quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

'A revolução não é de Fidel, é do povo', diz ex-guerrilheiro que lutou com líder cubano na baía dos Porcos

                                                                                

Pedro Antonio Guerra Zerquera, 70 anos, esteve com Fidel Castro na batalha em Girón, quando forças apoiadas pelos EUA tentaram acabar com a Revolução Cubana

Camilo Toscano | Enviado especial a Havana 

Quando o cubano Tony Montana, vivido por Al Pacino em “Scarface” (1983), deixa a ilha para desembarcar em Miami, em 1980, o roteiro de Oliver Stone retrata o grande fluxo migratório provocado pela abertura do Porto de Mariel (Cuba) para que os insatisfeitos com Fidel Castro deixassem o país e remassem para os EUA.

Em um dos significativos movimentos migratórios do século 20, estima-se que mais de 100 mil cubanas e cubanos rumaram para o norte. Em uma jogada política, Fidel esvaziou as prisões de Cuba e aproveitou o momento para os remeter aos EUA junto com os insatisfeitos.

Ações como essas, características do período da Guerra Fria, sempre ganharam publicidade, virando filmes, alimentando histórias e produzindo notícias negativas sobre o governo de Fidel Castro. O que não se difunde é que Cuba foi alvo permanente no período de bombardeios, infiltrações de espiões, financiamento de grupos contrarrevolucionários e até guerra bacteriológica.

Quem diz isso é o cubano Pedro Antonio Guerra Zerquera, 70 anos, hoje aposentado e que vive da renda da hospedagem de turistas em sua residência, no bairro de Vedado (Havana). Pedro é ex-guerrilheiro e lutou ao lado de Fidel Castro na famosa batalha de Girón -para os cubanos ou batalha da Baía dos Porcos, nome utilizado pelos brasileiros-, quando os EUA de forma oculta planejaram e apoiaram militarmente uma ação de desembarque de tropas para matar Fidel e encerrar a Revolução Cubana.

A ação fracassou, o então presidente dos EUA, John Kennedy, teve que se desculpar publicamente pelo episódio e a revolução ganhou novo ânimo entre as cubanas e os cubanos para se consolidar nos anos seguintes.

Classificando o povo de Cuba como “fidelista”, o afável e sorridente Pedro concedeu entrevista a Opera Mundi na mesma casa em que abrigou a reportagem que se deslocou para Havana a fim acompanhar os dias que sucederam a morte de Fidel, ocorrida no final de novembro. Casado, pai de dois filhos e com três netos, ele conta que ingressou na luta pela revolução aos 11 anos de idade, após se sensibilizar por um discurso do “grande líder e comunicador” Fidel Castro.

Os elogios frequentes e a tristeza pela morte do líder revolucionário não escondem que Pedro é fiel defensor do modelo cubano. Mesmo quando aponta um erro de Fidel, é muito suave nas críticas. A razão reside nos valores “ensinados por Fidel” aos que nasceram na ilha: “Independência, liberdade, luta, solidariedade, respeito, humanidade, humildade e internacionalismo”.

Perguntado sobre o futuro de Cuba com a partida do comandante, não titubeia: “A revolução não é de Fidel, é do povo”, diz.

Leia a seguir a entrevista:

Opera Mundi: Quando o sr. entrou para a Revolução Cubana?


Pedro Antonio Guerra Zerquera: Lutei na Revolução Cubana aos 11 anos de idade, ao lado de Fidel, Che e Camilo. Lembro do discurso em que Fidel chamou toda a população a lutar, usando como referência a resistência mexicana à tentativa dos EUA de invadir o México, numa batalha em que as crianças ajudaram a derrotar os inimigos. 

Depois desse discurso, entrei para a União da Juventude Comunista (UJC), que antes era a Associação de Rebeldes Comunistas (ARC) e mudou de nome. A UJC era comandada por Yoel Iglesias, que tinha o rosto todo cheio de cicatrizes, marcado por balas e ferimentos de batalhas anteriores. Ele era meu comandante. 

Em 1961, já depois da vitória da revolução, tinha 14 anos e lutamos contra a tentativa dos EUA de entrar em Cuba, a batalha de Girón [também conhecido como o episódio da Baía dos Porcos], que Fidel chamou de vitória de nossas crianças contra o imperialismo ianque. Fidel foi pessoalmente lutar ao nosso lado e resistimos. Em três dias, os americanos se renderam. As pessoas pensam que foi fácil e que depois da revolução tudo se resolveu, mas a vitória da revolução foi só o começo.

OM: E o que veio depois?

PAGZ: Muitas batalhas. As pessoas não sabem quantas vezes enfrentamos os EUA, porque eles tentaram retomar Cuba muitas vezes. E sempre vencemos. Eles bombardeavam depósitos de alimentos, laçavam bombas para queimar plantações, infiltravam agentes para organizar grupos de contrarrevolução. 

Em 1961 e depois usaram sua força militar e o dinheiro. Os EUA tinham na época o avião mais avançado do mundo para espionagem. E com um foguete lançado em Pinar Del Río, onde ficavam as forças comandadas por Che Guevara, derrubamos o avião. 

O piloto se negou a reconhecer que estava por ordem dos EUA. Somente muitos anos depois, sua família reconheceu que era norte-americano. Em 1962, eles enviaram navios com mísseis para nos atacar, e Nikita Krushov [então presidente da URSS] também enviou tropas para nos defender.

OM: Uma tensão muito grande. E se alguém aperta o gatilho...

PAGZ: Havia ordem de Fidel para não atirar. Eles tinham os melhores aviões na época, que passavam rasante sobre nossas cabeças. Eu fiquei ali, jovem, segurando uma metralhadora e esperando caírem americanos de paraquedas, porque falaram que isso poderia acontecer. Eu e todos os cidadãos cubanos, porque estávamos preparados para morrer para defender nosso país.

 Era isso ou o fim da nossa independência, como nos ensinou José Martí e Fidel Castro. Mas a gente não tinha ideia de que quase provocamos uma guerra nuclear, somente depois é que viemos a saber que poderia ter sido nuclear. Os EUA decidiram se retirar e os russos também desistiram de construir uma base em Cuba.

OM: A essa altura, a revolução já estava consolidada?

PAGZ: Fidel era grande por isso, as duas coisas mais importantes na época para a revolução foram a batalha de Girón e a educação. A batalha porque reacendeu o espírito de independência que todo cubano tem, o povo que luta por seu país. A alfabetização de todo o povo cubano nos primeiros anos da revolução foi ideia dele, como a criação da Escola Latino-Americana de Medicina, ELAM.

Ele enxergava as coisas primeiro e era um grande comunicador, despertava a vontade de lutar pela igualdade, pela justiça, pela solidariedade, pela humanidade. Quantos países Cuba ajudou com saúde sem pedir nada em troca? Foi um grande homem porque era humilde. Quando Che morreu, em 1967, fez um discurso grandioso, mostrando que os imperialistas não iriam desistir de retomar Cuba, mas elegendo a Che como o modelo para todo o cubano. 

Quer dizer, ele era o comandante-em-chefe, mas o modelo era Che. E alertou que os EUA iriam fazer de tudo para nos colocar de joelhos de novo, porque a batalha de Girón foi uma humilhação para eles (risos). Por isso, o bloqueio econômico.

OM: O melhor para Cuba não seria negociar com os EUA?

PAGZ: Deixa eu te falar. As pessoas não sabem o que são os EUA, a crueldade dos americanos. Não falo do povo americano, mas dos imperialistas. Falam que Fidel mandou os delinquentes para lá quando abriu o porto de Mariel para a saída dos que queriam ir embora de Cuba. E mandou mesmo. Mas quando Fidel negociou a troca de prisioneiros americanos por medicamentos, eles mandaram doenças junto com as vacinas, para matar os cubanos. 

Eles são capazes de tudo para dominar o mundo e espalham a propaganda negativa contra Cuba para ninguém saber do que eles fizeram contra nós. Nunca aceitarão que uma ilha pequena como Cuba tenha enfrentado sua força, como nunca aceitaram o Vietnã. E sabe por que vencemos sempre? Porque defendemos uma ideia de independência, é o povo que defende. Eles odeiam Fidel por ter nos ensinado que é o povo quem defende seu país, lutando até o final. As pessoas acham que Cuba é comunista, que é marxista, leninista. Cuba é fidelista.

OM: E o que é ser fidelista para o sr.?

PAGZ: Independência, liberdade, luta, solidariedade, respeito, humanidade, humildade e internacionalismo.

OM: Mas Fidel nunca errou?

PAGZ: Claro que sim! Vou te contar uma coisa. Em Cuba, Fidel é um dos poucos que quando errou, veio para o povo dizer que tinha errado, pedia desculpas e dizia que iria reparar o erro. Esse é outro ensinamento dele, reconhecer seus próprios erros.

OM: E qual foi o maior erro de Fidel?

PAGZ: Quando não nos preparou para o período especial. Ele até fez um discurso dizendo que os cubanos tínhamos que nos preparar para o pior, mas foram anos de necessidade. Não foram piores porque os valores que ele nos ensinou, de solidariedade, de irmandade, de ajuda ao próximo, fizeram com que todos se ajudassem. Os vizinhos completavam um a refeição do outro, as famílias dividiam a comida, tudo era compartido. Mas o modelo fidelista venceu mais uma vez e aqui estamos.

OM: Alguns jovens cubanos reclamam desse modelo, dizem que querem viajar e que precisam de um trabalho que pague bem. O sr. acha que eles defenderiam a revolução como o sr. defendeu desde os 11 anos?

PAGZ: Não se pode explicar isso sem falar do bloqueio econômico, que impediu o desenvolvimento cubano. Esses jovens nasceram numa época muito difícil. E estão pensando como numa sociedade de consumo, que não existe em Cuba. Aqui, nós vivemos sob os valores ensinados por Fidel, os valores revolucionários, de solidariedade, de ajuda, de tranquilidade, segurança, saúde, educação. Isso é ser cubano, independente e solidário. 

A espionagem dos EUA nunca acabou e nunca vai acabar, porque eles são imperialistas, querem que todos vivam do jeito deles, querem impor a sociedade do consumo. Isso não vamos aceitar. Mas esses jovens são influenciados pelas ideias de consumo. O que precisamos é sempre estudar a história para entender o processo político e entender a revolução. O bloqueio nos prejudicou muito, não deixou que Cuba se desenvolvesse.

OM: Mas a visita do presidente Barack Obama não abriu espaço para acabar com o bloqueio e mudar isso?

PAGZ: Eu não estou de acordo com essa aproximação.

OM: Por quê?

PAGZ: Porque não se faz acordo com o inimigo, e os EUA são inimigos.

OM: O sr. não acredita nos termos do acordo?

PAGZ: Não acredito no Obama. O que ele fez de diferente? Deixe-me dizer uma coisa: Obama governou porque os imperialistas quiseram, assim como Trump vai governar de acordo com os imperialistas, com o consumo. Sabe como funciona a cabeça dos imperialistas? 

Cuba passou por um período muito duro. Tinha gente com câncer que poderia ser tratada com remédio que existia nos EUA. Mas o bloqueio funciona assim: “faz o que eu mando ou olha esse remédio que eu tenho e não vou te dar”. Isso é cruel, as pessoas morrem por isso. Mas não pense só em Cuba, há outros países que sofrem com bloqueios norte-americanos. 

A diferença é que Cuba, por conta da revolução e liderança de Fidel, não vai deixar lhe tirarem a independência, mudarem nossos valores. Com todas as dificuldades, Cuba sempre ajudou os outros países na saúde, o Brasil é um desses países. Porque numa sociedade revolucionária, a solidariedade é mais importante que o consumo.

OM: Uma das críticas que se faz ao sistema político em Cuba é que só tem um partido.

PAGZ: Diga-me qual é o partido no seu país que, quando está no poder, governa para o proletariado? Que resolve os problemas dos trabalhadores? Que adianta muitos partidos se não governam em benefício do povo. Nos EUA, há os democratas e os republicanos, mas é só um jogo político, não muda muito quando um governo é democrata ou quando é republicano, governam com o imperialismo. Em Cuba, o governo trabalha pela igualdade, resolveu os problemas essenciais do proletariado.

OM: Com a morte de Fidel, o que será do futuro de Cuba?

PAGZ: Não se faz uma revolução com um homem só. Fidel era o condutor de um processo, nos ensinou muita coisa, era um grande líder e comunicador. Mas a revolução foi um processo, foi uma revolução popular. Fidel dizia que os cubanos deveriam sempre se juntar, braços dados, lado a lado, para lutar por sua independência. E os cubanos dariam suas vidas por isso. Mas só fazem isso porque a revolução não é de Fidel, é do povo.

(Com Opera Mundi)

Personagem ao Ano

Yannis Antonopoulos/Rebelión

ONU condena o estado nazi-sionista

                                                                             


Conselho de Segurança da ONU condena os colonatos de israel

MPPM [*]

O Conselho de Segurança da ONU aprovou no dia 23 de Dezembro passado uma resolução relativa aos colonatos israelenses no território palestino ocupado. 

Votaram a favor quatro membros permanentes (China, França, Reino Unido, Rússia) e todos os actuais 10 membros não permanentes (Angola, Egipto, Espanha, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Senegal, Ucrânia, Uruguai e Venezuela). Os Estados Unidos não utilizaram o direito o direito de veto, optando pela abstenção. 

O MPPM congratula-se com este acontecimento de primeira importância, que deve ser saudado por todos quantos apoiam o povo palestino na sua longa e corajosa luta por uma solução que conduza à criação do seu Estado independente dentro das fronteiras de 1967 e com capital em Jerusalém Oriental. 

Com efeito, são inequívocos a este respeito os pontos principais da resolução, em que o Conselho de Segurança: 

reafirma a inadmissibilidade da aquisição de terra pela força; 

reafirma a obrigação de Israel, enquanto potência ocupante, de "respeitar escrupulosamente as suas obrigações e responsabilidades legais ao abrigo da Quarta Convenção de Genebra relativa à Protecção de Pessoas Civis em Tempo de Guerra", e recorda a "opinião consultiva proferida em 9 de Julho de 2004 pelo Tribunal Internacional de Justiça"; 

condena "todas as medidas visando alterar a composição demográfica, o carácter e o estatuto do Território Palestino ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, incluindo, entre outros, a construção e expansão de colonatos, a transferência de colonos israelitas, a confiscação de terra, a demolição de casas e o desalojamento de civis palestinos, em violação do direito humanitário internacional e das resoluções relevantes"; 

expressa "grave preocupação por as continuadas actividades de colonização israelitas estarem a por em gravemente em risco a viabilidade da solução de dois Estados baseada nas linhas de 1967"; 

recorda a obrigação de Israel "congelar … toda a actividade de colonização, incluindo o “crescimento natural”, e desmantelar todos os postos avançados erigidos desde Março de 2001"; 

"reafirma que a criação por Israel de colonatos no território palestino ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, não tem validade legal e constitui uma violação flagrante do direito internacional e um importante obstáculo à realização da solução de dois Estados"; 

"reitera a sua exigência de que Israel cesse imediata e completamente todas as actividades de colonização no território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental"; 

"salienta que a cessação de todas as actividades de colonização israelitas é essencial para salvar a solução de dois Estados, e apela a medidas afirmativas a serem tomadas imediatamente para inverter as tendências negativas no terreno que estão a pôr em perigo a solução de dois Estados"; 

"sublinha que não reconhecerá quaisquer alterações às linhas de 4 de Junho de 1967, incluindo no que diz respeito a Jerusalém, que não sejam as acordadas pelas partes através de negociações"; 

"exorta todos os Estados a distinguirem, nas suas relações relevantes, entre o território do Estado de Israel e os territórios ocupados desde 1967".
É preciso recordar que, de acordo com números fornecidos pela ONU, pelo menos 570 mil colonos israelenses vivem em cerca de 130 colonatos e 100 postos avançados na Margem Ocidental ocupada, e que, sob a direcção do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, entre 2009 e 2015, o governo de Israel promoveu a construção de 11 mil novas casas nos colonatos. 

Esta resolução assume ainda maior importância se se tiver em conta que o Knesset (Parlamento de Israel) está actualmente a discutir uma proposta de lei, da autoria do governo, visando legalizar retroactivamente os postos avançados "ilegais" à luz do próprio direito israelense mas que, com flagrante hipocrisia, só se mantêm graças ao apoio e protecção do Estado de Israel. 

Determinados sectores políticos israelenses, incluindo representados no governo (de que são exemplo os ministros da Educação, Naftali Bennet, e da Justiça, Ayelet Shaked, do partido Lar Judaico), não escondem que encaram a aprovação dessa lei como um passo para a anexação da Margem Ocidental ou pelo menos da sua Área C. A presente resolução do Conselho de Segurança vem reafirmar com vigor a ilegalidade de tais desígnios. 

É também de salientar a atitude dos Estados Unidos ao possibilitarem a aprovação da resolução, já que desde a tomada de posse da administração Obama esta é a primeira vez que os EUA não utilizam o veto para impedir a aprovação de uma resolução condenando o Estado de Israel. Recorde-se, a este propósito, que, em Fevereiro de 2011, os EUA vetaram uma resolução justamente sobre a questão dos colonatos e que foi durante a administração Obama, que agora termina, que a actividade de colonização atingiu o seu apogeu. Ainda recentemente Israel foi contemplado pelo seu aliado americano com o maior pacote de ajuda militar alguma vez dado a qualquer país, no valor de 38 mil milhões de dólares. 

A presente resolução do Conselho de Segurança não poderá ser revertida e, como se disse, o seu significado é de enorme relevo. A declaração do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de que não a respeitará, assim como o anúncio de medidas de retaliação contra a Nova Zelândia e o Senegal, proponentes da proposta aprovada, dão a medida da derrota política do Governo de Israel e confirmam a sua atitude de confronto e desafio com o direito e a legalidade internacional. 

A reacção do presidente eleito dos EUA, de que "depois de 20 de Janeiro as coisas vão ser diferentes", assim como a nomeação recente por Donald Trump para embaixador em Israel de David Friedman, personalidade alinhada com os sectores extremistas do movimento dos colonos e adversário aberto da solução de dois Estados, suscitam fundadas preocupações sobre a evolução ulterior da política dos EUA em relação à questão palestina e, em geral, à situação no Médio Oriente. 

Será necessário que prossigam os esforços, as iniciativas e as medidas para impor o respeito da legalidade internacional no que diz respeito à questão palestina. 

O MPPM exorta o novo secretário-geral da ONU, António Guterres, a empenhar nesse sentido os seus melhores esforços. 

O MPPM exorta o governo português a ter em boa conta a presente resolução nas suas relações com o Estado de Israel, nomeadamente quanto ao repúdio dos colonatos e à recusa das relações económicas com estes, e no apoio por todos os meios ao seu alcance a uma solução para a questão palestina conforme com o direito internacional. 

O MPPM reafirma a sua solidariedade com o povo palestino e o seu empenho em continuar a lutar: 

pelo fim da ocupação israelense, o desmantelamento dos colonatos, do "Muro de Separação" e de todos os instrumentos de usurpação de terra palestiniana; 

pela libertação dos presos políticos palestinianos das prisões israelenses; 

pelo fim do bloqueio à Faixa de Gaza; 

pela criação do Estado da Palestina, com as fronteiras de 1967 e capital em Jerusalém Oriental e o respeito do direito ao regresso dos refugiados palestinianos. 
Lisboa, 25 de Dezembro de 2016 

A Direcção Nacional do MPPM 

[*] Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente 

O original encontra-se em www.mppm-palestina.org 

Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .

PLANTA AMAZÔNICA PODE AJUDAR DOENTES DE ALZHEIMER A CRIAR NOVOS NEURÔNIOS

                                            
Chamada de camapu, a planta amazônica tem o poder de produzir novos neurônios no hipocampo, sendo útil no tratamento de doentes de Alzheimer.

O caminho para um tratamento eficaz de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, pode estar bem mais perto do que você pensava. Uma substância encontrada no caule de uma planta amazônica poderá ser usada em medicamentos fitoterápicos para o combate ao Alzheimer.

A planta chamada camapu, encontrada nas regiões do interior do Pará e na periferia de Belém, é muito conhecida por sua atividade antiprotozoária e anti-inflamatória. Pesquisadores da Universidade Federal do Pará descobriram que uma substância encontrada nessa planta tem o poder de estimular a produção de novos neurônios no hipocampo, região do cérebro associada à memória.

Com a produção de novos neurônios, estimulados pela substância, é provável que haja novas conexões entre as células do cérebro, revertendo à perda da memória recente, característica comum em doentes de Alzheimer.

Os cientistas também apostam que, ao usar o medicamento à base do camapu, também seja possível uma reversão da morte neural, muito comum em pacientes que apresentam depressão.

“Estamos falando da criação de novos neurônios, algo que não era possível a um tempo atrás”, diz Milton Nascimento dos Santos, do Grupo de Pesquisas Bioprospecção de Moléculas Ativas da Flora Amazônicada da Universidade Federal do Pará.

Os testes já estão sendo feitos em ratos de laboratório; o próximo passo serão os testes clínicos e a viabilidade de produzir essa substância em larga escala. Hoje, sabe-se que uma das possibilidades de criar novos neurônios se dá através de exercícios para o cérebro.

- See more at: http://alzheimer360.com/planta-amazonica-criar-neuronios/#sthash.sfH2AmfB.dpuf

(Com

domingo, 25 de dezembro de 2016

Orgão oficial do Partido Comunista Brasileiro


Um bom livro para presentear


Uma estrada solar é inaugurada na França

                                                                    
A cerimônia de abertura da primeira estrada de painéis solares (comummente designada por estrada solar) do mundo, construída pela França, foi realizada na última quinta-feira (22) em Tourouvre, na França.A ministra francesa de Meio Ambiente, Ségolène Royal, participou na cerimônia.Coberta com painéis solares, a estrada armazenará energia suficiente para o consumo de cinco milhões de pessoas. (Com o Diário do Povo, de Beijing)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

"Reforma Trabalhista de Temer não pode passar; greve geral, já!" (Esta matéria, inclusive o título, é da Conlutas)

                                                  
                                                              
                                                                                                 Foto Ed Ferreira (Estadão)

O governo quer a todo custo que negociado prevaleça sobre o legislado nas negociações trabalhistas e ainda quer flexibilizar direitos conquistados da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).

Nesta quinta-feira (22), o governo anunciou que vai apresentar essa proposta como Projeto de Lei (PL) a ser votado no Congresso, em regime de urgência.

De acordo com o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, a medida apresentada prevê que acordos entre empresas e representantes dos trabalhadores poderão se sobrepor à CLT. “Nossa proposta prevê que negociação coletiva terá força de lei”, disse.

Os trabalhadores sabem que em um país em que não há garantia de emprego, em que 12 milhões amargam o desemprego, é esse setor da sociedade que está mais vulnerável a pressões. Neste sentido, uma negociação entre patrão e trabalhador, é sempre o empregador que está em vantagem, colocando assim o empregado em ainda mais essa condição de submissão.

Outro agravante previsto nesta proposta é a jornada de até 12 horas, o parcelamento de férias, a abertura para implementação do banco de horas, entre diversos outros ataques, e de tudo aquilo que o sindicato negociar abaixo da lei.

Para o dirigente da CSP-Conlutas Atnágoras Lopes, essa reforma é profunda e a Central não aceitará retrocessos, se posicionando contra esta medida que ataca toda a estrutura dos direitos trabalhistas no Brasil. 

“As Centrais não podem titubear nesse momento, mas infelizmente é o que aponta a nota emitida pela Força Sindical, que apoia a medida do governo colocando-se ao lado dos interesses empresariais. Mesmo a CUT, que até o momento não se pronunciou, já teve em sua base sindical, uma proposta do negociado sobre o legislado apresentada anteriormente pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC”, destacou o dirigente da CSP-Conlutas Atnágoras Lopes.

Para ele, é necessário romper com isso, pois uma organização sindical tem que estar ao lado da classe trabalhadora, e mais do que nunca é necessária a greve geral no país. “É necessário que a gente se mobilize por baixo. 

Vamos unificar os sindicatos pela base montar comitês nos locais de trabalho, nas cidades, nas regiões, contra a reforma da previdência e a reforma trabalhista. Com a força regional podemos impulsionar e colocar as direções de todas as Centrais a serviço da construção da greve geral. E nas lutas derrubar não somente as medidas que ferem direitos, mas também derrubar esse governo”, finalizou.

Confira os principais pontos da reforma:

Acordo coletivo com força de lei

– Regra poderá ser aplicada em nove casos específicos:
1. Parcelamento do gozo das férias anuais em até três vezes, com pagamento proporcional;
2. Pactuar jornadas de trabalho diferentes de 8 horas por dia e 44 horas por semana. A jornada será de no máximo 12 horas diárias e 220 horas mensais;
3. Parcelar o pagamento da participação nos lucros, “no limite dos prazos do balanço patrimonial e/ou dos balancetes legalmente exigidos, não inferiores a duas parcelas”;
4. Regulamentar as horas in itinere (hora extra computada nos casos em que o empregado se desloca com transporte da empresa);
5. Intervalo intrajornada, respeitado mínimo de 30 minutos;
6. Dispor da ultratividade (normas fixadas em acordos ou convenções coletivas se incorporam aos contratos individuais e só podem ser modificados por negociação coletiva de trabalho);
7. Ingresso no PSE;
8. Plano de cargos e salários;
9. Banco de horas. As horas que excederem a jornada normal poderão ser convertidas com acréscimo de no mínimo 50%.

Contrato temporário

A proposta estabelece período de 120 dias, prorrogável por igual prazo. Se esse máximo for excedido, o contrato passa a ser por tempo indeterminado.
Contrato parcial
O texto eleva de 25 horas para 30 horas semanais o permitido no contrato parcial de trabalho. Hoje, o período pode ser acrescido de 2 horas, sobre as quais incide adicional de 20%. Pela proposta, as 30 horas semanais poderão ser acrescidas de 6 horas, com mais 50% no valor da hora trabalhada.

Banco de horas

Banco de horas deve ser compensado com períodos de descanso. A conversão em dinheiro só poderá ser feita por acordo coletivo.

Com informações do Estadão, Uol, Folha de São Paulo

(Com a Conlutas)

Repórteres sem Fronteiras alerta: 74 jornalistas mortos em 2016


Balanço anual divulgado esta semana pela organização não governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF) informa que ao menos 74 jornalistas, profissionais ou não, foram mortos este ano em relação direta com sua atividade profissional.

Dentro desse cenário, 57 jornalistas profissionais foram vitimados. Apesar de inferiores aos registrados em 2015 (101 no total e 67 no caso dos profissionais), os números reforçam o alerta feito pela instituição, em relatório do dia 13 de dezembro sobre profissionais de comunicação presos, reféns e desaparecidos, de que houve elevado crescimento na repressão ao trabalho jornalístico no mundo em 2016.

Pelo menos 780 jornalistas foram assassinados nos últimos dez anos, de acordo com os números da RSF. Por isso, a organização voltou a pedir apoio para a urgente criação de um “protetor dos jornalistas”. Na prática, um representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

                                       

“A violência contra os jornalistas acontece de forma cada vez mais deliberada”, advertiu Christophe Deloire, secretário-geral da RSF. “Eles são atacados e assassinados por serem jornalistas. Essa situação alarmante reflete o fracasso latente das iniciativas internacionais voltadas para a proteção desses profissionais”, criticou.

É o mesmo que uma declaração de morte para a produção de informação independente em zonas onde a censura e a propaganda, disse Deloire, especialmente em regiões dominadas por grupos extremistas no Oriente Médio, se impõem por todos os meios.

 “Para que o direito internacional possa ser aplicado, a ONU deve instaurar um mecanismo concreto de implementação dessas resoluções. Com a chegada de um novo Secretário Geral nas Nações Unidas, Antonio Guterres, é urgente que seja nomeado um representante especial para a proteção dos jornalistas”, solicitou.

O levantamento da RSF – feito entre 1º de janeiro e 10 de dezembro de 2016 – relata a morte de jornalistas enquanto realizavam reportagens. Mas na maioria dos casos, esses jornalistas foram deliberadamente assassinados como forma de represália ao trabalho que vinham desenvolvendo.

De acordo com a organização, redução no número de vítimas não é necessariamente encorajadora, tendo em vista que ela se explica em grande parte pelo fato de que muitos jornalistas abandonaram determinados países, onde a cobertura se tornou perigosa demais, como na Síria, no Iraque, na Líbia, no Iêmen, no Afeganistão e no Burundi. 

“Esses exílios em massa criaram verdadeiros ‘buracos negros da informação’, também relacionados com as pressões exercidas pelos predadores da liberdade de imprensa, que fecham arbitrariamente meios de comunicação e reduzem jornalistas ao silêncio”, relata a RSF. Apesar de grandes demonstrações de coragem, por medo de serem assassinados, diversos jornalistas optam pela autocensura, como é no caso do México, país em situação de paz mais mortífero para a profissão esse ano, com 9 assassinatos.



Em 2016, em aproximadamente 75% dos casos, os jornalistas foram deliberadamente tomados por alvo e assassinados por motivos diretamente relacionados com sua atividade profissional – como foi o caso do Afeganistão, com 10 repórteres assassinados no ano. Sete deles morreram durante um ataque suicida, reivindicado pelo Talibã, contra o ônibus do canal de televisão privado Tolo, em janeiro. No Iêmen, jornalistas também foram perseguidos e abatidos. A RSF denuncia a impunidade em que permanecem esses crimes e seus autores, que beneficiam em muitos casos da cumplicidade dos governos, frequentemente tentados eles também a esmagar a liberdade de imprensa.

A Síria aparece em primeiro lugar entre os países mais mortíferos para a profissão, seguida pelo Afeganistão. Dois terços dos jornalistas mortos esse ano se encontravam em uma zona de conflito. São praticamente todos jornalistas locais, num momento em que as redações hesitam cada vez mais a enviar correspondentes para fazerem coberturas em regiões perigosas de outros países.

RSF denuncia perseguição judicial a dois brasileiros

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que vela pela liberdade de expressão e informação, denunciou os processos judiciais contra dois jornalistas brasileiros que revelaram casos de corrupção.

 Em comunicado, a RSF concretizou que trata-se do jornalista Francisco Costa e do repórter Josi Gonçalves, que enfrentam 11 processos judiciais acusados de crimes contra a honra devido às publicações sobre corrupção na região.

Segundo RSF, os repórteres começaram a ter problemas legais quando abriram em dezembro de 2014 o site informativo Fala RN em São Gonçalo do Amarante, cidade do Rio Grande do Norte.

“Desde então, publicaram nele notas e reportagens sobre casos de corrupção nos quais estão envolvidos políticos da cidade: desvio de fundos, nepotismo, fraude eleitoral. Publicações que não foram do agrado das autoridades”, lembrou a organização com sede em Paris.

Entre os acusadores, que apresentaram um total de 11 processos contra os jornalistas por injúria, difamação e calúnia, estão Jaime Calado, prefeito de São Gonçalo do Amarante, deputados municipais e secretários municipais.

A RSF também denunciou que os dois jornalistas, que são casal, se temem por sua integridade física.

“Uma de suas fontes informativas no município lhes advertiu que existia um plano para intimidá-los que incluía o sequestro de seu filho de quatro anos e a fabricação de provas falsas para incriminá-los”, relatou a organização.

Para a RSF, o assédio judicial é “ainda mais injustificados” dado que os textos publicados em “Fala RN” se baseiam, a maioria das vezes, em informação oficial e pública.

O Brasil ocupa o 104° lugar, entre 180 países, na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2016 da RSF.

(Com a Associação Brasileira de Imprensa)

Mais um avião caiu: somos todos Chape, Rafael Braga não é ninguém

                                                                

Mauro Luis Iasi (*)

Publicado originalmente em 21/12/2016 no Blog da Boitempo

(Para Rafael Braga, porque é sobre ele, e para Rafinha, porque a ideia é dela)

Lamentamos informar que neste terrível ano que parece não acabar nunca, tivemos a notícia de mais um terrível acidente envolvendo uma aeronave. As informações ainda são muito desencontradas uma vez que grandes redes de televisão insistem em dizer que o acidente não ocorreu, distorcem e ocultam os fatos, prejudicando muito a compreensão do ocorrido.

Ainda não sabemos ao certo o número de vítimas e sobreviventes. O avião caiu em um lugar de difícil acesso. As equipes de salvamento tiveram que pegar vários ônibus, fazer baldeação para pegar o trem e se demoram a chegar ao local que ainda sofre, nesta época do ano, com inundações frequentes.

Sabe-se, entretanto, que a maioria das vitimas é jovem e negra. As causas da morte são estranhamente bizarras: muitos morreram porque foram atingidos por balas perdidas, outros têm marcas de tiro pelas costas ou na nuca, numa evidência de que pode ter havido execuções. Uma mulher parece ter sido arrastada ao ser presa no compartimento de bagagem quando ainda estava viva. Muitos corpos estão desaparecidos e outros aparecem com claros sinais de tortura.

A polícia que investiga o estranho ocorrido afirma que há fortes indícios de que todas as vitimas resistiram ao acidente, o que acabou levando-as à morte.

Outro aspecto que nos chama a atenção é a quantidade de mulheres entre as vítimas. Apesar de serem um pouco mais da metade do número de passageiros, foram elas que ficaram mais machucadas com a violência da queda. Apresentam hematomas, braços quebrados, marcas de queimadura pelo corpo e, em muitos casos, a alma partida e o coração despedaçado. Estranhamente, entre as sobreviventes, muitas negam que tenham se machucado no acidente, alegando que caíram da escada ou outro motivo improvável.

Para agravar ainda mais este terrível sinistro, o avião parece ter caído em várias escolas e hospitais. As autoridades alegam que não poderão investir recursos para a reconstrução dos serviços nos próximos vinte anos, uma vez que o dinheiro está comprometido com o pagamento dos juros da dívida pública, com altos salários do judiciário, subsídios vultuosos para empresários, o perdão da dívida do agronegócio e para um suntuoso jantar que o presidente vai dar em homenagem a si mesmo no final do ano.

Além da evidente dor das famílias com a perda de seus entes queridos, há muita preocupação, também, entre os sobreviventes e seus familiares. As viúvas não receberão mais sua pensões integrais e só as terão por um tempo bem menor. Sobreviventes, por vezes mutilados pelo acidente, terão que continuar trabalhando até a idade mínima de 65 anos e contribuir por 49 anos, o que, em muitos casos, os forçará a trabalhar até depois dos 70 anos.

O Ministério Público investiga as denúncias de que alguns setores se beneficiaram com o acidente e que esperam ganhar fortunas com o ocorrido. As suspeitas recaem não apenas sobre a companhia aérea, mas nos fornecedores, bancos, empresas de seguro e uma infinidade de políticos. 

As investigações vão durar anos até que se apure tudo, mas a polícia já prendeu uma pessoa que passava pelo local do acidente portando um recipiente plástico contento um suspeito produto de limpeza. Apesar de não haver nenhuma relação plausível entre o desinfetante líquido e a queda do avião, o moço negro e pobre foi condenado e já se encontra preso.

Diferente de um recente acidente aéreo envolvendo uma equipe de futebol, a respeito do qual nos solidarizamos com as vítimas e seus familiares, este parece ter provocado reações díspares. Ao contrário daquele que motivou uma intensa solidariedade e consternação geral, levando a atos inusitados de equipes abrindo mão de títulos, adversários emprestando jogadores e recursos, cartolas fazendo de conta que se preocupam com jogadores, este acidente não gerou uma empatia unânime.

Muitos foram às ruas protestar e demonstrar seu inconformismo com tudo isso, mas outros, estranhamente, festejam a catástrofe. Alguns dos passageiros, mesmo entre os mortos destroçados por partes do avião que lhe atravessavam o corpo, vestem camisas da seleção brasileira e batem panelas afirmando que, apesar da dureza da queda, alguma coisa precisava ser feita. O avião não podia continuar voando daquele jeito, alegam, pois poderia acabar pousando na Bolívia, na Venezuela ou, pior ainda, em Cuba.

Com razão, ficamos abalados com o acidente que vitimou toda uma equipe de jovens esportistas que, saindo das divisões inferiores, estavam bem perto de um titulo inédito. Mas, por que esta indiferença com as vítimas desta catástrofe que se abate cotidianamente sobre nós? Talvez porque sejam pessoas que nunca sairiam das divisões inferiores, porque são muitas, porque são pobres, porque são negros, porque nunca iriam ganhar nada mesmo. Sei lá.

Quem se importa com esta gente, se é que é gente mesmo isso aí? Quem se importa com um filho de marceneiro, com uma mãe doida que está grávida e acha que é virgem? Quem se importa com uma família perdida no deserto ou à deriva num mar de indiferença, fugindo de governos que matam crianças? Quem se importa? Que morram…

Os sobreviventes tentam racionalizar com aquelas coisas de costume, dizendo que se atrasaram para aquele vôo, podiam estar mortos, mas escaparam. Outros falam de sua sorte porque estavam na única cadeira de toda uma fila que foi dizimada, ou porque entraram na regra de transição e vão se aposentar assim mesmo, ou porque não são líbios, nem sírios, não moram em Mariana nem na baixada fluminense. Conversamos a respeito deste comportamento com Mario Benedetti, que escapou de um acidente similar no Uruguai, porque os poetas nunca morrem, e ele nos disse o seguinte:

“Cuando en un accidente
una explosión
un terremoto
un atentado
se salvan cuatro o cinco
creemos
insensatos
que derrotamos a la muerte
pero la muerte nunca
se impacienta
seguramente
porque
sabe
mejor que nadie
que los sobrevivientes
también mueren.”

(*) Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Google, Trump e o futuro da propaganda*


                                                                             
 António Santos     

Muita gente interroga-se como foi possível o êxito de Trump, se teve contra si todos os grandes media. Foi na Internet e não na televisão que Trump fez propaganda. Com o estratega neofascista Steve Bannon e a sua equipa de físicos e engenheiros da Analytica, a campanha de Trump desenvolveu 50 mil perfis individuais de eleitor, permitindo aquilo a que se pode chamar micro-propaganda.

Quando, há cerca de um mês, Donald Trump venceu as presidenciais estado-unidenses, a maioria dos órgãos de comunicação social do planeta constataram que não tinham uma única boa explicação para o sucedido. 

Então, num espectáculo de leitura constrangedora, milhares de comentadores, colunistas e «especialistas» fizeram o que sabiam: perguntaram à Internet uma qualquer variante de «por que venceu Trump?» e deixaram que o Google desse a resposta. 

O resultado foi uma avalanche de notícias falsas e explicações desprovidas de base científica: não, não foram os operários do Cinturão da Ferrugem quem deu a Casa Branca a Trump; é mentira que os trabalhadores mais pobres se tenham virado para o Partido Republicano e todas estatísticas que atribuem o ónus à cor da pele, ao sexo ou à habilitação literária.

Esquecem-se de que Mitt Romney perdeu as eleições de 2012 com mais votos do que Trump e um eleitorado idêntico. Mas, com este péssimo exemplo de informação desinformada, a comunicação social da classe dominante conseguiu, acidentalmente, revelar um dos segredos da vitória de Trump: a Internet como arma de desinformação individualizada.

Num excelente trabalho de investigação do The Guardian, publicado na semana passada, a jornalista Carole Cadwalladr constata que o Google parece querer conduzir-nos para sites de neofascistas, portais de notícias falsas e organizações de direita. 

O Google é, hoje em dia, sinónimo de Internet. Um gigante que, em menos de vinte anos, conquistou o monopólio da gestão do conhecimento digital do mundo, controlando, a 63 mil pesquisas por segundo, a hierarquia das nossas fontes e, consequentemente, a nossa percepção sobre o que é verdadeiro e o que é falso. 

Quando, por exemplo, escrevemos no Google (em inglês) «por que é que os comunistas…», o motor de busca sugere que completemos a pergunta com: «por que é que os comunistas são maus?», «por que é que os comunistas são odiados», etc. apresentando de imediato dezenas de sites ligados à extrema-direita dedicados à produção de notícias falsas. 

No contexto português, se perguntarmos «em que partido votar», o Google conduz-nos para as peças mais proselitistas do Observador e a «testes» que, mesmo respondendo com as posições do PCP, insistem que devemos votar no Bloco de Esquerda.

Micro-propaganda

O Google, à semelhança do Facebook, do Twitter e de outros gigantes da Internet, não revela a mecânica do seu algoritmo, pelo que é impossível saber ao certo por que razão nos conduz para uma página e não para outra, mas a campanha de Trump demonstrou que o futuro da propaganda passa por compreender o nebuloso funcionamento da Internet.

Foi na Internet, e não na televisão, que Trump fez propaganda. Com o estratega neofascista Steve Bannon e a sua equipa de físicos e engenheiros da Analytica, a campanha de Trump desenvolveu 50 mil perfis individuais de eleitor, permitindo aquilo a que se pode chamar micro-propaganda: anúncios personalizados em função do que o Google, o Facebook e o Twitter sabem sobre nós. E estas empresas garantem saber quem nós somos. 

Da mesma forma que a Internet às vezes parece saber de que produtos ou marcas gostamos, a campanha de Trump sabia, com um grau de certeza sem precedente histórico, quem estava desempregado, quem era operário, quem era negro, quem estava grávida, quem tinha um seguro de saúde dispendioso, etc.

Outra inovação da micro-propaganda digital é a sua natureza dinâmica. Ao bombardear os eleitores com propaganda personalizada, é possível gerar níveis de interacção que alteram o nosso perfil na Internet, convencendo o Google de que «gostamos» dessa opção política. 

Um dos feitos mais impressionantes da campanha de Trump foi gerar uma nuvem de centenas de sites de propaganda, notícias falsas e depósitos de «conteúdos» sem qualquer credibilidade capazes, no entanto, de competir de igual para igual com gigantes como a CNN. 

O segredo destes sites consiste precisamente em surgir primeiro nos motores de busca explorando o que a Internet pensa que somos.

De uma prisão fascista, António Gramsci parecia ver a lonjura dos nossos tempos: «o velho mundo está a morrer e o novo luta por nascer: este é o tempo dos monstros», escreveu. Os efeitos cognitivos e ideológicos da apropriação capitalista da Internet, ainda na infância histórica, têm o potencial de multiplicar os monstros e reduzir o que nós somos ao que a Internet pensa que somos.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2246, 15.12.2016

(Com o diario.info)

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Sindicatos denunciam demissão em massa nos Diários Associados

                                                                

                                  
                                Nota oficial conjunta

O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, o Sindicato dos Gráficos e o Sindicato dos Trabalhadores da Administração em Jornais e Revistas repudiam as demissões em massa de mais uma leva de trabalhadores nos Diários Associados ocorridas entre hoje, ontem e algumas na semana passada. 

Ao todo foram demitidos cerca de 130 funcionários, a maioria deles da administração. As dispensas são mais uma das atitudes desleais do grupo, uma vez que os sindicatos estão em vias de assinar a convenção coletiva que garante três meses de estabilidade para a redação e administração e 60 dias para os gráficos, após a assinatura do acordo. O número de demissões chegou a causar fila no setor de Recursos Humanos do grupo.

Na redação do Estado de Minas e TV Alterosa foram demitidos até agora cerca de 20 jornalistas, muitos deles com quase 30 anos de casa. Apesar do elevado número de dispensas, não houve nenhum comunicado prévio ou acordo com os sindicatos que representam os trabalhadores, conforme posicionamento adotado pela Justiça do Trabalho. 

Os sindicatos já denunciaram a demissão coletiva ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e também à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). Também já foi solicitada uma mediação na SRTE para tratar das demissões  e garantir o acerto de todos os trabalhadores. 

O grande temor é que não haja pagamento das verbas rescisórias, já que o grupo não tem honrado acordos na Justiça, está em débito com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), reduziu os salários ilegalmente, não tem pago férias dentro do prazo legal e suspendeu o plano de saúde, além de não quitar integralmente até hoje o décimo terceiro salário de 2015 de parte dos jornalistas e administradores.

O clima nas redações é de tristeza e pesar pela saída dos colegas e pelas dispensas terem ocorrido às vésperas das festividades de fim de ano.  Aos demitidos, os sindicatos manifestam toda solidariedade e informam que prestarão todo tipo de apoio necessário. A data da reunião com a SRTE será comunicada por meio de nota a todos os trabalhadores, desde já convocados para participar.


De Sarajevo a Ancara

                                                          

A propósito do assassinato do
embaixador da Rússia na Turquia

Atilio A. Baron

O crescente protagonismo da Rússia é motivo de grande preocupação para as chamadas "democracias" Ocidentais, na verdade um conjunto de sórdidas e imorais plutocracia dispostas a sacrificar a seus povos no altar do mercado.

Preocupação porque depois da desintegração da União Soviética a Rússia foi dada como morta por muitos massudos analistas e especialistas dos Estados Unidos e Europa.

No auge de sua ignorância e cegos pelo preconceito esqueceram que a Rússia tinha sido, desde o início do século dezoito sob o cetro de Pedro, o grande e, principalmente, durante o reinado de Catarina a grande ao média nesse mesmo século, uma das principais potências Europeias cuja intervenção costumava fazer pender a balança nos permanentes conflitos entre os seus vizinhos ocidentais, especialmente o reino unido, a França e o império austro-Húngaro. 

Esquecer a história invariavelmente termina produzindo grosseiros erros de análise como os que hoje perturbam os estrategos ocidentais.

A Revolução russa e o desmoronamento do czarismo provocaram um transitório eclipse do protagonismo russo que muitos achavam seria definitivo. No entanto, a vitória aliada na segunda guerra mundial e o papel fundamental nela desempenhado pela União Soviética, além de sua fantástica recuperação económica do pós-Guerra, fizeram que Moscovo voltasse a ocupar o seu tradicional papel de arbitragem no concerto internacional. 

Durante quase meio século o sistema internacional teve a marca do bipolarismo, com o ocidente e o (outra vez) mal chamado "mundo livre" de um lado e a União Soviética e seus aliados no outro. Com a fulminante implosão da URSS fez com que muitos acreditassem que, agora sim, a Rússia desapareceria para sempre, e que o que vinha era "um novo século americano" designado pelo incontestável unipolaridade dos Estados Unidos, libertado do seu tradicional adversário soviético e com a China ainda longe de ser o que chegaria a ser poucos anos mais tarde. A réplica da história foi demolidora.

Tal como o garante Eduardo Febró na sua nota do último domingo na Página / 12, " Não há terreno onde o Rei Putin não tenha vencido a seus adversários: esmagou a revolta na Chechénia, ganhou na Síria, anexada a Crimeia, impediu que militarmente os independentistas ucranianos passassem sob a influência europeia, impôs a sua ordem na Geórgia e Ossétia, e ainda por cima conseguiu desestabilizar a partir do interior às mesmas democracias europeias com uma boa política de financiamento dos partidos e movimentos de diversa ordem ideológica. 

Dezessete anos depois de ter chegado ao topo do poder esse tímido ex-Tenente-Coronel dos serviços secretos, KGB, é a figura maior do século XXI."

A Aliança da Rússia com a China e a posterior inclusão do Irã e da Índia, mais a esperta aproximação com a Turquia representa o "pior cenário possível" para o declínio da hegemonia global dos Estados Unidos, segundo Zbigniew rzezinski, a principal estratégia de Washington. 

O assassinato de Andrei Karlov em Ancara tem dois propósitos ao partidarismo: um, dificultar que a Turquia-Sede da impressionante base aérea americana de Incirlik, com uma assistência permanente de uns cinco mil homens da força aérea dos Estados Unidos-seja atraída para Moscovo privando a Nato de um local chave para fechar, desde o Mediterrâneo Oriental, o cerco contra a Rússia, que começa no norte com os países bálticos.

Dois, fazer saber à Rússia que o Ocidente não vai ficar de braços cruzados enquanto Putin se fortalece e prestigia, pondo fim ao caos que os Estados Unidos e seus aliados produziram na Síria e que não conseguiram ou não quiseram resolver.

O karlov pode muito bem ser uma provocação que, como o assassinato do Arquiduque Francisco da Áustria em Sarajevo, em 1914, pode provocar uma guerra, se é que a parte interessada-Rússia-reagir impulsivamente.

Mas se alguma coisa tem demonstrado um personagem tão controverso como Putin é que pode ser acusado de qualquer coisa, menos de ser um mistério. Mais bem trata-se de um actor muito cerebral e reflexivo, um homem que brinca com assombrosa frieza no quente tabuleiro da política mundial.

O crime perpetrado em Ancara foi um claro recado mafioso dirigido a Moscovo. Por isso o idealista que cometeu o homicídio foi concluído, selando a sua boca para sempre. Os serviços ocidentais são peritos nisso de recrutar supostos radicais para cometer crimes que sustentam a continuidade do império.

(Com o Diário Liberdade)

Perigo no campo

Eneko/Rebelión

Ato em defesa das terras indígenas neste dia 21 em Palhoça, Santa Catarina


                                                                

Depois de uma semana marcada pela aprovação da PEC 55, pela admissibilidade pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara do Projeto da Reforma da Previdência, temos agora uma notícia assustadora para os povos indígenas do país.

Tramita no Ministério da Justiça uma Proposta de Regulamentação para Demarcação de Terras Indígenas, que na prática visa inviabilizar novas demarcações e aprofunda o ataque, abrindo a possibilidade de rever demarcações já existentes.

Depois de vermos um aumento nos assassinatos de indígenas nos governos Lula e Dilma, na ordem de 269% em relação ao governo anterior, o presidente golpista parece querer acabar o trabalho iniciado em 1500 e acabar de vez com as populações indígenas remanescentes.

Nós que acompanhamos em diversos momentos a luta de vários povos indígenas no Brasil e que aqui em Santa Catarina acompanhamos a inglória batalha dos Guarani para demarcação definitiva da Terra Indígena do Morro dos Cavalos na Palhoça, nos solidarizamos e nos colocamos a disposição para fazer o enfrentamento contra mais esse crime de lesa humanidade promovido pelo governo golpista.

Nesta quarta-feira, dia 21 de dezembro, a partir das 9h, haverá   grande ato, para barrar este decreto.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Foto de drone do ano

                                                 

Imagem de drone feita em 25 de agosto de 2016  do Centro Internacional de Exposições Olímpicas de Hangzhou, capital da província de Zhejiang, no leste da China (Com a Rádio Internacional da China)

Russo para o dia a dia

                                                             (Lançamento da Editora Martins)

Um show de disparates

                                                                           
                                                       Deu na mídia
Alberto Dines

Demorou , mas as delações premiadas chegaram até a imprensa. A pedido do ministro Guido Mantega, a Odebrecht fez dois empréstimos para a Editora Confiança, responsável pela revista Carta Capital. Explicação do delator e executivo da Odebrecht, Paulo Cesena: “Entendi que esse aporte financeiro tinha por finalidade atender solicitação do governo federal/ PT, pois essas pessoas eram ligadas ao partido”. Declaração da publisher da revista, Manuela Carta: “Foi uma operação normal de mercado”. Das surpresas e contradições da mídia nos últimos tempos sobram perplexidades. É para duvidar? Para rir? Chorar? Refletir? “Não existe crise política…o que existe em Brasília é uma crise ética, moral” (Veja, 21/12).

Jaques Wagner , do PT da Bahia, confirmou ter recebido da Odebrecht um relógio de U$20 mil. Mas o ex-ministro da Casa Civil de Dilma justifica-se assim, “guardei e nunca usei”. Outro delatado, o ex-deputado Inaldo Leitão, reagiu nas redes sociais depois de entrar na lista da Odebrecht…não contra a inclusão de seu nome mas pelo codinome que recebeu, Todo Feio.

Deu na mídia que, em carta ao Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Michel Temer também reclamou: “A ilegítima divulgação das delações atrapalha o governo”

Como política existe no espaço entre a lei e a guerra ( Folha, 19/12) Renan Calheiros juntou-se ao time da guerra Legislativo X Judiciário e acusou Janot de estar “fazendo política” e apresentar “denúncias nas coxas”. O presidente do Senado, em seus últimos dias, criticou o abuso de autoridade do Supremo Tribunal Federal ,depois de desrespeitar uma ordem judicial, e em seguida, sem que ninguém entendesse nada, afirmou “decisão judicial do Supremo é para se cumprir”.

O STF também se insurgiu contra o STF . Gilmar Mendes, da Suécia, chamou o colega Marco Aurélio Melo de “doido” e “inimputável” no caso da retirada de Renan da presidência do Senado, e declarou achar as liminares de outro colega, Luís Fux, ” muito esquisitas “, quando anulou no Congresso a votação que desfigurou o pacote anticorrupção, no qual só sobraram duas das dez medidas aprovadas . Segundo Carmem Lucia, ” é preciso cuidado para que a dificuldade não se torne tempestade; a tempestade em desesperança; a desesperança em desespero; o desespero em raiva; e a raiva, em fúria”.

Fúria de todo lado. 

O Ministério Público Federal denuncia e Sérgio Moro acolhe a quinta denúncia contra  Lula por corrupção. “Todos sabiam que o apartamento pertencia a Lula”, diz o ex-zelador do Condomínio Solares, em Guarujá ( Ricardo Noblat,Globo 19/12). O Instituto Lula afirma” o apartamento nunca foi de Lula no Guarujá, o terreno não é nem nunca foi do Instituto Lula”. ” “Fora ,Temer”, escreve Mário Sergio Conti na Folha de 13/12, “os cleptocratas não valem a tintura acaju que lhes colore o topete e o Viagra que lhes corre nas veias”. “Dentro, Temer”, escreve Reinaldo Azevedo , também na Folha três dias depois, “seria demasiado escrever aqui que você não deve acreditar na imprensa”.

Guerra e fúria no Rio de Janeiro , a imprensa informa, os leitores deitam e rolam com comentários . A Cidade Maravilhosa que, segundo Dorrit Harazim ( Globo de 11/12 ), viu a felicidade roubada, faliu por extrema corrupção dos seus dirigentes mas ,para remendar ,o estado elevou impostos como o ICMS. Aumenta o preço da energia elétrica, cerveja, chope, combustível, telecomunicações e cigarro. O choppinho vai pagar as joias da ex-Primeira Dama Adriana Ancelmo que viajou 6O vezes ao exterior em sete anos e em apenas um hotel em Londres gastou R$90 mil.

No Rio, para engordar o cordão dos acusados, foi preso o presidente do Tribunal de Contas, órgão que existe para fiscalizar as contas públicas e garantir a moralidade dos atos. Jonas Filho é suspeito de comandar um esquema de propinas.  Ainda no Rio , quando ainda era capital, foram emprestadas ao governo federal  48  obras de arte enviadas ao Palácio do Planalto e só agora voltam ao lugar de onde nunca deveriam ter saído, o Museu Nacional de Belas Artes. Guignard, Portinari, Visconti, Maria Leontina, Djanira fizeram a viagem volta ,.60 anos, depois para deleite do público ou dos avós do público que deveria ter visto as obras em 1956.

No lançamento do livro de Nélida Piñon no Rio, Vera Fischer surpreendeu. Tem gente como Raduan Nassar que leva uma vida para produzir obras primas como “Lavoura Arcaica” e “Um Copo Cheio de Cólera “, mas a atriz declarou ter 10 livros prontos, ” romances, contos, exercícios de autobiografia…” o que levou a coluna de Ancelmo Góis (Globo de quarta 14/12) a prever: ” ainda acaba na ABL”

O deputado Ricardo Izar(PP/SP) relator do caso de Jean Wyllis(PSOL-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, recomendou a suspensão de quatro meses do mandato do parlamentar. Motivo: Wyllis cuspiu em Jair Bolsonaro(PSC-RJ) na sessão de impeachment de Dilma. Wyllis reagiu, “ele me chamou de ‘queima rosca’, ‘bichinha’, ‘veadinho'”… tudo isso no Congresso.

As páginas do ridículo

O Rio está mal e o prefeito eleito e pastor, Marcelo Crivella ,só conta com um aliado, “Deus vai ajudar a fazer o impossível “. Já o pastor carioca Silas Malafaia teve outro destino para Deus na sua Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que projeta multiplicar pelo país: Recebeu R$100 mil, não sabe de quem, mas são suspeitos de fraudar créditos para exploração mineral. O pastor diz ser alvo de retaliação e que a condução coercitiva ” é uma safadeza”.

Não é só o Rio que está nas páginas do ridículo.  “Algum dia, quem sabe, todos os brasileiros poderão usar polo Ralph Lauren”, disse o prefeito eleito de São Paulo, João Doria. Sua mulher, a artista plástica Bia Doria, perguntou “o Minhocão hoje, para que serve?…quase nunca fui lá. É um tipo de viaduto, né?” . Na entrevista onde chegou a bordo de um Porsche, a futura Primeira -Dama paulista continuou, “só o que os pobres querem é um abraço “

Deu no Washington Post: “Brazil’ poor just ” want a hug”: wealthy politician’s wife ridiculed for interview from Porsche” (Os pobres brasileiros só querem um abraço: a mulher de um politico rico é ridicularizada por dar entrevista num Porsche) . Bia continuou ” “Sempre me senti uma Evita Perón, porque eu sou mais do povo, eu me sinto do povo”.

A disputa São Paulo x Rio que dura uma eternidade parece ter terminado graças à Rocinha. Agora a favela mais famosa do Rio é comandada por paulistas, a facção de traficantes chefiada por Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. A rivalidade das duas cidades termina assim, São Paulo liderando, Deus ao lado de Crivella e uma grande quantidade de fuzis. Deu tudo na mídia.

(Com o Observatório da Imprensa)

Os principais objetivos da Unidade Classista para 2017

                                                                 
O ano de 2016 tem sido difícil para a classe trabalhadora. O chamado “ajuste fiscal” iniciado por Dilma foi acelerado com a ascensão ilegítima de Temer à Presidência da República. Desde o início do processo de impeachment alertávamos que este era o verdadeiro objetivo da coalizão golpista que reuniu desde partidos até então integrantes da base aliada do PT até os tucanos.

Se alguém ainda acreditava que tal movimentação política visava à moralização do país, os escândalos de corrupção que estouram dia após dia, envolvendo membros do Governo Federal e o próprio Presidente, deixam claro o tamanho da ilusão. 

Enquanto isso, foi aprovada a PEC 55, determinando, como exigia a burguesia, o congelamento dos gastos públicos pelos próximos vinte anos. Ou seja, o pagamento de juros da “dívida pública” foi blindando, enquanto a garantia de direitos sociais previstos na Constituição, como saúde e educação, foi ainda mais ameaçada. Ao mesmo tempo, começou a ser discutida na Câmara a Contrarreforma da Previdência.

E o que tem feito as direções das maiores centrais sindicais do país frente a todos esses ataques do empresariado e seus representantes? Infelizmente, como esperávamos, a realidade tem mostrado que não podemos contar com elas. Isso não significa que, caso resolvam realizar lutas por nenhum direito a menos, não devamos marchar juntos, em unidade de ação. Significa que não podemos depender das direções da CUT, UGT, CTB, Força Sindical etc e devemos buscar contato direto com as bases.

Sem sombra de dúvida, o ano de 2017 será marcado por grandes desafios ao campo sindical classista e combativo. O empresariado está empenhado em impor um retrocesso que destrua nossas conquistas históricas e imponha à nossa classe a volta a patamares de direitos do início do século passado. Portanto, teremos muitas lutas pela frente e não devemos poupar esforços na defesa dos interesses dos trabalhadores!

Mas não basta disposição. Sem organização e firmeza na linha política não chegaremos longe. Cada militante da Unidade Classista precisa estar plenamente consciente de nossas tarefas diante da atual situação política, econômica e social do Brasil. Crescem as condições objetivas para que cada vez mais trabalhadores rejeitem a conciliação de classes, os pelegos e os burocratas no movimento sindical e popular.

Porém nada garante a adesão automática da classe a uma perspectiva revolucionária. A direita está ativa em campo, se apresentando como alternativa às massas. Logo, a responsabilidade dos militantes classistas nesta disputa torna-se ainda maior.

Precisamos compreender bem nossas prioridades:

• Intensificar as ações de agitação e propaganda junto às categorias estratégicas e bairros operários (utilizando o jornal O Poder Popular, os textos nacionais da Unidade Classista, panfletos locais). Não adianta apenas distribuir materiais: é fundamental dialogar com os trabalhadores, ouvindo-os e explicando nossas avaliações e propostas, como a greve geral contra a Reforma da Previdência, por exemplo;
• A fragmentação do campo sindical classista, contudo, tem inviabilizado uma maior unificação da resistência da classe trabalhadora em nível nacional. Apesar das importantes lutas comuns que tem sido travadas, das quais participamos ativamente, o enfrentamento da ofensiva burguesa exige um bloco alternativo mais organizado e coeso em torno de bandeiras unitárias. Por isso, é fundamental discutirmos com as bases, em cada sindicato e movimento operário, sobre a importância de realizarmos um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (ENCLAT);
• Organizar Comitês de Base que discutam a realidade, planejem e executem ações concretas: participação em assembleias de base, panfletagens, disputa de eleições sindicais, mobilizações, ações unitárias com setores aliados etc.
• Implementar nossas políticas de finanças;
• Realizar estudos e leituras coletivas dos materiais da Unidade Classista, principalmente o Caderno Nacional nº 1, “Política, Organização e Formação”, disponível no site unidadeclassista.org.br;

Estas são as nossas principais tarefas no momento. Nosso esforço em realizá-las faz parte de um objetivo maior:

UNIR OS TRABALHADORES PARA BARRAR OS ATAQUES DO CAPITAL!