terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Última Cruzada: a fuga em massa de perseguidos Rohingyas


‘Aquilo que resta de nós’

                                                                      
O jornalista Igor Patrick lança nesta quarta-feira 18/10, a partir das 19h30, no Espaço Cultural Casa d@ Jornalista, o livro-reportagem “Aquilo que resta de nós”. Publicado pela Páginas Editora, da jornalista Leida Reis, o livro denuncia o estupro de mulheres haitianas por soldados brasileiros, jordanianos e nigerianos que fizeram parte das forças da ONU encarregadas de manter a paz e a segurança naquele país da América Central.

Resultado de uma investigação de sete meses, incluindo viagem ao Haiti, “Aquilo que resta de nós” traz depoimentos das haitianas estupradas e entrevistas com especialistas, defensores dos Direitos Humanos e ativistas de organizações internacionais. Os direitos autorais são destinados para a organização Médicos sem Fronteiras (MSF), que realiza trabalhos de emergência médica pediátrica, obstetrícia, prevenção e tratamento da cólera e acompanhamento emergencial para vítimas de abuso sexual no Haiti.

Igor Patrick é correspondente do Sputnik Brasil. Nasceu em Diamantina, formou na PUC Minas e mora no Rio de Janeiro. Em 2014, venceu a etapa brasileira do Prêmio Telefônica Vivo de Jornalismo Universitário com a reportagem “Na ponta da agulha”, sobre trabalho análogo a escravidão em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte.

O lançamento faz parte do projeto Sempre um papo.

Contatos: Igor Patrick (21) 9 6916 3282 (WhasApp); Leida Reis (31) 9 9138 8423 – leida@paginaseditora.com.br (Páginas Editora e assessoria de imprensa).

Che: economia e revolução


                                                                      


Luiz Bernardo Pericás (*)


Após o triunfo da re­vo­lução cu­bana, em ja­neiro de 1959, o novo grupo di­ri­gente teria de lidar com di­versas ques­tões in­dis­pen­sá­veis para ga­rantir o pleno de­sen­vol­vi­mento econô­mico da ilha, como o avanço das forças pro­du­tivas, as re­la­ções so­ciais, a re­es­tru­tu­ração do Es­tado, a na­ci­o­na­li­zação da terra e das em­presas es­tran­geiras, o papel do banco e do co­mércio ex­te­rior, as prin­ci­pais li­nhas de in­ves­ti­mentos e o in­cre­mento do setor in­dus­trial. 

Em ritmo ace­le­rado, a nação ca­ri­benha ra­pi­da­mente apro­fun­daria seu pro­cesso po­lí­tico, ao ra­di­ca­lizar seu pro­jeto po­pular e re­dis­tri­bu­tivo. A tran­sição ao so­ci­a­lismo, por­tanto, seria abor­dada a partir de um pro­grama que res­pei­tasse as ca­rac­te­rís­ticas na­ci­o­nais, mas que es­ti­vesse in­se­rido ao mesmo tempo nos de­bates mais am­plos que eram tra­vados na URSS e nas de­mo­cra­cias po­pu­lares sobre a gestão de em­presas, o bu­ro­cra­tismo e a efi­ci­ência ad­mi­nis­tra­tiva.

Neste con­texto, Che Gue­vara de­sem­pe­nharia um papel de ex­trema im­por­tância na­quele pe­ríodo, tanto como pre­si­dente do Banco Na­ci­onal como no cargo de mi­nistro de In­dús­trias do país. A questão da “cons­ci­ência”, a in­te­ração entre a base e a su­pe­res­tru­tura, o papel dos sin­di­catos... Temas que ga­nha­riam nova di­mensão no ideário gue­va­riano.

O “guer­ri­lheiro he­roico” teria de en­frentar uma série de obs­tá­culos na­queles pri­meiros anos no poder, entre os quais, o pró­prio dog­ma­tismo dos “ma­nuais” de eco­nomia po­lí­tica so­vié­ticos (que eram lidos pela alta cú­pula go­ver­na­mental e pelos es­pe­ci­a­listas que co­me­çavam a ser for­mados no am­bi­ente pós-re­vo­lu­ci­o­nário) e a vul­ga­ri­zação do “de­ter­mi­nismo econô­mico”, uma de­for­mação teó­rica do mar­xismo, de­fen­dida por al­guns in­te­lec­tuais e aca­dê­micos de sua época. 

Gue­vara, afinal de contas, bus­cava cons­truir um pen­sa­mento crí­tico, he­te­ro­doxo, fle­xível, di­nâ­mico, a partir de fa­tores ob­je­tivos e sub­je­tivos, para, em úl­tima ins­tância, criar o “Homem Novo”, de­sa­li­e­nado e for­jador de seu des­tino. Fun­da­mental, neste caso, ela­borar, de forma cons­ci­ente, um sis­tema di­re­tivo que ga­ran­tisse, ul­te­ri­or­mente, a so­be­rania po­lí­tica e a in­de­pen­dência fi­nan­ceira da ilha.

O re­vo­lu­ci­o­nário ar­gen­tino pode ser con­si­de­rado um her­deiro po­lí­tico e in­te­lec­tual tanto de Marx, En­gels e Lênin, como de Simón Bo­lívar, José Martí, Julio An­tonio Mella e José Carlos Ma­riá­tegui. Em ou­tras pa­la­vras, unia o mar­xismo clás­sico ao in­te­gra­ci­o­nismo la­tino-ame­ri­cano, ao na­ci­o­na­lismo cu­bano, ao in­ter­na­ci­o­na­lismo, ao anti-im­pe­ri­a­lismo e ao “hu­ma­nismo pro­le­tário”. 

Nesse sen­tido, a ar­ti­cu­lação de con­ceitos como “par­tido”, “pla­ni­fi­cação”, “van­guarda” e “ética” são im­pres­cin­dí­veis para se com­pre­ender o pro­jeto econô­mico pro­pug­nado pelo Che. Além dos ele­mentos mais ex­plí­citos do de­bate de então, como a lei do valor, a per­sis­tência das re­la­ções de mer­cado e o ge­ren­ci­a­mento das fá­bricas.

Gue­vara es­tava ci­ente dos di­fe­rentes mo­delos im­ple­men­tados no mundo so­ci­a­lista: das ex­pe­ri­ên­cias de au­to­gestão na Iu­gos­lávia ti­toísta às re­formas li­ber­ma­nistas em an­da­mento na União So­vié­tica. Es­ti­mu­lado pelo clima efer­ves­cente da luta re­vo­lu­ci­o­nária no Ter­ceiro Mundo e das po­lê­micas em torno dos ca­mi­nhos para a cons­trução do so­ci­a­lismo, o autor de Guerra de guer­ri­lhas es­tu­daria de­ta­lha­da­mente a ex­pe­ri­ência da re­vo­lução de Ou­tubro, os des­do­bra­mentos da NEP (No­vaya Eko­no­mi­ches­kaya Po­li­tika) e a eco­nomia dos países do bloco so­vié­tico, além de ler obras de Marx, En­gels, Lenin, Baran, Pushkov, Ro­sental, Straks, Djilas e tantos ou­tros. 

Iria se cor­res­ponder com per­so­na­li­dades como An­tonio Ven­tu­relli, Leo Hu­berman e Paul Sweezy; di­a­lo­garia com eco­no­mistas da CEPAL e do bloco so­vié­tico; e teria aulas com pro­fes­sores re­no­mados, como Sal­vador Vi­la­seca e Anas­tasio Man­silla. Por isso, não é de se es­tra­nhar que no fa­moso “de­bate econô­mico” de 1963-1964, fossem dis­cu­tidos, de ma­neira so­fis­ti­cada, as­suntos can­dentes e es­pe­cí­ficos como custos de pro­dução, preços e ma­nejo das em­presas es­ta­tais.

O Che tinha vá­rias pri­o­ri­dades em re­lação às ques­tões su­pra­ci­tadas. Para ele, seria fun­da­mental lidar com o de­sem­prego, di­ver­si­ficar a pro­dução, ga­rantir a qua­li­fi­cação téc­nica dos tra­ba­lha­dores e fe­char acordos co­mer­ciais com di­versos go­vernos es­tran­geiros para am­pliar o cré­dito, de­sen­volver tec­no­logia e im­plantar in­dús­trias na ilha. 

Também de­fen­deria o “sis­tema or­ça­men­tário de fi­nan­ci­a­mento” (em con­tra­po­sição ao “cál­culo econô­mico”, que via os em­pre­en­di­mentos como en­ti­dades com per­so­na­li­dade ju­rí­dica pró­pria), mo­da­li­dade di­na­mi­zada por um fundo ban­cário cen­tra­li­zado que de­veria ser alo­cado para su­prir as ne­ces­si­dades das fá­bricas como con­junto, as cha­madas “em­presas con­so­li­dadas” (uni­dades com­ple­men­tares que fun­ci­o­navam como parte de um grande con­glo­me­rado, com base tec­no­ló­gica si­milar, des­tino comum para sua pro­dução ou lo­ca­li­zação ge­o­grá­fica li­mi­tada), con­tro­lado pelo Es­tado. Ou seja, se apro­vei­taria a ex­pe­ri­ência e a es­tru­tura dos an­tigos mo­no­pó­lios pri­vados (prin­ci­pal­mente norte-ame­ri­canos) na ilha, subs­ti­tuindo-os pelo mo­no­pólio es­tatal, com o pla­ne­ja­mento e di­reção ad­mi­nis­tra­tiva con­cen­trados, além de pro­vi­mento de ca­pi­tais uni­fi­cado. Esse sis­tema ga­ran­tiria, se­gundo o Che, maior efi­ci­ência global.

A in­tenção ini­cial era re­a­lizar um es­forço para lo­grar a subs­ti­tuição de im­por­ta­ções, ga­rantir o pleno em­prego, au­mentar a pou­pança e as re­servas nos co­fres pú­blicos, me­lhorar a qua­li­dade dos pro­dutos lo­cais, su­perar o atraso tec­no­ló­gico em di­versas áreas, ace­lerar a con­versão dos equi­pa­mentos para a ma­qui­naria so­vié­tica, re­solver pro­blemas re­la­ci­o­nados à falta de peças de re­po­sição e uti­lizar a ca­pa­ci­dade ociosa das fá­bricas, assim como a au­mentar a for­mação e ca­pa­ci­tação de téc­nicos cu­banos. 

Mas a tran­sição ao so­ci­a­lismo teria suas es­pe­ci­fi­ci­dades. Se­gundo o Che, os sin­di­catos re­pre­sen­ta­riam um “ana­cro­nismo sem sen­tido” em uma so­ci­e­dade onde o pro­le­ta­riado ti­vesse to­mado o poder. Se­riam “ór­gãos da luta de classes” que de­ve­riam, em algum mo­mento, de­sa­pa­recer ou se trans­formar. Já os im­postos (assim como o se­guro), em te­oria, po­de­riam deixar de ser co­brados “a qual­quer mo­mento”, sendo ca­rac­te­ri­zados so­mente como uma me­dida “téc­nica”.

Gue­vara também dis­cutiu o sis­tema de in­cen­tivos. Sua aposta es­tava cen­trada nos es­tí­mulos mo­rais. Para ele, os ma­te­riais se­riam um resquício do ca­pi­ta­lismo. Ainda que não ne­gasse esse se­gundo tipo de in­cen­tivo, via como ala­vanca prin­cipal que im­pul­si­o­naria o so­ci­a­lismo às mo­da­li­dades “mo­rais”, que con­so­li­da­riam o fator da “cons­ci­ência” (essa dis­cussão, com opi­niões bas­tante he­te­ro­gê­neas e con­fli­tivas, es­taria pre­sente entre os eco­no­mistas so­vié­ticos, chi­neses e da Eu­ropa Ori­ental, se en­con­trando igual­mente entre as pre­o­cu­pa­ções de in­te­lec­tuais co­nhe­cidos como Charles Bet­te­lheim, Er­nest Mandel, Oskar Lange e Carlos Ra­fael Ro­drí­guez, entre ou­tros).

Além disso, vale re­cordar a im­por­tância de­po­si­tada na emu­lação so­ci­a­lista, que ob­je­ti­vava o au­mento da pro­du­ti­vi­dade in­di­vi­dual do tra­ba­lhador e da pro­dução de forma geral, es­ti­mu­lando o con­trole de qua­li­dade e fun­ci­o­nando, igual­mente, como ele­mento ide­o­ló­gico que in­cen­ti­varia uma “com­pe­tição fra­ternal” entre os ope­rá­rios. Já o tra­balho vo­lun­tário, outra mo­da­li­dade es­ti­mu­lada pelo Che, pode ser re­me­tido aos “sá­bados co­mu­nistas” im­pul­si­o­nados por Lenin, após o triunfo da re­vo­lução russa. O pró­prio Gue­vara se des­tacou neste tipo de ati­vi­dade la­boral. Afinal, ele sempre fazia questão de dar o exemplo...

Sua crí­tica ao mo­delo so­vié­tico vi­gente, con­tudo, seria im­pla­cável. Em seu Apuntes crí­ticos a la eco­nomía po­lí­tica, o re­vo­lu­ci­o­nário ar­gen­tino diria que o “dog­ma­tismo in­tran­si­gente” da época de Stálin havia sido su­ce­dido por um “prag­ma­tismo in­con­sis­tente” no pe­ríodo em que es­crevia, um mo­delo, em grande me­dida, her­deiro das po­lí­ticas “re­for­mistas” ne­pi­anas apoi­adas por Lenin, nos anos 1920, as quais ele com­batia de forma im­pla­cável. Isso es­taria acon­te­cendo em todos os as­pectos da vida dos povos so­ci­a­listas… 

A so­lução seria uma mu­dança ra­dical na es­tra­tégia econô­mica das prin­ci­pais po­tên­cias da­quele bloco. Para ele, con­tudo, a URSS es­taria se­guindo por um ca­minho cada vez mais pe­ri­goso. Se con­ti­nu­asse da­quela forma, aquele país es­taria fa­dado a re­tornar ao ca­pi­ta­lismo. Como sa­bemos, Gue­vara con­se­guiu per­ceber um fenô­meno que só iria se apro­fundar nos anos se­guintes. E que cul­minou, poucas dé­cadas de­pois, com o fim da ex­pe­ri­ência do “so­ci­a­lismo real” na União So­vié­tica e nas de­mo­cra­cias po­pu­lares...

Ar­tigo es­crito ori­gi­nal­mente para a edição es­pe­cial da re­vista Caros Amigos, n. 88, 2017 e re­ti­rado do blog da Boi­tempo.

(*) Luiz Ber­nardo Pe­ricás é his­to­ri­ador e pro­fessor da USP, autor de Caio Prado Jú­nior: uma bi­o­grafia po­lí­tica (Boi­tempo, 2016), lhe rendeu o troféu Juca Pato de In­te­lec­tual do Ano.

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(Com o Correio da Cidadania)

O Congresso Nacional do Partido Comunista da China

                                                                   
                                                                         
David Child 

O Partido Comunista dominante da China iniciará seu 19º Congresso Nacional em 18 de outubro. 

O presidente da China e o secretário-geral do partido, Xi Jinping , deverão usar o evento duas vezes por década para consolidar seu poder sobre a segunda maior economia do mundo.

Uma maior agitação do governo também poderia estar na agenda, já que a maioria do órgão decisório do Partido Comunista, o Comitê Permanente do Politburo de sete membros, deverá se aposentar durante a reunião.

Aqui estão algumas das questões-chave sobre o Congresso, a quem envolve e por que isso importa:

O que é o Congresso Nacional?

Realizada a cada cinco anos desde o 11º Congresso do Partido Comunista da China (CCP) em 1977 - ano após a morte do presidente Mao Zedong - o Congresso Nacional reúne delegados selecionados da base de participação do CCP.

Os participantes são obrigados a eleger os candidatos a cargos de alto partido, considerar o relatório do secretário geral e decidir sobre as emendas à constituição da CCP.

Enquanto a reunião é o destaque do calendário político chinês, no qual a linha geral para o CCP é estabelecida e celebrada, os resultados já foram decididos antes do evento, de acordo com Roderic Wye, membro associado do programa Ásia na Chatham House.

"O Congresso é uma celebração de decisões que já foram tomadas que não sabemos do exterior [do partido]", disse Wye à Al Jazeera.

A reunião de uma semana é realizada em Pequim.

Os novos líderes da China serão revelados na sua conclusão, que se acredita ser em 25 de outubro.

Como funciona?

O Congresso reunirá 2.287 delegados da CCP para moldar a política e decidir sobre o posicionamento político.

Somente aqueles que mostram "crença inabalável" e a "posição política correta" são convidados a participar, de acordo com o jornal estatal China Daily.

Xi iniciará o processo com o seu relatório no Grande Salão do Povo de Pequim e usará o endereço para delinear as prioridades do partido nos próximos cinco anos.

O relatório será então estudado durante o Congresso, embora seja amplamente esperado que seja aceito e implementado por delegados sem desafio.

Os delegados, que representam cerca de 90 milhões de membros do partido em todo o país, também escolherão cerca de 200 membros para o Comitê Central do PCC.

O comitê é então encarregado de nomear membros para o Politburo de 25 membros, o que, por sua vez, decide sobre a adesão ao Comitê Permanente do Politburo de sete membros que fica no ápice da política chinesa. 

Os participantes da CCP também são encarregados de decidir sobre as emendas à constituição do partido. Desde a sua criação em 1922, a constituição foi alterada em todos os congressos.

O que procurar?

A política chinesa e o funcionamento do Congresso do PCC estão em segredo.

No entanto, esse evento provavelmente revelará até que ponto Xi consolidou o poder desde que subiu ao papel de secretário geral em novembro de 2012.

As eleições e as emendas constitucionais decididas nesta cúpula estão sendo vigiadas de perto pelos analistas por sinais de que o líder chinês apertou seu controle no comando de seu partido.

Xi quase certamente tentará exercer sua influência sobre o processo de renovação, disse Hongyi Lai, professor associado de estudos chineses contemporâneos na Universidade de Nottingham, a Al Jazeera.

" É amplamente esperado que ele tente colocar novos líderes, os que o apoiaram ou que ele preparou nos últimos anos", disse Lai. "[E] também é provável que ele colocará" Xi Jinping pensou "na constituição".

As nomeações para o poderoso Comitê Permanente do Politburo serão de particular importância, significando potencialmente os planos da Xi para um sucessor ou sua intenção de permanecer no poder além do atual limite constitucional constitucional da China.

Até cinco de seus sete membros - dos quais Xi é um - são esperados para se aposentar, tendo atingido a idade de 68 anos.

Wang Qishan, 69, é um membro atual do comitê e um aliado político próximo da Xi. Caso ele continue em seu papel, como chefe da corrupção do país, pode sinalizar que o líder da China está considerando estender sua própria vida política ao comando do PCC após o próximo Congresso, em 2022.

O movimento esperado de Xi para escrever sua própria filosofia política na constituição do PCC pode também indicar a intenção de prolongar seu período no poder. A alteração elevaria Xi a um status constitucional semelhante a Mao Zedong, membro fundador da CCP e da República Popular da China, e Deng Xiaoping.

"Isso significa a extensão de sua influência no sistema político chinês, nenhum dos dois predecessores imediatos teria conseguido fazer isso no final de seus primeiros termos", afirmou Lai.

"Pelo menos na superfície, Xi se sembrou de forma mais agressiva e obviamente no sistema político chinês".

O que isso significa para a China e para o mundo?

Os primeiros cinco anos de Xi no topo da política chinesa caracterizaram-se pela consolidação do poder ao invés de entregar seus planos de reforma revelados no 18º Congresso do PCC.

Ao assumir o cargo em 2012, ele prometeu prosseguir novas políticas sociais e econômicas, incluindo uma repressão à corrupção e uma redução da burocracia.

Se ele for bem sucedido ao ampliar seu controle sobre o PCCh na semana que vem, Xi estará sob pressão para finalmente implementar esses planos durante seu segundo mandato, disse Lai.

"O fardo é sobre ele [Xi] buscar uma nova política, e ele pode querer introduzir reformas em relação à economia, à sociedade e à governança", afirmou. "No segundo mandato, o fardo é sobre ele para entregar".

No cenário internacional, no entanto, é improvável que este Congresso altere a abordagem do país sob Xi, que viu a China se afirmar cada vez mais na política global, de acordo com Wye. 

"Eu não acho que estamos esperando um desvio brusco na política chinesa, mas haverá muita atenção dada à iniciativa One Belt and One Road do país", disse ele.

(Com a Al Jazeera)

Brasil deixa de ser referência no combate ao trabalho escravo, diz OIT

                                                                       

Organização Internacional do Trabalho condena novas regras para definir trabalho escravo e divulgar a chamada lista suja de empregadores. Ministério Público do Trabalho classifica medida de "retrocesso".


O Brasil deixou de ser um exemplo de fiscalização do trabalho escravo após a publicação de uma portaria aprovada nesta segunda-feira (16/10), segundo considerou nesta terça a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

"O Brasil, a partir de hoje, deixa de ser uma referência no combate à escravidão como estava sendo na comunidade internacional", disse Antonio Rosa, coordenador do Programa de Combate ao Trabalho Escravo da OIT e representante da organização no Brasil.

A portaria introduz novas regras para caracterizar o trabalho escravo e para atualizar o cadastro de empregadores que usam esse tipo de trabalho, a chamada lista sujado trabalho escravo.

Assinada pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, e publicada no Diário Oficial da União, a portaria está sendo criticada por diversas organizações de defesa dos direitos humanos por potencialmente dificultar a punição de empregadores que usam trabalho escravo, já que dificulta a inclusão dos mesmos na lista.

Critérios internacionais

Antes da portaria, a fiscalização no Brasil usava conceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Código Penal do país considerando quatro elementos para caracterizar condições análogas à escravidão:

trabalho forçado;

servidão por dívida;

condições degradantes;

jornada exaustiva.

Essas diretrizes internacionais eram mais abrangentes para caracterizar o trabalho escravo. Para duas destas premissas, trabalho forçado e servidão por dívida, era necessário comprovar a privação de liberdade dos trabalhadores. 

Segundo a nova portaria, também passa a ser preciso verificar a privação de liberdade para comprovar condições degradantes de trabalho e a imposição de jornada exaustiva.

Rosa, da OIT, disse que o novo decreto estabelece um conceito "condicionado à situação de liberdade, e não é assim no mundo, a escravidão moderna não é caracterizada assim".

Outra regra alterada diz respeito à publicação da chamada lista suja das empresas e pessoas flagradas usando trabalho escravo no Brasil. O documento era antes organizado e divulgado pela Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), mas agora a sua publicação dependerá da aprovação direta do ministro do Trabalho.

As normas também diminuíram a autonomia dos auditores-fiscais nas inspeções. Os inspetores que verificam a prática de trabalho escravo no país terão que estar sempre acompanhados de um agente da polícia, que fará um boletim de ocorrência do auto de flagrante nas fiscalizações. Sem esse documento, as autuações perdem a validade e os infratores não serão punidos.  

"Lista nunca mais será divulgada"

O decreto foi duramente criticado pelo Ministério Público do Trabalho, assim como pela oposição do governo no Congresso, que vê na medida uma ação política do presidente Michel Temer.

Tiago Muniz Cavalcanti, responsável pela Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do Ministério Público do Trabalho, afirmou que "as novas regras acabam com o combate ao trabalho escravo no Brasil, pois alteram diretamente o coração da legislação, que é o conceito de trabalho escravo".

O titular da Conaete afirmou ainda que "limitar a definição de trabalho escravo à restrição de ir e vir de um trabalhador é um equívoco histórico e jurídico".

"É mais um retrocesso condicionar a publicação [da lista] à vontade política do ministro. Não há dúvida de que a lista nunca mais será divulgada ou que, caso seja publicada, os nomes de várias empresas serão retirados", afirmou Cavalcanti.

O procurador do Ministério Público do Trabalho assegurou que a publicação periódica da lista se transformou em uma importante ferramenta de combate ao trabalho escravo, não só pela condenação moral que isso representa, mas também porque os bancos suspendem imediatamente os créditos para essas companhias.

Cavalcanti indicou que a primeira medida do Ministério Público para impedir esse retrocesso será recomendar ao Ministério do Trabalho a imediata revogação da nova portaria.

Segundo uma nota da Comissão Pastoral da Terra, organização que lidera diversas campanhas contra o trabalho escravo, a nova portaria "elimina os principais entraves ao livre exercício do trabalho escravo contemporâneo tais quais estabelecidos por leis, normas e portarias anteriores".

A organização não governamental também afirmou que, ao exigir a presença de um agente da polícia para fiscalização, o governo promoveu um "engessamento" para "inviabilizar a inclusão de eventual escravagista na lista suja".

As mudanças nas regras sobre trabalho escravo atenderam um pedido antigo dos deputados da bancada ruralista do Congresso brasileiro poucos dias antes da Câmara dos Deputados votar se aprova ou não o prosseguimento de uma segunda denúncia, por atos de corrupção, contra Temer.

(Com a Deutsche Welle)

Entenda o que é o 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China

                                                                            
O que é o Congresso Nacional do PCCh?

Membros partidários oriundos de toda a China se reúnem no Grande Salão do Povo, no centro de Beijing, durante uma semana, a cada cinco anos.

Este ano, mais de 2300 representantes – eleitos especialmente para o evento – irão comparecer ao 19º Congresso Nacional do PCCh.

Desde a fundação da República Popular da China em 1949, o PCCh já convocou 11 congressos nacionais.

O que fazem os representantes?

O Congresso Nacional estabelece o rumo para o desenvolvimento do Partido e do país nos cinco anos seguintes.

Os representantes terão vários trabalhos durante a semana de sessões: escutar e verificar os relatórios do Comitê Central do PCCh e da Comissão Central para Inspeção Disciplinar, discutir e decidir principais itens relacionados com o Partido, e revisar a Constituição do PCCh.

Quem é eleito?

As eleições são organizadas para o Comitê Central – um dos órgãos políticos supremos no PCCh, que tem atualmente 205 membros e 171 membros alternativos – e para a Comissão Central para Inspeção Disciplinar que tem 130 cargos.

O Comitê Central determina quantos representantes participarão no próximo Congresso Nacional, a ser realizada daqui a cinco anos, e decide o procedimento das eleições.

Por exemplo, em 2012, o Comitê Central decidiu que o evento deste ano teria 30 representantes a mais, aumentando o número total de 2270 para 2300.

O novo Comitê Central elegerá ainda membros de seu Birô Político e membros do Comitê Permanente do Birô Político, bem como o secretário-geral. 

(Com o Diário do Povo)

Ministro Celso de Mello quer definição sobre o que é "pequena quantidade" de drogas

                                                                           
                                                                 
Pedro Canário

Em recente Habeas Corpus, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, apontou caminhos para a corte definir o que seja “pequena quantidade de drogas”. É que a jurisprudência do tribunal não prevê parâmetros concretos sobre quantidades de drogas que devem ser levadas em consideração pelo juiz na hora de aplicar medidas cautelares.


Celso destacou que não há parâmetros concretos sobre quantidades de drogas que devem ser levadas em consideração pelo juiz na hora de aplicar cautelares.

Para tentar definir o que seriam “pequenas quantidades”, o ministro se espelhou no exemplo de Portugal. O país não considera crime o consumo de drogas nem a posse para uso pessoal, desde que as porções não sejam mais do que o suficiente para consumo próprio durante dez dias.

O Supremo Tribunal de Justiça, órgão de cúpula do Judiciário português, já definiu alguns parâmetros. Para heroína, a porção diária é 0,1 grama; para cocaína, 0,2 gramas. A jurisprudência portuguesa, continua o ministro Celso, vem decidindo que, para maconha, a dose diária máxima permitida é de 2,5 gramas. Na liminar, Celso explica que apenas citou Portugal como “mero registro”.

No caso concreto, o ministro Celso de Mello mandou soltar o réu. Ele foi preso em flagrante com 1 grama de cocaína e 8 gramas de crack, quantidade considerada pequena. Sua prisão foi convertida em preventiva pelo juiz de Itapetininga (SP), “diante da situação atual do país, em que tanto se discute a questão da impunidade”.

Segundo Celso de Mello, o juiz de primeiro grau não apontou fatos concretos que justificassem a prisão do réu. Apenas tratou da gravidade em abstrato do crime do qual ele é acusado. Para o ministro, mandar prender sem fundamentação adequada é o mesmo que fazer “discursos judiciais, eivados de generalidade, destituídos de fundamentação substancial e reveladores de linguagem típica dos partidários do ‘direito penal simbólico’”.

O processo tem o número HC 144.716

(Com a ConJur)

Vitória nas eleições estaduais fortalece o processo bolivariano

                                     

A incontestável vitória do governo Maduro nas eleições estaduais realizadas no domingo, 15 de outubro, quando obteve 54% dos votos contra 45% da oposição e elegeu os governadores de 17 dos 23 estados da Venezuela (apenas o estado de Bolívar não chegou ainda aos números finais da apuração) aponta para um caminho de consolidação das conquistas da chamada Revolução Bolivariana e abre o caminho para a superação dos problemas e dificuldades existentes, no país, para a construção do Socialismo. Os 61,14% de participação dos eleitores (foi de 53,94% a participação popular nas eleições de 2012) representaram o fortalecimento do processo de conquistas democráticas e populares no país.

O resultado mostra que a população venezuelana não se esqueceu das imensas conquistas sociais obtidas nos governos Chávez e Maduro, como a dignificação dos salários, a construção de dois milhões de habitações populares (que beneficiaram mais de oito milhões de pessoas), a erradicação do analfabetismo, a duplicação do número de vagas nas universidades públicas, a urbanização de áreas urbanas ocupadas por moradores de baixa renda, a promoção e democratização do acesso à cultura e tantas outras.

A vitória do governo desmascara de vez, a exemplo do que ocorreu com a massiva votação popular na recente eleição da Assembleia Constituinte, as tentativas da oposição de caracterizar o governo Maduro como uma ditadura. Este resultado eleitoral revela também as fissuras no bloco da oposição e demonstra o esgotamento da tática oposicionista de promover manifestações de rua inchadas com a presença de “militantes” pagos para promover atos de violência e gerar imagens artificiais divulgadas amplamente na mídia internacional, com apoio direto dos Estados Unidos e outros países imperialistas, que exercem todo o tipo de pressão – incluindo ameaças de intervenção militar – para o combate ideológico aos avanços populares e democráticos do bolivarianismo e a defesa de seus interesses econômicos materializados na tentativa de acesso e controle das reservas petrolíferas venezuelanas.

Não são poucos nem simples os desafios da revolução em curso. Para a consolidação do processo, entre outros aspectos, há que combater as ilusões presentes em muitas lideranças bolivarianas de que é possível avançar rumo à igualdade social sem a superação do capitalismo. A Venezuela continua extremamente dependente da estrutura econômica monoexportadora (o petróleo é o principal produto) e multi-importadora (são importados 50% dos alimentos consumidos internamente e a maior parte dos bens de produção e de consumo de que o país necessita). Nos últimos anos, foram criadas muitas empresas importadoras que lutam para que esse quadro não se modifique. As estruturas de poder popular devem ser fortalecidas, e as empresas e órgãos de governo devem ser dirigidas por representantes dos trabalhadores.

Colocamo-nos em posição frontalmente contrária àqueles grupos e organizações que, ditos de esquerda, defendem a derrubada do governo Maduro, fazendo coro com a mídia reacionária internacional e com os propósitos do imperialismo, já que a queda do governo só pode significar, neste momento, a ascensão das frações burguesas pró-imperialistas ao poder. A luta somente avançará com o fortalecimento da organização dos trabalhadores e setores populares venezuelanos, que devem seguir no rumo da construção socialista, com a coragem e a ousadia que caracterizam, desde os primeiros momentos, o processo bolivariano.

Toda a solidariedade militante do Partido Comunista Brasileiro à luta da classe trabalhadora e do povo da Venezuela em defesa de sua soberania, rumo à efetiva construção do Poder Popular e do Socialismo!

Secretariado Político Nacional do PCB

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Filme sobre césio-137 é premiado na Alemanha

                                                             

Em Berlim, Uranium Film Festival premia curta sobre maior acidente radiológico do mundo, registrado em Goiânia, há 30 anos. Após festival, exposição de fotos históricas vai rodar o país. 
 Deutschland | Uranium Film Festival 2017 in Berlin | Benedito Ferreira
(DW/N. Pontes)

Morador de Goiânia, o diretor de arte Benedito Ferreira transformou tabu em curta: "Algo que fica"

Há dois anos, o diretor de arte Benedito Ferreira saiu em busca de um fantasma que assombrava a sua vizinhança: a história da contaminação e mortes provocadas pelo elemento radioativo césio-137, classificado como o maior acidente radiológico do mundo, há 30 anos.

Morador da região central de Goiânia, o diretor de arte transformou o tabu no curta Algo que fica, premiado neste domingo (15/11) no encerramento da sexta edição do Uranium Film Festival, em Berlim.

"As pessoas em Goiânia não falam sobre isso", diz Ferreira. "O filme é de ficção, feito para ser como uma provocação, para que as pessoas, depois de assistir, saiam em busca de mais informação".

A história mostra jovens preparando a inauguração de um museu em memória das vítimas no local onde a cápsula com o elemento radioativo foi aberta, na rua 57. Em paralelo, a rotina de um idoso doente é apresentada ao espectador.

Iniciado no Brasil há sete anos, o festival de cinema chama a atenção para os riscos da cadeia nuclear – um assunto que tem ocupado as manchetes recentemente impulsionado pela troca de ameaças entre Estados Unidos e Coreia do Norte.

"A intenção do festival é educar, informar, dar voz para assuntos e pessoas esquecidos e que, de alguma maneira, foram afetadas pela questão nuclear", afirma Norbert G. Suchanek, fundador e diretor. "Nós vivemos numa era atômica. E acreditamos que a arte é uma forma eficiente de abordar essa discussão", complementa Márcia Gomes, cofundadora.

O francês Larbi Benchiha também foi premiado, por seu documentário Bons Baisers de Moruroa, que relata o impacto dos testes com bombas nucleares conduzidos pelo governo da França no Atol Moruroa – antiga colônia francesa – no Pacífico.

Cinema e exposição itinerante
                                                      
Odesson Alves Ferreira, sobrevivente e membro da diretoria da Associação de Vítimas do Césio-137, participou do festival em Berlim. A história dele é contada em fotos na exposição que acompanhou as sessões, muitas vezes seguidas por debates com o público.

"As pessoas me fazem perguntas curiosas, querem saber por que toquei no césio, por exemplo", conta sobre a interação com os alemães. "É importante estar aqui para contar uma história triste que não pode ser esquecida", comentou sobre a ida a Berlim, seu primeiro voo internacional.

A exposição menciona a visita a Goiânia de Winfried Koelzer, físico alemão do Centro de Pesquisa Karlsruhe. Segundo reportagem do New York Times publicada em 1987, Koelzer sugeriu que o governo usasse robôs no trabalho de descontaminação devido ao nível de radiação. Odesson Alves Ferreira, que encontrou o pesquisador em diversas ocasiões naquela época, diz que as sugestões de Koelzer nunca foram postas em práticas e que ele foi convidado a se retirar do Brasil pelas autoridades.

As fotos organizadas pelos curadores do festival irão viajar pela Alemanha numa exposição itinerante e devem passar por escolas, universidades e institutos.

Dentre os 28 filmes apresentados, o documentário Cesium I blodet, do sueco Lars Westman, foi exibido pela primeira vez na Alemanha. O jornalista, que chegou a Goiânia logo após o reconhecimento oficial do acidente radiativo, reuniu imagens impressionantes dos trabalhos de descontaminação e das vítimas.

Westman refez as entrevistas três e 15 anos após a catástrofe, colheu depoimentos de Devair Alves Ferreira e Ivo Alves Ferreira, irmãos de Odesson. Ivo era pai da menina Leide das Neves, a primeira a morrer. Dias depois da última gravação, ele faleceu.

O filme, de 70 minutos, ficou pronto em 2009. Segundo o diretor do festival, nenhum canal de televisão – no Brasil ou na Suécia – quis exibir o material.

Problema global

Na plateia, Sebastian Pflugbeil, presidente da Sociedade Alemã para Proteção contra Radiação, veio em busca de mais detalhes da tragédia brasileira. "Acredito que esse caso do césio 137 não é conhecido na Alemanha", opina.  

Segundo o físico, a sociedade foi fundada após o acidente nuclear de Chernobyl, em 1986, e atuou para que os riscos nunca sejam ignorados por empresas que atuam no setor e pelo governo. "Tantos anos se passaram, mas algo não muda: não se pode parar uma fonte de  radiação", comenta.

Criado na antiga Alemanha Oriental, onde estudou física e se tornou um dos raros especialistas no assunto naquela parte do país, Pflugbeil acredita que descaso e demora de governos em reconhecer vítimas da radiação – como relatado por Odesson Alves Ferreira – não é algo exclusivo do Brasil.  

"Os trabalhadores das usinas de urânio da antiga Alemanha Oriental continuam brigando até hoje para que sejam reconhecidos como vítimas. Eles têm muitas doenças e tipos de câncer que, até hoje, não foram reconhecidos pelas autoridades como associados ao trabalho na mina de urânio", comenta Pflugbeil sobre casos registrados na Saxônia e na Turíngia.

(Com a Deutsche Welle)

Homenagem a Che

                                                                                   
Potiguara Lima

Po­demos pensar no mundo a partir das con­di­ções de vida que são apre­sen­tadas para nos fa­zermos po­tentes em nossos ideais e em nossos so­nhos. O pe­ríodo his­tó­rico pro­fun­da­mente grave em que vi­vemos, em que se re­co­locam e apro­fundam toda forma de in­jus­tiça, re­quer que os de­fen­sores desse es­tado de coisas se es­pe­ci­a­lizem em co­agir qual­quer pessoa que se re­bele contra os se­nhores do mundo e seus in­te­resses.

É ne­ces­sário nos sa­cu­dirmos e nos li­vrarmos a todo mo­mento das teias da in­di­fe­rença, da re­sig­nação, da in­to­le­rância, do ódio. Somos ins­tados a nos curvar di­ante da po­tência in­fame da­queles que ex­ploram nosso povo de forma brutal e querem acre­ditar e nos fazer acre­ditar que hu­mi­lham nossas lu­ta­doras e lu­ta­dores.

Nossos ini­migos, aqueles que contam seu en­ri­que­ci­mento diário aos mi­lhares, aos mi­lhões, fingem se in­con­formar com os pro­blemas do mundo: “quanta in­com­pe­tência e ine­fi­ci­ência!” - não cansam de re­petir os mag­natas do mundo em­pre­sa­rial e fi­nan­ceiro. Ao mesmo ins­tante em que isso é afir­mado, já abo­ca­nham mais al­guns mi­lhões na so­ci­e­dade trans­for­mada em cas­sino. 

No jogo do mer­cado, apa­ren­te­mente as­sép­tico e quase neutro para al­guns, os ga­nhos se dão em cima de mais mi­séria e so­fri­mento hu­mano. E um dos prin­ci­pais de­sa­fios das classes do­mi­nantes é o de con­vencer sobre a acei­ta­bi­li­dade e o ca­ráter pri­vado do so­fri­mento so­ci­al­mente de­ter­mi­nado. “Se pre­o­cupe com você mesmo e cuide do seu so­fri­mento!”

Nestes dias, ce­le­bramos a morte de al­guém que é sím­bolo de um tipo de exis­tência que “diz” com a pró­pria vida, e com a pró­pria morte, que viver em co­ni­vência às in­jus­tiças e ba­ju­lando os reis da ti­rania, os he­róis do ca­pi­ta­lismo, é viver in­dig­na­mente. 

O exemplo de Che foi acima de tudo o de mos­trar que o con­forto, a ade­quação à ordem das agra­dá­veis sen­sa­ções bem com­pradas, com pra­zeres bem postos por con­sumo e por status, dis­torcem o real sen­tido da exis­tência hu­mana. “Essa vida” nos mos­trou que é pos­sível am­pa­rarmo-nos na in­dig­nação e que po­demos sempre, co­ti­diana e ex­tra­or­di­na­ri­a­mente, fa­zermos de nossa in­dig­nação po­tência. Assim, e só assim, a vida se con­funde com o tra­balho e o sen­ti­mento de trans­formar e estar no mundo.

Che sabia que her­damos um mundo com muita ri­queza. A hu­ma­ni­dade aprendeu a usar de vá­rias formas de energia, a ma­ni­pular e mesmo criar di­fe­rentes ma­te­riais e co­nhe­cemos muito dos ci­clos na­tu­rais. Mas todas essas con­quistas, frutos de toda a evo­lução desde os que pri­meiro foram tendo a pos­si­bi­li­dade de or­ga­nizar seu papel no mundo (que nem esses hu­manos que co­nhe­cemos por sinal eram), estão sendo mal­ditas por um sis­tema que se es­pe­ci­a­liza em uti­lizar ir­ra­ci­o­nal­mente a energia e tudo o que a na­tu­reza dispõe, tendo ins­tau­rado o des­per­dício como ne­ces­si­dade e a de­gra­dação do mundo como regra. Che também per­cebeu que a uti­li­zação e des­carte das vidas hu­manas, em ex­plo­ração, in­di­fe­rença, so­fri­mento e morte, também foi sempre uma ne­ces­si­dade cres­cente do ca­pi­ta­lismo.

Nesse mo­mento, per­so­na­gens po­lí­ticos pre­po­tentes, cí­nicos e ig­no­rantes ga­nham es­paço para apre­sen­tarem saídas que ra­di­ca­lizam a forma do­mi­nante de tratar os pro­blemas do mundo. Os que também con­cordam com o status quo, mas acham que o apro­fun­da­mento do ca­pi­ta­lismo tem de vir com es­ta­bi­li­dade po­lí­tica estão des­mo­ra­li­zados, e não po­deria ser di­fe­rente.

Di­ante de um im­passe his­tó­rico da en­ver­ga­dura do que vi­vemos há an­seio por saídas que se pro­põem a ir à raiz dos pro­blemas, le­gi­ti­mando ou ques­ti­o­nando com te­na­ci­dade os pro­blemas so­ciais. Com o agra­va­mento dos con­flitos de classe, estão co­lo­cadas formas de vi­o­lência dis­tintas: de um lado, aqueles que querem re­solver os pro­blemas vi­o­len­tando ainda mais os po­bres e a na­tu­reza, cri­ando um mundo de in­to­le­rância, medo e re­sig­nação à mi­séria e a toda sorte de so­fri­mento so­cial; de outro, estão aqueles que se dis­põem a fru­ti­ficar seus an­seios de jus­tiça em toda forma de luta por di­reito e dig­ni­dade. Estes úl­timos têm apren­dido que des­mas­carar os vi­ga­ristas bi­li­o­ná­rios e todo o seu sé­quito é e será a ati­tude mais re­pro­vável, a vi­o­lência mais inad­mis­sível exis­tente para as classes do­mi­nantes. 

Che levou ao pa­ro­xismo a luta contra as in­jus­tiças. Com­pre­endeu o ab­surdo das re­la­ções hu­manas de seu tempo, de nosso tempo, su­ge­rindo e en­si­nando que a or­ga­ni­zação po­pular contra a ex­plo­ração tem con­sequência prá­tica e re­vo­lu­ci­o­nária.

Abre­viar cro­no­lo­gi­ca­mente a vida sig­ni­ficou para o nosso com­pa­nheiro la­tino-ame­ri­cano, e sím­bolo de re­beldia dos povos opri­midos do mundo, pre­en­cher de vida a his­tória. Por isso, onde há luta contra toda forma de in­jus­tiça, Che vive!

(*) Po­ti­guara Lima é edu­cador.

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=5538067426554059193#editor/target=post;postID=568471795746967631

(Com o Correio da Cidadania)

551 delegadas contribuirão com sabedoria política no próximo Congresso Nacional do PCCh


                                                               
Cada vez mais mulheres participam nos assuntos políticos na China. (Foto: Xu Ye/Diário do Povo)


 Hou Lulu (*)

Um total de 551 delegadas, 24,1% dos 2.287 representantes eleitos, irão participar no 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh), a ser realizado a partir do dia 18 de outubro, em Beijing.

A proporção é 1,1% maior do que em 2012, quando o PCCh realizou o seu 18º Congresso Nacional.
O número aumentou visto cada vez mais mulheres chinesas serem bem sucedidas nas suas carreiras políticas.

Hua Chunying, eleita como delegada no Congresso Nacional deste ano, é uma das porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores da China. Zhang Qiyue, Consul Geral da China em Nova Iorque, foi eleita como delegada do 16º, 17º e 18º Congresso Nacional do PCCh.

A participação das mulheres nos assuntos políticos é um importante indicador de avaliação do progresso democrático de um país. As mudanças são atribuídas aos grandes esforços da China para promover a igualdade de gênero e proteger os direitos e interesses das mulheres nos últimos anos.

A lei anti-violência doméstica implementada pela China desde março de 2016, por exemplo, oferece às mulheres uma nova arma para proteger os seus direitos pessoais.

Até ao final de julho deste ano, um total de 322,11 bilhões de yuans (cerca de 49 bilhões de dólares) em empréstimos foi concedido a startup exclusivamente femininas, beneficiando cerca de 5,89 milhões de mulheres.

Além disso, a China realizou exames gratuitos de despiste de câncer cervical para mais de 60 milhões de mulheres e exames gratuitos de detação de câncer de mama para mais de 10 milhões de mulheres nas zonas rurais.

Com uma melhor proteção dos seus direitos e interesses, as mulheres chinesas têm desempenhado um papel cada vez mais importante no desenvolvimento nacional.

A expectativa de vida média das mulheres chinesas atingiu os 79,43 anos em 2015, um aumento de 2,06 anos em comparação com 2010. Concomitantemente, a taxa de mortalidade materna foi de 20,1/100.000, reduzindo em quase 10% em comparação com o valor de 2010.

As mulheres representam 42,9% do número total de funcionários na China, e, 55% dos empresários online são do sexo feminino.

Além disso, 66% das medalhas recebidas pela China nos Jogos Olímpicos de Verão de Rio 2016 foram conseguidas por atletas do sexo feminino.

O país continuará a fazer mais esforços no futuro, por forma a resolver problemas existentes para as mulheres a nível do casamento, emprego, segurança social, direitos e interesses fundiários, bem como direitos pessoais, disse Shen Yueyue, presidente da Federação Nacional de Mulheres da China.

(*) Jornalista do Diário do Povo)

"Intimidade Indecente" - Estreia simultânea em BH e Hamburgo (Alemanha) dia 19



Também alemães de joelhos contra o racismo


Livro descreve como empresas alemãs usaram repressão e corrupção para atuar no Brasil; veja vídeo



Joana Monteleone e Lorena Alves 

Autor do livro "Empresas alemãs no Brasil: o 7X1 na economia", Christian Russau lembra, por exemplo, que a empresa de automóveis Volkswagen forneceu informações sobre trabalhadores para o Dops (Departamento de Ordem Política e Social)
      
"Como a Volkswagen era na época da ditadura militar uma das maiores empresas da América Latina, tinha a condição logística e financeira de vigiar os seus trabalhadores e também trabalhadores de outras empresas do Brasil". 


A afirmação é do jornalista alemão Christian Russau, autor do livro "Empresas alemãs no Brasil: o 7X1 na economia", que, em entrevista a Opera Mundi, conta como fez sua pesquisa sobre as empresas alemãs no Brasil e como elas usaram artifícios como a corrupção e a colaboração com a repressão para atuar no país.

Russau lembra que a empresa de automóveis alemã Volkswagen forneceu informações sobre trabalhadores para o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), órgão de repressão da ditadura militar no Brasil. Essas informações, diz, eram passadas aos agentes do governo em chamadas "listas sujas". 

"No Arquivo Público de São Paulo e no de outros Estados foram achados documentos com carimbos da Volkswagen contendo informações sobre trabalhadores”, diz. A Volkswagen nomeou um historiador, Christopher Kopper, que confirmou a colaboração da empresa com a ditadura em julho deste ano. 

“Eu posso dizer que havia uma colaboração regular entre o departamento de segurança da VW do Brasil e os órgãos policiais do regime”, afirmou Kopper, e citou que a Volkswagen “autorizou prisões” dentro do complexo.

(Com Opera Mundi)

Bloqueio de Cuba

Osval/Juventud Rebelde

MOSTRA DE FILMES SOVIÉTICOS NA TV BRASIL

                                                                     
A “MOSTRA DE FILMES SOVIÉTICOS” será exibida na TV Brasil, de hoje ao próximo dia 25. A maioria dos filmes é inédita na TV brasileira. Vale a pena gravar e divulgar entre estudantes e colegas.
A série se inicia, neste domingo (15/10), com o clássico “O encouraçado Potemkim”, do genial diretor Serguei Eisenstein. 

Os demais filmes são: "O Conto do Czar Saltan" (dia 16), "Vassa" (17), "A Mãe" (18), "Boris Godunov" (19), "Um Acidente de Caça" (20), "Arsenal" (21), "O Velho e o Novo" (22), "As Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolcheviques" (23), "Cossacos do Kuban" (24) e "Lênin em Outubro" (25). Todos os filmes serão exibidos a partir das 23 hs.