domingo, 31 de março de 2013

Dez notas sobre “O dia que durou 21 anos”. Um trabalho publicado por "Opera Mundi"


Domingo, 31 de março de 2013

1. O filme de Camilo Tavares "O dia que durou 21 anos" põe fim à dúvida sobre a participação da CIA e do governo americano no golpe de 1964. A documentação, em texto e em áudio, é farta, e não permite mais contestação. O golpe foi planejado e articulado na Embaixada norte-americana, com bênção do católico democrata John Kennedy. E executado sob o governo Lyndon Johnson de acordo com o previsto.

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2. Reforço o catolicismo de Kennedy porque a adesão de Castelo Branco à religião parece ter sido um forte argumento usado pelo embaixador Lincoln Gordon para convencer o governo dos Estados Unidos de que o chefe militar do Segundo Exército (São Paulo) era a pessoa certa para dirigir o país após a deposição de João Goulart.


3. O filme não fala, mas a movimentação de Olímpio Mourão Filho na noite do dia 31 de março, contrariando a vontade de Castelo Branco, no dia em que os EUA decidem mandar sua frota para a costa brasileira, mas antes de ela chegar, indicam já em 1964 uma divisão entre a direita e a extrema-direita, cujo líder era Costa e Silva, chefe do Primeiro Exército, sediado no Rio. Mourão parece tentar, ao liderar o golpe, reforçar a posição de Costa e Silva, que chegaria à Presidência em 1967.

4. Essa precipitação de Mourão é a única linha não traçada no plano de contingência dos EUA para o país. Mas a rapidez com que os norte-americanos reconhecem o novo governo, antes que Jango conseguisse cruzar a fronteira do Uruguai, é suficiente para dizer que os Estados Unidos sabiam de tudo o que estava acontecendo – até mais do que Costa e Silva, que recebeu Mourão Filho no Rio de cuecas, segundo a filha do general que comandou as tropas a partir de Minas Gerais.

5. Não havia no Exército forças leais o suficiente para João Goulart tentar resistir, embora na Força Aérea a situação não fosse tão precária, sugere o filme. Jango erra não só antes, ao não articular a defesa militar de seu mandato, quanto depois, ao fazer um périplo de avião pelo país sem tentar ao menos levantar a população que o apoiava.

6. O filme aceita a tese proposta por um dos entrevistados (o historiador James Green) de que a repressão ultrapassou o previsto por Lincoln Gordon (o embaixador golpista) e Lyndon Johnson (o presidente que decide fazer os tanques brasileiros se movimentarem), ganhando um sentido não planejado e não desejado pelo governo dos Estados Unidos. Por que acho a interpretação equivocada? Por que todos os documentos já abertos indicam que os Estados Unidos continuaram organizando golpes na América do Sul (Bolívia em 1964, 1967, 1971, 1978 e 1980; Peru em 1968; Uruguai e Chile em 1973; Argentina em 1977) sem que a repressão deixasse de ser violenta, pelo contrário.

7. "O dia que durou 21 anos" trata muito pouco da relação da primeira ditadura (1964 até o fim do governo Médici, 1974) com a segunda (Geisel e Figueiredo, de 1974 a 1985). No primeiro período, governaram os generais da linha de frente golpista; na segunda, os “administradores” da ditadura. De Geisel, praticamente só restam imagens.

8. Ao recuperar o papel do Ibad (Instituto Brasileiro de Ação de Democrática) e do Ipes (Instituto de Pesquisa em Estudos Sociais), "O dia que durou 21 anos" mostra como a atuação da CIA é mediada por instituições locais, revestidas de “ação democrática”, por meio de veículos de grande circulação (Manchete, Cruzeiro, por exemplo).

Europa: a crise sem fim: tema da Samuel número 8.

9. As cenas mais evidentes da pressão norte-americana contra Jango são as que mostram o presidente brasileiro visitando a base militar de Nebraska, sugestão do embaixador golpista Lincoln Gordon – originalmente, um brasilianista selecionado por Kennedy para comandar a imensa máquina burocrática do governo norte-americano no Brasil.

10. A visita tinha o objetivo de exibir a musculatura militar dos EUA ao presidente brasileiro, uma espécie de aviso sobre o que ele teria de enfrentar caso continuasse a contrariar a política de Washington. Jango sente o golpe e os closes em seu rosto, nas imagens de arquivo, são suficientes para perceber que ele entendeu o recado e que não tinha um plano alternativo ou jogo de cintura suficiente para enfrentá-lo. (Com Opera Mundi)

Iraque do confronto aos dias de hoje

                                                       
 Fiódor Lukianov, de Rossiyskaya Gazeta

Em 20 de março de 2003, os EUA iniciaram uma guerra contra o Iraque. Dez anos depois, o balanço do conflito parece negativo para os norte-americanos. E para a comunidade internacional como um todo? O analista político Fiódor Lukianov fala sobre os desdobramentos de uma guerra que deixou milhares de mortos e má fama para os Estados Unidos, mas também o esclarecimento dos papéis de organizações internacionais como a Otan.

Há dez anos, os EUA lançaram uma campanha militar de grande envergadura contra o Iraque sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Claramente concebida para demonstrar a capacidade dos EUA de influenciar e controlar os processos globais, a invasão teve um resultado inverso ao esperado.


Milhares de norte-americanos foram mortos nos anos posteriores à invasão, durante a suposta “constituição da nação iraquiana”. No lado iraquiano, o número de vítimas mortais os ultrapassou 100 mil apenas entre os civis, de acordo com ONGs. Apesar da consequente queda de Saddam Hussein, o conflito também trouxe consequências para os EUA.

Os gastos com a campanha iraquiana, estimada em mais de 800 bilhões de dólares, agravaram ainda mais os problemas econômicos do país. Além disso, os EUA tiveram a credibilidade prejudicada e as autoridades norte-americanas se viram envolvidas em uma série de controvérsias sobre a presença de armas nucleares no Iraque.

Quanto à não proliferação de armas de destruição em massa, o resultado esperado também não foi alcançado. Os resultados da chamada democratização do Oriente Médio, promovida à força no Iraque e que serviram de impulso para a Primavera Árabe, saíram pela culatra, já que os novos regimes apoiados pela maioria da população adotam atitudes antiocidentais.

Todas essas questões são universalmente aceitas, inclusive por aqueles que há 10 anos saudaram a libertação do Iraque do “mais cruel ditador do mundo”.  Mas é importante olhar para a guerra no Iraque sob outro ponto de vista e, assim, enxergar também quais benefícios a campanha iraquiana dos EUA trouxe à comunidade internacional.

Em primeiro lugar, o conflito no Iraque desferiu um duro golpe à arrogância dos EUA que, após a os atentados de 11 de setembro, começaram a assumir uma posição neoimperialista. O atual comedimento do presidente norte-americano Barack Obama pode, inclusive, ser visto como um reflexo da análise da experiência da campanha  iraquiana.

Além do mais, o fracasso dos EUA na guerra do Iraque fez com que o Conselho de Segurança da ONU voltasse a ser um elemento importante da política internacional, pois logo ficou claro que a falta de legitimidade de tais iniciativas pode torná-las contraprodutivas. A substituição da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) por uma “coalizão de voluntários”, como fez o então secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, evidenciou que o vazio jurídico paralisa qualquer ação.
Embora seja possível derrubar um regime sem aprovação formal, isso não garante a estabilidade na região afetada.

Sabe-se que o Conselho de Segurança e as demais instituições da ONU Unidas não são perfeitas, mas a comunidade internacional também entende que não existem outros mecanismos mais práticos e consistentes. À parte de algumas falhas, foram muitas as oportunidades, ao longo dos últimos 10 anos, de ver como o procedimento adotado pelas Nações Unidas ajudou a quebrar o impasse em conflitos.

Ainda que a guerra do Iraque tenha evidenciado as diferenças políticas entre os dois lados do Atlântica, a unidade entre eles não sofreu grande impacto com a recusa dos principais países europeus em participar da empreitada norte-americana no Iraque. Uma década depois, as antigas contradições, como a sugestão de alguns políticos dos EUA de boicotar todas as importações da França, passaram ao esquecimento.

Ficou claro também que a Otan não pode exercer a função de força internacional, afinal, a maioria dos seus membros não está pronta para isso ou só seriam capazes de participar simbolicamente. Apesar de a busca de uma nova missão para a Aliança continuar, nos últimos anos um novo conceito vem adquirindo contornos cada vez mais claros: a Otan passa a ser vista como uma organização militar regional destinada a resolver problemas nas imediações de sua área de responsabilidade, ou seja, na zona euroatlântica.

Para a Rússia, essa notícia não é parece conveniente, pois a área de responsabilidade da Otan se estende ao sul e ao leste de suas fronteiras. Mas é também estimulante ver que a capacidade militar da Europa está diminuindo e os EUA estão mais focados na Ásia do que no Velho Mundo. A guerra do Iraque mostrou às autoridades russas que a política ocidental não é bem calculada e criteriosa nem mesmo racional. Desde o início, Moscou declarou que a aventura iraquiana não traria resultados positivos e teve razão.

Paralelamente, a Rússia se dedicou ao aumento de suas próprias capacidades para estar pronta para quaisquer desdobramentos. Desde que os líderes mundiais passaram a realizar ações que não condizem às leis internacionais, a Rússia começou a acreditar que qualquer coisa pode acontecer e, portanto, deve estar pronta para agir militarmente. Essa não é exatamente uma estratégia, mas uma tática que pode se mostrar eficaz por algum período.

(*) Fiódor Lukianov é analista do Conselho para Política Externa e Defesa em Moscou. (Com a Gazeta Russa)

A notícia está na BBC: Shakespeare era especulador. Sei lá: quando fiz Cultura Inglesa e estudei o bardo, não aprendi nada disso...E meus professores eram o cônsul Walter e seu filho Derek. Mr. Walter hoje é nome de sua no Buritis...


                                                    
Shakespeare teria estocado alimentos em uma época de fome para inflacionar o preço
Documentos descobertos no País de Gales mostram que o principal nome da literatura em língua inglesa, William Shakespeare, era mais que um dramaturgo.
Shakespeare era um poderoso proprietário de terras e especulava com o preço dos alimentos.
Segundo os documentos descobertos pela Universidade de Aberyswyth, no País de Gales, Shakespeare se beneficiou da fome e da miséria da população da época.
Registros do fisco mostram que Shakespeare foi processado várias vezes por estocar alimentos ilegalmente e vendê-los depois revendê-los com preços inflacionados.
O autor de Romeu e Julieta e O Mercador de Veneza parou de trabalhar aos 24 anos.
Na época, já era o maior proprietário de terras de sua cidade natal, Stratford-upon-Avon.
Acredita-se que Shakespeare tenha tido a si como referência ao escrever Coriolano, que retrata os distúrbios desatados pela estocagem de grãos durante um período de fome.

Perambulando por Piumhi

                                                             

Acabo de chegar de Piumhi, onde passei uns três ou quatro dias.Entre visitas a parentes e peregrinação pelos bares da cidade.Um deles, o Rozimar, está de endereço novo...Sei lá. Preferia o anterior, menor, ambiente mais intimista...Tudo bem. Agora o espaço é maior e as facilidades de estacionamento aumentaram. O cardápio também está mais variado. Dá até para se tomar uma pinguinha amarela com guaraná e apreciar um pratinho de tropeiro, light, bem light.Tudo sem culpa...O Rozimar novo está em frente a uma igreja...Imagem: o empresário José Wilson e sua esposa, a fonoaudióloga Luzimar Chávez Oliveira

Comer chocolate com moderação faz bem à saúde. Estou de acordo. Só que outro dia estava diante de duas estudantes de medicina e confessei-me chocólatra. Uma delas foi logo confessando que também o é...Difícil, não? Afinal quais são os critérios para se medir a "moderação"?

                                                       
Período de maior consumo de chocolate no país, a Páscoa é para muitos sinônimo de excessos. Chocólatra assumida, Milena Roças da Silva, come o doce todos os dias. “Pelo menos um bombonzinho”, contou. “Evito comer outras coisas para ter essa dose diária de chocolate”, disse, ciente que não é aconselhado em uma dieta saudável. Entretanto, o chocolate pode fazer muito bem e, inclusive, pode ser ingerido todos os dias se tiver pelo menos 70% de cacau, segundo o nutrólogo Mohamad Barakat.

“Dentro do cacau existem elementos, chamados polifenóis, que são fundamentais para estabilizar a membrana de todas as células. São poderosíssimos antioxidantes, corrigem os radicais livres que danificam os tecidos. O chocolate com 70% de cacau, o amargo, tem quase o triplo de polifenóis que o chocolate ao leite”, explicou o médico. Barakat informou que a maioria dos chocolates ao leite têm menos de 10% de cacau.

Outro conselho para uma Páscoa sem culpas é a moderação. “Indico ao meus pacientes 30 gramas diárias de chocolate para proteção cardíaca e para gerar saciedade", disse.

Comer em doses pequenas para Milena é um conselho que dá para seguir, já o chocolate amargo: “Já experimentei. É ruim, é forte. Não consigo comer esse, não”.

O nutrólogo admitiu que o gosto do chocolate amargo não agrada a todos. “Um exercício que dou aos meus pacientes que não estão habituados ao chocolate amargo, mas querem mudar seu estilo [de vida], é que comam todos os dias um pedacinho de chocolate amargo misturado com uma uva passa, um damasco, uma castanha e vão comendo, misturando cada um deles, adocicando”, orientou. “Ao habituar o cérebro e as papilas a esse sabor, passamos a ter prazer”.

Barakat lembrou que o cacau também tem cafeína, tiramina e teobromina, estimulantes que melhoram o funcionamento do cérebro, aprimorando o raciocínio.


Importante editorial de "O Tempo", de 31/03/2013


                                                                             
Editorial.

Verdade, a vítima

A presidente Dilma Rousseff não estaria satisfeita com os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, que investiga violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988. A Comissão se detém em especial sobre os 21 anos de governos militares, a partir de 1964.

Nesse período, a presidente foi presa e torturada por resistência ao regime. A Comissão não estaria divulgando os inúmeros casos que poderiam sensibilizar a opinião pública, de modo a provocar uma comoção nacional e promover uma verdadeira cura desse trauma. 

Parece haver, dentro da Comissão, o mesmo desconforto. Dois de seus membros não têm comparecido às reuniões. A Comissão é uma alternativa ao impasse criado pela Lei da Anistia para que os crimes cometidos, perdoados por um pacto social, não sejam esquecidos.

A presidente teria citado o sucesso de outras comissões, na Argentina e África do Sul, que apelaram para os depoimentos públicos para chamar a atenção da nação. De fato, esta oportunidade está sendo perdida, na medida em que a comissão trabalha em relativo sigilo. 

Isso só interessa aos supostos responsáveis pelos crimes denunciados e em investigação. Ainda agora, a propósito deste 31 de março, os Clubes Militares emitiram uma nota em que afirmam que militares e civis agiam "no cumprimento do dever" e contra o "terrorismo". 

A democracia hoje vigente no país deveria permitir o debate livre e aberto dessa questão. No entanto, mesmo tendo acabado a guerra, a verdade continua sendo sua primeira vítima. Os principais envolvidos não têm como se justificar. Por isso, torcem pelo esquecimento.

No entanto, "o tempo não irá sufocar o direito das famílias à reparação integral nem da sociedade o direito à memória e à verdade". Além da Comissão, o país já produziu uma vasta literatura e mais documentos estão sendo colocados à disposição da opinião pública. 

Felizmente, essa parte da nossa história não começa nem termina na Comissão da Verdade.

quinta-feira, 28 de março de 2013

ATO EM REPÚDIO AOS 49 ANOS DO GOLPE MILITAR DE 1º DE ABRIL DE 1964


                                                         
 DITADURA NUNCA MAIS!

Nem perdão, nem esquecimento, nem reconciliação: punição para os responsáveis

por torturas, mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar!

SEGUNDA-FEIRA, DIA 1º DE ABRIL DE 2013.

HORÁRIO: DE 16H ÀS 18H.

LOCAL: PRAÇA SETE, CENTRO, BH/MG.

PT contra o ministro do PT

                                                   
                                                     Eugênio Bucci (*)


A oposição no Brasil vai mal. Marina Silva não sabe se conseguirá legalizar seu partido – a sua “Rede”, que ainda nem nasceu direito e já se encontra ameaçada de extinção. Eduardo Campos encarna a crise existencial de um triângulo desamoroso: não discutiu suficientemente a relação entre sua própria pessoa, seu partido e a diáfana “base aliada” – essa entidade que não tem base, não tem tantos aliados assim, não ajuda, mas também não atrapalha. Aécio Neves ainda mal começou e já começou mal: seus pronunciamentos iniciais criticando a presidente da República por só pensar em reeleição padecem de uma amnésia suicida. Será que ele não se lembra de que quem só pensava em reeleição era o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, que mudou as regras do jogo (durante o jogo) apenas para faturar um segundo mandato?

Em suma, o governo de Dilma Rousseff corre solto. Ou, também solto, fica parado. Faz e não faz o que bem quer, fala o que bem entende – e às vezes fala do que não entende. Sem ser incomodado. O Palácio do Planalto vê subir a inflação e os índices de popularidade. Em recente pesquisa do Ibope, divulgada nesta semana, 63% dos entrevistados consideram o governo Dilma “bom” ou “ótimo” (eram 62% em dezembro). Detalhe: para nada menos que 20% dos eleitores brasileiros, Dilma é melhor que Lula.

Do ponto de vista da presidente-candidata, se melhorar, desanda. Seu grande cabo eleitoral é a oposição inerte. Nada em seu governo encontra obstáculos. Os ministérios não conhecem o que seja resistência programática. Todos têm apenas apoiadores. Todos menos um: o Ministério das Comunicações acabou trombando com um partido que lhe faz oposição sistemática. Esse vetor oposicionista atende pelo nome de Partido dos Trabalhadores. Isso mesmo, o PT. O mesmo partido ao qual o ministro titular da pasta, Paulo Bernardo, é filiado desde 1985, o mesmo partido que apoia o governo de Dilma Rousseff combate ferozmente o Ministério das Comunicações.

Partido não recuou

O PT quer para já a chamada regulamentação dos meios de comunicação. No documento “Democratização da Mídia é Urgente e Inadiável”, aprovado dia 1º de março em Fortaleza, o Diretório Nacional do PT conclama o governo a enviar ao Congresso Nacional um projeto de marco regulatório das comunicações. Na resolução os petistas cobram também a revisão das isenções concedidas às empresas do setor.

Na quarta-feira (20/3) o Estado de S.Paulo trouxe declarações do ministro Paulo Bernardo contestando as afirmações do partido que lhe faz oposição. Ele qualifica de “incompreensível” a atitude do partido de misturar dois temas que, na sua visão, são distintos: a regulação da mídia e investimentos públicos. É também “incompreensível”, a seus olhos, que o PT deflagre uma ofensiva contra as isenções fiscais concedidas pelo governo às empresas de telecomunicação. “Será que o PT acha que são as teles que pagam esse imposto?”, indaga o ministro. E ele mesmo responde o óbvio: “O custo é alto e quem paga é o consumidor.”

Quanto a isso, a resolução do Diretório Nacional cometeu um erro grave: multiplicou por dez o valor das desonerações fiscais. Segundo o documento petista, conforme anotou a reportagem do Estado, em matéria assinada por Vera Rosa, “o alívio fiscal concedido às empresas, com o novo Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), alcançava R$ 60 bilhões, número dez vezes maior do que o anunciado pelo governo”. A pedido de Paulo Bernardo, o partido corrigiu-se (o valor correto é R$ 6 bilhões), mas não recuou um dígito sequer na oposição que faz à pasta das Comunicações.

Políticas autoritárias

Paulo Bernardo tem bons argumentos contra seus antagonistas. “A Constituição veda a censura e, portanto, o marco regulatório não pode ser confundido com controle da imprensa nem com nenhum tipo de controle de nada”, alega. Tem absoluta razão. Existe, de fato, em algumas áreas da oposição ao Ministério das Comunicações um certo furor censório, por assim dizer, o que precisa ser examinado mais de perto.

Em parte por vingança contra os veículos que deram ampla cobertura ao julgamento do mensalão, em parte por oportunismo populista, há quem argumente à boca pequena que regular os meios de comunicação é uma forma de enquadrar o jornalismo, forçando as emissoras a adotar pautas mais favoráveis às agendas oficiais. 

Ondas assim vêm se agigantando no Equador, na Venezuela e na Argentina. Se bem-sucedidas, levarão a uma relativa asfixia dos debates democráticos. É curioso como existe ainda hoje quem enxergue nesse caminho uma saída. 

Mais que curioso, é desconcertante notar que setores da esquerda na América do Sul tenham tomado para si estratégias autoritárias que as ditaduras militares tentaram, sem sucesso, impor aos meios de comunicação. O governismo imposto nunca dá certo – à esquerda ou à direita, tanto faz.

Para complicar ainda mais o irracionalismo do cenário – o partido do governo fazendo oposição cerrada (não obstante aberta) a um dos ministros do governo –, temos então esta discrepância: militantes que se dizem democráticos defendendo políticas autoritárias para enquadrar veladamente o noticiário.

Participação da sociedade

Diante disso, o Ministério das Comunicações erra ao silenciar. Com sua morosidade acaba dando forças ao PT. Paulo Bernardo bem sabe que o Brasil precisa de uma nova legislação que dê jeito em vícios graves da radiodifusão; sabe que isso nada tem que ver com censura, mas com modernizar o mercado, inibindo ainda mais as possibilidades de censura. Não por acaso, todos os países democráticos dispõem de marcos regulatórios claros – e, ao menos nesse quesito, vão muito bem.

O Ministério das Comunicações faria bem se tomasse a iniciativa e convocasse a sociedade para a elaboração de um novo marco regulatório. Assim, deixaria para trás as chantagens do PT e o imobilismo dos que querem deixar tudo como está (como se fosse possível).


(*) Eugênio Bucci é jornalista, professor da ECA-USP e da ESPM

quarta-feira, 27 de março de 2013

Xi Jinping pede reforço da cooperação entre governos e setor industrial e comercial


                                    

O presidente da China, Xi Jinping, participou hoje (27) em Durban num encontro que juntou os líderes dos BRICS e representantes do setor da indústria e do comércio.

Os responsáveis pelo fórum empresarial apresentaram sugestões para a cooperação e desenvolvimento nas áreas de infraestrutura, minérios, agricultura, finanças e energia. Eles ressaltaram que os países devem aproveitar as vantagens complementares para aumentar a competitividade e promover a liberalização do comércio e investimento, pedindo maior apoio político e financiamento por parte dos governos.

Os líderes proferiram discursos relacionados a essa temática. Xi Jinping apontou que o desenvolvimento econômico dos países emergentes é um elemento muito relevante para a economia mundial. Os setores da indústria e comércio dos BRICS estão passando por um período de desenvolvimento histórico. 

O presidente chinês expressou o desejo de que estas áreas aproveitem as oportunidades que estão surgindo e reforcem as cooperações com os governos dos estados-membros dos BRICS, para promover a economia do bloco.

Xi Jinping acrescentou que a China insiste na política de Reforma e Abertura. O governo chinês apoia e encoraja as empresas chinesas a realizar investimentos nos outros países dos BRICS. A China também acolhe de braços abertos o investimento estrangeiro no país.

Na reunião, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, anunciou o estabelecimento do Conselho de Comércio e Indústria do BRICS.(Com a CRI)


China e Brasil assinam memorando de cooperação para troca de divisas


                                                     
A China e o Brasil assinaram ontem (26) um memorando de cooperação financeira e um acordo para a troca de divisas na ocasião da cúpula anual do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Os documentos foram concluídos durante a reunião dos ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos cinco países, cujos líderes e altos funcionários se encontram reunidos em Durban, capital sul-africana, para discutir as relações bilaterais e possíveis colaborações.

O Memorando de Entendimento entre as instituições sobre Cooperação Bilateral em Políticas Macroeconômicas, Fiscais e Financeiras, selado entre o ministro de Finanças chinês, Lou Jiwei, e o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, tem como objetivo ampliar os interesses comuns e promover o desenvolvimento econômico dos dois países.

O Acordo de Troca de Divisas de moeda local, que foram assinados entre o presidente do Banco Popular da China, Zhou Xiaochuan, e o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, tem um valor de 60 bilhões de reais (190 bilhões de yuans) e é válido por três anos.(Com a Rádio China Internacional)

I Mostra de Fotojornalismo Mineiro


                                                                               
                                                        
Está aberta até o dia 31 de março a I Mostra de Fotojornalismo Mineiro, exposição com curadoria do professor de fotojornalismo Eugênio Sávio, na Galeria de Artes Gráficas e Fotojornalismo do Oi Futuro BH. São trabalhos de 27 profissionais que atuam nos quatro principais jornais de Belo Horizonte. Um total de 68 fotografias, que lembram o melhor da fotografia publicada em 2012 no Estado de Minas, Hoje em Dia, Metro e O Tempo.

As imagens retratam o cotidiano do estado de Minas Gerais e sua capital Belo Horizonte. Entre elas diversas temáticas como cidades, política, cultura e meio ambiente. “Trata-se de uma oportunidade de refletir sobre o poder da imagem no jornalismo, sobre a capacidade do repórter fotográfico em perceber o acontecimento e traduzi-lo, com sensibilidade e senso informativo, em imagens”, diz o curador Eugênio Sávio.

Para os editores de Fotografia dos jornais, a oportunidade é importante e valoriza o trabalho destes profissionais que atuam no mercado, além de ser uma maneira de os próprios fotógrafos verem o trabalho uns dos outros como arte.Conheça os fotógrafos que estarão expondo na mostra:

Alex de Jesus – O Tempo

Alexandre Guzanshe – Estado de Minas

Alisson Gontijo – O Tempo

Angelo Pettinari – O Tempo

Beto Magalhães – Estado de Minas

Charles Silva Duarte – O Tempo

 Cristiano Trad – O Tempo

Cristina Horta – Estado de Minas

Daniel de Cerqueira – O Tempo

 Douglas Magno – O Tempo

Flavio Tavares – O Tempo

Fred Haikal – Hoje em Dia

Gladyston Rodrigues – Estado de Minas

Gustavo Andrade – Metro

Leandro Couri – Estado de Minas

Leo Fontes – O Tempo

 Lucas Prates – Hoje em Dia

Luiz Costa – Hoje em Dia

Marcelo Prates – Hoje em Dia

 Marcos Michelin – Estado de Minas

Mariela Guimarães – O Tempo

Ricardo Bastos – Hoje em Dia

Rodrigo Clemente – Estado de Minas

 Rodrigo Lima – O Tempo

Samuel Aguiar – O Tempo

Túlio Santos – Estado de Minas

João Miranda – O Tempo

Serviço

Oi Futuro Belo Horizonte

Av. Afonso Pena, 400 - Belo Horizonte - MG 

Até 31 de março 

Terça a domingo, 11h as 18h

Entrada franca 

Desrespeito à liberdade de expressão no Brasil


                                                                 
Estudo divulgado pela ONG internacional Artigo 19 aponta São Paulo e Mato Grosso do Sul como os Estados que mais registraram casos de violações à liberdade de expressão em 2012. A publicação "Graves violações à liberdade de expressão de jornalistas e defensores dos direitos humanos" traz o resultado das investigações realizadas pela ONG com relação aos crimes de homicídios, tentativas de assassinato, ameaças de morte, sequestros e desaparecimentos em todo o País.

Ao todo, a organização investigou 82 possíveis violações graves à liberdade de expressão, das quais apenas em 52 casos foi possível identificar a relação. Destes, oito foram registrados em São Paulo e outros oito no Mato Grosso do Sul. O Maranhão, com sete ocorrências, aparece em seguida.

O relatório aponta que “embora exista um imaginário de que a baixa institucionalização do Estado nas áreas mais remotas do país seria a causa das graves violações à liberdade de expressão, em 2012 nota-se o fenômeno contrário".

O estudo conclui que o Estado (seja na figura de um político, agente público ou da polícia) reage violentamente contra as denúncias que são divulgadas, publicadas, registradas ou discursadas --principalmente na internet.

"Com relação aos mandantes, nota-se um grande número de casos envolvendo o Estado seja na figura da polícia, dos políticos e agentes públicos. Do lado da organização da civil e privada, nota-se a atuação do crime organizado, dos produtores rurais/extrativistas e empresários."

Em grande parte dos Estados do Nordeste não houve ocorrências registradas: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Ceará. A ONG também chama a atenção para um grande número de crimes em cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes. "Locais onde há mais proximidade entre Estado e população."

Em relação ao tipo de violação, os homicídios representaram 30% das graves violações de 2012, tentativas de assassinato 15%, ameaças de morte 51% e sequestros e desaparecimentos apenas 4%.

 "No Brasil e em outros países da América do Sul, jornalistas, radialistas, editores, defensores dos direitos humanos, ativistas ambientais ou sociais, lideranças rurais e blogueiros estão sendo mortos e constantemente intimidados. Eles são assassinados ou ameaçados, porque têm um ponto de vista específico sobre os assuntos públicos, porque têm uma opinião, fazem denúncias e defendem seus juízos de valores."

Uma das conclusões do relatório da Artigo 19 diz respeito ao crescimento de casos de ameaças relacionados à internet. Entre jornalistas, este tipo de caso representa quase a metade (40%).

Segundo o estudo, conteúdos publicados em blogs pessoas, mídias sociais e sites tornam os jornalistas muito mais expostos.

"Tal fenômeno contradiz a aparente liberdade de expressão total na rede que muitos defendem como existente no Brasil. Também demonstra que os desafios da liberdade de expressão online não são somente virtuais e nem apenas legislativos."  Com informações do jornal Folha de S. Paulo.  (Com a Associação Brasileira de Imprensa)

PCB comemora 91 anos debatendo 'Reconstrução Revolucionária' no Rio de Janeiro


                                                          
Segunda-feira 25 de março, data de aniversário dos 91 anos do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Comitê Regional da organização no Rio de Janeiro concluiu a semana de palestras sobre a trajetória dos comunistas com debate que contou com a participação dos secretários Geral e de Organização do PCB, respectivamente Ivan Pinheiro e Edilson Gomes, acerca da "Reconstrução Revolucionária" do Partido.

Com a presença de antigos camaradas e militantes recém-ingressos no Partido, além de amigos e simpatizantes, o debate apontou os desafios postos para o PCB - na atualidade e no futuro próximo -, além dos 21 anos de reconstrução desde o racha com os liquidacionistas do PPS.

Segundo Ivan Pinheiro, o processo de Reconstrução Revolucionária do PCB é algo não acabado, ainda em construção. "É nítida a afinidade política entre os militantes do Partido, que em seus dois últimos Congressos (XIII em 2005 e XIV em 2009) conseguiram consolidar uma linha política revolucionária, claramente anti-reformista, não sectária, que aponta a necessidade da revolução socialista sem afirmar que ele está no horizonte próximo. Porém, é inegável que temos que vencer algumas deficiências organizativas", argumentou.

Para Edilson Gomes, tais desafios estão postos sobremaneira na inserção do partido junto aos movimentos sociais, numa conjuntura acachapante do individualismo neoliberal e de cooptação de grande parte do movimento para o projeto do reformismo. "Temos esse desafio, sem dúvidas. Ao mesmo tempo, ao contrário do que ocorria nos anos 1980, o PCB hoje é visto como uma força política que faz avançar a luta de classes, o que desperta atenção não só da esquerda como da extrema-direita. temos que estar preparados para essa nova realidade", lembrou.

Com ampla participação daqueles que estavam no plenário do evento, foi consensual que o XV Congresso do PCB, a ser realizado em duas etapas até abril de 2014, terá o desafio de desatar os "nós" apontados na fala do secretário-geral, em processo de continuidade da Reconstrução Revolucionária do PCB.(Com o site nacional do PCB)

Possível instalação de canal de TV russo no Brasil


                                                                         
                                                                                                             Foto: Alex Solnik

Em reunião no Consulado-geral da Rússia em São Paulo, representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo apresentaram medidas para disseminar a cultura nacional em diversos países, incluindo o Brasil. Entre elas, está a abertura de centros de culturais e científicos, bem como um canal de televisão.
A visita do primeiro-ministro russo, Dmítri Medvedev, ao Brasil, em fevereiro passado, está produzindo resultados mais rápidos do que se podia esperar.
Alguns deles foram revelados pelo cônsul-geral da Federação Russa em São Paulo, Mikhail Troiánski, durante uma reunião realizada na manhã de sábado passado (15).
O encontro contou com a presença do diretor do departamento de Assuntos de Compatriotas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Anatóli Makarov, e seu vice, Serguêi Nikolaev, e dos líderes das comunidades russas de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Pernambuco.
“Uma das iniciativas que já está em andamento é a criação de um projeto conjunto entre a empresa brasileira Mineral Star e a russa M.A.S.T. na elaboração e extração de minérios raros na Bahia”, disse Troiánski.
Makarov também divulgou algumas novidades da política externa russa que têm como objetivo expandir a influência russa em duas frentes, idioma e mídia.
“[O presidente russo Vladímir] Pútin enviou um comunicado ao parlamento no qual enfatiza a importância de divulgar a língua russa pelo mundo”, anunciou Makarov.
Atualmente, existe apenas uma escola em São Paulo que oferece curso de russo e está localizada na Vila Zelina, onde se concentra grande parte da colônia russa da cidade. 
Outra tarefa importante assumida pelo ministério é a criação de uma rede de telecomunicações capaz de transmitir canais de TV russos em vários países, inclusive no Brasil.
Segundo Makarov, Pútin ordenou a criação de um fundo especial que vai cuidar da expansão da imprensa russa no mundo a fim de “vencer a batalha da informação”. Isso porque as notícias da Rússia geralmente chegam ao Brasil via Estados Unidos, e não diretamente de Moscou, como funcionava nos tempos da União Soviética.
Um canal russo faz falta não só aos compatriotas, mas também serve como um apoio cultural e comercial, acreditam os diplomatas.
“Além disso, está em tramitação no parlamento um projeto de um acordo bilateral para a abertura de centros de cultura e ciência russa no Brasil”, disse Makarov. (Com a Voz da Rússia)

Quando a realidade imita a ficção

                                                


A administração do laboratório de pesquisa em Galveston, estado do Texas, anunciou o desaparecimento de um tubo de ensaio com vírus mortal Guanarito.
Os sistemas de segurança do quarto, onde o tubo de ensaio foi armazenado, não registraram quaisquer violações.
Determinou-se que ninguém suspeito visitou o referido quarto. 
A administração do laboratório considera improvável que o vírus mortal tenha sido roubado. Supõe-se que o tubo de ensaio tenha sido acidentalmente jogado no lixo.
De acordo com o USA Today, o vírus pode ser usado como uma arma biológica. No entanto, as autoridades afirmam que o tubo de ensaio não representa qualquer perigo.(Com a Voz da Rússia)

Gramsci e as lutas políticas


                                                             
Para Cristina Bezerra, professora da UFJF e especialista na obra do revolucionário italiano, pensamento de Gramsci contribui para apontar as batalhas que a classe trabalhadora deve fazer no campo das ideias


Pedro Carrano

de Vitória (ES)

“Gramsci coloca que se a hegemonia é um dos elementos-chave para a luta política, para a de classes, ou seja, a classe que quer se tornar dirigente precisa alcançar hegemonia. Então, ela tem diferentes batalhas a serem travadas que não se limitam à esfera econômica, mas que se ampliam para a esfera política. Nesse sentido, existe uma batalha cultural a ser travada”, afirma Cristina Bezerra, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora e especialista na obra do revolucionário italiano Antonio Gramsci (1891-1937).

Cristina, no processo de pós-graduação, foi orientada por Carlos Nelson Coutinho, um dos principais responsáveis pela introdução do pensamento de Gramsci no Brasil. Professora do curso de especialização em Economia e Desenvolvimento Agrário, uma parceria entre a Escola Nacional Florestan Fernandes e a Universidade Federal do Espírito Santo, Cristina abordou, em entrevista ao Brasil de Fato, alguns aspectos do pensamento de Gramsci que ajudam a entender o momento atual da luta de classes: a batalha no campo da cultura e das ideias, a necessidade do partido político, e a produção dos intelectuais próprios da classe trabalhadora.


Brasil de Fato – Como surgiu o seu interesse pela teoria marxista do Estado e, particularmente, pela obra de Gramsci?

Cristina Bezerra – Surgiu no momento em que fui fazer Serviço Social. A profissão tem essa dinâmica, uma profissão que está inserida na sua quase maioria em espaços públicos de atuação, então o curso de Serviço Social é um curso que aborda muito essa discussão do Estado, da sociedade civil, dos processos de organização da classe trabalhadora, na figura dos nossos usuários. No momento em que fui fazer mestrado e doutorado, meu interesse já era entender o processo da cultura na sociedade capitalista, quais são as formas que a sociedade capitalista encontra para exercer seu poder ideológico e cultural, junto a essa população. Sob a orientação do professor Carlos Nelson Coutinho, eu me aprofundei em Gramsci, e nele essa relação da cultura, da hegemonia, da parte ideológica mesmo, que não se limita a essa concepção mais restrita, ela faz esse debate diretamente com a configuração do Estado nas sociedades mais contemporâneas.

 É consensual a ideia de que estamos ainda em um momento de descenso dos movimentos sociais, de descenso das massas, um momento de dificuldade de organização da classe trabalhadora, isso é reflexo do contexto contemporâneo de desenvolvimento do capitalismo. Então, esse momento de dificuldade de pautar determinadas questões é bem em razão do desenvolvimento do capitalismo que vivemos hoje.

Uma classe trabalhadora heterogênea, fragmentada, passando por um processo difícil de organização. E, ao mesmo tempo, temos problemas internos que dificultam a nossa maturidade política, vamos dizer assim: encontrar uma pauta única, levantar questões que de fato mobilizem as pessoas, mobilizem esses movimentos sociais. O principal desafio que a gente tem hoje é de encontrar essa pauta política, é conseguir colocar debates em que a sociedade se envolva de fato e que enxergue as suas contradições nesses debates. Nesse sentido, nós avançamos um pouco, a gente acumulou.

Na história da luta de classes no Brasil, temos a experiência do partido político. No entanto, o neoliberalismo gerou um retrocesso nesse processo. Gerou uma configuração mais eleitoral dos partidos, mais parlamentar. E com sérios problemas como vemos hoje no Congresso e noutros espaços de representação. Nós avançamos na construção disso, mas ainda de fato temos o desafio de construir um instrumento que, na figura do partido, recupere essa questão da pauta mais ampla e universal. A pauta dos movimentos sociais sem dúvida coloca questões importantíssimas para a nossa sociedade, mas não alcança a amplitude que o partido político tem condições de colocar.

Ainda no tema da hegemonia: são desafios para as organizações de esquerda o enfrentamento contra aparelhos como a mídia e o Poder Judiciário?

Eu gosto muito da reflexão que Gramsci faz sobre isso. Embora não tenha visto os grandes meios de comunicação, a televisão e tudo isso, Gramsci coloca que a hegemonia é um dos elementos-chave para a luta política, para a luta de classes, ou seja, a classe que quer se tornar dirigente precisa alcançar hegemonia.
ESFERA POLÍTICA
Então, ela tem diferentes batalhas a serem travadas que não se limitam à esfera econômica, mas que se ampliam para a esfera política. Nesse sentido, existe uma batalha cultural a ser travada, em torno das expectativas e das possibilidades que essa sociedade tem de se compreender e enxergar suas contradições e, nesse sentido, a cultura é uma dimensão que tem essa potencialidade.

É uma dimensão que faz se reconhecer em sociedade, reconhecer suas contradições, e portanto uma batalha cultural faz parte de uma batalha por hegemonia. E daí os aparelhos ideológicos, culturais, artísticos, eles têm a função, como diria Gramsci, de criar uma nova cultura, de criar uma cultura na qual a gente se identifique como trabalhador, em que pense nas questões colocadas para a gente e ao mesmo tempo nos possibilite pensar alternativas também.

Então, penso que as lutas nesses espaços ideológicos, nos meios de comunicação, fazem parte hoje de um processo em que as pessoas são informadas e formadas também, não é só um processo de informação, mas de formação política, que precisamos garantir. É uma batalha completamente desigual, se pensamos na forma monopólica com que os meios de comunicação estão nas mãos de poucas famílias. Mas, como não é só uma questão quantitativa, de quantos meios de comunicação estão em nossas mãos, mas também qual é a qualidade desses meios, do que a gente consegue mostrar à sociedade, então acho que a gente tem uma força nesse sentido.

Dentro de uma outra categoria trabalhada por Gramsci, a universidade pode cumprir um papel na construção do intelectual orgânico?

Segundo Gramsci, todas as classes que se colocam no processo de luta política e enfrentamento, têm como desafio criar os seus intelectuais orgânicos, ou seja, aqueles que têm a tarefa de educar, organizar, dar uma unidade, uma coerência, na forma como a classe pensa sobre si mesma.

Então, esse intelectual orgânico é criado no interior do processo de luta política dessa classe. Não significa que esse intelectual orgânico nasceu nessa classe, mas ele se sente ligado a ela, ele tem as suas questões como motivações para sua luta, motivações para sua função de intelectual, então sem dúvida nenhuma esse é o desafio hoje, como as classes trabalhadoras conseguem organizar a sua luta política e nesse processo de luta criar seus próprios intelectuais.
LIMITES
Sem dúvida nenhuma, a universidade pode contribuir nesse processo. A universidade é um espaço de luta. É um espaço institucional, ligado ao Estado, não foi criada para as classes trabalhadoras. A história da universidade é a história da elite nesse país, foi pensada para formar intelectuais para a classe dominante. Então, a universidade hoje pode contribuir nesse processo, mas não podemos esperar que ela faça tudo, porque de fato ela tem limites na sua institucionalidade. Ela tem valores que não são os valores que a gente hoje tem no interior da classe trabalhadora, mas a universidade tem uma função essencial que é a função de levar o conhecimento que ela produz e que agrega para fora de si. Então nesse sentido podemos encontrar na Universidade um parceiro. Parcerias como essa aqui (Curso de especialização, parceria entre a UFES e a ENFF), de certa forma questionam a burocracia da universidade, os vícios acadêmicos, traz para dentro da universidade uma dinâmica dos movimentos sociais que, em si, a universidade nunca foi preparada para receber.

No Brasil convivemos com um Estado desenvolvido, mas o povo é sufocado em suas demandas mais básicas. Como podemos entender essa situação?
CONTRADIÇÕES
Florestan Fernandes fala que a condição de capitalismo dependente ela é própria desse tipo de sociedade, ela instaura essa característica. São sociedades que muitas vezes combinam o arcaico e o moderno, combinam o que há de mais atrasado, como a pobreza. Combina-se isso com desenvolvimento do capitalismo atrasado, um Estado moderno, com pautas políticas e econômicas que favorecem esses grupos dominantes. E Florestan (Fernandes) é muito rigoroso como sempre na sua obra quando ele diz que a dependência não é uma etapa dessa sociedade, ela é uma opção, um caminho encontrado essas sociedades para garantir esse desenvolvimento.

Então, não é contraditório pensar que uma sociedade avançada economicamente tem um nível social comprometido, na medida que isso está na lógica do capitalismo dependente, na lógica de um país que não colocou no seu processo de desenvolvimento o desafio da soberania nacional, da democracia, do desenvolvimento econômico. O fato de as nossas elites serem comprometidas com o grande capital internacional é que gerou essa contradição. Nesse contexto, a questão que Florestan coloca: ainda existem várias revoluções dentro da ordem para ser feitas, ainda existem reformas a serem feitas, de forma que prepare a classe trabalhadora para lutas mais significativas. 

(Colaboraram Adelso Rocha Lima, Sidevaldo Miranda Costa)

(Com o Brasil de Fato/Diário Liberdade)

Chávez por García Márquez


                                                            

Colombiano e venezuelano se conheceram em Havana, ao redor de diferentes compromissos com Fidel Castro

Desde 5 de março, abundam no planeta midiático as notícias, os artigos e as análises sobre o panorama político da Venezuela. Textos que provavelmente estavam prontos e engavetados, à espera do anúncio da morte de Hugo Chávez. Também não faltam as tentativas de biografar a trajetória do presidente para chegar ao poder, de imaginar o chavismo sem Chávez e de resgatar fatos históricos que talvez lancem uma luz sobre o futuro do país. Grande parte desse esforço é válido, mas uma pergunta continua ecoando sem resposta: quem era Chávez?

É importante ressaltar: nem todas as perguntas foram feitas para ser simplesmente respondidas. Embora seguir os rastros de 100% delas seja sem dúvida o que há de mais relevante na nossa existência aqui, neste mesmo planeta onde somos varridos por uma enxurrada de notícias que serão rapidamente esquecidas, como água de chuva.

Passeando pela internet em busca de um esforço mais humano e portanto talvez mais perene de perfilar o Hugo, eis que me encontro com um texto em espanhol que anda circulando muito ultimamente, com o título original de “O enigma dos dois Chávez”. Data de 1999, quando Chávez foi eleito democraticamente presidente pela primeira vez, e seu autor é alguém sabe bem como se inventam os grandes personagens: o escritor colombiano Gabriel García Márquez.

García Márquez e Chávez se conheceram em Havana, ao redor de diferentes compromissos de um e de outro com Fidel Castro. Subiram juntos a um avião da Força Aérea Venezuelana para viajar a Caracas, e aproveitaram as horas mortas para falar da vida. Como bem se sabe, um político talentoso sabe falar, e um bom escritor sabe ouvir. O que era um bate-papo virou “uma boa experiência de repórter em repouso”, conforme escreveu García Márquez, e, para nós, um par de linhas capazes de invocar a sensação de que Chávez era uma pessoa e não somente o primeiro dos chavistas.

Era inevitável para o colombiano não pensar em 4 de fevereiro de 1992, e ele trouxe para o papo a ocasião em que Chávez liderou um levante cívico-militar contra o governo venezuelano daquele então. Já naquele tempo, comenta García Márquez, difundia-se “a imagem de déspota através dos meios”, e ele se sentia influenciado por ela, ainda que quisesse ampliá-la.

“Chávez se rendeu, com a condição de que o deixassem dirigir-se, ele também, ao povo por televisão (...). O jovem coronel venezuelano, com boina de paraquedista e sua admirável facilidade de palavra assumiu a responsabilidade do movimento”, escreve García Márquez sobre o discurso da derrota que muitos acreditam ter sido, na verdade, o primeiro passo da campanha que embalou sua eleição menos de nove anos depois.

O texto, de maneira geral, se vale se um par de episódios marcantes na vida de Chávez - o levante de 1992, a fundação do movimento bolivariano no qual se associou com colegas militares, o impacto que teve a morte de Salvador Allende para seu despertar político, sua tentativa de resgatar o legado ao bisavô, suposto guerreiro em prol de causas inspiradas também por Simón Bolívar - para contar entre uma linha e outra amenidades que desenham um ser humano.

Descobrimos, talvez já sabendo de um ou outro detalhe, que Chávez foi filho de professores de primária, que vendeu doces e frutas no semáforo, era leonino (“signo do poder”), recitava de memória poemas de Neruda e de Walt Whitman, foi pintor de quadros, músico de serenatas, jogador de beisebol e sempre um pouco obcecado em cada tarefa que se impunha.

De que serve tudo isso? Politicamente, de nada. Mas aí resgatamos a ideia de uma esquecida condição humana e lembramos que quem não resistiu a um câncer no último 5 de março foi uma pessoa. A viagem de García Márquez no avião a Caracas se deu justamente a isso: descobrir o homem, sem ter que eliminar o personagem. “Me estremeceu a inspiração de ter viajado e conversado a gosto com dois homens opostos. Um a quem a sorte inveterada oferecia a oportunidade de salvar seu país. E o outro, um ilusionista, que podia passar à história como um déspota mais”, conclui o escritor.

Fonte: Opera Mundi (Com Pátria Latina)

Latino-americanos contrários a esquecer humilhações do passado


                                          
 As testemunhas diretas das humilhações cometidas na América Latina no passado falarão hoje aqui sobre o que representaria para a região uma volta às ditaduras militares.

O segundo dia da denominada "Pela memória, verdade e justiça" acontecerá na instituição cultural Casa das Américas, promovida pelas Embaixadas da Argentina e de El Salvador nesta capital.

Entre os oradores encontram-se a chefa da delegação diplomática argentina, Juliana Marino, e o embaixador salvadorenho, Domingo Santacruz, assim como o do Uruguai, Ariel Pergamino.

Também foi convidada para a ocasião a senadora e presidente da Frente Ampla do Uruguai, Mónica Xavier.

Esta recordação dos acontecimentos tem o objetivo de não permitir que se repitam os fatos horríveis registrados nos países da América como resultado do terrorismo de Estado, segundo um comunicado difundido aqui.

Em especial, serão abordados os casos argentino, salvadorenho e o uruguaio, nos quais os regimes repressivos nas décadas dos anos 70 e 80 do século passado deixaram milhares de mortos, desaparecidos e exilados.

Particular menção será feita ao assassinato, em 1980, do Arcebispo de El Salvador Oscar Arnulfo Romero.

Em homenagem ao religioso salvadorenho, a Organização das Nações Unidas decretou o dia 24 de março como Dia Internacional pelo Direito à Verdade.

Também serão discutidos o golpe de Estado militar na Argentina, em 1976, contra o governo de María Estela Martínez de Perón e a história de atropelos no Uruguai, além da sinistra Operação Condor.

A atividade será encerrada pelo guitarrista argentino Víctor Pellegrini e por dois corais da Schola Cantorum Coralina, de Cuba.(Com a PL)

Arquivos do DEOPS de São Paulo na internet



A morte do jornalista Sertório Canedo

                                                               


Surpreende-me a morte do jornalista Sertório Canedo. Trabalhamos juntos no Congresso Nacional de Jornalistas realizado em Porto Alegre, em 1968, se não me engano.
Também convivemos bastante na imprensa diária. Ele, como assessor da Previdência Social.
E chegamos a almoçar juntos várias vezes no restaurante que ele montou no edifício Mariana, na avenida Afonso Pena, juntamente com Célio Cautieiro, nome também da Previdência Social em BH. Com uma particularidade: Célio Cautieiro era tio do ex-presidente da República e ex-governador de Minas, Itamar Franco.
Outra particularidade: o restaurante de Sertório e Célio foi o primeiro na cidade com o sistema self service. Sertório teve missa de sétimo dia na última quarta´feira, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, aquela na Praça da Assembleia Legislativa. Certamente ele fará muita falta aos seus familiares e à imprensa mineira.

terça-feira, 26 de março de 2013

91º aniversário do PCB comemorado sábado na AMI

                                                                           
Luiz Fernando, do PCB de Sabará
Daniel Oliveira, escritor 

Alex , da Juventude Comunista
Túlio Lopes, do Comitê Regional do PCB
Fábio Bezerra, Magela Medeiros e José Francisco Neres
Joaquim Goulart, do PCB de Sabará
Pablo Lima, presidente do Instituto Caio Prado Júnior em Minas
Fábio Bezerra, do Comitê Central do PCB
                                                                                                       
O 91º aniversário do Partido Comunista Brasileiro foi comemorado em Belo Horizonte com ato público na sede da Associação Mineira de Impresa. A abertura foi do secretário do Comitê Municipal de Belo Horizonte Magela Medeiros. Seguiu-se a intervenção de Fábio Bezerra, do Comitê Central do PCB, fazendo uma análise  da situação política internacional, com as crises da Europa, inclusive a da ilha do Chipre, dos Estados Unidos e abordando a campanha eleitoral na Venezuela,com a candidatura de Nicolás Maduro Moro à Presidência da República no próximo dia 14. 

Também falaram Túlio Lopes, em nome do Comitê Estadual e da União da Juventude Comunista, Alex, do Comitê Municipal de Belo Horizonte e o secretário-político do PCB ba capital, José Francisco Neres. 

Este último abordando a necessidade de criação da Comissão da Verdade do Partido no Estado. Houve  também intervenções de Pablo Lima, do Instituto Caio Prado Júnior, e Antonio Almeida, o candidato a vice-prefeito pelo PCB nas últimas eleições, além dos depoimentos de Joaquim Goulart, sobre o espião norte-ameridno Dan Mitrione e sua atuação em Sabará, e Arutana Cobério, ex-prefeito de Belo Horizonte pelo PCB e ex-juiz de Direito em Nanuque.

Foi lembrada, durante o ato a atuação do ex-vereador Anélio Marques Guimarães no movimento comunista mineiro e no sindicalismo.

Veja em outro local deste espaço vídeos sobre a festa dos 91 anos do PCB na capital de Minas Gerais

Meia dúzia de gatos pingados


José Carlos Alexandre

Como fazer a revolução com meia dúzia de gatos pingados?

Lamentavelmente, por mais que antigos militantes reclamem que "não se faz revolução somente de palavras", sem quadros é praticamente impossível vencer o capitalismo, atingir o socialismo e chegar ao comunismo, objetivo maior dos comunistas.

Ora, gastou-se tempo e ocupou-se espaço (na Associação Mineira de Imprensa) no que seria a comemoração dos 91 anos do Partido Comunista Brasileiro.

No entanto, a bem da verdade, o número de dirigentes e/ou militantes presentes ao ato realizado na AMI, quase que não passou do número de fundadores do Partido,em 25 de março de 1922...

Tem-se a impressão de que o velho Partidão não conseguiu sobreviver à débâcle do socialismo nos anos 89 e 91.

Parece que o chamado "ouro de Moscou" ( que na verdade nunca existiu) está a fazer falta no PCB...

O que se vê nas reuniões são realmente meia dúzia de gatos pingados, entre velhos capengas e jovens talvez à procura de um caminho que leve realmente ao socialismo de algum tipo, ainda que desconhecido...

O PCB tem-se apresentado patético. E ainda se fala em organizar o XV Congresso Nacional...

Nem mesmo resoluções de congressos anteriores são cumpridas e das conferências, muito menos.

Haja vista a decisão de se lutar por um Parlamento unicameral, com a extinção do Senado, optando-se somente pela Câmara...

Não há uma só palavra das direções neste sentido. Nem aproveitando-se a crise criada pela eleição do sr.Renan Calheiros para presidir o Congresso Nacional.

O partido aos 91 anos não é nem sombra do que o era ao tempo da curta legalidade dos anos 40...

Assim não é  de se  estranhar  que suas bases sejam somente pro forma, como que para se cumprir os estatutos, seguramente de olho no fundo partidário...

Repetindo Lênin, a pergunta é:"Que fazer?".

Fechar as portas, pedir desculpas aos trabalhadores e ao povo pela ausência de quadros e de militantes?

Partir para a defesa da reformulação partidária, tentar unir a esquerda em torno de um partido realmente de massa, que defenda os trabalhadores e o povo, talvez seja a única solução.


A violência da policia do Rio contra indígenas

segunda-feira, 25 de março de 2013

"El País" compara Angela Merkel com Adolfo Hitler


                                                                    

O maior jornal espanhol, El País, publicou um artigo intitulado “A Alemanha contra a Europa”, no qual a chanceler Angela Merkel é comparada com Adolfo Hitler. O artigo foi publicado em 24 de março pela edição regional andaluza do jornal e no site da edição.

O autor do artigo, o economista Juan Torres López, escreveu, em particular, que “Merkel, tal como Hitler, declarou guerra à Europa para manter o espaço econômico vital para a Alemanha”. Na opinião de López, Merkel defende os grandes bancos e corporações alemães à custa do bem-estar dos países europeus e dos habitantes da Alemanha.

O artigo provocou uma avalancha de críticas na Europa, em primeiro lugar na Alemanha e, pouco tempo depois de publicado, foi eliminado do site.(Com a Voz da Rússia)

Aviões não tripulados operam no Brasil sem qualquer tipo de regulamentação


                                             

Mais de 200 drones (aviões não tripulados) de diversos tipos e tamanhos operam hoje no Brasil sem que exista uma regulação para seu uso civil ou comercial.

Estes tipos de aeronaves são utilizadas em operações que antes dependiam de aviões e helicópteros tripulados, o qual garante sua eficácia, alcance, segurança e baixos custos, segundo a edição digital do diário Globo G1.

Uma das 15 empresas que fábrica estes aviões não tripulados neste território, a AGX Tecnologia, assinala que vendeu mais de 100 drones desde 2005, destaca Globo G1.

Entre os clientes da AGX figuram organismos públicos, entidades do setor ambiental e fazendeiros que usam estes aparelhos para o monitoreo dos labores no campo, destacou seu diretor Adriano Kancelkis.

Outra empresa, a BRVant, informou que vendeu ao menos 35 destes prototipos a militares, agricultores e entidades públicas, e também exportou a outras nações da América Latina.

Rodrigo Kuntz, dono desta empresa, assinalou que a falta de um acordo sobre as regras necessárias para que estes aviões possam operar e sejam certificados impede que tenham maiores vendas.

A utilização destes aparelhos, além de seu conhecido uso militar, estende-se a setores da energia, minería, órgãos de ordem interior e ambiente e da Defesa Civil.

Atualmente, segundo Globo G1, centros de investigações de universidades, que recebem financiamento governamental e privado, trabalham na fabricação de drones de diversos tamanhos e formas.

No final do 2012, a Polícia Federal (PF) utilizou um avião deste tipo, de fabricação israelense, para vigiar uma embarcação suspeita no denominada triplo fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), em uma operação contra o tráfico de drogas e contrabando de armas.

Segundo a PF, estes drones custam até 10 vezes menos que um helicóptero. Brasil comprou dois, dos modelos Heron, a Israel, chegaram ao país em 2010 e foram valorizados em 40 milhões de dólares a cada um.(Com a PL)

Brasil condena golpe na República Centro-Africana e apela pelo fim da violência na região


                                                   

O governo do Brasil condenou hoje (25) a ação que derrubou o presidente da República Centro-Africana, François Bozizé, e diz que mantém contato com os brasileiros que estão no país. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, reiterou as preocupações da União Africana (UA) e da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre violações de direitos humanos na região e diz estar preocupado com o “rompimento da ordem constitucional”.

“O governo brasileiro vê com preocupação o rompimento da ordem constitucional na República Centro-Africana, resultante da ocupação da capital, Bangui, por forças de oposição ao governo do presidente François Bozizé”, diz o comunicado.

Em seguida, o texto acrescenta que o governo brasileiros se associa ao Conselho de Paz e Segurança da União Africana e ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao apelar pela “imediata interrupção das hostilidades e de quaisquer atos de violência contra a população civil”.

O comunicado informa que a Embaixada do Brasil no Congo, que é responsável pelas relações com a República Centro-Africana, tem mantido contato com os cidadãos brasileiros que vivem no país em crise.

Os rebeldes da coligação Seleka tomaram ontem (24) a capital Bangui, na República Centro-Africana, forçando o presidente Bozizé a abandonar o país. Em 2003, Bozizé chegou ao poder após um golpe de Estado.

A história política da República Centro-Africana é conturbada e marcada pela instabilidade. Ex-colônia da França, o país se tornou independente em 1960. Em 1976, o então presidente Jean-Bédel Bokassa se declarou imperador, mas foi deposto em meio a denúncias de violações de direitos humanos. Em 1979, o país voltou a ser República e o governo civil foi restaurado em 1986.(Com a ABr)