terça-feira, 30 de setembro de 2014

Trincheira do Flávio Anselmo

                                                                  

AZUIS PEGAM ABC PELA COPA DO BRASIL SEM TIRAR FOCO DO INTER NO SÁBADO


Devido respeito ao ABC de Natal, que não se encontra nas quartas de final da Copa do Brasil por acaso. Tá bom! Porém, o jogo é em casa e qualquer tropeço aqui ainda dará condições de reabilitação na partida de volta em Natal. Portanto, é justo que o Cruzeiro entre com uma equipe mesclada esta noite no Mineirão porque qualquer leigo vê desgaste físico e psicológico em várias peças importantes do time. Por exemplo, o trio Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e Marcelo Moreno, além do lateral Maike estão no limite.

A realidade é que no sábado, contra o Internacional, vice-líder, seis pontos atrás do Cruzeiro, o time de Marcelo Pacote Oliveira precisa estar na ponta dos cascos. Uma derrota, fora dos planos azuis, colocaria fogo na caminhada em busca do bicampeonato visto que a diferença se reduziria a três pontos. Que o Cruzeiro jogue contra o ABC hoje à noite no Mineirão, fazendo um treino de luxo, pelo bem ou pelo mal, pra ficar bem resguardado e focado no colorado gaúcho. Que Pacote bote os meninos esfomeados no gramado logo.

HORA DA DESFORRA - Chegou a hora da desforra, e o momento é próprio pra isso. Cheio de moral após tirar o Corinthians do G-4 e ocupar o seu lugar, com uma boa série invicta e surpreendendo todos adversários com a velocidade de sua equipe mesclada, o Galo Doido pega o Timão, no Itaquerão, nesta quinta-feira, no jogo de ida pelas quartas de final da Copa do Brasil. É a hora da desforra porque os corintianos têm sido o grande carrasco dos atleticanos : em seis disputas foram seis eliminações.

No Brasileirão, o Galo Doido tem quatro vitórias seguidas enquanto o Timão paulista vem de duas derrotas, caiu fora do G-4 e seu treinador Mano Meneses está na berlinda. As eliminações impostas pelos paulistas aos mineiros foram nas quartas de final do Brasileiro de 1990, semifinal do Brasileiro de 94, oitavas de final da Copa Brasil de 97, decisão do Brasileiro de 99, quartas de final da Libertadores de 2000 e quartas de final do Brasileiro de 2002.

LEVIR TIRA LEITE DE PEDRA: A expressão que os analistas de futebol gostam muito de repetir, "tirando leite de pedra", serve perfeitamente pra nomear o trabalho que Levir Culpi tem feito nessa  sua nova passagem pelo Atlético. Rapaz, fazer uma equipe capaz de sair lá da rabeira do campeonato brasileiro e figurar alguns jogos depois no seleto clube do G-4. O Galo já tem 43 pontos e 12 vitórias. E o treinador nunca teve o elenco completo à sua disposição e por isso, recorreu à divisão de base do clube encontrando resposta imediata às necessidades que tinha pra montar uma equipe. Poucos acreditaram no sucesso desta montagem.

As coisas vieram acontecendo aos poucos. No princípio, o discurso do Levir era de que o time ia bem, mas negava fogo na hora da finalização. Que as bolas dos adversários tinham sempre a direção das redes do Atlético e os chutes atleticanos no máximo acertavam as traves. As coisas foram mudando e os ventos favoráveis vieram. Na última partida, contra o Vitória de Salvador, no Horto, a torcida recorde achou que a má fase estava de volta. A bola não entrava, apesar da excelente atuação de Diego Tardelli, Guilherme, Marcos Rocha e, enfim, quase todo time. Veio só no segundo tempo, quase no final, quando Guilherme e Tardelli marcaram a vitória por 2 a 0 e que trouxe o galo de volta pro G-4.

O treinador alvinegro sabe que perderá Tardelli pra seleção brasileira por uns três jogos importantes, porém teve a boa notícia da liberação do Departamento Médico dos jogadores Dátolo, Luan, Jô e Marion. Estarão já a disposição de Levir pro jogo contra o Corinthians, em São Paulo, pela Copa do Brasil.

Seguirão no DM: o volante Rafael Carioca, com estiramento na coxa e que tem sido bem substituído por Leandro Donizete. No meio da zaga, ainda estão em recuperação Rever e Emerson, que não fazem falta com a segurança de Jemerson, outro garoto da base. Lucas Cândido, Pedro Botelho, Maicosuel e Claudinei, outros lesionados não liberados. É gente d

MINISTÉRIO PÚBLICO CONTRA-ATACA- Pelo meu gosto o banimento das torcidas organizadas jamais seria temporário. Seria uma medida legal, votada no Congresso Nacional e com sanção da Presidência da República. Só que o pessoal lá de cima tem medo de que tais decisões acabem no Supremo Tribunal Federal por ferir algum direito do cidadão previsto na Constituição Federal. Duvido. A nossa carta máxima protege o cidadão contra medidas que privem seus direitos individuais, sem que haja um processo legal, com ampla defesa. No caso das organizadas, não é tirado o direito do cidadão de Bem se reunir. Eles se reúnem, mas quando estas associações transformam-se em quadrilhas de vândalos e assassinos não existe nenhuma cobertura constitucional.

ESSAS ORGANIZADAS há anos, desde quando foram inventadas, não se sabe por quem, mascararam-se de entidades filantrópicas, ou transformaram-se em entidades secretas, sem donos, perigosas e vivendo longe do alcance da lei. Foi preciso que cometessem vários desatinos, mortes, atos de vandalismo praquê a sociedade tomasse providência através de seus órgãos de representação: a mídia, que os denunciou; o Ministério Público que despertou do seu marasmo e a Justiça morosa que resolveu caminhar, lentamente, alguns passos.

SÓ SÓCIOS TORCEDORES - É preciso que a ação da Justiça ande mais depressa.  Que puna os culpados e pregue suas caras na Imprensa, pra mostrá-los à sociedade e pra que ela se livre deles. Os acontecimentos do último Atlético e Cruzeiro criam uma expectativa de punição apenas para os clubes, os menos culpados na história. Já fizeram de tudo, inclusive com grandes perdas financeiras pra se livrarem deste câncer.

A melhor sugestão esta Trincheira tenha dado outro dia: não se vender mais ingressos nas bilheterias nem anonimamente. Torcedor que quiser ingresso pra qualquer jogo terá de apresentar carteirinha de sócio-torcedor, fichado no clube, com setor estabelecido no ingressos, sem poder mudar de lugar. Melhor, ainda, que na entrada apresente sua carteira de identidade que será cadastrada num desses aparelhos que usam nos aeroportos.

MP SUSPENDE ORGANIZADAS - A repercussão dos atos de selvageria cometidos por torcidas organizadas e torcedores bandidos isolados no último clássico Cruzeiro e Atlético azedou as relações que o MP tentava manter com as entidades. O Ministério Público deu o troco nesta segunda-feira, porque alguns problemas voltaram a acontecer no jogo Atlético x Vitória, com rojões explodindo.  As organizadas foram convocadas pra uma audiência na Promotoria de Justiça da Capital e tomaram conhecimento de que a Máfia Azul, Pavilhão Independente - do Cruzeiro - e a Galoucura, do Atlético estão banidas temporariamente dos estádios nacionais e dos seus arredores, num raio de cinco quilômetros nos dias de jogos.  A decisão vale por seis meses e se estende, também, por cinco clássicos futuros entre os dois clubes. 

As medidas punitivas, no meu entendimento, são mínimas pelo tamanho do estrago que as organizadas fizeram. O banimento, por se tratar de atos repetidos diversas vezes, apesar do termo de adequação firmado entre o MP e as organizadas, deveria ser perpétuo.  Elas terão o direito de defesa, claro, num prazo de 30 dias. Essa medida do MP, chamada de Educativa - kkkkkkk- pra gente sem educação, restringe os elementos vinculados às organizadas de usar qualquer vestimenta, boné, faixa, bandeira, ou o diabo-a-quatro alusivos à sua agremiação no período do banimento. Não poderá haver exposição dos nomes das organizadas punidas e nem a cessão de ingressos, conforme a cartolagem gosta de fazer por esse Brasil afora.

COMO EVITAR PRESENÇA DELES? - Este é o problema. Os caras não tem estrela na testa. Podem ir aos jogos como torcedores comuns, comprarem todos ingressos de um só setor se reunirem num canto e provocarem as mesmas confusões. Quem irá identificá-los? Por isso, eu sugiro que o ingresso seja vendido apenas aos sócios-torcedores. Quem quiser tem que associar e lá o clube faz a triagem. Não aceita o pessoal que tá fichado na Polícia como o currículo de fazer inveja a qualquer Al Capone. Nos dias de clássico entre Atlético e Cruzeiro e até nas datas de partidas do clube rival,  as organizadas punidas estão proibidas de utilizarem suas sedes, sob risco de multa de R$ 50 mil.



A saga de um cirurgião

                                                                       

Arnóbio Moreira Félix (*)


Optar pela medicina é uma decisão que carrega enorme carga de responsabilidade, compromisso, comprometimento, renúncia, investimento de tempo e de dinheiro, dedicação e entrega. Um verdadeiro sacerdócio! 

Uma belíssima profissão, com ótimas perspectivas de trabalho, de remuneração e de interface com a comunidade, com diferentes culturas, com decisões de política pública, com responsabilidades cívicas, responsabilidades jurídicas, responsabilidades previdenciárias e com uma maior aproximação com Deus, na medida em que vivemos intimamente ligados às limitações humanas, à fragilidade orgânica e muito mais conscientes da finitude do corpo físico e da imensidão da alma. 

Um privilégio!

À parte a todo esse cenário, quero falar um pouco da realidade de um médico cirurgião, que presta os seus serviços, seja para clientes do Sistema de Saúde Suplementar, seja para o Sistema Único de Saúde, seja para clientes privados ou mesmo por filantropia. 

O cirurgião, após ter se graduado em medicina, com seis anos de curso, em tempo integral, e de ter dedicado a mais dois, três, quatro ou mais anos a uma especialização cirúrgica (programa de Residência Médica), se vê apto a prestar os seus serviços à comunidade. 

Como qualquer outro profissional, submetido e regulado por órgãos de classe e pelo mercado de trabalho, ele precisa captar, atender bem, diagnosticar, orientar, tratar e fidelizar o seu cliente que, sendo um paciente com indicação de um tratamento cirúrgico, deposita no cirurgião toda a confiança e crença, convencido que está da competência, da ética e da lisura daquele profissional.

É neste vínculo, nesta Relação Médico X Paciente que está a essência e a sobrevivência do nosso trabalho. Uma honra!

Entretanto, poucos sabem, é que pesa sobre o cirurgião, ou sobre a equipe contratada por ele, toda uma sorte de obrigações, protocolos, regras, burocracias, exigências legais, processos e rotinas hospitalares, códigos, impressos, guias, relatórios e uma outra enorme quantidade de afazeres e deveres. 

Só para se ter uma ideia, gastamos muito mais do que o tempo destinado a uma consulta médica regular, apenas para o preenchimento de guias e de formulários, sem perdermos o foco naquilo que é o mais importante, ou seja, o relacionamento com o nosso paciente/cliente. 
                                     
Temos que requisitar e avaliar exames pré operatórios, solicitar avaliação de Risco Cirúrgico, de Risco Anestésico, reservar materiais específicos para cada cirurgia (instrumentais e aqueles que serão implantados), contactar o Banco de Sangue, contactar o CTI, providenciar o agendamento no Centro Cirúrgico, agendar com a sua equipe de trabalho, preencher a Guia para Autorização dos procedimentos cirúrgicos, com os códigos específicos que variam entre os diferentes Convênios e que estão contidos em tabelas bíblicas, de tão grandes e extensas. 

Percebam que, até aqui, já entraram em cena, vários outros profissionais, muitos dos quais não são conhecidos do cirurgião e muito menos do paciente. Cada um desses profissionais concorrem para a fluidez e eficácia do processo e dos resultados, mas infelizmente, por falta de treinamento, de interesse ou de qualquer outra razão, nem sempre se envolvem ou se comprometem no processo. 

Cada um cuida da sua tarefa ou da sua missão e são profissionais no que fazem, mas, de uma maneira natural, não estão comprometidos com uma visão de longo prazo, no relacionamento com um paciente fragilizado, e que está prestes a se submeter a uma cirurgia.

É chegado o dia da esperada cirurgia. O cirurgião já explicou para o paciente todo o contexto pré operatório e pós operatório, com o esclarecimento das necessárias dúvidas e perguntas que, naturalmente, povoam a cabeça e o imaginário de um paciente que será submetido a uma cirurgia. 

A família do paciente se mobiliza. Familiares e o próprio paciente, quando necessário, requisitam os devidos documentos médicos de afastamento do trabalho e de relatórios pecuniários. O paciente se submete ao planejamento pré cirúrgico, ao preparo emocional, às orações, a jejuns de oito, dez, doze ou  mais horas e o nível de ansiedade e de adrenalina se elevam.

O cirurgião, por sua vez, já checou a sala cirúrgica, a equipe, o material a ser utilizado e preenche toda a documentação extensa, inerente à internação e que varia muito, de hospital para hospital, e que é representada por diferentes senhas de acesso, a distintos sistemas de informática, bem como às enormes diferenças de aplicativos, dos mais variados e confusos processamentos e funcionamentos. 
                                         
Para os cirurgiões neófitos, das chamadas Gerações “X”, ou “Y”, esse mundo informatizado é natural, mas para alguns cirurgiões da Geração “Baby Boomers”, trata-se de um momento de muita angústia e sensação de impotência, na frente de um teclado de computador. Uma constatação! É importante dizer que nada, absolutamente nada acontece, se cada um desses detalhes burocráticos não estiverem rigorosamente e completamente preenchidos. 

Sempre aparece uma pessoa de prontidão para dizer em alto e bom tom: “Doutor. O sistema não aceita dessa maneira.” ou “eu não posso pegar nenhum material se todos os campos da Folha de Sala não estiverem preenchidos”. Ok. 

Estamos em um país onde a burocracia impera e a gente já se acostumou a se adequar a esta realidade. Eu só penso que deveria haver uma maior comunicação e alinhamento entre os diferentes hospitais e distintos softwears, para que o aprendizado fosse sinérgico e não desperdiçado, sempre que estamos diante de um novo aplicativo. Dureza!

     Entretanto, como já foi dito, quando o cirurgião adentra ao hospital e ao bloco cirúrgico, ele se depara com uma enorme quantidade de pessoas, muitas das quais ele ainda não conhece, e que têm participação direta ou indireta na harmonia do tratamento a ser instituído ao paciente. Profissionais da Recepção, da Admissão, do Transporte, da Segurança, da Secretaria do Bloco Cirúrgico, da Higienização, da Farmácia Hospitalar, da Enfermagem, da Instrumentação Cirúrgica, do Setor de Órteses e Próteses, da Esterilização, dos vários Estagiários e outros que transitam pelo hospital, cada um com a sua atribuição e contribuição nas rotinas e em todo o processo e fluxo do serviço.

É difícil dizer que, nem sempre o cirurgião os conhece, mas cada um deles pode impactar, decisivamente, no sucesso ou no insucesso do tratamento. É neste ponto que cabe uma reflexiva constatação: quando tudo dá certo com o tratamento do cliente, o sucesso é de todos, mas quando os resultados não são alcançados, sobram poucas pessoas para compartilhar e assumir o fracasso.

O maior prejudicado, nessa eventualidade é, sem dúvida, o fragilizado paciente, mas pesará sobre o cirurgião uma enorme responsabilidade e compromisso na condução do caso. Ninguém vai ficar sabendo se um material não estava esterilizado, se faltou algum material na cena cirúrgica, se um medicamento estava vencido, se o paciente estava por demais estressado diante de todas as etapas que antecederam a cirurgia, se algum equipamento não funcionou, se havia moscas no Centro Cirúrgico, se o paciente foi mal conduzido nos traslados internos dentro do hospital, ou se houve uma infinidade de possíveis erros ou negligências no processo.

Outro aspecto interessante é que existe uma diferença astronômica entre o insucesso de um tratamento e o erro médico. Muitas vezes, um mal resultado de um tratamento é interpretado, por quem quer que seja, como erro médico e isso é mais um karma a incomodar a qualquer cirurgião.

O nosso contrato com o paciente é de meios e não de fins. Escolhemos, em comum acordo com o paciente, um “caminho a ser percorrido”, sem a possibilidade ou direito de prometê-lo que chegaremos bem ao “destino final”. 

Assumimos casos difíceis, de pacientes terminais, outros vítimas de graves acidentes, outros portadores de infecções crônicas, de insuficiências orgânicas as mais diversas, de deformidades congênitas ou adquiridas, de pacientes que têm um precário estoque de saúde, e acabamos por sermos imputados por evoluções ruins no curso do tratamento. Um fardo que carregamos!

Assumindo que tudo correu bem com o planejamento e com a cirurgia, entramos nos períodos pós operatórios imediato, mediato e tardio. É hora de acompanharmos o paciente no leito de internação, ouvir e tratar as suas dores e demais desconfortos, passar visitas médicas à noite, na manhã do dia seguinte, nos fins de semana e quantas vezes forem necessárias. 

É hora do cirurgião preencher relatórios médicos periciais, atestados para o paciente ou acompanhante, preencher outros relatórios para o convênio, sempre que alguma “Não Conformidade” estiver presente no processo. Mas, correu tudo bem e o paciente teve a tão esperada Alta Hospitalar. 

Lá estava o cirurgião preenchendo mais formulários físicos e virtuais, cumprindo exigências regulamentares. O cirurgião pode até dormir, mas o celular de um cirurgião nunca dorme porque, a qualquer momento, o paciente pode precisar de acioná-lo para algum esclarecimento e, em alguns casos, para informar sobre possíveis complicações. 

O cirurgião está sempre de prontidão para o seu cliente e, nos casos em que isso não acontece, situações desconfortáveis poderão advir, com prejuízos para o tratamento e para o relacionamento entre o cliente e o cirurgião. Mas, tudo correu bem e o cirurgião precisará, agora, ver o seu cliente, a cada semana (dependendo de caso a caso), para troca de curativos, de imobilizações, de retirada de pontos, de novos relatórios, de prescrição de fisioterapia ou de tratamentos adicionais. Uma maratona!

Você sabia?

- Que se uma cirurgia atrasa e o horário de um plantão acaba, muda o anestesista, muda o residente, muda a enfermeira de sala, muda a enfermeira chefe, muda toda a equipe, mas o cirurgião está lá, enquanto a cirurgia durar, independente do dia e do horário;
- Que a maioria dos convênios não paga nenhuma despesa de curativos realizados nos consultórios médicos;

- Que o cirurgião, mesmo atendendo um cliente, semanalmente, recebe do convênio somente uma consulta, a cada 30 dias;

- Que o cirurgião recebe somente 50% dos valores de honorários cirúrgicos, quando o paciente tem um convênio com acomodação em Enfermaria (o serviço prestado pelo cirurgião é exatamente o mesmo e o cirurgião não tem nenhuma influência no momento em que alguém contrata um Convênio de Saúde ou quando o cliente marca uma consulta);

- Que o paciente liga para o cirurgião, mesmo diante de complicações anestésicas, de documentos perdidos na internação ou de qualquer insatisfação percebida no hospital (desnecessário dizer que o cirurgião não é remunerado para isso);

- Que os convênios, ao remunerarem os médicos, não levam em conta o tempo de formação do profissional, o nível de capacitação ou a performance de resultados prévios;

- Que os honorários pagos por uma consulta médica é uma das despesas mais baratas no “cardápio” de serviços oferecidos por um convênio;

- Que os cirurgiões perdem incontáveis fins de semana, momentos com a família, encontro com amigos, tempo para oração, noites de sono ou descanso, para servir à sua clientela e atender prontamente às urgências demandadas. Isso sem contar os plantões e sobreavisos regulamentares;

- Que são os cirurgiões quem assumem os gastos, além daqueles do seu consultório, mas também dos instrumentadores, secretárias e Residentes da Equipe;

 - Que quando um cirurgião sai de férias ou viaja para um congresso, além de assumir as suas despesas habituais de viagem, ele deixa de receber por não estar produzindo naquele período, mas continua pagando todas as despesas representadas pelos custos fixos da sua atividade profissional;

- Que quando um médico adoece, ele não tem a prerrogativa de pegar Atestados Médicos com ninguém. Apenas decide se trabalha doente (o mais comum) ou se abdica de seus recebimentos, enquanto estiver enfermo;

- Que o médico fornece relatório para as pessoas comprarem automóveis com generosos descontos, para receberem seguros os mais diversos, para mudarem de função no trabalho, para receberem “passe livre” em várias repartições ou em transportes públicos, para conseguirem empregos, para conseguirem a aposentadoria, para se ausentarem de uma convocação judicial etc., em troca do honorário de uma consulta médica.

Bem. Muitos que leram até aqui podem estar assustados, atemorizados ou mesmo rindo de tudo isso, mas eu já tenho longos e árduos 22 anos de formado e me senti na necessidade de dividir essa realidade com os meus leitores e amigos, até porque a burocracia, as exigências, as regulações e as chateações aumentam a cada dia. 

A maioria dos cirurgiões mantém uma média de quatro cirurgias semanais e essa história toda se repete, com cada paciente e com cada condução de um caso cirúrgico. Não tem sido fácil desempenhar a nossa profissão, diante deste cenário que, aos meus olhos, tornou-se injusto e quase covarde. 

São os cirurgiões que recebem o paciente e, em uma visão mercadológica, abastecem de serviços uma enorme quantidade de setores, sem serem reconhecidos adequadamente. Sem o paciente e o cirurgião, muita gente fica sem ocupação em uma engrenagem hospitalar e poucos percebem isso, transferindo, cada vez mais, aos cirurgiões, atribuições que vão muito além da nossa expertise, qual seja, sermos médicos e cirurgiões. 

A caneta de um médico “vende” receitas medicamentosas, internações, dietas, calçados, palmilhas, órteses, próteses, fisioterapias, aulas de academia, aulas de hidroginástica, exames de todo tipo e de astronômicos valores, colchões, terapias alternativas etc., etc., e não recebemos, ainda numa visão mercadológica, nada em troca. Aliás, constitui crime se um médico receber comissão de qualquer um desses produtos, mesmo neste mundo tão capitalista. Um contra censo!

Por fim! Não é demais dizer que temos que estar sempre alinhados com a ciência, com os avanços tecnológicos e com a ética, mas fica visível a cruel realidade em que vivemos. Muitos desistem, ou param de operar, ou adoecem, ou são vítimas de processos penais, ou perdem a família, ou suicidam, ou morrem... 

Mas é preciso ter força e é preciso ter raça, sempre. Acreditamos em um futuro melhor, em gestores melhores, em políticos melhores, em um equilíbrio melhor entre as ocupações e atribuições. Se já nos submetemos a tabelas remuneratórias tão aviltantes, ao menos que não pese sobre nós essa carga burocrática, tão extenuante, desgastante e humilhante. Que cobrem dos cirurgiões o que eles têm de melhor que é a capacidade de atender bem, de orientar, de ajudar, de operar e, em casos especiais, de curar os seus clientes.

      Querem saber quanto um Convênio paga, em média, por uma cirurgia? Bom. Desculpa! Isso seria assunto para um outro texto, muito mais dramático.

Atenciosamente,

(*) Arnóbio Moreira Félix – CRM-MG 25515
Cirurgião Ortopedista
Preceptor de Residência Médica
Professor Universitário
Membro do Corpo Clínico de oito hospitais, em Minas Gerais
MBA em Gestão de Saúde, pela FGV
Mestrando em Educação e Desenvolvimento Local
Oficial da Reserva do Exército Brasileiro

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Todos com Túlio, número 21

                                          


José Carlos Alexandre

Estranhos fatos nas últimas horas trazem à baila a candidatura comunista ao governo do Estado.

Até parece ações combinadas para se tentar "secar", como se diz hoje em relação ao futebol, a candidatura do professor Túlio Lopes, importante quadro do Partido Comunista Brasileiro, tanto assim que é seu secretário político  em Minas.

Vejamos: a residência dos pais do candidato foi vítima de ladrões que de lá retiraram notebooks,  jóias, fora outros bens.

Isto aconteceu no fim de semana.

Mas não para aí.

Uma revista de âmbito nacional, "Veja", em sua edição de Belo Horizonte, deu a falsa informação de que o candidato comunista teria comunicado ao Tribunal Eleitoral possuir bens no valor de 500 mil reais.

Não se sabe de onde saiu a informação. O candidato declarou, por ocasiao do registro de sua candidatura, possuir um automóvel no valor de sete mil reais...

Como se pode notar, a burguesia, comprometida com os grandes capitais nacionais e internacionais, não perde a oportunidade de tentar implantar a dúvida, a discórdia, a maledicência entre os seus adversários mais autênticos, como o professor Túlio Lopes.

Felizmente todas as organizações sindicais, da sociedade civil e, principalmente, do corpo docente do qual o candidato é dos mais valorosos militantes, estão prontos a dar seu testemunho do quanto ele é fiel às origens

Além de sua sólida formação política e ideológica, reconhecidas em toda a América Latina, já que vem de militância de destaque na União da Juventude Comunista, com atuação no Brasil, na Venezuela, em Cuba e em países africanos.

Como já teve ocasião de salientar o candidato do PCB à Presidência da República, professor Mauro Luis Iasi, a principal tarefa dos comunistas não se esgota no atual processo eleitoral.

Vai muito além.

Os comunistas não costumam fazer apenas campanha eleitoral.

Todas as campanhas do PCB são políticas.

Elas  visam estabelecer as condições para a criação de um governo socialista, com ampla participação dos trabalhadores e do povo.

Enganam-se, portanto, os que buscam desestabilizar a candidatura comunista ao governo do Estado.

O PCB está firme em sua movimentação visando estabelecer o governo ´popular.

No próximo domingo vamos votar no PCB, número 21, nossa melhor resposta às ações diversionistas que buscam dividir os comunistas, a classe trabalhadora.

Eles é que são muito poucos...

Doce ilusão com maravilhosos cães (Rádio Internacional da China)








Movimentos sociais se mobilizam pela não renovação do mandado da Missão da ONU no Haiti

                                                       

               
                                 BRASIL, FORA DO HAITÍ!

Marcela Belchior

A Plataforma Haitiana de Ação por um Desenvolvimento Alternativo (PAPDA), que reúne movimentos sociais no Haiti, divulga um manifesto em que se diz indignada com o informe do secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon sobre a situação política e institucional no país, apresentado ao Conselho de Segurança da ONU no último dia 11 de setembro. 

Para a PAPDA, o comunicado oficial demonstra total desprezo pelos problemas que enfrenta a nação e apresenta uma "imagem idílica” dos resultados da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), ao negar seu fracasso e as violações de direitos humanos cometidas pelas tropas no território.


Camille Chalmers, diretor-executivo da PAPDA, avalia que o balanço de 10 anos de ocupação no Haiti não apenas mostra que a presença das forças da ONU não ajudou a resolver os problemas de estabilidade e segurança, como também sua presença ilegal e ilegítima agravou a crise política e institucional do país.

De acordo com a entidade, os acontecimentos da conjuntura recente do país são suficientes para demonstrarem os resultados negativos da Missão. São eles: o atraso de três anos na realização de eleições, a nomeação de pessoal interino para a chefia dos governos locais e a fuga, em agosto deste ano, de 300 internos da prisão de alta segurança de Croix des Bouquets, construída a 10 quilômetros da capital Porto Príncipe.

"Devemos lembrar a Ban Ki-moon e à sua representante especial no Haiti [Sandra Honoré] que a Minustah é uma força de ocupação completamente inadequada, estabelecida ilegalmente desde que os primeiros acordos foram assinados pelas autoridades em 2004 e 2005", destaca a nota da PAPDA. Além disso, aponta que a Missão não cumpre o capítulo 7º, da Carta da ONU, que prevê a implementação desse tipo de missão somente em caso de haver grupos em conflito e em situação armada, como de guerra civil, crimes de lesa-humanidade e/ou genocídio — o que não ocorre no Haiti.

"Somente uma forte dose de cegueira e má fé pode dar-se ao luxo de dizer que se conquistaram avanços significativos no campo da segurança e estabilidade", aponta a Plataforma. "Nos encontramos, atualmente, em plena crise política, o que se traduz em uma degradação institucional alarmante, que põe em questão os principais órgãos da República, obstaculizados no seu funcionamento e distanciados, gravemente, de suas funções, de acordo com o definido pela nossa arquitetura constitucional", complementa.

A PAPDA faz um chamado à população haitiana para que se mobilize e exija a não renovação do mandato da Minustah em outubro de 2014. Segundo os movimentos sociais, a saída da crise passa, necessariamente, pela recuperação da soberania do povo haitiano e a construção de um amplo movimento patriótico, democrático e popular.

O que disse o Ki-moon


Sandra Honoré, representando Ki-moon, assinalou que, apesar da estagnação política no país, a segurança na nação caribenha continua estável e que se confirma um decréscimo do índice de delitos. Oferecendo ao Conselho de Segurança um panorama da situação haitiana, ela afirmou: "Gostaria de agradecer, especialmente, a todos os países que contribuem com tropas e elementos de polícia à Minustah e a todos os Estados-Membros do Conselho de Segurança por seu valioso apoio à consolidação da paz e democracia no Haiti".

Chefe na Minustah no Haiti, Honoré disse que, mesmo com a adoção, em março deste ano, do acordo "El Rancho" por distintos atores políticos do país, prosseguem a desconfiança e as divergências sobre o processo eleitoral. Ela advertiu que, mantendo-se essa situação, a "oportunidade" de celebrar eleições legislativas antes de concluir 2014 se dissipa. Acrescentou que a ausência dessas eleições é preocupante, porque o Parlamento permaneceria desativado, podendo provocar um vazio institucional. (Com a Adital)

sábado, 27 de setembro de 2014

JOSÉ CARLOS ALEXANDRE DEFENDE VOTAÇÃO NO PCB, NÚMERO 21 CONTRA A CORRUPÇÃO E A ENGANAÇÃO E EM FAVOR DE MELHORES DIAS PARA OS TRABALHADORES E O POVO

Em Porto Rico o Festival Internacional de Cinema Fine Arts

                                                                                   



A segunda edição do Festival Internacional de Cinema Fine Arts celebra-se com a projeção de 40 produções independentes procedentes a mais de 10 países, informaram hoje os organizadores.

O encontro, previsto até o próximo dia primeiro de outubro, exibe filmes do México, Espanha, Equador, Brasil, Palestina, Cuba, Colômbia, Venezuela, Chile, China, Argentina, França e o país anfitrião, assinalaram.

Entre os títulos que projetados estão, de México, Clube Sándwich, dirigido por Fernando Eimbcke; Mejor no habla de ciertas cosas, do equatoriano Javier Andrade, e When I saw you, do palestino Annemarie Jacir.

Também, a grande tela porto-riquenha mostra o filme cubano Conduta, dirigido por Ernesto Daranas; a colombiano Gente de bien, de Franco Lolli; o venezuelano Libertador, de Alberto Arvelo e o chileno Miguel, San Miguel, de Matías Cruz. Os cinéfilos poderão desfrutar, entre outras, do espanhol Todos están muertos, dirigida por Beatriz Sanchís; o chinês A Touch of Sem, de Zhangke Jia; as argentina Ciencias naturales, de Matías Lutem e, do França, Violette, dirigida por Martin Provost.

"Algumas têm sido nominadas em festivais internacionais. Entendemos que o compendio que temos para oferecer é bem interessante e o público vai estar comprazido", disse a diretora de Mercadeo de Caribbean Cinemas Porto Rico, Mayra Ramírez.

Os títulos competem nas categorias de Melhor filme, Melhor diretor, Melhor interpretação feminina e Melhor interpretação masculina, anunciou a organização do evento.

Também, o público poderá eleger seu filme favorito, votando em uma urna que se colocará nas salas de cinema, informaram. tgj/rml/cc (Com Prensa Latina)

Hugo Chávez e Che Guevara viram perfumes em Cuba

                                                                                 
                                                                                                    Foto: BBC

"Glow", de Jeniffer Lopez, "J", de Jennifer Aniston, "Heat", de Beyonce, "Intimately Beckham", de David Beckham... A lista de celebridades que têm seus próprios perfumes é cada vez maior.

Agora, é possível adicionar dois nomes um tanto inesperados a este grupo de figuras homenageadas com nomes de fragrâncias: Hugo Chávez e Ernesto "Che" Guevara.

Em uma convenção em Havana, a empresa cubana Labiofarm, que produz medicamentos homeopáticos e produtos de limpeza, lançou duas novas colônias para homens: "Hugo", menção ao falecido líder da chamada revolução bolivariana na Venezuela, e "Ernesto", homenagem ao comandante da revolução cubana, Ernesto Guevara, o Che.

"Estes nomes saíram de uma pesquisa realizada junto ao público na qual pedimos sugestões para os nomes das duas fragrâncias", explicou à BBC Mario Valdés, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Labiofarm.

"Hugo" tem "notas cítricas e amadeiradas que dão uma expressão de masculinidade", disse Valdés. Já "Ernesto" tem "algo de essências frutadas" com elementos de "carvalho, que dá um sentido varonil" - uma síntese do famoso bordão guevariano, segundo o qual "há que endurecer-se sem perder a ternura jamais".

Diante de tantos produtos que levam o nome de Hugo Chavez ou da imagem onipresente de Che Guevara, a direção do grupo empresarial buscou autorização das famílias Chávez e Guevara para nomear as fragrâncias.

"O objetivo de colocar estes nomes é exclusivamente render uma homenagem. É que estes perfumes entrem na História com os nomes destas personalidades que significam muito para a América", explica Valdés.

Por ora, ambas as colônias estão em garrafas genéricas, com rótulos provisórios que só levam o nome do perfume. A empresa espera colocar os produtos finalizados à venda nos primeiro semestre de 2015, principalmente em Cuba.

Hugo Chávez motivou perfume com aromas cítricos; Já Che, com toques de Carvalho
Em um rápido teste na sala da convenção onde os perfumes foram expostos, o conceito foi bem recebido.

"Grandioso, uma ideia maravilhosa. Compraria agora, são duas personalidades do mundo", disse Armando, um fisioterapeuta que visitava o simpósio.

Mercedes, intérprete que trabalha no evento, concorda: "Claro que compraria. Estou esperando que sejam postos à venda".

"Em se tratando dos comandantes Hugo Chávez e Che Guevara, imagino que serão perfumes excelente", afirma.

Críticos diriam que ter um perfume com seu nome não era exatamente o que Che tinha em mente ao entrar vitorioso em Havana, em 1959. Mas Mercedes não concorda.
"Acho que talvez seja a chance de este segmento da ciência prestar uma homenagem a estes grandes homens."

Por ora, o mercado para estes perfumes é Cuba. Mas talvez, em breve, nas perfumarias mundo afora, já seja possível encontrar "Hugo", de Hugo Boss, ao lado de "Hugo", de Hugo Chávez. (Com a BBCBrasil)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Com imagens da Medicina Legal, torturados e mortos pela ditadura cívico-militar de 1964

Arquitetura Gustavo Penna Impressões




As referências estéticas e filosóficas, o processo criativo e os principais trabalhos desenvolvidos em 40 anos de carreira estão na obra Arquitetura Gustavo Penna Impressões (BEĨ Editora), lançada na terça-feira (23), em São Paulo.

O livro conta com belo trabalho de organização e edição da arquiteta e escritora Beatriz Magalhães, a partir de uma série de entrevistas com Gustavo, e projeto gráfico inovador de Guinli Seara.

Dividida em três cadernos temáticos, a obra é inspirada na escada Ventura, um projeto conceitual do arquiteto, e remete a sua estrutura tanto na forma como no conteúdo.

A primeira parte reúne as referências criativas e afetivas de Gustavo, e a segunda aborda os rumos de seu processo criativo. Ao final, são apresentados diversos trabalhos do escritório desde sua fundação, em 1974. 

Bancários anunciam greve a partir de terça-feira

                                                                         
Em assembleia realizada no último dia 25, os mais de 450 bancárias e bancários de bancos públicos e privados que lotaram o auditório do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte, rejeitaram a contraproposta dos banqueiros e aprovaram greve por tempo indeterminado a partir do próximo dia 30. A decisão foi uma reação ao desrespeito dos banqueiros que, após sete rodadas de negociação, não apresentaram uma proposta digna que atendesse as reivindicações da categoria.

A proposta apresentada pela Fenaban traz reajuste de 7% no salário (0,61% de aumento real), na PLR e nos auxílios refeição, alimentação e creche. Para o piso, o reajuste proposto foi de 7,5% (1,08% acima da inflação). Já as propostas apresentadas para as reivindicações não econômicas também deixaram de fora questões importantes ligadas ao emprego e às condições de trabalho.

A presidente do Sindicato, Eliana Brasil, ressaltou a importância da mobilização da categoria neste momento decisivo da Campanha Nacional, quando somente a participação de todos irá fortalecer o movimento e pressionar os banqueiros para que eles atendam as reivindicações da categoria. 

"Neste momento, a participação das bancárias e bancários é decisiva para que possamos sair vitoriosos da greve. Diante do desrespeito e do descaso dos banqueiros em relação às nossas reivindicações, não tivemos outra alternativa a não ser utilizarmos do nosso último e legítimo instrumento de luta, que é a greve. Vamos todos nos organizar nos locais de trabalho e mostrar, mais uma vez, que nossa garra, união e determinação irão mais uma vez garantir e ampliar avanços nesta campanha salarial", disse

Foi também aprovada, para o dia 29 de setembro, uma assembleia para organização da greve. Ela será realizada na sede do Sindicato às 18h30 em primeira convocação e às 19h em segunda convocação.

Vamos juntos organizar a greve

Assembleia no dia 29 de setembro de 2014
Às 18h30 em primeira convocação e às 19h em segunda convocação
Na sede do Sindicato, na rua Tamoios, 611, no centro de Belo Horizonte

As principais reivindicações da categoria:

Reajuste salarial de 12,5%
PLR de três salários mais R$ 6.247,00
Piso de R$ 2.979,25 (salário mínimo do Dieese)
Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá de R$ 724,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional)
Melhores condições de trabalho
Fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários
Emprego
Fim das demissões e da rotatividade, mais contratações, proibição às dispensas imotivadas, combate às terceirizações
Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários
Auxílio-educação
Pagamento para graduação e pós
Prevenção contra assaltos e sequestros
Cumprimento da Lei 7.102/83 que exige plano de segurança em agências e PABs, instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários
Igualdade de oportunidades
Fim das discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

Bloqueio econômico dos EUA tenta render povo cubano pela fome


                                                                                  


O bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba pretende há mais de meio século que sua população se renda por fome, com o objetivo de interromper o projeto social humanista que começou em 1959 na ilha caribenha.

Os alimentos não deveriam ser usados como instrumento de pressão política e econômica, destaca o relatório cubano chamado "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba".

A política de Estado exercida pela Casa Branca viola o direito à alimentação do povo cubano, pois se propõe a impedir o acesso regular aos mercados internacionais, incluídos os produtores estadunidenses. Este setor, por sua natureza, continua sendo um dos mais sensíveis afetados pelo bloqueio, enfatiza o documento.

A procura de mercados para a importação de insumos para a indústria alimentar, alguns bastante distantes; o consequente encarecimento dos custos e despesas adicionais de transporte marítimo; os tipos de câmbio mais caros devido à proibição de usar o dólar estadunidense nas transações, entre outras, são algumas das principais consequências que o setor sofre.

À União Nacional Avícola - o texto usa como exemplo - foi negado acesso à tecnologia de criação norte-americana e de outros países que utilizem componentes ou patentes estadunidenses. Uma situação parecida enfrenta o Grupo Empresarial Porcino com tecnologias de ponta para criação.

Estes fatores tecnológicos mencionados incidem na baixa viabilidade, excessos de mortes por doenças evitáveis e curáveis, perda de animais por doenças e crescimento de animais com transtornos em seu desenvolvimento normal.

Por sua vez, a empresa mista Coracan S.A. viu o encarecimento de sua produção devido a custos e despesas adicionais por transporte marítimo da matéria prima de importação, já que não pode ser comprada diretamente de mercados próximos, como o próprio norte-americano.

Tal é o caso do Neotame, adoçante hipocalórico artificial (não nutritivo). A fabricação e comercialização desse produto estão monopolizadas pela estadunidense The Nutrasweet Company, com filiais no mundo inteiro.

O Grupo Agroindustrial de Grãos se vê impossibilitado de atualizar com novas tecnologias sua indústria de arroz, em funcionamento há mais de 50 anos, porque provêm dos EUA. Maquinarias, peças e repostos devem ser adquiridos em um mercado ao qual a maior das Antilhas não tem acesso. Esta limitação afeta entre seis e oito porcento a qualidade da arroz produzido para o consumo, diminuindo o rendimento industrial. Nestas circunstâncias, deixa-se de produzir ao ano entre três e quatro mil toneladas de arroz para o consumo.

Em Cuba, foi estabelecido um dos programas de proteção social mais integrais do mundo, que permitiu erradicar a fome. A segurança alimentar da população, estreitamente interrelacionada às dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento, é uma prioridade estratégica do país.

A vontade política do governo cubano e suas conquistas destacadas na luta por erradicar completamente a fome no país foram premiadas pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

(Com Prensa Latina)

Abertas inscrições para o Metro Photo Challenge 2014

                                                                         
Estão abertas as inscrições para a 10ª edição do Metro Photo Challenge 2014, concurso de fotografia promovido em 18 países onde o gratuito Metro é distribuído. 

Com o tema Vida na cidade, a premiação conta com o apoio global da ONU e tem três categorias: Magia da cidade, Fuga urbana e Cidade verde. 

Os interessados em participar (fotógrafos amadores ou profissionais) precisam se cadastrar gratuitamente pelo www.metrophotochallenge.com até 18 de novembro.

Dia Latino-Americano de Luta pela Descriminalização do Aborto



últimas semanas, duas mulheres morreram após passarem por procedimentos de aborto no Rio de Janeiro; A feminista Luka Franca, destaca a importância do debate, embora meios de comunicação de massa sempre tratem o tema “sobre a ótica da culpabilização da mulher”

Bruno Pavan

Da Redação

Diversas manifestações devem acontecer neste domingo (28) pelo Brasil para marcar o Dia Latino-Americano de Luta pela Descriminalização do Aborto. A data foi escolhida durante o V Encontro Feminista Latino-americano, em 1990, para aumentar a discussão sobre o tema no continente.

Organizados pela Frente contra a Criminalização de Mulheres e pela Legalização do Aborto, que envolve diversos movimentos, os protestos ocorrem semanas após as mortes de Jandira Magdalena e Elizângela Barbosa que fizeram abortos em clínicas clandestinas no Rio de Janeiro (RJ). 

A militante feminista Luka Franca reforça a importância de casos como esses não caírem no esquecimento para que não haja criminalização das mulheres e de servir como um alerta para a importância de se debater o assunto.

“A importância dos casos não caírem no esquecimento é a mesma do que quando houve estouro de clínica no Mato Grosso do Sul em 2007 e várias mulheres foram criminalizadas pelo Ministério Público Estadual. Temos que desvelar que este é um problema grave e que leva a morte milhares de mulheres todos os anos no Brasil – o aborto já é a quinta causa de morte materna no País -, além dos mais de 200 mil casos de abortos inseguros que acabam em internações [hospitalares] por complicação”, explicou.

Neste ano, os protestos acontecerão a uma semana das eleições o que, para Luka, os torna ainda mais importante. Ela reforça que nos últimos anos o debate sobre o aborto tem crescido tanto no âmbito moralista, quanto no progressista, mas crítica a postura da imprensa sobre o tema.

“O movimento faz atividade de rua todo ano neste dia. É uma forma de lembrar que há mulheres morrendo e não há solução real apresentada pelos governos. Quando é tempo de eleição é ainda mais importante, pois podemos forçar o debate junto às organizações políticas. 

Acho que há espaço aumentando para os valores mais conservadores no debate e também para os mais progressistas. A grande questão é que o acesso da população ao tema é muito pelos meios de comunicação de massa que sempre tratam o tema sobre a ótica da culpabilização da mulher”, analisou.

O ato em São Paulo está marcado para ter início às 12 horas, na Praça do Ciclista, centro da capital. O “Cortejo da Mulher Morta em Aborto Clandestino” terá confecção de cartazes a apresentações artísticas. A partir das 14 horas, ele caminhará pela Avenida Paulista. Eventos também acontecerão no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. (Com o Brasil de Fato)

Comissão Nacional da Verdade colhe depoimentos em Belo Horizonte na próxima terça-feira

                                                                                                                                           
Reunião da CNV em Belo Horizonte o ano passado Foto: JCA
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) realiza na próxima terça-feira (30), em Belo Horizonte, a partir das 10h30, uma nova diligência de reconhecimento em unidade das Forças Armadas utilizada para tortura durante a ditadura. Acompanhada de peritos, integrantes da Comissão da Verdade de Minas Gerais (Covemg) e de três ex-presos políticos, a CNV percorrerá as instalações do 12º Regimento de Infantaria do Exército (12º RI).

A meta da CNV é mapear todas as sete instalações militares descritas no relatório preliminar de pesquisa da CNV de 18 de fevereiro de 2014 (leia aqui: http://www.cnv.gov.br/images/pdf/relatorio_versao_final18-02.pdf ).

Em novembro de 2013, a CNV esteve no DOI-Codi de SP; em janeiro deste ano, na 1ª Companhia de Polícia do Exército da Vila Militar do Rio; em maio deste ano, na Base Aérea do Galeão; e na última terça-feira (23), a Comissão esteve com ex-presos políticos no 1º Batalhão de Polícia do Exército, local onde funcionou o Doi-Codi do Rio.

No dia 14 de outubro, a CNV visitará o local em que funcionou o Doi-Codi do IV Exército, no Recife. E, antes do fim do ano, fecha o roteiro com visita à Base Naval da Ilha das Flores, onde funcionou presídio mantido pela Marinha.

Participarão das atividades em Belo Horizonte os membros da CNV Pedro Dallari (coordenador), José Carlos Dias, Maria Rita Kehl e Paulo Sérgio Pinheiro.

DEPOIMENTOS – À tarde, a CNV convidou um tenente-coronel reformado para depor e, em seguida, são esperados os depoimentos de nove agentes da repressão convocados pela Comissão. A lista dos agentes convocados foi definida em conjunto com a Covemg.

A série de depoimentos está prevista para começar às 14h na sede da Subsecção da OAB em Minas Gerais, no bairro do Cruzeiro.

Entre os convocados, estão previstos os depoimentos de oito ex-agentes públicos. Cinco deles atuaram na Polícia Civil de Minas Gerais, sendo três deles no DOPS. Dois atuaram na Polícia Militar de MG e um, militar do Exército, atuou no 12º RI.

SERVIÇO
Diligência de reconhecimento
Local: 12º Regimento de Infantaria do Exército em Minas Gerais
Endereço: Rua Tenente Brito Melo, s/n., Barro Preto, Belo Horizonte
Horário: 10h30

Depoimentos
Local: OAB-MG
Endereço: Rua Albita, 260, Cruzeiro, Belo Horizonte
Horário: das 14h às 18h

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A propalada saída do Brasil do "mapa da fome" merece alguns cuidados

                                                                                   

Foto: Mapa da Fome/2005-2007
Wlamir Silva (*)


Primeiro ela não ocorreu agora, mas entre 2005 e 2007, como mostra o mapa da FAO ao lado. E se ocorreu entre 2005/2007, considerando o tempo que uma política pública leva para aparecer nas estatísticas, pouco ou nada tem a ver com o bolsa-família, criado em 2004, e o Fome Zero (o elogio do petista José Graziano ao programa é simbólico e... eleitoreiro), como se sabe, foi um fracasso.

De fato já havia uma tendência de "redução da extrema pobreza" desde 2001, como mostram os especialistas. Incluindo o período FHC e, se quisermos mais, na fase "mais neoliberal" do governo Lula, sob a direção econômica de manutenção estrita da política anterior por Antonio Palocci, ministro até 26 de março de 2006. Queda fruto de políticas nascidas após a Constituição de 1988, impacto da universalização da ampliação da aposentadoria etc.

Além disso houve, recentemente, uma mudança na metodologia da FAO, fazendo com que 2013 para 2014 o percentual "de fome" tenha caído, "magicamente", de 7% para 1,8%. Nada de excepcional, são índices que tratam de extrema, mas extrema mesma, pobreza. Por eles, hoje, mais da metade da América Latina está fora do "mapa da fome", só a Bolívia teria uma "fome" moderadamente alta.

Para o Brasil, a questão é a de entender porque a quinta economia do mundo, sem conflagrações, com os recursos naturais e o grau de institucionalidade que possui - bem diverso da África, onde praticamente está confinada esta tragédia -, está em 79º no Índice de Desenvolvimento Humano.



Foto: Mapa da Fome/2014

Abaixo em educação e expectativa de vida mesmo da média da nossa "poderosa" América Latina. Em 58º, em 64 avaliados, no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), atrás de Vietnã, Eslovênia, Portugal, Grécia, Emirados Árabes, Uruguai e Albânia, entre outros.

O quadro mundial mostrado pela FAO mostra um avanço generalizado, até porque uma das características do neoliberalismo é exatamente criar políticas compensatórias que minoram a extrema pobreza. Além da urbanização e das novas tecnologias de produção de alimentos. Sim, elas são capazes de superar a fome, o problema é de distribuição de riqueza, de exploração... Por isso o governo Lula seguiu e aprofundou uma tendência que já vinha de FHC.

No Brasil isso convive bem com a pobreza - travestida d,e "classe média" - dos 66% de famílias com renda de R$ 2.034 (dados de 2013). E com a falta de saneamento, saúde, educação, segurança que "complementam" a penúria salarial. E, cá entre nós, você acredita que na América Latina só haja "fome" moderadamente alta na Bolívia? Que não há fome no Brasil? Enfim, mentirinhas eleitorais difundidas por quem tem a máquina pública nas mãos e faz "horário eleitoral" até em Assembleia da ONU...

(*) Wlamir Silva é historiador. (Com o PCB/Diário Liberdade)

Brasil tem 15 dias para prestar esclarecimentos sobre ameaças de despejos em massa

                                                                      

O Coletivo Margarida Alves, as Brigada Populares, o PCR e a Clínica de Direitos Humanos da Faculdade de Direito da UFMG, dada a gravidade da situação das ocupações da região do Isidoro, denominadas Rosa Leão, Esperança e Vitória e a dificuldade de se construir uma alternativa de moradia para as mesmas, ao invés do despejo violento, acionaram a Comissão Interamericana de Direitos Humanos sendo que na data de hoje recebemos comunicado dessa Comissão informando que o Brasil foi citado para em 15 dias prestar informações sobre denúncia apresentada.


Repórter do "CQC" lança "álbum da corrupção" para contestar políticos "ficha suja"


                                                              
  
Na última terça-feira (23/9), Maurício Meirelles, repórter do “CQC”, da Band, deu início a uma campanha de conscientização política em sua página no YouTube  O “Álbum da Corrupção” substitui as figurinhas de jogadores da Copa do Mundo por políticos com ficha suja; as imagens de estádios pelas de mansões em nome de servidores públicos; e as equipes de futebol por escândalos de corrupção, como os “mensaleiros”, os “sanguessugas” e até a “privataria tucana”.

O produto fictício custa “um roubo” e tem o selo da editora “Por baixo do Panini”. Utilizando os temas da Copa do Mundo de 2014, além de atingir a memória afetiva de quem tem o hábito de colecionar figurinhas a cada quatro anos, o humorista busca com a campanha provocar uma reflexão no público eleitor.

“Seria lindo se isso fosse verdade”, brinca Meirelles em entrevista à IMPRENSA. “O que a gente quer é mobilizar as pessoas usando uma coisa muito diferente que é o álbum de figurinhas. [...] É uma tentativa de fazer as pessoas se interessarem por política. Saber quem são aqueles nomes e fixá-los, porque o que um político mais quer é que isso não aconteça”, continua.

O vídeo, que já tem quase 20 mil visualizações e mais de 40 mil compartilhamentos, promove a hashtag #abreumpacotinho para incentivar cada vez mais usuários das redes sociais a entrarem na campanha. Meirelles afirma que o projeto envolve um grande número de pessoas, desde os designers e produtores que elaboraram o álbum fictício, até personalidades da mídia que devem aderir à ação nos próximos dias.

Segundo o humorista, há até planos para que o álbum se torne um aplicativo gratuito de smartphone ou uma página no Facebook. O projeto, ele afirma, não tem qualquer tipo de fim comercial e não será distribuído fisicamente. “A ideia é que cada um roube o seu. [risos] Que cada um tenha os mesmos princípios que os caras tiveram para entrar no álbum. Se alguém ganhasse dinheiro com isso não seria coerente”, afirma.

Meirelles encara a iniciativa como uma maneira de contestar a política brasileira atual. Segundo o humorista, trata-se de uma forma de exercitar a liberdade de expressão em tempos de campanha eleitoral. Por esse motivo, ele vê o álbum como um projeto “do povo”, para refrescar a memória do eleitor que não conhece bem seus candidatos.

“É democrático no sentido de você estar insatisfeito e querer divulgar sua insatisfação. Mesmo as pessoas cometendo crimes e sendo condenadas, elas são reeleitas. O brasileiro realmente tem a memória curta na hora de votar. Muitas pessoas estão mandando mensagens do tipo ‘esse deputado X já fez isso, é legal colocar no álbum’, ‘esse cara da minha cidade já fez isso também’ etc., transforma isso numa coisa do brasileiro. Nada mais democrático do que o povo estar dentro do projeto”, acrescenta.

Como repórter do “CQC” e em seus shows como comediante stand-up, Meirelles usa do bom humor para comentar o cenário político brasileiro. Para ele, é possível dizer hoje que política virou motivo de piada. “O humor, para mim, deve ser usado como contestação. E o brasileiro é ligado ao humor. Ele vota no cara que ele acha engraçado, o que faz papel de imbecil etc. Então, nada melhor do que o humor para contestar. Isso chama mais atenção das gerações de hoje do que fazer aquela coisa sisuda, séria, que o pessoal acaba não compartilhando”, finaliza. (Com o Portal Imprensa)

Enganos eleitoreiros

                                                         

Maurício Grillo (*)

A actual conjuntura eleitoral brasileira empurra para um difícil dilema: votar em quem? Perigosamente em Marina, duvidosamente em Aécio ou temerosamente em Dilma?


A rápida ascensão de Marina Silva nas pesquisas eleitorais, que no momento a apontam como vencedora em um hipotético segundo turno com a presidente Dilma Rousseff, tem levado indivíduos e setores da sociedade geralmente refratários às suas ideias a apoiá-la, motivados pelo desejo de encerrar o reinado do PT no Palácio do Planalto. 

Embora muitos destes eleitores tenderiam, normalmente, a apoiar o candidato do PSDB, a ultrapassagem de Marina sobre o senador Aécio Neves – aparentemente, consolidada – os está conduzindo a uma opção pragmática em favor da ex-ministra do Meio Ambiente.

Nesse contexto, vale enfatizar alguns aspectos potencialmente de grande importância sobre a trajetória política e os compromissos da ex-ministra com as agendas ambientalista e indigenista, fortemente marcadas por um componente internacionalista, cuja influência nas políticas setoriais brasileiras, nas últimas décadas, apresenta um saldo visivelmente negativo para os interesses maiores da sociedade nacional. 

Como a grande maioria dos adeptos de tais causas, Marina é uma internacionalista, no sentido de que a sua visão utópica da importância da proteção do meio ambiente e dos “povos da floresta” a situa entre os que consideram que as agendas de desenvolvimento socioeconômico devem ser fundamentalmente subordinadas à proteção ambiental e aos “direitos naturais” daquelas populações (geralmente, consideradas separadamente das sociedades nas quais se inserem), conforme os critérios determinados pelo aparato ambientalista-indigenista internacional. 

É um fato notório que toda a sua trajetória política se deu sob a proteção deste aparato de poder, encabeçado por organizações não-governamentais (ONGs) estadunidenses e britânicas, que a transformou em uma personalidade de grande visibilidade internacional, como se depreende das numerosas premiações internacionais recebidas por ela, bem como pela sua ruidosa participação na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando foi convidada para ser um dos porta-bandeiras do pavilhão olímpico (Alerta Científico e Ambiental, 28/08/2014).

Com tais precedentes, uma presidente Marina tenderia a colocar uma ênfase desproporcional nos temas ambientais, na formulação da política externa, em especial, com a sua obsessão com os chamados objetivos de redução das emissões de carbono – item no qual poderá criar atritos com os parceiros do grupo BRICS. 

Em uma entrevista à revista EU&Fim de Semana do jornal Valor Econômico (5/09/2014), o coordenador do programa de governo de Marina, o ex-deputado federal Maurício Rands, deu uma pista desta perspectiva, afirmando: “Não é porque os países desenvolvidos têm maior responsabilidade com o estado de degradação a que chegou o planeta que os países em desenvolvimento podem ser desobrigados de cumprir metas.”

A propósito, os poderes hegemônicos deverão pressionar uma presidente Marina em dois itens em que desejam esvaziar a posição e a influência do Brasil: a integração sul-americana, com um esvaziamento do Mercosul, intuído nas sugestões de assessores seus sobre uma “aproximação” com a Aliança do Pacífico (cujo PIB conjunto é inferior ao brasileiro), e a consolidação do grupo BRICS como um contraponto à hegemonia financeira do eixo anglo-americano.

Por outro lado, Marina tem acenado que poderia fazer concessões contrárias às suas preferências em itens como a energia nuclear, os organismos geneticamente modificados (transgênicos) e outras, mas dificilmente se poderia esperar dela qualquer iniciativa contrária à meta principal da agenda ambientalista-indigenista – a conversão da Região Amazônica em uma virtual “zona de exclusão econômica”, com a obstaculização do seu pleno potencial de desenvolvimento socioeconômico, a partir da exploração dos seus vastos recursos naturais. Isto é o que espera dela a oligarquia transnacional que tem promovido a sua carreira – nada menos que a consolidação de um regime de “soberania restrita” sobre a Amazônia, preservando-a como uma “reserva de recursos naturais” para usufruto futuro dos seus interesses exclusivistas.

Não é casual que assessores importantes de Marina, como o biólogo João Paulo Capobianco, considerado o seu braço direito, tenha utilizado o discurso que fez em nome da demissionária ministra, na posse de seu sucessor no Ministério do Meio Ambiente (MMA), Carlos Minc, para transmitir o que pensam esses radicais do ambientalismo: “A soberania do Brasil sobre a Amazônia é algo relativo, pois até a lei brasileira prevê que os pais percam a guarda dos filhos, no caso de não os tratarem condignamente (Hora do Povo, 4/06/2008).”

Assim, o pragmatismo que tem percorrido o Centro-Sul do País, quanto às perspectivas eleitorais de Marina, deixa de lado todo o potencial de ameaça que um eventual governo seu representa para a integração plena do País, algo impossível sem uma política de desenvolvimento e modernização econômica para a Amazônia.

Neste particular, é preciso ressaltar que nenhum presidente, desde o governo Collor, se atreveu a confrontar a agenda daquele aparato transnacional, mas, indiscutivelmente, foi na gestão de Marina no MMA (2003-2008) que a sua influência atingiu o auge – não por acaso, a pasta ganhou a alcunha de “Ministério das ONGs”.

É um fato notório que o movimento ambientalista-indigenista é apoiado por grandes carteis transnacionais de alimentos e minérios, em especial, os que gravitam na órbita da aristocracia europeia – na qual a Casa de Windsor atua como uma espécie de primus inter pares. Não por acaso, as casas monárquicas do Velho Continente são grandes promotoras das causas ambientais, atuando por meio de ONGs como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) – que, em 2008, agraciou Marina Silva com a Medalha Duque de Edimburgo, entregue pessoalmente pelo próprio consorte da rainha Elisabeth II do Reino Unido.

Sem qualquer concessão a “teorias conspiratórias”, a presença de Marina no Palácio do Planalto poderá conceder a esse aparato hegemônico uma influência ainda maior na formulação das políticas ambientais e indígenas do País. E, dificilmente, os brasileiros poderão esperar iniciativas e empreendimentos, inclusive, de infraestrutura, que signifiquem perspectivas de progresso para os habitantes da Amazônia.

Por tudo isso, sempre é oportuno recordar o marqueteiro de Bill Clinton, criador do vitorioso mote que impulsionou a sua candidatura à Casa Branca – apenas, em vez de “economia”, podemos dizer: “É a Amazônia, estúpido!”

(*) Maurício Grillo é professor

Este texto encontra-se em www.alerta.inf.br

Monumento à Liberdade de Imprensa é finalista do Prêmio Festival Mundial de Arquitetura

                                                                          

Pela quarta vez em seis anos, a GPA&A está entre os finalistas do World Architecture Festival Award, uma das principais premiações de arquitetura no mundo. Nosso projeto do Monumento à Liberdade de Imprensa (foto), a ser construído no Eixo Monumental em Brasília, concorre com outros nove trabalhos na categoria Projeto Futuros – Cultura. 

O vencedor ainda disputará os prêmios Projeto Futuro do Ano e Edifício do Ano. A competição reúne trabalhos de mais de 50 países, concorrendo em 30 categorias. Os resultados serão divulgados durante o festival, que acontece entre os dias 1 e 3 de outubro, em Cingapura.

O júri deste ano é liderado pelo arquiteto britânico Richard Rogers.