terça-feira, 30 de dezembro de 2014

DIREITOS HUMANOS

                      
Histórias para não esquecer

Míriam Leitão 

Texto enviado pela autora para ser lido na noite de entrega do 31º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo (Porto Alegre, 10/12/2014), promovido pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos e OAB-RS, e conquistado pelo jornalista Luiz Cláudio Cunha, na categoria Online, pela reportagem “A repórter pergunta, o ministro gagueja“ (que inclui o depoimento “Eu sozinha e nua, eu e a cobra, eu e o medo”), publicada no Observatório da Imprensa em 19/8/2014

      
Ao Jair Krischke e queridos amigos do Movimento de Justiça e Direitos Humanos e da OAB do Rio Grande do Sul.

Nunca achei minha história importante, nunca quis falar sobre ela, nunca pedi indenização. Não foi fácil falar.

Esse depoimento é fruto da persistência do repórter Luiz Claudio Cunha e fiquei feliz em saber que o relato foi acolhido no nosso querido Observatório da Imprensa, e agora premiado pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) do Rio Grande do Sul.

Parabéns Luiz Cláudio, é seu o mérito. Por ter sempre trabalhado como jornalista, pude apreciar melhor com que delicadeza você tratou uma história que nunca pensei em tornar pública.

Antes disso falei uma única vez: diante do tribunal militar que me julgou. Aos juízes fardados e ilegítimos denunciei os maus tratos, mesmo achando que era causa perdida. Não era. Um trechinho saiu no Brasil: Nunca Mais e por lá a sagacidade do repórter Luiz Cláudio Cunha puxou o fio da meada que me levou a contar o que eu vivi.

Tenho noção clara de que muitos sofreram mais que eu. Cada um sabe as cicatrizes que carrega de um tempo que não pode ser repetido.

Os militares nunca reconheceram seu erro. E isso é uma sombra que se projeta para o futuro. Mais que a impunidade dos torturadores, o que me assusta é que eles são protegidos até hoje pelas Forças Armadas do Brasil.

Quando a reportagem de Luiz Claudio Cunha saiu recebi palavras lindas, mas muitos jovens me criticaram por ter participado de organizações que, segundo eles, não eram libertárias. “Você não lutou pela democracia”, disseram.

Por isso queria dirigir aos jovens meu recado: Sim, lutei pela democracia. Fomos encurralados. Cada um buscou a trincheira possível. Cada um de nós pagou seu preço. Foi a luta coletiva que nos trouxe até aqui.

Tenho orgulho de ter estado do lado certo: contra a ditadura militar.

Lembro, com gratidão, dos que perderam a vida naqueles tempos extremos.

Que a pátria não se esqueça deles.

[Rio de Janeiro, 10/12/2014]

***

Míriam Leitão é jornalista

"A Verdade" analisa

                                                          
                                                      Foto Página 12

Guerra do Paraguai: o massacre de um povo soberano

A nação paraguaia libertou-se do domínio espanhol em 1811, tendo assumido o governo José Gaspar Rodriguez Francia, que estabeleceu uma ditadura em favor do povo. Realizou a primeira grande reforma agrária da América do Sul, organizando cooperativas de camponeses sob controle do Estado e adotando o regime de trabalho comunitário baseado na experiência dos guaranis. A elite colonial foi despojada dos seus bens e duramente reprimida, inclusive a Igreja Católica, que teve suas propriedades confiscadas.

O Paraguai não tinha saída para o mar. Foi fácil ao capitalismo internacional, comandado então pela maior potência, a Inglaterra, isolar o país, impedindo desenvolvimento de sua economia, pois não havia como exportar o excedente agrícola que abarrotava os paióis por todo o país.

Quando Francia morreu, em 1840, o Paraguai era o único país sul-americano que não tinha um só analfabeto. Amado pelo povo do seu país, era conhecido no resto do mundo como bárbaro, assassino, terrorista, exatamente porque desapropriou a classe dominante colonialista e não colocou seu país sob o tacão do imperialismo inglês.

Um passo à frente

O sucessor de Francia foi Carlos Antônio Lopez, um dos ricos que fugira para o interior devido à perseguição de Francia e se convenceu de que o caminho melhor para a nação era o adotado por seu perseguidor. Primeiro presidente constitucional da República, seguiu e aprofundou o modelo de desenvolvimento autônomo. Negociou com o Uruguai uma saída para o mar, comprometendo-se a defender aquele pequeno e frágil país contra qualquer invasão estrangeira.

Viabilizando a exportação do excedente produzido, foi possível ao Estado investir na indústria e na infraestrutura. O Governo contratou técnicos europeus e enviou seus jovens para estudar nos países centrais. Com isso, foi possível a criação de tecnologia, o desenvolvimento industrial, a implantação de ferrovias. Em pouco tempo, enquanto Brasil e Argentina importavam de alfinete a botão, o Paraguai tinha uma siderúrgica funcionando 24 horas por dia, tudo isso sem dever a ninguém, com o esforço coletivo de um povo engajado.

Naturalmente, despertou a cobiça dos vizinhos e o temor da Inglaterra de que o exemplo se alastrasse e ela perdesse todo um continente que garantia seu crescimento econômico, fornecendo matéria-prima barata, consumindo seus supérfluos e se endividando cada vez mais.

As classes dominantes de Brasil e Argentina se formaram como sócias menores do capital inglês, de quem já dependiam inteiramente. Portanto, sua visão da realidade não tem como fundamento os interesses nacionais e sim os da metrópole, que são os seus também. Elas também eram atingidas pela autonomia paraguaia e se prestaram, sem vacilar, ao papel sujo de invadir o país vizinho.

Quando morre, em 1862, Carlos Antônio Lopez deixa o Paraguai na seguinte situação: “É o único país da América do Sul que não tem dívida externa nem interna; o único que não tem analfabetos; o mais bem dotado de melhoramentos como telégrafo, ferrovias, linhas de navios para a Europa. Possui o mais moderno sistema de moedas. Está livre da ingerência de bancos estrangeiros em sua economia. Todo esse progresso é a sua sentença de morte!”.

Arma-se a ofensiva militar

O Congresso paraguaio elege para suceder Carlos Antônio seu filho, Francisco Solano López. Não por ser filho, mas por demonstrar, desde os 18 anos, sua capacidade de organizar o Exército e sua qualidade de negociador, posto que, em 1859, conseguiu pacificar as províncias argentinas em conflito. Poderia tê-las ocupado, aproveitando o divisionismo e a fraqueza da confederação argentina. Mas o Paraguai nunca teve pretensões expansionistas, ao contrário do que querem fazer crer certos historiadores, não só os do império, mas até mesmo da época atual. O que queriam os paraguaios era apenas manter a paz e a estabilidade na bacia do Rio Prata.

Quanto à economia, Solano López não tinha muito o que fazer, exceto dar continuidade a um modelo de sucesso, haja vista que o pequeno Paraguai já era conhecido no mundo inteiro. Hábil diplomata, ele vai à Europa e articula apoios, contrata profissionais para ajudar na modernização dos meios de produção, vai de vento em popa.

Negocia tratados com Brasil e Argentina para garantir a paz entre as nações que têm interesse comum na região. Acredita que está tudo bem. Não percebe Solano, como não haviam percebido os governos anteriores, que não bastava negociar pequenas querelas de vizinhos, que a razão maior do conflito estava bem longe, na sede do império britânico.

A ofensiva começa no aspecto ideológico, buscando formar uma opinião pública, restrita às elites, aos que liam jornais, de que no Paraguai havia um regime ditatorial, contrário à civilização. Um diplomata inglês, Edward Thornton, afirma: “…Insignificante em si mesmo, o Paraguai pode impedir o desenvolvimento e o progresso de todos os seus vizinhos. Sua existência é nociva e sua extinção como nacionalidade deve ser proveitosa para seu próprio povo e para todo o mundo”.

Os vizinhos engolem a corda. Bartolomeu Mitre, presidente da Confederação Argentina, deixa escapar em seu jornal La Nación: “A República argentina está no imprescindível dever de formar aliança com o Brasil a fim de derrubar essa abominável ditadura de López e abrir ao comércio do mundo essa esplêndida e magnífica região que possui, talvez, os mais variados e preciosos produtos dos trópicos e rios navegáveis para serem explorados”.

A guerra seria para libertar o povo paraguaio do ditador. Seria rápida. Quando atacaram e ficou claro que o povo lutaria até o último homem, o discurso do diplomata norte-americano Charles Washburn tem o tom de um celerado: “Por sua torpeza e cegueira, junto com outros pecados, o povo paraguaio merece o completo extermínio que o aguarda. O mundo terá justo motivo para congratular-se quando não houver uma só pessoa que fale o endiabrado idioma guarani”.

A trama

Como armar um pretexto para o ataque? Simples. Havia na fronteira do Uruguai com o Rio Grande do Sul 40 mil camponeses brasileiros do lado uruguaio, que já dominavam 30% das terras do país. O Governo do Uruguai, para controlar essa ocupação econômica externa, desordenada, estabelece limites severos, aumenta impostos e proíbe o trabalho escravo. 

Os gaúchos cobram um posicionamento do imperador. Este envia um diplomata, Antônio Saraiva, para negociar. As conversas resultam infrutíferas. O embaixador britânico Thornton propõe uma comissão tríplice: ele próprio, Saraiva, pelo Brasil, e Elizalde, pela Argentina. São recebidos pelo presidente Berro, mas não há acordo, porque a comissão não pretendia conciliação alguma, apenas utilizar sua impossibilidade para justificar uma intervenção. Entre os pontos em discussão, colocavam algo que nada tinha a ver com o problema dos camponeses brasileiros; apenas dizia respeito à política interna uruguaia.

Frustrada a negociação, seguem para Buenos Aires e assinam o acordo, cujo conteúdo já havia sido traçado anos antes, que une Brasil e Argentina para invadir o Uruguai, fato ocorrido no dia 20 de fevereiro de 1865. O que isso tem a ver com o Paraguai? Tudo. Com o vizinho ocupado, os paraguaios ficam novamente sem saída para o mar, o que iria asfixiar sua economia e, por isso, o Paraguai se comprometera a defender o Uruguai diante de qualquer ataque.

A guerra

O Paraguai não tinha outra saída. Rompeu relações diplomáticas com Brasil e Argentina e partiu para a ofensiva, ocupando o Mato Grosso. Era o que bastava para a tríplice aliança, pois Venâncio Flores, o títere imposto ao Uruguai, juntara-se aos invasores.

A guerra, que esperavam breve, durou cinco anos. O Paraguai tinha um Exército de defesa de 50 mil homens, bem preparado, e toda uma população mobilizada para a luta. Juan Batista Alberdi, em correspondência a Sarmiento, Buenos Aires, 1967, testemunha: “O Exército paraguaio é numeroso relativamente ao seu povo porque não se distingue do povo. Cada soldado defende seu próprio interesse e o bem-estar de sua família, na defesa que faz do seu país”.

Já o Exército brasileiro, composto, em sua maioria, por escravos oprimidos no seu país, não tinha motivação para a luta. Nem o argentino, composto de mercenários. As derrotas e a desmoralização se sucedem até que é nomeado para o Comando da expedição o experiente e temido Duque de Caxias (Luís Alves de Lima e Silva), que impõe a disciplina e reverte os resultados, embora a custo de muitas perdas.

O Exército invasor cometeu abomináveis crimes de guerra, entre os quais se destacam: obrigar prisioneiros paraguaios a lutar contra a sua pátria, contaminar as águas do Rio Paraná com cadáveres de pessoas acometidas pelo cólera para contaminar a população ribeirinha (crime assumido por Caxias em carta a D. Pedro II); venda de prisioneiros como escravos (crime confessado por Bartolomeu Mitre, comandante do Exército argentino, em carta ao vice-presidente Marcos Paz); assassinato de milhares de crianças na batalha de Acosta Ñu (crime ordenado pelo conde D’eu, que assumiu o Comando das tropas em substituição a Caxias).

O genocídio

O Duque de Caxias deu por encerrada a guerra no dia 5 de janeiro de 1868, quando o Exército Imperial chegou a Assunção e estabeleceu um governo títere. Mas a ordem foi continuar. Em carta ao imperador Pedro II, datada de 18 de novembro de 1867, ele pediu demissão. Depois de referir-se à bravura do soldado paraguaio, que via como “simples cidadãos, homens, mulheres e crianças”, questionou: “Quanto tempo, quantos homens, quantas vidas para terminar a guerra, é dizer, para converter em fumo e pó toda a população paraguaia, para matar até o feto do ventre da mulher?”.

Caxias desistiu de ser o coveiro do povo paraguaio, mas o Império, atendendo à vontade maior da metrópole britânica, não arredou pé. Pedro II nomeou para o Comando seu genro, o conde D’eu. Este superou qualquer tipo de violência até então conhecido, a exemplo do episódio de Peribebuy, quando o sádico mandou fechar e incendiar um hospital onde só havia velhos e crianças doentes.

Outro crime foi a batalha de Acosta Ñu, no dia 16 de agosto de 1869. Havia se formado um batalhão de 3.500 crianças, a partir de seis anos, para fazer frente aos invasores, possibilitando a fuga de Solano López com 500 homens, o que restava para defender o país. Cercadas por 20 mil soldados, as crianças foram derrotadas, naturalmente. 

Muitos, chorando, abraçavam- se nas pernas dos soldados pedindo para não serem mortas, mas não havia contemplação. Eram degoladas sem dó. No final, as mães correram para a mata para resgatar corpos e procurar sobreviventes, mas não parou por aí: o conde foi capaz de ordenar o incêndio da mata, queimando as crianças e suas mães. O 16 de agosto foi estabelecido, posteriormente, como o Dia das Crianças no Paraguai.

Solano e seus últimos companheiros, cem soldados, foram encontrados e derrotados no dia 1º março de 1870. Instado a se render, ele pronunciou suas últimas palavras: “Morro com minha pátria”.

O povo paraguaio foi praticamente exterminado: mais de 75% de sua população foi morta. Dos 800 mil habitantes no início da guerra, restaram 194.000. A população masculina adulta foi dizimada em quase 100%. Sobraram 14 mil homens, em sua grande maioria, crianças com menos de 10 anos e velhos. Sarmiento, argentino, escreve: “A Guerra do Paraguai conclui-se pela simples razão de que matamos a todos os paraguaios maiores de dez anos”.

O Paraguai perdeu 140 mil quilômetros quadrados do seu território, o que corresponde a Pernambuco e Alagoas juntos. As terras, como todas as riquezas saqueadas, foram repartidas entre brasileiros e argentinos.

Um só ganhador

Mas o único ganhador, mesmo, foi o imperialismo britânico. Incitou Brasil e Argentina à guerra. Estes, com a economia debilitada, dependiam de mais empréstimos para dar conta da tarefa. Nos anos seguintes, este endividamento só fez aumentar. Entre 1871 e 1889, a soma da dívida externa brasileira atinge 45.500.000 libras, e da Argentina, 18.747.000. Das conseqüências do endividamento crescente sobre a realidade econômico-social dos dois países, não é preciso falar.

Derrotada, a nação paraguaia teve aniquilada sua experiência vitoriosa de desenvolvimento econômico soberano, independente e autônomo, a partir de próprias forças. Atualmente, o Paraguai ocupa o 111º lugar em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), entre 187 países listados pela ONU (dados de 2013).

José Levino

Fonte: Genocídio Americano, A Guerra do Paraguai. Júlio José Chiavenatto, Brasiliense, 12ª edição, São Paulo, 1980, de onde, inclusive, foram extraídas as citações. (Com A Verdade)

IMPACTO DAS DENÚNCIAS

                                            

Petrobras passa a investigar também fundo de pensão Petros

A investigação interna da Petrobras para apurar as denúncias de irregularidades que surgiram na chamada operação "lava jato" chegou à Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros).

Em comunicado aos investidores divulgado na última segunda-feira (29/12), a estatal afirmou que  seu Conselho Deliberativo aprovou que a investigação seja estendida ao fundo de pensão.

As denúncias fizeram a empresa contratar dois escritórios de advocacia para analisar por conta própria "a natureza, extensão e impacto das ações que porventura tenham sido cometidas". 

Foram escolhidos os escritórios Trench, Rossi e Watanabe Advogados, especializado em gerenciamento de negócios, e Gibson, Dunn & Crutcher LLP, com atividades nos Estados Unidos e em uma série de países.

Um comitê especial atua como interlocutor das investigações internas independentes conduzidas pelos escritórios, composto por três membros: duas pessoas externas à companhia, independentes, uma brasileira e outra estrangeira, com notório conhecimento técnico, e o diretor de Governança, Risco e Conformidade, que ainda será recrutado.(Com a Conjur)

Hilda Furacão pode ter enterro modesto na Argentina

   
Hilda Valentin em agosto de 2014 durante entrevista ao Fantástico (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Segundo asilo onde viveu, ninguém reclamou pelo corpo da ex-prostituta

Hilda Valentim morreu nesta segunda-feira (29) em Buenos Aires

Thais Pimentel
Do G1 MG


Figura mítica da boemia de Belo Horizonte, Hilda Furacão, ou simplesmente Hilda Maia Valentim, pode ter uma despedida solitária e simples. É o que acreditam os funcionários do asilo Guillermo Rawson em Buenos Aires, na Argentina, lugar onde ela viveu até sua morte nesta segunda-feira (29). 

De acordo com o diretor da instituição, Jorge Stolbizer, o corpo de Hilda está em um necrotério da cidade e ninguém apareceu para reclamá-lo. Os custos para permanência dele no local são cerca de $200, pouco mais de R$400 por dia, e ainda estão sendo bancados pelo asilo.

"Nós vamos esperar até esta quarta (31). Por causa do Ano Novo, é possível que o corpo só seja entregue no dia 2. É uma lástima. Pobre mulher. Fez tanto durante a vida e agora não há ninguém para que possa lhe prestar homenagens", desabafou o diretor. Ainda de acordo com Stolbizer, caso ninguém apareça, o sepultamento será custeado pela prefeitura de Buenos Aires e deverá acontecer no Cemitério Municipal de Chacarita.

O serviço de assistência social da Argentina já foi acionado para tratar dos trâmites. Porém, Stolbizer ainda tem esperança que pelo menos um admirador reclame o corpo. "Com esta divulgação, esperamos que alguém se sensibilize e nos procure"

Na manhã desta terça-feira (30) uma funcionária do asilo entrou em contato com a reportagem do G1 pedindo indicação de alguém no Brasil para assumir a responsabilidade pelo traslado do corpo e do enterro de Hilda. Ela afirmou que ninguém havia entrado em contato ainda e que, desta forma, daria prosseguimento aos trâmites para que fosse enterrada em Buenos Aires mesmo, a cargo do governo local.

O G1 procurou o Itamaraty sobre o caso, mas ainda não obteve resposta.

Hilda Maia Valentim, conhecida como Hilda Furacão, morreu na manhã desta segunda-feira (29) no asilo Guillermo Rawson, em Buenos Aires, na Argentina, segundo informou ao G1 o diretor da instituição, Jorge Stolbizer. Ela foi eternizada em um livro escrito por Roberto Drummond. A história virou minissérie, exibida em 1998 pela TV Globo, na qual Ana Paula Arósio representou a personagem.

Hilda era viúva do ex-jogador do Boca Juniors Paulo Valentim. O jornalista Ivan Drummond, parente de Roberto Drummond, foi quem localizou Hilda no país vizinho. Uma assistente social brasileira entrou em contato com Ivan após elucidar a história da paciente. Em agosto de 2014, a reportagem do Fantástico foi até o asilo e conversou com Hilda, que na época estava com 83 anos.

De acordo com Jorge Stolbizer, a morte aconteceu às 10h10 por "causas multiorgânicas" – ela começou a ficar debilitada por um problema respiratório, depois agravado por uma falha renal. Hilda era mantida numa ala de internação há oito meses devido à saúde frágil. Até um mês atrás, estava totalmente lúcida. Depois, passou a ter “flashes” eventuais de lucidez.

Segundo Stolbizer, ela nunca foi visitada por familiares enquanto esteve no asilo.
Viúva desde 1984, ela morava com um filho até que ele morreu, no ano passado. Hilda sofreu uma queda e ficou internada seis meses em um hospital público em Buenos Aires. Depois ela foi levada para o asilo mantido pela prefeitura.

Na obra de Roberto Drummond, Hilda é descrita como uma mulher linda, jovem da alta sociedade mineira que larga a família e se transforma em uma das mais famosas prostitutas de Belo Horizonte na década de 1950. A rainha da zona boêmia deixava os homens loucos, entre eles, até um frei dominicano, papel de Rodrigo Santoro.

O autor do livro, Roberto Drumond, morreu em 2002. Em 1991, ele deu pistas sobre a personagem. "Hilda existiu. Agora de tal forma ela foi mitificada, e mistificada que ela se transformou em um boato. Um boato festivo, colorido, maravilhoso, então o livro é contado através desse boato", contou o criador de Hilda Furacão. (Com o G1)

Plataformas 3D auxiliam no estudo de história antiga




Aplicativos do Laboratório de Arqueologia Romana Provincial da USP utilizam a realidade virtual para reconstruir a vida em Roma

MARINA LOPES

Quem disse que as aulas de história antiga precisam ser monótonas e desinteressantes? Com um pouco de tecnologia, elas podem se tornar muito mais atraentes. Os dispositivos desenvolvidos pelo Larp (Laboratório de Arqueologia Romana Provincial) do Museu de Arqueologia e Etnografia da USP são um exemplo disso. 

Utilizando tecnologia 3D, o aplicativo Roma 360 faz uma viagem pelo mapa da cidade no período de 360 d.C., apresentando uma reconstrução das estruturas urbanas da época. Ficou curioso para descobrir como era uma casa romana por dentro? O aplicativo Domus dá conta do recado.

“A ideia é fazer com que o professor e o aluno consigam explorar o mapa desse período, fazendo um paralelo com os dias de hoje”, explicou o idealizador Alex Martire, historiador e arqueólogo. Com o Roma 360, por exemplo, o usuário pode percorrer, de forma interativa, por edifícios públicos, religiosos e políticos da época, notando que existem semelhanças com as formas de organização das cidades atuais.

O primeiro aplicativo desenvolvido pelo Larp foi o Roma 360. O projeto teve ligação com o doutorado em cyberarqueologia, realizado por Martire com a orientação da professora Maria Isabel Fleming, coordenadora do laboratório. 

A intenção era unir os recursos digitais com a arqueologia.  Para isso, foram retiradas referências bibliográficas e imagéticas de fontes como o atlas histórico de Willian Shepherd, datado de 1923. A reconstrução da cidade foi desenvolvida com o apoio dos softwares Autodesk Maya, responsável pela modelagem dos objetos, e o Unity, que permitiu a interação do usuário e a rotatividade 360 graus pela plataforma.

O período de 360 d.C. foi escolhido pela proximidade com o fim do Império e a possibilidade de trabalhar com uma época mais recente. “Quanto mais antigo, mais difícil conseguir material e vestígios arqueológicos”,  contou Martire. 

Segundo ele, ao vivenciar esse período e ter a possibilidade de adentrar em um universo com recursos tridimensionais, os estudantes conseguem passar por uma experiência de aprendizado mais completa. “A realidade virtual fortalece o processo cognitivo dos alunos.”

Para o pesquisador, além dos recursos tecnológicos, outro fator que proporciona um ensino mais amplo é a possibilidade de trabalhar com dados levantados a partir da arqueologia, que vai muito além dos documentos escritos que são reproduzidos nos livros didáticos. “Os documentos costumam mostrar apenas a história dos vencedores. Por outro lado, a arqueologia consegue apresentar um panorama de como eram as organizações sociais e as cidades da época”, pontuou.
Conhecendo uma casa romana

Após desenvolver o Roma 360, a equipe do Larp começou a trabalhar na criação do Domus, outro aplicativo que utiliza recursos tridimensionais para aumentar o conhecimento sobre história antiga. Com uma interface semelhante à utilizada em games, o dispositivo permite que o usuário navegue pelo interior da casa de uma família da elite romana.


Passando por cômodos como a cozinha, o banheiro e o escritório, é possível interagir, manipular objetos e ler textos interativos que trazem uma explicação sobre os espaços visitados. Em cada quarto da casa é possível observar a decoração de um período artístico romano. No primeiro estilo arquitetônico, por exemplo, a decoração utiliza blocos ou painéis de pedras coloridas do século 2 a. C..

No aplicativo também é possível encontrar materiais de apoio com galerias de imagens, que mostram objetos reais encontrados em escavações arqueológicas, e textos de apoio para educadores, que apresentam conteúdos didáticos para auxiliar no entendimento de temas como religião e arquitetura.

Atualmente os dois aplicativos estão disponíveis gratuitamente na internet e podem ser baixados para acesso offline. A equipe do Larp está trabalhando no desenvolvimento de uma versão Android para ser utilizada em aparelhos móveis.


FONTE: Porvir (Com Prestes a Ressurgir)

‘ESTADO DE MINAS’

                                                 

Editor é proibido de falar de política. Demitiu-se

Rafaella Dotta 

Reproduzido da Carta Maior/Brasil de Fato, 18/12/2014; título original “Editor do jornal Estado de Minas é impedido de falar de política”
      
Na terça-feira (16/12) João Paulo Cunha, um respeitado jornalista dos temas cultura e política, pediu demissão de um dos mais tradicionais meios de comunicação de Minas Gerais, o Estado de Minas. A notícia traz à tona a “onda de censura” implantada no jornalismo mineiro, fato comentado, documentado e denunciado por jornalistas mineiros há anos. 

A demissão de João Paulo aconteceu após uma conversa entre ele e a diretoria do jornal, em que a chefia deixou claro que ele não poderia mais escrever de política. Por considerar a atitude uma manifestação de censura sobre o seu trabalho, o jornalista não aceitou continuar no cargo e pediu demissão (ver a última coluna, “Síndrome de Capitu“).

“Acho inadmissível que um jornal censure seus profissionais. A luta histórica que tivemos no Brasil é para termos o jornalismo como instrumento de cidadania”, afirma o jornalista. O motivo da censura seria a sua opinião política, diferente da linha adotada pelo jornal, que segundo ele é “francamente explícita a favor de Aécio Neves”. 

No artigo “Síndrome de Capitu”, publicado no suplemento semanal “Pensar” no dia 5, João Paulo criticou a recente movimentação para um golpe político, elaborado pela oposição à presidência, e defendeu a Reforma Política como “agenda prioritária para a sociedade”. “A coluna que ele escreveu deve ter desagradado interesses do jornal e de alguns políticos, que fizeram uma represália a ele”, acredita Kerison Lopes, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais.

“Pensar continua sendo perigoso”

No estado, episódios de censura não têm acontecido apenas nas redações de jornais. A professora Beatriz Cerqueira, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT MG), foi alvo de 17 processos contra uma campanha publicitária sobre a educação mineira. Os processos foram movidos pela coligação do PSDB ao governo do estado. “Em Minas, pensar continua sendo um ato muito perigoso, quase um terrorismo contra o Estado”, afirma Beatriz. 

“Infelizmente, o Estado de Minas perde qualidade e credibilidade com essa atitude”, afirmou o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerison Lopes. Ele conta que, na manhã de quarta-feira (17/12), dezenas de leitores e jornalistas procuraram o sindicato para dar depoimentos descontentes com a saída de João Paulo. “A gente espera que esse seja o último caso de censura da era tucana em Minas, mas talvez seja o mais emblemático, pelo que João Paulo representa para o jornalismo mineiro”.

Daniel Camargos, jornalista do caderno de política do Estado de Minas, diz que a despedida de João Paulo foi comovente. “Quando ele se despedia das pessoas formou uma imensa roda em torno dele. Todos querendo saber o que havia ocorrido. Ele explicou e a reação final de toda a redação foi levantar e bater palmas”, conta. “Hoje (17) muita gente, mas muita gente mesmo, veio de camisa branca de malha. Uma maneira de homenagear o João Paulo, que se vestia constantemente assim”.

Juarez Guimarães, professor de Ciências Políticas da UFMG, acredita que este seja o caso de censura mais simbólico dos últimos tempos. “A falta de pluralismo dos donos da comunicação de Minas Gerais é uma afronta ao princípio de liberdade que funda a história dos mineiros”.

Entrevista com João Paulo Cunha

Formado em filosofia, psicologia e jornalismo, João Paulo Cunha trabalha há 25 anos como jornalista, sendo 18 deles no jornal Estado de Minas. Atualmente, era editor chefe do caderno de Cultura, além do caderno TV, Divirta-se e do suplemento que circula aos sábados, o Pensar. Em 2011, João Paulo lançou o livro “Em busca do Presente”, com artigos publicados na sua coluna “Olhar”.

Na sua opinião, o que motivou a censura jornalística a você?

João Paulo Cunha – O jornal, como todos, tem uma linha editorial própria, sobre a realidade política, social e econômica. Isso é legítimo. Como eu tenho uma linha de pensamento diferente, que discordava do jornal, avisaram que eu estava a partir daquele momento proibido de escrever ideias sobre política.

Para você, é admissível que donos de um jornal ditem o que os jornalistas vão escrever?

J.P.C. – Não. Acho inadmissível que um jornal censure seus profissionais. A luta histórica que tivemos no Brasil é para termos o jornalismo como instrumento de cidadania. Ao censurar a imprensa ou o jornalista, você está tirando dele o mais importante, que é a liberdade de expressão e a possibilidade de trazer várias visões de mundo.

Sempre há denúncias de que há censura no Estado de Minas, inclusive durante as eleições. Isso realmente acontece?

J.P.C. – Na minha área de trabalho, que é a cultura, nunca tive nenhum tipo de cerceamento com relação aos conteúdos. Mas ficou nítida nessa última eleição uma linha explícita a favor de Aécio Neves, sempre positivando as ações dele, e críticas e negativas a Dilma Rousseff. Hoje há um nítido direcionamento, que favorece Aécio. 

Por que isso prejudica o jornalismo?

J.P.C. – A base do nosso trabalho é ampliar a capacidade das pessoas de se relacionar com o mundo, para tomar suas decisões da melhor forma e viver em sociedade. Quanto mais informação ele divulga, maior o compromisso do jornal com a sociedade. Se você limita as ideias a apenas uma posição, você está impedindo que o jornalismo faça o que é sua função essencial: levar informação de qualidade, reflexão e visão de mundo plural pra todas as pessoas.

(*) Rafaella Dotta é do Brasil de Fato

Ela viveu sem se curvar ao deus dolar

Maria do Carmo Aquino


Agassiz Almeida (*)

Maria do Carmo Aquino veio para a vida e a viveu sem se curvar ao deus dólar e dela partiu sem pedir licença ao Deus das religiões. Abominava os cretinos que se transvestiam de democratas para melhor sangrar os povos.

Não conseguindo assistir o nosso país vencer uma estrutura sociopolítica de séculos de espoliação, recolheu-se à ilha de Itamaracá, PE e de lá bradava: “Não serei conivente com a patifaria de um capitalismo cruel que faz dos povos rebanhos humanos e do capital um mito”. Assim, aquela valente se indignou até o último suspiro de vida.

No dia anterior ao seu falecimento, ouço a sua palavra por telefone: “Agassiz, fui convidada para falar sobre o teu livro ‘A ditadura dos generais’, em Recife. Que obra esta tua! É um anátema eterno contra os tiranos”.

Esta grande indignada irrompeu para a vida descendente de uma cepa de indomáveis resistentes, da qual se irradiou têmpera de fortes personificados em Osmar de Aquino e Laura Aquino.

Carregava-se da avidez de um ideal por justiça, da dissecação dos fatos e uma força voluntariosa de lutar. No seu rosto, liam-se os sentimentos de irresignação contra as atrocidades sociais. “Que crueldade os camponeses carregarem cinco séculos de latifúndio”.

Ao olhar milhares de camponeses num encontro em Sapé, PB, vergastava: “Não se pode conviver com uma sociedade na qual os trabalhadores do campo são relegados a párias”.

Trazia consigo uma força ingente em defesa dos injustiçados, e desta forma ela soube compreender a natureza humana: Fez-se forte e não autoritária; enérgica sem ser prepotente.

Dois impulsos moviam aquela personalidade que ora tomba no chão da História: o sentimento do mundo pelas liberdades e a luta em favor de milhões de camponeses cujo fardo de cinco séculos arrastam pelos rincões da América Latina. Frente a estes desafios construiu o seu templo de vida.

Certa vez, me disse tocada de indômita revolta: “Prefiro as tempestades da liberdade do que o silêncio e o conforto do oportunismo”.

Aquela combatente simbolizou o espírito de luta do seu tempo. Predestinou-se a enfrentar forças poderosas, sem temer adversidades. Acreditava no amanhã dos povos. Arrebatava-a um turbilhão revolucionário, e assim abraçou as grandes causas. Depois do golpe militar de 64, tornou-se feroz contra os torturadores ante os quais vituperava: “Não suporto pisar o mesmo chão destes infames”. Que valente guerreira!

Viandante incansável pelos caminhos da vida viajava muito. De Cuba para Moscou e de lá descortinou o mundo sem jamais ensarilhar as armas contra qualquer tipo de tirania.

Nas horas tempestuosas o que aquela filha de Guarabira nos legou? A altivez de jamais ceder aos lacaios.

Quando a covardia humana pelas garras militares encurralava a nação, Maria do Carmo Aquino ergueu a sua fortaleza de resistência na ilha de Itamaracá, e de lá soltava os seus petardos contra os tiranos. Que segurança ela nos passava. Transfigurava-se numa verdadeira “La Passionaria” da Guerra Civil Espanhola! Lá estávamos nós tocados por seu olhar imperativo: Gregório Bezerra, Osmar de Aquino, Francisco Julião, Agassiz Almeida, Abelardo da Hora, Clodomir Morais, Edval Cajá, Assis Lemos e tantos outros companheiros.

No seu mundo de Itamaracá onde conviveu com os trabalhadores do mar – se fez quase um personagem mítico de Hemingway – ouvia relatos fascinantes sobre o universo das águas e, desta forma, abria diálogos oceânicos com os pescadores.

Que fiquem estas palavras à guerrilheira que partiu: os fanfarrões e os degradados morais passam no cotejo interminável dos dias, a história marca os passos dos fortes, e entre estes lá está o nome de Maria do Carmo Aquino de Araújo.

(*) Agassiz Almeida é escritor, ativista dos direitos humanos, deputado federal constituinte de 1988, autor das obras “500 anos do povo brasileiro”, “A república das elites”, “A ditadura dos generais”; e recentemente lançou o livro “O fenômeno humano”. É considerado pela crítica como um dos grandes ensaístas do país (Dados colhidos na Wikipédia).

Estas tais de Frentes de Esquerda merecem muita discussão. Entretanto acho difícil que elas se concretizem com o PT, hoje claramente um partido de centro-direita. Contudo, vejamos parte do artigo de um petista histórico, o governador Tarso Genro, publicado em "Carta Maior"

                                                                      

"Frente de esquerda na diversidade da esquerda

Tanto é possível avançarmos para um novo período de conquistas populares no Brasil, como é possível enfrentarmos uma regressão neoliberal clássica

Está formado, hoje, no Brasil um novo e fortíssimo centro político liberal de direita. Ele penetra, inclusive, num espaço significativo do centro democrático, traduzido no mais notável aparato hegemônico, jamais construído pelas elites brasileiras. Ele compõe-se de um conjunto de instituições empresariais e da sociedade civil, empresas de comunicação, setores de partidos e partidos de direita e centro- direita, articulados diretamente com grupos da “alta” intelectualidade na academia, na imprensa e nas organizações empresariais.

Este novo centro atende pelo nome de “Instituto Millenium”. Ele  torna irrelevantes os programas e as intenções dos partidos conservadores e de direita no Brasil, porque passa a “produzir”, não só as suas agendas políticas imediatas, cooptar e contratar os seus intelectuais e formadores de opinião, mas também passa a formar novos quadros. Orienta, também, os seus programas de governo, com o paralelo bombardeamento da política partidária, face à identidade (sempre seletiva),  que conferem à função pública (toda ela), como leito da corrupção e, aos partidos,  como seus canais organizadores.

Esta nova configuração da ação regressiva da direita brasileira está dentro da luta democrática. E ela visa, não só brecar conquistas populares “dentro da ordem”, como dizia Florestan Fernandes, mas também impor - por meios aceitos pela democracia e dentro da democracia política-  saídas econômicas, financeiras e políticas,  ao seu gosto e uso.

Em outras épocas o fizeram pelas mãos dos militares, contra as “reformas de base” e com a cristalização de uma sociedade de classes profundamente desigual. Como dificilmente, hoje, encontrariam grupos de militares dispostos a novas aventuras, estão se organizando, cada vez mais, para lutar pelos seus interesses pelos métodos democráticos. E o fazem legitimados pela mesma Constituição que dá espaços para as lutas da esquerda e da chamada extrema esquerda."

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

VIVA OS HACKERS DA COREIA DO NORTE!

                                                                              
                                                                                             Montagem COREIA


Breno Altman

O presidente norte-americano, Barack Obama, em entrevista concedida à rede de televisão CNN, mostrou os dentes.

Perguntado sobre o ataque cibernético realizado pelo grupo virtual Guardiões da Paz, hipoteticamente vinculado a Pyongyang, contra computadores da Sony Corporation, o inquilino da Casa Branca tomou as dores da empresa.

“Foi um ato de vandalismo que custou muito caro”, declarou à jornalista Candy Crowley. “Levamos isto muito a sério. Vamos responder de maneira proporcional. Estudaremos a possibilidade de reintegrar a Coreia do Norte à lista de países que patrocinam o terrorismo.”

O governo de Kim Jong-un rechaça as acusações. Respondendo às declarações de Obama, ameaçou os Estados Unidos com “severas retaliações”, caso o país seja sancionado por conta destas denúncias.

Multinacional de capital majoritariamente japonês, a Sony é dona dos estúdios de cinema Sony Pictures, sediados na Califórnia, e acionista da Metro-Goldwyn-Mayer. Recentemente produziu filme intitulado “A entrevista”, que retrata de forma debochada a liderança norte-coreana.

Os Guardiões da Paz violaram os servidores da companhia, dando ultimato contra a exibição do longa-metragem, estrelado pelos comediantes James Franco e Seth Rogen. Caso a exigência não fosse atendida, provocariam danos financeiros à empresa e exporiam seus segredos industriais.

A Sony decidiu cancelar a distribuição do filme, que já havia sido motivo de protestos norte-coreanos nas Nações Unidas.

Obama resolveu, então, entrar em cena.

Primeiro para criticar a própria Sony, por ceder aos arreganhos da organização cibernética. Depois, para agir como guarda pretoriana de uma companhia privada, colocando o Estado mais poderoso do mundo a serviço de negócios cinematográficos, transformando assunto de polícia em questão de segurança nacional.

Salta aos olhos a aberração de tratar como terroristas quem protesta, mesmo de forma ilegal, mas não violenta, contra um simples filme.

Mas é também ato falho, que revela a natureza da indústria norte-americana de entretenimento.

São inúmeros os estudos que consideram este ramo de atividade, além de altamente lucrativo, o principal braço cultural da hegemonia imperialista.

O cinema, ao longo de décadas, tem disseminado, junto com diversão de massas, valores e identidades que fortalecem o papel dos Estados Unidos, enaltecendo tanto o sistema político-econômico quanto o estilo de vida do capitalismo local.

Os adversários destas ideias e interesses, de maneira quase infalível e sem qualquer chance de defesa, são esculhambados como abutres da humanidade.

O discurso oficial, em situações rotineiras, busca se dissociar das empresas cinematográficas, tratadas como cidadelas da livre iniciativa e da liberdade de expressão.

Bastou ser invadida fortaleza tida como inexpugnável, no entanto, para o presidente dos Estados Unidos ocupar a ribalta e revelar como é carnal a relação entre os estúdios e o poder político.

Tal atitude expõe questões éticas de enorme importância.

Se o cinema é ferramenta do neocolonialismo, frente ao qual os povos da periferia do mundo, pela via do mercado, pouco ou nada podem, não são legítimas ações de resistência como as dos Guardiões da Paz?

Tenha-se ou não simpatia pelo regime norte-coreano, é razoável supor que seus líderes aceitassem a chacota de braços cruzados, ainda mais sabendo que a indústria cultural dos EUA normalmente se alista como vanguarda em operações de cerco econômico e agressão militar?

A imediata e ríspida intervenção de Obama não esclarece que, muito além da circulação de produto para entretenimento, o que está em jogo é a possibilidade ilimitada de colocar a industrialização do cinema no arsenal da geopolítica?

O fato é que estes piratas eletrônicos, sem fazer vítima alguma, atuando como herdeiros robóticos de Gandhi, bagunçaram o roteiro dos monopólios de imagem e som que se enlaçam com o supremacismo de Washington.

Vamos combinar: foi de tirar a barriga da miséria.

Pois então, longa vida aos presumidos hackers norte-coreanos! (Com Opera Mundi)

(Nota do editor: O presente artigo assinado pelo sr. Breno Altman, expõe apenas o pensamento de seu autor, com o qual não tenho necessariamente que concordar. Assim como também faço restrições às propaladas respostas de porta-vozes da República Democrática da Coreia com ofensas pessoais ao presidente dos EUA, sr. Barack Hussein Obama.

José Carlos Alexandre)

Luís Góes lança o livro "Bairro Santa Tereza, Tradição e História"

                                                                           
Quando a Capital comemora 117 anos, o jornalista Luis Góes (foto) está oferecendo mais um presente para os moradores da cidade ao publicar o livro "BAIRRO SANTA TEREZA, Tradição e História".

Com 260 páginas, 500 imagens, tamanho ofício (20x27cm), capa em cores, o livro é o resultado de um trabalho de 30 anos de pesquisas em jornais, livros, relatórios, atas de entidades, entrevistas com antigos moradores, coleta e cópia de documentos e fotografias.

Além de contar a história dos imigrantes que vieram para a região nos fins do século XIX, Luis Góes publica sobre dezenas de famílias que se radicaram no bairro, desde o princípio de 1900, e entidades como o Exército, Polícia Militar, as igrejas e as atividades de cultura e lazer como as associações, os clubes de teatro, recreativos, cinema, o futebol e carnaval. O livro é uma ótima fonte de pesquisas para estudantes, em todos os níveis, estudiosos da história da cidade e para os moradores guardarem em suas estantes e bibliotecas, para mostrar para a atual e futuras gerações com é e como era o Bairro Santa Tereza. 

Depois de apelar para várias empresas, entidades e governo sem sucesso, Luis Góes resolveu publicar o livro com a ajuda dos amigos e pessoas que tem simpatia e relacionamento com o Bairro Santa Tereza. Assim ele está solicitando, aos que querem e podem colaborar, que antecipe e compre, pelo menos, uma unidade do livro, que ainda está em fase de impressão. Por esta participação cada exemplar custa R$ 25,00, adquirindo até o dia 15 de dezembro. Após esta data o preço será de mercado, bem diferente do que está sendo oferecido no momento.

O interessado pode depositar o respectivo valor, de quantas unidades deseja, em uma das contas abaixo, em nome de Luis Gonzaga Góes:

BANCO DO BRASIL

Conta 48512-8, Agência 1626-8

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Conta 20155-8, Agência 2333-001

Ou enviar para o endereço de residência, Rua Salinas, 2216, Cep 31010-074, Bairro Santa Tereza, Capital.

O livro será entregue a partir do dia 15 de dezembro ou poderá ser enviado, via Sedex (com remessa paga) para o endereço fornecido pelo colaborador. 

495º ANIVERSÁRIO DE HAVANA

                                                                         
                                                                        Reprodução da internet

A música na Capital cubana

RAFAEL LAM

HAVANA tem sido sempre a cidade mais musical da América, desde os idos da colônia, tal como o demonstram seus cronistas.

"Em Havana todo mundo é músico; ao andar pelas ruas não se escuta outra coisa que violões, pianos e música". (Luciano Pérez de Acevedo, in Havana do século 19, 1830).

"Em Havana a paixão dominante é a dança, todo mundo dança em Havana. A cidade tem a fama de ser uma cidade muito alegre, onde todo homem e mulher goza, onde o povo se diverte constantemente, e por causa dessa ideia, muito geral, é que tem sido chamada de O Paris da América". (Nicolás Tanco Armero, Viagem à Nova Granada, 1852).

O primeiro carnaval, o mais importante e emblemático de Cuba foi efetuado em Havana. A ele pertencem as Charangas de Bejucal, criadas em 1840.

Em 1841, foi criado em Havana o ritmo chamado habanera. Fez a estreia no café La Lonja, na rua O’Reilly, junto à Praça de Armas, ao lado da Capitania Geral, segundo dados de Zoila Lapique.

A habanera alimentou o início de quase todas as músicas da América: o tango, a dança mexicana, o merengue, o samba e o jazz.

Paralelamente, na província de Matanzas, e na zona do porto de Havana e nos arrabaldes da zona fora das muralhas surge a rumba urbana e a conga do carnaval, nesses bairros de fora da cidade. Essa é uma das maiores honras com que conta o Centro Histórico da antiga Havana.

A cidade chegou a contar com várias "academias de dança", centenas de salões para dançar e sociedades e chegou a ser o berço dos teatros, pois ali existiam muitos mais que em qualquer outra cidade da América. Em épocas posteriores, mais de 10 mil vitrolas chegaram a soar em botecos e cafés.

As guarachas, unidas ao teatro popular, marcaram uma época com as mulatas de fogo e açúcar, no teatro Alhambra e em outros salões e palcos havanenses como o teatro Irijoa (Martí), restaurado há pouco tempo.

A guaracha (canção humorística), desde a década de 1860, se converteu na colônia em uma arma política, arte subversiva, irreverente, dos dessapossados, música de resistência, muro de contenção, como forma de oposição às zarzuelas e óperas, impostas pela aristocracia colonizadora.

Na primeira metade do século 20, devido ao auge do turismo, surgem as boates mais renomadas do continente: Sans Soucí, Montmartre e Tropicana. Mais adiante, novas boates abrem nos luxuosos hotéis do Vedado: a Parisien, no Hotel Nacional de Cuba; a Caribe do Hotel Hilton (hoje Habana Libre, n.r.) e no Capri.

Outras boates de menor categoria também eram muito populares: Alí Bar, onde cantava Benny Moré; Las Vegas, La Campana, La Sierra, Palermo, Night and Day, Cabaret Nacional e outras boatezinhas em Playa de Marianao, com uma música autêntica, algumas delas frequentadas pelo ator norte-americano Marlon Brando.

A criolla (crioula), um dos ritmos cubanos que mais se tornou popular, foi concebida em Havana pelo músico Luis Casas Romero, em 1912. Sua primeira música foi Carmela, com a letra do poeta Sergio La Villa.

Depois, Luis Casas compôs uma crioula antológica e emblemática: El Mambí, uma obra que chegou a ser cantada por todos aqueles que defendiam a liberdade. Em Havana, o son oriental veio consolidar-se, ao poderem ser escritas as letras, além das contribuições da música abakuá em certos mambo, com o toque do ekon (chocalho), a tumbadora (tambor) e o jeito de se expressarem os cantores.

Em 1928, foi criado na cidade o son-pregão El manisero, de Moisés Simon. Foi estreado pela mítica cantora Rita Montaner, na noite de 16 de setembro de 1928, no faustuoso teatro Palace, situado em Provence, perto dos grandes bulevares parisienses. O Palace concorria com o Cassino de Paris, com o Folies Bergére e com o Molulin Rouge quanto à suntuosidade dos seus espetáculos.

Rita substituiu, nada mais nada menos, que a cantora de cuplês espanhola Raquel Meyer. Em maio de 1930, Antonio Machin gravou o El Manisero em Nova York, a peça difundiu-se internacionalmente e se converteu no primeiro sucesso da música latina.

Em Havana foram concebidos, ainda, entre 1938 e 1948, ritmos como o mambo, com o poder de Arsenio Rodriguez, Arcaño y sus Maravillas, os irmãos Israel e Orestes López, os Cachaos e o gênio sublime de Dámaso Pérez Prado.

O mambo converteu.se em uma revolução, a primeira bomba atômica musical do século, feita em Cuba. Segundo o escritor Gabriel García Márquez, o mambo "pôs o planeta de pernas para cima".

O cha-cha-chá, da década de 1950, foi um outro ritmo musical ecumênico. Um bailado sem comparação, nítido, simples, com uma flauta cheia de música de uma charanga francesa à cubana.

Estas duas bombas musicais invadiram o mundo na década de 1950, pouco antes que o fizesse, perigosamente, o rock and roll de Bill Haley e Elvis Presley, em 1954. O mambo e o cha-cha-chá invadiram o mundo, especialmente os salões de dança da Europa e dos Estados Unidos. Em Havana espalhou-se uma atmosfera musical que pôs a música cubana no mapa musical do planeta todo.

No bairro havanense de Cayo Hueso, especificamente no Beco de Hamel, inicia-se o movimento feeling (cujos principais cultores eram César Portillo de La Luz, José Antonio Méndez, Angelito Diaz, Elena Burke, Omara Portuondo, Ñico Rojas, Rosendo Ruiz Quevedo e muitos mais).

O feeling fez contribuições na harmonia das composições com renovações melódicas, harmônicas e literárias. Um estilo de cantar menos trágico, mais íntimo, coloquial, sentimental e romântico.

A década de 50 é chamada pelos historiadores "A Década da Façanha Musical", devido à alta difusão internacional que consegue a música cubana no mundo todo, através da infinidade de músicos e agrupamentos que deram vida e alegria à capital da Ilha.

A década encerra em grande finale, com o aparecimento da Pachanga, de Eduardo Davidson, em 1959. A Pachanga, mais do que um ritmo, foi outra explosão.

Já em meio de outra atmosfera e clima social surge, na década de 1960, uma nova forma de fazer música, o Movimento da Nova Trova, que gera músicas de temas políticos e sociais, com uma nova visão dos textos, tanto os comprometidos quanto aos dedicados ao amor.

Na vanguarda destas canções é preciso mencionar Silvio Rodríguez e outros compositores que, em alguma medida, se inspiraram em velhos trovadores e no cronista Carlos Puebla.

E no decurso das décadas de 1960 até 1980, produziram-se várias explosões musicais de grande envergadura, com agrupamentos de relevância como a orquestra Revé, Los Van Van, Adalberto Alvarez, Dan Den, Charanga habanera, NG La Banda e outras.

Todas estas bandas e orquestras foram responsáveis, na década de 90, pelo chamado boom da sala ou timba cubana. Seguiu a isso um renascimento do son e da trova tradicional, com o fenômeno do Buenavista Social Club.

Havana continua estando aberta a todas as influências, renovações e revoluções musicais juvenis.

Atualmente, em Havana predomina uma música experimental. Diz-se que o mambo e a rumba sempre vêm ajudar a música cubana. Com certeza, em qualquer momento aparecerá uma sorte de remédio. Havana mostra hoje sua música, como um dos elementos mais ferventes da unidade, a identidade e a alegria. (Com o Granma)

Havana, capital de Cuba, eleita uma das sete cidades maravilhosas do mundo


                                                                  Fotos: Ladyrene Pérez / Cubadebate.














Havana, com 495 anos, foi eleita como uma das sete cidades maravilhas do mundo. As outras são: La Paz (Bolivia), Beirut (Líbano), Doha (Qatar), Durban (Sudáfrica), Kuala Lumpur (Malasia) y Vigan (Filipinas).A eleição ocorreu no último domingo em Dubai, numa promoção da New7WondersCities.

Voar sobre o Pântano

sábado, 27 de dezembro de 2014

CAMARADA NESTOR VERA, PRESENTE!

                                                                       

RELATÓRIO APRESENTADO PELA COMISSÃO DA VERDADE EM MINAS GERAIS SOBRE O DESAPARECIMENTO DO CAMARADA NESTOR VERA.

Pelo direito à Memória, à Verdade e à Justiça! Punição para os responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar!


NESTOR VERA - Nestor Vera era de origem camponesa e nasceu no dia 19/07/1915, em Ribeirão Preto, São Paulo. Filho de Pilar Velasques e Manoel Vera, casou-se em 1938 com Maria Miguel Dias, com quem tinha cinco filhos. Foi secretário-geral da União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (ULTAB) e tesoureiro da primeira diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura, entidade sindical fundada em dezembro de 1963 e que tinha como presidente Lindolpho Silva, também integrante do PCB.

Foi um dos organizadores do congresso camponês realizado em Belo Horizonte, em 1961, integrando nesse encontro a comissão sobre reforma agrária, ao lado de Francisco Julião, Armênio Guedes, Dinarco Reis e Alberto Passos Guimarães. Dessa comissão saiu o documento “Declaração do I Congresso Nacional dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas”, sobre o caráter da reforma agrária no Brasil. Trabalhou também como jornalista, sendo responsável pelo jornal Terra Livre, que o PCB lançou em 1949, cujo tema central era o movimento camponês.

Membro do Comitê Central do PCB, Nestor Vera se tornara o principal responsável pelo setor camponês. Em documentos do Centro de Informações do Exército consta a informação de que teria realizado curso de formação política em Moscou. 

Cassado pelo Ato Institucional número 1 em 1964, foi julgado à revelia e condenado a cinco anos de reclusão pela Lei de Segurança Nacional. A partir de então passou a viver na clandestinidade, adotando nome e sobrenome falsos, não apenas para si, mas também para a mulher e seus filhos.

Nestor Vera desapareceu em abril de 1975, em frente a uma drogaria de Belo Horizonte, confirme denúncia de Luís Carlos Prestes, dirigente do PCB. José Francisco Neres, seu companheiro de partido, reiterou a denúncia de seu desaparecimento: segundo afirmou, a direção nacional do PCB, na tentativa de reorganização sindical dos trabalhadores rurais, passou a enviar a Minas Gerais, frequentemente, Nestor Vera, então Tesoureiro da Confederação Nacional dos Trabalhadores Agrícolas, que fora cassada pelo golpe militar de 1964.

Neres informa em seu depoimento que, após as eleições de 1974, os sindicalistas e apoiadores do recém-eleito deputado federal Marcos Tito (MDB-MG) se reuniram em Belo Horizonte. Logo após o encontro, Nestor Vera foi deixado pelos companheiros, na Rua Rio Grande do Sul, esquina com a Rua Tamoios.

Segundo o itinerário traçado e informado pelo próprio Nestor Vera, ele passaria pela Avenida Olegário Maciel e, logo em seguida, iria para a Rodoviária, pois já estava com passagem comprada para as 10:00 horas com destino a São Paulo.

Ainda conforme depoimento de José Francisco Neres, teria sido noticiado pelo Jornal Estado de Minas (embora o depoente informe que a notícia teria sido veiculada no Estado de Minas, em verdade a notícia foi divulgada no Diário da Tarde, conforme atesta o jornalista José Carlos Alexandre, em depoimento) que um senhor de cabelos brancos passava em frente à casa Falci, na Avenida Olegário Maciel, quase na esquina com a Rua Tupinambás, quando três homens de terno e gravata desceram de um carro com chapa branca, agarram-no e empurraram para dentro do veículo. Ainda segundo o depoente, esse senhor seria o Nestor Vera.

Segundo o depoimento do jornalista José Carlos Alexandre, que à época era redator do jornal Diário da Tarde, ele recebeu um telefonema do farmacêutico Edgar Guerra, informando que estivera com Nestor Vera pouco antes dele ser sequestrado, à porta de sua farmácia, na Avenida Olegário Maciel, esquina com a Rua Tupinambás. O referido jornalista afirma que redigiu a nota de denúncia, de poucas linhas “(creio que dez ou doze)”, conforme declaração feita ao Ministério Público.

Nestor Vera foi reconhecido como desaparecido político pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (processo número 212/96), com base na Lei número 9.140/1995:

Art. 1 – São reconhecidos como mortas, para todos os efeitos legais, as pessoas que tenham participado, ou tenham sido acusadas de participação, em atividades políticas, no período de 02/09/1961 a 05/10/1988, e que, por este motivo, tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, deste então, desaparecidas, sem que delas haja notícias.

A seguir, quadros que procuram elucidar as autorias de graves violações de direitos humanos, praticadas por agentes do Estado e milícias privadas, no caso em análise:

Nome: General Newton Cruz

Órgão: SNI – Função: Chefe do SNI

Grave violação de direitos humanos: Seqüestro, tortura e assassinato por execução sumária.

Conduta praticada pelo agente: Ordenou o seqüestro, a tortura e assassinato.

Local da grave violação: Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte.

Fonte documental/testemunhal sobre a autoria: Cláudio Guerra. Memórias de uma guerra suja. Rio de Janeiro, Topbooks Editora e Distribuidora de Livros Ltda., 2012, PP.63 e 64, confirmado e detalhado por depoimento à CNV

Nome: Coronel Frederico Perdigão

Órgão: SNI – Função: Chefe do SNI-MG

Grave violação de direitos humanos: Seqüestro, tortura e assassinato por execução sumária.

Conduta praticada pelo agente: Ordenou o seqüestro, a tortura e assassinato.

Local da grave violação: Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte.

Fonte documental/testemunhal sobre a autoria: Cláudio Guerra. Memórias de uma guerra suja. Rio de Janeiro, Topbooks Editora e Distribuidora de Livros Ltda., 2012, PP.63 e 64, confirmado e detalhado por depoimento à CNV

Grave

Nome: Cláudio Guerra

Órgão: Polícia Civil do Espírito Santo/DOPS

Grave violação de direitos humanos: Seqüestro, tortura e assassinato por execução sumária.

Conduta praticada pelo agente: Assassinatos por execução sumária e ocultação de cadáver.

Local da grave violação: Mata próxima a estrada que liga Belo Horizonte a Itabira – MG.

Fonte documental/testemunhal sobre a autoria: Cláudio Guerra. Memórias de uma guerra suja. Rio de Janeiro, Topbooks Editora e Distribuidora de Livros Ltda., 2012, PP.63 e 64, confirmado e detalhado por depoimento à CNV

Nome: João Alves Filho (vulgo Joãozinho Metropol)

Órgão: Polícia Civil de Minas Gerais

Grave violação de direitos humanos: Assassinatos por execução sumária e ocultação de cadáver.

Conduta praticada pelo agente: Seqüestro, tortura, execução sumária e ocultação de cadáver.

Local da grave violação: Mata próxima a estrada que liga Belo Horizonte a Itabira – MG.

Fonte documental/testemunhal sobre a autoria: Cláudio Guerra. Memórias de uma guerra suja. Rio de Janeiro, Topbooks Editora e Distribuidora de Livros Ltda., 2012, PP.63 e 64, confirmado e detalhado por depoimento à CNV

Nome: Hadyn Prates Saraiva

Órgão: Polícia Civil de Minas Gerais

Grave violação de direitos humanos: Assassinatos por execução sumária e ocultação de cadáver.

Conduta praticada pelo agente: Seqüestro, tortura, execução sumária e ocultação de cadáver.

Local da grave violação: Mata próxima a estrada que liga Belo Horizonte a Itabira – MG.

Fonte documental/testemunhal sobre a autoria: Cláudio Guerra. Memórias de uma guerra suja. Rio de Janeiro, Topbooks Editora e Distribuidora de Livros Ltda., 2012, PP.63 e 64, confirmado e detalhado por depoimento à CNV

Remessa da descrição do caso Nestor Veras para a Procuradoria da República no Estado de Minas Gerais e para o Grupo de Justiça de Transição da segunda câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal para a tomada das providências cabíveis, tendo em vista a suspeita da práticas de crimes contra a humanidade e graves violações de direitos humanos no caso relatado à Covemg. Destaque-se a manifestação de Cláudio Guerra sobre o suposto local em que o corpo do opositor está enterrado, ficando claro o dever de investigação por parte do Estado brasileiro, adotando-se perícia especializada, a fim de promover efetivo esclarecimento do desaparecimento forçado.

Fonte: Comissão da Verdade em Minas Gerais – um ano de atividades. Belo Horizonte: dezembro de 2014. Páginas 154-160. (Com o site do PCB)

Drone filma estação de espionagem abandonada na Alemanha (vídeo)




Um veículo não tripulado da agência RT Ruptly tirou fotos de um radar norte-americano abandonado, estacionado na colina Teufelsberg em Berlim.

As imagens mostram os vidros partidos, as paredes e telhados pintados, bem como um recinto fechado com árvores e arbustos.

O radar esteve em pleno funcionamento durante a guerra fria e, no período seguinte, até surgiram ideias de  transforma-lo num hotel. Mas esses planos não se concretizaram.

A palavra Teufelsberg significa em português “Monte do diabo”. Se encontra no território de Berlim Ocidental. 

A colina foi erguida após a segunda Guerra Mundial a partir de centenas de milhares de fragmentos dos edifícios destruídos no decurso de combates travados na capital alemã.

Mais tarde, as tropas dos EUA, aquarteladas naquela zona urbana, descobriram que a partir da colina seria possível observar a situação na parte oriental de Berlim, pertencente ao bloco soviético. (Com a Voz da Rússia)

Artistas de Omsk lançam o menor livro do mundo

                                                                           
                          
O livro produzido por Anatóli (foto) e Stanislav Konenko tem 0,644 por 0,660 mm, batendo o recorde dos japoneses, que lançaram, em 2013, uma obra de 0,75 por 0,75 mm.

“O livro tem capa dourada, 8 páginas no total: 6 delas contêm o hino da Rússia; as outras trazem uma página de título e uma ilustração colorida em forma de brasão de armas da Rússia”, lê-se na nota divulgada.

Os autores planejam enviar uma cópia do livro ao presidente russo Vladímir Pútin. (Com a Gazeta Russa)