terça-feira, 30 de novembro de 2010

Confronto inevitável


Mino Carta (*)


E quando Meirelles disse “ou ele ou eu” teria selado definitivamente o seu destino


Um velho amigo comentou dias atrás: “Ele se meteu em uma enrascada sem saída quando disse: ou ele, ou eu, como Golbery”. Bom assunto para um almoço pacato. Comparava o chefe da Casa Civil de três ditadores, Castello Branco, Geisel e Figueiredo, com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se prepara a deixar seu posto para Alexandre Tombini, diligente funcionário do próprio banco do qual é o atual diretor de Normas.
O impasse para Golbery deu-se logo após a desastrada operação que resultou na tragicomédia do Riocentro, a 1º de maio de 1981. A bomba explodiu no colo do terrorista de Estado que a carregava de carro, destinava-se a provocar uma hecatombe em meio a um espetáculo musical que reunia 20 mil pessoas. Felizmente, uma apenas foi para o Além, quem sabe o Inferno, enquanto o que dirigia o veículo ficou gravemente ferido. O inspetor Clouseau não se sairia melhor.O humor negro do episódio não haveria de abrandar a profunda irritação que tomou conta do chefe da Casa Civil de João Baptista Figueiredo. Logo depois de ser informado a respeito do evento, caminhou até o gabinete presidencial e exigiu a demissão imediata do comandante do I Exército, sediado na Vila Militar do Rio, o general Gentil Marcondes, primeiro responsável por uma missão de inauditas dimensões criminosas, da qual ele teria de estar necessariamente a par.
Na visão de Golbery, era nítido o propósito da operação fracassada, inserida em um programa de atentados em escalada, que já haviam visado bancas de jornais no Rio e em São Paulo, a sede da OAB nacional e as oficinas da Tribuna da Imprensa. Pretendia-se precipitar um clima de tensão extrema, de sorte a implodir o plano da chamada abertura e a justificar a permanência dos militares no poder. Quer dizer, depois de Figueiredo, previsto como o derradeiro ditador, viria outro da casta fardada, e ele já tinha nome, o general Octávio Medeiros, chefe do SNI e protetor do general Gentil.Uma guerra surda eclodiu dentro do Palácio do Planalto, a cheirar cada vez mais a quartel, o comandante do I Exército ficou onde se encontrava, o inquérito sobre a tragicomédia debandou para a farsa, e foi então que Golbery impôs: ou Medeiros, ou eu. Figueiredo optou por aquele. Assim como Dilma Rousseff escolheu Mantega e, portanto, Tombini.
É o pensamento do velho amigo, também sábio. Está claro que enredo e protagonistas são bem diversos daqueles, mas a chave da compreensão da saída de Meirelles aí estaria. De todo modo, o confronto era inevitável, em um caso e noutro. Há na imprensa quem se esforce para provar que Mantega foi escolha de Lula, bem como a dos demais da equipe econômica. É do conhecimento até do mundo mineral, contudo, que, desde a composição do primeiro gabinete de Lula presidente, Meirelles foi indicado por ele, e depois, anos a fio, por ele mantido a despeito das críticas crescentes, partidas de conselheiros importantes e de largos setores do empresariado, às políticas rígidas do BC.
A autonomia do presidente do banco é reivindicação teoricamente aceitável. Assim se dá em outros países reconhecidamente democráticos, onde se enxerga o presidente do Banco Central como alto funcionário a serviço do Estado e não deste ou daquele governo, estável na função independentemente dos resultados eleitorais, personagem imanente, digamos assim, em lugar de contingente. No Brasil atual, a ideia de Meirelles é impraticável.
De fato, ou Mantega ou Meirelles. CartaCapital não se surpreendeu com a escolha final da presidente eleita, e aqui manifesta seu apreço pela decisão. E sabe que Tombini chega com o aval da presidente e do seu futuro ministro da Fazenda. No mais, é perfeitamente possível que meu velho e sábio amigo esteja certo: na hora azada, o aut-aut de Meirelles foi a gota decisiva. O mesmo amigo murmura: “É um bancário que deu certo”.


(*) Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

Projeto QUINTAS DA VIOLA



02 de dezembro – MARCELO DIAS & RENAN DO ACORDEON

PizzaBar - Av. do Contorno, 1.636 - Floresta
Sempre a partir das 20 horas - Ingresso: R$10,00
Informações: 3274.3136 - 8893.7806 - 8474.2050
Reservas de mesa – 3274.3136

EXPLOSÃO SERTANEJA

O sanfoneiro, violeiro e tecladista, Renan é do Vale do Jequitinhonha, onde participava do Coral Trovadores do Vale. Incentivado por Frei Chico, Titane e Rubinho do Vale, ele veio para Belo Horizonte fazer o que sempre sonhou: tocar, tocar e tocar.
A sua habilidade com a sanfona o colocou no palco com grandes nomes da música. Viajou Minas e o Brasil em bandas de baile e acompanhando diversos artistas. O encontro com o violeiro Karreteiro o despertou para a viola caipira, que também aprendeu a executar. Karreteito, Renan e Coracy criaram o Trio “Explosão de Sucessos”, que ficou bastante conhecido nas noites de Belo Horizonte e em grandes eventos de Minas Gerais: comícios, exposições, feiras e muitos eteceteras.
No início da década de 90, levados por Tadeu Martins, que apresentava o programa “Rancho Fundo”, na TV Minas, o trio passou a acompanhar um menino que era uma grande promessa da música sertaneja em Minas Gerais, o Alex. Em junho de 1991 eles fizeram juntos o show de inauguração do Restaurante Jequitibar. O sucesso foi tamanho que ficaram uma semana em cartaz, com casa lotada. Realmente uma explosão de sucessos. O tempo passou, Alex se juntou ao Alan, criando a famosa dupla mineira, e o Renan foi para São Paulo, onde apresentou um programa sertanejo em emissora de rádio e acompanhou muitos artistas paulistas em shows por todo o Brasil.
Venha conhecer a boa música sertaneja com Marcelo Dias (violão e voz) e Renan do Acordeon (acordeon e viola). Um show imperdível!

Dia 16 de dezembro: Show do violeiro PINHO

A FILOSOFIA DOS LEITORES



Hermínio Prates (*)

O filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005), disse em entrevista meses antes de morrer que, quando lia um autor, cria nele, pertencia a ele. “É preciso habitá-lo! A vida nos obriga a morar em várias casas. Sou um leitor há já ... 70 anos! Minha biblioteca usual é portanto imensa. Torno-me Espinosa quando leio Espinosa. Esse hábito vem de muito longe”.
Quem muito pensa, lê mais ainda. E o que pode parecer pose esnobe de um pensador, nada mais é do que o livre haurir de saberes vários para se aproximar da inesgotável ânsia do homem em entender e explicar nosso caminhar pelas trilhas do imponderável.
Difícil de entender? Nem tanto. Fujamos dos nós dialéticos e desçamos ao chão da literatura tupiniquim. Como não me arrisco a poluir com a minha combalida argumentação os sábios caminhos filosóficos, também não ouso invocar Espinosa para ilustrar o texto. Fiquemos em terra pátria. Jorge Amado, por exemplo. Quem o leu certamente não viu nada além do trivial em “Suor”, mas se irmanou com os moleques do cais que lutavam contra as injustiças do abandono social. É o mote de “Capitães da Areia”, já sabem todos. A temática social do baiano bom de casos e que viveu o sonho comunista para depois se espantar com Stalin, vagueou por entre seios de mulatas de ancas irresistíveis, criou filhos do povo de porte heróico, mas finou a existência lambendo benesses do corrupto Antônio Carlos Magalhães. Ou não?
De uma praia a outra, surfa o Nelson Rodrigues, mas com esse não há sintonia. Aberrações existem sim; mas em todas as famílias e vitimando pais, mães, tios, filhos, quase todo mundo sob o mesmo teto? É muita cópia do grego para quem mal aceitava o reacionário tricolor. Torcer para o Fluminense, tudo bem, que o sempre coerente Chico Buarque também é adepto, mas a adesão do pai de tantas anomalias às violências da ditadura ninguém com um mínimo de decência poderia aceitar. Nem eu.
Gilberto Freyre? Como crer no ranço elitista e na visão caolha de quem veio de uma sociedade aristocrática, remanescente dos senhores de engenho? Quem não tiver ânimo para ler “Casa Grande & Senzala” pode se espantar com as confidências que o apodado mestre de Apipucos faz de suas presepadas em leitos de moçoilas de cor. Os detalhes estão nas memórias do adolescente branco que se beneficia do mando sobre os humildes.
Quem pensa em usineiro não escapa do ciclo da cana, com José Lins do Rego chorando a decadência inevitável dos superados barões do açúcar. Os miasmas da garapa estão todos lá, quem sabe à espera de um Fernando Collor que os salve do fogo da falência com um providencial adjutório nas finanças? Mas o caçador de otários vindo das Alagoas só surgiu décadas depois de minguadas as tetas da vaca do latifúndio dos coronéis de patente comprada.
Sei que muitos que me lêem podem alegar no meio do parágrafo possível má vontade desse arengador com os escribas da nação. Nada mais falso; li e apreciei todos, mas sem esquecer a origem de cada um. Afinal, se “o meio é a mensagem” (Marshall McLuhan, 1911-1980) e se “o homem é produto do meio”, no antigo dizer de Hipolyte Adolphe Taine (1828-1893), sempre haverá um resquício do úbere original. Taine asseverou que é preciso “compreender o homem à luz de três fatores: meio ambiente, raça e momento histórico”. Euclides da Cunha o fez com maestria no clássico “Os Sertões”, a saga dos deserdados contra a arma de guerra dos prepotentes republicanos recém enquistados no poder.Ou não?
Deixo de lado tudo isso para me deliciar com a criatividade de Ariano Suassuna, um Cervantes na caatinga dos muitos mistérios. E com Érico Veríssimo, o prosador dos pampas, que revelou para o mundo os segredos do minuano na saga que propiciou o nascer da nação do Rio Grande. Creio neles? Nem tanto ao mar, nem tanto a terra, mas que há coerência, há. Muita, principalmente em Graciliano Ramos, o estóico da seca, fugitivo dos advérbios e da prolixidade. Era um seco, enxuto no texto e no físico minado pela angústia e pelo cigarro.
E Guimarães Rosa? Médico sem clientela, diplomata do poder, mas um danado no inventariar da mineirice. Êh, meu doutor de confabulanças! Como sorvi aprendizado nas veredas da sua criação! Do mesmo jeito ocorreu com Mário Palmério, nas vilas dos confins e nos chapadões dos bugres; ele um político da Arena ditatorial, mas também revelador das misérias que alimentam a política rasteira dos grotões mineiros.
Paro por aqui. Meu imo me impede de suspeitar do gabinete que deu leito e jeito aos versos de Drummond. Afinal, assessorar o ministro Capanema na ditadura getulista terá sido um crime de tão profundas influências? E será lícito duvidar das andanças de Machado de Assis pelas ruas e almas do Rio antigo? O burocrata feio e epiléptico passeou de charrete entre corpetes e suspiros das meninas sonhadoras e das viúvas apetecíveis. E como há viúvas na obra machadiana! Será porque ele se casou com uma? Que me responda o jornalista e escritor Sylvio Abreu, apreciador e profundo conhecedor dos alfarrábios do bruxo do Cosme Velho.
Quem muito lê, muito aprende e apreende. Volto a Paul Ricoeur, que na mesma entrevista revelou que “quando era um jovem professor em Estrasburgo, em 1948, decidi ler um autor de cabo a rabo durante o ano, portanto viver num autor. Para ensinar bem um autor, é preciso habitá-lo! A seguir, a vida obriga a morar em várias casas. E não saio de uma dessas casas a não ser por uma espécie de violência. De repente, há uma passagem brusca de uma a outra. Mas um problema permanece: todas as filosofias podem ser verdadeiras ao mesmo tempo?”
Que me respondam os sábios, pois a empatia que me faz cultuar tantos inventores de utopias não é suficiente para que os compreenda nas invencionices de cada vírgula.
Afinal, que sei eu, mero empinador de pipas nesse vendaval de sapiências?

(*) Jornalista
herminioprates@ig.com.br
Imagem: O filósofo francês Paul Ricoeur

Memória comunista


20 anos da morte de Caio Prado Jr.

Milton Pinheiro (*)

No último dia 23 de novembro fez 20 anos da morte daquele que é considerado o nosso maior historiador, Caio Prado Jr. Esse pensador e homem de ação marcou o debate intelectual e político brasileiro, ao tempo em que agia sobre a realidade social, como militante do Partido Comunista Brasileiro, onde ingressou em 1931, permanecendo em seus quadros, até sua morte em 1990. Foram 59 anos de uma militância constante.
Caio Prado Jr. nasceu no dia 11 de fevereiro de 1907, na cidade de São Paulo e sua vida pode ser sintetizada por uma frase que ele citara no seu discurso como deputado estadual do PCB, na primeira sessão da primeira legislatura de 1947, da Assembléia Legislativa de São Paulo: “É por ação que os homens se definem”. Portanto, para conhecimento da história do Brasil, da luta pelo socialismo e da memória do PCB, é importante registrar a vida do camarada Caio Prado Jr., sem dúvida, o nosso maior intelectual.
Em 1924, Caio Prado Jr. ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, já em 1926 participou do primeiro congresso dos estudantes de direito, em Minas Gerais, e, em 1927, publicou o seu primeiro artigo no periódico A Chave, intitulado “A Crise da Democracia Brasileira”. Em 1928, tornou-se bacharel em Direito. Nessa mesma ocasião foi preso em São Paulo por fazer uma saudação à candidatura de Getúlio Vargas, ao se dirigir ao então candidato Júlio Prestes. Em 1930, participou da Revolução como membro de um comitê de apuração dos crimes do governo anterior.
Em 1932, começou a publicar artigos, já com conteúdo marxista, examinando, naquele período, a economia brasileira. Nesse mesmo ano, fundou o Clube dos Artistas Modernos (CAM) e, em 1933, viajou para a URSS e, no retorno, publicou o livro Evolução Política do Brasil – Ensaio de Interpretação Materialista do Brasil. Logo depois, em 1934, publicou URSS: um Mundo Novo e, nesse mesmo ano concluiu a tradução do livro de Bukhárin, Tratado de Materialismo Histórico, fato de grande relevância histórica para a luta ideológica no Brasil, pois passávamos a ter literatura marxista entre nós. Ainda em 1934, enquanto participava de vários cursos na USP, que havia sido recentemente fundada, juntamente com vários intelectuais europeus e brasileiros, fundou a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB).
O ano de 1935 se reveste de grande ebulição. São as lutas contra o governo autoritário de Getúlio Vargas e a construção de um instrumento de frente única chamado de ALN (Aliança Libertadora Nacional). Caio Prado Jr. foi eleito o vice-presidente da ALN em São Paulo e, nesse mesmo ano, passou a ser o diretor do jornal A Platea, onde escreveu e publicou o programa da ALN. O ano prossegue com grandes agitações políticas, em novembro, ocorreram o levante comunista e o governo popular e provisório de três dias na cidade vermelha de Natal, logo sufocado pelas tropas de Vargas a serviço da burguesia. A partir daí, desenvolveu-se uma gigantesca repressão aos comunistas e aliancistas por todo o país. Nessa onda repressiva ocorreu a prisão de Caio Prado Jr. no Rio Grande do Sul que depois foi trazido para São Paulo, onde ficou preso até 1937. Quando foi solto, ainda no ano de 1937, viajou para o exílio na França, onde desenvolveu intensa atividade intelectual e política. Fez cursos na Sorbonne, viajou pelo Norte e Noroeste da Europa e exerceu forte ação de solidariedade aos refugiados da Guerra Civil Espanhola. De 1937 a 1939, enquanto esteve na França, militou no Partido Comunista Francês e, nele exerceu muitas atividades políticas. Durante esse período escreveu muitos textos, em especial, pesquisa historiográfica, relatos de viagens, debates sobre cultura e uma discussão sobre a gênese e a evolução do socialismo.
No seu retorno ao Brasil, empreendeu várias viagens pelo interior do país, ficando mais tempo no estado de Minas Gerais e escrevendo textos sobre essas viagens, bem como um estudo sobre a questão urbana da cidade de São Paulo, publicado em 1941.
Em 1942, foi lançada sua grande obra Formação do Brasil Contemporâneo, que tem como eixo central o estudo da formação social brasileira e a sua transformação. Assim como Marx, no Capital, para Caio Prado jr., o estudo da realidade brasileira e sua formação social e histórica contém os elementos de suas característica atuais e os elementos para sua transformação. Apesar de ser uma obra respeitada e elogiada por historiadores de todos os tempos, mais do que uma grande pesquisa historiográfica, o objetivo subjacente é o conhecimento da realidade para sua transformação revolucionária.
Durante o ano de 1943, Caio Prado Jr. fundou a editora Brasiliense e escreveu diversos artigos sobre historiografia, em especial o Roteiro para Historiografia do Segundo Reinado (1840-1889). No ano seguinte, o intelectual comunista resolveu fazer articulações políticas para derrubar o governo Vargas, viajando para a Argentina e o Uruguai, onde manteve contato com intelectuais, todavia, mesmo com essa intensa movimentação política, continuou escrevendo textos historiográficos sobre algumas regiões do Brasil, sobre índios, povoamento e limites geográficos.
No ano de 1945, com o processo de democratização do Brasil e a legalidade do PCB, Caio Prado Jr. disputou a eleição para deputado federal na lista do Partido em São Paulo, mas ficou na terceira suplência. Ainda naquele ano, foi publicado o livro História Econômica do Brasil, e, logo em seguida, ele foi eleito para a Comissão Política do I Congresso Brasileiro de Escritores. Pouco depois, lançou a coleção Problemas Brasileiros pela editora Brasiliense.
Em 1946, Caio Prado Jr. aprofundou seus escritos nos diários políticos que fazia e participou, no PCB, dos debates sobre as candidaturas a deputado estadual que ocorreria no ano seguinte. Nas eleições de 1947, elegeu-se deputado estadual pelo PCB e participou intensamente dos debates no parlamento, onde apresentou emendas e projetos para a constituição paulista de 1947. Durante sua legislatura, dentre vários projetos, vale ressaltar que apresentou o projeto de criação da Fapesp (Fundação de amparo à pesquisa do estado de São Paulo), que se transformou em um dos mais importantes instrumentos de apoio à pesquisa no Brasil. Nesse mesmo ano, Caio Prado jr. publicou no jornal do PCB, A Classe Operária, o artigo “Fundamentos econômicos da revolução brasileira” onde criticou algumas avaliações e teses do partido.
A luta política e ideológica se acirrou no Brasil, o registro do PCB foi cassado em 1948 e Caio Prado Jr. teve seu mandato cassado juntamente com outros deputados comunistas pelo país. Ficou preso durante três meses e, quando foi solto, viajou para a Polônia, Tchecoslováquia e França. Durante esse período, trabalhou em textos filosóficos e prosseguiu em viagens pelos países da Europa, quando participou do Congresso da Paz em 1949, realizado em Paris pelo Partido Comunista Francês.
Nos anos de 1950 e 1951, Caio Prado Jr. se dedicou ao estudo da filosofia e publicou, em 1952, o livro, em dois tomos, Dialética do Conhecimento.
Um dado importante para a memória da luta ideológica no Brasil é que, em 1954, foi fundada, por Caio Prado Jr. a gráfica Urupês, que foi responsável pela publicação de farto debate sobre a realidade brasileira. Ainda nesse mesmo ano, Caio Prado Jr. concorreu à cátedra de Economia Política na USP, todavia, mesmo tendo sido aprovado no concurso de Livre-docência, não recebeu a cátedra na faculdade de direito.
Em 1955, foi lançado o primeiro número da histórica revista Brasiliense e, já no número 2, Caio Prado Jr. escreveu o artigo “Nacionalismo Brasileiro e Capitais Estrangeiro”. Nos anos seguintes continuou seu trabalho intelectual e, em 1957, publicou o livro Esboço dos Fundamentos da Teoria Econômica.
Entre 1960 e 1962, Caio Prado Jr. viajou pelos países socialistas, URSS, China e, em Cuba, participou das comemorações do III aniversário da revolução, integrando a delegação brasileira. Em 1962, no seu retorno, publicou o livro O Mundo do Socialismo.
Com o golpe civil-militar de 1964, saiu o último número da revista Brasiliense (51). Caio Prado Jr. foi preso novamente e, passou uma semana encarcerado no DOPS. Essa nova conjuntura brasileira e suas preocupações com a transformação da realidade encontraram em Caio Prado Jr. um esforço intelectual intenso, pois em 1966 ele lançou o clássico A Revolução Brasileira. Esse livro produziu um grande impacto na esquerda em nosso país e a perseguição política da ditadura avançou. Caio Prado jr. fugiu do Brasil em 1970 para o Chile, mas foi preso ao retornar nesse mesmo ano e assim permaneceu por quase dois anos. Foi indiciado em inquérito policial-militar (IPM) e condenado. Ficou preso, primeiro na casa de detenção Tiradentes e depois no quartel de Quitaúna, quando foi solto em agosto de 1971.
Embora esse ano de 1971 tenha sido um ano em que ficou preso, mesmo assim, publicou o livro O Estruturalismo de Lévi-Strauss – o marxismo de Louis Althusser.
A partir daí, começou o processo de recolhimento de Caio Prado Jr., porém continuou em articulação com as ações do partido e produzindo intelectualmente, publicando ainda, textos e livros, todavia, em 1979 ele ficou doente e passou por um período muito difícil até 1982, com o mal de Alzheimer. Continuou trabalhando muito, desenvolvendo suas reflexões intelectuais e, em 23 de novembro de 1990, morreu aos 83 anos, em São Paulo. Seu corpo foi velado na biblioteca Municipal Mário de Andrade e foi sepultado no Cemitério da Consolação.
Calava-se a voz, paralisava-se a caneta do maior intelectual da história do PCB e do maior historiador do Brasil. Mas suas ações e suas formulações pautaram a luta e o pensamento sobre a revolução em nosso país. Serve como marca indelével para o futuro socialista pelo qual todos nós lutamos.


(*) Milton Pinheiro é professor de Ciência Política da Universidade do Estado da Bahia – Uneb, editor da revista Novos Temas e membro do CC do PCB.

Crime sem precedentes



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluirá seus oito anos no poder com uma gestão marcada pela corrupção entre seus "mais próximos aliados", com uma "praga" de compra de votos no PT e sem ter dado uma resposta ao crime no Brasil. Essa é a avaliação da diplomacia americana sobre a gestão de Lula e os principais elementos de seu governo, escancarando a avaliação do governo americano em relação a Lula, revelam documentos do Wilileaks, segundo o site de O Estado de S.Paulo


RÚSSIA


A Rússia qualificou de caso sem precedentes a publicação pelo site Wikileaks de intercâmbios de mensagens diplomáticos nas missões estadunidenses em todo o mundo, assinala a imprensa local. Nada tem de particular que os estados leiam textos diplomáticos uns dos outros, mas outra coisa é quando essas informações se fazem públicas e de conhecimento de todas as nações interessadas, declarou uma fonte da Chancelaria, citada pela imprensa de Moscou.O governo estadunidense foi incapaz de manter a confidência em tarefas que encomendou a sua própria diplomacia, assegurou a fonte.


Com respeito à Rússia, os referidos documentos (cerca de 251 mil materiais) não constituem nenhum problema, pois nada de novo revelam com respeito à imagem deste país e de sua situação atual, assinala o diplomata, que preferiu o anonimato.Tal imagem é uma fusão dos instintos e preconceitos muito difundidos a diversos níveis no "establishment" do serviço exterior, político-militar e de inteligência estadunidense com respeito a esta nação e tudo relacionado à ela, disse a fonte.


O ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, considerou ontem que as relações com os sócios de seu país se guiará por ações concretas e não precisamente pelo conteúdo de supostos documentos confidenciais da diplomacia norte-americana.As revelações do Wikileaks demonstram as avaliações de diplomatas estadunidenses sobre as relações entre o presidente russo, Dmitri Medvedev, e o premiê Vladimir Putin, bem como caracterizações de ambos e outros servidores públicos do estado.Além disso, os vazamentos estão referidos a comentários realizados por especialistas russos durante as negociações com a parte norte-americana no ano passado em Genebra em torno do Tratado de Redução e Limitação de Armas estratégicas (START-3).



EQUADOR



A chancelaria equatoriana informou hoje a decisão de seu governo de convidar Julian Assange, criador do site Wikileaks, para que exponha aqui sua documentação relacionada com países da América Latina e com o Equador. O objetivo, detalha a nota oficial, é conhecer de primeira mão tal informação através de conferências e oferecer a Assange a possibilidade de realizar um trabalho investigativo e formar ao mesmo tempo investigadores no Equador.Não obstante, esclarece a chancelaria, "se o senhor Assange solicitasse asilo ao Equador, poderia tramitar-se este pedido, de acordo com as normas vigentes no país".


Assange é um jornalista australiano, programador e ativista de Internet, que no dia 25 de julho de 2005 tornou público 92 mil documentos sobre a guerra do Afeganistão, nos quais se faziam revelações importantes sobre civis.Essas vítimas civis, denunciou, foram provocadas por soldados dos Estados Unidos e de países aliados, o chamado fogo amigo, com conexões entre a inteligência paquistanesa e os insurgentes talibãs, entre outros.


WikiLeaks é um site que publica relatórios anônimos e documentos vazados com conteúdo sensível nos temas religião, corporação ou governamental, preservando o anonimato de suas fontes. Foi lançado em 2006 e está liderado por Assange.


No domingo, o site revelou 250 mil documentos entre os quais embaixadores estadunidenses comentam e avaliam os líderes mundiais, além de informação sensível sobre terrorismo e proliferação nuclear.Também revela que o secretário geral da ONU , Ban Ki-Moon, e representantes da China, Rússia, Reino Unido e França, todos eles membros permanentes do Conselho de Segurança, se encontram na mira dos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

Coreia versus Coreia



Pelo segundo dia consecutivo continuam ardendo as chamas do enfrentamento armado na península da Coreia. Labaredas de fogo e colunas de fumaça continuam se levantando sobre a ilha sul-coreana de Yeonpyeong, no mar Amarelo, alvo de quase 200 projéteis norte-coreanos disparados do mar e da terra. Os Exércitos do Norte e do Sul receberam a ordem de abrir fogo diante de uns primeiros indícios de novas provocações.
A primeira reação de Seul e Tóquio foi um pânico e choque. Depois, umas consultas urgentes, especialmente com os Estados Unidos. A Coreia do Sul destacou para Pyeonpyeong, pelo sim pelo não, um grupo da Força Aérea, incluindo uns caças. Os Estados Unidos, cujos militares estão aquartelados tanto na Coreia do Sul como no Japão, declararam estarem preparados para apoiar Seul na eventualidade de um conflito em larga escala. Por outro lado, o Pentágono anunciou que seu Exército não planeja por enquanto quaisquer ações na península da Coreia em resposta à provocações norte-coreana. Essa posição, pelo visto, não podia deixar de decepcionar as cabeças mais quentes em Seul e em Tóquio, aqueles que esperavam um apoio militar de Washington em caso de conflito com Pyongyang.
A reação de Moscou foi também equilibrada no mais alto grau. Os diplomatas e os militares dispararam um “tiro duplo”. O chanceler russo Serghei Lavrov enviou um sinal inequívoco à península da Coreia, advertindo que o recurso à força militar é inadmissível em quaisquer circunstâncias. Entretanto, umas fontes militares no Extremo Oriente noticiaram que as tarefas relacionadas à manutenção da segurança estão sendo cumpridas dentro do normal, porém acompanhadas de recolha de dados e análise da situação criada.
Como era de se esperar, o incidente foi acompanhado de umas balelas das quais uma falava sobre uma sessão extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Moscou, por seu lado, preveniu contra tentativas de colocar o carro adiante dos bois. Nem Pyongyang, nem Seul se propõem reivindicar convocação do Conselho de Segurança – assinalou Konstantin Kossatchiov, presidente do Comitê para os Assuntos Internacionais na Câmara Baixa do Parlamento federal da Rússia. E embora os canhões já falassem, a situação continua tão pouco transparente, especialmente no que diz respeito às ações da Coreia do Norte, que seria prematuro dar a comunidade internacional uma qualificação categórica para esses acontecimentos – declarou. Entretanto, Dmitri Mossiakov, do Instituto de Estudos Orientais junto à Academia de Ciências da Rússia, disse:
"Os canhões parece não terem ainda esfriado, e já a China, que, pelo visto, possui uma informação exaustiva sobre o que se está passando na Coreia do Norte, logo disse: vamos, queremos que decidam uma paz imediata, paz, paz! Tudo isso há se se acalmar".

A rapidez com que a China interveio no caso é mais uma prova de que esse país se sente muito preocupado com a possibilidade de assumir a situação as dimensões de um conflito de longe mais grave.
Ao mesmo tempo, Beijing, agindo em sua condição de patrocinador das conversações realizadas dentro do “Grupo dos Seis”, formado pela China, Estados Unidos, Rússia, Japão e as duas Coreias, com relação à problemática nuclear da península da Coreia, exortou a retomá-las com urgência.(Com a Voz da Rússia, inclusive ilustração)

Wikileaks, acusações


(Iván Lira/Rebelión/Divulgação0

Mostra de Zélio em BH


ALELUIA! UMA EXPOSIÇÃO DO ZÉLIO EM BEAGÁ

Flávio Anselmo – 30/11/10

Olhai que excelente notícia eu recebi via email do meu conterrâneo e guru, Zélio Alves Pinto: “Oi, minino Flavim! Tá feliz, né? Atlético salvo, Cruzeiro tentando e o Ameriquinha dentro. Os olhos do Brasil se voltarão mais vezes para as Gerais no 011, verás! Gosto de lê-lo por que gosto, e, também por suas entrelinhas, onde fico sabendo, em linguagem civilizada - parece que eu estou ouvindo - e pelos rebates, sobre a praça Cesário Alvim, sobre os amigos encontrados mundo afora e até sobre os segredos das ante-câmeras do nobre esporte bretão (escorreguei!)”.

* A Praça Cesário Alvim aí é o Jardim Grande em Caratinga. Minha dúvida ao falar sobre o Zélio é se eu digo que ele é o maior artista plástico do País e um dos maiores do mundo, ou se ele é um dos melhores cartunistas do País pra não criar atrito familiar com seu irmão cartunista Ziraldo.

* Por mais de uma vez, o Ziraldo já me revelou que o Zélio sim, é o gênio da família do seo Geraldo, saudosa figura humana e de dona Zizinha, não menos saudosa.

QUALÉ A BOA?

Mas disse no início da Trincheira que havia recebido uma grande notícia. Cadê? Deixemos que o próprio Zélio a transmita: “Falando nele – nota do redator: do dito “futebol bretão” - participo de uma exposição onde se reúnem 11 artistas (Granato, Tozzi, Gruber, Peticov e o locutor que vos fala, entre outros), focado nas vantagens do futebol assim como os brasileiros o vêm”.

* E continua Zélio: “Uma expressão artística de agilidade física e de raciocínio criativo. Uma arte, enfim. Aliás, a exposição se chama "Futebol Arte" e será aberta em Belo Horizonte, na Galeria Quadrum - não sei endereço , mas sei que é fácil -, no dia 2 de dezembro, lá pelas oitemeiadanoite, acho. Vamos estar lá e seria ótimo se você pudesse aparecer e avisar aos amigos de antanho, que devem estar, todos, em sua agenda e com os quais não faço contato há décadas”.

* “Você poderia me ajudar no acesso a estes amigos encontrados nas Minasgerais. Não sei onde achá-los mas você sabe. Por favor, me dá uma força aí. E como vai a saúde, heim? Tásecuidanodiritim? Faça isso, menino. E recebaí o abraçamigodozélio”.

* Fiz questão de reproduzir a mensagem do Zélio, com as suas próprias características, pra você ver que eu sou amigo do homem, realmente. Não é lenda, não! Rsrsrsrsr.

* Aqueles artistas citados – Granato, Tozzi, Gruber, Peticov – pelo Zélio pra mim seriam nomes de craques de times da Europa. Ainda sou minimo meio bobo lá do Caratinguinha véio de guerra.

ORLANDO SILVA SEM CARTAZ

Circula na Internet e me foi enviada por alguém que se diz chamar Maria Alves a informação seguinte: “Uma das boas notícias do futuro ministério Dilma, é a possibilidade da deputada Manuela D’Avila, do PCdoB, vir a substituir Orlando Silva no Ministério do Esporte.
* Que Dilma queira ficar com alguns ministros de Lula é compreensível, mas é difícil justificar a permanência de um ministro que, flagrado na compra de uma tapioca com cartão corporativo, fez despesas indevidas de quase R$ 30 mil, que foram devolvidas aos cofres públicos, como finais de semana no Rio, hospedagem para a babá da filha, além de refeições em outros estados, embora a agenda anunciasse sua presença em Brasília.

* O fato de Silva ter devolvido o dinheiro, é prova suficiente de que ele foi gasto irregularmente. Se é para aproveitar o ministro Orlando Silva em algum cargo, que se encontre a direção de um arquivo morto onde quer

* Visto eu não ter nada a favor, nem contra, o Ministro Orlando Silva, e nem conhecer a deputada Manuel D’Avila, do PCdoB, me pergunto: por que tô publicando esta nota aqui nesta importante Trincheira esportiva?

* Dona Dilma, presidente, escolhe quem quiser. É direito dela.

FÉRIAS ALEGRES

Jogadores e comissão técnica do América entraram de férias. A diretoria, no entanto, promete continuar no trabalho de renovar contratos, entre eles o do técnico Mauro Fernandes. O Campeonato Mineiro terá início no dia 29 de janeiro e o objetivo do Coelho é levar o troféu. Para os torcedores que clamam por reforços, o diretor Alexandre Mattos avisa que já está atrás de alguns nomes importantes.

* As férias terminam dia 3 de janeiro e seria bom que o elenco se apresentasse junto com os novos e necessários reforços, além do técnico Mauro Fernandes, claro.

MAIS MENSAGENS

O leitor Francisco Sampaio, com certeza de Governador Valadares, pois recebe a Trincheira via Langlebert Drumond, meu amigo da bela Gevê, manda mensagem:
“Langlebert, caso você tenha acesso ao Flávio Anselmo, diga a ele que a diretoria do Galo tem que manter o Dorival, dando-lhe condições de peneirar o plantel (que tem vários jogadores que não merecem estar no CAM), e indique alguns reforços. Obrigado...Chico Sampaio”.

* Coincidentemente, Domenico Bhering participou do debate público que conduzi no Clube Mineiro da Cachaça, por ocasião da noite de autógrafos do meu livro Divinas Marias e confirmou que Dorival Júnior tem contrato até o final de 2011.

* E que indicará reforços ao presidente Alexandre Kalil. Pelo menos é isso que, imagino, o Chico Sampaio queira saber. Se, como deu a entender, também, quer que eu indique reforços pro Galo, o primeiro da minha lista é o Lionel Messi. O segundo, Cristiano Ronaldo. Rsrsrsrsrs.Flávio AnselmoAcesse meu bloghttp://www.flavioanselmodepeitoaberto.blogspot.com/

Direito ao dissenso



Beatriz Vargas Ramos (*)

“Segundo a investigadora Vera Malaguti, o inimigo público número um está sendo esculpido tendo por modelo o rapaz bisneto de escravos, que vive nas favelas, não sabe ler, adora música funk, consome drogas ou vive delas, é arrogante e agressivo, e não mostra o menor sinal de resignação” (Eduardo Galeano, De pernas para o ar: a escola do mundo ao avesso).
Desde domingo passado (21/11/2010), quando surgem os primeiros incêndios de veículos nas ruas do Rio de Janeiro e a imprensa dá início à cobertura dos fatos, uma voz vem repercutindo e crescendo acima do burburinho e do bombardeio – o outro bombardeio, o das imagens, estáticas ou dinâmicas, que vem de todas as direções. Parece existir uma esperança no ar, algo semelhante àquele sentimento que paira em final de copa do mundo, de que, desta vez, sim, a vitória está garantida!
Diz-se que a vitória em questão é a da guerra contra o crime, em especial, o tráfico de drogas, o mais hediondo de todos, encarnado pelo inimigo público nº 1, aquele que convoca todos os ódios, medos e paixões.
Percebe-se em transmissões de rádio e TV uma entonação diferente na voz, um olhar diferente, outra respiração, uma adrenalina, certa dose de euforia, embora contida, na pronúncia de trechos inteiros de um discurso carregado de armamento mortal contra o traficante das drogas ilícitas, uma verdadeira descarga de metralhadora como esta: “Acuados centenas de criminosos, operação prossegue, 450 homens do BOPE e das polícias Militar e Civil do Rio, com apoio inédito de veículos blindados da Marinha, provocou a fuga de centena de criminosos da Vila Cruzeiro”... Tudo parece indicar um final feliz, vence o mocinho e o bandido é eliminado.
Surge no horizonte um outro Cabral que refunda (palavra que voltou à moda recentemente) um marco histórico e promete, a partir do Rio, (re)descobrir um novo Brasil em meio aos escombros da batalha contra o crime. Esse Cabral é jovem, cheio de testosterona, como todos os corpos machos envolvidos, heróis ou bandidos desta guerra. Chama a bandidagem para a briga, diz que não vai recuar, não tem medo de terrorista. A ênfase que a imprensa tem dado a esse Cabral não é a de líder de um governo estadual com “estratégias bastante distintas do padrão vigente”, como Cláudio Beato escreveu hoje na Folha de São Paulo (26/11/2010, A-3).
Estão dizendo na TV que os brasileiros querem blindados e tanques de guerra para defender a “sociedade dos ataques dos criminosos”. E esses brasileiros existem e para nos provar sua existência são levados para a tela da TV. Formam, certamente, a tal maioria numérica (grupo que, sozinho, está em quantidade superior à metade do grupo inteiro) necessária para emplacar um plebiscito pela pena de morte, por exemplo. Despontaram na telinha pessoas que estão acreditando nisso, precisam acreditar, que as Forças Armadas vencerão a guerra contra o tráfico. Houve um cidadão que chegou a manifestar expressamente sua crença de que “no fim, o bem vencerá o mal”. O que estão pedindo os moradores das próprias áreas ocupadas pelas tropas e blindados? Exatamente isso, tropas e blindados! Nunca a voz da favela ecoou tão diretamente ou repercutiu de forma tão imediata junto ao Poder Público. Vocês querem o BOPE? Vocês querem o exército e a marinha? Pois tomem BOPE, tomem exército, tomem marinha! Não é a segurança um direito do cidadão? Na linguagem mercadológica: satisfação total do cliente! As mortes de crianças, idosos, jovens, homens e mulheres não diretamente envolvidos são efeitos colaterais do combate necessário.
Ora, mas essa é a fala dos que querem fazer da segurança pública a máquina para matança de brasileiros pobres, traficantes ou não traficantes, bandidos ou mocinhos! Esse discurso pode se voltar facilmente contra UPP’s, contra polícia cidadã, pode minar condições para construção de qualquer coisa distinta do BOPE e reverter as possibilidades de tratamento da questão da violência na linha dos direitos humanos.
Hoje eu ouvi no rádio um comentarista dizendo que Forças Armadas são treinadas para matar o inimigo e, portanto, “se todos querem as Forças Armadas nesse conflito, que depois não venham chorar os cadáveres espalhados”.
Sinto-me mal, dói a cabeça, o estômago arde, fico indignada... Discuto sozinha na sala, em frente à TV... O Merval Pereira também entende de segurança pública! Estamos salvos... E eu que nem sabia dessa... Já cheguei a pensar que ele era o dublê de voz do Alf, o ETeimoso , mas – quem diria! – não sabia de sua expertise em estratégias contra o crime. Acaba de sugerir o corte de todo e qualquer tipo de comunicação, com o mundo externo, dos líderes do tráfico que saíram de Catanduvas para Porto Velho.
E se a queima de automóveis não for por causa das UPPs? E se as milícias tiverem uma função mais importante nesse cenário?
Entretanto, não é implausível que traficantes dos morros do Rio reajam desta forma se estiverem diante da dificuldade de sobrevivência dos pontos de comercialização da cocaína ou, pior, na iminência de perder o controle sobre a venda da droga proibida.
(Aos traficantes “incluídos”, aptos ao exercício do consumo graças ao negócio lucrativo da cocaína, não interessa a descriminalização, porque outra é a lógica do mercado lícito, onde reassumirão o status de simples excluídos da ordem legal – dominada que é pela elite financeira, pelos ricos que podem consumir qualquer droga ilícita ou comercializá-la impunemente).
Como será que reagiriam, por exemplo, os empresários do fumo e do álcool se, por qualquer razão, absurda razão, fossem ameaçados de perder seu business? A diferença entre ambos, além, é claro, do selo de licitude/ilicitude do produto comercializado, é que o primeiro negócio gera muito mais dinheiro e movimenta uma outra indústria da morte, a das armas e munições.
Algum dia talvez se possa desmanchar esse falso consenso de que o proibicionismo penal, com a produção de cadáveres, culpados ou inocentes, vai derrotar o tráfico e deixar o Rio de Janeiro – e o resto do mundo – livre da droga. Hoje já se percebe alguma tolerância em relação à maconha, fala-se em consumo recreativo de maconha na Califórnia, a maconha é cultivada na Califórnia. Está deixando de ser negócio de índio e está virando negócio de branco. Não demora a sair a legalização...
Essa guerra não é nossa. Não é carioca, não é brasileira e nem sulamericana. Que me desculpem certas personagens da nova esquerda punitiva, limpinha, engomadinha e que não fala palavrão, é injustificável o investimento de tantos recursos a serviço na eliminação física dos pobres. Massacre não significa mais segurança pública, é apenas o serviço do business dos equipamentos e tecnologias de segurança produzidos pelos países ricos. Essa guerra não existe para acabar com a droga. Jamais terá fim essa guerra infinita. Somente pausas, tréguas, intervalos. É para ser consumida no formato novela, seriado. Trata-se da guerra pela guerra, um outro bom negócio que não pode acabar, neverending war...
Produto altamente rentável no mercado, a guerra também é sensacional. Ela consome armamento e tecnologia e vende cinema, novela, jornal, cultura para a massa. Imagens reais e fictícias. A guerra vende sensação. No fim, a guerra é do mesmo partido que a droga, o partido da sensação, ela promete o mesmo que a droga.
Ainda pior que o consenso da lógica beligerante no terreno das drogas é a impossibilidade do dissenso – arrogante, violenta e antidemocrática. Por que não discutir princípio de segurança pública, ao invés de alimentar o espetáculo produtor de ethos heróicos e guerreiros, papéis historicamente destinados aos eternos derrotados, de ambos os lados, dessa estúpida guerra, os jovens pobres que vêm do mesmo lugar, uns para serem policiais e outros para serem bandidos? Não, isso não é um setde filmagem, isso é real.
É real o fogo marginal que se espalha pelo asfalto fazendo vítimas de verdade. Não é faz-de-conta o fogo oficial que sobe o morro para deixar mais corpos no chão. Ao final, a luz não vai se acender, não haverá cortinas a se fecharem sobre uma grande tela escura por onde desfilarão os créditos da obra. Não, não haverá um fundo musical, enquanto nós, passivos espectadores, mudamos de canal, do jornal nacional para a novela das oito, com a agradável sensação de que é o mundo que está mudando para melhor (ou para pior, quem sabe?). O depois será o saldo da violência, a morte, a dor, a intensificação do ódio, na sequência, o esquecimento e, com ele, outros jovens, pobres e negros, retomarão os postos dos bandidos mortos. A guerra continua, já pode recomeçar.
Essa queima de carros e ônibus praticada no palco social visível da classe média pede uma resposta imediata, é verdade, uma reação pronta, de força e manutenção da ordem. Mas é pontual, uma reação momentânea, porque não dá para transformar as forças armadas na força de segurança das cidades brasileiras, seja o Rio ou qualquer outra. Irmão invisível, grande irmão que nos vê a todos, anjo do bem que abre para nós suas janelas de ver o mundo, deixe-nos em paz com nosso sofrimento. Não nos queira convencer que essa guerra é boa, que é a única saída possível e vai nos livrar de todo mal da droga para sempre, amém.
A discussão pública corre o risco de seguir, mesmo depois do fim das recentes eleições, a mesma linha estúpida, simplificadora e maniqueísta entre o bem e o mal, no caso, a guerra ou a droga. Por favor, que se respeite ao menos o direito que as minorias (grupo que, sozinho, é menor que a metade do grupo inteiro) têm ao dissenso!

(*) Beatriz Vargas Ramos é advogada e professora.
Ilusrração: Charge de Latuff/Divulgação)

Resoluções da Intersindical


Resolução do III Encontro Nacional da Intersindical


SEGUIR AMPLIANDO A INTERSINDICAL – UM INSTRUMENTO A SERVIÇO DE DESVELAR A LUTA DE CLASSES RUMO AO SOCIALISMO


As centenas de trabalhadores e trabalhadoras reunidos no III Encontro Nacional da Intersindical realizado entre os dias 13 e 15 de novembro de 2010 na cidade de Campinas /SP, após intensos debates acerca da realidade que vivemos no Brasil e no mundo e dos desafios que temos a enfrentar como um dos instrumentos que contribuem para reorganização do movimento da classe trabalhadora define como prioridade para o próximo período:
Seguir com unidade e coerência entre nossa elaboração e ação: Isso significa dizer que é preciso ver a realidade de nossa classe para além das fronteiras das nações. O Capital para recuperar-se de mais uma de suas crises intensificou os ataques à classe trabalhadora: demissões, redução de direitos e salários, é a formula fundamental para que o Capital busque a recuperação de seus lucros.
O Estado age como uma das principais contratendencias para o que o Capital se recupere. Fartos recursos públicos injetados nas indústrias e bancos que logo se transformarão numa conta que o Estado cobrará dos trabalhadores.
O exemplo disso está por toda Europa, os governos preparam pacotes que vão desde a redução drástica dos programas sociais até eliminação de direitos dos trabalhadores. As greves gerais na Grécia no inicio desse ano contra as medidas impostas pelo governo em reduzir direitos e salários, as intensas greves gerais na França contra o pacote do governo que começa por aumentar a idade para aposentadoria dos trabalhadores. É o Estado cumprindo seu compromisso com a classe economicamente dominante: garantir fartos recursos ao Capital e cobrar essa fatura exatamente daqueles que produzem o lucro para esse mesmo Capital: os trabalhadores.
Nossa classe reage em intensas e extensas lutas em mais uma demonstração que a luta de classes pulsa de maneira densa, ora escancarada como se vive na Europa, ora oculta como em outros espaços desse mundo.

No Brasil a aparência do: “nada nos atingirá”: Em 2008 o governo dizia que a crise não chegaria aqui, para logo depois proclamar que ao chegar seria apenas uma marolinha. Para além da retórica do presidente a realidade: demissões em massa, redução de salários e direitos em categorias e regiões do país onde vários sindicatos e suas respectivas centrais pelegas ao invés de organizar a luta, escolheram a parceria com os patrões.
Já no segundo semestre de 2009 e por todo ano de 2010 a impressão que se manifesta no Brasil é que as saídas do Capital para crise tiveram um efeito “ameno” contra os trabalhadores. Pura expressão, nada mais do que uma forma que tenta ocultar o conteúdo.O Estado se endividou até as tampas para garantir investimentos públicos para salvar empresas e bancos, isentou e diminuiu impostos das grandes indústrias e assistiu “indignado” o mesmo Capital demitir, arrochar salários e reduzir direitos.A dívida que o Estado na Europa tentar colocar na conta dos trabalhadores logo chegará ao Brasil.

Reformas, arrocho, maior intensificação dos ritmos de trabalho são as propostas dos patrões com o apoio dos governos que nos esperam em 2011.CONTRA ESSES ATAQUES SÓ A ORGANIZAÇÃO E A LUTA QUE ROMPE COM AS CERCAS E NOS COLOCA EM MOVIMENTO COMO CLASSE.
A Intersindical não sucumbiu ao pacto com os patrões e seus respectivos governos, nas saídas impostas pelo Capital. Mais do que dizer não a redução de direitos e salários, organizamos a luta a partir dos locais de trabalho. Em seguida em vários ramos a partir de greves e paralisações da produção conseguimos reajustes salariais superiores a períodos anteriores, como garantimos a manutenção e ampliação de direitos.
Mas é preciso avançar ainda mais. O processo de precarização das condições de trabalho se intensifica através das terceirizações, contratos temporários, intensificação e aumento dos ritmos e da jornada que têm aumentado o número de acidentes, doenças e mortes nos locais de trabalho.
O necessário salto de qualidade é ampliar nossa organização e ação que rompa com as cercas impostas que nos dividem entre categorias, formais e informais, efetivos e terceirizados, desempregados, trabalhadores da cidade e do campo, imigrantes, isso tudo tem como objetivo explorar ainda mais nossa força de trabalho e fragmentar nossa luta.
A Intersindical seguirá organizando a luta a partir dos locais onde o Capital e seu Estado atacam a classe trabalhadora: nos locais de trabalho, moradia e estudo e seguirá tendo a iniciativa de unidade de ação com todas as organizações que não sucumbiram ao pacto com os patrões e seus governos e estão dispostas a ampliar a luta por nenhum direito a menos a para avançar nas conquistas.
A cada passo de nossa organização e luta a tarefa de desvelar o que o Capital e seus instrumentos tentam ocultar: a luta de classes e a necessidade de superar a sociedade capitalista e construir uma sociedade socialista.
Como prioridade já para o primeiro trimestre de 2011 organizarmos mobilizações nos locais de trabalho que reúnam as diversas categorias como passo que rompa com o corporativismo imposto pelos patrões e governos. Além disso, tomaremos a iniciativa de propor juntos a outras organizações do movimento sindical e popular que estejam dispostas a lutar a organização de um DIA NACIONAL DE LUTAS, que dever ser o inicio do processo das intensas mobilizações que devemos organizar contra os ataques que irão se intensificar no próximo período.COM A CLASSE E NÃO EM SEU NOME
No processo de reorganização do movimento sindical, a Intersindical não sucumbiu ao mais do mesmo, ou seja, conseguimos consolidar e ampliar esse instrumento nascido em 2006 agindo nas contradições reais de nossa classe.Não nos pautamos pela analise mecânica e superficial que basta decretar uma nova central para que os problemas de fragmentação da classe trabalhadora estejam resolvidos. E ao não abrir mão de seguir construindo a Intersindical- Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora, a ampliamos em diversos ramos e estados do país, pois o fizemos com a nossa classe e não apenas em seu nome.
Acreditamos que a criação de novos instrumentos que possam garantir unidade de organização e ação numa central sindical, serão frutos das ações que formos capazes de organizar a partir da base onde os trabalhadores vivem no dia a dia os ataques do capital e não a partir de decretos com data e hora pré-determinada em nome da classe, sem a classe.
A partir de nossa analise, do balanço, das ações organizativas e de luta que nos trouxeram até aqui o III Encontro Nacional decide seguir ampliando a Intersindical como um Instrumento de Organização e Luta que contribui de maneira determinante para o processo de reorganização que vivemos.
Intensificaremos a ampliação de nosso Instrumento de Organização, como ampliaremos nossas lutas nos locais de trabalho, estudo e moradia e seguiremos tendo as iniciativas necessárias de unidade de ação com as todas as demais organizações que estejam dispostas a de fato lutar.
POR NENHUM DIREITO A MENOS E PARA AVANÇAR NAS CONQUISTASPARA CONTRUIR A GREVE GERAL PARA DERROTAR O CAPITALAQUI ESTÁ A INTERSINDICAL

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O POVO COME VENENO


Quem são os responsáveis?

João Pedro Stedile (*)

O Brasil se transformou desde 2007, no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E na última safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma média anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. Uma vergonha. Um indicador incomparável com a situação de nenhum outro país ou agricultura.
Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, a Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell química, etc.
O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente esse ano foram treinados 716 novos pilotos. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.
Há diversos produtos sendo usados no Brasil que já estão proibidos nos países de suas matrizes. A ANVISA conseguiu proibir o uso de um determinado veneno agrícola. Mas as empresas ganharam uma liminar no “neutral poder judiciário” brasileiro, que autorizou a retirada durante o prazo de três anos... e quem será o responsável pelas conseqüências do uso durante esses três anos? Na minha opinião é esse Juiz irresponsável que autorizou na verdade as empresas desovarem seus estoques.
Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que tem de manter sua matriz na base do monocultivo e sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim eles podem colher com as máquinas num mesmo período. Pois bem esse veneno secante vai para atmosfera e depois retorna com a chuva, democraticamente atingindo toda população inclusive das cidades vizinhas.
O Dr. Vanderley Pignati, da Universidade Federal do Mato Grosso, tem várias pesquisas comprovando o aumento de aborto, e outras consequências na população que vive no ambiente dominado pelos venenos da soja.
Diversos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e da Universidade Federal do Ceará já comprovaram o aumento do câncer, na população brasileira, conseqüência do aumento do uso de agrotóxicos.
A ANVISA – responsável pela vigilância sanitária de nosso país - detectou e destruiu mais de 500 mil litros de venenos adulterados, somente esse ano, produzido por grandes empresas transnacionais. Ou seja, além de aumentar o uso do veneno, eles falsificavam a fórmula autorizada, para deixar o veneno mais potente, e assim o agricultor se iludir ainda mais.
O Dr. Nascimento Sakano, consultor de saúde, da insuspeita revista CARAS escreveu em sua coluna, de que ocorrem anualmente ao redor de 20 mil casos de câncer de estomago no Brasil, a maioria conseqüente dos alimentos contaminados, e destes 12 mil vão a óbito.
Tudo isso vem acontecendo todos os dias. E ninguém diz nada. Talvez pelo conluio que existe das grandes empresas com o monopólio dos meios de comunicação. Ao contrário, a propaganda sistemática das empresas fabricantes que tem lucros astronômicos é de que é impossível produzir sem venenos. Uma grande mentira.

A humanidade se reproduziu ao longo de 10 milhões de anos, sem usar venenos. Estamos usando veneno, apenas depois da segunda guerra mundial, para cá, como uma adequação das fábricas de bombas químicas agora, para matar os vegetais e animais. Assim, o poder da Monsanto começou fabricando o Napalm e o agente laranja, usado largamente no Vietnã. E agora suas fábricas produzem o glifosato, que mata ervas, pequenos animais, contamina as águas e vai parar no seu estomago.
Esperamos que na próxima legislatura, com parlamentares mais progressistas e com novo governo, nos estados e a nível federal, consigamos pressão social suficiente, para proibir certos venenos, proibir o uso de aviação agrícola, proibir qualquer propaganda de veneno e responsabilizar as empresas por todas as conseqüências no meio ambiente e na saúde da população.

(*) João Pedro Stedile é membro da via campesina Brasil.

Postura dúbia do Brasil


A postura política do Brasil de negar a existência de ameaças terroristas no país contrasta com as ações dos serviços de segurança brasileiros, na avaliação descrita pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília em documento secreto divulgado pelo site Wikileaks. A informação foi divulgada pelo site da BBCBrasil.
"O comunicado, enviado pela embaixada americana no último dia do ano passado, faz parte do pacote de mais de 250 mil “telegramas diplomáticos” (comunicações entre embaixadas e outros canais diplomáticos) americanos aos quais o Wikileaks teve acesso e começou a divulgar neste domingo", acrescenta a agência britânica.
“Há dois discursos separados no governo do Brasil sobre contraterrorismo; politicamente, o Brasil continua a negar a presença e a ameaça potencial de terroristas e do terrorismo no Brasil, enquanto os órgãos de aplicação da lei e de inteligência monitoram e cooperam para combater a ameaça”, diz o documento.
Segundo o documento diplomático, um dos quatro relacionados ao Brasil já divulgados pelo Wikileaks, os serviços de segurança e inteligência do país “estão preocupados com a possibilidade de que terroristas explorem o território brasileiro para apoiar e facilitar ataques terroristas, domesticamente ou no exterior, e concentraram seus esforços nas áreas de São Paulo, nas tríplices fronteiras entre Brasil, Argentina e Paraguai e entre Brasil, Colômbia e Peru e nas fronteiras com a Colômbia e com a Venezuela”.
Outro documento anterior, enviado pela embaixada americana em janeiro de 2008, afirma que o Brasil “é um parceiro cooperativo nas atividades de contraterrorismo” no país, mas observa que o tema é politicamente sensível.
O comunicado da embaixada cita prisões feitas pela Polícia Federal de indivíduos com supostas ligações com o extremismo, mas sob acusações de crimes não relacionados, como narcotráfico e contrabando, para evitar chamar a atenção.
“Os mais altos níveis do governo brasileiro, particularmente o Ministério das Relações Exteriores, são extremamente sensíveis a quaisquer afirmações públicas de que terroristas podem ter uma presença no Brasil – seja para arrecadar fundos, organizar logística ou mesmo transitar pelo país – e rejeitam vigorosamente qualquer afirmação que sugira isso”, diz o telegrama.
Para a embaixada, essa sensibilidade do Itamaraty teria como explicação um temor de estigmatizar a comunidade islâmica no Brasil ou de prejudicar a imagem da região como destino turístico.
O documento cita ainda uma suposta postura pública das autoridades brasileiras de evitar serem vistas como muito próximas à chamada ‘Guerra ao Terror’ americana, considerada muito agressiva.
Consultada pela BBC Brasil, a assessoria de comunicação da Polícia Federal disse que o órgão não comentaria o assunto, por se tratar de documentos internos do governo americano.
O Itamaraty também afirmou que não se pronunciaria sobre o assunto.
Dilma
Os documentos americanos sobre o Brasil também demonstram uma preocupação com o arquivamento de um projeto de lei sobre contraterrorismo, em novembro de 2007, e citam uma suposta ingerência da presidente eleita Dilma Rousseff, então ministra-chefe da Casa Civil.
Um dos comunicados observa que “alguns relatos noticiosos sugeriram que a poderosa chefe de gabinete do presidente Lula enterrou o projeto de lei, que tinha sido atacado por alguns ativistas sociais e grupos que temiam que a lei fosse usada contra eles e o compararam à repressão da era militar”.
O documento cita a opinião de vários analistas ouvidos pelos diplomatas americanos em busca de informações sobre as razões que levaram ao arquivamento do projeto.
Informações secretas
Outro documento divulgado pelo Wikileaks relata um encontro em 2005 entre o então embaixador americano em Brasília, John Danilovich, e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Felix.
No relato de Danilovich, os dois discutiram as ações brasileiras de combate ao terrorismo e outras áreas de possível cooperação entre os dois países.
O general Felix teria comentado ao embaixador que uma área na qual o Brasil tinha dificuldades e gostaria de ajuda americana era na proteção aos seus sistemas de computador com informações secretas.(Com a BBCBrasil)

Paraguai pede explicações



O governo paraguaio pedirá explicações aos Estados Unidos, através de sua embaixadora em Assunção, sobre as operações de espionagem realizadas aos quatro candidatos presidenciais de 2008.


Héctor Lacognata, ministro de Relações Exteriores, declarou a repórteres que é prematuro para o Executivo se pronunciar em relação a este tema, mas considerou "que, caso se confirme, seria bastante grave".Lacognata disse que ao meio dia desta segunda-feira a embaixadora estadunidense aqui, Liliana Ayalde, irá à chancelaria "para lhe solicitar explicações com relação a estas publicações".Indicou que "lhe apresentaremos uma nota oficial do governo paraguaio, para que por essa mesma via o governo dos Estados Unidos possa nos comunicar da veracidade e alcance desta denúncia".Quiçá uma vez que tenhamos esta informação, que possamos cotejá-la, tenha algum tipo de pronunciamento oficial do governo paraguaio nas próximas horas, remarcou.O titular de Exterior afirmou que neste momento "nossa tarefa fundamental é a solicitação de dados aos protagonistas desta situação".Meios de imprensa internacionais publicaram ontem informações fornecidas pelo site Wikileaks, as quais denunciaram que o governo estadunidense ordenou a seus diplomatas no Paraguai recolher dados sobre os candidatos à presidência em 2008.


As informações demandavam a obtenção de dados biométricos, impressões digitais, fotografias, escâneres da íris e informação genética do atual presidente Fernando Lugo, e dos candidatos Blanca Ovelar, Luis Castiglioni e do general aposentado Lino Oviedo.


O Departamento de Estado pediu também a seus diplomatas em Assunção a confirmação da existência ou não de poços de hidrocarbonetos na região do Chaco paraguaio e a informação sobre o narcotráfico e a construção de mesquitas no país latino-americano, limítrofe com Argentina, Brasil e Bolívia, entre outros temas.

ESCÂNDALO INTERNACIONAL



Soube-se que entre si os diplomatas americanos chamam ao presidente da França Nicolas Sarkozy de “rei nu”, ao presidente do Afeganistão Hamid Karzay, de “paranóico”, ao primeiro ministro da Rússia Vladimir Putin, de “maioral da matilha”, à chanceler da Alemanha Angela Merkel, de “arrogante”, ao primeiro ministro da Itália Silvio Berlusconi de “mulherengo” e ao líder do Irã Mahmoud Ahmadinejad de “Hitler”




O mundo diplomático enfrenta o seu “11 de setembro”. Órgãos mais eminentes da mídia de diversos países publicaram a correspondência secreta das embaixadas dos EUA com o Departamento de Estado, - um ato, capaz de minar a confiança entre os Estados. Os documentos contêm não somente informações sobre conluios secretos, mas também características pouco lisonjeiras dos lideres de diversos países.
Foi o site “Wikileaks”, famoso por escândalos, em que tinha sido implicado, que forneceu estes documentos ao jornal americano “New York Times”, ao britânico “Guardian”, ao jornal francês “Lê Monde” e ao periódico espanhol “El País”.


Como se soube mais tarde, fez isso a tempo pois no dia de publicação de mais uma porção de materiais o site de “Wikileaks” foi arrasado por “hackers”. No entanto, a informação já tinha penetrado no povo.
Tanto os inimigos tradicionais de Washington, como os seus amigos de longa data souberam que a opinião de diplomatas americanos a seu respeito era mais do que baixa. Soube-se que entre si os diplomatas americanos chamam ao presidente da França Nicolas Sarkozy de “rei nu”, ao presidente do Afeganistão Hamid Karzay, de “paranóico”, ao primeiro ministro da Rússia Vladimir Putin, de “maioral da matilha”, à chanceler da Alemanha Angela Merkel, de “arrogante”, ao primeiro ministro da Itália Silvio Berlusconi de “mulherengo” e ao líder do Irã Mahmoud Ahmadinejad de “Hitler”.
É de se compreender que durante as próximas conversações com representantes dos EUA ou nos almoços conjuntos os sorrisos nos rostos de personalidades acima mencionadas serão mais do que forçados. Mas é pouco provável que isso exerça uma grande influência sobre o sistema de relações internacionais, - opina o vice-presidente do Comitê de relações internacionais da Duma de Estado da Rússia Andrei Klimov.
Isso não vai favorecer a diplomacia mundial. É que a troca de opiniões entre os representantes diplomáticos e os seus dirigentes é uma coisa muito confidencial. Mas a fim de elaborar uma decisão correta às vezes é preciso descrever mais exatamente uma certa situação. E se os diplomatas tiverem em conta na sua correspondência que ela talvez venha a aparecer um dia na imprensa, receio que neste caso os dirigentes dos Estados tomem decisões na base de informação incompleta e duvidosa. Mas isso é muito perigoso.
Uma vez que esta atitude é inerente a todas as diplomacias mundiais, é pouco provável que os lideres dos Estados guardem rancor de Washington. Certamente, é desagradável que estas “alcunhas” se tornaram públicas. Mas muito mais perigosas são informações sobre os jogos secretos dos EUA e dos outros países. Por exemplo, a informação de que o rei Abdallah da Arábia Saudita tinha exortado os EUA a infligir um golpe contra o Irã “a fim de cortar a cabeça desta serpente” pode violar a estabilidade no mundo árabe.


A situação na península da Coréia pode ser agravada pela publicação de dados secretos de que a China, a Coréia do Sul e os EUA tinham discutido um plano de unificação dos dois Estados coreanos. Não contribuem para a tranquilidade as informações de que a República Popular Democrática da Coréia tinha fornecido ao Irã dezenove mísseis, capazes de atingir a Europa Ocidental e os EUA concordaram em fornecer a Israel bombas aéreas, especialmente destinadas para golpes contra objetos nucleares do Irão.
Washington já fez uma declaração acerca de “Wikileaks”. Na opinião de autoridades americanas, “Wikileaks”, mina com as suas publicações a estabilidade mundial e põe em perigo a vida e o trabalho de diplomatas americanos. As informações publicadas não exprimem a política oficial dos EUA. Com este seu comentário Washington reconheceu praticamente que os dados, publicados pela “Wikileaks” não são um falso. Pode-se apenas conjeturar as conseqüências que estas e outras publicações, que talvez venham mais tarde, possam acarretar. (Com a Voz da Rússia)


(Imagem: montagem feita pela Voz da Rússia)

Greve no metrô de Londres




Um novo protesto contra o plano de ajuste orçamental paralisou hoje o metrô de Londres e obrigou milhões de pessoas a buscar nas ruas geladas outras alternativas de transporte. No que constitui sua quarta jornada de greve de 24 horas desde setembro, os trabalhadores do metrô londrino recusam o anunciado corte de 800 postos de emprego no setor.


Os empregados mantêm fechadas desde ontem à noite duas linhas e várias estações da rede pública do metrô e os demais trens trabalham parcialmente, o que provoca grandes atrasos.


Enfrentando uma severa onda de frio que se estenderá até o fim de semana, milhares de passageiros se locomovem nesta segunda-feira a pé ou fazem longas filas nos pontos de ônibus.


De acordo com fontes oficiais, ao redor de três milhões de passageiros utilizam diariamente o metro de Londres e cada dia de paralisação implica a perda de cerca de 59 milhões de euros.Ontem, milhares de membros dos sindicatos de transporte recusaram o pacote de medidas de austeridade implementado em meados de outubro pelo governo conservador de David Cameron.


O programa de cortes contempla, entre outros temas, uma reforma ao sistema de prestações sociais com propostas de sanções para desempregados que recusarem uma oferta de trabalho das agências de contratação.A eliminação de cerca de um milhão de postos de trabalho faz parte da política de ajustes com a qual o Governo pretende reduzir o déficit fiscal do país, equivalente a 11 por cento do Produto Interno Bruto.(Com a Prensa Latina)

Obras inéditas de Picasso


Um eletricista aposentado do sul da França que trabalhou para o pintor espanhol Pablo Picasso revelou 271 trabalhos até então desconhecidos do artista.
Pierre Le Guennec, de 71 anos, apresentou litografias, pinturas cubistas, cadernos e uma aquarela avaliadas em cerca de US$ 80 milhões (quase R$ 140 milhões).
Le Guennec diz que recebeu os trabalhos de presente do pintor durante o período em que instalou alarmes antirroubo nas numerosas casas de Picasso na França, em 1973.
Mas os administradores do patrimônio do pintor entraram com um processo por recebimento ilegal das obras de arte.
Trabalhos raros
De acordo com o jornal francês Liberation, as obras incluem uma aquarela do "Período Azul" do pintor.
Outros avalistas dizem que os nove trabalhos cubistas de posse de Lê Guennec valem, sozinhos, aproximadamente US$ 53 milhões.
O correspondente de arte do jornal francês Vincent Noce disse à BBC que algumas obras datam de quando Picasso chegou a Paris e era completamente desconhecido, em 1900.
"Elas são valiosas por seu significado histórico. Mais de 200 são desenhos e alguns são o que chamamos de colagem cubista. Em 1915 ele estava trabalhando com (Georges) Braque e fazendo todo tipo de experimento. Então estas colagens são muito raras, porque a maioria delas foi destruída quando ele mudava de um atelier para outro", afirmou.
Em setembro, o eletricista contactou os administradores do patrimônio em uma tentativa de ter as obras autenticadas por seu filho, Claude.
No entanto, Claude Picasso disse não ter acreditado na explicação de Le Guennec sobre como conseguiu as obras.
A família do pintor já teria reportado o caso ao Escritório Central pela Luta Contra o Tráfico de Bens Culturais, da Unesco, e dado início a um processo contra o eletricista aposentado.
A polícia já interrogou Le Guernnec em sua casa na Cote D´Azur e confiscou as pinturas. (Com a BBCBrasil)

A Guerra do Rio


A farsa e a geopolítica do crime

José Claudio S. Alves (*)

Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.
Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.
O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.
De um lado, milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.
Exemplifico. Em Vigário Geral, a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela milícia. Hoje, a milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.
Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”.
Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.
Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônicos na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparato que ocupa militarmente, etc.
Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadam Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?
Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas.
Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico.
Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.
A farsa da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.
Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro, que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e áreas pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos faz esquecer que ela tem outra finalidade e não a hegemonia no controle do mercado do crime no Rio de Janeiro?
Mas não se preocupem. Quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Pontos Maravilha da cidade.
Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.

(*)José Claudio S. Alves é sociólogo da UFRRJ
(Imagem: Al Jazeera/Divulgação)

Semana de Solidariedade ao Povo Palestino no Brasil



FLORIANÓPOLIS/SC

Dia: 29 de novembro de 2010 - segunda-feira
Horário: 16:30h
Local: Sala 331 - Centro de Filosofias e Ciências Humanas - CFH- UFSC - Trindade - Florianópolis
Atividade: Cinedebate com o filme: VALSA COM BASHIR
trailer: http://www.youtube.com/watch?v=Ak_2NWhr_g4
Organização: UJC - http://br.mc562.mail.yahoo.com/mc/compose?to=ujcpcbsc@googlegroups.com e http://br.mc562.mail.yahoo.com/mc/compose?to=carobellag@gmail.com

Dia: 30 de novembro de 2010 - terça-feira
Horário: 19h
Local: Câmara de Vereadores - Plenário do Centro Legislativo Municipal - Rua Anita Garibaldi, 35 - Centro
Atividade: Sessão Solene e Ato político com convidados e autoridades
Lei 34/40 PMF – 1990 - 29 de novembro - Dia Municipal de Solidariedade ao Povo Palestino em Florianópolis
Lei nº 13850 - 2006 - Dia Estadual de Solidariedade ao Povo Palestino em Santa Catarina
Organização: Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino - http://br.mc562.mail.yahoo.com/mc/compose?to=comitepalestinasc@yahoo.com.br

FOZ DO IGUAÇU – PR

Dia: 29 de novembro de 2010 - segunda-feira
Horário: 18h
Local: Câmara dos Vereadores de Foz do Iguaçu
Atividade: Ato de Solidariedade ao Povo Palestino. O encontro vai reunir autoridades políticas, religiosas e civis de Foz do Iguaçu e Ciudad Del Este. Em Foz, a cidade abriga centenas de palestinos, maioria possui família ou amigos no território oprimido.
Estará presente o representante dos países da Liga Árabe no Brasil, embaixador Bachar Yagui.
Organização: Sociedade Árabe Palestina Brasileira de Foz do Iguaçu
contato Jihad Ali 045 99151819


SÃO PAULO/SP

Dia: 29 de novembro de 2010 – segunda-feira
Horário: 14h
Local: sala 263 do prédio da Letras - USP
Exibição do documentário: Palestina Espera
(Palestine is waiting, EUA-Palestina, 2001, cor, 10 min -documentário)
Direção: Annemarie Kattan Jacir
Há mais de 5 milhões de refugiados palestinos, muitas vezes indesejados, vivendo em condições-limite em todo o mundo.
Participação: Maren Mantovani
Analista política, diretora de Relações Internacionais da Campanha Palestina contra o Muro do Apartheid e Representante para a América Latina do Comitê Nacional Palestino por Boicotes, Sanções e Desinvestimento (BNC)

Dia: 29 de novembro de 2010 - segunda-feira
Horário: 19h
Local: Auditório Franco Montoro - Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - Av. Pedro Álvares Cabral, 201
Atividade: Ato político com convidados e autoridades, exibição de curta-metragem e poesias árabes. Participação de representante do movimento Stop the Wall.
Organização: Frente em Defesa do Povo Palestino
https://mail.google.com/mail/h/1ogc1fzxbhzhf/?v=b&cs=wh&to=frentepalestina@yahoo.com.br

Dia: 4 de dezembro de 2010 - sábado
Horário: 16h
Local: Matilha Cultural - Rua Rego Freitas, 542
Atividade: Exibição dos filmes:
Ponto de Encontro (Encounter Point) - Direção: Júlia Bacha e Ronit Avni. Documentário, 85 min, 2008 e Nós e os Outros (Selves and Others, A Portrait of Edward Said) - Direção: Emmanuele Hamon. Documentário, 54 min, 2003.
Haverá debate com a participação de companheiros que participaram do Fórum Mundial da Educação na Palestina
Realização: Núcleo de Estudos Edward Said - Instituto da Cultura Árabe, Oboré e Matilha
Apoio: Frente em Defesa do Povo Palestino
https://mail.google.com/mail/h/1ogc1fzxbhzhf/?v=b&cs=wh&to=contato@icarabe.org

Campinas/SP

Dia: 29 de novembro de 2010 – segunda-feira
Locais e atividades: Câmara Municipal de Campinas – homenagem à data Parque da Paz e Memorial Yasser Arafat – visitação pública
Colóquio – Mostra Afro-brasileira – Secretaria Municipal de Educação
Realização: Instituto Jerusalém do Brasil
https://mail.google.com/mail/h/1ogc1fzxbhzhf/?v=b&cs=wh&to=institutojerusalembr@terra.com.br

PORTO ALEGRE/RS
Dia: 29 de novembro de 2010 - segunda-feira
Horário: 19h
Local: Plenarinho da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul – Praça Mal. Deodoro, 101 – Centro – Porto Alegre
Atividade: Sessão com convidados, Embaixada da Autoridade Palestina na República Federativa do Brasil e Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados)
Organização: Comitê Gaúcho de Solidariedade ao Povo Palestino
https://mail.google.com/mail/h/1ogc1fzxbhzhf/?v=b&cs=wh&to=comitepalestinars@gmail.com

RIO DE JANEIRO/RJ
Dia: 29 de novembro de 2010 - segunda-feira
Horário: 18h
Local: IFCS-UFRJ (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro) - Largo de São Francisco
Atividade: Ato político em defesa do povo palestino. Lançamento da Campanha Mundial de BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel e da Campanha de Boicote Acadêmico e Cultural. Exposição do livro “Impressões de uma brasileira na Palestina”
Organização: Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino
https://mail.google.com/mail/h/1ogc1fzxbhzhf/?v=b&cs=wh&to=vivaintifada@gmail.com


AÇÃO MIDIÁTICA
Divulgação do balanço da maratona na Semana contra o muro e das atividades do dia 29 de novembro
Coordenação: Ciranda Internacional da Informação Independente e Movimento Palestina para Tod@s
http://www.ciranda.net/ e http://www.palestinalivre.org/.

Sua presença é fundamental!
Queremos convidar a todos os partidos, sindicatos, movimentos sociais e populares, além dos companheiros e companheiras para prestar um dia de solidariedade ao perseguido povo palestino que há 63 anos resiste heroicamente ante todas as arbitrariedades (bombas, humilhações, perseguições políticas, torturas legalizadas...) cometidas pelo Estado terrorista de Israel.

29 de novembro é dia de Manifestação de Solidariedade Internacional com o Povo Palestino, realizadas simultaneamente em várias capitais do mundo. Nesta data o território histórico da Palestina foi arbitrariamente dividido, favorecendo a criação do Estado de Israel.

Território onde havia uma sociedade construída por árabes, e que a partir daí passaram a ser vítimas da limpeza étnica promovida pelas milícias sionistas. No ano de 1948, quase a totalidade das terras palestinas (cerca de 94%) foram tomadas militarmente pelo Estado de Israel. Hoje mais de seis milhões de palestinos vivem em campos de refugiados espalhadas pelos países árabe e no mundo. Ainda hoje, Israel controla 65% da Cisjordânia e 40% da Faixa de Gaza, com seu exército e sua força paramilitar (os colonos) implementando um regime de terror cujos métodos de crueldade se assemelham aos dos nazistas alemães.

Até quando ficaremos indiferentes aos veículos militares e tratores invadindo bairros e destruindo casas onde moram os palestinos? Até quando vamos permitir a construção de outros “muros da vergonha” como o que Israel está construindo dentro do território da palestina ocupada, transformando-a num verdadeiro campo de concentração, vigiado sistematicamente, usurpando terras e destruindo a teia social palestina?

É preciso somar forças e nos solidarizarmos com a heróica luta do povo palestino que teimosamente insiste em dizer não a essas arbitrariedades. É necessário e urgente dizer que “terrorismo” não é resistir (usando quaisquer formas de luta) ao Estado terrorista de Israel. Terrorismo é impedir um povo de desfrutar de sua própria terra, é impedir a existência de uma pátria livre do colonialismo e do imperialismo. Terrorismo é matar crianças com bombas e mísseis disparados de helicópteros e aviões nos bairros onde vive a população civil palestina. Terrorismo é barrar uma mãe grávida num posto policial ou do exército, impedindo que a mesma tenha a atenção necessária na hora do nascimento de seu filho.

VENHA CONHECER MELHOR A HISTÓRIA
DESSA LUTA!
Palestina livre!
Viva a Intifada! Resitência até a vitória!
Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
"Um beduíno sozinho não vence a imensidão do deserto, é preciso ir em caravana"
http://www.vivapalestina.com.br/
http://www.palestinalivre.org/

O PARAÍSO EM SUAVES PRESTAÇÕES

Somos, todos nós, vítimas em potencial dos

bem nutridos gurus que nos fazem consumir


Hermínio Prates (*)


Pesquisa encomendada pelo comércio varejista chegou à conclusão que as classes D e E continuam sem dinheiro, mas dispostas a comprometer o parco salário em infindáveis prestações. Classe D, como decidiram os pesquisadores, é aquela que tem renda familiar de até quatro salários mínimos e a E pouco mais de mil reais, bem abaixo do que seria necessário para a sobrevivência de uma família de até quatro pessoas.

Segundo a ABEP – Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa -, quase 85% dos brasileiros estão no que imaginam ser o nirvana do consumismo. Índice idêntico aos que aprovam o governo do torneiro-mecânico que não deveria ter dado certo, para desencanto dos mandarins que trafegam pela paulicéia cada vez mais desvairada com a implosão da serra dos desiludidos.
O estudo, tido como científico, garante que a atual euforia consumista é idêntica àquela do início do Plano Real, quando os sem teres e haveres acreditavam ter alcançado o paraíso. E tome compras, sempre com crediários a perder de vista, para alegria dos lojistas, barões dos bancos e de financeiras e economistas de aluguel que teorizam para os donos do poder, pois estes sempre ganham com ou sem estabilidade da moeda.
Não sou especialista em economia, mas nem é preciso para perceber que o que está acontecendo não é nenhum milagre. Simplesmente os mesmos “afortunados” que hipotecaram a alma nos infindáveis crediários finalmente pagaram a última prestação e estão propensos a começar tudo de novo, pois o consumismo é a ideologia reinante. É preciso comprar, mesmo que para cada real referente ao custo do bem adquirido se paguem dois ou três a título de juros, taxas, ou que outro nome tenha nesse sucedâneo da mais-valia desenfreada.
Somos, todos nós, vítimas em potencial dos bem nutridos gurus que nos fazem consumir. E para facilitar o trabalho de convencimento em massa até fatiaram a sociedade em castas, sempre de acordo com o que cada um tem e não com o que cada um é. Para eles, o importante é TER e não SER.
Nessa linha de raciocínio a televisão - e a Globo, por excelência - força o consumo, inclusive com artificiosas mentirinhas, que seriam “inocentes” se não fizessem parte da grande estratégia da enganação.
Exemplo? Outro dia a televisão mostrou fila enorme de jovens que passaram a madrugada ao relento e, na manhã seguinte, disputaram aos empurrões e aos milhares não uma vaga na universidade e muito menos um emprego com salário gordo, mas, simplesmente, o direito à aquisição de um celular de última geração, que filma, fotografa, dá acesso à internet, disponibiliza webcam, baixa filmes e clips musicais e, além de outras miuçalhas virtuais, até permite as ligações convencionais. Uma estupidez dessas, merecedora de uma reprimenda educativa, foi incensada em todos os canais noticiosos como se fosse a chegada do homem a Marte. Mocinhas e mocinhos, patricinhas e mauricinhos abnegados dos templos do consumo fútil, foram entrevistados e disseram do grande sacrifício e da incalculável conquista que foi a aquisição do artefato eletrônico, ao custo de quase dois mil reais. Imaginem a inveja e a frustração dos milhões de adolescentes que viram ou ficaram sabendo dessa oitava maravilha da modernidade, a que não terão acesso. Nada também foi dito que a sangria não era desatada, pois nos próximos dias chegaria às lojas aparelhos de mesma sofisticação e de menor preço.
E a televisão, na ânsia de fazer mais uma louvação aos que sugam, em gotas mensais, o ralo sangue dos consumidores deslumbrados, incentiva a ida às lojas de tudo quanto há e aos balcões que vendem dinheiro. É preciso fazer circular a riqueza – asseguram os sacanas – mas escamoteiam que só resta a pobreza para aqueles que se escravizam sob o cabresto da publicidade bem urdida.
A televisão, que ainda é a ponta-de-lança nesse ataque contra os desvalidos e a favor da enganação, nunca quis saber do eterno conflito entre o plim-plim da caixa registradora e a responsabilidade social de um veículo que deveria assimilar a defesa da sociedade.
Todos se lembram que a mídia, no reinado de Fernando II – o sociólogo do ócio e não o caçador de marajás -, na ânsia de agradar aos neoliberais de plantão - ou, quem sabe, justificar a gorda fatura publicitária -, transformou a desprotegida dona Maria em símbolo daquele país de economia “forte”, desenvolvimento “crescente” e moeda “estável”. Depois do frango, do iogurte e da dentadura, o reeleito ociólogo do nhém nhém nhém se divorciou da gentalha e decidiu transformar o computador em novo símbolo da inserção social, embora milhões ainda não pudessem comprar e nem soubessem para que servia aquela “televisão” cheia de mistérios que só uns poucos dominavam e usufruíam.
Não teria sido mais ético e útil se a imprensa tivesse usado a mesma dona Maria das prestações sem fim como motivo para um correto proceder de autêntico jornalismo, esse mesmo jornalismo que o finado Papa João Paulo II reconheceu como sendo o real objetivo dos meios de comunicação? É, o homem de branco disse que o jornalismo deveria ser usado como defensor dos oprimidos e enriquecedor cultural da humanidade. Se não foi isso, foi quase, pois o que disse o Cardeal Karol Woytilla sempre teve muito valor nesse mundo globalizado, embora não possa ser aceito como santo dizer, pois o passado de colaboracionista dos nazistas e de incentivador da ganância ocidental sobre o patrimônio coletivo dos países que nunca se esconderam atrás de cortina de ferro nenhuma, deve ser analisado sob a ótica da isenção. Aliás, a expressão “cortina de ferro” foi dita por Joseph Goebbels, repetida por seu sucessor, Johann Ludwig Graf Schwerin von Krosigh, mas quem dela se apropriou foi o esperto Winston Churchill, mestre em anotar, incluir em discursos e posar como dono de falas alheias.
Voltando ao release eletrônico. Imagine que impacto teria uma reportagem televisiva com a dona Maria, mostrando-a como realmente é, ou seja, uma mulher sozinha, discriminada, sub remunerada (também por ser negra e mulher), sustentando uma adolescente com o minguado salário, sem ter podido estudar por falta de escolas, tempo e condições, já que criou sozinha a filha, sofrendo com a violência urbana, morando longe e sem as mínimas condições urbanísticas, transporte caro e insuficiente e uma infinidade de mazelas para listar?
Essa sim, teria sido uma boa reportagem, mas a que se diz grande imprensa prefere o embuste, a manipulação dos fatos, os sofismas dos que defendem o status quo que favorece sempre aos que têm uma fatia do poder e não aos que são os verdadeiros heróis, mesmo no anonimato.


(*) Hermínio Prates é jornalista
(Imagem: Latuff/Divulgação)