segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Ato na Praça Afonso Arinos dia 20 às 9h


Thomas Piketty no Roda Viva. Seu livro "Capital e Ideologia" já vendeu mais de dois milhões de exemplares

INTOLERÁVEL

                                                                   
Quase um milhão de pessoas, entre que 160.000 crianças com menos de cinco anos no norte de Moçambique enfrentam escassez de alimentos e uma crise nutricional, com condições que devem piorar nos próximos meses.

A denúncia é da UNICEF, que destaca como a situação é a consequência direta da devastação causada pelos ciclones Idai e Kenneth, que atingiram o centro e o norte de Moçambique em março e abril deste ano.

A informação é publicada por África Missione- Cultura, 15-09-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

As duas tempestades causaram inundações generalizadas, a destruição de quase 780.000 hectares de culturas agrícolas e o deslocamento de dezenas de milhares de famílias. 

O número de crianças com menos de cinco anos que enfrentam níveis críticos de insegurança alimentar poderá subir para 200.000 nas áreas atingidas pela tempestade em fevereiro até 2020. 

No mesmo período, cerca de 38.000 crianças poderão ficar gravemente desnutridas e em risco de morte.

Incrível Hulk britânico

Luc Descheenmaeker/Rebelión

Hoje é aniversário de nascimento de um dos maiores compositores: Lupicínio Rodrigues. Com o Google e o Youtube, um pouco de sua obra, com a fenomenal Elza Soares

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

"Marighella", de Wagner Moura, tem estreia cancelada


                                                                                                         John MacDougall / AFP
                                         Seu Jorge, Wagner Moura e Bruno Gagliasso representam o filme no Festival Internacional de Cinema de Berlim

Em nota, a produtora O2 Filmes informou que a estreia do longa, prevista inicialmente para o dia 20 de novembro, foi cancelada porque os realizadores não conseguiram “cumprir os trâmites” exigidos pela Agência Nacional de Cinema (Ancine).

A data escolhida inicialmente para o lançamento marcaria tanto o mês em que se completam cinquenta anos do assassinato de Carlos Marighella quanto o dia da Consciência Negra. 

As verbas para a produção e comercialização do filme vêm do Fundo Setorial Audiovisual (FSA), administrado pela Ancine. A distribuição é da Paris Filmes. 

Recentemente, a agência já havia negado dois pedidos da produtora O2 Filmes referentes à “Marighella”. O primeiro dizia respeito ao reembolso de parte do dinheiro investido na produção do longa, no valor de R$ 1 milhão. O segundo pedia adiantamento de verbas de comercialização, referentes justamente ao lançamento do filme. 

“É impossível não pensar que existe uma articulação política para criar esse tipo de ambiente", disse o diretor Wagner Moura à revista Época na ocasião. Ele já previa, então, que a negativa da Agência poderia atrapalhar a estreia do filme.

Ao jornal O Globo, a O2 responsabilizou a demora da Ancine em ratificar o repasse de verbas do FSA.

Controle e corte de verbas

Desde o início do mandato, Jair Bolsonaro (PSL) vem declarando recorrentemente que pretende ampliar o controle sobre as produções audiovisuais brasileiras apoiadas pela Ancine. Terça-feira (10), Bolsonaro afastou o presidente da agência, Christian de Castro, e outros quatro servidores.

“É Bíblia embaixo do braço e que saiba 200 versículos da Bíblia”, disse o presidente, ao jornal Valor Econômico, sobre a busca do perfil do substituto para assumir a Ancine. As declarações foram feitas à jornalistas no Quartel General do Exército, em Brasília.

A Agência tem orçamento anual de quase R$ 1 bilhão, e o setor do audiovisual movimenta anualmente R$ 25 bilhões. 

Para o ano que vem, de acordo com a proposta orçamentária encaminhada pelo Executivo ao Congresso, pode haver um corte de 43%, reduzindo a verba do FSA, gerido pela Ancine. Os recursos previsto para o Fundo em 2020 somam R$ 415,3 milhões. 

A íntegra da nota divulgada pela O2 Filmes:

“Nós, produtores do longa-metragem Marighella, dirigido por Wagner Moura, anunciamos que a data de lançamento do filme nos cinemas brasileiros, divulgada anteriormente para 20 de novembro de 2019, está cancelada. 

Os produtores haviam escolhido o mês de novembro, que marca os 50 anos de morte de Carlos Marighella, e o dia 20, da Consciência Negra, para a estreia. No entanto, a O2 Filmes não conseguiu cumprir a tempo todos os trâmites exigidos pela Ancine (Agência Nacional do Cinema). 

Marighella segue sendo apresentado com muitos sucesso em vários festivais de cinema no mundo. Nosso objetivo principal sempre foi a estreia no Brasil. Os produtores e a distribuidora Paris Filmes vão seguir trabalhando para que isso aconteça”.


(Com Brasil de Fato)

Contra reforma da Previdência , Paris tem a maior greve do metrô em 12 anos


                                                                                                         Dustin Gaffke/FlickrCC
                             

Dez das 16 linhas do metrô parisiense amanheceram paradas; as demais funcionam parcialmente, apenas nos horários de pico da manhã e no final da tarde

Patinetes, bicicletas, skates e calçadas lotadas de pedestres: os parisienses enfrentam como podem, nesta sexta-feira (13/09), a maior greve do transporte público metropolitano em 12 anos. A paralisação dos trabalhadores da companhia RATP, operadora do metrô e das linhas de ônibus na região metropolitana, é a primeira ofensiva dos sindicatos contra a reforma da Previdência proposta pelo presidente Emmanuel Macron.

Dez das 16 linhas do metrô parisiense amanheceram paradas; as demais funcionam parcialmente, apenas nos horários de pico da manhã e no final da tarde. As linhas de ônibus também estão com o tráfego praticamente interrompido.

Muitos trabalhadores da capital e de cidades da periferia foram autorizados a trabalhar em casa. Outros pegaram um dia de folga, como permite a legislação trabalhista, para fugir dos intermináveis congestionamentos. Esta é a primeira greve contra a reforma no sistema de aposentadorias que o governo francês quer aprovar até meados de 2020.

O projeto de reforma defendido por Macron substitui o sistema atual de 42 anos de contribuição por um de pontos, no qual cada euro recolhido para a Previdência contará no cálculo da futura pensão. Além disso, o governo quer unificar, na medida do possível, os 42 regimes especiais de aposentadoria existentes no país, que seriam transcritos num padrão universal.

A idade mínima legal de 62 anos não muda, em princípio, para homens e mulheres. Mas o projeto introduz um sistema de descontos e bônus. Quem se aposentar com a idade mínima receberá um desconto no valor da pensão, enquanto aqueles que permanecerem na ativa por mais tempo serão recompensados com um valor superior.

No caso dos metroviários parisienses, os sindicatos da categoria afirmam que o novo modo de cálculo resultaria em uma redução de € 500 mensais nas pensões. 

O governo alega que o projeto busca reduzir distorções salariais e privilégios injustificáveis dentro de uma mesma categoria profissional, como, por exemplo, um metroviário de Paris ganhar mais e se aposentar mais cedo do que um colega de Bordeaux. 

Para tranquilizar os trabalhadores, as autoridades sustentam que a aplicação da reforma será gradual, ao longo de 15 anos, sem afetar os franceses que estão a cinco anos da aposentadoria.

Segundo várias pesquisas, cerca de dois terços dos franceses apoiam mudanças nos regimes especiais de aposentadoria. Mas as medidas propostas pelo especialista Jean-Paul Delevoye, de 72 anos, escolhido por Macron para pilotar esse dossiê espinhoso, provocam questionamentos em várias categorias.

A partir da semana que vem, advogados, médicos, pilotos, comissários de bordo e funcionários da companhia de eletricidade EDF devem realizar protestos para defender suas aposentadorias. Além disso, duas grandes manifestações nacionais de sindicatos estão previstas em 21 e 24 de setembro.


(Com Opera Mundi)


Fotografar era continuar vivendo...(No Tempo da ditadura chilena)

Greve contra reforma da Previdência paralisa Paris

                                             
                                                                                  
                                             Estação de metrô lotada em Paris devido à greve

                            É A DEFESA DA APOSENTADORIA, COMPANHEIRO
    
Motoristas de ônibus e metroviários paralisaram transportes para protestar contra mudanças promovidas por Macron. Governo quer criar sistema de pontos e unificar 42 diferentes regimes de aposentadoria do país.

Paris vive uma sexta-feira (13/09) de caos no transporte público, com centenas de milhares de pessoas afetadas por causa de uma greve de motoristas de ônibus e metroviários contra a reforma da previdência.

Já nas primeiras horas da manhã, as consequências da greve da RATP, empresa responsável pelo transporte metropolitano, eram evidentes nas ruas, lotadas de carros e pedestres, e nas rodovias de acesso, onde antes das 8h (horário local, 3h de Brasília) já se acumulavam 285 quilômetros de engarrafamentos.

Dez linhas de metrô estão completamente paralisadas, quatro operam parcialmente nos horários de pico e apenas as duas automatizadas circulam normalmente, mas com um fluxo muito maior que o normal.

Nos trens suburbanos, as duas linhas principais (RER A e RER B0, esta última o principal acesso aos dois aeroportos da capital) têm um serviço muito limitado. A situação é semelhante com os bondes e ônibus. Apenas um terço dos veículos saiu das garagens. Muitas pessoas optaram por se deslocar a pé, de bicicleta ou de patinetes elétricos.

A greve, convocada pelos sindicatos representativos da RATP, é o primeiro grande protesto após o retorno das férias de verão contra a reforma da previdência promovida pelo governo do presidente Emmanuel Macron. A proposta tem como eixo principal é criar um sistema de pontos e unificar os 42 diferentes regimes de aposentadoria que existem atualmente no país.

Isso afeta diretamente os funcionários da RATP, que possuem um regime especial que lhes permite se aposentar entre 51 e 62 anos, com uma pensão calculada apenas nos últimos seis meses de sua carreira. Em média, os motoristas e metroviários da empresa se aposentam com 55 anos, enquanto a média nacional entre os trabalhadores é 63 anos.

Os sindicatos dos trabalhadores dos transportes de Paris afirmam que o novo modelo de cálculo baseado em pontos promovido pelo governo Macron resultaria em uma redução de 500 euros mensais nas pensões de motoristas e metroviários. Segundo pesquisas, cerca de dois terços dos franceses apoiam as mudanças nos regimes especiais de aposentadoria.

A greve de hoje marca a abertura de uma longa série de mobilizações já programada contra a reforma da previdência, que também deve alterar as condições de aposentadoria de categorias como marinheiros, pescadores, tabeliões e até artistas da Ópera de Paris. 

Na semana que vem, já estão previstas protestos de advogados, médicos, pilotos e comissários de bordo contra as mudanças em seus regimes de aposentadoria.


(Com a DW)

DOIDEIRA OU MAIS JUÍZO?

                                                                                                                                                                                                                  IHU


Numa provocação sobre o papel da violência, a pergunta: ela jorra do sangue dos invasores, ou da tentativa de colonizar e aniquilar o Sertão — com ajuda dos próprios brasileiros? Fica, no entanto, o exemplo: não precisamos morrer todo dia.

"A violência tão criticada em Bacurau não está no sangue que jorra dos estrangeiros. A violência está no sangue injustificado dos moradores do povoado. A maior violência do filme, a que agride de verdade, é a pulsão colonizadora dos estrangeiros. 

Por isso, peço a você leitor, que repense as suas lógicas, com o máximo dos clichês: não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor", escreve Juliana Magalhães, escritora e estudante de Letras da Universidade Federal de Ouro Preto, em artigo publicado por Outras Palavras, 10-09-2019.

Eis o artigo. 

Um dia um artista carioca disse que procuramos no amor uma pureza impossível. Não me lembro se foram essas as palavras, mas sei que o sentido da frase era exatamente esse. A questão é que há também quem busque por uma pureza impossível na arte, no cinema. Há quem procure por uma experiência aconchegante quando entra numa sala de cinema: problemas que se resolvam com soluções mágicas e fleumáticas. Uma estética que não agrida os olhos ou um suposto bom gosto. 

Um final feliz para o bom e um final um pouco menos feliz para o mau. Coisas “belas” que Hollywood e os contos de fada fizeram com que o nosso cérebro invocasse quase que imediatamente. Desejam uma espécie de desfecho que as obras realistas não suportam mais. Não falo aqui do movimento realista, mas da realidade em si.

Assistir Bacurau foi bastante desconfortável, como havia de ser. Mas que bonito foi o desconforto nessas duas horas e doze minutos de filme, nesses dias. Alguns chamariam de “alma lavada”. Bem disse Guimarães Rosa: Tudo que é bonito é absurdo.

Vi o filme no dia da estreia, em uma sala de cinema de shopping da cidade de São Paulo. Muitos dos paulistanos que me acompanharam ali naquela sessão, encararam Bacurau como uma intocável ficção. Achei engraçado, mas compreensível. Para muitos, o interior do Brasil é só uma ideia distante e fantasiosa. Para alguns, nordeste é ficção, como diria Belchior. Como saí de um lugar como esse, sei muito bem da existência desse lugar visto em Bacurau. Não estranhei o chão de terra, as pessoas, as casinhas, os ritos, as dificuldades do básico e todas as dinâmicas do filme. 

Tudo era muito familiar e próximo naquela tela. Inevitável a solidão naquela sala de shopping, mas apesar disso, uma solidão emocionada por ver aquele lugar sendo apresentado em diversos pontos do país: um grande sertão, que na verdade é minúsculo. E que na verdade é maiúsculo. Sertão com S maiúsculo, gente maiúscula.
                                                         


Bacurau é um pequeno povoado, localizado no sertão brasileiro. Bacurau é também um nome de um pássaro. Cadáveres começam a aparecer no povoado, marcas de balas nos carros dos moradores. Ainda sem reação, o povoado é atacado sem tréguas por um inimigo até então invisível. Ao desenrolar da história, descobrimos que é um grupo armado de estrangeiros que se reúnem ao som de todo um gozo para aniquilar as pessoas daquele lugar. 

No meio desses invasores, há dois brasileiros do sul do país que se enchem de um ar de superioridade e desprezo ao entrar num bar de Bacurau e ao entrar em contato com aquele povo. Se acham muito limpos, muito superiores e muito brancos. Acham que também fazem parte do grupo de estrangeiros. Quase uns idiotas. 

Esse casal de sulistas é o maior retrato da subserviência ingênua e burra que presenciamos no nosso país hoje. Quando dizem que são brancos, viram motivo de piada dos colonizadores. Acabam mortos pelo grupo, como se ao mata-los, dissessem a eles: vocês são apenas mais uma mente colonizada e medíocre. Não fazem parte de nós, latino-americanos.

“No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo!” - Guimarães Rosa


Há uma figura muito interessante e especialmente poética em Bacurau, um violeiro, que saca o seu violão em dado momento quando os turistas saem do bar e canta versos que constrangem aquelas pessoas. Algo como: esse povo do Sudeste acha que é melhor que todo mundo. De fato. É difícil para o Sudeste enxergar uma realidade que o transpassa. 

Mais do que enxergar, a dificuldade é reconhecer que existem uma cultura e uma inteligente pulsante que não foram pensadas por eles e que não nasceram nesse chão de concreto, nessa lógica de concreto. Uma definição de interior, entre tantas, é essa: que está por dentro, no espaço compreendido entre os limites de um corpo. 

Para muitos, o interior não é apenas uma questão de limite geográfico. Há quem ache que os limites se estendem às pessoas do lugar. O grupo de estrangeiros acharam isso: que por serem interioranos e limitados, o povo de Bacurau iria apenas se deixar invadir, morrer e desmoronar, pacíficos e subservientes. Sem capacidade de lutar uma boa luta. Sem articulação para entrar em uma boa guerra. Aí é que eles se enganaram. Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar

O povoado de Bacurau se organiza e se aparelha para a guerra. Quando são atacados pelos estrangeiros, já estão prontos para o contra-ataque. Dessa vez, quem atira primeiro é o sertão. Quem desfalece é o estrangeiro. Ao perceber que dois dos seus atiradores sumiram, todo o grupo vai à Bacurau. Encontram uma cidade vazia. Todos do povoado estão escondidos e articulados para, enfim, derrotar o inimigo. 

Quando Bacurau reage e começa a atirar nos estrangeiros, inicia uma espécie de alegria da fúria. No filme e dentro de mim. Uma tristeza que até alegra. A alegria de uma luta pela soberania daquele pedaço de Brasil. A luta pelo direito de viver, de existir, de estar no mapa. A violência tão criticada em Bacurau não está no sangue que jorra dos estrangeiros. 

A violência está no sangue injustificado dos moradores do povoado. A maior violência do filme, a que agride de verdade, é a pulsão colonizadora dos estrangeiros. Por isso, peço a você leitor, que repense as suas lógicas, com o máximo dos clichês: não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor.

Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles nos dizem algo através daquele povo: precisamos nos articular para lutar pelo que é nosso. Não precisamos perder uma luta todo dia ou morrer para sempre. Não podemos permitir que nos matem. Não podemos abrir mão da nossa soberania, do nosso lugar. Quer queiram, quer não, existimos aqui. Existiremos lá. Não seremos apagados nem do mapa nem dos filmes e nem da história. Afinal de contas, o sertão está em toda a parte.

Nota de apoio ao jornalista Vitor Vogas e repúdio ao governo do ES

                                                                         
O Sindijornalistas vem manifestar seu apoio e respeito ao trabalho desenvolvido pelo jornalista Vitor Vogas que, mais uma vez, teve uma de suas matérias questionadas indevidamente pelo Governo do Estado na figura do secretário de Estado, Tiago Hoffman.

Lamentavelmente o secretário de Estado, mesmo após ter concedido entrevista e posteriormente reafirmado suas declarações ao jornalista, de que o governo do Estado não concederia o direito constitucional da recomposição inflacionária este ano aos servidores, foi às redes sociais dizer que o jornal A Gazeta e o jornalista teriam distorcido as informações.

Fato esse rebatido pelo profissional que reafirma que sua reportagem foi fiel às declarações do secretário.
O governo do Estado, ao ir às redes sociais questionar indevidamente o trabalho de um profissional da imprensa mostra não apenas o desrespeito ao jornalista, mas contribui para reforçar uma era de desinformações propagadas por fake news, muitas delas, criadas pelos próprios governos.

Preocupa-se, que a postura do Governo seja de negar os direitos constitucionais, inclusive num enfrentamento com a imprensa, e divulgando informações inverídicas e imprecisas, ao justificar a não recomposição inflacionária devido a um acordo assinado pelo governo passado, sendo que o mesmo governo concedeu recomposição. Além disso, mostra-se incoerente ao usar trechos da lei para justificar a não recomposição, mas ignorar artigos da lei que proíbem, entre outros fatores, a criação de de novos cargos, como autorizado para o Ministério Público (MP-ES) e/ou a contratação de anúncios publicitários que não sejam de utilidade pública.

Reafirmamos assim o nosso apoio ao jornalismo ético, responsável e transparente, como desenvolvido pelo jornalista Vitor Vogas; o apoio aos servidores públicos estaduais que estão reivindicando, apenas um direito constitucional e nosso total repúdio ao Governo do Estado que desrespeita a atuação da imprensa e os seus servidores.

Diretoria do Sindijornalistas

(Com o Sindijornalistas/FENAJ)

Garras imperialistas sobre Cuba

Kike/Rebelión

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O professor alemão não via nenhuma propensão do jovem para a música. Ele se tornaria o autor dos balés mais famosos do mundo


                                                                      Getty Images, Pixabay

                     



Piotr Tchaikovsky, o garoto da roça que se
tornou o compositor mais famoso da Rússia

Aleksandra Gúzeva

Russo compôs dois dos balés mais famosos do mundo – ‘O Lago dos Cisnes’ e ‘O Quebra-Nozes’.
Dez óperas, três balés e sete sinfonias, sem falar das inúmeras canções, concertos, cantatas, miniaturas para piano e uma grande variedade de músicas para orquestra e instrumentos individuais - esse é o enorme legado de Piotr Tchaikovsky para a música clássica. O compositor russo permaneceu em atividade durante a segunda metade do século 19, considerada a “era de ouro da música russa”.

Tchaikovsky nasceu em 1840 em Votkinsk, cidade nos Urais. Seu pai havia sido transferido de São Petersburgo para administrar as siderúrgicas locais. Por incrível que pareça, a usina ainda existe.

Fazer música, bem como compor poemas curtos, fazia parte da educação que o jovem Piotr recebeu em casa. Além disso, os pais de Tchaikovsky tinham profundo amor pela música e cultivavam essa mesma paixão nos filhos.

Havia um instrumento curioso em casa: um pequeno órgão mecânico chamado fanfarra que Piotr adorava ouvir quando criança. Impressionado com Mozart, o garoto escreveu em seu diário que “graças a ele eu aprendi o que era música”.

TUma jovem serva chamada Maria Paltchikova deu aulas de piano a Piotr. Ainda não há consenso entre os estudiosos de Tchaikovsky sobre como ela teria aprendido a ler música – se fez isso por conta própria, ou a família nobre a qual ela pertencia havia descoberto o potencial da garota e pagado por aulas de piano.

Curso de direito e paixão por teatro

Quando Tchaikovsky tinha 10 anos, ele e sua mãe se mudaram para São Petersburgo, onde logo se alistou na Escola Imperial de Jurisprudência.

A vida em São Petersburgo era muito diferente do que nos rincões do país. O pequeno Piotr foi levado ao teatro, que ele adorava, e foi lá que ele ouviu uma grande orquestra pela primeira vez.

Seu pai contratou o alemão Rudolph Kündinger como professor particular de piano, e Kündinger começou a levar Piotr para concertos. Ironicamente, Kündinger disse ao pai de Tchaikovsky que o garoto não tinha talento especial para música.

Mas o fascínio de Piotr pela música persistia. Depois de se formar na escola de jurisprudência, trabalhou no Ministério da Justiça, mas o teatro continuou sendo sua paixão. Ele se tornou amigo íntimo de um vocalista italiano que trabalhava com teatro russo e se tornou grande admirador de ópera italiana.

Apesar do veredicto de Kündinger sobre o potencial musical de Tchaikovsky, seu pai sugeriu que Piotr estudasse música. Aos 21 anos, ele se matriculou no Conservatório de São Petersburgo e começou a estudar composição.

Primeiras composições e pobreza

Em 1865, uma das composições de Tchaikovsky, Danças Características (posteriormente denominada Danças das Donzelas de Feno), foi apresentada publicamente pela primeira vez. Conduzida por Johann Strauss II, a composição foi recebida com entusiasmo. Depois disso, a Orquestra do Conservatório tocou uma de suas aberturas para a Família Imperial no Palácio Mikhailovsky. O próprio Tchaikovsky conduziu desta vez.

Mas, apesar desses avanços, obter amplo reconhecimento ainda era uma perspectiva vaga. Tchaikovsky deixou o serviço público para se concentrar na música e, como resultado, não tinha mais renda fixa. Foi assim que a biógrafa Nina Berberova descreveu esse período: “Não tinha dinheiro, tinha dívidas... A composição não estava indo bem e, às vezes, parecia haver só uma solução – o ministério. Ele deveria voltar?”.

Além disso, Tchaikovsky ficou sozinho em São Petersburgo depois que toda a sua família retornou aos Urais. Segundo Berberova, ele chegou até pensar em suicídio.

Viagem para Europa e lágrimas de Tolstói

Tchaikovsky se formou no Conservatório de São Petersburgo no ano seguinte e foi convidado a lecionar no conservatório equivalente de Moscou. Depois da mudança, veio, enfim, o sucesso, embora inicialmente como crítico musical.

Ele se tornou amigo do Grupo dos Cinco (também conhecido como Poderoso Monte), um grupo de compositores que incluía, entre outros, Modest Mussorgsky, Aleksandr Borodin e Nikolai Rimsky-Korsakov. Tchaikovsky viajou pela Europa, onde, obviamente, esteve em diversos teatros. O compositor ficou em êxtase com “Carmen”, de Georges Bizet, e completamente apaixonado pela música de Richard Wagner.

Há uma história cômica sobre uma das primeiras apresentações das obras de Tchaikovsky. Um pequeno concerto com suas músicas foi especialmente organizado para Lev Tolstói no Conservatório, mas o porteiro do local não reconheceu o escritor e, por isso, não o deixou entrar – afinal, ele estava usando valenki [tradicionais botas de feltro].

Uma pessoa testemunhou a cena, e o incidente acabou sendo resolvido. Tolstói se sentou na primeira fileira e ficou comovido com a música do compositor principiante.
 



Fama e nova vida

Na década de 1870, Tchaikovsky ficou fascinado com o folclore. Durante esse período, ele escreveu músicas para a peça de Aleksandr Ostrovsky, “A Donzela da Neve”; “O Opritchnik”, uma ópera ambientada no tempo de Ivan, o Terrível; a ópera “Vakula, o ferreiro” (mais tarde retrabalhada como “Tcherevitchki” e baseada na história de Nikolai Gógol na véspera de Natal); e um de seus balés mais conhecidos, o “Lago dos Cisnes”.

Também traduziu libretos de ópera europeus e obras de teóricos da música ocidental.

“Evguêni Onêguin” foi a ópera que, enfim, lhe trouxe reconhecimento real. Com ela, o compositor estreou no palco do principal Teatro Imperial Mariinsky, em São Petersburgo.

Tchaikovsky defendia tratar a composição musical como, acima de tudo, um ofício que deveria gerar renda. “Mozart, Beethoven, Schubert, Mendelssohn e Schuman compuseram seus trabalhos imortais exatamente da mesma maneira que um sapateiro faz suas botas – ou seja, dia a dia e na maior parte do tempo por encomenda”, escreveu.

O estilo de vida do compositor mudou. Ele começou a se misturar com a alta sociedade e a passar tempo com membros da família imperial. Costumava sentar-se no camarote real do teatro, onde foi apresentado ao imperador Aleksandr 3º (que mais tarde pagou integralmente pelo funeral de Tchaikovsky). O compositor costumava viajar para o exterior, inclusive para estreias de suas próprias obras. Ele até visitou os Estados Unidos e se apresentou na abertura do Carnegie Hall em Nova York.

Apesar de todo esse sucesso, Tchaikovsky não tinha casa própria. Ele se hospedava na casa de amigos ou em hotéis. Exausto do estilo de vida de viajante eterno, nos últimos dois anos de sua vida, Tchaikovsky alugou uma casa em Klin, uma cidade tranquila nos arredores de Moscou. Atualmente a casa é um museu dedicado ao compositor. 
                                                                                                                     Vladimir Varfolomeev/Flickr
          Casa-museu Tchaikovsky, em Klin
Tchaikovsky morreu repentinamente após voltar a São Petersburgo e pegar cólera. A doença perseguiu a sua família inteira: sua mãe também faleceu e seu pai quase morreu.

Casamento e homossexualidade

Tchaikovsky não estava particularmente feliz em sua vida pessoal. Em 1877, casou-se com Antonina Miliúkova, música e estudante do Conservatório de Moscou. Eles se separaram depois de algumas semanas. Teve um caso com uma cantora belga chamada Désirée Artôt e por muitos anos se correspondeu – e desfrutou do patrocínio e apoio financeiro de – Nadejda von Mekk, influente patrona das artes.
A questão, porém, é que Tchaikovsky era abertamente homossexual. Acredita-se que ele possa ter tido suas primeiras experiências sexuais em uma escola particular ainda na juventude. Mais tarde, envolveu-se em escândalos ao ser visto na companhia de jovens rapazes.

Após sua morte, houve rumores de que Tchaikovsky teria cometido suicídio por medo de ser processado por homossexualidade, mas os biógrafos refutam esse boato.

Durante o período soviético, as informações sobre a homossexualidade de Tchaikovsky foram suprimidas até para os pesquisadores, uma vez que a homossexualidade era ilegal na União Soviética, e o compositor mais famoso do país não poderia ser um criminoso. Na Rússia moderna, esse aspecto da vida privada de Tchaikovsky só veio a ser debatido há relativamente pouco tempo, quando um filme biográfico sobre sua vida foi lançado.


(Com Russia Beyond)

Vamos construir colônias por lá o quanto antes. Nossa Terra está ficando cada vez pior...

                         
                                                 

                      Água é descoberta pela primeira
                        vez em exoplaneta habitável


Cientistas detectam vapor de água na atmosfera de planeta com temperatura similar à da Terra, o que significa que sua superfície pode conter água líquida. É o melhor candidato fora do Sistema Solar na busca por vida.

Cientistas anunciaram  quarta-feira (11/09) uma descoberta inédita: pela primeira vez foi detectada água na atmosfera de um exoplaneta – planeta que orbita uma estrela que não seja o Sol – com temperaturas semelhantes à da Terra e que poderia suportar vida.

Em estudo publicado na revista científica Nature Astronomy, a equipe de astrônomos da University College London (UCL), no Reino Unido, revelou ter encontrado vapor de água na atmosfera do planeta K2-18b, que tem cerca de oito vezes a massa da Terra e o dobro de seu tamanho.

O planeta orbita uma estrela anã vermelha, chamada K2-18, localizada a cerca de 110 anos-luz da Terra. Ele se encontra na chamada "zona habitável", ou seja, orbita sua estrela a uma distância nem tão perto nem tão longe, num ponto em que pode abrigar água na forma líquida.
                                                                           

"Este planeta é o melhor candidato que temos fora do Sistema Solar [na busca por sinais de vida]", afirmou a coautora do estudo, a astrônoma Giovanna Tinetti (foto), à agência de notícias AFP. "Não podemos concluir a partir disso que há oceanos na superfície, mas é uma possibilidade real."

"Encontrar água em um mundo potencialmente habitável que não seja a Terra é incrivelmente emocionante", disse, por sua vez, Angelos Tsiaras, que liderou o estudo. "O K2-18b não é uma 'Terra 2.0', pois é significativamente mais pesado e tem uma composição atmosférica diferente. Mas nos deixa mais perto de responder a uma pergunta fundamental: a Terra é única?"

A equipe de astrônomos usou dados de 2016 e 2017 capturados pelo telescópio espacial Hubble – operado pelas agências espaciais americana, Nasa, e a europeia, ESA – e desenvolveu algoritmos para analisar a luz estelar filtrada pela atmosfera do planeta K2-18b.

Os resultados revelaram a assinatura molecular do vapor de água, assim como a presença de hidrogênio e hélio, os elementos químicos mais abundantes no universo.

Outros estudos ainda devem ser feitos para estimar a porcentagem de água na atmosfera do exoplaneta, com estimativas que variam entre 0,1% e 50%. Na atmosfera terrestre, por exemplo, a porcentagem de vapor de água varia entre 0,2% e 4%.

Dos mais de 4 mil exoplanetas descobertos até hoje, esse é o primeiro a possuir tanto uma superfície rochosa quanto uma atmosfera com água, segundo os cientistas.

Em sua maioria, planetas fora do Sistema Solar com atmosfera são uma espécie de bolas gigantes de gás. Já os poucos planetas rochosos sobre os quais existem dados disponíveis parecem não ter atmosfera. Além disso, a maioria dos planetas semelhantes à Terra está muito longe de suas estrelas para ter água líquida ou muito perto, a ponto de todo H2O ter evaporado.

Descoberto em 2015, o K2-18b é uma das chamadas "super-Terras" – planetas com massas entre as da Terra e de Netuno – entre as centenas detectadas pela sonda Kepler, da Nasa. Os cientistas esperam que futuras missões espaciais descubram outras centenas de astros semelhantes nas próximas décadas.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A coragem é contagiosa

                                                                 
                                                              Norma Couri 


"Quem não viu, perdeu um marco da democracia brasileira, similar ao ato das Diretas Já, num auditório repleto de presumíveis 1500 pessoas. Perdeu o momento em que o jurista Dalmo Dallari clamou pela liberdade de imprensa e os direitos fundamentais garantidos pela Constituição de 1988." 

Norma Couri (*)

Aconteceu nesta segunda-feira, 9 de setembro, às 19 horas, no histórico Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, e foi a manifestação mais importante dos últimos tempos contra os ataques sofridos por jornalistas e veículos de comunicação. 

Em retaliação a coberturas consideradas desfavoráveis ao governo, o presidente assinou a medida provisória que extingue a obrigatoriedade da publicação de balanços por empresas na mídia impressa e desacata, persegue e processa qualquer jornalista que lhe dirija perguntas embaraçosas. 

As empresas que lhe são fiéis tratam de demitir em massa equipes de jornalistas presumíveis “de esquerda”, como aconteceu recentemente na ESPN. A censura está de volta, até nos gibis.

Com a presença de ilustres como o ex-chanceler Celso Lafer, o professor emérito da Faculdade de Direito Fabio Konder Comparato, a juíza Kenarik Boujukian, a cineasta Laís Bodanzky, a cantora Karina Buhr, o escritor português Valter Hugo Mãe e o colunista da Folha Reinaldo Azevedo – deixando clara sua posição antagônica com a esquerda ali presente, alegando estar ali pelo direito à diferença -, foi um ato importante pela união num país onde a democracia vem sendo dilacerada.

O mestre de cerimônia foi o jornalista Juca Kfouri, que trouxe, primeiro, a má notícia: “Imaginem que nós estamos aqui, em 2019, defendendo a liberdade de imprensa e a minha geração achava que essa preocupação tinha ficado para trás”. E, em seguida, a boa: “Este aqui é o renascimento da sociedade brasileira – que passa, igualmente, pelo renascimento da Associação Brasileira de Imprensa”.

“Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”, Juca citou Millôr Fernandes. E definiu a diferença entre “eles” e “nós”: “A gente faz a política do afeto, pensando em todos”. A novidade foi a intervenção de jovens representantes de centros acadêmicos “pela democracia no nosso país neste ato histórico onde, hoje compreendemos, ser jornalista já é um ato histórico”. Os representantes reconhecem que só 10% dos jovens jornalistas acreditam na imprensa, “mas precisamos mudar isso, eles têm de acreditar”.

Presentes representantes do padre Ticão, perseguido em sua igreja no leste de São Paulo, o padre Julio Lancelotti, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Paulo Zocchi, registrando a gravidade do momento em que jornalistas são mortos país afora, e, em nome do audiovisual, Laís Bodanzky, assustada com o discurso do ódio que toma conta do país. O auditório foi tomado por palavras de ordem, “não temos o direito de capitular”.

Presentes os ex- senadores pelo PT Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante, o ex-candidato a presidente pelo PT, Fernando Haddad, o jornalista Marcelo Rubens Paiva – que lembrou o momento de golpe em que vivemos citando a perda de três momentos de defesa da democracia que foram desrespeitados: “o controle civil dos militares, a independência dos três poderes e a imprensa livre”.

A perda dos direitos trabalhistas, da imprensa, da liberdade de expressão choca o representante da União Nacional dos Estudantes e todos os palestrantes que ecoam frases pelo Salão: “Juntamos aqui nomes como Marighella, Zumbi, Marielle Franco”; “Qualquer maneira de amor vale a pena”; “Parafraseando o discurso do presidente Lincoln, esta nação renascerá pelo regime de liberdade pelo povo, para o povo e não desaparecerá da face da terra”.

O portal Alma Preta, a Frente de Defesa pelo Povo Palestino, todos presentes no ato organizado pela Associação Brasileira de Imprensa, pelo Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, o Instituto Vladimir Herzog e os Centros Acadêmicos da USP Lupe Cotrim, Vladimir Herzog e 11 de Agosto.

“Obrigado pela presença de todos num momento gravíssimo”, disse o jornalista Eugênio Bucci. “Estamos aqui, hoje, para defender, manter e cumprir a Constituição Federal de 1988. 

Quando o presidente da República toma posse, ele jura, diante da nação e de seus representantes, defender, manter e cumprir a nossa Constituição. Que nasceu justamente de um consenso contra a censura, a tortura e a ditadura. 

Mas o presidente não cumpriu sua palavra, ele atenta contra a Constituição quando faz a apologia da ditadura, da morte de Alberto Bachelet no Chile, do coronel Brilhante Ustra. Ou quando censura filmes e jornalistas. Estamos aqui, hoje, porque não queremos a cultura do arbítrio, da homofobia, da xenofobia, do discurso de ódio que dirige insultos a outros países. Queremos a Constituição”.

O escritor português Valter Hugo Mãe nos lembra o que quase esquecemos: “Este é um país de maravilhas, apaixonei-me por este país de Machado de Assis, negro, de Sonia Braga e Ney Matogrosso, o país dos povos originários, o lugar onde Marielle estará sempre presente”. Ele insiste: “Este é um país onde existe floresta, que se deixar de existir será um país como outro qualquer”.

Mas é outro estrangeiro, Glenn Greenwald, a estrela da festa, junto com o site que ele representa, o Intercept, e outros bravos órgãos de imprensa, Ponte, El País, Fotógrafos pela Democracia, Piauí. Presentes.

“O pacto foi quebrado”, nos lembram. Glenn Greenwald não é artista pop, mas é recebido pela plateia como se fosse.

“O Brasil não é um país estrangeiro, me ensinou uma nova maneira de viver, uma nova profissão, me deu filhos e um marido. Não vou embora, vou ficar neste país até o fim dos meus dias, não pretendo ser o antagonista e sim devolver a este país a liberdade de imprensa e pensamento. 

Somos jornalistas, não hackers, minha paixão pelo Brasil não é um movimento impulsionado pelo ódio, e sim pela energia do amor e da diversidade. Mas não se iludam, fui impulsionado pela coragem de uma pessoa que conheci em Hong Kong quando ele tinha 29 anos, Edward Snowden [hoje com 36 anos]. 

Snowden me ensinou que a questão não é saber se vamos morrer, mas como vamos viver. Ele declarou estar pronto para ir para a prisão pelo resto da sua vida porque não poderia se calar depois do que havia descoberto”. [O administrador de sistemas tornou públicos documentos que constituem o sistema de vigilância global da NSA americana, revelou a espionagem em massa promovida pelo governo americano e entregou a Glenn seus documentos, causando um escândalo que sacudiu o país]. 

“Snowden me ensinou que a coragem é contagiosa. É essa coragem que quero ver impregnada em todos os membros do Intercept e disseminá-la aqui, agora. Jornalistas: não podemos ter medo”.


(*) Norma Couri é jornalista.


(Com o Observatório da Imprensa)