domingo, 30 de junho de 2013

CAPA HISTÓRICA


Recepção no Chalé da Mata ( bairro Buritis) a Anita Leocádia Prestes, filha do ex-secretário-geral do PCB, Luiz Carlos Prestes (ela está entre os jornalistas Fátima de Oliveira e José Carlos Alexandre) e a revolucionária alemã Olga Benario. A imagem é de Luiz Ragon


Agredido em Uberlândia, homossexual está em estado de coma




O jovem Gilvan é conhecido do Grupo SHAMA, e trabalha como assessor parlamentar. Estivemos com a mãe dele (Dona Eva), um dia após o ocorrido. Ela está em estado de choque e muito abalado com a situação. O jovem continua internado, com traumatismo craniano em estado de coma.
A polícia já tem o nome de alguns suspeitos, e está empenhada em resolver o caso. Estamos aguardando.

Marcos Martins
Grupo SHAMA
Mesa Articuladora do Fórum LGBT MG

Olha ele de volta: Fukuyama, o do "fim da história" ...

                                                                                                                                                Reprodução da internet
                                          

Fukuyama diz que protestos no Brasil resultam de 'nova classe média'


Protestos no Brasil: para Fukyama, há conexão com Primavera Árabe

Em artigo publicado no Wall Street Journal, o cientista político americano Francis Fukuyama afirma que nada nas recentes manifestações no Brasil - que ele diz serem resultantes do surgimento da nova classe-média brasileira - sugere que haverá mudanças duradouras. E que manifestantes têm "como desafio evitar cooptação ou se vender ao sistema".

Fukuyama ficou conhecido pelo livro "O Fim da História e o Último Homem" ("The End of the History and the Last Man", 1992), no qual afirmava que a democracia liberal ocidental seria o modelo definitivo da evolução socio-cultural da Humanidade e forma final de governo. Ele mais tarde, reformaria o próprio conceito. O cientista político também é conhecido por suas colaborações com os conservadores norte americanos, em especial os presidentes Ronald Reagan e George W. Bush.

No artigo entitulado "A Revolução da Classe Média", Fukuyama afirma que o que conecta os recentes protestos no Brasil, na Turquia, nos países que foram cenário da chamada Primavera Árabe ou até mesmo na China é "o crescimento de uma nova classe média global".

"Em todos os lugares onde emerge, a classe média moderna causa fermentação política, mas raramente foi capaz de, por si mesma, trazer mudanças políticas duradouras. Nada visto ultimamente nas ruas de Istambul ou Rio de Janeiro sugere que estes casos serão uma excessão".

O filósofo afirma que em países como Turquia, Brasil, Tunísia e Egito, os protestos não foram liderados pelos pobres, mas por uma juventude com "nível educacional acima da média".
"Eles sabem usar tecnologia e as mídias sociais como o Facebook e Twitter para espalhar informação e organizar manifestações", afirma.

'Sistema corrupto'

No caso específico do Brasil, Fukuama diz que os manifestantes combatem uma "entranhada elite corrupta que exibe projetos glamourosos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, mas que ao mesmo tempo falha em prover serviços básicos como educação e saúde".

"Para eles, não é suficiente que a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, tenha sido uma ativista de esquerda presa pelo regime militar durante os anos 70, nem que seja líder do progressista Partido dos Trabalhadores. Aos olhos deles (manifestantes) o partido foi sugado pelo "sistema" corrupto como revelado por recente escândalo de compra de votos".

Ao lembrar que diferentes instituições vêm quantificando o avanço das classes médias - que devem chegar a 4,9 bilhões de pessoas até 2030, ou metade da população global - Fukuyama lembra que este grupo precisa ser definido por também por educação, ocupação, posses de bens e comportamento político, para além dos clássicos parâmetros de renda.

"Um grande número de estudos (...) mostra que níveis mais altos de educação estão correlacionados a uma maior valorização da democracia, liberdade individual e tolerância com modos de vida alternativos", diz.

Ele cita ainda que famílias que têm imóvel próprio e passam a recolher impostos tendem a pedir mais clareza em relação às contas dos governos.
"Status de classe média não significa que um indivíduo automaticamente apoiará a democracia e um governo limpo."

Francis Fukuyama, cientista político

Fukuyama, porém, diferencia o Brasil dos países do Norte da África e Turquia, onde protestos muitas vezes geram respostas repressivas do governo. No Brasil, ele diz, "manifestantes não vão enfrentar forte repressão da presidente Rousseff".

"Ao contrário, o desafio é evitar cooptação no longo prazo pelo sistema arraigado e corrupto. O status de classe média não significa que um indivíduo automaticamente apoiará a democracia e um governo limpo. Principalmente, porque grande parte da antiga classe média no Brasil era empregada do poder público, no qual era dependente de apadrinhamentos e do controle estatal sobre a economia.

As classes médias, lá como em países asiáticos como Tailândia e China, deram apoio a governos autoritários quando lhes pareceu que era a melhor maneira de assegurar seu futuro econômico".

O cientista político afirma que este grupo tanto "poderia fazer parte de uma coalizão de classe-média que quer a reforma do sistema político" para orientá-lo ao atendidmento do público, como também "dissipar suas energias em distrções como políticas de identidade (questões de raça, gênero e outras, do termo em inglês "identity politics") ou se vender ao sistema que dá grandes recompensas aos que se submetem a jogar o jogo".

Muito do desdobramento dos protestos, diz, depende de lideranças.

"A presidente Dilma Rousseff tem uma tremenda oportunidade de usar os levantes para lançar uma reforma sistêmica mais audaciosa", diz. "Até agora, ela tem sido cautelosa sobre o quanto ela quer se livrar do velho sistema, limitada pela sua própria coalizão partidária", observa.

Fukuyama encerra seu artigo afirmando que com baixo crescimento e altíssimas taxas de desemprego entre os jovens, os líderes das economias desenvolvidas não devem pensar que o que está ocorrendo em Istambul ou São Paulo "não pode se passar por aqui". (Com a BBCBrasil)

Não ao pacto: avançar para um programa anticapitalista e o poder popular

                                                           
Mauro Iasi (*)

Diante das manifestações de massa a presidente Dilma, dizendo ouvir as "vozes das ruas", acena com cinco pactos com a intenção explícita de tentar reverter a explosão social que colocou em evidência um profundo descontentamento da população brasileira.

Deve haver um problema de acústica em Brasília uma vez que há um certo tempo os trabalhadores falam uma coisa e os governos ouvem outra. As manifestações se iniciaram por protestos contra o aumento das passagens e se desdobraram para uma multifacetada pauta que tem por centro a demanda por educação, saúde, contra os gastos com a Copa e seus efeitos perversos, como as remoções, e contra uma forma política que mostra seus limites com representantes que não representam, eleitos por muitos e defendendo os interesses de poucos.

Depois de combater e tentar estigmatizar os manifestantes, a grande mídia passou a tentar pautar o movimento e impor bandeiras, ou enfatizar algumas que estavam lá diluídas no descontentamento geral, como a ênfase na luta contra a corrupção. Pouco a pouco o movimento social vai resgatando suas bandeiras clássicas e se diferenciando de uma direita conservadora que pegou carona nas manifestações.

Em síntese a resposta da presidente se materializa em cinco “pactos”: primeiro um pacto pelo equilíbrio e responsabilidade fiscal, um pacto pela reforma política, um pacto contra a corrupção, um pacto pela saúde e um pela chamada mobilidade urbana. Ninguém pode negar que o governo petista se mostrou especialista em pactos, mas estes se demonstram pateticamente inócuos diante das demandas levantadas pelas massas rebeladas. Vejamos porque.

Já nas resoluções de seu 12º Encontro Nacional do PT que antecedeu a primeira vitória de Lula para a presidência se falava em resgatar a dívida social e definia-se a prioridade na democratização da sociedade brasileira que se materializaria na reforma agrária, na diminuição da pobreza, no acesso à saúde, educação e outros direitos, a democratização política e dos meios de comunicação. Isso se daria a partir de três eixos: o social, o nacional e o democrático.

No entanto, nas resoluções se afirma que a viabilidade destes três eixos formalmente prioritários se subordinaria a possibilidade de um quarto que, desta forma, se torna a verdadeira prioridade. Dizem as resoluções: “Avançar na direção destes objetivos implicará em um persistente esforço de crescimento econômico”, e logo adiante continua afirmando que “é a aceleração do crescimento econômico, acompanhada da distribuição de renda e riqueza que permitirá integrar expressivos contingentes da população brasileira no mercado”.

Notem que a prioridade é o social, mas este só se efetivará com o crescimento econômico que permitirá a integração ao mercado. Sabemos que no mesmo encontro se define que este crescimento que tornaria possível a integração se daria por meio de “um novo contrato social”, um pacto entre os trabalhadores e os “empresários de qualquer porte” (12º Encontro do PT, apud Iasi, 2004: 510-512).

Em síntese se esperava garantir as demandas sociais dos trabalhadores e da maioria da população por meio do desenvolvimento econômico capitalista e para estes seria garantido o lucro derivado da apropriação privada graças ao desenvolvimento do mercado interno, garantindo “previsibilidade para o capital produtivo”.

Esta previsibilidade e garantias ao capital para produzir e crescer a economia, daí impostos e daí a atenção às demandas teria como um de seus pilares o chamado saneamento do Estado e este tem entre seus instrumentos principais a chamada lei de responsabilidade fiscal. A base da Reforma do Estado, na verdade uma contra-reforma, esta no princípio segundo o qual o Estado só pode gastar nos limites do que arrecada. 

Desta forma a dita lei de responsabilidade limita um percentual que o Estado pode comprometer com contratação de pessoal, ainda que, compreensivelmente, não estabeleça nenhum percentual para o comprometimento financeiro com a sangria produzida pela dívida e pagamento de juros aos bancos e especuladores.

A questão que aqui nos interessa é que o Estado vê constrangido seu poder de enfrentar as demandas por educação, saúde, moradia, transporte e outras pela forma de políticas públicas, pois isso envolve, necessariamente a contratação de pessoal o que explodiria os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A solução encontrada, primeiro nos governos do PSDB em São Paulo e depois generalizada pelo governo Lula, foi o das parcerias público privadas. 

Através deste expediente inconstitucional (fato resolvido no governo Lula pela mudança da constituição que permite a criação de empresas públicas de direito privado), uma empresa ou organização social pode prestar o serviço que seria público usando seu pessoal, evidentemente contratos via CLT e não pelo Regime Jurídico Único que rege o funcionalismo, cobrando do poder público pelo serviço.

De outro lado, como no caso dos transportes, reverte-se a tendência inicial de criar empresas públicas para realizar este serviço essencial e devolvem a exploração dos transportes públicos à empresários (que acidentalmente se tornam, agradecidos contribuintes contumazes às campanhas eleitorais do PT), subsidiando o serviço.

Desta maneira, o primeiro pacto significa, em alto e bom som, que nada vai mudar na linha adotada, isto é, o governo não vai rever a privatização direta ou indireta dos serviços e continuará apoiando as parcerias e concessões, contingenciando os investimentos públicos e preservando o equilíbrio que permite formar os superávits que destinam a maior parte do PIB para o pagamento de serviços financeiros (títulos e juros da dívida).

Segundo Evilásio Salvador (2012: 127), entre 2000 e 2009 o fundo público transferiu o equivalente a 45%  do PIB para o capital financeiro, um valor que seria possível, ainda segundo o mesmo autor, bancar o programa Bolsa Família por 108 anos.

Afirmar, portanto, um pacto pela manutenção da responsabilidade fiscal em primeiro lugar, é responder uma demanda do grande capital que tem sido uma das principais razões do estrangulamento das políticas publicas que demandam as “vozes das ruas”.

O segundo pacto procura resolver o total descrédito com a forma atual da representação política e que se articula ao pretenso terceiro eixo do programa: o democrático. O PT se propunha aprofundar a democracia, no entanto, a experiência política dos governos de pacto de classe promovidos pelo PT não alterou no essencial a forma política que havia se consolidado no Brasil nos marcos do que se costuma definir como “presidencialismo de coalizão” (Limonge e Figueiredo, 1995/1996). 

O que há de característico nesta forma é que presidente eleito compõe uma bancada de sustentação por meio de uma série de trocas e favores que vão desde a oferta de cargos no governo, liberação de verbas via emendas, até financiamento de campanhas. Ao invés de promover uma reforma política que supere os limites desta forma altamente conservadora, e a verdadeira base para os processos conhecidos de corrupção, o governo petista se amoldou a esta forma e construiu sua governabilidade sobre a base de alianças com partidos conservadores como o PMBD, o PTB, o antigo partido de Maluf – o PP e outras siglas fisiológicas, como o PSC de Marcos Feliciano.

A reforma política não ocorreu porque não era o interesse do PT e de sua base aliada. Mas esta é uma questão que esbarra em algo maior e que se liga às explosões sociais ora vivenciadas: a governabilidade.

Chegando à presidência sem maioria parlamentar, nos marcos de um presidencialismo de coalizão, os governos petistas tinham diante de si duas alternativas. A primeira é a que foi trilhada e se render a uma governabilidade de cúpula, por acordos com partidos de centro e conservadores, formar uma bancada de sustentação e garantir suas reeleições. A segunda é, diante da correlação de forças desfavorável do ponto de vista institucional burguês, compensar esta defasagem com a força do apoio de sua base social, apoiado na movimentação autônoma da classe na defesa de seus direitos e pelas demandas populares, ou seja, no movimento social e sindical organizado e na capacidade de mobilização da população, principalmente os trabalhadores.

A escolha da primeira neutralizou esta segunda alternativa impondo ao movimento social e sindical um profundo apassivamento. Em nenhum momento, diante de uma demanda popular que encontrasse resistência dos setores conservadores, as massas foram chamadas a pressionar de fora, pelo contrário foi de dentro dos setores petistas que emergiram as iniciativas conservadoras que atacaram os direitos dos trabalhadores (como a reforma da previdência, a implantação das parcerias público privadas e outras).

Desta forma e diante da explosão da indignação popular, se apressa a propor uma reforma política constrangida pelos limites dos interesses da atual forma política consolidada o que gera uma contradição: como aqueles que se beneficiam desta forma vão reformá-la? Qualquer forma que incorpore a população e os trabalhadores diretamente atrapalha o jogo dos interesses de classe que se expressam no aparentemente caótico quadro partidário institucional.

Inicialmente se falou de plebiscito e uma constituinte exclusiva e agora volta-se atrás para falar em consultas para um processo dirigido pelo Congresso propor uma reforma política.

O terceiro pacto seria contra a corrupção. O instrumento, no entanto, se reduz ao endurecimento das penas e não ataca as causas da corrupção. O erro neste campo é considerar a questão pelo aspecto moral, como desvio de conduta. 

A corrupção, direta ou disfarçada, encontra sua raiz naquilo que Lênin, em seus estudos sobre o imperialismo, denominou de união pessoal entre os monopólios e governos, ou seja, o fato de que as mesmas pessoas que estão no comando de corporações monopolistas muitas vezes são chamadas a compor os quadros do governo burguês ou sua representação parlamentar. 

O problema da corrupção é o grau de poder e influência dos monopólios sobre aqueles que definem as políticas públicas visando dirigir a ação do governo para os interesses do lucro e da acumulação de capital. Em poucas palavras, não se atacará os corruptos sem identificar claramente os corruptores.

Quanto aos dois últimos pactos propostos – pela saúde e pela mobilidade pública – a proposta só reforça a impressão inicial de que no fundo se apresenta mais do mesmo: desoneração de tributos.

Para enfrentar os graves problemas de saúde e de transporte, já que não se pretende mudar a forma atual das concessões e parcerias público privadas, é tirar impostos. A questão é se esta desoneração implica em melhoria dos serviços – e nós estamos convencidos que tal atitude se dirige de fato para manter a lucratividade das empresas e não a qualidade dos serviços. É de fato uma prática central deste governo que brinda empresários com desonerações, como vimos com a redução de impostos para carros e eletrodomésticos e os subsídios pesados ao agronegócio.

Não há uma linha na declaração e no pacto proposto que fale sobre uma política de saúde que supere os gargalos e contradições hoje existentes, que amplie significativamente os recursos e investimentos, mas isso é compreensível pois se assim procedesse estaria o governo rompendo o primeiro pacto proposto em defesa da estabilidade fiscal.

Não sabemos se as mobilizações conseguiram manter seu vigor, mas diante dos pactos propostos deveriam, pois eles nem de perto respondem às demandas colocadas pelas massas na rua. O verdadeiro caminho que se abre, após a rejeição categórica da patética proposta do governo é dar um salto de qualidade política às manifestações e chegarmos a um verdadeiro programa popular que dê conta das demandas apresentadas e da forma política de alcança-las

Estamos convencidos que este programa, se quiser dar respostas de fato aos problemas apresentados, deve, por um lado exigir o caráter público dos serviços que visam a atender direitos essenciais como saúde, educação e transporte que nunca podem ser resolvidos pela forma mercadoria.

Mas se quisermos avançar devemos tocar na questão de fundo que é a produção social da riqueza e de sua acumulação privada e que papel real tem as empresas que supostamente produzem bens e serviços que devemos comprar no mercado, ou seja, a vida e a reprodução podem ser garantidos pelo mercador e os monopólios capitalistas?

Uma verdadeira assembleia popular constituinte, eleita entre os trabalhadores e a população em seus locais de moradia e trabalho que chegue a um programa popular se chocará com a ordem capitalista e, cedo ou tarde, chegará à constatação de que as demandas populares jamais serão atendidas verdadeiramente no quadro de uma aliança de classes com aqueles que acumulam a riqueza privadamente e marcharemos para a forma política de um governo e um poder popular, fora e contra a ordem burguesa institucional constituída.

Referencias

IASI, Mauro L. Metamorfoses da consciência de classe: o PT entre a negação e o consentimento. São Paulo: Expressão Popular, 2004.

LIMONGE, F. E FIGUEIREDO, A. As bases do presidencialismo de coalisão. Revista Lua Nova, n. 44, 1995/1996, pp. 97-105.

(*) Mauro Iasi é professor da UERJ e membro do Comitê Central do PCB. (Com o Diário Liberdade)

E manifestantes ocupam a Câmara Municipal de BH

Pena ter passado o dia mas creio que o mágico Bill Morélix poderá agendar outras iniciativas no Estado


Documentário retrata territórios palestinos como laboratório para indústria bélica de Israel

                                                             


"The Lab", do diretor Yotam Feldman, mostra como guerras ajudam no aumento das vendas de armamentos do país
    
O documentário The Lab (O Laboratório, em tradução livre), do diretor israelense Yotam Feldman, expõe a alta lucratividade dos "testes" realizados pelo Exército de Israel nos territórios palestinos, para a indústria militar do país.

De acordo com o filme, realizado com o apoio do canal 8 da TV israelense, a cada operação militar, novas armas são testadas, gerando um aumento direto das vendas no mercado internacional.

O diretor do documentário vê as guerras como uma fonte de lucro, e não como um peso para Israel

Feldman, de 32 anos, trabalhou três anos e meio para produzir o filme, de 58 minutos, no qual entrevista figuras-chave da indústria bélica israelense.

Alguns dos personagens são militares da reserva e outros são exportadores e empresários. Todos falam abertamente sobre seu ramo de trabalho e expõem visões de mundo diversas.

"Quis fazer um filme sobre esse assunto, que é duro, mas sem cair nos clichês", disse Feldman a Opera Mundi. "Escolhi os personagens que me pareceram mais sinceros e que foram capazes de falar com mais desenvoltura sobre seus negócios.”

Segundo o diretor, durante a pesquisa para fazer o filme, ele se convenceu de que "a prosperidade da economia israelense não ocorre apesar das guerras, mas sim, em grande parte, em decorrência das guerras".

"Na minha pesquisa descobri que, do ponto de vista econômico, as guerras não são uma carga, mas uma fonte de lucro.”

Feldman explica que não há necessariamente uma relação de causalidade entre a motivação para as guerras e os lucros econômicos, ou seja, ele não afirma que Israel inicia guerras supostamente para obter benefícios financeiros.

"Apenas constato que, após cada guerra, na qual são testadas novas armas, as vendas dessas armas aumentam e os lucros são muito grandes", disse.

"Hipocrisia"

Um dos personagens principais do documentário, o general Yoav Galant, aponta o que chama de "hipocrisia" da comunidade internacional.

"Eles denunciam as operações militares de Israel, mas depois todos vêm aqui comprar nossas armas", afirma Galant, que foi chefe do Comando Sul do Exército de Israel e um dos principais planejadores da chamada Operação Chumbo Fundido, que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos na Faixa de Gaza e 13 mortos do lado israelense.

Depois dessa ofensiva, que começou em dezembro de 2008 e terminou em janeiro de 2009, as exportações de armas israelenses para dezenas de países aumentaram em 2 bilhões de dólares.

Hoje em dia as vendas do setor bélico são calculadas em 7 bilhões de dólares, o que representa cerca de 20% do total das exportações israelenses.

De acordo com Ehud Barak, que foi ministro da Defesa de 2007 a 2013, cerca de 150.000 famílias em Israel (quase 1 milhão dos 8 milhões de habitantes) se sustentam da indústria militar.

"De certa forma, toda a sociedade israelense sai ganhando com a exportação militar, que, por sua vez, ganha credibilidade com os 'testes' realizados nas guerras", afirma Feldman, que também menciona o fato de muitos dos fundos de pensão no país investirem nas ações sólidas de empresas militares.

Em um dos trechos do filme, o ex-ministro da Defesa Binyamin Ben Eliezer afirma que outros países "gostam de comprar armas que já foram testadas, nossa experiência traz bilhões de dólares para Israel".

"Se algum dia tivermos paz e perdermos o 'laboratório' em Gaza e na Cisjordânia, com certeza esses lucros vão se reduzir significativamente", disse Feldman.

Segundo a revista britânica especializada em assuntos militares, a Jane's IHS, Israel é o sexto exportador de armas do mundo e, desde 2008, o volume de negócios do país nesse setor aumentou em 74%.

Filosofia militar

Outro personagem do documentário é o filósofo militar Shimon Naveh. Naveh colabora no planejamento estratégico "filosófico" do Exército de Israel e foi um dos autores do que chamou de tática "fractal" na ocupação da Kasbah (centro histórico) da cidade palestina de Nablus, na Cisjordânia, em 2002.

Em abril daquele ano, depois de uma onda de atentados suicidas nas grandes cidades israelenses, o governo, então chefiado pelo ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, resolveu reocupar todas as cidades palestinas que haviam sido entregues à Autoridade Palestina, comandada por Yasser Arafat.

O plano "fractal" do filósofo Naveh consistiu em ocupar o centro antigo de Nablus, com suas ruelas estreitas, por intermédio da invasão das casas palestinas, sendo que a passagem de uma casa a outra foi feita através de buracos detonados por explosivos nas paredes.

Segundo Naveh, com essa tática o Exército israelense conseguiu surpreender e derrotar os combatentes palestinos que haviam se preparado para uma invasão pelas ruas.

"Viramos o jogo", disse Naveh, "deixamos as ruas vazias e entramos pelas paredes".

De acordo com Naveh, esse e muitos outros métodos são ensinadas por treinadores israelenses a oficiais de muitos exércitos do mundo que vêm aprender em Israel.

Treinamento israelense para o BOPE

Um dos maiores importadores da indústria militar israelense é o Brasil. De acordo com Feldman, o Brasil compra aviões não tripulados, mísseis e programas de treinamentos especializados de empresas israelenses, tanto privadas como estatais.

Um dos principais exportadores para o Brasil é o israelense-argentino Leo Gleser, que esteve envolvido no treinamento do BOPE antes da pacificação das favelas do Rio de Janeiro.

"A semelhança física entre as Kasbas (centros históricos) das cidades palestinas e as favelas brasileiras é muito grande", disse Feldman. “Os campos de refugiados palestinos, com suas ruelas estreitas, também são muito parecidos com as favelas".

"Portanto, a experiência de Israel nos territórios palestinos é relevante para o BOPE".

Parte do filme se passa no Complexo do Alemão, onde Leo Gleser é visto sendo calorosamente recebido por oficiais brasileiros que confirmam ter sido treinados por empresas israelenses.

Em uma das cenas, o exportador toma uma caipirinha com Feldman em um bar no Rio de Janeiro.  O diretor lhe pergunta se ele não sente alguma contradição entre seu duro ramo de negócios, "que mata muita gente", e seu caráter simpático, "como pai e avô carinhoso".

Gleser retruca com perguntas: "Você acha que a vida é uma caixa de bombons? Quando você era pequeno sua mãe não limpava seu cocô?".

"Eu não crio a merda, apenas trabalho para transformá-la em um pacote menor e menos fedorento", acrescentou.

Ironia

O documentário também tem uma dose sutil, porém significativa, de ironia. Em uma das cenas, um dos empresários se vangloria de que cada míssil que vende no mercado internacional "vale um apartamento em Tel Aviv" (os preços dos imóveis na cidade estão entre os mais altos do mundo).

Nesse momento, Feldman responde: "mas cada míssil desses também pode destruir um apartamento em Tel Aviv".

"Acho que a ironia, que faz parte de mim, de certa forma facilita olhar para essa realidade, cujos conteúdos são duros", disse Feldman.

De acordo com o diretor, todos os personagens do filme já tiveram a oportunidade de ver o resultado final e "nenhum deles se arrependeu de ter participado".

"Os personagens que entrevistei concordaram em abrir seu mundo perante a câmera, dando ao público uma oportunidade inédita de conhecer de perto uma realidade que geralmente fica apenas nos bastidores", concluiu. (Com Opera Mundi)


Fim das ações militares da tropa britânica no Afeganistão após 2014. (Cameron deveria retirar de imediato a tropa!)

                       
O primeiro-ministro britânico David Cameron declarou no sábado que a tropa britânica vai cessar todas as ações militares no Afeganistão após 2014.

David Cameron visitou o Afeganistão no dia 28 à noite. Logo depois de visitar a tropa britânica estacionada na província de Helmand, no sul do país, ele se deslocou para Cabul, capital do Afeganistão.

Na coletiva de imprensa realizada em conjunto com o presidente afegão Hamid Karzai no sábado, David Cameron declarou que a Grã-Bretanha diminuirá as bases militares no Afeganistão para entre quatro a dez depois de 2014. Cameron não precisou o número de soldados que permanecerão no Afeganistão.(Com a Rádio Internacional da China)

Declaração após um ano na Embaixada do Equador

                                                                 

Julian Assange


Já se passou um ano desde que cheguei a esta Embaixada em busca de refúgio à perseguição. 

Em consequência dessa decisão, pude trabalhar relativamente a salvo da espionagem estado-unidense. 

Mas hoje, o calvário de Edward Snowden acaba de começar. 

Dois processos perigosos e fora de controle instalaram-se na última década, com consequências fatais para a democracia. 

O segredo de Estado propagou-se a uma escala aterradora. 

Simultaneamente, a privacidade humana foi secretamente erradicada. 

Algumas semanas atrás, Edward Snowden revelou a existência de um programa em execução – que envolve a administração Obama, a comunidade de inteligência e as maiores corporações de serviços da Internet – destinado a espiar o mundo inteiro. 

Automaticamente foram-lhe atribuídas pela administração Obama acusações de espionagem. 

O governo dos Estados Unidos espia todos e cada um de nós, mas é Edward Snowden que é acusado de espionagem, por nos haver alertado. 

Estamos a chegar ao ponto em que a marca de distinção internacional e de serviço à humanidade já não é mais o Prémio Nobel da Paz mas sim uma acusação de espionagem por parte do Departamento da Justiça dos EUA. 

Edward Snowden é o oitavo denunciante acusado de espionagem sob a administração deste presidente. 

O julgamento mediático de Bradley Manning entra na sua quarta semana esta segunda-feira. 

Depois de uma sucessão de injustiças contra ele cometidas, o governo dos Estados Unidos está a tentar declará-lo culpável de "colaborar com o inimigo". 

A palavra "traidor" tem sido muito utilizada ultimamente. 

Mas quem é realmente o traidor aqui? 

Quem foi que prometeu a uma geração "esperança" e "mudança", só para trair aquelas promessas com lúgubre miséria e estagnação? 

Quem jurou defender a Constituição dos Estados Unidos, só para a seguir alimentar a besta invisível das leis secretas que a devora viva a partir de dentro? 

Quem prometeu presidir "a administração mais transparente da História", só para esmagar um denunciante após o outro sob o peso das acusações de espionagem? 

Que combinou no seu executivo os poderes de juiz, jurado e executor, reivindicando todo o planeta como sua jurisdição para exercer esses poderes? 

Quem se arroga o poder de espiar o planeta inteiro – cada um de nós – e quando é apanhado em flagrante nos explica que "vamos ter de escolher"? 

Quem é essa pessoa? 

Sejamos muito cuidadosos acerca de quem chamamos "traidor". 

Edward Snowden é um dos nossos. 

São jovens com formação técnica que pertencem à geração traída por Barack Obama. 

São a geração que cresceu com a Internet e que foi por ela formada. 

O governo estado-unidense sempre vai precisar analistas de inteligência e administradores de sistema e vai ter de contratá-los entre os membros desta geração e das que se seguirão. 

Um dia, esta geração dirigirá a NSA, a CIA e o FBI. 

Não se trata de um fenómeno que vá desaparecer. 

Trata-se de algo inevitável. 

Ao tentar destruir estes jovens que nos alertam, acusando-os de espionagem, o governo dos Estados Unidos está a enfrentar toda uma geração e essa é uma batalha que vai perder. 

Isto não é o modo de consertar as coisas. 

A única maneira de consertá-las é esta: 

Mudem as políticas. 

Deixem de espionar o mundo. 

Eliminem as leis secretas. 

Cessem as detenções por tempo indefinido e sem julgamento. 

Deixem de assassinar pessoas. 

Deixem de invadir outros países e de enviar jovens estado-unidenses para matar e morrer. 

Parem as ocupações e acabem com as guerras secretas. 

Deixem de devorar os jovens: Edward Snowden, Barrett Brown, Jeremy Hammond, Aaron Swartz, Gottfrid Svartholm, Jacob Appelbaum e Bradley Manning. 

As acusações contra Edward Snowden pretendem intimidar qualquer país que possa estar a considerar levantar-se pelos seus direitos. 

Não se pode permitir que essa táctica funcione. 

O esforço a fim de encontrar asilo para Edward Snowden deve ser intensificado. 

Qual será o corajoso país que se erguerá em favor dele e reconhecerá o serviço que prestou à humanidade? 

Digam aos seus governos para darem um passo em frente. 

Avancem e apoiem Snowden. 
22/Junho/2013
O original encontra-se em http://wikileaks.org/Statement-by-Julian-Assange-after,249.html 

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .

Com esta lei seca acho que não mais serei engarrafado...


Os perigos do gás lacrimogêneo, considerado arma química pela ONU

                                                                    

Em entrevista à Carta Maior, a pesquisadora Anna Feigenbaum, que investiga a história política do gás lacrimogêneo na Universidade de Bournemouth, no Reino Unido, fala sobre o crescente uso dessa arma pelas polícias contra manifestantes civis. Na Espanha, enquanto ocorreram cortes nas áreas da saúde, educação e seguridade social, o gasto com esses materiais disparou de 173 mil euros para mais de 3 milhões de euros em 2013. Por Marcelo Justo, de Londres.


A desocupação do Parque Gezi, em Istambul, e a repressão no Rio de Janeiro têm em comum o mesmo que a maioria das manifestações de 2013, seja pela violação de uma pessoa na Índia, por reivindicações estudantis no Chile ou trabalhistas no México ou contra a austeridade na Europa: o gás lacrimogêneo. No orçamento da Espanha, uma das raras exceções aos cortes foram os gastos com material anti-distúrbio. Enquanto ocorreram cortes nas áreas da saúde, educação e seguridade social, o gasto com esses materiais disparou de 173 mil euros para mais de 3 milhões de euros em 2013. No Oriente Médio, a Primavera Árabe resultou em uma panaceia para a indústria da segurança: no ano passado, o mercado da segurança interna alcançou os 6 bilhões de euros, um aumento de 18%.

É um mercado de paradoxos e discursos duplos. No momento em que os Estados Unidos aprovaram o fornecimento de armas aos rebeldes na Síria, com o argumento de que foram atacados com armas químicas, ninguém lembra que o gás lacrimogêneo é com siderado uma arma química pela ONU e que as empresas estadunidenses são dominantes no mercado, com a crescente competição de empresas chinesas e da brasileira Condor Non-Lethal Technologies. 

O próprio Departamento de Estado defende abertamente seu uso dizendo que é uma arma “não letal” que “salva vidas e protege a propriedade”. Carta Maior conversou sobre esse tema com Anna Feigenbaum, que investiga a história política do gás lacrimogêneo na Universidade de Bournemouth, no Reino Unido.

A história do gás lacrimogêneo parece ter sido reescrita nas últimas décadas. É uma arma química ou não? É uma arma letal ou não?

Nos protocolos de guerra da ONU é uma arma química. O que ocorre é que, ao final da Primeira Guerra Mundial, vários países, em especial os Estados Unidos, se lançaram em uma ofensiva para manter sua produção em tempos de paz. Os EUA lançaram uma estratégia específica de marketing com a polícia e a guarda nacional, realizando inclusive exibições especiais na Casa Branca para demonstrar sua utilidade. 

Assim criaram a demanda pelo produto. Pelo lado da oferta, ou seja, da produção, a indústria do gás lacrimogêneo modernizou o complexo industrial-militar que havia começado a se desenvolver no início do século aceitando a cooperação entre químicos da universidade, militares, a burocracia estatal e as corporações privadas.

Mas hoje esse produto foi rebatizado. Não se fala de “arma química” como na Primeira Guerra Mundial. Isso causaria pavor. O que temos é uma arma “não letal”.

Este jogo com a linguagem ocorre desde o início. Por um lado, se oferecia o gás lacrimogêneo como uma arma de multiuso, para ataque e defesa, que no princípio teve como principal aplicação enfrentar greves. Ao mesmo tempo se enfatizava que não era “tóxico” e que não produzia nenhum dano duradouro. Foi uma grande iniciativa de relações públicas que acabou exposta por uma investigação em 1939.

Em que momento se “universaliza” o uso de gás lacrimogêneo para o que se chama de controle de multidões?

Nos anos 30 se começa a exportar o produto para colônias e países periféricos. Os Estados Unidos o utilizam nas Filipinas e no Panamá, o governo britânico o usa na Índia. Ele também é utilizado no Oriente Médio nessa época, ainda que haja certa discordância entre os historiadores a respeito.

Na década de 60, ele se tornou parte habitual da paisagem das manifestações na América Latina.

Essa é uma das coisas mais perigosas que aconteceram porque se naturalizou o uso de gás lacrimogêneo quando, na verdade, trata-se de um veneno que, do ponto de vista médico, causa uma série de danos comprováveis muito mais sérios do que se admite em nível oficial. Ele é particularmente perigoso para pessoas com problemas respiratórios ou com problemas epilépticos. Do ponto de vista político, também é muito perigoso, porque está se naturalizando um tipo de resposta repressiva contra o direito de livre expressão e reunião.

O argumento da indústria e dos governos é que ele é preferível às armas para o controle de manifestações e distúrbios. São chamados de não letais e o Departamento de Estado diz que “salvam vidas”.

Na Turquia, no Egito, no Bahrein, o gás lacrimogêneo está sendo utilizado como se fosse uma arma, ou seja, é usado em lugares fechados e, às vezes, como munição que se dispara contra alguém. A ideia de que é melhor que outro tipo de arma, como arma de fogo, tem dois problemas básicos. O primeiro é que, do ponto de vista dos direitos civis, coloca-se que a alternativa é entre uma arma de fogo ou o gás lacrimogêneo, ao invés de se concentrar na possibilidade de mediação, diálogo e solução dos problemas que motivaram o protesto. A opção passa a ser: ou os metralhamos ou os envenenamos com gás lacrimogêneo. O segundo problema é que o gás lacrimogêneo é usado normalmente com outras formas de controle de massas como os carros hidrantes ou as balas de borracha. Isso faz parte de sua origem militar.

Na Primeira Guerra Mundial, o gás lacrimogêneo foi desenhado como um precursor de outras formas de ataque já que obrigava os soldados a sair de suas trincheiras e os expunha a outras armas mais letais. Algo similar ocorre nas manifestações. O gás lacrimogêneo cria caos, impede que as pessoas possam se proteger e as expõe a outras formas de ataque.

Você tem um mapa do uso em nível mundial do gás lacrimogêneo em 2013. É notável que, na Europa da Austeridade, há vários países que o utilizaram, desde a Alemanha e a Bélgica até a Espanha e a Grécia.

Houve um aumento dos protestos desde o estouro financeiro de 2008 e outro aumento desde que começaram as medidas de austeridade. Paralelo a isso, temos visto uma resposta cada vez mais violenta aos protestos. Nestes protestos mais recentes temos visto um maior uso de gás lacrimogêneo, balas de borracha e o resto do material anti-distúrbios. Também estamos vendo um novo deslizamento semântico com a crescente importância da indústria antiterrorista desde 2001. Nos últimos anos tem ocorrido uma confluência entre a indústria antiterrorista e os métodos para lidar com protestos. 

Recentemente, uma especialista israelense em políticas policiais comentou-me que estava sendo utilizado contra os militantes israelenses a tecnologia, o tipo de treinamento e de forças que se utilizam para casos de terrorismo. É o uso de táticas militares para o treinamento da polícia. Isso também faz parte da naturalização dos métodos de repressão.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer (Com Carta Maior)

O que levou mais de um milhão de pessoas às ruas do Rio de Janeiro

sábado, 29 de junho de 2013

Câmara de Belo Horizonte reduz passagens, mas é ocupada por manifestantes


                                                        

As passagens de ônibus ficarão R$ 0,10 mais baratas em Belo Horizonte. A Câmara Municipal da cidade aprovou hoje (29), em segundo turno, a retirada do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) de 2% sobre as tarifas, que permitirá a redução do preço em R$ 0,05. Os R$ 0,05 restantes virão da suspensão da cobrança de custos operacionais pela Empresa de Transporte e Trânsito da capital (BHTrans), que arrecadava a taxa das empresas de ônibus.

Insatisfeitos com o tamanho da redução, manifestantes ocuparam o hall de entrada da Câmara Municipal, após a aprovação do projeto. Eles montaram barracas no local e exigem a presença do prefeito Marcio Lacerda (PSB) para sair do espaço. 

O projeto foi aprovado com 30 votos favoráveis e cinco contrários em sessão extraordinária convocada pelos vereadores da capital mineira. No entanto, a redução das tarifas só entrará em vigor depois da publicação da lei no Diário Oficial Municipal.

Parte dos ocupantes reivindicam a redução de R$ 0,25 nas tarifas de ônibus, que, segundo eles, poderiam ser alcançados por meio do repasse integral da desoneração de dois tributos federais – o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – sobre as passagens.

Durante a votação, manifestantes que não conseguiram entrar na Câmara Municipal quebraram a vidraça de entrada do prédio. A administração do prédio liberou a entrada de até 350 pessoas na tribuna, mas diversos interessados ficaram do lado de fora do edifício.

Uma emenda que permitia o repasse da alíquota zero do PIS/Cofins foi rejeitada em plenário. De acordo com os vereadores Arnaldo Godoy (PT) e Pedro Patrus (PT), autores da emenda, a medida permitiria a redução da tarifa em R$ 0,20, o que, somado à dispensa da cobrança pela BHTrans, totalizaria a diminuição em R$ 0,25. Outra emenda rejeitada previa a divulgação da planilha de composição tarifária na página da prefeitura de Belo Horizonte na internet. (Com a ABr)

O velho e o bom caminho das ruas. O êxito da presença de Anita Leocádia Prestes em Foz do Iguaçu

                                                                                    



Anita apresenta sua visão sobre marchas e sistemas políticos; série de debates superlota espaços públicos em Foz do Iguaçu 

Texto: Alexandre Palmar

Fotos: Adilson Borges, Julio Fornari e Fabiano Severino

Defender ideais revolucionários é um desafio e tanto em tempos modernos e confusos. Enquanto as massas gritavam “contra tudo” e “sem partido” nas ruas, a historiadora Anita Leocádia Benário Prestes fincava bandeiras em Foz do Iguaçu para resgatar importantes capítulos da história mundial, brasileira e iguaçuense. Anote aí: sua passagem por aqui ocorreu nos dias 20 e 21 de junho de 2013.

Cerca de 900 pessoas superlotaram o Teatro Barracão, a Unila Centro e o Colégio Estadual Barão do Rio Branco para debater a Coluna Prestes e a trajetória dos seus pais: o revolucionário Luiz Carlos Prestes e a militante judia Olga Benário. Ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, Anita também expôs as divergências de Prestes com o Comitê Central do Partidão e os acertos e erros do PCB, em especial de 1958 a 1990.

O público esquentou ainda mais o debate ao trazer as Marchas do Vinagre como assunto do dia. Estudantes, universitários, professores, jornalistas, entre outras tantas pessoas, não economizaram perguntas sobre a onda de manifestações populares no País. Foram dois dias de intenso debate político que abalaram espaços públicos e ecoaram na imprensa, chegando a milhares de residências da região. 

Adolescentes e adultos se viram no mesmo fio da história durante a passagem da Anita Prestes, propiciada pela Casa da América Latina.  Refletiram sobre esquerda e a direita; progressistas e conversadores; comunistas e capitalistas (não, meu caro, não são rótulos...). Eis um resumo das declarações da professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mais abaixo as falas dentro do contexto:


Entrevista coletiva a imprensa na APP Sindicato 

• O filme “Olga” é pouco fiel à história, romantizado demais.
• A Coluna Prestes não se formou em Foz do Iguaçu, como frequentemente se afirma, mas nasceu no noroeste do Rio Grande do Sul.
• O Prestes, ao percorrer o interior do Brasil com a Coluna, se defronta com a situação crítica dos trabalhadores rurais.
• É impossível escrever, estudar e pesquisar a vida de Luiz Carlos Prestes sem levar em conta a história do PCB.
• O título expressa justamente o conteúdo do livro, mostra a luta travada por ele dentro da direção do PCB por um partido revolucionário.
• Mas os jovens deverão chegar a uma consciência que partidos comprometidos com os interesses populares serão necessários.
• O PCB (Partido Comunista Brasileiro), por exemplo, está tentando um caminho revolucionário.
• O PCdoB se intitula ‘Partido do Socialismo’, mas na realidade está fazendo a política do grande capital e pra isso não tem a menor cerimônia de falsificar inteiramente a sua própria história.
• Por que as grandes fortunas não são taxadas e submetidas a um imposto de renda maior?
• É preciso ajudar as lideranças a organizar partidos e organizações revolucionárias.

Ah, a série de encontros com Anita Prestes em Foz do Iguaçu teve realização da Casa da América Latina, com apoio da Guatá, Centro de Direitos Humanos, Casa do Teatro, Fundação Cultural, projetos de extensão Webrádio UNILA, CineDebate História e CineLatino, cursos de História e  de Ciência Política e Sociologia da UNILA, bem como do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Barão do Rio Branco.


Palestra no Colégio Estadual Barão do Rio Branco 

OLGA BENÁRIO

“Ela viveu muito pouco. Foi assassinada com 34 anos de idade. A sua trajetória política foi muito curta, basicamente na Europa, como militante da Juventude Comunista Internacional. Ela atuou na Alemanha, na Inglaterra e na França. No Brasil, a tarefa dela era técnica, de cuidar da segurança de Prestes. Ela não teve atividade política propriamente no Brasil. O filme “Olga” é pouco fiel à história, romantizado demais. O próprio diretor, Jayme Monjardim, disse que estava interessado em contar uma história de amor. Não queria falar de política, história ou na figura de Prestes. O livro de Fernando de Morais é bem melhor”.

BERÇO DA COLUNA PRESTES

“O resultado das minhas pesquisas, bastante detalhadas e documentadas, revelam que as versões historiográficas consagradas não correspondem ao que exatamente aconteceu. A Coluna Prestes não se formou em Foz do Iguaçu, como frequentemente se afirma, mas nasceu no noroeste do Rio Grande do Sul. 

Após importantes vitórias no Rio Grandes, a marcha chegou aqui no Oeste do Paraná num momento em que os rebeldes paulistas estavam derrotados. Tinha sofrido uma séria derrota em Catanduvas e estavam num estado de espírito de derrota. E foi graças à energia de Prestes, numa reunião realizada em Foz do Iguaçu, em 12 de abril de 1925, que a tropa paulista se integrou à Coluna Prestes. Esta foi reorganizada e chamada 1ª Divisão Revolucionária, que ganharia o nome de Coluna Prestes. (...) 

E continua Brasil afora. Ela percorreu 25 quilômetros de Sul ao Norte, de Leste a Oeste, passou por treze estados. Levou dois anos e três meses. Derrotou dezoito generais brasileiros que não conheciam a guerra de movimento. Ela saiu vitoriosa do Brasil para se exilar Bolívia. Nós não vamos vencedores, mas não fomos derrotados. A coluna também ficou conhecida como Coluna Invicta.

Essa é uma breve explicação no sentido de mostrar porque eu afirmo que a Coluna Prestes não foi formada em Foz do Iguaçu. Ela nasceu no Rio Grande do Sul, vem do Rio Grande do Sul e chegou vitoriosa aqui e incorpora os que sobraram das tropas paulistas após a derrota em Catanduvas”.

DA COLUNA PRO COMUNISMO

“Os líderes da Coluna Prestes não tinham a menor ideia de revolução, nem de marxismo, nem de comunismo. O que eles pretendiam era atingir os objetivos do movimento tenentista, que eram objetivos bastante limitados, que busca o voto secreto, representação e justiça, moralizar os costumes políticos, cumprir a Constituição de 91. Era uma revolta contra todos os absurdos da República Velha, a oligarquia cafeeira, paulista e mineira. Mas dentro da realidade brasileira na época era o possível. Eles queriam colocar abaixo o presidente Arthur Bernardo (...)

O Prestes, ao percorrer o interior do Brasil com a Coluna, se defronta com a situação crítica dos trabalhadores rurais, ele chega à conclusão que os programas não iriam resolver os problemas do povo brasileiro. E por isso ele propõe encerrar a marcha na Bolívia e começa a estudar o marxismo”.

PRESTES E PCB

“É impossível escrever, estudar e pesquisar a vida de Luiz Carlos Prestes sem levar em conta a história do PCB. São dois assuntos extremamente entrelaçados. Ao estudar, escrever sobre a vida de Luiz Carlos Prestes, eu tenho que conhecer bem, escrever sobre o PCB. E vice-versa. Esses dois assuntos tem sido o foco principal das minhas pesquisas nestes quase 30 anos”. 

LIVRO

“Luiz Carlos Prestes: O combate por um partido revolucionário (1958 – 1990). O título expressa justamente o conteúdo do livro, mostra a luta travada por ele dentro da direção do PCB por um partido revolucionário. Em março de 1980, Prestes lança a Carta aos Comunistas rompendo com a direção do PCB. Ele sai do Partido e reforça a necessidade de, a partir das lutas populares, incentivar as lideranças a estudar o marxismo –única teoria capaz de dar uma base para transformações profundas”.

MANIFESTAÇÕES NO BRASIL

“É de saudar o fato dos brasileiros irem para ruas lutando por reivindicações justas, principalmente os jovens. Sempre em todos os movimentos é a juventude que toma a dianteira, mais iniciativa, desprendimento e disposição de luta. 

Além do aumento das passagens, outras reivindicações estão presentes, como saúde pública e de qualidade. As pessoas estão cansadas. O ensino está deteriorado. No transporte coletivo, as pessoas levam 4 horas no ônibus. Efetivamente há um desprestigio da classe política. Isso revela um nível de politização muito baixo do nosso povo. Isso é inicio de um movimento, que corre o risco de ser manipulado. 

Claro que mostra despolitização o fato de serem contra os partidos, mas é preciso entender isso: são contra esses partidos que estão aí. Mas os jovens deverão chegar a uma consciência que partidos comprometidos com os interesses populares serão necessários. Chegará esse dia. Por enquanto estamos dando o primeiro passo”.  

O PCB

"A maior parte história do PCB, que foi criado em 1922, foi na clandestindade. A história do PCB é uma história de repressão pelo governo, clandedestinado, perseguição. Até hoje existem 10 dirigentes do PCB que estão desaparecidos. Não se sabe o destino deles. Sem falar nos militantes torturados. Ele teve poucos períodos de legalidade (...).

Os partidos não são confiáveis. Existem algumas tentativas. O PCB (Partido Comunista Brasileiro), por exemplo, está tentando um caminho revolucionário. Embora eu não seja do PCB, mantenho uma boa relação com alguns dos dirigentes do Partido (....) É a partir dos estudos que vai ser possível partidos e organizações revolucionárias no Brasil (...)”.

O PCdoB

O PCdoB (Partido Comunista do Brasil) nasceu em 1962 de uma cisão do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Hoje o PCdoB continua sendo um partido reformista, só que ele chegou ao poder. Como? Na aliança como o PT, se incorporando a esse projeto de cunho neoliberal do PT e enganando bem as massas. Essa é a realidade.

O PCdoB se intitula ‘Partido do Socialismo’, mas na realidade está fazendo a política do grande capital e pra isso não tem a menor cerimônia de falsificar inteiramente a sua própria história, a história do Brasil, a história dos comunistas brasileiros. O PCdoB está falsificando o legado de Luis Carlos Prestes, Olga Benário, Gregório Bezerra e outros revolucionários brasileiros que sempre foram do PCB, nunca foram do PCdoB; o Prestes sempre condenou, com bastante ênfase, a política do PCdoB, é só consultar os jornais e os documentos da época.

 O PCdoB chegou a chamar o Prestes de reformista e traidor na época e daí pra baixo. E agora, nos programas de televisão, usam fotos como Prestes, Olga, Gregório como sendo parte da história do PCdoB. É uma mentira muito grande, é uma falsificação da história que não pode ser aceita”. 

GOVERNO LULA E DILMA

“Sem dúvida a presidente Dilma veio da luta, participou de grupos da luta armada. Participou, muito jovem, com 19 pra 20 anos, mas de lá pra cá muita coisa mudou. Tanto o Lula quanto a Dilma são uma continuidade dos governos neoliberais, em particular de Fernando Henrique Cardoso. Temos 10 anos de governo do PT privilegiando o grande capital internacionalizado. Isso que está sendo colocado em prática, distribuindo algumas migalhas para os trabalhadores. Essas bolsas famílias. Veja uma bolsa de 120 reais pra sustentar uma família é apenas para matar, provisoriamente, a fome.  Como a despolitização é muito grande, essas pessoas ficam entusiasmadas e votam em Lula e Dilma. 

O que está sendo destinado ao povo é migalha, a concentração de renda no país é cada maior. São dados do IBGE. Se melhorou um pouquinho a situação das grandes massas trabalhadoras, a situação dos grandes capitalistas, dos banqueiros melhorou muitas vezes mais. Por que as grandes fortunas não são taxadas e submetidas a um imposto de renda maior? É uma decisão política. Os impostos incidem principalmente da grande massa de trabalhadores e da classe média que têm desconto em folha de pagamento”.

O SOCIALISMO NO BRASIL

“Estamos bastante atrasados nessa caminhada. Não porque o povo brasileiro seja atrasado em relação ao venezuelano ou cubano, mas o processo histórico no Brasil se deu de tal maneira em que as classes dominantes sempre tiveram força suficiente para esmagar todas as tentativas de organização e participação popular. 

Todas as tentativas foram esmagadas a ferro e fogo, com muita violência. Por causa disso temos uma tradição de povo desorganizado. Só vamos conseguir avançar para as transformações profundas na sociedade brasileira a partir da organização popular. E você organiza o povo a partir e em torno das suas reivindicações, das suas lutas.

É preciso incentivar o surgimento de novas lideranças. E cabe aos intelectuais orgânicos ajudar essas lideranças populares nos estudos do marxismo. É preciso ajudar as lideranças a organizar partidos e organizações revolucionárias”.

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MEGAFONE - Alexandre Palmar

Pimeiro-ministro chinês apela para serviços médicos básicos para todos os cidadãos

                                                       

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang instados a estabelecer um sistema de cuidados básicos de saúde como um serviço público para todos os cidadãos.


O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang manifestou-se favorável ao estabelecimento de um sistema de cuidados básicos de saúde como um serviço público para todos os cidadãos.

Li fez as declarações em uma instrução escrita durante uma teleconferência nacional de reforma dos cuidados de saúde realizada. O primeiro-ministro disse que a reforma da saúde é um problema global que requer esforços contínuos e incansáveis. 

Keqiang observou que os governos e departamentos relevantes em todos os níveis devem considerar a reforma como uma tarefa importante para melhorar a vida das pessoas e trabalhar para fornecer o sistema básico de saúde para todos os cidadãos como um serviço público. 

Liu Yandong, Vice- ministro e chefe de um grande grupo de reforma pertencente ao Conselho de Estado, disse na reunião que  progresso significativo foi feito desde que o governo central lançou uma nova rodada de reformas na saúde em 2009. 

Reforma da saúde é uma garantia importante para alcançar uma sociedade afluente e o sonho chinês, Liu disse, acrescentando que não pode haver sociedade próspera se os cidadãos em geral têm problemas de saúde. (Com o Diário do Povo online, de Beijing)

URGENTE

Comitê Popular da Copa anuncia protesto domingo no entorno do Maracanã

                                 

Protesto será contra o processo de urbanização do Rio de Janeiro para a Copa e as Olimpíadas e contra a privatização do Maracanã


O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro convoca uma manifestação para domingo (30) no entorno do Maracanã, estádio em que as seleções do Brasil e da Espanha disputarão, às 19h, a final da Copa das Confederações. As entidades que compõem o comitê vão protestar, sobretudo, contra o processo de urbanização do Rio de Janeiro para os dois megaeventos, que, segundo elas, envolveu remoções forçadas e violação de direitos humanos, e contra a privatização do Maracanã.

Sexta-feira (28), em entrevista coletiva, os coordenadores do ato informaram que a concentração será na Praça Saens Peña, a cerca de 1 quilômetro  do Maracanã, de onde os manifestantes se dirigirão ao estádio. Depois de anunciarem suas reivindicações, eles vão se dispersar na Praça Afonso Pena, no mesmo bairro.

O representante da organização Justiça Global e membro da articulação do comitê, Renato Cosentino, disse esperar que não haja qualquer impedimento por parte da polícia na chegada do Maracanã. Ele ressaltou que, se houver bloqueios nas imediações do estádio, a orientação é não furá-los. “O movimento é pacífico. Este é nosso quinto ato, e não temos nenhuma intenção de atrapalhar o jogo." Cosentino explicou que o objetivo é chegar ao Maracanã, como nas outras manifestações. "Esperamos ter garantia de fazer essa manifestação, é um direito constitucional nosso."

O movimento reivindica, sobretudo, a interrupção do que chamaram de elitização e privatização do Maracanã, fim do processo de demolição do Parque Aquático Julio De Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros, que fazem parte do complexo desportivo do Maracanã, e da Escola Municipal Friedenreich, no entorno da arena.

“O Maracanã agora só tem 75 mil lugares, as áreas VIPs [áreas exclusivas] se multiplicaram, e o preço das entradas subiu muito. Além disso, estão retirando pessoas pobres das áreas centrais e nobres para lugares mais distantes, e tudo isso com recursos públicos para os jogos”, lamentou Cosentino. 

“Estão transformando o Maracanã em um shopping. O Julio De Lamare e o Célio de Barros eram aproveitados diariamente por cerca de 10 mil pessoas que ali se exercitavam, usando-os como equipamentos de saúde. Tirar esses espaços para transformá-los em estacionamento, que é a proposta do projeto de privatização, é um absurdo”, afirmou.

Gustavo Mehl, também integrante do Comitê Popular da Copa no Rio, lembrou que protestos paralelos ocorrerão durante todo o domingo em outras áreas da cidade. Ele espera que as manifestações pressionem as autoridades para que ajam de forma mais transparente e democrática, já que, pelas vias legais, as reivindicações sociais não têm sido ouvidas ou acatadas. “Temos uma série de liminares que foram apreciadas diretamente pela presidência do Tribunal de Justiça, que derrubou todas as que tiveram parecer favorável dos juízes de primeira instância.”

Ele informou que a articulação enviou ao Comitê Olímpico Internacional e à Federação Internacional de Futebol (Fifa) documento com denúncias sobre irregularidades nas remoções, mas, até o momento, não obteve resposta. “Em relação ao Maracanã, em dezembro de 2012, entregamos um documento listando todas as violações, ilegalidades e arbitrariedades que aconteciam no complexo do maracanã à comitiva do Jérôme Valcke [secretário-geral da Fifa].”

O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas reúne representantes de comunidades, movimentos sociais, organizações e entidades diversas e de pessoas que contestam a forma como estão sendo geridos os recursos públicos e realizadas as obras de infraestrutura nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, e no Rio de Janeiro, onde serão realizados os Jogos Olímpicos de 2016. (Com a ABr/Brasil de Fato)

E o papa Francisco promete torcer pelo Galo

                                                     
  O papa é alvinegro. Na manhã deste sábado (29), o papa Francisco foi presenteado com uma camisa personalizada do Atlético pelo seminarista mineiro Bruno Rodrigo. Tão logo recebeu o mimo, o argentino afirmou que irá torcer pelo Galo nesta Libertadores.

Jorge Mario Bergoglio, seu nome de batismo, é um confesso admirador do futebol e torce para o San Lorenzo, sendo, inclusive, sócio do time "azulgrana". Ele é o primeiro papa nascido no continente americano.

Multimídia produzido pelo Repórter-Fotográfico Leo Fontes do Jornal "O Tempo". O video mostra a Manifestação popular inicialmente contra o preço das passagens de ônibus em São Paulo que tomou proporções Nacionais

Trigêmeos cubanos fazem sucesso no balé

Médicos brasileiros versus médicos cubanos

                                                                     
         

Brasil - Redecastorphoto - [Urariano Motta] Na coluna "Um golpe comunista no Brasil", nós já havíamos observado que a Associação Médica Brasileira havia ameaçado acionar a Justiça e levar a classe dos MÉDICOS para as ruas, caso a ex-terrorista Dilma Rousseff importasse médicos cubanos.

O presidente da associação Floriano Cardoso chegara mesmo a afirmar que o governo seria o responsável direto por erros, complicações e mortes que poderiam ocorrer caso médicos incompetentes passassem a atender o povo brasileiro.

Naquela ocasião, nada dissemos do risco de erros e de morte que todos já sofremos sem necessidade de importação dos médicos de Cuba. Os formados em medicina nas faculdades caça-níqueis, os profissionais submetidos ao regime do lucro e do desprezo pela vida da população já dão conta, com muita competência, do serviço.

Para isso, para quê trazer o jaleco alienígena?

Mas agora, o que antes era ameaça se concretiza: a AMB (Associação Médica Brasileira) anunciou ontem que haverá uma paralisação nacional dos médicos no dia 3 de julho. O protesto, segundo a entidade, será feito por conta da decisão do governo federal de trazer médicos do exterior para que trabalhem no Sistema Único de Saúde.

Avisa a AMB que serão mantidos apenas os serviços de urgência e emergência. Cirurgias e atendimentos eletivos, por exemplo, não serão feitos em 3 de julho. Não vem ao caso aqui, longe do colunista sequer a insinuação, que na greve serão mantidos todos os gêneros de cuidados médicos nos hospitais privados e nas clínicas particulares.

Como o Dr. Jekyll, muitos dos nossos profissionais de medicina têm uma face pública e uma privada, queremos dizer, uma face particular, das suas contas bancárias. Sobre isso nem é bom falar. É natural, elementar, Mr. Hyde, que todo o mundo precisa sobreviver.

A novidade maior, a esperteza escorregadia, vem do novo discurso dos dirigentes da categoria médica. Eles falam agora que não se opõem à vinda de médicos pura e simplesmente. Não, longe disso. O problema é que os médicos de Cuba têm que passar antes pelo Revalida, a Revalidação do Diploma Médico, porque, afinal, o povo tem que ser bem cuidado, não é qualquer um chegar aqui com diploma de quinta categoria pra cuidar dos brasileiros.

E sabe o leitor onde reside a esperteza?

O Revalida é uma prova que até mesmo os que a elaboram são incapazes de passar. Ou segundo as palavras do Dr. Heleno Rodrigues Correa Filho, conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde e professor associado da pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Campinas:

No Revalida, exigem conhecimento sobre coisas que não são da rotina médica diária. E perguntam sobre o que nem eles sabem responder. São exames para reprovar 90% dos candidatos. E reprovam mesmo. O exame de revalidação de diplomas estrangeiros é elaborado por professores de universidades renomadas que estão politicamente decididos a não deixar entrar ninguém. O objetivo não é filtrar profissionais para o mercado, e sim impedir que entrem pessoas. Não há avaliação externa ao Revalida.

Quando são reprovados 90% dos candidatos, ninguém vem a público reclamar de tamanho absurdo, dizer que no Reino Unido ou na América do Norte uma prova assim seria reestruturada. Por que brasileiros passam em exames nos Estados Unidos e americanos não passam no Revalida brasileiro? É porque tem alguma coisa errada... Essa direita que não quer modificações no Revalida é a mesma que não quer as cotas nas universidades e os médicos oriundos dessa escola cubana.

A opinião acima é um petardo demolidor sobre as “boas intenções” da AMB. E vem de um especialista médico, que bem conhece a prova e os seus pares. Mas o diabo do Revalida é que ainda assim se aprovam 10%. Então o que exigem mais agora, para que o povo brasileiro não fique sem médicos? Os nacionais querem, por cima, uma prova de português para os médicos alienígenas. É justo. Do meu canto, deixo a sugestão de uma prova matadora para esses 10% de invasores.

Na prova de português, os médicos cubanos devem ser submetidos a uma prova dividida em 3 partes.

Na primeira, uma análise sintática de todo o canto IV de Os Lusíadas, com identificação de orações, objetos, acessórios, inversões, elisões, alusões, metros raros, mais exegese com identificação dos personagens em Camões e suas biografias.

Na segunda, uma interpretação de frases com gírias cariocas, pernambucanas, amazonenses e gaúchas.
Na terceira, uma redação toda em termos da fala do caboclo do Acre. Pronto, creio não haver melhor Revalida para nos livrar de mais uma invasão comunista. (Com o Diário Liberdade)