quarta-feira, 18 de abril de 2018

Clara Nunes, a eterna...Foi colega do jornalista José do Carmo Rocha na fábrica da Renascença. Estava sempre na redação do "Estado de Minas",quando fazia sucesso. (José Carlos Alexandre)



Sobreviver no espaço. Da cadela Laika aos tempos das viagens até Marte. (Quando o Sputnik foi lançado, a gente dava miniaturas dele às nossas namoradinhas...(José Carlos Alexandre)



Miguel Díaz-Canel é indicado formalmente como candidato à Presidência de Cuba


                                                                             
Díaz-Canel é atual primeiro-vice-presidente do país; Assembleia Nacional deu posse a deputados eleitos em março

O atual primeiro-vice-presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, foi anunciado nesta quarta-feira (18/04) pela Assembleia Nacional do Poder Popular (Congresso) como candidato único para ser o sucessor do atual presidente Raúl Castro. 

No início da sessão, presidida por Raúl, tomaram posse os deputados eleitos em 11 de março.

Cuba possui um sistema parlamentar, em que a escolha do chefe de Estado é feita através de uma votação entre os deputados.

Os parlamentares, organizados na Assembleia Nacional do Poder Popular, também elegeram os 31 membros do Conselho de Estado de Cuba e o presidente e vice-presidente desta instituição - a presidência do Conselho de Estado representa em Cuba a chefia de governo e é a autoridade máxima do país. O resultado será divulgado nesta quinta.

As eleições gerais em Cuba são realizadas em três etapas: a primeira foi em 26 de novembro de 2017, quando os delegados dos núcleos de base foram eleitos. Estes delegados, além de serem representantes de seus bairros, convertem-se automaticamente em vereadores da Assembleia Municipal.

Na segunda etapa, uma parte dos delegados de base eleitos é nomeada candidata a vaga de deputado da Assembleia Nacional. A outra parte dos candidatos para o parlamento é indicada pela Comissão de Candidatura, formada pelas organizações de massa do país, entre elas a Central de Trabalhadores de Cuba (CTC).

O processo eleitoral realizado no 11 de março elegeu 604 deputados, dos quais 47% são delegados de base e 53% são provenientes das organizações de massa. Nessa eleição também são escolhidos 1.200 delegados (deputados estaduais) das 15 Assembleias Provinciais (estados). Nesse processo, a participação eleitoral foi de 85% da população apta a votar.

Na terceira etapa, os parlamentares escolhem, através de uma votação secreta, quem entre eles será eleito presidente do Conselho de Estado, vice-presidente e quem comporá o secretariado. Na cédula de votação constam alguns nomes de candidatos para os cargos mais altos do Estado pré-selecionados pelos próprios deputados.

Composição da Assembleia Nacional

A chamada “geração histórica”, que triunfou junto com a Revolução Cubana, retirou-se quase por completo dessa eleição geral. A renovação ficou evidente nesse novo parlamento, já que 89% dos deputados nasceram depois de 1959. Além disso, 40,6% dos parlamentares possuem menos de 50 anos e 13% são jovens de menos de 35 anos.

(Com Brasil de Fato/Opera Mundi)



Oficina 'Produção de texto: internet e estilo', com Dad Squarisi (Sou do tempo em que "Realidade" e "Jornal da Tarde" formavam na prática os jornalistas. Dad Squarisi ajudou e muito os ex-editores dos Associados em Minas. José Carlos Alexandre)

                                                        
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais abriu inscrições para a oficina “Produção de textos: internet e estilo”, com Dad Squarisi. A atividade acontecerá no dia 19 de maio, sábado, das 13h às 18h, no auditório da Prefeitura de Belo Horizonte, na Avenida Afonso Pena, 1212.

As inscrições custam R$ 70 para associados em dia e estudantes de jornalismo e R$ 100 para demais interessados e podem ser feitas no Sindicato, por e-mail para o endereço gerencia@sjpmg.org.br ou ainda pelo WhatsApp 9-8798-2201.

O interessado deve enviar o comprovante de pagamento e informar os seguintes dados: nome completo, CPF, local de trabalho, endereço, telefone de contato.

O pagamento à vista terá 10% de desconto e poderá ser feito no Sindicato ou por meio de depósito bancário na Caixa Econômica Federal, agência 2187, conta corrente 435-7, operação 003.

O pagamento parcelado em duas vezes no cartão de crédito e as inscrições de estudantes de jornalismo (em função da obrigatoriedade do comprovante de matrícula) somente serão realizadas na sede do Sindicato (Avenida Álvares Cabral, 400, Centro), das 9h às 18h.

Outras informações pelos telefones: (31) 3224-5011 e 3224-5450.

Encontro Anual de Estudos de Memória, Verdade e Justiça


A Revolução Cubana continua

Adán/Rebelión

A presidente o STF, Carmen Lúcia, fala de mineiridade no programa do Bial (Depois da coluna do Paulo Navarro)


Como ratos podem ter salvo Jerusalém 2.700 anos atrás dos assírios aterrorizantes

                                                                       
                   
Toda a região estremeceu diante do rei Senaqueribe (da Assíria), conhecido por torturar terrivelmente monarcas rebeldes, mas não matou o rei Ezequias. Mentes inquiridoras têm perguntado por que desde então... Senaqueribe  foi rei da Assíria de 705 a 681 a.C.

Philippe Bohstrom

(Com o jornal israelense Haaretz)


Nesta quarta, assembleia dos trabalhadores em Educação, às 14h, no patio da ALMG


Israel completa 70 anos entre comemorações e protestos (Eu adorei visitar Israel, navegar no Mar da Galileia, comer muito Homos, pasta de grão de bico, em Tel Aviv, emocionar-me enormemente visitando o Museu do Holocausto, ver os Manuscritos do Mar Morto. Assim como também ver os retratos de Arafat em Nazaré, Belém etc. Como diz Ana Carolina, eu torço por uma paz entre os filhos de Abrahão. José Carlos Alexandre)

                                                                     
 Na rua Jaffa, em Jerusalém, bandeiras são penduradas em preparação para as comemorações do jubileu israelense

Uma série de festividades marca aniversário do Estado judeu. Mas tensões na fronteira norte e protestos de palestinos que reivindicam direito de retorno de refugiados às suas terras ofuscam celebrações.

Para comemorar os 70 anos de Israel, israelenses vão se reunir em festas realizadas desde as margens do Mar da Galileia, no norte, até a cidade de Eilat, no sul. Também estão planejadas celebrações no Bulevar Rothschild, em Tel Aviv, onde David Ben Gurion anunciou a independência de Israel no dia 14 de maio de 1948. De acordo com o calendário hebraico, as festividades do dia da independência do Estado judeu começam nesta quarta-feira (18/04).

"Tenho muito orgulho do que meu país é hoje. O Estado de Israel é o seu povo, o povo comum que constrói esse Estado", diz Laura Artzi, que a reportagem da DW encontrou enquanto ela fazia compras na rua Jaffa, em Jerusalém.

Para a maioria dos israelenses, o Dia da Independência é, em primeiro lugar, um dia para passar com a família e os amigos, fazer um churrasco ou observar os jatos da Força Aérea sobrevoando Tel Aviv. Para as festividades, vendedores de rua oferecem a bandeira de Israel e outros itens nas cores azul e branco.

O ator Yair Lehman está se preparando para representar Theodor Herzl, o pai do sionismo político moderno, durante as celebrações do Dia da Independência. "Setenta anos querem dizer que, por um lado, estou feliz por todos os motivos históricos", constata Lehman. "Mas também é um momento para preocupações: para onde esse país, a nação, vai agora? Qual será a relação com nossos vizinhos, e o que fazer com todas as nossas desavenças internas?", questiona.

Novas tensões ofuscam Israel

Reminiscências da extensa história de guerras e conflitos de Israel, as renovadas tensões na fronteira norte do território ofuscaram o jubileu deste ano. O Exército israelense está em alerta máximo para uma potencial retaliação do Irã após um ataque aéreo a uma base síria na semana passada, cuja autoria a Rússia atribuiu a Israel.

Os ataques aéreos que os Estados Unidos, o Reino Unido e a França realizaram a instalações militares sírias na semana passada, em resposta a um suposto ataque químico a civis na cidade síria de Duma, aumentaram as tensões. E, no sul, acredita-se que os protestos em massa de palestinos na Faixa de Gaza na cerca de demarcação com Israel continuarão até maio.

Tradicionalmente, na véspera do Dia da Independência, Israel lamenta oficialmente os soldados mortos e vítimas de conflitos. Por muitos anos, um dia "alternativo" em memória a vítimas de conflitos também foi organizado por associações israelenses e palestinas da sociedade civil, que homenagearam, em conjunto, seus entes queridos mortos no conflito.

O estado de espírito sombrio do dia de lembranças deverá se transformar numa atmosfera festiva ao anoitecer, quando começa uma tradicional cerimônia de acendimento de uma tocha no Monte Herzl (Monte da Recordação) em Jerusalém, para comemorar o aniversário de Israel.

Passado e presente

Michael Shiloh tinha 14 anos de idade quando ouviu David Ben Gurion anunciar a independência de Israel, em Tel Aviv. Olhando para fotos daquela época em sua casa em Jerusalém, ele lembra da euforia depois do discurso e da cantoria e das danças nas ruas.

"Foi apenas três anos depois do Holocausto. Auschwitz ainda existia em abril de 1945", recorda Shiloh, cujos pais fugiram da Alemanha nazista e, em 1935, chegaram ao que era conhecido como o Mandato Britânico da Palestina – um território geopolítico administrado pelos britânicos entre 1920 e 1948, criado após a Primeira Guerra Mundial.

"Então, havia essa nuvem sobre as cabeças dos meus pais. Mas, por outro lado, havia a euforia, havia esse sentimento coletivo de que 'conseguimos, estamos a salvo, temos um Estado próprio'", explica.

Mas esse sentimento não durou muito: uma coalizão de países árabes que já havia rejeitado o Plano da ONU para a partilha da Palestina em novembro de 1947 atacou o novo Estado. Dez meses de conflito foram concluídos com um armistício em 1949.

Cerca de 700 mil palestinos foram forçados a se deslocar ou fugiram de suas cidades e vilarejos durante essa guerra, descrita por Israel como Guerra da Independência. Esses palestinos se tornaram refugiados na atual Cisjordânia ocupada, em Gaza e em outros países árabes para os quais fugiram, como Jordânia, Síria e Líbano. Apenas uma minoria ficou no território atual de Israel.

Palestinos relembram perda de território

Um dia depois de Israel festejar a sua criação, palestinos lamentam a perda de seu país, um fenômeno que descrevem como "nakba" ("catástrofe"). Desde o fim de março, ao menos 30 pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas por projéteis disparados por franco-atiradores israelenses durante protestos maciços em Gaza. As manifestações reavivaram o debate sobre o direito de retorno de refugiados palestinos.

"É um lembrete a Israel de que a questão dos refugiados palestinos ainda não foi resolvida, mesmo depois de 70 anos", indica Ahmad Abu Irtema, de 33 anos e um dos jovens iniciadores dos protestos na Cidade de Gaza. Irtema insiste que a maioria das manifestações é pacífica. O pequeno território abriga cerca de 1,2 milhão de refugiados e seus descendentes.

Israel, por sua vez, acusa o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, de usar os protestos para os seus próprios fins violentos.

O tema dos refugiados é um dos mais controversos no conflito israelo-palestino. Mas, além de pedir uma solução justa para os refugiados, os manifestantes também afirmam que querem chamar a atenção para as décadas do bloqueio à Faixa de Gaza e também para a ocupação militar dos territórios palestinos por Israel, que o Estado judeu mantém há mais de 50 anos.

Para Shiloh, que se tornou diplomata a serviço de missões e embaixadas israelenses no mundo todo, a principal preocupação é a paz. Ele acompanhou de perto a equipe que trabalhou nas negociações de paz de Oslo no início dos anos 1990.

"Obtivemos sucesso de várias formas", constata Shiloh. "Mas não chegamos a nenhum acordo; não estamos em paz com os vizinhos e não temos nem um acordo interino que poderia nos dar uma sensação de segurança e de justiça."

OS 70 ANOS DE ISRAEL
                                                         

Triunfo da esperança

Em 14 de maio de 1948, David Ben Gurion lê a Declaração de Independência de Israel perante o Moetzet HaAm (conselho do povo), em cerimônia tida como o ato de fundação do país. "Nunca perdeu a esperança", disse Ben-Gurion sobre o povo judeu. "Jamais cessou sua oração pelo regresso à casa e pela liberdade". Agora, os judeus estavam de volta à sua terra de origem - dispondo de seu próprio Estado.

(Com a Deutsche Welle)

PENITENCIÁRIAS SEM GRADES

                                                           

José Batista Pinheiro (*)
      
      Não é para prender assaltantes de bancos, corruptos de colarinho branco nem assassinos. Apenas vislumbramos a possibilidade de conseguir abrigos provisórios para moradores de ruas que vivem na mais cruenta penúria do que cachorro abandonado. Esses pobres animais que catam migalhas nas ruas para comer os poderes públicos são misericordiosos com eles, pois são laçados e recolhidos aos abrigos para animais onde os doentes e velhos são sacrificados. 

A natureza humana não permite que façamos isso com os nossos semelhantes,  aumentando assim, mais o sofrimento de nossos irmãos abandonados. Quem assistir a disputa dos catadores de lixo com os caminhões de coleta dos resíduos das ruas, das casas e dos edifícios ficará triste e com uma sensação de náusea e culpa ao ver uma multidão de homens, mulheres e até crianças metendo a mão no lixo fétido e podre catando restos de papel, plásticos, garrafas e outros dejetos, para vender e apurar alguns trocados para saciar a sua fome. Essas pobres criaturas, pelas circunstância da sua vida miserável, são quase todas irrecuperáveis. Muitos já incorporaram o vício das drogas e da cachaça que é mais barato.

Trata-se de um problema estrutural grave da sociedade moderna. No mundo atual as máquinas e os robôs estão substituindo a maioria da mão de obra humana, gerando desemprego e mais pobreza na sociedade. Assim as pessoas mais qualificadas vão ganhando espaço no mercado de trabalho e as menos qualificadas, que são a maioria, vão marchando acelerado para a indigência. Inversamente, os países estão ficando cada vez mais ricos com o advento das técnicas de produção e fabricação de bens usando métodos mais modernos que a avançada ciência remete aos poderes públicos e privados. 

Está na hora dos governantes irem pensando em construir abrigos tipo penitenciária sem grades, com infraestrutura simples para os desesperados terem, ao menos, onde comer e se abrigar esperando que o destino, que é o mandatário de todas as coisas, abaixo de Deus, cumpra o seu dever de resolver esse problema. Talvez essa medida possa diminuir o uso das penitenciárias com grades para malfeitores. Não é um mau presságio, é apenas uma constatação.

(*) José Batista Pinheiro é Cel Ref EB  (Rio de Janeiro, 16.04.2018)


Um assombro: o poder das Inteligências Artificiais

                                         


“As Inteligências Artificiais não são como os robôs, meros braços efetivos, mas cérebros implacáveis que já estão sendo usados em grandes companhias e corporações do mundo desenvolvido. Elas quase nunca estão em robôs, como o Terminator, mas em espaços virtuais, o que as torna ainda mais temerárias”. As reflexões são de Jorge Majfud escritor uruguaio-estadunidense, autor de Crisis e outros romances, em artigo publicado por Alai, 16-04-2018. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Semanas atrás, publicamos algumas breves reflexões sobre “A grande crise do século XXI”. Um problema de menor monta é que nos acusam de sermos dramáticos, grandiloquentes e apocalípticos. Tudo isso é irrelevante, esquecível. Correndo o risco de nos equivocar, como todos, como em tudo, nossa obrigação é proporcionar uma visão geral sobre os problemas mais importantes que podem afetar a humanidade no tempo presente e nos tempos vindouros, embora a essa altura já não estejamos mais caminhando sobre este belo planeta, nem estaremos mais desfrutando desse maravilhoso e tão desvalorizado milagre de estarmos vivos.

Para mim, não há dúvida. A grande crise planetária que a humanidade e o resto das espécies neste planeta enfrentarão continua focada no problema socioecológico. As duas bombas-relógio que indicávamos no artigo anterior (a perigosíssima e insustentável concentração de riqueza, mero sequestro do progresso humano por uma elite financeira, e a próxima aceleração das mudanças climáticas), ambas unidas por um sistema social e econômico baseado no consumo e no desperdício (“A pandemia do consumismo”, 2009), serão detonadas pela próxima grande revolução tecnológica, sem dúvida com um impacto maior do que aquele que a internet produziu.

Refiro-me à Inteligência Artificial.

Há 10 anos, observávamos que “enquanto as universidades conseguem fazer robôs que são cada vez mais parecidos com os seres humanos, não apenas por sua inteligência comprovada, mas agora também por suas habilidades de expressar e receber emoções, os hábitos de consumo estão nos tornando cada vez mais similares aos robôs”. A mesma ideia está no livro Cyborgs (2012), mas vem do meu segundo livro Crítica de la pasión pura (1998).

Obviamente, por “robôs” eu estava me referindo a um conceito que, até então, não tinha o desenvolvimento que tem agora: a inteligência artificial (IA). O tempo confirmou esse pessimismo e me corrigiu em alguns otimismos da mesma época sobre a democracia direta derivada de comunidades online (embora, quem sabe, talvez ainda seja possível).

Atualmente, os robôs estão comendo milhões de empregos e, no entanto, isso não parece ser nada em comparação com a revolução da inteligência artificial. Os robôs só serão perigosos para os trabalhadores se os benefícios de sua eficiência continuarem sendo concentrados nos “donos dos meios de produção” (perdão pela terminologia marxista) e não chegarem aos trabalhadores, que contribuíram com seu trabalho e seus impostos para que todo esse conhecimento pudesse se desenvolver nas universidades.

Os professores não recebem seu salário apenas das mensalidades e dos impostos (no caso das universidades públicas), mas enquanto se dedicam à pesquisa e à especulação, a invenções que deixarão nossos beneficiários sem trabalho, outros (os beneficiários) se curvam sob o sol nos campos, cultivando e colhendo alimentos ou erguendo e abaixando caixas de frutas que depois compramos quase sem esforço em aclimatados supermercados.

Mas nem mesmo os inventores nem os professores que participaram do processo se beneficiaram – nem se beneficiarão – economicamente desses feitos da alta tecnologia como fizeram – e continuarão a fazer – os sequestradores, os “gênios” dos negócios, que, mais do que inventar algo, simplesmente embolsaram os lucros. 

Como sempre, os donos do dinheiro ganharão mais dinheiro e serão reverenciados pelos avanços de nossas sociedades. Enfim, essas besteiras de que graças ao bom Bill Gates ou a algum outro bilionário, temos internet e computadores, etc.

Voltemos ao ponto central. As Inteligências Artificiais não são como os robôs, meros braços efetivos, mas cérebros implacáveis que já estão sendo usados em grandes companhias e corporações do mundo desenvolvido. Elas quase nunca estão em robôs, como o Terminator, mas em espaços virtuais, o que as torna ainda mais temerárias. Logo serão capazes de entender os seres humanos melhor do que qualquer psicanalista e, obviamente, não precisarão de 20 anos de terapia.

Atualmente, a inteligência artificial já está sendo usada para ler os currículos dos candidatos a emprego e é capaz de selecionar os melhores candidatos com base em previsões: Maria vai renunciar em dois anos; José vai pedir um aumento de salário antes do terceiro ano, etc. É claro que em breve nem Maria nem José serão necessários para cuidar de crianças ou de idosos porque a IA pode fazer isso muito melhor e cometendo menos erros.

O que em princípio pode ser celebrado pelos otimistas por seu inquestionável aumento da repetida, até o aborrecimento, efetividade, tem seu lado tenebroso. Os robôs inteligentes não precisam ser maus para organizar o Mal. Basta que sirvam aos poderosos, como qualquer outra inovação anterior, sejam eles governos despóticos ou megaempresas (despóticas e manipuladoras, como qualquer grande companhia, como mostra a história).

Poderíamos dar cem exemplos, mas, por razões de espaço, consideremos um simples aspecto. Durante milhares de anos, todos nós levamos a nossa privacidade para passear por todos os lugares públicos para onde vamos. Com a inteligência artificial, essa privacidade será automaticamente dissolvida. 

O reconhecimento facial pode não apenas detectar mentirosos ou a orientação sexual (isso não é especulação; já está acontecendo de forma inadvertida pelo público), mas muito rapidamente qualquer IA poderá determinar em poucos segundos que ideias políticas, sociais, religiosas e sociológicas temos, seja lendo um simples CV [Curriculum Vitae], um texto, um artigo, uma carta ou escaneando o nosso rosto. Não será algo muito difícil de perceber, considerando o que já está sendo feito.

Consequentemente, os dissidentes dessa ordem infinitamente opressiva não terão armas tradicionais, mas armas baseadas em IA ou similares. Elas serão os hackers do futuro e, como no passado, os guerrilheiros idealistas e os criminosos comuns, todos colocados no mesmo saco por aqueles que ostentarão o poder dos deuses (ou dos demônios).

Essa luta terminará em uma negociação pacífica? Bem, isso nunca aconteceu na história, salvo exceções, como o direito a oito horas de trabalho, etc. Em uma restauração violenta da liberdade e dos direitos individuais de todos, mais ou menos como na Revolução Francesa ou em outros assassinatos? 

Estarão os indivíduos suficientemente intoxicados pela educação funcional, dócil, acrítica e pela manipulação ideológica e psicológica, de modo que não haja luta pela liberdade ou consciência da opressão? Como em tantos outros períodos da história, serão os escravos os mais fervorosos defensores do sistema escravocrata? 

Podemos nós, os “velhos antiquados”, dizer algo útil a partir da perspectiva de 2018 para os “libertados” ou os “ultrapassados” de 2040 e 2070?, algo que sirva de advertência para aqueles que estarão imersos na tempestade de seu próprio presente?

Ou, pior, terminará a nossa orgulhosa e arrogante espécie humana em um colapso final?

Ninguém pode ter uma resposta definitiva para nenhuma dessas perguntas. Mas fazê-las e chamar a atenção para os grandes problemas atuais e das gerações futuras é, simplesmente, a nossa obrigação moral.

(Com o Instituto Humanitas Unisinos)

Começa em Havana a 9ª Legislatura da Assembleia Nacional do Poder Popular. Nela será eleito o sucessor do presidente Raúl Castro Ruz

                                                                        
A partir das 9h00 de hoje começa a sessão constitutiva da 9ª Legislatura da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP), no Palácio das Convenções de Hanana.

Neste primeiro dia de sessões se procederá, segundo o legislado, da seguinte forma:

÷÷ A presidenta da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) lerá a lista dos deputados eleitos, e assistida pelos restantes membros da Comissão examinará os certificados de eleição.

÷÷ Depois informará da composição da Assembleia e verificará o quorum.

÷÷ Será cantado o Hino Nacional e um deputado lerá o juramento, que posteriormente subscreverão todos.

÷÷ A presidenta da CEN declarará constituída a Assembleia e convidará a presidenta da Comissão de Candidaturas Nacional (CCN) para que apresente as propostas de candidatos para presidente, vice-presidente e secretário da ANPP e explique os fundamentos para elaborá-las.

÷÷ Se os deputados não desejam substituir algum ou alguns dos propostos, o que somente pode ser combinado pelo voto favorável da maioria, o projeto de candidatura será submetido à aprovação.

÷÷ Será efetuada a votação, mediante voto secreto.

÷÷ Aqueles que forem eleitos, com mais de 50% dos votos válidos emitidos,

tomarão posse dos cargos.

÷÷ Para a eleição do Conselho de Estado, a CCN apresentará as propostas para presidente, primeiro vice-presidente, os vice-presidentes, o secretário e demais membros.

÷÷ O presidente da ANPP informará aos deputados o direito que têm de modificar total ou parcialmente a candidatura proposta. Depois, será submetido a aprovação o projeto de candidatura.

÷÷ Terá lugar a votação, através do voto secreto, e a CEN fará o escrutínio.

Nas sessões do dia 19 serão conhecidos os membros eleitos para o Conselho

de Estado, os quais tomarão posse de seus cargos diante da ANPP.

Cubavisión, Cubavisión Internacional, Radio Rebelde y Radio Habana Cuba transmitirão ao vivo os momentos mais importantes do andamento desta transcendental sessão.

«No caminho» de um novo Maio de 68?

                                                                          
 Rémy Herrera    

Existe em França um mal-estar profundo que começa a manifestar-se na intensificação das lutas e acções de massas. A sua origem não está apenas nas políticas que o grande patronato dita a Macron, como antes ditava aos seus antecessores. Vem de mais longe e vem de muitos lugares da sociedade. Trabalhadores e desempregados, ferroviários e sem-abrigo, reformados, pacifistas, ecologistas, antifascistas, estudantes. Um fundo rumor de cólera que recorda 1968.

O Presidente Macron tem razão : «France is back»! Mas não a dos postais ilustrados. A da cólera. Uma cólera que germina no fundo da sociedade francesa, e que tem as suas razões, múltiplas. Não é necessário inventariá-las, estas linhas seriam insuficientes para isso. Uma predomina sobre as outras: desde há décadas, o prosseguimento continuado, obstinado, de políticas neoliberais dilacerou o tecido social, empobreceu as classes trabalhadoras, precarizou os empregos, comprimiu os salários, lançou massas de gente para o desemprego, maltratou as solidariedades. Agudizou os egoísmos, glorificou abjectos valores capitalistas, promoveu os grosseiros reflexos do consumismo, adestrou todas as inteligências à submissão.

E queriam que o povo não reagisse ?

Nomeado por Macron, o governo actual dirigido por Édouard Philippe, alegadamente «nem de direita nem de esquerda» (mas então de quê? De «extremo-centro» ?) suprimiu o imposto sobre as grandes fortunas e sobrecarregou os escargos suportados pelos assalariados e os reformados. Ofereceu subvenções astronómicas a transnacionais que levam a cabo despedimentos, mas pressionou os orçamentos dos serviços públicos. 

Cada dia dilui mais o país numa Europa anti-social, autoritária e submetida ao hegemonismo dos EUA. Aplicando – à sua maneira: por meio de diplomas governamentais que curto-circuitam os deputados dos seu novo partido, En Marche!, embora estes sejam maioritários e inteiramente alinhados – um programa ditado pelo patronato, Macron faz o anúncio de novas privatizações. Como se o neoliberalismo não tivesse, desde há muito e em todo o lado, feito prova do seu fracasso.

Eis porque se ouve em França o rumor da revolta.

O pano de fundo dos conflitos que se agudizam é também o de numerosas derrotas sofridas pelo mundo do trabalho no decurso dos últimos anos. Houve, em primeiro lugar, a luta contra a «reforma» das pensões que os sindicatos, divididos, têm perdida desde 2010. Depois, a luta contra a «reforma» do mercado do trabalho («lei Macron», rebaptisada «lei El Khomeri », noma da ministra do Trabalho do último governo Hollande), igualmente perdida no ano passado. 



A CGT (Confederação Geral do Trabalho) conduziu esta batalha em defesa dos direitos e os interesses dos trabalhadores até 2017 estar bastante adiantado. Isolada, ou quase, não poderia tê-la vencido; tanto mais que nem todos os seus dirigentes são combativos. E houve ainda que resistir à repressão das lutas, à «criminalização» das acções sindicais: na Goodyear (por «sequestro de quadros» da empresa), na Air France (no processo dito das «camisas rasgadas»), na Peugeot, na construção civil e em tantos outros lugares em que militantes em luta foram objecto de discriminação – e por vezes condenados a prisão prorrogável.

Eis porque se intensificam as lutas.

Estas lutas são, de momento, dispersas. Greves dos ferroviários (actualmente de dois dias em cada cinco até Junho), do pessoal do Carrefour (13 de Abril), da Air France (30 de Março), da educação e da investigação (10 de Março), dos serviços médico-sociais da função pública territorial (14 de Fevereiro), dos hospitais (31 de Janeiro), nos estabelecimentos acolhendo pessoas idosas (30 de Janeiro), dos correios (9 de Janeiro), mas também dos organismos sociais, dos electricistas e do gás, na Méteo-France, em sectores químico-petrolíferos, da função pública…

 Houve mesmo greves inéditas de trabalhadores precarizados como os dos fastfoods e dos salões de cabeleireiro afro…E ainda, em sequência aleatória, desempregados, sem-abrigo, sem-papéis, militantes associativos, reformados, pacifistas, antifascistas, ecologistas, etc. protestaram também. Em toda a França, no passado dia 22 de Março, mais de meio milhão de manifestantes veio à rua para uma grande jornada da acção contra as «reformas Macron».

Há semanas que os estudantes se mobilizam. Muitos deles opõem-se ao «plano» educativo do governo (generalizando nomeadamente a selecção para a entrada na universidade) e bloqueiam totalmente numerosos centros universitários, em particular em Paris 1 (Tolbiac), Paris 8 (Saint-Denis), Montpellier, Toulouse…

Resposta das autoridades à mobilização estudantil? O envio da polícia de choque, a 9 de Abril, para agredir à bastonada os jovens rebeldes no campus de Nanterre! Precisamente no local onde eclodiu a revolta de Maio de 1968…No frontão de uma destas universidades ocupadas pode ler-se este pano: «Em Maio de 68 tiveram medo? Em 2018 vamos fazer pior!»…

(Com odiario.info)

terça-feira, 17 de abril de 2018