terça-feira, 23 de maio de 2017

"COMPRA DE SILÊNCIO"

                                       
                     Jornalista processa delator da JBS por
                     calúnia e difamação em depoimento

Pedro Canário

O jornalista Cláudio Humberto ajuizou uma queixa-crime por calúnia e difamação contra o executivo Ricardo Saud, lobista do Grupo J&F, dono do frigorífico JBS. Em delação premiada, Saud disse que pagava R$ 18 mil por mês ao site de Cláudio Humberto para evitar notícias negativas sobre ele. O jornalista afirma que está sendo vítima de vingança por parte do executivo. A ação foi protocolada na segunda-feira (22/5).

Na queixa, Cláudio Humberto diz que o contrato que tinha com o J&F era de publicidade, e não de “compra de silêncio”, como disse Saud à Procuradoria-Geral da República. Saud é um dos delatores envolvidos no acordo de delação assinado pelo Grupo J&F com a PGR. Em seu depoimento, ele diz ser o braço executor de diversas decisões de Joesley e Wesley Batista de pagamento de suborno a políticos e membros do governo.

Cláudio Humberto é dono do site Diário do Poder e produz uma coluna diária de notícias curtas publicada em mais de 30 jornais do país. Foi assessor de imprensa e porta-voz de Fernando Collor quando ele foi presidente da República, entre 1990 e 1992. Ele afirma que a fala de Saud é a forma de ele se vingar por informações reveladas pela coluna em 2014, quando Cláudio disse que Saud era “o homem da mala” da JBS.

Na época, o jornalista disse que Saud dava churrascos de presente ao então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e era o responsável por fazer os pagamentos de doações da JBS a políticos. Segundo Cláudio Humberto, Saud começou a carreira como assessor do ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), cassado sob a acusação de ter recebido propina para a instalação de um restaurante na Câmara.

Em seus depoimentos, Ricardo Saud afirma que foi orientado por Renan a “comprar o silêncio” de Cláudio Humberto. “Tem dois anos que estamos pagando para ele parar de falar mal da gente. Se não pagar, no dia seguinte ele vai lá e fala mal”, depôs o executivo.

Cláudio Humberto afirma que o contrato era de publicidade e foi assinado no dia 5 de fevereiro de 2015. Ele apresentou o contrato na queixa-crime apresentada à Justiça.

Em seu site, divulgou algumas cláusulas. Uma delas, escreveu, diz: “A contratante terá direito à veiculação de banner publicitário, com marca, em espaço disponibilizado pela contratada, no portal Diário do Poder”. Outra afirma que “a presente relação contratual não implica em qualquer compromisso editorial”.

Processo 0007038-98.2017.8.07.0001

(Com a Conjur)

DESIGUALDADE SOCIAL

                                                                                                        Banco Mundial/Mano Strauch                                                               
Novos esforços multilaterais são necessários para tirar 550 milhões de pessoas dessa situação, dizem as Nações Unidas Créditos: Novos esforços multilaterais são necessários para tirar 550 milhões de pessoas dessa situação, dizem as Nações Unidas 

ONU: 6,5% da população
global continuarão na 
pobreza extrema até 2030

Relatório alerta que isso acontecerá se as atuais taxas de crescimento e políticas permanecerem inalteradas

Edgard Júnior

Novos esforços multilaterais são necessários para tirar 550 milhões de pessoas dessa situação, dizem as Nações Unidas - Créditos: Banco Mundial/Mano Strauch

O relatório da ONU sobre Financiamento para o Desenvolvimento 2017, divulgado  segunda-feira (22), afirma que 6,5% da população global continuará na pobreza extrema até 2030, se a atual taxa de crescimento e políticas para o setor permanecerem inalteradas.

Para as Nações Unidas, novos esforços multilaterais são necessários para tirar 550 milhões de pessoas dessa situação.

Durante evento no Conselho Econômico e Social, Ecosoc, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, fez um pronunciamento por vídeo aos participantes do encontro.

Mohammed disse que Agenda de Adis Abeba, a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável e o Acordo de Paris, sobre mudança climática, representam um mapa para um futuro melhor.

De acordo com o relatório da ONU, se a tendência permanecer como agora, irá prejudicar seriamente os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, principalmente o de eliminar a pobreza até 2030.

Os países menos desenvolvidos, chamados de LCDs, devem ficar muito abaixo das metas estabelecidas.

Por exemplo, as projeções indicam que o Produto Bruto Global, o PIB mundial, deve crescer menos de 3% pelos próximos dois anos. O relatório diz que com o lento avanço do comércio internacional, o PIB global avançou menos de 2% em termos de valor anual entre 2011 e 2014.

Ação

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ação imediata dos países para combater o problema. Ele disse que "apesar dos grandes esforços na luta contra a pobreza, a desigualdade aumentou em todo o mundo".

Além disso, "os conflitos estão proliferando e outros problemas como mudança climática, insegurança alimentar e escassez de água estão colocando em risco os progressos alcançados nas últimas décadas".

O relatório diz que muitos dos desafios que os países enfrentam, incluindo o lento crescimento econômico, mudança climática e crises humanitárias, têm efeitos através das fronteiras ou até mesmo globais.

Segundo os especialistas, esses desafios não podem ser enfrentados por apenas uma nação. A solução é uma cooperação multinacional para o desenvolvimento sustentável.

O documento inclui experiências, análises e dados de mais de 50 instituições internacionais que formam a Força Tarefa Interagência sobre Financiamento para o Desenvolvimento.

Neste grupo estão ainda o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a Organização Mundial do Comércio, o Programa da ONU para o Desenvolvimento e a Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento, Unctad.

(Com a Rádio ONU/Brasil de Fato)

A Galícia discute a situação na Venezuela


A ONG Rio de Paz faz ato de protesto no gramado do Congresso Nacional com máscaras representando parlamentares envolvidos em casos de corrupção (Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Instituto de Estudo Latino-Americanos analisa a situação política brasileira

Morre um dos melhores James Bond

                                                       

                  O ator  Roger Moore morre

A estrela de longa data de James Bond morreu aos 89 anos na Suíça depois de uma curta batalha contra o câncer.

Roger Moore, a estrela de cinema de maior prestígio para interpretar o icônico espião britânico James Bond, morreu na Suíça aos 89 anos após um breve ataque com câncer.

"Com o coração mais forte, temos de compartilhar a terrível notícia de que nosso pai, Sir Roger Moore, morreu hoje, estamos todos devastados", disse uma mensagem de sua família na conta oficial do ator, na terça-feira.

"Sabemos que o nosso próprio amor e admiração serão ampliados muitas vezes por todo o mundo, por pessoas que o conheceram por seus filmes, seus programas de televisão e seu trabalho apaixonado pela UNICEF, que ele considerou ser sua maior conquista", uma declaração disse. 

Nascido em Londres, Moore, único filho de um policial, estudou pintura antes de se matricular na Academia Real de Arte Dramática.

Jogou alguns papéis pequenos no teatro e nos filmes antes de seu dever obrigatório do exército, a seguir moveu-se para Hollywood nos 1950s.

Em 1954, ele apareceu com Elizabeth Taylor em The Last Time I Saw Paris e com Eleanor Parker em Interrupted Melody no ano seguinte.

Três anos mais tarde, ele fez seu primeiro filme de Bond Live and Let Die.

Ele faria mais seis: O homem com a arma dourada, 'O espião que me amou, Octopussy, Moonraker, para seus olhos somente e uma vista a uma matança sobre os 12 anos seguintes.

E enquanto o Bond dos romances Ian Fleming que os filmes foram baseados em foi geralmente descrito como sendo em sua 30s, Moore iria ficar com o papel até que ele tinha 57 anos.

Ele continuou a trabalhar regularmente em filmes depois de entregar Bond a Timothy Dalton, mas nunca com o mesmo sucesso. Seus filmes pós-Bond incluíam esforços tão esquecidos como The Quest com Jean-Claude Van Damme e Spice World com as Spice Girls.

Papel do UNICEF

Em 1991, Moore se tornou um embaixador da benevolência para UNICEF, tendo sido introduzido ao papel pela actriz atrasada Audrey Hepburn. Como Hepburn tinha, ele jogou muita da sua energia para a tarefa.

"Senti-me pequeno, insignificante e bastante envergonhado por ter viajado tanto fazendo filmes e ignorado o que estava acontecendo ao meu redor", disse ele ao descrever como o trabalho o afetou.

Moore recebeu o Dag Hammarskjold Inspiration Award por seu trabalho com a UNICEF e foi nomeado comandante da Ordem Nacional de Artes e Letras da França em 2008, um prêmio que ele disse valia "mais do que um Oscar".

Nesse mesmo ano, ele publicou uma autobiografia, "My Word Is My Bond", que inclui detalhes sobre seu trabalho nos filmes Bond, sua amizade com Hepburn, seus encontros com Cary Grant, Frank Sinatra, Elizabeth Taylor e outras estrelas. 

(Com a Al Jazeera)

Corruptores não podem cometer crimes e ir aos EUA 'comer camarão', afirma especialista

                                                                     
O mais recente escândalo de corrupção envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), entre outros nomes, evidencia uma falta de punição à corrupção e afasta investidores, na avaliação do especialista em segurança e contrainteligência empresarial Ricardo Gennari.

O professor da FIA/FIPE afirma que a delação da JBS "traz um sinal negativo para os investidores" e deixa o país com sua segurança jurídica e política afetadas. As denúncias, avalia Gennari, vão afetar a avaliação que órgãos de compliance de bancos e empresas fazem do Brasil já que o cenário atual é de instabilidade política.

Além de simplificar a legislação e acentuar a independência de órgãos de investigação como o Tribunal de Contas e o Ministério da Fazenda, na opinião de Gennari, falta punição aos criminosos de colarinho branco.

"Estamos vendo apenas uma parte da punição, porque esses irmãos Batista (Joesley e Wesley) saíram do Brasil, mesmo com a delação que fizeram, existe uma certa impunidade no sentido deles, quer dizer, eles fizeram uma delação e estão nos Estados Unidos, em Nova York, comendo camarão, e o Brasil ficou nessa crise."

Joesley Batista, responsável por gravar o presidente, viajou para os Estados Unidos após fechar seu acordo de delação premiada. Já Wesley, segundo o que a JBS informou ao jornal Folha de S. Paulo, continua trabalhando normalmente no Brasil.

Gennari também destaca que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), responsável pela "inteligência financeira", não está cumprindo com seu trabalho.

"Qual controle está sendo feito dessa saída de recursos do sistema financeiro? Nós estamos falando em bilhões, não em dinheiro de doce. Como está saindo isso e não está sendo monitorado? O COAF precisa responder porque isso não está acontecendo."

(Com Sputnik)

Criança rasga equivalente a R$ 23 mil em cédulas durante brincadeira na China

                                                                               

Pai passou dois dias tentando juntar notas, mas foi uma tarefa complicada; "Tentei com muito cuidado durante dois dias, mas só pude consertar algumas. Algumas foram rasgadas em dois pedaços e outras em 10. É muito duro"
      
Uma criança chinesa de cinco anos rasgou notas dinheiro no total de 50 mil iuanes (cerca de US$ 7,25 mil, aproximadamente R$ 23) que seu pai havia escondido em casa, de acordo com reportagem publicada nesta segunda-feira (22/05) o jornal independente South China Morning Post.

A criança, que vive na cidade de Qingdao, província de Shandong (nordeste da China), encontrou um maço de notas de 100 iuanes com a efígie de Mao Zedong, que estava escondido, e resolveu brincar com ele, rasgando as cédulas enquanto seus pais estavam fora de casa.

Após descobrir a “façanha” do seu filho, o pai, identificado só pelo sobrenome Gao, disse que levou os pedaços da nota a um banco próximo para pedir ajuda, mas disseram que tinha que juntar todos os pedaços para que o banco pudesse trocá-las por novas.

O pai passou dois dias tentando, mas foi uma tarefa complicada. "Eu tentei com muito cuidado durante dois dias, mas só pude consertar algumas. Algumas foram rasgadas em dois pedaços e outras em 10. É muito duro", disse. O pai, que é empresário, disse que o dinheiro era proveniente de um empréstimo do banco. 

(Com Opera Mundi/Efe)

Frente e verso

Elchicotriste/Rebelión

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Primeiro hotel cinco estrelas de Cuba começa a receber hóspedes

                                                                              
Hotel, que conta com 246 quartos, funciona em um prédio histórico, no centro antigo de Havana; processo de restauração manteve a fachada original e diversos aspectos arquitetônicos do prédio
      
O hotel de luxo Gran Hotel Manzana Kempinski La Habana começa a receber nesta segunda-feira (22/05) seus primeiros hóspedes, segundo o jornal Cubadebate. A instalação turística, primeira da categoria cinco estrelas plus no país, foi construída com capital 100% cubano.

“Estamos muito contentes de que a porta para as Américas seja Cuba”, disse Xavier Destribats, diretor-geral do empreendimento. A inauguração oficial deve acontecer nos próximos dias, mas o hotel já recebe os primeiros hóspedes.

O hotel, que conta com 246 quartos, funciona em um prédio histórico, no centro antigo de Havana. O edifício La Manzana de Gómez começou a ser construído em 1890 e só foi concluído na década de 1910, quando se tornou o primeiro centro comercial do país, com mais de 500 lojas e escritórios espalhados por cinco pavimentos.

O processo de restauração, iniciado em 2014, manteve a fachada original e diversos aspectos arquitetônicos do prédio, como o pé-direito alto nos quartos e suítes.

Na cobertura, um terraço e uma piscina têm vista para La Habana Vieja, o centro histórico e colonial da cidade. 

Além disso, o hotel também conta com um spa, restaurante panorâmico e salas de reuniões. Entre os marcos nos arredores estão o Edifício Bacardi, o Museu Nacional de Belas Artes e o bar La Floridita, um dos mais famosos da capital cubana. O Capitólio, O Grande Teatro de Havana e o Paseo del Prado também ficam por perto.

(Com Opera Mundi)

Fotografias sem Retoques do Trabalho Global

                                                                          

Ricardo Antunes

Nas úl­timas dé­cadas do sé­culo pas­sado flo­res­ceram muitos mitos acerca do tra­balho. Com o avanço das tec­no­lo­gias de in­for­mação e co­mu­ni­cação não foram poucos os que pas­saram a acre­ditar que uma nova era de fe­li­ci­dade se ini­ciava: tra­balho on­line, di­gital, era in­for­ma­ci­onal, enfim, aden­trá­vamos fi­nal­mente o reino da fe­li­ci­dade. O ca­pital global só pre­ci­sava de um novo ma­qui­nário, agora des­co­berto.

O mundo do labor fi­nal­mente su­pe­rava sua di­mensão de so­fri­mento. A so­ci­e­dade di­gi­ta­li­zada e tec­no­lo­gi­zada nos le­varia ao pa­raíso. Sem tri­pa­lium e quiçá até mesmo sem tra­balho. O mito eu­ro­cên­trico, que aqui foi re­pe­tido sem me­di­ação e com pouca re­flexão, pa­recia fi­nal­mente flo­rescer.

Mas sa­bemos que o mundo real é muito di­verso do seu de­senho ideal. E a Mostra Con­tem­po­rânea In­ter­na­ci­onal da Eco­fa­lante não po­deria ter sido mais feliz em sua es­colha. Pri­meiro por des­tacar um tema cru­cial para toda a hu­ma­ni­dade hoje: o tra­balho. Se­gundo, por ofe­recer ao pú­blico uma série em­ble­má­tica de filmes e do­cu­men­tá­rios que além de con­tra­ditar e fazer des­mo­ronar os mitos, ofe­rece um mo­saico do mundo do tra­balho real que hoje se ex­pande em es­cala pla­ne­tária.

A re­a­li­dade é um mas­sacre

Se o uni­verso do tra­balho on­line e di­gital não para de se ex­pandir em todos os cantos do mundo, é vital re­cordar que o pri­meiro passo para se chegar ao iPhone, iPad ou as­se­me­lhados, co­meça com a ex­tração de mi­nério, sem o qual o dito cujo – o ce­lular – não pode ser pro­du­zido. E as minas de carvão mi­neral da China e em tantos ou­tros países mos­tram que o ponto de par­tida do tra­balho di­gital se en­contra no brutal tra­balho re­a­li­zado pelos mi­neiros. Da ex­tração até sua ebu­lição, assim ca­minha o tra­balho no in­ferno mi­neral.

E é jus­ta­mente esse o tema de Gi­gante, um filme de­vas­tador. Do for­mi­gueiro for­mado pelos ca­mi­nhões à en­trada das minas, até o tra­balho sob tem­pe­ra­tura mais que de­ser­ti­fi­cada, Gi­gante mostra como as minas são uma ver­da­deira su­cursal do in­ferno. Aci­dentes, con­ta­mi­nação, de­vas­tação do corpo pro­du­tivo, mortes – tudo isso ocorre na so­ci­e­dade dos que ima­gi­naram que as tec­no­lo­gias de in­for­mação eli­mi­na­riam o tra­balho de mu­ti­lação.

A me­tá­fora do di­retor Zhao Liang mostra que a China das grandes e glo­bais cor­po­ra­ções não existe sem o tra­balho brutal e ma­nual em seus rin­cões e gro­tões. Ainda que tenha ci­dades fan­tasmas...

Con­su­mido, de Ri­chard Sey­mour, segue o mesmo per­curso. Co­meça com o tra­balho nas minas, passa pelo setor têxtil, avança para o es­paço da pro­dução di­gital, não sem mos­trar o vi­li­pêndio do tra­balho imi­grante, este ex­po­nen­cial seg­mento do pro­le­ta­riado global que é, si­mul­tânea e con­tra­di­to­ri­a­mente, tão im­pres­cin­dível quanto su­pér­fluo, para o sis­tema do ca­pital.

Mas se o mundo do tra­balho di­gital co­meça no uni­verso mi­neral, também na planta pro­du­tiva au­to­ma­ti­zada dos ce­lu­lares e mi­cro­e­le­trô­nicos vi­ceja a ex­plo­ração in­ten­si­fi­cada do labor.

Não é por acaso que o pri­meiro mi­nistro da Índia propôs, pouco tempo atrás, aquele que deve ser o slogan do se­gundo país gi­gante do Ori­ente: assim como a China se ce­le­brizou pelo Made in China, a Índia deve ce­le­brizar-se pelo Make in India, uma vez que a ex­plo­ração do tra­balho do ope­ra­riado chinês é café pe­queno frente ao vi­li­pêndio da su­pe­rex­plo­ração no país das classes e das castas, dos bi­li­o­ná­rios e dos mais que mi­se­rá­veis.

Es­cra­vismo mo­derno

E é esse o mote do ex­plo­sivo Má­quinas, que nos ofe­rece uma fo­to­grafia di­reta do mundo também in­fernal do tra­balho nas in­dús­trias de tin­gi­mento de te­cidos, onde ho­mens, mu­lheres, cri­anças, todos e todas, la­boram diu­tur­na­mente para dar con­cre­tude ao Make in India. Jor­nadas de 12 horas ou mais, turnos in­fin­dá­veis, lo­cais de tra­ba­lhos in­des­cri­tí­veis e dis­tân­cias imensas a serem per­cor­ridas entre casa e tra­balho: esse é o co­ti­diano vi­ven­ciado pelo povo in­diano que con­segue tra­balho. 

Na outra ponta, um pa­tro­nato in­vi­sível que sabe co­mandar com con­trole bem vi­sível, através de pa­nóp­ticos te­le­vi­sivos. Tudo isso e muito mais apa­rece na peça pri­mo­rosa do di­retor Rahul Jain.


Cena de Má­quinas


O ope­rário que car­rega ga­lões de 220 kg e diz que seu tra­balho é também um “exer­cício in­te­lec­tual, ce­re­bral”, os ba­nhos para se limpar da su­jeira diária das tintas; as mãos de­vas­tadas pelo calor das cal­deiras; os corpos que são tra­gados pelas má­quinas; as múl­ti­plas formas de re­sis­tência e re­beldia do tra­balho até a re­pressão do em­pre­sa­riado sel­vagem (que sempre quer saber “quem é o líder?”), Má­quinas nos mostra um pouco (ou muito) de tudo.

E já que es­tamos fa­lando do mundo asiá­tico, Com­plexo Fa­bril, da Co­reia do Sul, é também um primor. O mundo do tra­balho fe­mi­nino nos é apre­sen­tado em seu modo afe­tivo, de­li­cado, qua­li­fi­cado, ex­plo­sivo, forte, in­dig­nado. As opres­sões vão, uma a uma, sendo en­fi­lei­radas: de­mis­sões, hu­mi­lha­ções, con­di­ções sub-hu­manas, re­sis­tên­cias, tanto as in­di­vi­duais como as co­le­tivas. 

O mito do tra­balho na Sam­sung, agu­da­mente de­nun­ciado, com seus ado­e­ci­mentos e con­ta­mi­na­ções: com os as­sé­dios, baixos sa­lá­rios, su­pe­rex­plo­ração e sempre forte re­pressão. As di­fi­cul­dades para or­ga­nizar sin­di­catos, o acon­te­ci­mento das lutas das mu­lheres ter­cei­ri­zadas, suas greves, seus con­frontos, como o May Day, dia de luta das tra­ba­lha­doras para de­nun­ciar suas con­di­ções ne­fastas de tra­balho, a vi­ru­lência po­li­cial, os as­sé­dios, os vi­li­pên­dios. Mas também as flores na vi­tória!

As trans­ver­sa­li­dades entre classe, gê­nero, etnia, ge­ração, tudo apa­rece nas fá­bricas com­plexas. Nos call cen­ters, na in­dús­tria de ali­mentos (corte de aves), na in­dús­tria têxtil, nos hi­per­mer­cados. As tantas cenas pre­sentes no uni­verso fe­mi­nino fazem des­mo­ronar os mitos dos tra­ba­lhos brandos, tec­no­lo­gi­zados, as­sép­ticos.

A tra­gédia também é oci­dental

Mas que não se pense que essa seja uma re­a­li­dade só do Ori­ente, do mundo asiá­tico. Nada disso. Em­bora na (nova?) di­visão in­ter­na­ci­onal do tra­balho a in­dús­tria con­si­de­rada “limpa” es­teja pre­fe­ren­ci­al­mente no Norte do mundo e a in­dús­tria “suja”, po­lui­dora e ainda mais des­tru­tiva se en­contre cen­tral­mente no Sul, a glo­ba­li­zação nos leva a cons­tatar que, assim como o Norte se es­par­rama pelo Sul, este também in­vade o centro do ca­pi­ta­lismo tido como de­sen­vol­vido.

E Algo de Gran­dioso é exemplo exa­ta­mente disto, ao apre­sentar a re­a­li­dade do tra­balho na in­dús­tria da cons­trução civil na França. A partir de cenas e de­poi­mentos, a sen­si­bi­li­dade do tra­balho vai trans­bor­dando. Tra­gé­dias, es­pe­ranças, ex­pec­ta­tivas, so­li­da­ri­e­dade, ami­zade – tudo isso apa­rece no mundo do tra­balho duro, vi­o­lento, pe­ri­goso da cons­trução civil.

Chuva, tem­pes­tade, con­cre­tagem, aci­dentes, as cenas se se­quen­ciam, mos­trando como esse ramo com­bina o re­cei­tuário tay­lo­rista do tra­balho pres­crito com a prag­má­tica do en­vol­vi­mento e ma­ni­pu­lação que her­damos do toyo­tismo. Do pri­meiro, o tay­lo­rismo, vemos a pre­ser­vação do des­po­tismo e do se­gundo, o toyo­tismo, o exer­cício de fazer um pouco de tudo no tra­balho, o que, além de au­mentar a ex­plo­ração, am­plia os riscos de aci­dentes, em um setor onde ele já é de alta in­ten­si­dade.

Bru­mário en­feixa o ciclo com um pa­ra­le­lismo também em­ble­má­tico: re­cons­titui a his­tória do tra­balho em uma der­ra­deira mina de carvão na França, que teve suas ati­vi­dades en­cer­radas. E apre­senta também a his­tória de uma jovem tra­ba­lha­dora, filha de um ope­rário da mi­ne­ração, que tra­balha no setor de ser­viços, em uma em­presa de lim­peza.

A perda da so­ci­a­bi­li­dade de classe

A dupla face do tra­balho é ex­posta, com suas di­fe­renças tão mar­cantes, que con­fi­guram as tantas he­te­ro­ge­nei­dades e frag­men­ta­ções que po­voam a classe-que-vive-do-tra­balho em sua nova mor­fo­logia atual. A dos mi­neiros, quase todos ho­mens, com suas his­tó­rias, com­bates, so­li­da­ri­e­dades, medos, riscos, ado­e­ci­mentos. 

E a de uma jovem tra­ba­lha­dora que vi­vencia o tra­balho frag­men­tado, se­pa­rado, in­di­vi­du­a­li­zado, sem pas­sado, sem pro­jeto para o fu­turo, ofe­re­cendo uma bela pin­tura do pas­sado eu­ropeu e sua nos­talgia e do fu­turo nu­blado desse novo pro­le­ta­riado.

A vida na mina é uma vi­vência em uma ci­dade sub­mersa. A es­cu­ridão, o risco do des­mo­ro­na­mento, o ba­rulho re­pe­ti­tivo do sub­solo mi­neiro que não tem luas, só luzes ar­ti­fi­ciais (um pa­rên­tese: uma única vez eu en­trei, como so­ció­logo do tra­balho, em uma mina de carvão na ci­dade de Cri­ciúma, em Santa Ca­ta­rina. Lá em baixo, não via a hora de voltar para o mundo vi­sível e plano).

A con­dição de mi­neiro, re­lata um dos de­po­entes, marca in­de­le­vel­mente todas as suas ou­tras di­men­sões da vida: a so­cial, a fa­mília, a cul­tura, a po­lí­tica. A trans­missão do sa­voir faire (saber fazer), de uma ge­ração a outra, a so­lidão com o fim da mina e seu fe­cha­mento, as lutas e con­quistas ob­tidas: e, pos­te­ri­or­mente, com a apo­sen­ta­doria ou fe­cha­mento da mina, vem a nos­talgia, o de­sen­canto.

A glo­ba­li­zação levou in­de­le­vel­mente ao fe­cha­mento da úl­tima mina de carvão na França, diz o de­poi­mento do ope­rário da mi­ne­ração. Na nova di­visão in­ter­na­ci­onal do tra­balho, isso passou a ser feito só no Sul do mundo. Na Colômbia, Chile, Ve­ne­zuela, China, Congo etc.

Outro de­poi­mento ope­rário é cáus­tico: nestes países eles tra­ba­lham muito mais e ga­nham pouco. Se um dia a mina voltar para a França, acres­centa, será sob o con­trole da China...

A nos­talgia em re­lação ao pas­sado e o de­sen­canto frente ao pre­sente se en­con­tram. No outro polo do mundo do tra­balho, a jovem tra­ba­lha­dora, filha de um mi­neiro, re­corda do pas­sado de lutas do pai e de seu pre­sente de iso­la­mento. Seu tra­balho in­di­vi­du­a­li­zado, des­so­ci­a­bi­li­zado, sem a con­vi­vência com ou­tros tra­ba­lha­dores. Esse novo pro­le­ta­riado de ser­viços apa­rece neste per­so­nagem como des­crente em re­lação ao fu­turo, re­sig­nado e des­con­tente em re­lação ao pre­sente.

Minas e es­cri­tó­rios, tra­balho “sujo” e tra­balho “limpo”, tra­balho co­le­tivo e labor in­vi­si­bi­li­zado, ontem e hoje, estes dois mundos do tra­balho pa­recem des­co­nec­tados. A jovem se re­corda do pai e de suas lutas e não as vê no seu pre­sente. Em seu tempo livre, cuida da casa. É uma jovem pro­le­tária sem a pos­si­bi­li­dade de cons­ti­tuir uma prole, pois sua in­se­gu­rança no tra­balho não in­cen­tiva sua vida re­pro­du­tiva.

Esta é a utopia ne­o­li­beral

Veja-se a ex­pe­ri­ência bri­tâ­nica do zero hour con­tract, este o novo sonho do em­pre­sa­riado do tra­balho in­ter­mi­tente. É uma es­pécie de tra­balho sem con­trato, onde não há horas a cum­prir e nem di­reitos a se­guir. Quando há tra­balho, basta uma cha­mada e o tra­ba­lhador(a) deve estar on­line para atender o tra­balho in­ter­mi­tente. E as cor­po­ra­ções glo­bais se apro­veitam: ex­pande-se a “ube­ri­zação”, am­plia-se a “pe­jo­ti­zação”, flo­res­cendo uma nova mo­da­li­dade de tra­balho: o es­cravo di­gital. Tudo isso para dis­farçar o as­sa­la­ri­a­mento do tra­balho.

Apesar de de­fen­derem a “res­pon­sa­bi­li­dade so­cial e am­bi­ental”, in­con­tá­veis cor­po­ra­ções pra­ticam mesmo a in­for­ma­li­dade am­pliada, a fle­xi­bi­li­dade des­me­dida e a pre­ca­ri­zação acen­tuada. A ex­ceção vai se tor­nando regra geral. Aqui e alhures.

Ficam muitas in­da­ga­ções: que es­tranho mito foi esse do fim do tra­balho? Terá sido um sonho eu­ro­cên­trico? Por que o labor hu­mano tem sido, pre­do­mi­nan­te­mente, es­paço de su­jeição, so­fri­mento, de­su­ma­ni­zação e pre­ca­ri­zação, numa era em que muitos ima­gi­navam uma pro­xi­mi­dade ce­les­tial? E ainda mais: por que, apesar de tudo isso, o tra­balho car­rega con­sigo coá­gulos de so­ci­a­bi­li­dade?

Estas e ou­tras tantas in­da­ga­ções a 6ª Mostra Eco­fa­lante de Ci­nema Am­bi­ental, nesta fo­to­grafia sem re­to­ques do tra­balho global, nos ajuda a re­fletir.


(*) Ri­cardo An­tunes é pro­fessor ti­tular de So­ci­o­logia do Tra­balho na UNI­CAMP. Autor, entre ou­tros li­vros, de Os Sen­tidos do Tra­balho; Adeus ao Tra­balho? e Ri­queza e Mi­séria do Tra­balho no Brasil, Vol. I, II e II.

http://correiocidadania.com.br/2-uncategorised/12565-fotografias-sem-retoques-do-trabalho-global

(Com o Correio da Cidadania)

As marchas da oposição na Venezuela

Josetxo Ezcurra/Rebelión

Conselho Pleno aprova pedido de impeachment contra presidente Michel Temer

                                                                               
Eugênio Novaes

Brasília - O Conselho Pleno da OAB votou pela abertura de processo de impeachment contra o presidente da República, Michel Temer, por crime de responsabilidade. 

Os conselheiros acolheram voto proposto por comissão especial que analisou as provas do inquérito. Foram 25 votos a favor e apenas uma divergência e uma ausência. O pedido deve ser protocolado na Câmara dos Deputados nos próximos dias.

O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, registrou que este era um momento de tristeza para a OAB. “Estamos a pedir o impeachment de mais um presidente da República, o segundo em uma gestão de 1 ano e 4 meses. Tenho honra e orgulho de estar nessa entidade e ver a OAB cumprindo seu papel, mesmo que com tristeza, porque atuamos em defesa do cidadão, pelo cidadão e em respeito ao cidadão. Esta é a OAB que tem sua história confundida com a democracia brasileira e mais uma vez cumprimos nosso papel”, afirmou.

Lamachia, então, elencou uma série de medidas tomadas pela OAB no combate à corrupção, como o fim do investimento privado em eleições, fim de doações ocultas, transparência no BNDES, criminalização do caixa 2, Súmula Vinculante contra o nepotismo, fim da imunidade parlamentar contra crimes comuns, fim do voto secreto em cassações de mandato, pagamento de contas públicas em ordem cronológica, contra a compra de votos.

“Este é o trabalho de todos os advogados brasileiros. Agradeço aos conselheiros e diretores, assim como à Comissão que, em dois dias, foram chamados a participar de forma direta desse processo. Estamos com o sentimento correto de que agimos com responsabilidade, mas acima de tudo olhando para o Brasil, porque queremos um país melhor para nossos filhos, banindo de nossa sociedade a corrupção. O nosso partido é o Brasil e nossa ideologia, a Constituição”, finalizou.

De acordo com a comissão especial, convocada pela diretoria da OAB Nacional, Michel Temer teria falhado ao não informar às autoridades competentes a admissão de crime por Joesley Batista e faltado com o decoro exigido do cargo ao se encontrar com o empresário sem registro da agenda e prometido agir em favor de interesses particulares. O parecer da comissão foi lido pelo relator da comissão, Flávio Pansieri, que teve como colegas de colegiado Ary Raghiant Neto, Delosmar Domingos de Mendonça Júnior, Márcia Melaré e Daniel Jacob. 

Lamachia classificou a atual crise brasileira como sem precedentes sob todos os aspectos. “A velocidade e a seriedade dos fatos impõe que façamos o que sempre prezou esta gestão: colher posição do Conselho Federal da Ordem. Quero registrar que a confiança e o apoio de todos os conselheiros têm sido fundamentais para que possamos vencer os desafios que temos. A responsabilidade que OAB e advocacia tem é muito grande”, afirmou. 

O presidente da OAB explicou ainda que somente convocou a reunião extraordinária após ter acesso aos autos do processo que investiga o presidente da República, Michel Temer, no Supremo Tribunal Federal. “Assim como fizemos ao analisar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, afirmei que não convocaria sessão baseado apenas em notícias de jornais e fiz o mesmo desta vez: só o faria com dados formais e oficiais do processo”, afirmou, lembrando que, como da outra vez, o presidente da República pôde se defender no Plenário. “Uma demonstração de que priorizamos a democracia e a independência, não criando situações díspares.”.

Os conselheiros federais se revezaram ao microfone para denunciar a atitude do presidente da República, Michel Temer. Foi execrado o encontro do mandatário da República com um empresário investigado em mais de 5 operações da Polícia Federal e o conteúdo dos diálogos travados. Os advogados concluíram que, ao não denunciar Joesley após ele admitir ter corrompido dois juízes e um procurador, Temer faltou com o decoro e feriu a Lei do Servidor Público. Também teria agido em favor dos interesses pessoais de Joesley em detrimento do interesse público.

Mais cedo, os conselheiros federais, após exaustiva deliberação, decidiram que não era procedente o pedido dos advogados de Michel Temer para mais tempo para análise dos fatos antes de apresentar sua defesa. Para a OAB, como o pedido de abertura de processo de impeachment não é um julgamento em si, a defesa deverá ser feita no Congresso Nacional. De qualquer forma, os advogados falaram por cerca de 20 minutos e foram convidados a se manifestar novamente durante a análise do mérito da questão.

Os advogados Gustavo Mendes e Carlos Marun, que também é deputado federal, falaram no Plenário e pediram mais prazo para que a defesa do presidente possa apreciar o voto proferido pelo conselheiro federal, Flávio Pansieri. No ano passado, o mesmo aconteceu na sessão que debateu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, falou em defesa da presidente o então advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. Marun insistiu no pedido de prazo para a defesa do presidente Temer para que os advogados tenham contato efetivo com voto do relator e assim possam apresentar as razões para que não haja um encaminhamento pelo impeachment do presidente pelo Conselho Pleno da Ordem.

Parecer

Para a Comissão, o presidente da República infringiu a Constituição da República (art. 85) e a Lei do Servidor Público (Lei 8.112/1990) ao não informar à autoridade competente o cometimento de ilícitos. Joesley Batista informou ao presidente que teria corrompido três funcionários públicos: um juiz, um juiz substituto e um procurador da República. Michel Temer, então, ocorreu em omissão de seu dever legal de agir a partir do conhecimento de prática delituosa, no caso, o crime de peculato (Código Penal, art. 312).

“Se comprovadas as condutas, houve delito funcional em seu mais elevado patamar político-institucional. Há dever legal de agir em função do cargo. Basta a abstenção. São crimes de mera conduta, independentemente de resultado”, afirmou Pansieri. “O que fizemos hoje foi tentar romper com o que a percepção do ‘assim é que sempre foi’ e elaboramos esse parecer. OAB e a história da entidade está acima de nossas histórias pessoais. Viemos aqui para fazer a coisa certa, em prol de um país diferente.” 

A Lei do Servidor Público prevê em seu art. 116 é dever levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para apuração.

O presidente da República também teria procedido de maneira incompatível com o decoro exigido do cargo, condição previstas tanto na Constituição da República quanto na Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950), por ter se encontrado com diretor de uma empresa investigada em 5 inquéritos. O encontro ocorreu em horário pouco estranho, às 22h45, fora de protocolo habitual, tanto pelo horário quanto pela forma, pois não há registros formais do encontro na agenda do presidente. 

Na conversa entre Temer e Joesley se verifica esforço aparente em se buscar nome favorável aos interesses da companhia para atuar como presidente do Cade e por favorecimento junto ao ministro da Fazenda. Isso também seria falta de decoro por interceder em interesses de particulares, os favorecendo em detrimento do interesse público.

O relator Flávio Pansieri traçou um histórico do instituto do impeachment na ordem jurídica brasileira e lembrou que a OAB foi instada a atuar em outros momentos da história, como com os ex-presidentes Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva. Também explicou que as crises vivenciadas no sistema presidencialista, como o brasileiro, são mais graves e aguda e é assim que se encontra o Brasil.

(Com a OAB)

domingo, 21 de maio de 2017

A ABI tem razão: está na hora de se pensar em eleições diretas. Atos como este não pode mais ser tolerado

Manifesto do povo Kaingang

                                                                            


Publicamos  um manifesto do povo Kaingang – traduzido para o português – distribuído aos milhares no acampamento Terra Livre, em Brasília, entre os dias 24 e 28 de abril. A guerra civil reacionária contra os povos indígenas tem gerado intensa e radical resistência destes povos, cuja expressão é este manifesto.

Manifesto da Nacionalidade Kaingang a todas as Nacionalidades Indígenas que integram o Povo Brasileiro, a todo o povo brasileiro, a todos os democratas e patriotas do nosso país

O capitalismo na era do imperialismo, da fusão do capital industrial com o capital bancário, dando origem ao capital financeiro e às bolsas de valores que mandam na economia mundial, é a era dos monopólios no nível mundial, a era da partilha e re-partilha do mundo entre um pequeno punhado de países imperialistas, é, por sua vez, a última fase do capitalismo, da decomposição total do sistema.

É a era da guerra total, onde atualmente a superpotência do USA tenta impor o seu modelo destruidor da natureza e da humanidade chamado de “democracia liberal”, que nada mais é do que uma cruel ditadura econômica, política e militar para toda a humanidade. 

Para se manter na dominação o USA gera guerras de rapina, de conquistas e de dominação, espalhando o terrorismo, a violência e a morte para milhões de pessoas inocentes em todas as regiões do mundo. A superpotência atômica Rússia se arma cada vez mais e se prepara para garantir seus interesses imperialistas. 

Diante da disputa entre as potências imperialistas pela partilha do mundo o começo de uma guerra de armas atômicas em escala mundial se torna cada vez mais ameaçador. É a ameaça de uma guerra que pode destruir o planeta. Só a resistência dos povos se organizando e desenvolvendo, em cada país dominado como colônia ou semi-colônia, as guerras justas de libertação nacional e as guerras populares podem conter e impedir que os imperialistas senhores da guerra sigam com a fome sanguinária destruindo tudo e todos para manter o regime capitalista de exploração do homem pelo homem.

Os intentos exploradores e destruidores do imperialismo dominam o nosso país. No Brasil temos um capitalismo burocrático, concebido e regido para servir aos interesses do imperialismo, tendo na burocracia do estado burguês-latifundiário uma máquina corrupta para exploração e opressão do povo brasileiro. 

As classes dominantes em nosso país são formadas pela grande burguesia e pelos latifundiários serviçais do imperialismo. São essas classes que mandam e controlam o gerenciamento do Estado. Para isso contam com o serviço sujo dos oportunistas e revisionistas dos “partidos” ditos de “esquerda” que participam da farsa eleitoral legitimando o sistema corrupto contra os brasileiros. 

Estes oportunistas buscam enganar as massas dizendo que “não há outro caminho se não seja o de participar das eleições e ganhar um carguinho no gerenciamento do Estado”. Com isso apregoam a conciliação de classe e praticam a capitulação diante do regime opressor. Os políticos corruptos de todos os “partidos” da farsa eleitoral, juntamente com os oportunistas, estão tramando um GRANDE ACORDÃO para tentar salvar o sistema em face das revelações da corrupção praticada por eles.

O gerente Temer e sua quadrilha são partes disso. É a continuidade de todo este sistema político corrupto, dos grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo. É um sistema doente terminal, podre, sem cura, que precisa ser destruído para a edificação de uma nova democracia, um novo sistema de poder das massas para as massas, uma nova economia e uma nova cultura. Michel Temer é um gerente vende-pátria, anti-indígena, que está cometendo os piores crimes contra o povo brasileiro com suas contra-reformas da educação, trabalhistas e previdenciárias. As ditas reformas de Temer são para retirar direitos do povo e favorecer aos banqueiros, aos latifundiários, à grande burguesia e ao imperialismo.

Os povos indígenas querem e necessitam da destruição do velho sistema burocrático e lutam pela construção do novo sistema de nova democracia. Os povos indígenas não aceitam mais continuar submetidos à matança, à humilhação à destruição da sua cultura e ao esmagamento das suas vidas, como vêm sofrendo desde o período colonial, a monarquia escravocrata, e seguem com a chamada república, que é a continuidade da tutela e da agressão à vida e à dignidade dos povos indígenas.

Os Kaingang se somam aos camponeses do Brasil pela destruição de todos os latifúndios e o direito a terra para quem nela vive e trabalha. Nós Kaingang exigimos a demarcação das terras indígenas, o fim da PEC 2015/00. A destruição dos latifúndios é necessária para a entrega das terras aos camponeses e a demarcação das terras indígenas. É a primeira etapa para expulsar o imperialismo do Brasil e conquistar a libertação do povo brasileiro.

Os Kaingang exigem terra demarcada para todos os povos indígenas viver com dignidade; exigem saúde pública de qualidade de acordo com as necessidades e as especificidades de cada povo indígena; exigem educação pública de todos os níveis, desde a creche até a universidade, com escolas de qualidade, em regime bilíngue, para todos os povos indígenas.

Sem destruir todos os latifúndios e o agronegócio que servem ao imperialismo milhões de camponeses permanecerão sem terra e vão viver em favelas nas cidades e os povos indígenas não terão paz nem suas terras demarcadas para viverem com dignidade. Os latifundiários são os maiores inimigos dos povos indígenas e Michel Temer é pau-mandado dos latifundiários contra nós. Vamos nos unir, os povos indígenas e os trabalhadores do campo e da cidade para destruir todos os latifúndios.

ABAIXO MICHEL TEMER E SUA QUADRILHA!

EXPULSAR O IMPERIALISMO!

DESTRUIR TODOS OS LATIFÚNDIOS!

ESTA TERRA TEM DONO!

Brasília, 24 de Abril de 2017

Acabar com Michel Temer ou Michel Temer acabar com o Brasil.

Derrotar a União dos Corruptos.

Acabar com a mentira eleitoral.

Fala Kaingang ao Povo Brasileiro:

A união dos capitalistas do mundo faz a guerra contra todos os povos da terra.

O USA faz a guerra para dominar o mundo.

No Brasil os governos e os políticos mentem para o povo. Os políticos e os governos roubam do povo. Os governos retiram a terra e a riqueza do povo e entregam as nossas riquezas para os capitalistas.

Michel Temer é um governo que toma os direitos do povo.

Michel Temer é pau-mandado dos latifundiários ladrões de terra.

Os povos indígenas querem o fim dos latifúndios e a devolução das terras dos povos indígenas.

Os povos indígenas precisam expulsar a união dos capitalistas (imperialistas) do Brasil e quer ter a terra do Brasil para os brasileiros. Esta terra é nossa.

Os latifundiários e os governos são inimigos dos povos indígenas.

Os povos indígenas não querem a farsa eleitoral.

Os povos indígenas querem Terra.

Os povos indígenas querem saúde.

Os povos indígenas querem educação.

Abaixo Michel Temer e os ladrões!

Acabar com todos os latifúndios!

Expulsar o Imperialismo (união dos capitalistas)!

Esta Terra tem dono!

(Com a ABr/Diário Liberdade)

Mobilização na Galícia: nossa solidariedade