segunda-feira, 30 de abril de 2012

                                                                     

SDH firma parcerias para criar comissões da verdade em sindicatos


De acordo com o coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade, Gilney Viana, a efervescência social suscitada pela expectativa de instalação da Comissão da Verdade tem provocado o surgimento de novas denúncias, que reforçam a tese de que o impacto da ditadura militar na vida dos brasileiros é muito superior ao conhecido. Nesse contexto, as parcerias são fundamentais para resgatar a memória dos trabalhadores brasileiros no período.

Brasília - A Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência está firmando parcerias com sindicatos e entidades de classe para resgatar a memória dos trabalhadores brasileiros vítimas da ditadura militar. De acordo com Gilney Viana, coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade, a proposta é criar “comissões da verdade” em todas as entidades interessadas, à exemplo do que já vem sendo feito em assembleias legislativas, câmaras de vereadores e entidades de direitos humanos de todo o país. “Os sindicatos têm que assumir a responsabilidade pelo seu passado”, afirma.

Viana avalia que a efervescência social suscitada pela expectativa de instalação da Comissão da Verdade, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em outubro e que, agora, aguarda a indicação dos seus sete membros para começar a atuar, tem provocado o surgimento de novas denúncias sobre violações de direitos, que podem alterar drasticamente a forma com que o país e o mundo encaram o mais sangrento período da história recente brasileira. “Essas denúncias reforçam a tese de que o número de vítimas é muito superior do que o já reconhecido”, afirma.

Para o eterno militante que ficou preso nos porões da ditadura por quase 10 anos, nem a Comissão de Mortos e Desaparecidos, criada de 1995, e nem a Comissão de Anistia, de 2001, foram capazes de dar conta do grau de impacto da ditadura na vida dos brasileiros. “A Comissão de Mortos e Desaparecidos, por exemplo, reconhece apenas 17 camponeses vítimas do período. E os relatos já sistematizados indicam que pelo menos 450 vítimas. Além disso, há as perdas institucionais que também foram enormes. A Universidade de Brasília (UnB), para citar a mais prejudicada, perdeu cerca de 80% do quadro docente”, reforça.

Gilney acredita que, neste contexto, o apoio dos sindicatos e entidades de classe é fundamental para o resgate da história. Ele explica que a SDH oferecerá todo o suporte para a efetivação das parcerias, mas que cada entidade terá total autonomia para decidir como encaminhará seus trabalhos.

Já demonstraram interesse em participar do projeto a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central Sindical e Popular – Conlutas, a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O convite será estendido a todas as entidades representativas dos trabalhadores.

O coordenador relata, inclusive, que algumas ações já estão em curso. O Sindicato dos Químicos de São Paulo assumiu o resgate da história do químico Virgílio Gomes da Silva, ex-militante da ALN, que foi morto após comandar o sequestro do embaixador norte-americano no Brasil. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo também já se responsabilizou por resgatar a memória de profissionais como o ex-diretor da TV Cultura, Vladimir Herzog, morto nos porões do DOI/CODI, após intensa seção de tortura.

Direito à Memória e à Verdade
Desde o início do governo Dilma Rousseff, o Projeto Direito à Memória e à Verdade trabalha com o propósito principal de estimular um ambiente político que favorece a criação da Comissão da Verdade. As frentes de trabalho são as mais diversas: edições de livros, exposições, memoriais. Do ano passado para cá, investiu no estímulo à criação de comissões da verdade regionais, no âmbito das Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas e entidades de defesa dos direitos humanos.

Agora, serão os sindicatos e entidades de classe. “Hoje, já temos uma verdadeira rede que atua em todo o país e cresce a cada dia. Nossa expectativa é que o trabalho produzido por esta ajude a Comissão da Verdade a fechar um relatório final com o peso que todo nós esperamos”, acrescenta. (Com Carta Maior)

Quando a vez é do Mar, 14º livro do Jornalista e escritor Carlos Lúcio Gontijo, mineiro ilustre de Santo Antônio do Monte, poeta nacionalmente conhecido, membro de várias academias literárias




 Quando a vez é do mar

                   Carlos Lúcio Gontijo

       Não podíamos deixar de registrar o lançamento de nosso 14º livro, o romance “Quando a vez é do mar”, que se deu em Belo Horizonte no dia 27 de abril de 2012, com a presença de grande público, numa comovente homenagem ao nosso trabalho literário, que vem desde 1977, quando lançamos o nosso primeiro livro.
       Incrivelmente, assistimos ao avanço do desapreço pela literatura, tanto pela propagação da cultura do som e da imagem quanto pela inexistência de efetiva política de incentivo à leitura, que se nos apresenta com baixíssimos índices no Brasil, onde sequer chamadas bienais ou feiras de livro conseguem a amplitude desejável, uma vez que concedem espaços privilegiados (muitas vezes remunerados) a gente que não é do ramo e que não passam de figurões bafejados pelos holofotes da mídia ignara e carro chefe da exaltação ao grotesco e desprovido de valor, ao passo que autores independentes permanecem desembolsando recursos próprios até mesmo para a obtenção de prateleira nos pontuais eventos de apresentação de livros.
       Ademais, o que se observa é que a maioria dos verdadeiros leitores não se encontra entre os abastados, mas sim nas camadas remediadas. Os que usam os (des)serviços de transporte público de passageiros sabem muito bem que, geralmente, se houver alguém lendo durante a incômoda viagem, é gente negra, mulata ou parda, que via de regra integra a camada mais pobre da população. Exemplo disso é a filha de pedreiro (presente ao evento) que há muito nos empresta seu braço em Contagem, que acaba de ser aprovada no Cefet, exatamente pelo cultivo do gosto pela leitura. Ou seja, a luta pela criação de hábito de leitura não é questão dependente ou afeita apenas à renda das famílias.
       Confessamos que o panorama no mercado de livros é tão contraditório e esdrúxulo que enfrentar o lançamento de obra literária independente numa cidade como Belo Horizonte é assumir elevado risco de insucesso, com magnitude suficientemente capaz de provocar o total desânimo a qualquer autor, conduzindo-o até mesmo a abandono do exercício da arte da palavra escrita.
       Dessa forma, sentimo-nos no dever de fazer agradecimento público a todos que optaram por prestigiar o nosso empenho literário, virando as costas aos vários apelos existentes numa capital, onde a violência desenfreada e o transporte caótico são um convite para o cidadão ficar quieto em casa. Assim, agradecemos profundamente a todos que nos deram a honra de sua presença. Foi uma enorme felicidade contarmos com apoio de vários escritores e poetas independentes, tais como Sônia Veneroso (presidente da Academia Santantoniense de Letras–ACADSAL), Ádlei Duarte de Carvalho, Regina Morelo, Luiz Cláudio Paulo, José Estanislau Filho, Antônio Carlos Dayrell, Fátima Oliveira, João Silva de Sousa. Além de Ieda Alkimim e Antônio Fonseca, que em nome da Academia Betinense de Letras nos outorgaram belo troféu de “Mérito Literário”, com gravação de expressivos versos extraídos de poema de autoria de Antônio Fonseca. “Dá para pressentir:/ Há um burburinho em cada esquina/ Em cada bairro da cidade/ Há um bêbado pensando ser sábio./ Há um mendigo saciado de fome” (...).
        Voltamos para casa com certeza de que a literatura ainda possui atração e força, pois do contrário não contaríamos com presenças ilustres como as do jornalista Hélio Fraga; do ex-secretário do Estado de Minas Gerais José Ulisses; do Professor Irineu, presidente da Câmara Municipal de Contagem; do jornalista Jorge Faria; dos irmãos advogados Sônia e José Magela Couto; do casal Ana Maria e Adílson Batista, que jamais deixou de ir a lançamento de livros nossos em BH; Ângela Maria Sales, autora de “Carlos Lúcio Gontijo na bateia de uma leitora”; e dos leitores Fernando Maia e Ambrosina Castelar, que vieram de Campinas (SP), para nos conhecer pessoalmente. Premiou-nos também com sua presença o jornalista e professor universitário Magnus Martins Pinheiro, que se deslocou de Teresina (PI) e aproveitou para nos agendar lançamento na capital piauiense no mês de agosto próximo.
       Indistintamente, derramamos com emoção o nosso mais profuso agradecimento a todos os amigos leitores presentes, que são uma espécie de coautores, uma vez que os que escrevem necessitam da sensibilidade e da intelectualidade de quem os lê. Sem isso, sem esse mar espiritual, as palavras grafadas no papel não têm onde desaguar.

      Carlos Lúcio Gontijo

     Poeta, escritor e jornalista

The Washington Post publica anúncio pedindo a libertação dos heróis cubanos


Menen votou a favor da renacionalização da YFP, privatizada em 1992 em seu governo; Angela Merkel admite a necessidade de um plano de crescimento para uma Europa devastada pela receita de austeridade germânica; o discurso da extrema direita na França e na Grécia às vezes soa como um brado esquerdista contra o Estado fraco e o abandono da sociedade aos espoliadores ; no Brasil, Gilmar Mendes & outros, do STF, votam por unanimidade a favor do sistema de cotas na universidade; Alckmin diz que o PSDB sempre defendeu a 'prevalência' do trabalho sobre o capital; Murilo Portugal, da Febraban, tentou afrontar o governo na queda de braços dos juros com a velha soberba financista; foi retirado de campo rapidamente pelos bancões que anunciaram a adesão (perfunctória, é certo) aos cortes nas taxas ... O que está havendo, além de oportunismo e conveniência episódica?


Jean Luc Mélanchon, de extrema esquerda, pode ter papel decisivo nas eleições francesas
                                                     
"...a crise sistêmica que interliga gregos e troianos escancara o custo devastador da dominância financista ali onde ela não encontrou contrapesos no poder Estado, nem a resistência da democracia mobilizada"

Menen votou a favor da renacionalização da YFP, privatizada em 1992 em seu governo; Angela Merkel admite a necessidade de um plano de crescimento para uma Europa devastada pela receita de austeridade germânica; o discurso da extrema direita na França e na Grécia às vezes soa como um brado esquerdista contra o Estado fraco e o abandono da sociedade aos espoliadores ; no Brasil, Gilmar Mendes & outros, do STF, votam por unanimidade a favor do sistema de cotas na universidade; Alckmin diz que o PSDB sempre defendeu a 'prevalência' do trabalho sobre o capital; Murilo Portugal, da Febraban, tentou afrontar o governo na queda de braços dos juros com a velha soberba financista; foi retirado de campo rapidamente pelos bancões que anunciaram a adesão (perfunctória, é certo) aos cortes nas taxas ... O que está havendo, além de oportunismo e conveniência episódica?

Talvez estejamos entrando no período mais decisivo da crise capitalista iniciada em 2008: aquele que coloca ao alcance da esquerda o desmascaramento histórico das idéias e agendas que hoje constrangem até personagens e força que por 30 anos subordinaram os destinos da economia e da sociedade à supremacia das finanças desreguladas.

A trágica herança desse período acumulou massa crítica na fornalha do discernimento social . Afogada em desemprego - que cresceu 66% entre seus Estados membros desde 2008, segundo a OIT - a União Européia tornou-se a chaminé sombria desse estágio terminal. A imolação da Espanha pelo governo direitista do PP corrige quem se iludiu com 'a especificidade perdulária dos gregos'; ou relevou como tragicomédia o naufrágio italiano sob o comando de um Don Juan.

As histórias nacionais são sempre específicas. Mas a crise sistêmica que interliga gregos e troianos escancara o custo devastador da dominância financista ali onde ela não encontrou contrapesos no poder Estado, nem a resistência da democracia mobilizada.

O enlouquecido repto da direita espanhola escalpela a 4ª maior economia do euro em praça pública, ao custo de 5,6 milhões de desempregados, mais o desmanche do sistema de ensino e da saúde pública. E pur se muove : e mesmo assim os capitais continuam a fugir do país, a ponto de esculpir nuances de perplexidade no olhar catatônico do mandatário Mariano Rajoy que tudo faz a seu contento.

Nunca na série histórica do BC espanhol,desde 1990, houve registro de uma debandada tão persistente e graúda: desde junho investidores tiraram 128,5 bi de euros do país; a curva ascendente marcou novo pico em fevereiro com a saída de 25,5 bi de euros, quando os próprios espanhóis ricos remeteram outros 13 bi de euros para cofres estrangeiros.

É uma sangria que todos enxergam e fingem não entender: o ajuste baseado em arrocho, recessão e consequente queda de receita conflita nos seus próprios termos com a meta perseguida de equilíbrio fiscal. A fuga ressalta o objetivo superior de obter liquidez, zerar posições, evadir-se, antes que seja tarde (nesta segunda-feira, pelo segundo trimestre consecutivo, a economia espanhola registrou resultado recessivo, com queda do PIB de menos 0,3%; 16 bancos locais tiveram avaliação piorada por uma agência de risco ingrata aos esforços do austericídio oficial).

As urnas francesas do próximo domingo, dia 6, vão testar a extensão desse discernimento na consciência européia. Pela primeira vez, a mistificação do debate sobre a natureza da crise e suas alternativas foi polarizada por uma visão consequente, personificada na candidatura de Mélenchon, cuja fatia de 11% dos votos pode ser decisiva à vitória de Hollande.

Mais estratégica ainda será a persistência da pressão política da Frente de Esquerda num eventual governo socialista francês. Induzí-lo a adotar políticas que respondam de fato à natureza da crise -por exemplo, a regulação do sistema financeiro- será decisivo para saltar da revolta à construção de uma nova hegemonia política no coração do euro.(Com Carta Maior)

Jornal "A Verdade" divulgou: famílias da Comunidade Eliana Silva cercada pela polícia em Belo Horizonte

                             

Na madrugada do dia 21 de abril, cerca de 350 famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), reivindicando o direito garantido pela Constituição brasileira de acesso a moradia digna o povo organizado, realizou uma nova ocupação urbana em Belo Horizonte numa área que não cumpre a função social da terra.
A ocupação é uma consequência do descaso da Prefeitura e do Governo do Estado frente ao déficit habitacional no estado, que chega a índices alarmantes, denunciados pelos movimentos sociais e órgãos de imprensa.
Entretanto mesmo sendo um direito, as famílias ocupadas estão sobre forte cerco policial. Desde as 4 horas da manhã, homens do Batalhão de Choque estão no local ameaçando as famílias e helicópteros sobrevoaram a ocupação por toda a noite. Contamos com a solidariedade de todos, pois não vamos permitir que um novo Pinheirinho aconteça em Belo Horizonte. O endereço da ocupação é Av. Perimetral na altura da fábrica Premiaço, Barreiro de Baixo.


Serra aponta a falsa ligação do PSDB com os trabalhadores
                                           
1º DE MAIO: A GÊNESE DO PELEGUISMO 


 
"Cada patrão mandou dez funcionários para cá. A gente tem que ficar até o fim [do evento] e levar o comprovante de que veio, para não descontar o dia de trabalho" . A confidência foi feita por um dos participantes do primeiro congresso do "núcleo sindical" do PSDB, realizado em São Paulo, na última sexta-feira, conforme relato da Folha (28-04).

Uma espécie de avant-première do 1º de Maio, o encontro liberou caciques tucanos para o feriadão prolongado com a consciência do dever cumprido. A lotação proletária foi assegurada pelo engajamento natural das bases: donos de construtoras e empreiteiras que prestam serviços ao Estado convocaram seus trabalhadores à luta, com direito a sanduíche de queijo, suco, biscoito e maçã.

Mediante comprovante de comparecimento, a militância teria o dia abonado trocando o saco de cimento pela faiscante oratória tucana. Cada empresa foi convocada a encaminhar pelos menos dez operários ao meeting. Serra nem gaguejou ao afirmar aos presentes que a relação do PSDB com sindicatos 'não é novidade'; em seguida, pediu apoio à candidatura a prefeito de SP. "Temos nossa primeira tarefa: mobilizar nossos sindicalistas para a campanha eleitoral deste ano", disse o ex-governador com indisfarçável mal humor diante do rival Aécio Neves 
. Alckmin foi de longe o mais combativo; sapecou um 'companheiros e companheiras' na saudação e arrematou com a frase cuja autenticidade sintetiza a de todo o evento: "O PSDB é um partido que dá prevalência ao trabalho sobre o capital".
(Carta Maior; 2ª feira/30/04/2012)

Todo apoio ao MST à nacionalização da YPF pelo governo de Cristina Fernandes Kirchner na Argentina

                                    
Cerca de 1,5 mil Sem Terra levaram seu apoio ao

governo argentino - Fotos: Maria Mello



Na semana em que se mobilizaram em Brasília por Reforma Agrária e pelo fim da impunidade no campo, os cerca de 1,5 mil trabalhadores rurais Sem Terra acampados na capital federal também levaram seu apoio e solidariedade às iniciativas do governo argentino em defesa da soberania de seu povo. No dia 16 deste mês, a presidenta Cristina Kichner anunciou que o governo encaminhou projeto de lei ao Congresso Nacional estabelecendo a expropriação de 51% das ações da espanhola Repsol na YPF.

Durante o ato, que aconteceu na sexta-feira (20), uma comitiva do MST foi recebida pelo ministro da embaixada, Fernando Brun.

“Somos um processo histórico, herdeiros de lutas travadas por San Martin, Bolívar, Martí, e em todas elas há um elemento fundamental: a construção da “pátria grande”, a pátria latino-americana. O Norte sempre tentou nos afastar disso, mas sempre nasce em cada momento histórico uma luz de integração popular. Hoje há uma possibilidade real de integração dos países que estão na ALBA, na CELAC, para que possamos ter uma integração real, popular, que ninguém consegue deter quando acontece”, afirmou Alexandre Conceição, integrante da coordenação nacional do MST, para quem a nacionalização deveria ser exemplo para o governo brasileiro. “Os recursos naturais são de vocês e são vocês quem têm de cuidar deles, da forma que acharem melhor. Esse exemplo do governo argentino e de seu povo nos faz acreditar que o sonho da integração popular é possível. A presidenta Dilma deveria fazer o mesmo”, defendeu.

“Quero agradecer o apoio do MST ao processo de nacionalização da companhia YPF. Os países e os povos latino-americanos deixaram bem claro qual é a meta da integração: uma integração entre governos, mas que seja diretamente relacionada com a dimensão social e que promova a integração entre os povos. Vocês têm meu compromisso de que as palavras de apoio do MST serão transmitidas à presidente Cristina. Essa solidariedade dos grupos sociais representa muito num momento como esse, porque representa o apoio do povo, mais do que de um governo. De coração, muito obrigado”, disse o diplomata, que também mencionou a necessidade de integração dos povos sul-americanos em defesa da soberania das Ilhas Malvinas. (Com o Jornal de Fato)
Antonio Gramsci: 75 anos de sua morte
Há  75 anos , em 27 de abril de 1937, morreu Antonio Gramsci, comunista italiano.

O mundo de Gramsci

Guido Liguori

As Cartas do cárcere provavelmente não têm nenhum rival, na literatura italiana do século XX, em termos de testemunho de desinteresse pessoal, senso de dever, concepção alta da "missão do douto" e do político. É conhecido o trecho de uma carta à mãe em 10 de maio de 1928: "A vida é assim, muito dura, e os filhos devem às vezes trazer grandes sofrimentos para suas mães, se querem conservar sua honra e sua dignidade de homens. [...] no fundo, eu mesmo quis a prisão e a condenação [...] porque nunca quis mudar minhas opiniões, pelas quais estaria disposto a dar a vida e não só a ficar na prisão".
 
O mundo dos afetos familiares, mesmo sendo tão importante para Gramsci no cárcere, é posto em segundo plano; tem um limite insuperável no fato de que existe um dever superior, que se refere à esfera da ética pública. "O mundo grande e terrível, e complicado" - como várias vezes o define Gramsci - pode colocar um filho na condição de sequer dar esperança à própria mãe. Gramsci sabe que está doente; sabe que o cárcere pode ser (e de fato será) fatal para si; sabe que bastaria um pedido de clemência ao chefe de Governo [Benito Mussolini] para sair, para poder se tratar, para salvar a vida; sabe que, provavelmente, este seu gesto poderia até ser recebido com indulgência e compreensão, precisamente porque não fazê-lo significaria uma condenação que nem o Tribunal Especial ousara impor-lhe; mas sabe que seu gesto, embora legítimo, embora previsto pelas normas vigentes, seria usado pelo inimigo e pela propaganda.
 
Sua gente - derrotada, perseguida, presa - viria assim a saber que até ele, o líder, o máximo dirigente do partido no qual - certa ou erradamente - tantas esperanças tinham sido depositadas, até ele se rendera, até ele cedera, até ele vergara a cabeça diante do chefe de Governo, do líder dos inimigos. Por isto, Gramsci não fará e jamais há de querer fazer, jamais há de permitir que em seu nome se faça o pedido de clemência, como seus familiares repetidamente lhe pediram. Por isto, Gramsci foi assassinado pelo cárcere, quando teria podido se salvar: pelo seu senso de dever, pela dimensão ética intrínseca na sua escolha política.

 
FONTE: LIGUORI, Guido. Roteiros para Gramsci. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2007, p. 130 e 131.
Razão e paixão em Gramsci
Como poucos, Gramsci conseguiu entrelaçar razão e paixão, quer dizer, filosofia e política. Nele a relação dialética entre essas duas "virtudes", essenciais e inseparáveis na vida humana e social, resulta em uma intensa paixão política racionalmente conduzida e em uma profunda investigação teórica voltada para um revolucionário agir político.
 
Hoje, como nunca, a filosofia da práxis delineada por Gramsci guarda não só toda a sua vitalidade, mas se abre para novos e mais elevados desafios de transformação da realidade. Seu instrumento de análise e a revolucionária concepção de mundo que descortina tornam-se referenciais imprescindíveis na construção de uma nova civilização que exige embates cada vez mais difíceis e planetários diante dos quais ninguém pode considerar-se neutro e omisso.
 
FONTE: SEMERARO, Giovanni. Gramsci e os embates da filosofia da práxis. Aparecida, SP: Idéias & Letras, 2006. (Com Prestes a Ressurgir)


Allan Freed

Fernando Ferro

Gilberto Gil

Jorge Ben

Sérgio Cabral

Mário Lago
                                                                                                                                  
JABACULÊ E OUTRAS MUTRETAS
·        Hermínio Prates


A ocupação militar do Iraque e a carnificina no Afeganistão podem chegar ao fim, caso se possa acreditar nas promessas de Barack Obama, mas aqui na terra onde pipilam os pardais - essa praga alada que nos aporrinha desde 1903, quando aqui foi introduzida – outra é travada nos bastidores do rádio e da televisão. Sobre pardais e enganos, digo que esses emplumados da família passeridae, do gênero passer e petronia foram importados porque diziam que eles poderiam comer o mosquito da febre amarela. Mas que nada, cantaria décadas depois o antigo Jorge Ben, hoje Benjor que mudou de nome, mas não remoçou o repertório. Os pardais comeram e comem tudo, menos os mosquitos que afligem os fracos e favorecem os poderosos no desvio de verbas para combate às endemias rurais e urbanas. Ah, se não fosse o Oswaldo Cruz, que venceu a intolerância e a ignorância na guerra da vacina no século passado e atrasado...
Foi na época gerenciada por Rodrigues Alves (1902/1906), que deu carta branca ao prefeito Pereira Passos e ao sanitarista inovador que garantiu – e cumpriu! – acabar com a varíola, a febre amarela e a peste bubônica disseminada pelos ratos. A Revolta da Vacina, em novembro de 1904, é fato a lamentar e nunca repetir. Confira nos alfarrábios históricos.
Ainda sobre os pardais: militantes ecológicos garantem que eles estão em extinção porque, com a devastação do habitat dos gaviões, eles estão se mudando para as grandes cidades, onde o cardápio se resume a pardais e pombos, mas é farto, embora não variado.
A surda guerra nos bastidores? Ah, sim! O motivo do conflito é a  proibição do jabaculê, amiudado para jabá, prática criminalizada graças à iniciativa do deputado Fernando Ferro, do PT. A legislação prevê penas que variam da multa à detenção de um a dois anos, além da cassação da emissora que receber grana para favorecer determinado artista e/ou música em sua programação.
Como funciona o jabá, pergunta você e respondo eu. Simples: a gravadora contrata determinado número de execuções diárias, a posição de tal música nas paradas de sucesso, paga por apresentações do artista em programas de auditório e outros shows televisivos e, para dar “veracidade” ao fenômeno musical, paga por críticas favoráveis de jornalistas e/ou pseudos entendidos do feito. O supra sumo para o sucesso é a inclusão da música como trilha sonora de novelas ou minisséries. Aí sim, não há tatibitate com míseras notas musicais que não faça sucesso.
Quer saber a origem do jabá? Informo. Como o que não presta quase sempre vem dos Estados Unidos, de origem ele é conhecido como        payola” e “song plugging”, devendo cada qual conferir no pai dos burros em inglês. O macete fez parte da estratégia de marketing usada pela indústria fonográfica, principalmente na divulgação do rock n’roll nas rádios norte-americanas. A baixa qualidade do rock deu origem a um atuante lobby dos conservadores, que forçou a Câmara dos Deputados a tornar a prática do jabá em crime. O pulo do gato foi ensaiado por Albert James Freed, o esperto DJ Alan Freed, que teria cunhado a grife rock n’roll no imaginário musical. E o sacana, além de popularizar uma expressão antes utilizada apenas para referir-se ao ato sexual em letras, tanto abusou nos permissivos shows Rock Jamberee que foi condenado pela rígida justiça dos prepotentes e puritanos descendentes oriundos do May Flower.
Em 2006, os empresários mal tinham ouvido falar do projeto contra a prática do jabá e as enormes goelas começaram a se contrair em frenéticos espasmos diante da possibilidade de perderem um rico e fácil dinheirinho.
Como até as amebas sabem, a tramóia funciona da seguinte forma: a indústria fonográfica decide fabricar mais um ídolo de barro, compra espaços na televisão e nas emissoras de rádio e o mocinho (ou mocinha), de um momento para outro, se transforma em sucesso absoluto, gerando gordo lucro para a indústria. E o mico cultural sobra para telespectadores e ouvintes de rádio, que são forçados a consumir a droga musical.
Nem sempre foi assim, pois quando o rádio engatinhava a programação de cada emissora era mantida graças à participação dos mais chegados, que emprestavam os discos. Essa foi a árdua era das “sociedades” e “educadoras”, expressões que até hoje integram o nome de algumas emissoras radiofônicas.
 Foi nessa época que um abnegado locutor, cujo nome a história do rádio fez questão de não preservar, decidiu gastar a sola dos sapatos percorrendo as lojas de discos para descobrir quais eram os mais vendidos. Foi assim que surgiu a primeira parada dos preferidos, que depois foi vendida como de “sucessos”. Há uma referência a esse pioneiro em uma das obras de Sérgio Cabral, o pai. Ou seria nas do briguento pela música brasileira, José Ramos Tinhorão? Ou Tárik de Souza? Não me lembro. Também pode estar nas memórias do correto Mário Lago, que conta nos livros “Na rolança do tempo” e “Bagaço de beira-estrada” fatos da história e do rádio.Desculpe, mas a preguiça me impede de conferir.
Nos tempos do rádio vivo, a programação musical era feita de acordo com o time de artistas contratados. Se havia apenas um regional, era com ele que os ouvintes se entretinham, ficando o repertório a critério dos músicos e cantores, pois apenas uns poucos artistas transitavam por todos os gêneros musicais.
 Os donos das rádios contratavam uns e outros, empinavam carreiras, detonavam outras, mas o negócio discográfico nem de longe se aproximava do que é hoje, mesmo considerando os altos investimentos de algumas gravadoras no veículo, que ainda nem desconfiava do poder que detinha.
Com o incremento das gravações, os cantores, ávidos pelo sucesso, gastavam muita sola de sapato e saliva para conseguirem ter o disco divulgado. Iam aos programas, davam canja sempre que possível,  imploravam a Deus e ao diabo e mesmo quando  “chegavam lá”, faturavam quase nada com a vendagem dos cebolões (a indústria pagava migalhas).No entanto, numa espécie de compadrio, na base do “você me dá um agrado, paga por fora, que eu rodo sua música, encho sua bola com os ouvintes”, tinha nome e obra divulgados.
 E assim se passaram muitos anos, com alguns donos de programas do Rio e de São Paulo, principalmente,  conseguindo invejáveis patrimônios graças ao “inocente” jabaculê.
Mas como multinacional não dá milho a bode tupiniquim  e o empresariado, entre o lucro e a cultura  popular, sempre opta pelo tlim tlim da registradora, o histórico jabá trocou de nome e hoje atende pela sofisticada denominação de “verba de divulgação”.
Assim, enquanto os apresentadores de programas perderam a boquinha, os donos da rádio estão embolsando uma gorda fatia no efervescente ramo da lavagem cerebral através da música. Já foi comprovado que grandes redes de rádio chegam a cobrar até R$ 50 mil para incluir uma música de lançamento em sua programação. E nem dá para contar a dinheirama que se paga para ser “atração” em um dos muitos shows da televisão.
Punição? Nenhuma. Ou alguém tem notícia de alguma emissora cassada ou concessionário preso? No Brasil algumas leis “pegam”, outras não e as que vigem nunca esfolam os calos dos poderosos. A lei 1.048/2003 existe mesmo? A se crer no dito e escrito pelo cantante Gilberto Gil, quando ainda obrava como ministro da Cultura, ela não tem futuro. Assim como não têm os artistas excluídos do sistema.
Diante do exposto, a equação é simples: poucos ganham rios de dinheiro e muitos perdem a identidade cultural. Isso explica a origem do tcham e porque nobres egüinhas pocotozeiam livres nos pastos da ignorância.
·        Jornalista

Mais de 68% acham Lenin um nome importante na Rússia e que não há necessidade de mudar os nomes das avenidas, praças e ruas batizadas em homenagem ao líder revolucionário

                                                       

Um relatório do instituto russo FOM (Fundo de Opinião Pública) informou na semana que no decorrer dos últimos seis anos aumentou em 10% o número de pessoas que acham que o corpo de Lênin deve ser enterrado. Desde agosto de 1999, caiu para 28% o número de respondentes que defende que ocorpo de de Lênin deve permanecer no mausoléu da Praça Vermelha.


De acordo com os resultados da pesquisa,realizada às vésperas do aniversário do líder revolucionário, em 22 de abril, 60% dos russos consideram a data como "importante", enquanto 32% dos entrevistados discordam dessa afirmação. O número cresce constantemente desde 2004, quando apenas 26% davam importância ao jubileu de Lênin.

Mais de metade dos entrevistados, 54% estão convencidos de que Lênin foi uma boa pessoa, e acreditam que ele teve um papel positivo na história da Rússia. Já outros 19% discordam da afirmação.

Ainda de acordo com os dados do FOM, 68% dos russos acreditam que não há necessidade de mudar os nomes das avenidas, praças e ruas que batizadas em homenagem ao líder revolucionário.

A pesquisa foi realizada entre 14 e 15 de abril de 2012, em 100 localidades de 43 unidades federais da Rússia, com mais de 1.500 respondentes.(Com a Gazeta Russa)
                                                              CUBA
¡Todos mañana al Desfile!

Comenzará a las 7 y 30 de la mañana en la Plaza de la Revolución José Martí. Se transmitirá en vivo por la televisión y la radio cubanas. Será una jornada masiva de reafirmación revolucionaria a lo largo y ancho del país
El desfile central nacional con el que los trabajadores y el pueblo festejaremos el Primero de Mayo, comenzará a las 7 y 30 de la mañana en la histórica Plaza de la Revolución José Martí, en La Habana.
La fiesta en la capital, que será multitudinaria manifestación de reafirmación revolucionaria, la encabezarán más de 50 000 trabajadores de la salud y el cierre corresponderá a las jóvenes generaciones de estudiantes de las enseñanzas media y superior, combatientes de las FAR y del MININT, deportistas y futuros maestros.
Con este desfile, además de los que tendrán lugar en plazas y avenidas principales de las capitales provinciales y ciudades cabeceras de los municipios del país, la celebración del Día Internacional de los Trabajadores servirá para ratificar la firme decisión de los cubanos de continuar luchando por preservar y perfeccionar el socialismo, su compromiso con el cumplimiento de los Lineamientos de la Política Económica y Social del Partido y la Revolución, así como para exigir el cese del criminal bloqueo a nuestro pueblo, y la liberación y el regreso a la Patria de nuestros Cinco Héroes.

Cubavisión, Cubavisión Internacional, Radio Rebelde y Radio Habana Cuba transmitirán en vivo los pormenores del magno desfile en la Plaza de la Revolución.
                                                      
Daniela Mercury e o show em Israel

Da Frente em Defesa do Povo Palestino:

Cara Daniela Mercury,

Amigos palestinos, admiradores de sua música, nos escreveram assim que souberam que você pretende fazer um show em Israel, em maio próximo. Como parte do chamado feito pela sociedade civil palestina em 2005 para o Boicote, o Desinvestimento e Sanções (BDS), e inspirado pelo boicote cultural ao apartheid na África do Sul, o povo palestino pede a artistas internacionais que se juntem ao movimento BDS cancelando shows e eventos em Israel, que só servem para igualar o ocupante ao ocupado e, portanto, promover a continuação da injustiça.
Em outubro de 2010, o sul-africano Desmond Tutu, consagrado com o Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra o apartheid, apelou à ópera de seu país para cancelar a apresentação agendada em Israel. Um show em território israelense enfraquece a chamada para o BDS até que Israel cumpra os requisitos básicos do direito internacional, pondo fim à ocupação militar, à tomada de terras e à construção de novas colônias nos territórios palestinos. Na mesma linha, respeite os direitos humanos, à autodeterminação do povo palestino e ao retorno a suas terras e propriedades.

A participação em um show em Israel não é um ato neutro, desprovido de qualquer mensagem política. Ao participar de um evento em Israel, você estará apoiando a campanha israelense para encobrir violações do direito internacional e projetar uma imagem falsa de normalidade. Qualquer afirmação em contrário que um artista deseje fazer por meio de sua participação nesse evento será ofuscada pelo fato de que está atravessando um piquete internacional, estabelecido pela grande maioria das organizações da sociedade civil na Palestina. Na verdade, uma mensagem de paz justa atingirá muito mais pessoas, incluindo israelenses, se você cancelar a sua participação.

Desde a ofensiva de Israel a Gaza em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que deixou 1.400 palestinos mortos e conduziu à elaboração do relatório Goldstone, o qual não deixa dúvidas que Israel cometeu crimes de guerra, muitos artistas internacionais se recusaram a tocar em um país que se coloca acima dos direitos humanos e do direito internacional. Após o ataque de Israel a um navio de ajuda humanitária com destino a Gaza em maio de 2010, o número de artistas cresceu. Elvis Costello, Gil Scott Heron, Carlos Santana, Devendra Banhart e os Pixies são apenas alguns dos que se recusaram a realizar shows em Israel naquele ano. Roger Waters é outro exemplo de pessoa pública que assume posição contrária às violações dos direitos humanos por Israel. No período em que realizou turnê no Brasil, entre final de março último e início deste mês, fez declarações à imprensa nesse sentido e em apoio à campanha por BDS.

Pedimos-lhe para se juntar à lista crescente de artistas que têm respeitado o pedido de boicote. Como disse o sul-africano Desmond Tutu, "se o apartheid na África do Sul terminou, essa ocupação também terminará, mas a força moral e a pressão internacional terão de ser tão determinadas quanto". Por justiça, o chamado palestino para o BDS deve alcançar o mundo, incluindo Israel. Ficaremos felizes em discutir isso mais a fundo com você e apoiá-la no quer for necessário. Nós estamos simplesmente pedindo que você cancele seu show em Israel, de modo a não prejudicar o aumento global do movimento por boicotes ao apartheid a que está submetido o povo palestino. Aproveitamos para convidá-la a participar dessa nobre luta por uma causa da humanidade. Com grande respeito,

Frente em Defesa do Povo Palestino
União Democrática das Entidades Palestinas no Brasil
Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro
Centro Cultural Árabe-Palestino Brasileiro de Mato Grosso do Sul
Sociedade Árabe-Palestina de Corumbá
Comitê Árabe-Palestino do Brasil
Sociedade Palestina de Santa Maria
Centro Cultural Árabe-Palestino Brasileiro do Rio Grande do Sul
Sociedade Palestina de Brasília
Sociedade Palestina de Chuí
Frente Palestina da USP (Universidade de São Paulo)
Sociedade Islâmica de Foz do Iguaçu
Sociedade Islâmica do Paraguai
Associação Islâmica de São Paulo
Coletivo de Mulheres Ana Montenegro
Movimento Mulheres em Luta
Marcha Mundial das Mulheres
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e da Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos
MDM – Movimento pelo Direito à Moradia / SP
MTL – Movimento Terra, Trabalho e Liberdade
Fepac – Federação Paulistana das Associações Comunitárias
CUT – Central Única dos Trabalhadores
CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular-Coordenação Nacional de Lutas
Mopat – Movimento Palestina para Tod@s
Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada
Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre
Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
Coletivo de Juventude dos Metalúrgicos do ABC
Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre
SindiCaixa-RS
Andes-SN – Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior
Sintusp – Sindicato dos Trabalhadores da USP (Universidade de São Paulo)
Apropuc – Associação dos Professores da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)
Sindicato dos Metroviários de São Paulo
Federação Nacional dos Metroviários
Grupo M19
SOS Racismo, Portugal
Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (Portugal)
Comitê de Solidariedade com a Palestina, Portugal
GAP - Grupo Acção Palestina, Porto, Portugal
Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGay Transfobia, Portugal
Amyra El Khalili – economista
Clovis Pacheco Filho – sociólogo e jornalista
Claudio Daniel - poeta
Valter Xéu - Jornalista

Mudei de ideia: agora sou Lula

Quinho/Divulgação
                                                                                                            

Hoje, refletindo sobre o efeito do nada, sobre o porra nenhuma, me dei conta de que o Brasil é o único país do mundo que foi:
>
a) governado por um alcoólatra que instituiu uma lei seca;
>
b) um analfabeto que assinou uma reforma ortográfica;
>
c) tem um filho formado em porra nenhuma, que é o gênio das finanças, e
>
d) teve a cara de pau de pedir a Deus para dar INTELIGÊNCIA a Barack Obama, que é formado em Harvard.
>
Depois disso, EU TINHA QUE MUDAR DE LADO.
>
Resolvi ficar ao lado de Lula. Que me desculpem os meus amigos e, por favor, não me critiquem, nem mandem e-mail's indignados. Antes, reflitam melhor sobre a situação atual. Tenho certeza que também ficarão ao lado do Lula.
>
Afinal, se eu ficar atrás... ele me caga e se eu ficar na frente...ele me fo...
>
Portanto, a melhor opção é ficar ao lado dele.
>
> ENQUANTO ISSO, ESPERO E SONHO QUE TUDO VOLTE AO NORMAL.
>
> Será o dia em que:
>
> ARRUDA será uma simples plantinha pra espantar mal olhado;
>
> GENUÍNO será algo verdadeiro;
>
> GENRO apenas o marido da filha;
>
> SEVERINO apenas o porteiro do prédio;
>
> FREUD voltará a ser o só criador da Psicanálise;
>
> LORENZETTI será só uma marca de chuveiro;
>
> GREENHALGH voltará a ser um almirante que participou de nossa
>  história;
>
> Dirceu, Palloci, Delúbio, Silvio Pereira, Berzoini, Gedimar, Valdebran, Bargas, Expedito Veloso, Gushiken,Renan etc, serão
> simples..... presidiários.
>
> E LULA APENAS UM FRUTO DO MAR.
>
> Finalmente, quando olho meu título de eleitor velhinho, coitado,sempre usado desde os 18 anos de idade, e vejo o Lula aliado ao Collor e, pasmem, na defesa da vida ilibada dos Sarneys, concluo que entendo o verdadeiro significado do nome 'ZONA ELEITORAL'  escrito nele!"
>
> "A  mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original "  (Einstein).
                 
Um pensamento imortal de Darcy Ribeiro, um brasileiro como poucos

“Tenho mais orgulho dos meus fracassos do que algumas pessoas podem ter do seu sucesso. Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente… e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

domingo, 29 de abril de 2012

Para nenhum nacionalista botar defeito...

                                  José Carlos Alexandre

        Sou do tempo em que se pensava duas, três vezes, antes de se ingerir uma Coca Cola ou uma Pepsi. Havia mesmo lugares que não aceitavam vender esse tipo de bebida "made in USA" ou de origem norte-americana.

        Eu próprio, mesmo em visita aos EUA, evitava Coca ou Pepsi, contentando-me com sucos de laranja, nem sempre importados do Brasil, mas oriundos da Califórnia...

        Quanto aos drinques minha predileção sempre foi por um bom Cuba Livre ou uma boa vodka embora  depois tenha-me apaixonado pela nossa inimitável aguardente ou mesmo por um bom bourbom, como o Jack Daniels..
        Hoje, mais maduro, volto-me para a Cola Zero... São coisas da vida.

        Mas nos anos 60 contentava-me com os chopes no Malleta todas as manhãs de sábado quando ali comparecia para entregar minha coluna "Café Pequeno", ao jornal "O Debate", qua funcionava na sacada do edifício, a um lance de escadas...
       Na ocasião mantinha colunas tmbém nos jornais "Estado de Minas", aos domingos, no então "Diário da Tarde", diariamente, e no "Minas Gerais" ( órgão oficial do Estado).

       À exceção do DT, onde escrevi colunas e editoriais até 2007, nos demais jornais recebia um pro-labore , 
        Também tive experiência de trabalhos em rádio ( na antiga Mineira, como noticiarista, e na Guarani, como editorialista) embora não por mais de dois anos.
        Foi antes de criar meu próprio jornal, "União Sindical", junto com José do Carmo Rocha e João de Paulo Pires, meus queridos companheiros de profissão, já falecidos.

         Mas volto ao Malleta para lembrar-me do período em que eu e muitos de minhas relações, como o Gilberto Faria, que está aí no Facebook e não me deixa mentir, evitávamos a Coca Cola...
         
         Este nariz-de-cera todo é para responder  uma leitora-espectadora que acessou o YouTube  e deparou com meu vídeo dos 90 anos do PCB.

        Notou ela em que determinado trecho aparem bebidas como Fanta, Coca Cola etc. e indaga como  pode um vídeo do PCB exibir tais bebibas...

        Vamos ao contexto. Estávamos todos num plenário completamente lotado na Câmara Municipal de Sabará.

     E o calor era insuportável, a ponto de um funcionário do Legislativo, a]volta e meia servir água para todos, nçao apenas os da mesa diretora dos trabalhos.

         Já  quase no finalzinho da solenidade, a Câmara, muito gentil, ofereceu um coquetel a todos...Com Coca Cola e tudo o mais...

         Claro que ninguém se fez nacionalista o bastante para recusar um pouco de refrigerante. Ademais estávamos londe dos anos 60...

          O que não aparece no vídeo é que a celebração do grande feito do Legislativo sabarense em comemorar os 90 anos do PCB se deu em outro palco.

          Foi na residência de um velho comunista, Joaquim Goulart, secretário político do Comitê Central do PCB em Sabará.

          E  a bebida não poderia ser mais nacionalista: nossa inimitável pinguinha, acompanhada de caprichoso caldo de feijão  e uma magistral canjica...

          Para nacionalista, internacionalista, comunista nenhum botar defeito...

          Em Tempo: nos anos 60, pelo menos até 31 de março de 1964, trabalhava e com muita dedicação, na Sucursal do jornal "Novos Rumos", na rua Carijós, 121, onde fazia reportagens sindical e/ou camponesas e mantinha coluna assinada com os pseudônimos de Carlos Basílio e de João Pedro Teixeira, este último em homenagem ao "Cabra marcado para morrer", objeto de um filme de Eduardo Coutinho.

           O jornal foi empastelado e diretores perseguidos, alguns mortos e "desaparecidos".
      
             Neste ponto, sou sobrevivente, milagrosamente sobrevivente e continuo fazendo a mesma coisa: militando no mesmo partido e trabalhando e  seus órgãos  de  divulgação....
               




       
       

1º DE MAIO É DIA DE LUTA E RESISTÊNCIA DOS TRABALHADORES

Trabalhador, obra do artista plástico espanhol Carlos Carreteiro, publicada com autorização especial do autor  ao  jornalista José  Carlos Alexandre
                                   
                                                                                

(Nota Política do Comitê Central do PCB)
São vários os desafios para a classe trabalhadora neste 2012. A agudização da atual crise do capitalismo desperta a sanha imperialista por novas guerras, como no caso da Síria e do Irã; desmascara o poder dos grandes bancos e das corporações industriais multinacionais sobre a autodeterminação dos povos, como na Grécia e na Itália; e traz mais arrocho econômico e retirada de direitos para trabalhadores de todo o mundo – inclusive de nós, brasileiros.
A crise encontra no Brasil um governo que se alia cada vez mais ao capital e contra os trabalhadores, como comprovam os cortes no Orçamento, de cerca de R$ 50 bilhões em 2011 e outros R$ 50 bilhões agora em 2012, e a retirada de direitos trabalhistas através de legislação que altera a relação entre patrões e empregados nas médias e pequenas empresas.
Nem mesmo a “medida de contenção” dos anos anteriores o governo está disposto a oferecer: a liberação de crédito (uma política de endividamento crescente da população que dá às camadas populares a ilusória sensação de melhoria de vida) é cada vez mais dificultada pelo sistema financeiro.
O Governo Dilma atende prioritariamente aos interesses e necessidades dos grandes banqueiros, dos especuladores e das grandes empresas que exploram o trabalhador brasileiro: ao mesmo tempo em que retira recursos do Orçamento para as pastas de Saúde e Educação, entre outras, concede benefícios fiscais direcionados a estes setores da Economia, como no último “pacotaço” do Executivo, apoiado pelo sindicalismo patronal e por representações da classe trabalhadora, como a CUT, a CTB, a Força Sindical, que agem em favor do capital e aderiram ao governo e sua política, fazendo o jogo da conciliação de classes.
Dilma mantém intacta a sangria do pagamento dos juros e amortizações da dívida pública brasileira: mesmo antes do corte de R$ 50 bilhões, 47,19% dos recursos do orçamento da união previstos iriam para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública, enquanto a Saúde ficava com 3,98% e a Educação com 3,18%.
Esses fatores explicam o fato de sermos a sexta maior economia do mundo e ocuparmos a 84º posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com o sucateamento da saúde pública, as escolas mal equipadas e baixos salários para os profissionais da saúde e educação, transporte público precário nos grandes centros urbanos, falta de moradia digna e péssimas condições sanitárias para um número ainda enorme de lares brasileiros.
Continuam os leilões dos campos de petróleo e de áreas de exploração no pré-sal, com a participação de empresas que não têm as condições técnicas de operar nesses campos sem colocar em risco o ecossistema, como no recente caso da Chevron. São priorizados os lucros das grandes empreiteiras, as maiores beneficiárias, juntamente com os bancos, dos governos FHC e Lula, com obras como a de Belo Monte e Jirau e as instalações esportivas para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Por outro lado, cresce a insatisfação de diversos grupos sociais contra este estado de coisas, como atestam as manifestações quase diárias contra a calamidade dos transportes públicos. Os trabalhadores das obras do PAC também reagiram às condições de superexploração e semiescravidão impostas pelas empreiteiras como a Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e outras – muitas delas financiadoras das campanhas eleitorais do PT e de seus aliados.
Como demonstrou a manifestação em favor do “Pacotaço” ocorrida em São Paulo , as centrais sindicais ligadas ao governo repetirão este ano as grandes festas no 1º de Maio, com artistas famosos, distribuição de brindes, bebidas e sorteios, além de muito discurso a favor do Governo e do “pacto entre trabalhadores e patrões”. A velha máxima do “pão e circo” será a tônica em muitos centros urbanos do país, buscando desarmar ideologicamente a classe trabalhadora brasileira no enfrentamento ao patronato e ao sistema capitalista.
Para o PCB, a hora é de reforçar a unidade dos movimentos populares, das forças de esquerda e entidades representativas dos trabalhadores, no caminho da formação de um bloco proletário capaz de contrapor à hegemonia burguesa uma real alternativa de poder popular, com a organização da Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, que possa ordenar ações unitárias contra o poder do capital e do imperialismo, rumo à construção da sociedade socialista. Propomos a luta por:
Redução da jornada de trabalho sem redução de salários
Salário mínimo do Dieese; Fim do imposto de renda sobre os salários
Contra a transformação da Previdência em Fundo de Pensão, contra o Funpresp
Solidariedade internacionalista à luta dos trabalhadores
Unidade da classe trabalhadora numa Frente Anticapitalista e Anti-imperialista
Pela Reforma Agrária
Contra a criminalização dos movimentos sindicais e sociais em Luta
Contra o modelo de desenvolvimento econômico a favor do capital
Por uma sociedade Socialista
PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO – PCB
COMITÊ CENTRAL
Maio 2012

OCUPAÇÃO ELIANA SILVA

                                                                     
E a gente achava que já tinha visto tudo!...


Na Ocupação Eliana Silva: proibir cadeirinhas para crianças na creche?

Gilvander Moreira[1]



“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente ... com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, alimentação...”(Art. 227 Constituição/1988)



Dia 27 de abril de 2012. Em Belo Horizonte, em uma sala da CIMOS[2], do Ministério Público de Minas Gerais, acompanhei uma Comissão de moradores da Ocupação Eliana Silva[3], que buscava justiça. A vovó dona Madalena, 61 anos, em lágrimas, disse: “Até hoje, nunca tive casa própria. Sempre trabalhei como doméstica em casas dos outros. Nos últimos anos, eu vivia de favor na casa de uma cunhada, mas fui despejada por ela. Minha filha, Ana Carla, é copeira na UFMG. Trabalha servindo lanche para os estudantes. Ganha só um salário mínimo e paga R$250,00 de aluguel. Ela não tem condições de me ajudar. Eu sobrevivo com um salário mínimo de pensão do meu primeiro marido falecido.”

Elisângela, 28 anos, ao pedir apoio ao promotor, disse: “Sou índia do povo Pataxó. Nasci no Sul da Bahia. Minha irmã e meus parentes estão lutando pelo resgate das nossas terras que foram invadidas pelos brancos. Estou em Belo Horizonte há 13 anos. Eu vivia com minha sogra, mas o barraco dela é muito pequeno. Não podemos ficar pesando sobre ela. Tenho uma filha com anemia falsiforme. Não posso trabalhar fora, pois tenho que cuidar da minha filha que exige muitos cuidados médicos. Meu marido trabalha, mas só ganha um salário mínimo. Na ocupação Eliana Silva somos seis pessoas indígenas.”

Diocélia, 24 anos, com Gabriele, de 4 meses no colo, também contou ao promotor um pouco do sufoco que vem passando: “Meu marido vende balas de doce dentro dos ônibus. Não ganha mais do que R$500,00 por mês. A gente estava sobrevivendo em um barraco de dois cômodos, alugado por R$400,00. Não conseguimos pagar o último mês. Na ocupação estão minha família e as famílias de quatro irmãs minhas, além da minha mãe e meus irmãos. Não temos outra alternativa. Restou-nos lutar por um pedacinho de terra para construir nossa casinha. Vamos morar no ar?”

Com esses depoimentos e alertando que o terreno ocupado estava abandonado há muitas décadas, que não cumpria sua função social e que o déficit habitacional em Belo Horizonte está acima de 174 mil moradias, que na capital mineira não foi construída nenhuma casa pelo Programa Minha Casa Minha Vida para famílias de zero a três salários mínimos, solicitamos apoio ao Ministério Público que tem a missão de defender o público, nesse caso, 350 famílias sem-terra e sem-casa, com centenas de crianças e idosos, e vários indígenas.

A caminho da Ocupação Eliana Silva, no meio da automovelatria – um enorme engarrafamento na Av. Amazonas, às 16:10h – Diocélia continuou narrando as imensas dificuldades que enfrenta. Acrescentou: “O dono do barraco que a gente alugou cortou a água, a energia e colocou um cadeado na porta do barraco. Todas nossas coisas ficaram trancadas lá, inclusive fraudas e mamadeira da Gabriele. Temos contrato de aluguel até junho, mas o dono não respeitou o contrato.” Notícias sobre despejos por donos de barracos alugados, mesmo com contrato assinado, sem autorização judicial, se ouve aos montes na Ocupação. 

Na Ocupação, encontramos o povo reconstruindo dezenas de barracas de lona preta que tinham sido destruídas pela chuva forte da noite anterior. Muita lama e terra escorregadia. Diocélia nos contou que a chuva invadiu a barraca dela. Molhou os cobertores. A chuva, que iniciou por volta das duas horas da madrugada, não deixou quase ninguém dormir o resto da noite. Após a chuva, Diocélia e Cleideone, carregando as duas filhas andaram a pé por 40 minutos até chegar ao barraco alugado pela mãe dela. Puderam tomar um banho somente às 05:30h da madrugada. Dormiram 1,5 hora. Levantaram. Pegaram uns pedaços de pau e voltaram para a Ocupação. “Agora é que não vamos desistir. Lutaremos até conquistar nossa casinha própria”, arrematou Cleideone, enquanto reforçava a barraca que tinha caído.

Mas eis um fato inusitado: “A polícia está proibindo a entrada das cadeirinhas que ganhamos para a creche das crianças!”, gritou um senhor que chegava ofegante. Dirigimo-nos à entrada da Ocupação, onde, de fato, constamos o absurdo. Apresentei-me e interroguei o tenente Damásio: “Por que as cadeirinhas da creche das crianças não podem entrar?” “Recebemos ordem para não deixar entrar nenhum material de construção”, alegou o tenente. “Tenente, cadeirinha para crianças da creche não é material de construção”, alertamos. “Não pode entrar madeira. Nas cadeirinhas há madeira”, tentou o tenente justificar o injustificável. Insistimos: “Tenente, não há nenhuma lei ou ordem judicial proibindo a entrada de materiais de construção na Ocupação e muito menos a entrada de cadeirinha de criança. Choveu muito na noite anterior. O chão está todo úmido. Como pode as crianças sentar no chão úmido? E o Estatuto da Criança e do Adolescente? Não assegura respeito à dignidade das crianças?” Telefonamos para comandantes superiores, mas após uns quarenta minutos o tenente nos disse que não tinha sido autorizada a entrada das cadeirinhas doadas por pessoas de boa vontade que se comoveram ao ver a bonita barraca de lona preta que fizeram para ser a Creche das Crianças. 

Buscando ser simples como as pombas, mas espertos como as serpentes, após vários policiais ouvirem muitas mães clamarem pelos direitos humanos de suas crianças, voltamos para dentro da Ocupação para reunião da Coordenação e, após, Assembléia Geral. 

De repente, o sr. Sebastião, 81 anos, sanfoneiro da comunidade, chega gritando: “A Polícia não quer deixar trazer aqui pra dentro o meu tamborete – um pequeno banquinho. Preciso dele para sentar para poder tocar a sanfona que é muita pesada. Eu já fiz ponte de safena, tenho problemas de coração e não agüento tocar a sanfona em pé.” 

Enfim, antes, pedimos ao Ministério Público que cumpra sua missão de defender os direitos fundamentais das crianças e idosos. Depois, vimos com nossos próprios olhos Polícia militar de Minas, cumprindo ordens injustas, agredir a dignidade de centenas de crianças e idosos. Assim, a polícia está desviada da sua função. Está protegendo uma propriedade que não cumpria função social. Por que a polícia não protegia o terreno antes, quando estava abandonado e era bota-fora, lugar de desova de cadáveres? A polícia não deve respeitar a dignidade das crianças e dos idosos?

Aos policiais alertamos o brado de dom Oscar Romero, arcebispo de El Salvador, martirizado em 24 de março de 1980: “Militares, vocês não estão obrigados a cumprir ordens que são contrárias à ordem maior de Deus, que diz: Não matarás. Obedeçam suas consciências.” Acrescento, nos evangelhos Jesus ensina que leis e regras devem ser respeitadas, se forem justas. Jesus desrespeitou várias leis e regras que agrediam a dignidade humana.

Aos que reprimiam as crianças, Jesus bradou: “Deixai as crianças e não as impeçais de vir a mim, pois delas é o Reino dos Céus.” (Mt 19,14; Mc 10,14; Lc 18,16). Mexeu com as crianças, mexeu com Jesus de Nazaré e conosco. Aos que se sentiam justos e donos da verdade, Jesus mostrou que a oferta da viúva, apenas uma moedinha, valia mais, pois ela se doava e não apenas dava sobras. (Cf. Mc 12,42-44).

Na Ocupação Eliana Silva, as famílias e a comunidade (sociedade) lutam para garantir dignidade a suas crianças e idosos, mas o Estado tem sido omisso, melhor dizendo, cúmplice e, muitas vezes, promotor de opressão. O povo clama por moradia, creche (educação) e dignidade e o Estado manda a polícia, o trato desumano legalista e arbitrário de uma polícia que defende primordialmente a propriedade privada – inclusive a que não cumpre função social - para além de qualquer manifestação de humanidade. Desde quando a polícia tem que impedir a entrada de cadeirinhas para crianças em algum lugar, a entrada de um banquinho para um idoso descansar e tocar sua sanfona? Isto é negação do Estado Democrático de Direito. É o cúmulo da violação da dignidade humana. Impossível calar.

Belo Horizonte, MG, Brasil, 29 de abril de 2012.

[1] Frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor do Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos, no Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA -, em Belo Horizonte – e no Seminário da Arquidiocese de Mariana, MG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br – www.gilvander.org.br – www.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira 


[2] Coordenadoria de Inclusão e Mobilização sociais.


[3] Cf. www.ocupacaoelianasilva.blogspot.com.br