León. Dela tomam parte representantes de uma centena de países, inclusive a Rússia, anuncia a agência ITAR-TASS. Os participantes intentam elaborar uma Declaração que conterá propostas para os seus governos sobre a política dos jovens. Este documento será difundido em Setembro na reunião da Assembléia Geral da ONU. Agora, o mundo tem mais de um milhar de jovens de menos de 24 anos, dos quais 87% em países em via do desenvolvimento.
Cerca de 25 mil jovens de 112 países e reunidos em 169 organizações participam do evento junto com 35 ministros e outros altos funcionários de 100 países para tentar transformar as sugestões da juventude em políticas públicas.
Em seu discurso inaugural, o secretário (ministro) de Educação mexicano, Alonso Lujambio, destacou a "histórica" dimensão desta conferência.
"Hoje, a voz juvenil do mundo está presente, com sua pluralidade, seu entusiasmo e seu talento, com seu espírito inovador para se fazer escutar, mas também para ser parte das respostas a suas reivindicações e a suas expectativas para construir um mundo com mais oportunidades, mais justo, mais respeitoso com o meio ambiente, mais democrático e mais inclusivo", acrescentou.
Também na abertura da conferência, a diretora-executiva adjunta do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), a indiana Purnima Emane, disse que este é o momento de "investir nos jovens" e de "promover o diálogo e a compreensão entre cultura e juventude".
A conferência no México está dividida em duas partes: um Fórum Social, no qual jovens e ONGs desde segunda-feira debatem suas propostas, e o Fórum de Governos, que trabalhará a partir de hoje até sexta-feira em como transformar algumas dessas ideias em recomendações políticas.
A reunião pretende "identificar as prioridades de ação sobre juventude" e pôr diante dos Governos propostas para que sejam incluídas na agenda internacional do desenvolvimento.
Das três bilhões de pessoas que vivem no planeta com menos de US$ 2 por dia, "a metade tem menos de 24 anos", lembrou o UNFPA.
"Os jovens entre 15 e 24 anos de idade representam quase um quarto da população mundial, mas são quase metade dos desempregados", alertou o organismo da ONU.
Os jovens também enfrentam problemas graves de saúde, como o HIV, vírus do qual "apenas 40% cento dos homens jovens e 38% das mulheres jovens têm conhecimento compreensivo".
O UNFPA apresentará provas de que a educação sexual "pode desempenhar um papel importante" para reduzir riscos.
"Uma mulher morre a cada minuto de complicações relacionadas com o parto e a gravidez" e as mulheres "entre 15 e 19 anos têm uma taxa de mortalidade duas vezes mais alta do que as mulheres de 20 a 30 anos", diz o fundo da ONU.
Entre os assuntos que serão abordados nesta semana na CMJ se destacam os relacionados à pobreza, prevenção de dependências, mudança climática, energias renováveis, igualdade de gênero e educação.
A última CMJ foi realizada em agosto de 1998 em Lisboa e terminou com um chamado para "evitar a participação ou implicação dos jovens em todos os atos de violência, em particular atos de terrorismo em todas suas formas e manifestações, xenofobia e racismo".
(Com a Voz da Rússia/Agência esppanhola EFE/Google/Divulgação)

Vilma Espín, exemplo de mulher revolucionária


Vilma Espín
La flor más universal de la Revolución Cubana, de autoria de
Ligia Trujillo Aldama

Combatiente clandestina, guerrillera y dirigente de la Revolución Cubana

Desde su génesis la Revolución Cubana tuvo en Vilma Espín un pilar imprescindible en las luchas del llano y la montaña contra la tiranía de Fulgencio Batista. No importa cuántas identidades velaran su entereza en la trinchera clandestina: Alicia, Mónica, Déborah, Mariela… Bajo un mismo rostro y una sola convicción revolucionaria, esta combatiente indoblegable empuñó las armas en la ciudad de Santiago de Cuba y en la Sierra Maestra como una de las principales dirigentes del Movimiento 26 de Julio.
Tras el triunfo de 1959 se consagró a la organización, la educación y la lucha por los derechos plenos de la mujer en el seno del nuevo proceso social. Fundó y presidió la Federación de Mujeres Cubanas y hasta el final de su vida se mantuvo en la dirección política del país. Vilma encarna los más bellos ideales de combatividad y optimismo, de incansable guerrillera y de celosa albacea de la ternura.
Sobre la autora
Ligia Trujillo Aldama
(1933). Maestra Normalista y doctora en Pedagogía por la Universidad de Oriente. Fue combatiente clandestina del M-26-7. Después del triunfo revolucionario se especializó en Psicología Educativa y ocupó diversas responsabilidades en este sector. Es fundadora del Instituto Pedagógico Latinoamericano y Caribeño (1990) y ha colaborado en la Comisión Cubana de la UNESCO. El Consejo de Estado de la República de Cuba le ha otorgado diversas condecoraciones y medallas.


(Uma publicação da (Ocean Sur, 2010)

Redes sociais

(Allan MacDonald/Telesur/Divulgação)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Garcia Lorca no La Taberna




HOMENAJE A FEDERICO
Dia 28 de Agosto as 21 horas, o La Taberna Centro de Cultura Flamenca irá prestar uma homenagem ao Poeta, Dramaturgo, Músico e Desenhista. Federico Garcia Lorca, no mês da sua trágica morte ocorrida em 19 de Agosto de 1936.
Na programação apresentaremos dois DVDs. de dança da Cia de Baile Flamenco Fátima Carretero, inspirados na obra do artista, e gravados durante as apresentações no Grande Teatro do Palácio das Artes.
AMARGO ( uma sintesis dos poemas Romance Del Amargo e Canción de La Madre del Amargo) direção de Carlos Carretero e coreografias de Fátima Carretero e Arnaldo Alvarenga, trilha sonora de Enrique Morente.
BOLERO de Ravel (este balé tem como argumento dramático La Cogida y La Muerte,do livro Llanto por Ignacio Sanchez Mejias.)Declamação de poesias com os atores Teo Lopes e Rafisa Canals.Canções de Lorca, interpretadas por Rômulo Salobreña (violão clássico) e Allyson Henrique (oboé)Canções de Lorca dançadas por Aixa Carretero (solo) e Bia Reis, Lilian Castro, Lilian Kelly e Luana Varela.Haverá alguns petiscos típicos de Granada a terra do Poeta, acompanhados de vinhos.
LOCAL:Centro de Cultura Flamenca La TabernaRua Antonio de Albuquerque, 290 0 SavassiTelefax: 25159279Blog: losdelrocio.blogspot.com
LA TABERNA CENTRO DE CULTURA FLAMENCA&Estudios Artisticos Mariquilla - BrasilRua Antonio de Albuquerque, 290 - Savassi - Bh. MG. Cep 30130-131Telfax: 55 (41) 2515 9279Cel: 55 (31) 9293 0000 / 55 (31) 9108 1354

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pobre Paquistão!

(Arcadio Esquivel/Telesur/Divulgação)

Temporão, um livro atual


Carlos Lúcio Gontijo

Recebemos mensagens virtuais provenientes de todos os lugares, com o mais variado conteúdo e expressadas por todo o tipo de gente. Contudo agora, em tempo de campanha eleitoral, nos são remetidos em grande volume e-mails pautados em assunto político. Muitas são as pessoas que ainda alicerçam o seu discurso contra o presidente Lula na sua baixa escolaridade, esquecendo-se de que o secular descaso brasileiro para com a educação nos levou a ter tanto na Presidência da República e quanto na vice, com José de Alencar, representantes fiéis do quadro educacional que ostentamos. E o mais grave é que, na maioria das vezes, os próprios emitentes do discurso inflamado não são portadores de histórico escolar muito diferente do presidente Lula e, a exemplo dele, padecem de aversão aos livros e pouco ou quase nada leram em sua trajetória de vida.
Muitas vezes costumamos criticar os nossos representantes congressuais, que são amantes do velho hábito de arrumar um jeitinho para tudo; que tiram todo proveito possível dos cargos por eles exercidos; que praticam nepotismo; que se julgam acima da lei e a colocam como instrumento a ser seguido pelos outros e não por eles mesmos; que se dizem honestos, mas jamais perdem a oportunidade de praticar falcatruas; que implementam ações contra o preconceito e, todavia, o praticam em todas as suas formas; que protestam a favor do fim das desigualdades sociais desde que a conta seja paga pelos outros; e que proclamam a necessidade de termos um país mais justo, mas elaboram leis repletas de brechas, para que os mais bem aquinhoados possam contratar bons advogados e se livrar da prisão.
Enfim, a insofismável realidade é que nossos representantes públicos advêm da sociedade e devem ser tomados como o mais puro reflexo do que verdadeiramente somos. Ou seja, não são provenientes de outro planeta, não são alienígenas e, ainda que neguemos, eles são o retrato três por quatro de cada um de nós quando emergidos do anonimato, são coisa nossa como nos diz o povo, que por seu turno é cidadão também visto como alma penada de outro mundo – uma espécie de terceira pessoa, pois não se sente povo quem dele fala nem aquele que sobre ele ouve falar.
Porém, retomando o assunto que nos levou à iniciativa de escrever este artigo, recebemos do advogado e escritor João Silva de Souza alguns exemplares de seu terceiro livro intitulado Temporão, versando sobre direito do consumidor e as mazelas políticas e socioeconômicas que nos rodeiam, às quais destemidamente o cidadão João Silva de Souza sempre enfrentou, denunciando-as algumas vezes com prodigioso sucesso junto às morosas instâncias judiciais. Com responsabilidade e extremado zelo, endereçamos os exemplares de dispúnhamos a pessoas nas quais reconhecemos gosto pela leitura e também a bibliotecas, onde bibliotecários (quando existem) sem qualquer sensibilidade inserem o livro doado nas estantes solitárias e são incapazes de enviar um simples e-mail de agradecimento ao autor, que muitas vezes se sacrifica no custeio de caríssima edição independente, mesmo ciente de habitar um país de baixíssimo índice de leitura, onde não lêem nem o presidente da República, nem os seus fiéis correligionários nem os seus renitentes detratores.
Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
http://www.carlosluciogontijo.jor.br/
(Imagem: José Carlos Alexandre)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Teoria: marxismo e sindicalismo


O marxismo clássico e a prática sindical

Teones França, de São Paulo (SP)

Desde as últimas décadas do século XX, é comum escutarmos que o sindicalismo brasileiro vive uma crise que teria sido ocasionada por vários aspectos, como os efeitos das recentes transformações produtivas e do fim do chamado socialismo real sobre o mundo do trabalho e o movimento sindical. A grande maioria daqueles que analisam esse processo não incluem como um dos fatores que impulsionam essa crise os limites inerentes à própria ação sindical e a dificuldade que esta tem – e sempre teve – em associar as lutas econômicas (sindicais) às lutas políticas mais gerais. Nesse caso, um retorno às análises do marxismo clássico pode ser muito útil.
Este artigo tem por objetivo realizar esta ida ao passado e está dividido em duas partes, ambas com o intuito de destacar considerações de Marx, Engels, Lênin e Trotsky sobre a importância do movimento sindical e os limites do sindicalismo.
Desde já, é importante apontar que Marx e Engels tiveram contato com um tipo de sindicalismo diferente do que Lênin e Trotsky conheceram. Os dois primeiros fizeram parte de um período histórico em que o movimento sindical ainda não tinha se tornado de massa, onde a forma predominante de sindicalismo era a de ofício, já que, apenas durante as últimas décadas do século XIX, os sindicatos difundiram-se como expressão organizada e de massa do movimento operário.
Entretanto, como destaca Alves, as afirmações de Marx a respeito do sindicalismo, em especial sobre os limites deste, devem ser generalizadas e não somente associadas a um caso particular, como o sindicalismo de ofício, por exemplo [1].
A importância do movimento sindical.
Os fundamentos históricos da concepção de Karl Marx e dos marxistas em geral sobre sindicatos – e seus limites – foram postos na obra do jovem Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, escrita entre 1844 e 1845 [2].
Nesse trabalho, verifica-se que, ao atestar que a concorrência não existe apenas entre os capitalistas, mas também entre os próprios trabalhadores, Engels afirmava que os sindicatos seriam os primeiros esforços dos trabalhadores para suprimir essa concorrência entre si e os via como um instrumento importante para conter a ânsia dos capitalistas:“Se o industrial não contasse com uma oposição concentrada e maciça da parte dos seus operários, baixaria gradualmente, cada vez mais, os salários, para aumentar o seu lucro; a luta que tem de manter contra os seus concorrentes, os outros industriais, obriga-lo-ia a isso e em breve o salário atingiria o seu nível mínimo” [3].
Os sindicatos serviriam, então, como anteparo aos ataques dos industriais que não hesitariam, caso não encontrassem resistência, em vilipendiar cada vez mais a condição de vida dos trabalhadores para obter melhor situação na concorrência com outros capitalistas.
A principal expressão da indignação dos proletários contra a situação imposta pelos patrões eram as greves que, apesar de não terem muito sucesso isoladamente, seriam como uma “escola de guerra” dos operários, em que esses se preparariam para o grande combate, ou seja, para a destruição da sociedade capitalista.
As primeiras considerações de Marx sobre os sindicatos encontram-se na Miséria da filosofia, em que ele procura demonstrar a falsidade do pensamento de Proudhon, que dizia serem inúteis os sindicatos e as greves por melhores salários, pois o seu êxito traria como conseqüência a inflação.
Para Marx, a luta principal a ser protagonizada pela classe operária na sociedade capitalista seria a revolução social, a partir da qual estaria colocada a possibilidade de se alcançar uma sociedade sem exploradores e explorados.
Nesse sentido, a luta sindical teria “a capacidade de dar uma ‘lição moral’ aos operários, ensiná-los a agir coletivamente, de forma organizada, conscientes de seu poder enquanto classe que produz a riqueza social”. Percebe-se que a visão da luta sindical como escola, presente em Engels, também se encontrava em Marx, que entendia que por meio dessa luta os trabalhadores poderiam avançar em sua consciência de classe e chegar a constituir um partido político próprio da classe operária [4].
O papel que cabia aos sindicatos, de acordo com o pensador alemão, não era então de pouca importância. Eles serviriam para constituir os operários em classe, organizando-os, educando-os, para a tarefa maior, que seria a revolução social. No entanto, esse movimento político – associado à revolução e que Marx considerava de maior importância – não poderia ser desvinculado totalmente do movimento social, econômico, pois é a própria luta econômica, sindical, que transforma o proletariado em classe para si.“As condições econômicas, inicialmente, transformaram a massa do país [se refere à Inglaterra] em trabalhadores [travailleurs].
A dominação do capital criou para essa massa uma situação comum, interesses comuns. Essa massa, pois, é já, ante o capital, uma classe (...) mas ainda não o é para si mesma (...). Na luta que assinalamos algumas fases, essa massa se reúne, se constitui em classe para si mesma (...). Os interesses que defende se tornam interesses de classe. Mas a luta entre classes é uma luta política” [5].
A luta sindical possibilita que a classe trabalhadora deixe de ser meramente classe em si e se transforme em classe para si na luta contra o capital e os sindicatos. Por sua vez, teria o mérito de agrupar essa massa, fazendo-a mais coesa e, logo, mais forte no embate da luta de classes.
Tanto Lênin quanto Trotsky seguiam a análise de Marx e Engels e enfatizavam o aspecto educativo dos sindicatos para a classe operária.
Para o segundo, os sindicatos, assim como o partido revolucionário, eram importantes para que o proletariado compreendesse a sua missão histórica, ou seja, ser o sujeito social da revolução social – “se o proletariado, como classe, fosse capaz de compreender imediatamente sua tarefa histórica, não seriam necessários nem o partido nem os sindicatos.
A revolução teria nascido, simultaneamente, com o proletariado” [6].Lênin trazia à tona a definição de Engels a respeito das greves, “escola de guerra”, mas alertava que elas ainda não seriam a própria guerra, apenas um dos meios da luta operária por sua emancipação [7].
O revolucionário russo fazia uma bela caracterização dos efeitos devastadores de uma greve sobre a sociedade capitalista e mesmo sobre os próprios trabalhadores:“Toda greve acarreta ao operário grande número de privações, além disso são terríveis que só podem comparar com as calamidades da guerra (...) E apesar de todas essas calamidades, os operários desprezam os que se afastam de seus companheiros e entram em conchavo com o patrão. (...) Amiúde, basta que se declare em greve uma fábrica para que imediatamente comece uma série de greves em muitas outras fábricas.
Como é grande a influência moral das greves, como é contagiante a influência que exerce nos operários ver seus companheiros que, embora temporariamente, se transformam de escravos em pessoas com os mesmos direitos dos ricos! Toda greve infunde vigorosamente nos operários a idéia do socialismo: a idéia da luta de toda a classe operária por sua emancipação do jugo do capital” [8].
A luta sindical, apesar de limitada, cumpre um papel preponderante no avanço das consciências em direção ao socialismo e à solidariedade de classe. Devemos reconhecer que é impossível observar essas palavras de Lênin e não nos remetermos às greves de fins dos anos setenta no ABC paulista e toda a sua influência país afora, assim como os estragos gerados para a classe dominante brasileira naquele momento.
Limites do sindicalismo
Apesar de concordarem sobre a importância dos sindicatos, todos os quatro autores analisados também concordam que a luta sindical tem limites e que não se pode separar a luta econômica da luta política mais geral.
Engels, em seu trabalho supracitado, apontava para a pouca eficácia das greves por duas razões em especial. A primeira, pela quebra de solidariedade entre os operários, ocasionada pelos chamados “fura-greves”, promovida pela concorrência entre eles próprios; e a segunda, pela impotência das trade unions (sindicatos) inglesas diante das crises cíclicas da economia capitalista, que geravam diminuição de salários, fechamento de fábricas, greves mais curtas até mesmo em função do esgotamento mais rápido dos fundos sindicais.
A prática sindicalista se submeteria totalmente, segundo essa visão, ao movimento do capital.As lutas dos sindicatos eram consideradas por Engels como lutas meramente defensivas, em geral lutas locais, de caráter profissional, sem um caráter político propriamente dito, que não mudariam a condição geral da classe proletária, mas apenas de operários de algumas fábricas [9].
Bem diferente para o autor eram as lutas associadas ao movimento cartista, pois esse sim era um movimento político que buscava representar os interesses de toda a classe trabalhadora.Os limites do sindicalismo para Marx seguiam uma lógica muito próxima a de Engels. Para o primeiro esses limites estariam “postos pela sua natureza essencialmente defensiva, isto é, a luta pela elevação dos salários (ou contra a sua redução) ocorre apenas como decorrência de modificações anteriores postas pelo movimento do capital” [10].
Em Salário, preço e lucro – em que trava uma polêmica com o owenista John Weston, muito semelhante à que havia travado com Proudhon – Marx expõe de forma mais nítida as limitações da luta meramente econômica desenvolvida pelos sindicatos na sociedade capitalista:“Os operários não devem superestimar o resultado final dessa luta [sindical] quotidiana. Não podem esquecer que lutam contra os efeitos e não contra as causas desses efeitos, que o que fazem é refrear o movimento descendente, mas não alterar o seu rumo; que aplicam paliativos e não a cura da doença (...)
Em vez da palavra de ordem conservadora ‘um salário justo por um dia de trabalho justo’ devem inscrever na sua bandeira a palavra de ordem revolucionária: ‘abolição do salariado’”.E, em outra passagem:“Os ‘sindicatos’ atuam com utilidade como centros de resistência às usurpações do capital. Deixam em parte de atingir o seu objetivo quando utilizam a sua força de forma pouco inteligente. No entanto, deixam inteiramente de o atingir, quando se limitam a uma guerra de escaramuças, contra os efeitos do regime existentes, em vez de trabalharem, ao mesmo tempo, para a transformação e servirem-se da sua força organizada como de uma alavanca para a emancipação definitiva da classe trabalhadora, isto é, para a abolição definitiva do sistema de trabalho assalariado” [11].
As conquistas sindicais não podem iludir a classe trabalhadora a ponto desta minimizar o fato de que não houve mudanças no rumo do sistema de trabalho assalariado e que em pouco tempo essas conquistas já não serão percebidas e novas lutas deverão acontecer para buscar se obter as mesmas vitórias. A importância das organizações sindicais era destacada por Marx, como já salientamos, por impedir o avanço devastador da sanha do capital, porém, enquanto continuassem a lutar somente contra os efeitos do sistema e não efetivamente contra as suas causas, estariam caminhando em círculo e se omitiriam de apresentar uma contribuição mais relevante para a superação do trabalho assalariado.
Para enfrentar o capital, Marx considerava que os operários deveriam exercer uma “ação política geral”, fazendo uma pressão constante de fora do âmbito da relação meramente salarial, até porque na luta puramente econômica entre capital e trabalho, o primeiro tende a ser muito mais forte.
Em um mesmo sentido, Lênin enfatizava que a luta econômica não deveria ser a preocupação exclusiva do movimento operário. Para ele, era equivocado supervalorizar greves vitoriosas porque “com as associações profissionais (...) dos operários e com as greves consegue-se apenas, no melhor dos casos, alcançar condições um pouco mais vantajosas para a venda da mercadoria chamada força de trabalho”.
Essas associações e as greves não podiam ajudar quando a força de trabalho não fosse procurada em virtude da crise econômica, não podiam modificar as condições que convertiam a força de trabalho numa mercadoria e que condenavam as massas trabalhadoras às mais duras privações e desemprego. O que teria o poder de mudar essa situação negativa para o proletariado, na sua visão, era “a luta revolucionária contra todo o regime social e político atual” [12].
Para o principal líder da revolução russa, aquilo que os revolucionários afirmavam para a classe operária deveria ser exatamente o oposto do que dizia a burguesia. Enquanto esta tentava iludir o proletariado para que ele centralizasse a sua atenção principal nos sindicatos, os revolucionários preocupavam-se em alertar o proletariado – classe mais avançada e a única revolucionária até as últimas conseqüências – de que não deveria se restringir aos limites econômico-salariais da luta de classes puramente, sobretudo ao aspecto do movimento sindical, mas, pelo contrário, “tratar de ampliar os limites e o conteúdo da sua luta de classe até abranger nesses limites não só todas as tarefas da atual revolução democrático-popular russa, como também as tarefas da revolução socialista que há de segui-la” [13].
Nesse sentido, acreditava que a “consciência social-democrata” – que abrangeria a necessidade da revolução socialista como uma tarefa maior, e mais importante, do que a luta sindical – só poderia chegar até os operários a partir de fora, ou seja, a partir da influência do partido revolucionário. Isso era corroborado, de acordo com Lênin, pela história de todos os países até então, que demonstrava que “pelas próprias forças, a classe operária não poderia chegar senão à consciência sindical, isto é, à convicção de que é preciso unir-se em sindicatos, conduzir a luta contra os patrões, exigir do governo essas ou aquelas leis necessárias aos operários etc.” [14].
Considerando também que o sindicato tem a sua importância, mas, devido às limitações da luta sindical, não passava de um coadjuvante na busca pela superação do trabalho assalariado – onde o partido revolucionário exerceria o papel principal –, Trotsky entendia que as associações sindicais, por seus objetivos, sua composição e o caráter de seu recrutamento, agregando todos que desejassem se organizar sindicalmente, independente da concepção política, não tinham um programa revolucionário acabado e, sendo assim, não poderiam substituir o partido.
Mesmo os sindicatos mais poderosos, na visão do autor da revolução permanente, não abarcariam mais do que vinte ou vinte e cinco por cento da classe operária, predominando, ainda nesse grupo, as camadas mais qualificadas e mais bem pagas. Com isso a maioria mais oprimida do proletariado só era arrastada para a luta episodicamente nos períodos de auge do movimento operário. Tudo isso fazia com que Trotsky concluísse que “os sindicatos não são um fim em si mesmos, são apenas meios que devem ser empregados na marcha em direção à revolução proletária” [15].
Ainda para esse autor, historicamente os sindicatos se formaram no período de surgimento e auge do capitalismo tendo por objetivo melhorar a situação material e cultural do proletariado, além de ampliar os seus direitos políticos. Na Inglaterra, por exemplo, ao longo de mais de um século de luta, muitos desses objetivos foram conquistados, o que deu aos sindicatos ingleses uma autoridade tremenda sobre os operários. No entanto, já na década de 1930 o revolucionário russo percebia que a decadência do capitalismo britânico, seguindo a mesma dinâmica do sistema capitalista mundial, havia minado as bases desse trabalho reformista dos sindicatos, pois o capitalismo só conseguia se manter rebaixando o nível de vida dos trabalhadores.
Assim, os sindicatos se encontravam numa bifurcação: “Podem ou bem transformar-se em organizações revolucionárias ou converter-se em auxiliares do capital na crescente exploração dos operários” [16].
Ao separar a luta econômica, e meramente sindical, da luta política mais geral, a maioria dos sindicatos, ao longo do século XX no Brasil e no mundo, deixaram de cumprir um papel, que apesar de limitado, era e é imprescindível para a luta socialista. A partir da leitura do marxismo clássico, é tarefa dos sindicalistas revolucionários atuais fazer esse balanço e encaminhar ações que procurem pôr em xeque o sistema capitalista como um todo, sem se limitar a lutar meramente contra os seus efeitos, mesmo que estes sejam bastante nefastos.
NOTAS:1. Giovanni Alves. Limites do sindicalismo – crítica da economia política. Bauru, Projeto editorial Práxis, 2003. pp. 331 e 340.
2. Idem. p. 23.
3. F. Engels. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. Citado por Giovanni Alves. Op. Cit. p. 48.
4. Giovanni Alves. Op. Cit. pp. 231 e 293.
5. Karl Marx. Miséria da filosofia (na edição francesa). Citado por Giovanni Alves. Op. Cit. p. 126.
6. Leon Trotsky. Texto escrito em março de 1923, in: Escritos sobre sindicatos. S.P., Kairós Liv. e edit., 1978. p. 20.
7. Lênin. Texto escrito em 1899, in: Sobre os sindicatos. S.P., Liv. e Ed. Polis, 1979. p. 42.
8. Idem. p. 40.
9. Giovanni Alves. Op. Cit. p. 49.
10. Idem. p. 207.
11. Karl Marx. Salário, preço e lucro. S.P., Global Editora, 1988. pp. 85-86.
12. Lênin. Texto de junho de 1901, in: Op. Cit. p. 45.
13. Lênin. Texto de junho/julho de 1905, in: Op. Cit. p. 76.
14. Lênin. Que fazer? S.P., Hucitec, 1988. p. 24.15. Leon Trotsky. Programa de Transição. 1ª edição, 1938. S/ ed. s/ data. pp. 13-
15.16. Leon Trotsky. Texto escrito em setembro de 1933, in: Escritos sobre sindicatos. Op. Cit. p. 79.
(Imagem: Di Cavalcanti, com sua obra Trabalhadores)

Garcia Lorca, poemas e canções de um revolucionário


Dia 28 de Agosto às 21 horas, o La Taberna Centro de Cultura Flamenca iráprestar uma homenagem ao Poeta, Dramaturgo, Músico e Desenhista. Federico Garcia Lorca, no mês da sua trágica morte ocorrida em 19 de Agosto de 1936. Na programação apresentaremos dois DVDs. de dança da Cia de Baile Flamenco Fátima Carretero, inspirados na obra do artista, e gravados durante as apresentações no Grande Teatro do Palácio das Artes.
AMARGO (uma sintesis dos poemas Romance Del Amargo e Canción de La Madre del Amargo) direção de Carlos Carretero e coreografias de Fátima Carretero e Arnaldo Alvarenga, trilha sonora de Enrique Morente.

BOLERO de Ravel (este balé tem como argumento dramático La Cogiday La Muerte, do livro Llanto por Ignacio Sanchez Mejias.)
Declamação de poesias com os atores Teo Lopes e Rafisa Canals.
Canções de Lorca, interpretadas por Rômulo Salobreña (violão clássico) e Allyson Henrique (oboé) Canções de Lorca dançadas por Aixa Carretero (solo) e Bia Reis, Lilian Castro,Lilian Kelly e Luana Varela.

Haverá alguns petiscos típicos de Granada a terra do Poeta, acompanhados de vinhos.
LOCAL:Centro de Cultura Flamenca La Taberna
Rua Antonio de Albuquerque, 290- Savassi
Telefax: 25159279

GARCIA LORCA

Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transferiu-se para Madrid, onde ficou amigo de artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou seus primeiros poemas.
Grande parte dos seus primeiros trabalhos baseiam-se em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928).
Concluído o curso, foi para os Estados Unidos da América e para Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi estadunidense. Expressou seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens de Poeta em Nova York, publicado em 1940.
Voltando à Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. Não ocultava suas idéias socialistas e, com fortes tendências homossexuais, foi certamente um dos alvos mais visados pelo conservadorismo espanhol que, sob forte influência católica, ensaiava a tomada do poder, dando início a uma das mais sangrentas guerras fratricidas do século XX.
Intimidado, Lorca voltou para Granada, na Andaluzia, na esperança de encontrar um refúgio. Ali, porém, teve sua prisão determinada por um deputado católico, sob o argumento (que tornou-se célebre) de que ele seria "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver".
Assim, num dia de agosto de 1936, sem julgamento, o grande poeta foi executado com um tiro na nuca pelos nacionalistas, e seu corpo foi jogado num ponto da Serra Nevada. Segundo algumas versões, ele teria sido fuzilado de costas, em alusão a sua homossexualidade. A caneta se calava, mas a Poesia nascia para a eternidade - e o crime teve repercussão em todo o mundo, despertando por todas as partes um sentimento de que o que ocorria na Espanha dizia respeito a todo o planeta. Foi um prenúncio da Segunda Guerra Mundial.
Assim como muitos artistas - e a obra Guernica, de Pablo Picasso -, durante o longo regime ditatorial do Generalíssimo Franco, suas obras foram consideradas clandestinas na Espanha.
Com o fim do regime, e a volta do país à democracia, finalmente sua terra natal veio a render-lhe homenagens, sendo hoje considerado o maior autor espanhol desde Miguel de Cervantes. Lorca tornou-se o mais notável numa constelação de poetas surgidos durante a guerra, conhecida como "geração de 27", alinhando-se entre os maiores poetas do século XX. Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. Sua música se reflete no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram sua posição como grande dramaturgo.
(Imagem: Garcia Lorca visto pelo artista plástico Carlos Carreteiro)

Filósofos pré-socráticos



Os filósofos pré-socráticos e a origem da educação laica

Ricardo Ernesto Rose (*)

"Onde se formam indivíduos que criam e não indivíduos que aprendem?" (…) Onde está a instituição que se propõe por objetivo liberar o homem e não se limitar a cultivá-lo?" ( Max Stirner -O falso princípio da nossa educação).
Nos textos dos pensadores pré-socráticos não encontramos nenhuma referência clara à educação, pelo menos nos termos como a conhecemos hoje. Todavia, dos escritos se depreende que os filósofos (físicos, como eram chamados) formaram escolas de pensamento, nas quais as idéias de um filósofo principal eram transmitidas a discípulos. Estes, tanto podiam ser alunos que aprendiam com o mestre ou outros pensadores, que convencidos pelas idéias do pensador mais criativo e perspicaz, incorporavam suas noções básicas ao seu próprio sistema de pensamento. Exemplo mais provável deste processo é a tríade Tales de Mileto (625 a.C. – 558 a.C.), Anaximandro (610-547) e Anaxímenes (588-524). Qualquer um dos três pôde ter tido outros seguidores ou alunos, que no entanto não foram mencionados pela história e assim não puderam exercer influência na história da filosofia.
Xenófanes (570-460) foi, segundo a tradição, provavelmente mestre de Parmênides de Eléia (530-460). Neste caso o discípulo tornou-se mais famoso do que o próprio mestre. Parmênides, por sua vez, foi professor de Zenão de Eléia (495-430). O que se percebe é que as idéias dos mestres são transmutadas, dando origem a novas correntes de pensamento, que muitas vezes se cruzam. Dois pensadores únicos, que segundo atradição não tiveram seguidores, foram Heráclito de Éfeso (540-470) e Empédocles de Agrigento (490-430). Ambos tinham personalidades sombrias, marcadas pela visão trágica do processo de criação e destruição do universo e, talvez por isso, apesar de terem tido discípulos, não fizeram sucessores. Heráclito afastou-se do convívio humano e foi viver nas montanhas da Jônia (região onde se localiza a atual Turquia), de onde só voltou para morrer. Empédocles, convencido de que era um deus, atirou-se na cratera do Etna e desapareceu para sempre.
Evidentemente, em todas estas seqüências de gerações de pensadores, houve contato do mestre com os discípulos, o que permite falar em um sistema organizado de transmissão de conhecimento filosófico. Se os textos ou as idéias chegaram a nós – pelo menos em parte através de doxógrafos – deve ter existido uma estrutura organizada alunos, que anotavam ou copiavam as palavras ou as obras dos seus mestres e para a posteridade. Daí depreende-se de que existiam locais e pessoas específicas, incumbidas de anotar e assim transmitir o conhecimento filosófico. A preservação e transmissão do pensamento dos mestres: os primórdios de um sistema educacional.
O pitagorismo talvez tenha sido a linha filosófica que mais se caracterizou como uma escola. Pitágoras de Samos (570-496) era um verdadeiro mestre, líder de muitos discípulos, formando uma organização quase comparável a uma seita religiosa. Tanto que muitos ensinamentos do filósofo eram transmitidos somente aos discípulos que pertenciam ao grupo mais próximo do mestre; conhecimentos sobre os quais deveriam manter segredo. No caso dos pitagóricos se observam ainda resquícios da fase místico­religiosa do ensino. Na religião o ensinamento sagrado era transmitido pelos sacerdotes aos discípulos, que deviam manter segredo sobre o ensinamento e não passá-lo aos leigos. São famosos os casos dos ensinamentos esotéricos (internos à seita e exclusivos dos discípulos diletos do mestre) e os conhecimentos exotéricos (externos e de livre acesso para os leigos) mencionados ainda com relação às escolas de Platão (Academia) e de Aristóteles (o Liceu), por exemplo. Talvez, para se eximir de tal tipo de acusação – de ser um fundador ou mestre de uma seita religiosa secreta – Sócrates dizia em seu julgamento que seus ensinamentos eram públicos e que os transmitia na presença de todos, conversando com o povo nas ruas de Atenas. Outro filósofo, além de Pitágoras, que é mencionado nos textos dos pré-socráticos como tendo aberto uma escola de filosofia foi o pensador jônico Anaxágoras de Clazômenas (500–428), que se estabeleceu em Atenas, a convite de Péricles.
Ponto importante no desenvolvimento da educação foi, no caso dos pré-socráticos, a desvinculação do pensamento mítico. Pela primeira vez na história surgia uma classe de pessoas que pensava o universo, a phyisis, a partir de dados empíricos e do raciocínio, sem recorrer aos mitos religiosos. Esta atitude dá origem, pela primeira vez, a um conhecimento leigo, transmitido por leigos, sem ligação – e às vezes até em conflito – com as religiões. A oposição à crença às vezes era tanta, que alguns filósofos como Anaxágoras, foram perseguidos por supostamente terem negado a existência dos deuses. Trata-se, enfim, da vitória do pensamento racional, transmitido através das escolas filosóficas, ou pelos ensinamentos de mestres itinerantes, como Xenófanes de Colofão (570-460).
Os filósofos pré-socráticos foram provavelmente os primeiros professores leigos da história do pensamento ocidental. A partir destes mestres, a transmissão do conhecimento deixou de ser exclusividade de sacerdotes e de se limitar à interpretação mítico-religiosa do mundo. Ao mesmo tempo em que os pensadores gregos estabeleciam as bases do que viria a ser a filosofia e depois as ciências da nossa civilização, a Índia também passava por um processo semelhante. No século V a.C. os filósofos da escola Çarvaka, leigos e críticos da religião, também ensinavam uma nova visão do mundo, baseada na experiência e no raciocínio, combatendo dogmas profundamente arraigados na civilização indiana.
Cerca de duzentos depois, por ocasião das campanhas de Alexandre Magno (356-323), filósofos das duas civilizações se encontrariam. Esta aproximação de culturas, apesarde curto e esporádico, trouxe alguns frutos. Na Índia, a tradição budista – notadamente a estatuária – seria fortemente influenciada pela escultura grega. Na Grécia, Pirro de Elis, que acompanhou a campanha de Alexandre e na Índia conheceu os sábios gymnosofistas, os “filósofos nus”, seria o iniciador do pirronismo, a primeira forma de ceticismo. Mas isto é uma outra estória, que fica para uma próxima vez.
(*) Jornalista e Licenciado em Filosofia
(Colaboração do jornalista Ademir José Rosa da Silva)
Fernando Viola (de chapéu), show dia 9
Projeto QUINTAS DA VIOLA
26 de agosto – Quinta-feira – TRIO VIOLA DE MINAS

Jequitibar - Av. Assis Chateaubriand, 577 - Floresta
Sempre às 20 horas - Ingresso: R$10,00
Informações: 3271.6522 - 8893.7806 - 8474-2050
Reservas de mesa – 3271.6522

O TRIO VIOLA DE MINAS, de Belo Horizonte, é formado por Marcus Vinicius Ribeiro (viola), Carlos Alberto da Silva (vocal) e Marco Antonio Ribeiro (violão), que foi percussionista de um grupo de choro por vários anos.Vinícius Viola, como é mais conhecido, é natural de Belo Horizonte, e é aluno do grande violeiro Fernando Sodré. Marco Antonio também é de Belo Horizonte, e Carlos Alberto é da cidade de Ferros. Esses três mineiros, estudiosos da música brasileira, trazem como referência para o seu trabalho musical, artistas como Almir Sater, Chico Lobo, Lourenço & Lourival, Pena Branca e Xavantinho, Pereira da Viola, Tião Carreiro, Zé
Mulato e Cassiano, entre vários outros.Quem gosta dos clássicos da viola caipira e tem ouvidos para novas propostas na execução deste maravilhoso instrumento, não pode perder esta apresentação do TRIO VIOLA DE MINAS.
PRÓXIMOS SHOWS
Dia 02/setembro – ZÉ BALIZA
Dia 09/setembro – FERNANDO VIOLA & RAIMUNDO MENDES
Produção: Luiz Trópia & Tadeu Martins

Dispersando verdades incômodas

(Monte Wolverton/Telesur/Divulgação)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Esperanças perdidas?

(Cam Cardow/Telesur/Divulgação)

O laço e o abraço


Mário Quintana


Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado olaço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado debraço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhumpedaço.Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

Paulo Kautscher publicou

Mulheres na passeata dos 100 mil, imagem publicada no Diário de Classe da Luta pela Educação

A luta armada e o tiroteio eleitoral
Celso Lungaretti
A revista Época chega às bancas neste sábado (14/8) com uma matéria de capa sobre a participação da presidenciável Dilma Rousseff na luta armada. Eumano Silva, um dos autores (ao lado de Leandro Loyola e Leonel Rocha), é meu velho conhecido e colega de editora: em parceria com Taís Morais, escreveu Operação Araguaia. A reportagem em si é reconstituição histórica, a mais objetiva e neutra possível se considerarmos as limitações da grande imprensa. A Veja, tratando do mesmo assunto, decerto produziria um aberrante panfleto ultradireitista.
Cheguei a dar depoimento um tanto inconclusivo, já que conheci brevemente a Dilma durante o Congresso de Teresópolis da VAR-Palmares (outubro/1969) e nossos caminhos jamais se cruzaram de novo. Não acrescentaria mesmo nada e Eumano fez bem em deixá-lo de lado.Mas, independentemente da integridade ou não do trabalho jornalístico, o tema é espinhoso para Dilma e para o PT. Daí, ela ter se recusado a atender aos pedidos de entrevista da Época e a deplorável nota que sua assessoria de imprensa emitiu:
"Dilma não participou [de ações armadas], não foi interrogada sobre o assunto e sequer denunciada por participação em qualquer ação armada, não sendo nem julgada nem condenada por isso. Dilma foi presa, torturada e condenada a dois anos e um mês de prisão pela Lei de Segurança Nacional, por `subversão´, numa época em que fazer oposição aos governos militares era ser subversivo´."As falsas acusações das "viúvas da ditadura" Quantas ressalvas! Na minha humilde opinião, de tudo que li na reportagem o trecho mais nocivo à imagem de Dilma é este, pois, em contraste com sua verdadeira trajetória, nem de longe mostrada de forma negativa, soa terrivelmente falso. Ambos, Dilma e o PT, têm preferido deixar o passado no limbo, como um estorvo, do que explicar francamente às novas gerações que o Brasil de Médici chegava a lembrar, em muitos aspectos, a Alemanha de Hitler, a Espanha de Franco ou o Chile de Pinochet: um festival de horrores e atrocidades.
Para não se indisporem com velhos gorilas e novos autoritários, eles não dão, salvo quando a imprensa e os adversários políticos os encostam na parede, o merecido destaque às bestialidades que os tiranos cometeram, nem à bravura dos que os combateram. Então, quando as viúvas da ditadura acusam falsamente Dilma Rousseff de assaltar bancos, sequestrar diplomatas e outras ações armadas, as novas gerações, desinformadas, tendem a vê-la e julgá-la a partir dos parâmetros atuais, como se tivesse sido uma criminosa do PCC.Se soubessem que enfrentávamos algo próximo a uma Gestapo, em condições de extrema inferioridade de forças, poderiam nos olhar como os franceses olham sua Resistência, dela orgulhosos por haver salvado a honra do país.Fugir do dever, entretanto, nunca é resposta para nada. O dever de quem enfrentou a tirania é manter viva a lembrança dos anos de chumbo, até para criar, nos que vieram depois, anticorpos contra o totalitarismo. Esquivando-se do assunto em circunstâncias mais amenas, os petistas serão obrigados a se defrontarem com ele no auge da campanha eleitoral.Então, é o momento de abandonarem de vez as esquivas, declarando em alto e bom som: quem resistiu à ditadura mais brutal que o Brasil conheceu tinha todo direito de pegar em armas contra os déspotas e merece, acima de tudo, o reconhecimento da cidadania. E isto vale tanto para Dilma, que não entrou na ação direta, como também para Carlos Lamarca, Carlos Marighella, Eduardo Leite, Devanir de Carvalho e outros que usaram a força contra um inimigo que pela força usurpou o poder e pela força nele se mantinha: todos eles, indiferenciadamente, foram heróis e mártires deste sofrido país!
Nada de tergiversações. Quem participou da luta armada, cumpriu as funções que seu agrupamento lhe designou. Se, como Dilma e eu, acabou recebendo outras incumbências, isto era irrelevante do nosso próprio ponto de vista e só estabelecia distinções entre nós aos olhos do inimigo, quando tratava de nos enquadrar nas suas leis draconianas, características de um regime de exceção.
Então, a postura digna nunca será a de se desculpar com afirmações tipo "estava lá, mas não fiz isso ou aquilo", mas sim, a de proclamar que "estava lá e faria tudo que fosse necessário porque nossa luta era justa e confrontávamos o despotismo mais hediondo". É o mínimo que podemos fazer, pela nossa honra e por respeito aos companheiros que tombaram.