sábado, 19 de janeiro de 2019

Violência a jornalistas cresce e Fenaj defende criação de protocolo de atuação policial em manifestações

                                                                                     
                                                                       

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) lançou oficialmente sexta-feira (18) o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2018. O documento constata crescimento de 36,36% no número de agressões a profissionais de imprensa em relação ao ano anterior. 


Durante o evento de apresentação do levantamento, a presidente da Federação, Maria José Braga, defendeu que o poder público e as empresas de comunicação adotem com urgência medidas para garantir a integridade dos profissionais. 


Entre as medidas defendidas pela Fenaj, estão a criação de um protocolo de atuação das polícias em manifestações públicas e a garantia, por parte das empresas de comunicação, de adoção de providências para diminuir os riscos para cada situação específica. 

"Essas medidas podem e devem variar. Em um caso pode ser necessário, por exemplo, a utilização de equipamentos de proteção individual. Em outro, pode ser melhor o jornalista não estar sozinho", afirmou a dirigente. 


Na última quarta-feira (16), o fotógrafo Daniel Arroyo, da Ponte Jornalismo, tornou-se uma das mais recentes vítimas da falta de protocolos de ação em atos públicos. 

O profissional teve o joelho direito ferido ao ser atingido por um tiro de bala de borracha disparado a curta distância pela Polícia Militar. O fato aconteceu durante uma manifestação popular contra o aumento da passagem dos ônibus.  

                                         135 ocorrências        
                                                            
O relatório da FENAJ revela que os casos de agressões a jornalistas cresceram 36,36%, em relação ao ano de 2017. Foram 135 ocorrências de violência, entre elas um assassinato, que vitimaram 227 profissionais. E os números mostram que esse incremento esteve diretamente relacionado à eleição presidencial e episódios associados a ela, como a condenação e prisão do ex-presidente Lula.

Eleitores/manifestantes foram os principais agressores, sendo responsáveis por 30 casos de violência contra os jornalistas, o que representa 22,22% do total. Entre esse grupo, os partidários do presidente eleito Jair Bolsonaro foram os que mais agrediram a categoria, somando 23 casos. Já os partidários do ex-presidente Lula, que não chegou a ser candidato, estiveram envolvidos em sete episódios.

A greve dos caminhoneiros (movimento com características de locaute) também contribuiu para alterar o perfil dos agressores. Com 23 casos (17,04% do total), os caminhoneiros ficaram sem segundo lugar na lista dos que cometeram atos de violência contra os jornalistas.

Caminhoneiros e eleitores/manifestantes foram os responsáveis pelo crescimento significativo do número de agressões físicas, agressões verbais, ameaças/intimidações e impedimentos ao exercício profissional.

Os jornalistas foram vítimas também de políticos, policiais, juízes, empresários, dirigentes/torcedores de times de futebol e populares. Além do assassinato, das agressões físicas e verbais, das ameaças/intimidações e dos impedimentos ao exercício profissional, houve ainda casos de cerceamento à liberdade de imprensa por decisões judiciais, censuras, atentados, prisão e práticas contra a organização sindical da categoria.

Para a presidenta da FENAJ, Maria José Braga, o crescimento da violência contra jornalistas é uma demonstração inequívoca de que grupos e segmentos da sociedade brasileira não toleram a divergência e a crítica e não têm apreço pela democracia. Segundo ela, é preciso medidas urgentes por parte do poder público e das empresas de comunicação para garantir a integridade dos profissionais.
                                                                     
Entre as medidas defendidas pela FENAJ, estão a criação de um protocolo de atuação das polícias em manifestações públicas e a garantia, por parte das empresas de comunicação, de adoção de medidas mitigatórias dos riscos para cada situação específica. “Essas medidas podem e devem variar. Em um caso pode ser necessário, por exemplo, a utilização de equipamentos de proteção individual. Em outro, pode ser melhor o jornalista não estar sozinho”, comentou.

Maria José também ressaltou o crescimento das ameaças/intimidações e agressões verbais praticadas por meio das redes sociais. Para a ela, esses casos também são graves e precisam ser denunciados, para que os agressores sejam identificados e punidos.


Rosa Luxemburgo

                                                                        
                
                 100 ANOS DO ASSASSINATO DE ROSA E LIEBKNECHT
  
                           "Ela era a “a águia polonesa"

Fundação Dinarco Reis

Nascida na Polônia em 5 de março de 1871, Rosa Luxemburgo se tornaria uma da principais teóricas e militantes da história do marxismo. Suas contribuições ao marxismo viriam em múltiplas esferas: polemizando no interior da Social Democracia Alemã contra o revisionismo, contribuindo com a renovação do pensamento teórico, analisando o movimento de desenvolvimento do imperialismo e cumprindo destacado papel na reorganização do movimento comunista europeu e mundial após a traição dos principais dirigentes e organizações vinculados à Internacional Socialista.

Rosa Luxemburgo foi assassinada em janeiro de 1919, junto com Karl Liebknecht, pelas forças do governo alemão, que contava com a colaboração da Social Democracia Alemã, cuja traição já havia sido denunciada por ela. Sua precoce morte não impediu que vida e obra servissem de exemplo e guia para comunistas e socialistas de todo o mundo. 

Nas palavras de Lenin,
ela era a “a águia polonesa”.

Num ambiente fortemente marcado por tradicionalismos e machismo, Rosa defendeu sua tese de doutorado ainda em 1898 e logo em seguida participou de intensa polêmica com o maior expoente do socialismo evolucionista, Eduard Bernstein. Opondo-se ao reformismo e defendendo a perspectiva revolucionária, Rosa afirmou: “Entre a reforma social e a revolução, a socialdemocracia vê um elo indissolúvel: a luta pela reforma é o meio, a revolução social é o fim”.

Rosa foi presa em 1914 sob acusação de incitar a desobediência civil nas suas duras críticas à guerra e ao imperialismo, mas, mesmo presa, cumpriu importante papel junto à vanguarda da classe proletária alemã. Ironizando a postura das lideranças da Social Democracia europeia em relação à guerra afirmou: “Proletários de todos os países, uni-vos em tempo de paz e degolai-vos uns aos outros em tempo de guerra”. Em apoio ao processo revolucionário, escreveu A Revolução Russa, tecendo críticas aos bolcheviques, mas reconhecendo que:
A
“Lênin, Trotsky e seus amigos foram os primeiros a dar o exemplo ao proletariado mundial. Eles são ainda os únicos que podem exclamar com Huten: Eu ousei! Eis o que é essencial e duradouro na política dos bolcheviques. Conquistando o poder e colocando praticamente o problema da realização do socialismo, fica-lhes o mérito imorredouro de terem dado o exemplo ao proletariado internacional e um enorme passo no caminho do ajuste de contas final entre o capital e o trabalho no mundo inteiro. Na Rússia, o problema não poderia ter sido senão colocado. E é nesse sentido que o futuro pertence em toda a parte ao bolchevismo”.

Libertada apenas em 1918, esteve à frente da Liga Espartaquista e participou da fundação do Partido Comunista da Alemanha (KPD). Após a derrocada da revolução alemã, em 15 de janeiro de 1919, Rosa e os principais líderes do Partido foram presos e levados para interrogatório, jamais sendo vistos novamente. Rosa e Liebknecht foram executados e seus corpos jogados nas águas geladas de um canal em Berlim.

Em texto publicado em 2005, o intelectual e militante marxista Nestor Kohan destacou, a respeito do assassinato dos líderes comunistas alemães e da traição da socialdemocracia:

“Em 9 de novembro de 1918 (um ano depois da revolução bolchevique na Rússia) começou a revolução alemã. Foram dois meses de agitação ininterrupta. Depois de uma greve geral, os trabalhadores insurretos – dirigidos pela Liga Espartaquista – proclamaram a república, formaram conselhos revolucionários de operários e soldados. Enquanto Kautsky e outros socialistas mostravam vacilação, o grupo maioritário na social-democracia alemã (comandado por Friederich Ebert [1870-1925] e Philip Schleidemann [1865-1939]) enfrentou com violência e sem contemplações os revolucionários.

Foi assim que Gustav Noske [1868-1947], membro deste grupo (o SPD), assumiu o Ministério da Guerra. A partir desse cargo e com a ajuda de oficiais do antigo regime monárquico alemão, organizou a repressão dos insurretos espartaquistas. Entretanto o diário oficial social-democrata Vorwarts [Avante] publicava editais chamando os Freikorps – ‘corpos livres’, nome dos comandos terroristas da direita – para combaterem os espartaquistas, oferecendo-lhes ‘salário, teto, comida e cinco marcos extra’.

Em 15 de janeiro de 1919, Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo são capturados em Berlim pelos encolerizados soldados. Horas mais tarde são selvagemente assassinados. Pouco depois, León Jogiches [1867-1919], companheiro de amor e militância de Rosa Luxemburgo durante muitos anos, é igualmente assassinado. O corpo de Rosa, já sem vida, é jogado pela soldadesca em um rio. O seu cadáver foi encontrado em maio, cinco meses depois.

A responsabilidade política que a social-democracia reformista teve no covarde assassinato de Rosa Luxemburgo e dos seus companheiros já nenhum historiador a discute. Esse ato de barbárie ficou como uma mancha moral que dificilmente se apagará com o tempo.

Mas a memória imortal de Rosa, o seu pensamento marxista, a sua ética revolucionária e o seu inflexível exemplo de vida, continuam vivos. Afetuosamente vivoAs. Na ponte onde os seus assassinos arrojaram o seu corpo à agua continuam a aparecer, periodicamente, flores vermelhas. As novas gerações, envolvidas em força na luta contra o capital globalizado e o imperialismo, não a esquecem.”

Permanecem absolutamente atuais e necessárias as frases de Rosa: “Há todo um velho mundo ainda por destruir e todo um novo mundo a construir. Mas nós conseguiremos.”

(Com a Fundação Dinarco Reis)

Dolores Ibárruri, La Pasionaria

                                             

             
                "É melhor morrer de pé que viver de joelhos"

"Bonitinha, a Galinha Amorosa" , videolivro feito na unha, de autoria de Dorinha Aguiar

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O aperto de mãos

                                                          


Costume antigo

O aperto de mão existe há pelo menos dois mil anos. Ele foi documentado na Antiguidade, como neste frasco grego que retrata o gesto entre deuses. Mas os gregos da época, por acreditarem que as doenças estavam relacionadas ao equilíbrio de humor no corpo e representavam punição divina, nunca relacionaram essa saudação a enfermidades.

(Com a DW)

Quebrando o muro

Vasco Gargalo/Rebelión

Vamos todos às ruas apoiar a nova Constituição e, de e quebra, una daiquiri com paella no La Floridita...

Martirena e o Referedo

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Taí grande filme de 2018. Creio que a segunda parte também estaria saindo.Com a produção a gente se sente mais brasileiro e tem ânsias de pôr esses corruptos na penitenciária...

Piscininha, amor, Uma delícia de verão...Vou aderir, em meu latifúndio da Piteira...Assim, assim, sem mojito, só com ótima vokka, dois dedos de prosa, quatro churrasquinhos de peroá, uma farofinha, uma pinguinha do Evandro Perché e um velho samba de Martinho da Vila...Quer Carnaval melhor?

Olha aí o Hotel Nacional, um bom lugar para se tomar um mojito de jeito, em Havana, de olho no Maleccón. O Hotel está completando 88 anos...Ah! Que tal um café de Sierra Maestra ? Não precisa viajar. Está em promoção no Verde Mar, aqui em BH mesmo...Não custa nem 12 reais, dez deliciosas xícaras...(José Carlos Alexandre)


Previdência é direito, não mercadoria

                                                                        

Paulo Kliass (*)

 Com o transcorrer dos primeiros dias do governo do capitão e dos seus generais, as diferentes opiniões e projetos de sua equipe começam a apresentar seus conflitos de forma explícita perante a sociedade. Pouco a pouco começa a ficar mais claro que a eleição de outubro passado deveu-se muito mais a uma confluência de interesses e descontentamentos do que à concordância afirmativa quanto a um programa de governo.

As idas e vindas, os recuos e desmentidos, as bateções de cabeça, enfim a vacilação e a incerteza tem sido a marca permanente até o momento. Esse quadro de indefinição tem sido uma constante em áreas tão distantes como o reconhecimento da capital israelense em Jerusalém, medidas para ampliar o porte de arma, a saída de acordos globais articulados pela ONU, programas na área educacional, demarcação de terras indígenas ou mesmo a política de alianças da base de apoio do novo governo na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

A indefinição estratégica também se faz presente na área que o próprio núcleo econômico do governo tem apresentado, desde ainda da época do debate eleitoral, como sendo a mais essencial para o futuro do País. Trata-se da Reforma da Previdência. 

Os grandes meios de comunicação e os conhecidos “especialistas” do mercado financeiro não perdem a oportunidade de repetir “ad nauseam” que nada será conseguido, em termos de recuperação da atividade econômica, caso não sejam aprovadas as mudanças inspiradas na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) enviadas ainda no início do governo de Michel Temer.

As informações falseadas a respeito das dificuldades enfrentadas pelo Regime Geral da Previdência Social (RGPS) criaram uma abordagem distorcida da situação das contas do INSS, com o objetivo de desacreditar o modelo aos olhos do conjunto da sociedade. Esse verdadeiro clima de catastrofismo pretende atuar como elemento de chantagem e pressão junto aos integrantes do Congresso Nacional, com o intuito de facilitar a aprovação das maldades contra a previdência pública. 

O ponto essencial a reter é que o quadro atual de descompasso entre receitas e despesas no interior do RGPS quase nada tem a ver com algum “desequilíbrio estrutural” do modelo previdenciário. E muito menos a ver com a existência de aposentadorias e pensões elevadas ou de privilégios para os ricos. Os números dos próprios documentos oficiais nos informam que por volta de 99% dos benefícios dos trabalhadores rurais são de valores inferiores ou iguais a um salário mínimo mensal. 

No caso do universo total do INSS, esse percentual é de 70 %. E mais de 90% deles são inferiores a 3 salários mínimos. Convenhamos que não se pode dizer que estejamos diante de aposentadorias e pensões das elites de nossa sociedade. 

Mas o fato é que a sanha destruidora de Paulo Guedes parece não ter limites. Não contente em dar sequência à tramitação da PEC de autoria de Meirelles & Temer, ele quer ainda mais sangue. Assim, ao que tudo indica, não basta apenas a redução de direitos, o aumento de tempo de contribuição, a elevação da idade mínima ou o reconhecimento de especificidades da condição da mulher. Agora o superministro da pretende promover uma mudança ainda mais profunda no regime da previdência.

A proposta a ser encaminhada pelo governo Bolsonaro deverá conter a transformação do regime de repartição em regime de capitalização. Uma loucura! Na prática, essa operação terá o significado de destruir o nosso modelo de previdência pública e abrir o caminho escancarado para sua privatização. Pior ainda, essa mudança retira a natureza da previdência social como um direito de cidadania universal e a transforma em mais uma mercadoria a ser oferecido nas prateleiras do sistema financeiro.

O modelo de repartição pressupõe uma característica de solidariedade intergeracional no sistema previdenciário. Os trabalhadores que estão na ativa, a cada geração, contribuem junto com as empresas e o Estado (o nosso sistema é chamado de tripartite) para assegurar o pagamento de benefícios para os que já estão aposentados. 

É isso que confere a característica social e coletiva ao modelo. E assim há outras previsões de beneficiários, como os que estão doentes ou acidentados. Tudo isso passa longe da ingerência de gestão do sistema financeiro. São mais de 35 milhões de indivíduos que recebem algum tipo de benefício mensal, com um fluxo anual de recursos movimentados superior a R$ 400 bilhões. Não por acaso o financismo sempre olhou para esses números com um olho bem gordo.

O modelo da capitalização é o oposto disso. A previdência passa a ser o resultado de uma conta individual de capitalização, onde o trabalhador recolhe mensalmente um valor junto à instituição financeira que seja responsável pela operação de seu plano. Ora, todos sabemos como são tratadas as questões de divergências entre consumidores e bancos em nosso País. Imaginem como seria eventual pleito de um trabalhador à beira de se aposentar, daqui 30 ou 35 anos, quando ele perceber que as contas estavam equivocadas. Vai reclamar com quem?

Os exemplos que estão mais próximos de nós são do Chile e da Argentina. Ali foi também implementada essa proposta irresponsável de modelo de capitalização. O resultado foi um verdadeiro quadro de desastre social décadas após as mudanças. Sim, pois os efeitos só são sentidos a partir do momento em que a próxima geração começar a bater às portas do sistema para exigir seus direitos de aposentadoria. E o que ocorreu foi a incapacidade de cumprir com os compromisso, pois os bancos não tinham mais recursos disponíveis para tanto. O quadro de miséria se aprofundou, os bancos acumularam vultosos lucros ao longo do processo e o sistema teve de ser novamente reestatizado para assegurar a continuidade de algum tipo de benefício previdenciário.

Por outro lado, o governo finge desconhecer o verdadeiro rombo que tal mudança vai causar no RGPS. Afinal, se todos os novos participantes vão ser obrigados a entrar no sistema individual, haverá uma queda ainda mais brutal de arrecadação no RGPS. E esse buraco deverá ser custeado com aportes do Tesouro Nacional. Assim, cai por terra o argumento de que a mudança é necessária para resolver o problema nas contas públicas.

Na verdade, é uma falácia essa estória de que a Reforma da Previdência seja uma condição “sine quae non” para resolver o déficit das contas da União em 2019 ou 2020. O equilíbrio do RGPS só será recuperado com a retomada do crescimento econômico e com a diminuição expressiva do desemprego. Isso porque nossas receitas previdenciárias são ancoradas na folha de pagamento, com o recolhimento de contribuição da parte das empresas e dos trabalhadores. Portanto, sem emprego formal não há receita para o sistema.

A intenção primeira e não declarada de eventual mudança para o regime de capitalização é transferir a gestão desse fundo que movimenta quase meio trilhão de reais ao ano, atualmente sob a responsabilidade do INSS, para a banca privada. Uma oferta generosa, de elevadíssima rentabilidade e sem nenhuma exigência de contrapartida social ou econômica. Um verdadeiro presente de Papai Noel atrasado.

(*) Paulo Kliass é doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal.

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=5538067426554059193#editor/target=post;postID=828795190079417061

(Com o site do PCB)

CIDH manifesta preocupação com atos de violência contra trabalhadores rurais no Brasil



Washington, D.C. – A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifesta sua preocupação com os atos de violência cometidos contra trabalhadores rurais, em 5 de janeiro, na Fazenda Agropecuária Bauru, município de Colniza, Estado de Mato Grosso, Brasil. A CIDH insta o Estado brasileiro a que investigue esses fatos com a devida diligência e a que enfrente as causas estruturais desses atos de violência, vinculados ao acesso à terra.

De acordo com informações de conhecimento público, no sábado, dia 5, membros da segurança da Fazenda Agropecuária Bauru dispararam contra trabalhadores rurais que se dirigiam ao rio Traíra para abastecer-se de água. Em consequência desses fatos, uma pessoa identificada como Eliseu Queres foi assassinada e outras nove teriam sido feridas, das quais três estariam em estado grave. Segundo relato da Comissão Pastoral da Terra (CPT), os trabalhadores eram vinculados à Associação Gleba União, do município de Colniza, e ao Movimento de Luta pela Terra 13 de Outubro.

Conforme informações disponíveis, nos interrogatórios realizados pela Polícia Nacional, os guardas afirmaram que reagiram à invasão de pessoas supostamente armadas. No entanto, os feridos declararam que nenhuma das vítimas portava arma de fogo. A Polícia também informou que haveria indícios de que as pessoas afetadas não estavam armadas, uma vez que somente se encontraram cápsulas do mesmo calibre das armas dos guardas da propriedade rural. As informações indicam que as vítimas que foram baleadas estavam acampadas a 7 km da fazenda, da qual haviam sido retiradas em virtude de uma reintegração de posse, em novembro do ano passado.

A esse respeito, organizações de direitos humanos declararam que esse caso configura uma tentativa de massacre das quase 200 famílias que habitam essas terras, no município de Colniza, algumas das quais vivem em lotes dos quais tomaram posse e outras em lotes comprados, dedicando-se à criação de animais e à produção de alimentos. 

Também organizações da sociedade civil informaram que a área de conflito, conhecida como Fazenda Magali, corresponde a um terreno reclamado pelas famílias de trabalhadores rurais, no contexto da reforma agrária, e também por alguns políticos locais, que alegam ter direitos de propriedade sobre parte da área. As organizações também afirmaram que as famílias cumpriram a decisão judicial da Vara Agrária, em ação possessória, e mudaram o acampamento de local, sem que isso lhes tivesse garantido segurança.

Em suas observações preliminares sobre a visita in loco da CIDH ao Brasil, em novembro de 2018, a Comissão determinou que, de acordo com os registros da CPT, entre as vítimas de homicídios no decorrer de 2017, foram contabilizados 21 trabalhadores rurais sem terra, dos quais 11 eram membros de comunidades quilombolas e seis eram indígenas vítimas da violência decorrente dos conflitos vinculados à terra. Por sua vez, a CPT salientou que só 8% desses assassinatos haviam sido investigados. 

Por ocasião dessa visita, a CIDH recebeu abundantes informações sobre desalojamentos forçados violentos por parte do Estado e de grupos latifundiários. A esse respeito, a Comissão manifestou profunda preocupação com o aumento da violência rural e com o grave problema que dezenas de milhares de famílias do campo enfrentam, anualmente desalojadas das terras que habitam ou ocupam. Frente a essa situação, a CIDH instou o Estado a que adote urgentemente todas as medidas necessárias para garantir o direito à vida, à integridade e à segurança das defensoras e dos defensores do direito à terra e ao meio ambiente no Brasil.

A CIDH observou que os desalojamentos afetam pessoas que se encontram em maior situação de vulnerabilidade e intensificam a desigualdade, os conflitos sociais, a segregação e a criação de guetos. Os desalojamentos forçados são, com frequência, vinculados à falta de certeza jurídica quanto às terras, o que constitui um elemento essencial do direito a uma habitação adequada. Por conseguinte, a CIDH considera pertinente destacar que os desalojamentos devem ser realizados unicamente em observância das normas e padrões internacionais em matéria de direitos humanos e dos princípios de excepcionalidade, legalidade, proporcionalidade e idoneidade, com a finalidade legítima de promover o bem-estar social e garantir soluções à população desalojada, que podem consistir na restituição e no retorno, no reassentamento em uma terra diferente, melhor ou de igual qualidade, e na reabilitação ou justa compensação.

A CIDH ressaltou que, caso seja necessário proceder a um desalojamento, os Estados devem oferecer proteção à dignidade, à vida e à segurança das pessoas desalojadas, assegurando, no mínimo, o acesso a uma alimentação adequada em termos nutricionais e culturais, água potável e saneamento e alojamento com condições adequadas de habitabilidade, entre outros. Além disso, deve-se garantir o acesso seguro a recursos comuns de propriedade dos quais dependiam anteriormente, o que inclui a possibilidade de dispor de seus bens, objetos, cultivos e colheitas.

A Comissão reitera que a ausência, os atrasos excessivos dos processos de demarcação ou titulação das terras, bem como a interrupção desses processos, podem provocar um ambiente propício para o surgimento de conflitos, ao permitir a entrada de fazendeiros ou camponeses em terras tradicionais ou ancestrais. Reitera também que isso contribui para a perda de territórios e terras tradicionais; para o desalojamento e o deslocamento interno e, finalmente, para o reassentamento das pessoas afetadas; para a destruição e a contaminação do meio ambiente tradicional; para o esgotamento dos recursos necessários à sobrevivência física e cultural das comunidades afetadas; e para sua desorganização social e comunitária. Consequentemente, a CIDH recomenda que sejam atendidas as causas estruturais relacionadas aos conflitos vinculados à luta pela terra, com o fortalecimento de políticas públicas dirigidas à reforma agrária e de programas voltados para a prevenção e o atendimento da violência no campo.

Finalmente, a CIDH insta o Governo do Brasil a que investigue com a devida diligência as circunstâncias que cercam os fatos e outros atos de violência contra camponeses sem terra ou assentados, a fim de identificar e punir as pessoas responsáveis e, desse modo, combater a impunidade e evitar a repetição de fatos similares. 

A Comissão insta também a que sejam adotadas todas as medidas necessárias para garantir os direitos à vida e à integridade dos trabalhadores rurais que se encontram sob sua jurisdição, em especial os membros das famílias que se acham localizadas na fazenda mencionada. A CIDH ressalta ainda que, diante de situações dessa natureza, o Estado brasileiro tem a obrigação de adotar medidas para prevenir o deslocamento, proteger e oferecer assistência às pessoas desalojadas durante o deslocamento, prestar e facilitar assistência humanitária e promover soluções duradouras.

FARC repudia atentado em Bogotá


                                                                                                           Prensa Latina
A explosão de um carro bomba em Bogotá deixou 21 mortos e 68 feridos. Foi em uma escola da polícia colombiana, dedicada à formação de oficiais. Como era de se esperar, já começaram a circular acusações ao partido Fuerza Alternativa Revolucionaria del Común (FARC), organização que substituiu a antiga FARC após os acordos de paz de 2016. A FARC se pronunciou: “Rechaçamos contundentemente os graves eventos que se produziram na Escola Geral de Santander. Toda nossa solidariedade com as vítimas”

(Com Ana Prestes/Opera Mundi)

Áreas verdes nas cidades