quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Cerca de 1.700 pessoas, entre artistas, intelectuais, sindicalistas, movimentos sociais, parlamentares e trabalhadores, lotaram o teatro do Palácio das Artes num ato contra a censura

                                                                                                                     Hélia Ventura/Facebook

Lançada na noite de terça-feira 21/11 em Belo Horizonte a Frente Nacional Contra a Censura. O encontro, no grande teatro do Palácio das Artes, principal casa de espetáculos da cidade, reuniu cerca de 1.700 pessoas, entre artistas, intelectuais, sindicalistas, movimentos sociais, religiosos, parlamentares e trabalhadores diversos.

O encontro foi também uma comemoração da vitória dos movimentos democráticos de Minas Gerais contra a tentativa de censura da exposição “Faça você mesmo sua Capela Sistina”, de Pedro Moraleida, na grande galeria do Palácio das Artes. A exposição do jovem artista, falecido em 1999, aos 22 anos, durou 80 dias e foi encerrada na data prevista, domingo 19/11, depois de resistir a investidas de políticos e religiosos conservadores e bater recorde de público.

Considerado o mais promissor da sua geração, o artista belo-horizontino foi criador extremamente fértil e deixou mais de 2.100 obras, entre desenhos, pinturas e textos. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente e já foi mostrado em países como Noruega e França. A exposição Painel Arteminas, no Palácio das Artes, também reuniu trabalhos dos artistas Marta Neves, Randolpho Lamonier e Desali, e teve um dos maiores públicos da história da instituição: 41.517 visitantes.

Interesse público

“Estamos aqui para comemorar essa vitória expressiva sobre forças obscurantistas e políticos oportunistas que querem desviar os olhos da população dos problemas que o país vive”, disse o jornalista Luiz Bernardes, pai de Pedro Moraleida.

Ele creditou a vitória a um conjunto de fatores, entre eles a mobilização dos artistas e da sociedade e a pronta resposta do governo do estado e da prefeitura, que não aceitaram as pressões para censurar a exposição.

O presidente da Fundação Clóvis Salgado, mantenedora do Palácio das Artes, Augusto Nunes, ressaltou que é dever da instituição abrigar a diversidade e que a exposição fortaleceu a democracia. “A Fundação Clóvis Salgado é uma organização pública, tem o dever de zelar pelo interesse público”, disse.

O secretário Juca Ferreira também enfatizou que o fato de a exposição ter sido mantida foi uma conquista da sociedade brasileira e de todos que são favoráveis à democracia. “Só há um jeito de enfrentar a onda reacionária, é com coragem e tranquilidade, sem aceitar provocações”, disse. “A resistência é formada de pequenos gestos que vão formar um tsunâmi democrático. Minas Gerais se coloca no centro da resistência e à frente do processo.”

O secretário Angelo Oswaldo denunciou que o curador da exposição Queer Museu – Cartografia da Diferença na América Latina, censurada em Porto Alegre, foi convocado coercitivamente a comparecer ao Senado. “Gaudêncio Fidélis é um profissional respeitado no país”, frisou.

O diretor de teatro João das Neves cantou o refrão do Hino da República: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, das lutas, nas tempestades, dá que ouçamos tua voz”, antes de avisar que a censura às artes é apenas a ponta de um iceberg. “A repressão às artes é a primeira, a ela se seguem outras”, alertou.

O ator Adyr Assunção contou que tem ouvido de muitos artistas da sua geração a pergunta: “Vamos lutar contra isso outra vez?”. Ele lembrou uma manifestação de artistas em Belo Horizonte, no começo dos anos 70, quanto, depois em passeata, eles depositaram um caixão na escadaria da Igreja de São José. 

No dia seguinte, a imagem do protesto estava estampada em todos os jornais do país e àquela manifestação se seguiram muitas outras, até o fim da ditadura. “Esta reunião hoje é só o início. O inimigo é poderoso, mas nós temos a força de estarmos juntos”, disse.

A cantora Carla Andreia convocou a plateia para resistir à censura. “Movimentem-se e comuniquem-se! Censura nunca mais!”.

Mobilização e resistência
                                                                                                       Rogério Hilário
A presidenta do Sindicato dos Jornalistas, Alessandra Mello, que atuou como mestre de cerimônias, ao lado do ator Marcelo Bones, lembrou o histórico da onda de censuras em várias partes do país, nos últimos meses, que levou à criação da Frente Nacional Contra a Censura. Informou que manifestações de apoio à iniciativa estão vindo de todos os pontos do país.

“Não podemos admitir que a censura volte, não podemos permitir que valores conquistados durante décadas sejam perdidos”, enfatizou. “Minas dá o exemplo e sai na frente da resistência contra a censura”, acrescentou Bones.

Para o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Juca Ferreira, a FNCC é um movimento importantíssimo. "Primeiro porque é uma luta contra a censura, e não se pode deixar, em hipótese nenhuma, que ela se restabeleça no Brasil. Segundo, porque é uma oportunidade de Minas acender essa luta no país inteiro, o que, inclusive, já está acontecendo". 

Juca acredita que é um movimento para projeção do futuro. "Na medida em que cresce esse movimeento, temos que lutar mais ainda pela liberdade de expressão, pela democracia e pelo restabelecimento do processo democratico", completa. 

O rapper Flávio Renegado destacou o fato da cultura estar, mais uma vez, encabeçando movimentos sociais. "Não se pode negar a importância da arte e da cultura que tem feito esse movimento ganhar força em todo o Brasil. Pensar em censura é um retrocesso, uma coisa de metade do século passado e não dá pra ficar nesse pensamento mais", explica.  

"Apoiar a censura é abrir a porta novamente para a ditadura e outros pensamentos de retrocesso. Estamos aqui para avançar sempre. A cultura está e vai continuar se posicionando até o final", afirma o cantor.

O presidente da Casa do Jornalista, Kerison Lopes, lembrou a célebre frase do jornalista Mauro Santayana, pronunciada pelo então governador de Minas Tancredo Neves, no começo dos anos 80, quando o Brasil se mobilizava para derrubar a ditadura militar: “O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade”. Ele destacou a importância da realização da exposição até o fim. “Nós vencemos. Esta foi a primeira exposição que não foi interrompida pelo fascismo”, disse.

( Com o SJPMG/Hoje em Dia)

O que torna tão difícil achar um submarino? A Deutsche Welle explica

                                                                              
                                            Imagem do ARA San Juan, tirada em 2014

Submarinos militares são construídos para atravessar os oceanos da forma mais indetectável possível – sem ser reconhecidos por inimigos e espiões. Entenda como.

O último contato do submarino argentino ARA San Juan aconteceu há uma semana, na quarta-feira (15/11), quando a tripulação relatou uma avaria no sistema de baterias. Deste então, as equipes de resgate correm contra o tempo para salvar a vida dos seus 44 tripulantes.

O ARA San Juan é um submarino militar, concebido para participar de missões secretas de vigilância. Agora, todos se perguntam: por que é tão difícil encontrá-lo?

Submarinos militares são construídos para atravessar os oceanos da forma mais indetectável possível – sem ser reconhecidos por inimigos, adversários e espiões. Eles raramente emergem para estabelecer contato de rádio ou telefone com suas centrais de comando, permanecendo geralmente em silêncio.

Mas é claro que isso não se aplica a uma emergência. Nesse caso, a tripulação deve chamar a maior atenção possível: ela pode emitir alerta de socorro na superfície, como também batidas ou outros sons debaixo d'água.

A forma do submarino, no entanto, pode ser um empecilho, pois ele foi projetado para absorver o maior número possível de sinais acústicos.

Um submarino "invisível"?

Submarinos modernos construídos com tecnologia "stealth" – que permite a maior inviabilidade possível – são, por exemplo, os do tipo A212 da Marinha alemã ou o SAAB A26 da Força Naval sueca. Eles foram desenvolvidos na década de 1990 e, desde o início, foram concebidos como submarinos indetectáveis.

Eles quase não emitem ruído ou calor e refletem o mínimo possível os impulsos de radar e sonar. O ARA San Juan não pode ser comparado com esses submarinos.

O submarino argentino foi construído pelo estaleiro alemão Thyssen Nordseewerke e entrou em operação já em 1985. Mais tarde, ele recebeu uma modernização, concluída em 2013. Mas, em princípio, todo submarino militar é construído de forma a emitir o menor número possível de sinais – isso também vale para o ARA San Juan.

Já na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha construiu submarinos com capacidade de invisibilidade. O primeiro deles foi o tipo VII da Marinha alemã. Ele foi projetado para reduzir o tanto quanto possível o ruído de motor e, ao emergir, emitir um sinal de radar o mais fraco possível. Desde então, os fabricantes de submarinos desenvolveram cada vez mais formas de tornar esses veículos subaquáticos "invisíveis". 

O maior perigo para navios e aviões – mas também para submarinos – vem do radar. Ele funciona de forma que as ondas eletromagnéticas sejam refletidas por um material sólido e, de preferência, metálico.

Os iates feitos de plástico reforçado com fibra refletem essas ondas apenas fracamente, sendo na verdade também barcos invisíveis. Só que nesse caso, isso não é algo desejado. Por esse motivo, eles possuem na maioria das vezes um refletor de radar em seu mastro – um octaedro feito de chapa metálica. Assim, o navio se torna reconhecível para os radares.

Quando querem tornar um navio grande invisível, os construtores recorrem de forma semelhante a superfícies plásticas. Isso faz com que, em vez de refletidas, as ondas de radar sejam espalhadas em todas as direções possíveis.

Os projetistas constroem a fuselagem de navios ou aviões num ângulo peculiar, o que faz com que os sinais sejam irradiados numa direção diferente. Nos submarinos, este truque é usado com menos frequência. Aqui, o mais importante é a forma aerodinâmica ideal: quanto melhor o deslocamento do submarino, menor será a emissão de ruído e calor do motor.

Evitar o magnetismo

Atualmente, em submarinos militares, são utilizados praticamente apenas materiais não magnéticos, como aço inoxidável ou titânio. Isso tem a ver com o fato de que muitas minas submarinas estão equipadas com detonadores magnéticos. Se o casco de um navio passar muito perto, elas explodem.
No entanto, se o submarino não é magnético, é provável que ele passe incólume por uma mina submarina. Essa é também uma vantagem para evitar outros detectores eletromagnéticos.

Absorventes acústicos 

O que se aplica às ondas de radar também se aplica aos ruídos. O principal instrumento para o rastreamento do fundo do mar é o sonar. Ele emite um sinal sonoro que é refletido pelo solo oceânico. Dependendo do tempo de retorno e da intensidade do sinal, o sonar pode detectar a profundidade da água ou se o solo é rico em sedimentos, coberto de vegetação ou rochoso.

Novamente, um revestimento adequado pode absorver grande parte do sinal do sonar. Assim, na tela, o submarino pode aparecer somente como um difuso monte de lama.

Os possíveis inimigos também não devem saber o que está acontecendo no submarino. Mesmo o barulho de uma escotilha ou o tilintar de panelas pode revelar a sua posição. Ainda mais evidentes são os ruídos de motores e propulsão.

Por esse motivo, dentro de um submarino, tudo que puder se chocar provocando ruídos é isolado e acolchoado com borracha. Somente motores silenciosos são utilizados e, durante uma missão submersa secreta, apenas sussurrantes motores elétricos entram em ação. O bom isolamento acústico também dificulta que a tripulação chame atenção através de batidas e pancadas.

Menor emissão possível de calor

Os submarinos também podem ser interceptados por meio do calor que produzem – por exemplo, com uma câmera de infravermelho a partir de um avião. Por esse motivo, os fabricantes tentam o tanto quanto possível reter o calor dentro do submarino ou ao menos dissipá-lo da melhor maneira.

Em todo caso, devem ser evitadas áreas em que a água apareça de forma bastante aquecida. A medida mais eficaz aqui também é: motores altamente eficientes. 

Carros, aviões e navios também podem ser interceptados por ondas eletromagnéticas, que eles mesmos emitem. Isso vale também, é claro, para os submarinos.

Tais ondas podem ser sinais de rádio ou outras radiações que emanam de dispositivos elétricos a bordo: sistemas de radar próprios, computadores, motores, telefones celulares, sistemas de armamentos e muito mais.

Todas essas fontes de radiação devem estar desligadas ou, se isso não for praticável, devem ser isoladas o tanto quanto possível.

(Com a DW)

E continua a violência na Síria

Vasco Gargalo/Divulgação

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O gol deste venezuelano do Atlético mineiro entra para a história mundial


Suástica gigante encontrada em Hamburgo

                                              

Trabalhadores que realizavam escavações durante a reforma de um estádio em Hamburgo, no norte da Alemanha, encontraram uma suástica gigante enterrada no local onde vestiários serão construídos.

Com quatro metros de largura por quatro metros de comprimento, a estrutura estava 40 centímetros abaixo do solo, segundo informações da agência de notícias alemã DPA.

Os funcionários realizavam as escavações no estádio Hein-Kling, localizado no distrito de Billstedt, quando se depararam com a enorme estrutura, o que impressionou a todos.

De acordo com a agência, os trabalhadores afirmaram que a suástica gigante servia como base para um outro monumento nazista, este destruído há décadas.

A descoberta fez com que as autoridades de Hamburgo se mobilizassem para retirar a peça nazista do local o quanto antes. Contudo, diante do tamanho e peso, terão de adotar outro caminho.

A mídia local informou que britadeiras serão usadas para a destruição completa do monumento nazista.

(Com DPA/Sputnik)

Armadilha

Brady Isquierdo Rodriguez/Rebelión

Sobrevivente do Holocausto reencontra a família



Banco Mundial diz que há espaço para aumentar tributação de grupos de alta renda e para reduzir impostos que sobrecarregam os mais pobres

                                                                             
Em relatório divulgado hoje (21), o Banco Mundial concluiu que há espaço para aumentar a tributação de grupos de alta renda no Brasil. O organismo ressalta que é possível instituir, por exemplo, impostos sobre a renda, patrimônio ou ganhos de capital e reduzir a dependência dos tributos indiretos, que sobrecarregam os mais pobres.

No documento – Um ajuste justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no país – o Banco Mundial mostra que “alguns programas governamentais beneficiam os ricos mais do que os pobres, além de não atingir de forma eficaz seus objetivos”. Por esse motivo, destaca que “seria possível economizar parte do orçamento sem prejudicar o acesso e a qualidade dos serviços públicos, beneficiando os estratos mais pobres da população.”

O relatório ressalta, por exemplo, que as políticas de apoio às empresas cresceram rapidamente, atingindo 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e riquezas produzidos em um país) em 2015. “Porém, não há evidências de que os programas existentes tenham sido eficazes e eficientes em seu objetivo de impulsionar a produtividade e a geração sustentável de empregos. Pelo contrário, tais programas provavelmente tiveram consequências negativas para a concorrência e a produtividade no Brasil”, diz o documento.

Por outro lado, na avaliação do Banco Mundial, muitos programas sociais com funções semelhantes são implementados isoladamente, o que resulta em milhões de famílias aptas a receberem múltiplos benefícios. Para técnicos do organismo, a criação de um novo programa integrado de assistência social – com a fusão de benefícios como Bolsa Família, aposentadoria rural e Benefício de Prestação Continuada (BPC) – contribuiria para economizar no orçamento.

Gastos públicos

Mas, de acordo com o organismo, esse tipo de medida – o aumento da tributação de grupos de alta renda – embora importante, não seria suficiente para combater o aumento dos gastos públicos no país. Segundo o relatório, nos últimos anos o impacto do aumento constante de gastos foi agravado pela queda das receitas, resultante de uma profunda recessão e pelo crescimento dos gastos tributários.

De acordo com o Banco Mundial, o chamado teto de gastos introduziu uma trajetória de redução gradual para os gastos públicos. No entanto, o cumprimento da nova regra “somente poderá ser respeitado por meio de um rigoroso exercício de priorização. ”Aprovada em dezembro do ano passado, a emenda constitucional do teto de gastos estabelece o controle das despesas públicas, restringindo-as à inflação do ano anterior por um período de 20 anos

O relatório destaca que a fonte mais importante de economia fiscal no longo prazo é a reforma da Previdência. “Os grandes e crescentes déficits do sistema previdenciário constituem um fator chave da pressão fiscal. É essencial ajustar o sistema previdenciário à realidade de rápida mudança demográfica e alinhá-lo a padrões internacionais”, recomenda o documento.

O Banco Mundial ressalta, entretanto, que mesmo com a reforma, estima-se "grandes déficits previdenciários" continuarão a existir e recomenda ações adicionais como a redução dos gastos com o funcionalismo público. “Embora o funcionalismo público brasileiro não seja grande para padrões internacionais, o nível dos salários dos servidores públicos federais é, em média, 67% superior aos do setor privado, mesmo após levar em consideração o nível de educação e outras características dos trabalhadores como idade e experiência”, aponta o relatório.

(Com a ABr)

A Revolução Mexicana: reforma agrária e luta pelo direito de retornar a um passado usurpado

                                                                                      
A revolução iniciada em 1910 foi o palco de uma série de reivindicações que buscavam, acima de tudo, garantir direitos usurpados da população. Tal afirmação torna-se clara na fala de um de seus principais e mais destacados líderes: Emiliano Zapata.

Zapata reivindicava o direito de posse dos indígenas e camponeses das terras que lhes foram expropriadas. O que estava em pauta era a necessidade de regenerar a condição humana através do retorno ao seu passado. Nas palavras de Octavio Paz: “A Revolução Mexicana é um movimento de reconquistar o nosso passado, assimilá-lo e torná-lo vivo no presente.”

Desde a independência, em 1821, a questão da terra estava presente nos conflitos sociais no México. Na segunda metade do século XIX a maior parte dos indígenas já haviam sido expropriados de suas terras, além disso, estes não foram incorporados como cidadãos. Em 1876 com a derrubada do governo liberal de Sebastião Tejada, pelo levante militar de Porfírio Díaz, a grande propriedade agrária foi reforçada e os camponeses despojados de suas terras. A pequena propriedade foi praticamente eliminada.

A partir de 1900, contudo, críticas ao governo de Díaz tornam-se cada vez mais latentes, bem como, reivindicações acerca das terras comunais expropriadas – os ejidos.

Díaz convoca eleições presidenciais em 1910 e prende o latifundiário liberal Francisco Madero, líder do movimento que se opunha à sua reeleição. Como candidato único Díaz é considerado eleito.

Madero foge da prisão e vai para os EUA. Do exílio, lança uma conclamação à rebelião com armas para derrubar Díaz, prometendo, em um novo governo, uma reforma eleitoral e terras para os camponeses. Lá redige o Programa de São Luis de Potosí que anunciava a possibilidade de uma reforma agrária.

Recebe apoio popular e de líderes revolucionários do Sul, Emiliano Zapata, e do Norte, Pancho Villa e Pascual Orozco.

O crescimento da movimentação camponesa leva Díaz a renunciar e fugir, em maio de 1911.
Madero é eleito presidente e, no poder, mantém o aparelho de Estado, em particular o Exército, o que provoca revolta entre seus apoiadores. Além disso, resolve dissolver o exercito revolucionário.
                                                                         
Zapata recusa-se a desarmar seus homens e exige a reforma agrária, prometida no Programa de São Luis de Potosí e negada pelo novo presidente. Nas palavras do próprio Zapata:

“A fatal ruptura do Programa de São Luis de Potosí motivou e justificou nossa rebeldia contra aquele que invalidou todos os compromissos e defraudou todas as esperanças (...) combatemos Francisco Madero, combateremos outros cuja administração não tenha por base os princípios pelos quais temos lutado.”

A reação do líder camponês é, portanto, a de proclamar-se em rebelião contra Madero. Em novembro de 1911 anuncia o Programa de Ayala no qual propunha a derrubada do governo de Madero e um processo de reforma agrária sob o controle das comunidades camponesas. O plano defendia, ainda, a reorganização do ejido e a expropriação de um terço dos latifundiários mediante indenização e nacionalização dos bens dos inimigos da revolução. Para Zapata, neste plano estão contidas

“(...) as mais justas aspirações do povo, plantadas as mais imperiosas necessidades sociais, e propostas as mais importantes reformas econômicas e políticas, sem cuja implantação o país passaria inevitavelmente ao abismo, deprimiria-se no caos da ignorância, da miséria e da escravidão.”

Zapata convocara o povo às armas e o avanço popular era contínuo, pois apesar das mudanças no governo, as estruturas sócio-econômicas permaneciam sem alterações.
Villa e Zapata lideraram um movimento com vistas a obter autonomia política local como forma de garantir o direito à terra.

Em fevereiro de 1913, enquanto a luta prossegue no Norte e no Sul, o general Victoriano Huerta assassina Madero. A morte do presidente leva a uma passageira frente da oposição, com participação de Zapata e Villa e chefiada pelo liberal Venustiano Carranza.

O governo de Huerta acabou por tornar-se, para a maior parte dos revolucionários, uma restauração do porfirismo. O Governador nortista Carranza, não reconheceu o novo governo e deu início à mobilização contra Huerta. O mesmo fez Villa no Norte e Zapata no Sul. Forma-se, então, um exército constitucional, sob a égide do chamado Pacto de Torreón.

Simultaneamente, o México sofre a ocupação do porto de Vera Cruz por forças dos EUA. Sem condições de resistir, Huerta renuncia em junho de 1914.

Carranza assume a presidência e o confronto anteriormente vivenciado por Zapata e Madero, com relação à reforma agrária, volta à vida, uma vez que Carranza hesita em aceitar as propostas camponesas.

Em fevereiro de 1917 é promulgada a Constituição reformada, com algumas transformações propostas pelo Programa de Ayala, como a nacionalização do solo e do subsolo e devolução das terras comunais aos indígenas – os ejidos. A Igreja Católica é separada do Estado e tem seus poderes diminuídos. Os trabalhadores passam a ter direitos reconhecidos, como jornada de trabalho de oito horas, proibição do trabalho infantil e indenização por tempo de serviço aos empregados dispensados. As medidas previstas na Constituição, no entanto, são amplamente ignoradas pelo governo.

Em 1919 Zapata é assassinado a mando de Carranza e o país continua em guerra civil.
Carranza é deposto e assassinado em 1920 e o novo presidente passa a ser o general Álvaro Obregón, que consolida a revolução.

Villa abandona a luta em 1920 e é assassinado três anos depois. Ao mesmo tempo, vários revolucionários no governo procuram enriquecer, traindo a confiança que as amplas massas populares depositam em sua atuação.

Os partidários da nova Constituição, contudo, compreendem perfeitamente que não poderiam desconhecer a questão agrária que estava no fundo da luta revolucionária. Assim, os latifúndios foram limitados e a terra começou a ser entregue às comunidades camponesas.

Ao analisarmos este primeiro momento da Revolução Mexicana, algo nos salta aos olhos a todo o momento: a constante presença da reivindicação por uma reforma agrária e, como resposta, uma série de atitudes que se distanciavam da sua realização. Madero a propôs no Programa de São Luis de Potosí, mas não cumpriu. 

Zapata lutou o tempo todo por sua implantação, e isto é evidente em seus discursos e no Programa de Ayala, que também não alcançou o resultado esperado. A constituição de 1917 trata desta questão, mas, na prática, revolucaomexicana1.jpgpassou muito tempo até que resultasse em benefícios reais para a população camponesa.

Algo, porém, não pode deixar de ser considerado: grandes foram os esforços para que os camponeses pudessem recuperar as suas terras, bem como relevantes foram os acontecimentos e transformações nascidas do seio desta luta.

Observa-se, nesta revolução, o reconhecimento do mexicano não apenas como indivíduo, mas também, e primordialmente, enquanto povo. Buscava-se um ideal de pertencimento comum, buscava-se o retorno a seus direitos. Estava presente a luta por um ideal de igualdade.

                  Emiliano Zapata                                                  Pancho Villa

Cronologia

1910 – Início da Revolução.
1911 – Eleição de Madero e Plano de Ayala.
1913 – Assassinato de Madero e posse de Victoriano Huerta na presidência.
1914 – Renúncia de Huerta e posse de Carranza.
1917 – Promulgação da nova Constituição.
1919 – Assassinato de Zapata.
1920 – Deposição de Carranza e posse de Álvaro Obregón.

Bibliografia

BRUIT, Héctor H. Revoluções na América Latina. São Paulo: Atual, 1988.
CAMIN, Héctor Aguilar e MEYER, Lorenzo. À sombra da revolução mexicana: história
mexicana contemporânea, 1910-1989. São Paulo: Edusp, sem data.
CRIPA, Ival de Assis. Interpretação e imagens da revolução mexicana. Apostila do curso
de extensão. Sem local. Sem editora. 2001.
PAZ, Octavio. O labirinto da solidão e post scriptum. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.
VILLA, Marco Antônio. A revolução mexicana: 1910-1940. São Paulo: Ática, 1993.
WOMMACK, John. A revolução mexicana: 1910-1920. In BETHELL, Leslie, org.
História da América Latina: de 1870 a 1930. Vol. V. São Paulo: Edusp, sem data.

Autor|a|es|es: 
Emanuelle Santos
Juliana Ferreira
Valmira Juvenal
Temas: 
Século XX
Revolução Mexicana

http://www.historia.uff.br/nec/revolucao-mexicana-reforma-agraria-e-luta-pelo-direito-de-retornar-um-passado-usurpado


https://pcb.org.br/portal2/17337


(Com o site do PCB)

Olga Benário: mentiras históricas repetidas até virarem verdades absolutas

                                                                         
Getúlio Vargas poderia indultar Olga Benário, mas não o fez porque lhe faltou grandeza / Divulgação


Mário Augusto Jakobskind

21 de Novembro de 2017 às 14:43

O jornal O Globo, useiro e vezeiro em divulgar fatos de forma manipulada, não aceita qualquer tipo de contestação. Na carta dos leitores, por exemplo, não se divulga nenhum tipo de contestação ao que foi escrito pelos seus colunistas de sempre. E o jornal ainda por cima se diz democrático, ou seja, que aceita o debate etc e tal.

Não foi o que aconteceu em relação ao colunista dominical Elio Gaspari que repetiu uma mentira histórica segundo a qual o então Presidente Getúlio Vargas extraditou para a Alemanha nazista a “judia comunista Olga Benário”. Mais uma vez o colunista repetiu o que vem sendo dito repetidamente ao longo dos anos e com o objetivo de virar verdade.

A história lamentável que envergonha o Brasil foi decidida pela instância máxima da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF). Getúlio poderia indultar Olga, mas não o fez porque lhe faltou grandeza. Mas isso, Gaspari não disse e foi enviada para o jornal uma carta esclarecendo o fato (ver abaixo) que os editores não divulgaram.

Possivelmente outras cartas contestando afirmações mentirosas divulgadas pelo jornal da família Marinho também devem ter sido solenemente ignoradas. No caso da extradição de Olga Benário ainda há o envolvimento do então chefe de polícia, Filinto Müller, acusado, conforme relata a carta enviada, de ter roubado a caixa dos Tenentes rebelados na década de 20 do século passado.

Müller queria a todo custo se vingar do líder da Coluna, o então Tenente Luis Carlos Prestes, e teria convencido Getúlio Vargas a lavar as mãos. Mas o fato é omitido na história, até porque Filinto Müller sempre apoiou ditaduras sanguinárias anticomunistas, com a de 1964, quando chegou a ser líder do partido apoiador do regime autoritário, a Arena, imposto por um golpe empresarial militar, que, por sinal, o esquema Globo apoiou e nunca se redimiu, a não ser por meio de uma autocrítica fajuta, mas que repetiu o apoio ao golpe mais recente, o de 2016 que colocou no governo o lesa pátria Michel Temer e demais golpistas, alguns deles hoje presos ou que foram salvos pelo gongo da base aliada na Câmara dos Deputados.

Assim O Globo vai deturpando a história e iludindo setores das camadas médias que se deixam levar pelas mentiras do referido espaço midiático, sejam impressos ou eletrônicos,  e ainda por cima repetem sem a mínima cerimônia as constantes manipulações da informação.

Eis a carta enviada para o espaço dos leitores, com o título “Omissão histórica", que O Globo  achou por bem não divulgar, porque desfaz a mentira repetida inúmeras vezes até virar verdade absoluta:  

"Omissão histórica

O colunista Elio Gaspari,  que todos os domingos brinda os leitores deste jornal com muitas informações, a meu juízo cometeu um deslize histórico, por sinal muito repetido e que, consciente ou inconscientemente, segue a velha técnica do Ministro da Propaganda nazista Joseph Goebbels, ou seja, uma mentira repetida muitas vezes acaba virando verdade. 

Pois bem, o colunista ao comentar sobre “o odiado Filinto”, omitiu um fato importante para se compreender a mancha vergonhosa na história brasileira que representou a extradição da judia comunista Olga Benário. 

Quem decidiu pela extradição foi o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) e não propriamente o então presidente. Getúlio Vargas poderia ter indultado Olga, o que seria um ato de grandeza, mas não o fez. 

Nesse aspecto  foi influenciado, por Muller, que nunca perdoou Luis Carlos Prestes que decidiu com seus pares expulsá-lo da Coluna ao ser acusado de roubar a caixa do grupo rebelado. Como Filinto Müller serviu com afinco ditaduras sanguinárias anticomunistas, a acusação é geralmente omitida.

Edição: Brasil de Fato RJ"

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Docentes participarão de Caravana à Brasília dia 28 contra os ataques do governo

                                                                    
No dia 28 de novembro, o ANDES-SN participará, em conjunto com demais categorias dos servidores públicos federais, da caravana à Brasília (DF), com manifestação na Esplanada dos Ministérios. O protesto foi definido pelo Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), e tem, entre seus eixos, a luta contra a Medida Provisória 805/2017, contra a Reforma da Previdência e pelas revogações da Emenda Constitucional 95 – que congelou o orçamento da União para despesas primárias -, e da Lei das Terceirizações, além de outros ataques aos direitos dos trabalhadores e aos serviços públicos.

Na circular 392/17, encaminhada nessa segunda (13), a diretoria do Sindicato Nacional convoca todas as seções sindicais a participarem da caravana e da manifestação na Esplanada dos Ministérios “como forma de enfrentar os ataques do Governo e defender os SPF e os serviços públicos, bem como o conjunto da classe trabalhadora”.

MP 805/2017
Dando sequência aos ataques aos servidores públicos federais, o presidente Michel Temer editou, no dia 30 de outubro, a Medida Provisória 805/2017, que aumenta a contribuição previdenciária dos atuais 11% para 14% sobre a parcela do salário que exceder R$ 5.531,31 (teto que é pago pelo Regime Geral, a cargo do INSS), alterando a Lei 10.887/04, quanto à alíquota da contribuição social do servidor público. A MP também congela os reajustes remuneratórios previstos para algumas categorias dos servidores públicos para 2018, adiados para 2019.

No caso dos docentes, a medida posterga para daqui dois anos as modificações nas tabelas remuneratórias da carreira do professor federal, previstas para agosto de 2018. Estas tabelas são frutos da Lei 12.772/2012, modificadas pela Lei 13.325/2016. 

Embora já em vigor, a medida precisa ser votada no Congresso para ter sua validade mantida. Segundo informação da Câmara dos Deputados, a proposta sobrestá a pauta a partir de 14 de dezembro. E tramita no Congresso Nacional até 7 de fevereiro de 2018.

De acordo com Claudio Ribeiro, 2º vice-presidente da regional Rio de Janeiro do ANDES-SN e da coordenação do Setor das Instituições Federais de Ensino (Ifes) do Sindicato Nacional, a medida provisória representa mais um ataque do governo ilegítimo de Michel Temer aos servidores e aos serviços públicos. O diretor ressalta que o Sindicato Nacional planeja apoiar as ações diretas de inconstitucionalidade que serão apresentadas contra a MP. “Iremos levar esse debate, de ação jurídica, ao nosso Congresso”, contou. O 37º Congresso do ANDES-SN será realizado de 22 a 27 de janeiro de 2018, em Salvador (BA).

“Politicamente, é essencial lutar contra essa medida, em conjunto com os demais servidores públicos federais. Estamos coordenando uma ação junto ao Fonasefe [Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais], para alertar inclusive para o fato de que os ataques aos servidores públicos também representam um ataque ao serviço público, utilizado pela população”, acrescentou Ribeiro, chamando todos os professores e todas as professoras a participarem da manifestação em Brasília (DF), no dia 28.

Confira a pauta central da Caravana à Brasília: 

Em defesa dos serviços públicos de qualidade para a população;
Revogação e retirada de todas as MPs e PLs que atacam o funcionalismo. Ex: MPs nº805 e nº792/ 2017.  PL nº116/2017;
Não à reestruturação das carreiras do funcionalismo! Nenhum direito a menos!;
Não à Reforma da Previdência!;
Revogação da EC nº 95;
Não à Reforma do Ensino Médio;
Não à Reforma Trabalhista, pelo fim das Terceirizações. Contra as privatizações, não a entrega do patrimônio público!;
Abaixo o ajuste fiscal contra os trabalhadores, que os bancos e as grandes fortunas paguem pela crise!

(Com a Andes)

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Samovar para leigos

                                                                    
O tradicional samovar tem lugar de destaque nas mesas de chá da Rússia. Nosso guia interativo traz uma explicação detalhada sobre como utilizar esse aparelho bastante incomum de ferver água – para nós, brasileiros, é claro.

https://br.rbth.com/multimedia/infographics/2014/07/04/samovar_para_leigos_26339

(Com Rossiyskaya Gazeta)