quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Greve dos Diários Associados marca história da categoria, conta a Oposição Sindical do Sindicato dos Jornalistas

                                                


"A greve dos trabalhadores da notícia da TV Alterosa e do jornal Estado de Minas coloca nossa categoria em um novo patamar de luta contra o patronato. A garra e dedicação mostrada pelos companheiros já se espalhou pelas demais redações, que apoiam e comemoram uma mobilização histórica. A combatividade destes trabalhadores resgata aquilo que há de melhor entre os jornalistas e nos prepara e fortalece para novas lutas. A forma com que as mobilizações da Alterosa incendiaram os trabalhadores do Estado de Minas é retrato mais fiel desta força" , diz comunicado da Oposição.

"A luta é o único caminho para mantermos nossa dignidade e buscar melhores condições de trabalho e salários dignos. A realidade mostrou que os acordos de gabinetes e disputas jurídicas não trazem nada para os trabalhadores, apenas o enfrentamento aos donos de empresas podem nos garantir avanços. 

Foram realizadas 39 tentativas de reuniões junto aos condôminos dos Diários Associados, nenhuma delas deu resultado. Apenas quando os trabalhadores cruzaram os braços é que o dinheiro para o pagamento do 13º começou a surgir.  As práticas constantes de assédio moral e de intimidações ficam explicitas na greve com a ação ostensiva da tropa de choque da PM, mostrando a face opressiva do patronato.

Neste momento não podemos nos deixar enganar pelas mentiras construídas pelo patronato. O fosso que separa a riqueza dos patrões do padrão de vida dos trabalhadores nunca foi tão grande.

É justamente nos momentos de crise que essas duas classes entram em choque de forma mais clara e aguda, é neste momento em que os empresários tentam ampliar ainda mais seus ganhos, o que muitas vezes os leva a mudar seus ramos de negócios e é justamente isso que os condôminos dos Diários Associados já estão fazendo. As antigas empresas estão sendo destruídas ou reduzidas e o investimento migra para outras empreitadas.

Essa manobra mostra forma clara como se amplia a exploração sobre os trabalhadores. A única forma de resistir e de impedir que isso ocorra é a greve. O exemplo dos companheiros da Alterosa e do Estado de Minas mostra que este é o caminho que iremos escolher. 

À luta pois, e à vitória."

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Os EUA têm mais de 200 mil militares destacados em todo o mundo

                                           
Uma informação que é útil refrescar com regularidade. Com a reserva de que se trata de uma notícia que tem como fonte dados do Departamento de Defesa dos EUA, dados que não serão decerto os mais fiáveis. Se o imperialismo norte-americano se encontra em estado de guerra não declarada com o mundo inteiro, porque haveria de prestar informações exactas sobre a localização e a dimensão dos seus efectivos?


As forças armadas dos Estados Unidos têm hoje mais de 200 mil militares destacados em uma centena de países de todos os continentes, de acordo com informações do Departamento de Defesa.

Uns nove mil e 800 permanecem no Afeganistão, enquanto cerca de três mil e 500 permanecem no Iraque e Síria com o pretexto de combater o Estado Islâmico (EI), a maioria destes últimos da 82ª Divisão Aerotransportada.

A Marinha mantém destacados cerca de 40 navios, o maior dos quais é o porta-aviões USS Harry S. Truman - com uns cinco mil marinheiros e oficiais a bordo -.

Esta unidade naval cruzou o Canal de Suez nos últimos dias juntamente com os seus navios escolta para se instalar no Golfo Pérsico, e participar a partir daí nos bombardeamentos contra objetivos do EI na região.

Estas embarcações unem-se à campanha aérea que Washington e seus aliados iniciaram em de Agosto de 2014 e alargaram à Síria em Setembro do mesmo ano, operações qualificadas de ilegais pelas autoridades de Damasco.

Também nessa zona do Levante opera um grupo anfíbio de infantaria de marinha, com capacidade para desempenhar missões ofensivas de desembarque, encabeçado pelo navio USS Kearsarge, com uns cinco mil marines a bordo.

Na Asia/Pacífico há uns 50 mil militares no Japão, outros 28 mil e 500 na Coreia do Sul e cerca de mil na Austrália e Singapura.

Após a experiência do atentado em Setembro de 2012 contra o consulado dos Estados Unidos na cidade líbia de Bengasi, em que morreram o embaixador Christopher Stevens e outros três diplomatas, o Pentágono tomou medidas para responder com urgência a situações similares no futuro.

Foi assim que surgiu a Força de Tarefa Combinada Conjunta do Corno de África, instalada em Camp Lemonnier, Djibouti, a maior base norte-americana nesse continente. Há ali mais de quatro mil tropas norte-americanas, enquanto outros mil estão destacados em diversos lugares em toda a região.

Além disso, a Casa Branca ordenou em 2013 a colocação de uns 500 elementos de infantaria de Marinha na base militar de Rota, no sul de Espanha, cuja missão é actuar como elemento de intervenção rápida em caso de ameaças a interesses estado-unidenses em território africano. 

Segundo o diário Stars and Stripes unidades da primeira Divisão de Infantaria do Exército estado-unidense, com sede em Fort Riley, estado de Kansas, participaram nos últimos dois anos em mais de 100 exercícios e treinos em cerca de 40 países da região.

Segundo o Pentágono, mais de 64 mil militares estado-unidenses estão estacionados na Europa, em enclaves castrenses localizados na Alemanha, Espanha e nas repúblicas ex-soviéticas do Báltico e outros três mil na Turquia. Nos últimos dois anos Washington incrementou as suas actividades bélicas no continente europeu, ações denunciadas pela Rússia como uma ameaça aos seus interesses.

Na América do Sul e Central há uns cinco mil e 500 militares do país nortenho. O Pentágono mantém em áreas do Caribe uma presença naval permanente, com o pretexto da luta antidroga, enquanto em Cuba está a base naval de Guantánamo, instalada em território da ilha contra a vontade do Governo e do povo da maior das Antilhas.

Peritos estimam que todo este destacamento a nível global, em várias centenas de bases, tem como fim fazer valer os interesses de Washington e em alguns casos, como no Afeganistão cumpre missões de ocupação.

O presidente Barack Obama anunciou em 15 de Outubro passado a sua decisão de manter os nove mil e 800 militares que estão actualmente no Afeganistão e reduzir esse número para cinco mil e 500 no início de 2017, depois do fim do seu mandato como chefe da Casa Branca.

O governante indicou que algumas das unidades cumprirão missões de treino e assessoria a forças locais e outras participarão na perseguição e aniquilamento de combatentes de Al Qaeda, do Estado Islâmico e de outros grupos que operam na nação asiática.

Desde o início da guerra no Afeganistão em Outubro de 200 morreram mais de dois mil e 400 oficiais e soldados estado-unidenses, e outros 20 mil foram feridos.
 (Com o diario.info)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Quadro de Monet: a pintura mais cara vendida na China




O quadro de Claude Monet "La châpelle de Notre-Dame de Grâce, Honfleur" tornou-se a pintura mais cara a ser arrematada em leilão na China, ao ser vendida por 20,7 milhões de yuan (2,9 milhões de euros). 

O negócio foi consumado este fim de semana, num leilão organizado pela leiloeira chinesa Xiling Yinshe, na cidade de Hangzhou, capital da província de Zhejiang, na costa leste do país, informou  a agência oficial Xinhua. 

O valor pago pelo quadro de Monet, datado de 1864, destrona assim o "Grand Vase aux Danseurs", pintado pelo espanhol Pablo Ruiz Picasso numa base de cerâmica, como o maior negócio na China envolvendo uma obra ocidental.(Com o Correio da Manhã)

domingo, 27 de dezembro de 2015

Impasse histórico


                                                                        
Charge de Son Salvador/internet/Reprodução

                    Crise de 2015 inaugura impasse histórico no Brasil

VALÉRIA NADER E GABRIEL BRITO, DA REDAÇÃO DO CORREIO DA  CIDADANIA (*)

2015 entrará na história como algo próximo de um ano que não existiu, nos mais diversos âmbitos, marcado por variados e regulares momentos de estupefação nacional. “Fim de ciclo” e “vazio político” foram algumas das tentativas de definir todo o corolário de crises que se acumularam e agora estouram, a de tornar quase invisível qualquer horizonte próximo de sua superação. Sobre esse complexo e desafiador momento histórico, o Correio da Cidadania entrevistou o historiador Mario Maestri(foto), que não poupou palavras para descrever o momento e seus tristes protagonistas.

“A direita tradicional entendeu que era o momento ideal de virar a página e se desfazer dos administradores-delegados petistas, em prol de administração direta conservadora. Não quer mais o muito que recebia - quer, agora, tudo, ainda mais com a diminuição do bolo com a crise”, afirmou, a respeito da tensão em torno do impeachment, que praticamente monopolizou as atenções políticas do ano.

“Rentabiliza igualmente essa operação conservadora o fato de que o desgoverno, a corrupção, a imoralidade pública etc., que petistas e associados praticaram, são colocados, por grande parte da população, na conta da esquerda e de seu projeto de reorganização do Brasil pelo mundo do trabalho. O PT prestou um imenso serviço ao grande capital no governo, e presta um outro, também enorme, agora que é empurrado para a sarjeta”, completou, a fim de ilustrar o tamanho da derrota que o mundo do trabalho e das organizações populares vivenciam.

“Se o governo estivesse sendo defenestrado pelos trabalhadores, assalariados e população de bem, seria ato legal, a ser apoiado. Porém, a deposição é empreendida pela direita tradicional, para radicalizar a exploração. É deposição política, golpista, antipopular e antinacional. Ela também tem como objetivo aprofundar a maré conservadora na América do Sul”, observou Maestri.

Além de lamentar a incapacidade organizativa e aglutinadora que até agora paralisa qualquer resposta aos descalabros do capitalismo, Maestri conecta a derrocada brasileira a todo o processo de reorganização mundial a partir de 1989. Projetos e governos por todo o mundo foram condicionados por esse processo, e agora se veem sem capacidade de renovação, a não ser pelo lado de um rigoroso acirramento conservador.

“O lulismo foi um projeto de rentabilização do grande capital e de manipulação e desorganização do movimento social, para sua melhor e mais ampla e fácil exploração. Procedeu-se assalto ao fundo de garantia dos trabalhadores, em prol do grande capital. Entregaram os pensionistas ao cutelo do capital, com os créditos consignados. Permitiu-se assalto jamais visto da população pelos bancos e financeiras. Degradou-se a educação, a saúde, a segurança. A lista é praticamente sem fim”.

Leia  a entrevista exclusiva.    
  
                     

Correio da Cidadania: Passamos o ano debatendo e criticando governo “natimorto” nas palavras do sociólogo Ricardo Antunes. Como você vê o primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff, que termina sob o signo de instabilidade e chantagem que começou, agora sob ameaça de impeachment?

Mario Maestri: Não tivemos governo “natimorto”. Essa visão naturaliza a deriva direitista quase incondicional da segunda administração Dilma Rousseff, sugerindo que estava comprometida desde o início. O governo se liquidou por decisão própria. Ele optou por abraçar o programa neoliberal e executar todas e mais algumas maldades propostas pela direita tradicional que derrotou nas eleições. Tudo na procura de estabilização conservadora da nova administração, corroída pelos escândalos da Petrobrás e pelos desmandos econômicos anteriores.

Correio da Cidadania: Mas qual sentido teria essa virada?

Mario Maestri: A equipe dilmista quis propor que seguia sendo a melhor administração para ferrar o mundo do trabalho e a população brasileira. O que de certo modo se comprovou, ao avançar nesse último ano importantes iniciativas antipopulares e antinacionais, sem maior resistência. Pretendeu, também, estabelecer nova composição política, na qual a burocracia petista perderia espaço para o conservadorismo, mantendo em parte o anterior protagonismo. Desse projeto nasceu a lotização do primeiro ministério, com o Levy, a Kátia Abreu et caterva.

Ao por fim às concessões pontuais e mediações petistas tradicionais para com os segmentos populares e extremar o privilegiamento tradicional do grande capital, a senhora Dilma Rousseff deu conscientemente as costas aos trabalhadores, assalariados etc. que a elegeram. Sem pudor e rubor, praticou espetáculo explícito de estelionato eleitoral jamais visto no Brasil, rico nessas práticas. Lançou o programa e o que dissera pela janela e abraçou o programa do candidato derrotado, em demonstração de inaudito desprezo pela população do país. Em resposta, a população retirou o apoio ao governo.

Correio da Cidadania: E por que não funcionou a manobra do atual governo? Por que não lhe concederam o apoio, como antes?

Mario Maestri: A direita tradicional entendeu que era o momento ideal de virar a página e se desfazer dos administradores-delegados petistas, em prol de administração direta conservadora. Não quer mais o muito que recebia - quer, agora, tudo, ainda mais com a diminuição do bolo com a crise! Agora, Dilma Rousseff permanece sozinha, com o núcleo duro da entourage governista, praticamente sem apoio popular, a não ser dos aparatos fantasmagóricos do movimento social, que sofrerão também com seu defenestramento.

Rentabiliza igualmente essa operação conservadora o fato de que o desgoverno, a corrupção, a imoralidade pública etc., que petistas e associados praticaram, são colocados, por grande parte da população, na conta da esquerda e de seu projeto de reorganização do Brasil pelo mundo do trabalho. O PT prestou um imenso serviço ao grande capital no governo, e presta um outro, também enorme, agora que é empurrado para a sarjeta.

Correio da Cidadania: O que pensa das manifestações, protestos e palavras de ordem, à esquerda e à direita, que correram país afora ao longo deste ano?

Mario Maestri: Em 2015, as únicas manifestações políticas multitudinárias foram direitistas. Não tivemos manifestações políticas de esquerda dignas de registro. Ouvimos uma voz de direita cada vez mais estridente, incisiva e programática, e uma palavra da esquerda crescentemente inaudível, desorganizada e confusa. Um fenômeno que, em geral, não se restringiu ao Brasil. O avanço do conservadorismo é processo mundial, com sobressaltos populares em alguns países, como na Grécia, em Portugal, nas repúblicas populares ucranianas e, agora, talvez, na Espanha.

As terríveis sequelas ensejadas pela contrarrevolução mundial de fins dos anos 1980 seguem e se aprofundam através do mundo. A revolução pode também ser permanente, radicalizando-se e alcançando patamares superiores à medida que ganha força e expande sua área de ação. É indiscutível a barbarização do mundo, com níveis dantescos no Oriente Médio e norte da África.

Correio da Cidadania: Esse recuo foi geral no Brasil? Ou conhecemos avanços, mesmo pontuais?

Mario Maestri: Não. No Brasil, movimentos como a greve dos professores em São Paulo e no Paraná; dos estudantes secundários paulistas, com a magnífica vitória que obtiveram; das mulheres contra o programa misógino de Eduardo Cunha e do Congresso conservador-fundamentalista, mostram que há profunda insatisfação, força e disposição de luta na população. Porém, foram movimentos sobretudo sindicais, incapazes de se aglutinarem em torno de um projeto político geral. Não se espraiaram para a população. Não levantaram bandeiras gerais. Não aglutinaram forças. Segue uma imensa crise de projeto, de programa e de direção política. A alternativa do mundo do trabalho para a reorganização social perdeu credibilidade geral.

Correio da Cidadania: Continua o mesmo quadro de fragmentação da esquerda interrompido por breves lampejos? O que pensa das respostas e mobilizações que ela organizou em 2015?
                                                                          
Mario Maestri: Inicialmente, temos que circunscrever o que hoje compõe a esquerda organizada, no relativo às direções e militância ativa. Partidos como o PT e o PC do B já liquidaram há muito a luta pela superação tática e estratégica da exploração capitalista. Hoje, sequer são organizações socialdemocratas, no sentido tradicional europeu. A definição social-liberal parece pertinente para descrevê-los sumariamente.

Correio da Cidadania: E organizações de esquerda como o PSOL, o PSTU, o PCB e o movimento social? Qual sua avaliação?

Mario Maestri: O PSOL, o maior grupo que se reivindica da esquerda, com representação parlamentar, mantém-se encantado pela participação direta e indireta no Estado. Perdeu qualquer sentido antissistema. PSTU merece análise mais acurada. Nos anos 1960-80, tivemos organizações ultrarradicais maoístas, que atacavam sem mediações os partidos comunistas, os Estados socialistas etc. A seguir, literalmente desapareceram e, comumente, seus dirigentes abraçaram o conservadorismo. O PSTU-LIT saudou como processos revolucionários o desastre epocal que foi a destruição da URSS e dos Estados de economia nacionalizada. Seguiu fazendo o mesmo na Líbia, Síria, Venezuela, Cuba etc. Agora, apoia o impeachment, sob a proposta fantasiosa de que defende a derrubada do governo, nesse momento, junto com a direita tradicional, e desta última, não se sabe por quem, não se sabe quando! É uma esfera de colaboração da direção do PSTU-LIT muito ampla e de longa duração com a contrarrevolução para se tratar de mero erro de análise política.

Correio da Cidadania: E quanto ao PCB, em seu projeto de reconstrução? E as organizações do movimento social, não podem ser núcleo de direção?

Mario Maestri: O PCB é organização interessante que, na minha opinião, fica neutralizado pela incapacidade de coadunar a herança do passado com as necessidades do presente. Temos uma enorme quantidade de organizações políticas minúsculas incapazes - e algumas delas sem vontade - de superar o caráter grupuscular. Os movimentos sociais, que, no passado, ensaiaram levantar-se como alternativa, como a CUT, MST etc., foram engolidos pelo voltex da colaboração-participação-administração do Estado de classe.

No Brasil, não possuímos núcleo de esquerda minimamente audível, com projeto de reorganização e reagrupação programática do movimento social. Realidade que nasce, sobretudo, da debilidade política histórica do mundo do trabalho no nosso país, exacerbado nas últimas décadas. Creio que apenas uma grande vitória do mundo do trabalho no Brasil ou no mundo ensejaria as melhores condições para superar essa difícil realidade. A derrota na Grécia pesou terrivelmente.

Correio da Cidadania: Podemos esperar algo das novas propostas de organização política, geralmente chamadas apartidárias e horizontais?

Mario Maestri: No Brasil e no mundo, as formas de organização política tradicional dos trabalhadores fracassam, entravaram ou mostram-se improcedentes. As novas propostas, no estilo Podemos, que propõem a superação da centralidade política e organizacional do mundo do trabalho, já foram engolidas pelo ralo da história, com a traição histórica da direção do Syriza. Essa novidade chega entre nós com traços senis, através da Rede, de Marina Silva, desde o berço sustentada em forma despudorada pelo grande capital. O que não impede que, eventualmente, avance eleitoralmente, devido ao enorme vazio político deixado pela débâcle petista.

Correio da Cidadania: Como deveria se manifestar o campo de esquerda e progressista, diante do processo de impeachment?

Mario Maestri: O fundamental é quem está derrubando o governo. Do ponto de vista das instituições burguesas, não há razão para a deposição de Dilma Rousseff. Do ponto de vista da moralidade social, o governo perdeu qualquer legalidade, devido ao citado estelionato eleitoral. Se o governo estivesse sendo defenestrado pelos trabalhadores, assalariados e população de bem, seria ato legal, a ser apoiado. Porém, a deposição é empreendida pela direita tradicional, para radicalizar a exploração. É deposição política, golpista, antipopular e antinacional.

Ela também tem como objetivo de aprofundar a maré conservadora na América do Sul, que avança forte na Argentina, Venezuela etc. A esquerda deve se pronunciar, claramente, contra o impeachment e, se necessário, tapar o nariz e sair às ruas, opondo-se a ele, junto com o bloco petista. Mas deve levantar suas próprias bandeiras, deixando claro o combate sem contemplação ao governo e ao PT, como um todo. Em verdade, essa luta pode, se bem encaminhada, apoiar a reconstituição política do movimento social. Por isso a importância, para o grande capital, das organizações de esquerda que apoiam ou se mantêm neutras diante do impeachment. Portanto, não ao impeachment e nenhum apoio ao governo Dilma!

Correio da Cidadania: Outro ponto discutido neste 2015 foi o grau de esgotamento do lulismo, para alguns irrecuperável, para outros capaz de renascer. Como situa este fenômeno político que marca o início do século brasileiro à luz do ano que finda?
                                                                                   
Mario Maestri: Algo que se esgota, é porque teve vigor, algum dia. O lulismo foi um projeto de rentabilização do grande capital e de manipulação e desorganização do movimento social, para sua melhor e mais ampla e fácil exploração. Em um sentido geral, o lulismo foi sempre um projeto contrarrevolucionário para os anticapitalistas. Ele concedeu pouco ao mundo social e tudo que foi possível e um pouco mais ao grande capital, quando a economia expandia com a valorização das matérias primas. O salário mínimo foi mantido radicalmente abaixo de seu valor, prosseguindo a hiperexploração da população. Procedeu-se assalto ao fundo de garantia dos trabalhadores, em prol do grande capital. Entregaram os pensionistas ao cutelo do capital, com os créditos consignados. Permitiu-se assalto jamais visto da população pelos bancos e financeiras. Degradou-se a educação, a saúde, a segurança. A lista é praticamente sem fim.

Correio da Cidadania: Muitos falam de um avanço do Brasil cidadão, nesses anos. Como vê essa realidade?

Mario Maestri: Foi igualmente imensa a prostituição política, civil, cultural e ideológica do Brasil sob o petismo. Durante os treze últimos anos, os últimos generais-ditadores, torturadores etc. morreram em suas camas intocados. O Brasil dirigiu e participou da ocupação militar do Haiti, por pedido dos Estados Unidos. Sobretudo o fundamentalismo evangélico foi prestigiado e agraciado pelo petismo com favores de todo tipo. Não houve qualquer iniciativa em prol do direito de interrupção da gravidez para a mulher e no combate da homofobia, com centenas de milhares de vítimas. Vivemos sob o mais desbragado contubérnio dos grandes dirigentes petistas, comandados por Lula da Silva e Dilma Rousseff, com os políticos mais conservadores e corruptos e os grandes empresários, com o resultado que hoje presenciamos.

Correio da Cidadania: Mas não houve modificação estrutural de destaque no Brasil desses anos?

Mario Maestri: Jamais empreendeu-se modificação da estrutura da propriedade, a não ser em favor dos proprietários. Durante todo o ciclo petista, aprofundaram-se as privatizações e restringiu-se o espaço público produtivo. O pouco que os trabalhadores conquistaram nesses anos está agora perdendo em forma galopante, com juros, na guilhotina da inflação, do aumento do preço da luz, do desemprego, do confisco de direito. O grande capital pagou, e pagou bem, pelos serviços do senhor Lula da Silva.

É interessante que nesse momento a Justiça investigue se as empreiteiras remuneraram o senhor Lula da Silva, através de sua ONG e das ditas conferências milionárias, em forma benévola, agradecidas pelos serviços gerais prestados, ou como remuneração de serviços singulares. Do ponto de vista do mundo do trabalho, a indecência é a mesma.

Não temos, porém, que diabolizar o senhor Lula da Silva. Ele é apenas a expressão maior de toda uma geração política que se serviu do nome dos trabalhadores, para objetivos próprios e privados, em forma mais ou menos aberta, mais ou menos desqualificada. Lula da Silva era no passado um cadáver vivo, saltitante, agora, é um morto que anda, ao estilo dos walking deads dos programas estadunidenses.

Correio da Cidadania: O que o atual quadro ilustra da democracia brasileira e seus 30 anos de construção? Seria Eduardo Cunha, que sozinho praticamente interditou a política e, de resto, todo o país, um subproduto de um fracasso bem maior do Brasil?

Mario Maestri: Não temos que supervalorizar o papel do Eduardo Cunha. Ainda mais que, de um momento para o outro, ele pode terminar no ralo da Justiça. Ele é apenas expressão da decomposição do mundo político brasileiro, ao igual que uma presidenta que, no dia seguinte da eleição, anuncia que tudo que dissera era mentirinha. Ou de um sindicalista que fala do seu tempo de trabalhador e vive em contubérnio com os empreiteiros, industrialistas e fazendeiros! De deputado de que se diz comunista e se transforma no parlamento em principal defensor do agronegócio. De centenas de milhares de homens e mulheres que ingressam no mundo político e público com o objetivo único de progressão pessoal e financeira.

Correio da Cidadania: Há, portanto, um fracasso geral do país?

Mario Maestri: Nossa percepção da sociedade brasileira é limitada. Somos aglomerado continental de colônias luso-americanas nascido em 1822 para a defesa da escravidão. Ou seja, em defesa do direito de propriedade do empresário sobre o trabalhador! De 1889 a 1930, esteve vigente no Brasil ordem republicana federalista, elitista, latifundiária e antipopular, que seguiu mantendo a exploração dos trabalhadores então livres. O getulismo expressou a proposta tímida de Estado burguês nacional, com inclusão controlada de parte da população. O golpe de 1964 registrou a abdicação-incapacidade da burguesia brasileira de acaudilhar a construção nacional.

Ela preferiu ser súcuba do capital mundial do que arriscar seus privilégios na construção de país que fosse minimamente de todos. De lá para cá, a decomposição da burguesia brasileira alcançou nível abismal. Não há democracia sem um bloco social que a sustente. Nos anos 1970, os trabalhadores ensaiaram proposta de acaudilhar a construção de nação apoiada na reorganização social da propriedade, da produção e do consumo. Foram os anos que produziram o PT pró-socialista, a CUT anticapitalista e o MST que namorou o socialismo.

Porém, no geral, a montanha pariu uma geração de ratazanas, que ocuparam e ocupam ainda gostosamente postos administrativos, legislativos, sindicais. Um processo de regressão que, como proposto, se radicalizou, no Brasil e no mundo, após a vitória da contrarrevolução mundial, em 1989-90, com a dissolução da URSS e dos países de economia nacionalizada. Não podemos fugir da necessária discussão sobre a capacidade dos trabalhadores de emanciparem humanidade que mergulha, mais e mais, em barbárie palpável, em todos os seus níveis.

Correio da Cidadania: O que esperar para 2016 após um ano praticamente perdido e ainda com maus augúrios econômicos? Tendemos a continuar vendo, a perder de vista, a aplicação deste mesmo modelo de “desenvolvimento”?

Mario Maestri: Não se trata de um “ano perdido”, mas de 25 anos em que o mundo social retrocedeu, no mundo e no Brasil, em seus direitos, programas, organizações, esperanças. Vinte e cinco anos em que o mundo do trabalho sofre regressão radical, em uma espécie de espiral negativa que parece se projetar ao infinito.

No Brasil, antes ou quando do petismo, jamais houve projeto de desenvolvimento, que não fosse em proveito dos diversos segmentos dominantes do capital. Com ou sem crescimento, os trabalhadores assalariados e população pagam a conta, sempre salgada. O que nos espera em 2016? Inflação e desemprego, para achatar os salários. Privatizações, para engordar o capital. Confiscos de direitos da população e dos trabalhadores. Muita violência, na cidade e no campo. Novas e velhas doenças endêmicas, algumas delas de perfil terrível. O domínio da privatização sobre a saúde, sobre a educação, sobre o que resta dos bens públicos.

Nessa sociedade em literal putrefação, 2016 nos promete muitos, mas muitos evangélicos, de todos os sabores, comandados por seus bispos milionários e espertalhões, emergindo e infectando os mais diversos poros de nossa sociedade. Mas, para os eternamente crédulos, o Natal trouxe a queda do Levy e o advento do Nélson Barbosa, que já prometeu seguir em frente o “ajuste fiscal” do anterior, com destaque para uma profunda reforma da previdência privada!

(*)Valéria Nader é economista e editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.

(Com o Correio da Cidadania http://www.correiocidadania.com.br/

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Neutralidade? A Suiça estaria comprando petróleo de terroristas

                                                                                    Sputnik

Bloqueio econômico dos EUA à República de Cuba


Educadores de Cuba vítimas do terrorismo de estado dos EUA

Relações Cuba -Estados Unidos

                                                               Ares/Rebelión

Solo le Pido a Dios - Mercedes Sosa

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Chuvas de Verão, canta Caetano Veloso

6ª Velada Libertária - Instituto Helena Greco

                                                             

 GIG PUNK EM REPÚDIO AO TERROR DE ESTADO E DO CAPITAL!
 CONTRACULTURA E MILITÂNCIA NA LUTA PELOS DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA

Belo Horizonte, 26 de dezembro de 2015

                Na 6ª Velada Libertária, o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (IHG – BH/MG) recebe a banda punk Razão Social (BH/MG).  A Velada libertária é uma atividade contra-hegemônica e anticapitalista em repúdio à indústria cultural. É realizada anualmente de forma autogestionária, autônoma e independente com relação aos governos, ao Estado, aos patrões e empresas.  Acontece desde 2009.

O nome Velada Libertária-IHG foi influenciado pelo termo velada (ou veladas) - atividades socioculturais realizados historicamente por operários, no Brasil, a partir do início do século 20.  Estes faziam reuniões, palestras, teatros, debates, conferências, alfabetização, grupos de estudos, divulgavam livros e jornais e outros.

A proposta da Velada Libertária-IHG é realizar e expressar linguagens de cunho social e de protesto contra a cultura e a arte estabelecidas, oficiais, institucionais, burguesas e mercadológicas. A cultura e a arte oficiais são o lazer do capital. A Velada Libertária-IHG é a afirmação da cultura e da arte que não passam pelo circuito comercial, por editais, por carreiristas, academicistas, marchands, empresários.  Não queremos a cultura dominante, não queremos a ditadura cultural e o jabá. O objetivo é fazer pontes entre os movimentos sociais, underground e de contracultura (antiarte).  Demarcamos com eventos ditos underground que são coniventes com o machismo e com agentes do aparato repressivo. A velada Libertária-IHG está aberta a propostas. É deliberada em reuniões abertas que acontecem aos sábados.

                O Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania é um espaço e movimento social apartidário que conta apenas com membros, apoiadores e visitantes: indivíduos militantes do movimento popular em unidade pelos direitos humanos e cidadania. É autogestionário, autônomo e independente – sem qualquer tipo de vínculo com a institucionalidade ou com os aparatos empresarial, governamental e estatal. 

O Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania não é uma ONG ou OSCIPE – não existe financiamento ou algum tipo de trabalho renumerado.  É um espaço e movimento que sempre está em construção – não é instituído. Nossa militância é independente em relação ao estado, aos governos, aos patrões, às empresas, aos gabinetes, ao fundo partidário, aos editais, à burocracia universitária, à burocracia sindical aparelhada e à institucionalidade. 

Sempre nossas ações buscam a perspectiva revolucionária e a perspectiva dos de baixo - da classe trabalhadora e demais exploradxs e oprimidxs.

 A nossa luta, reiteramos, é contra o terror de Estado e do capital.  Esta luta se desdobra na continuidade da luta por memória, verdade e justiça - pela responsabilização e punição dos torturadores de opositores durante a ditadura militar e daqueles que cometem os mesmos crimes contra a humanidade nos dia de hoje.  Trata-se da luta pelo fim de todo o aparato repressivo e contra todas as formas de opressão – o combate ao nazismo, ao fascismo, ao integralismo, ao neoliberalismo, à extrema direita. 

O combate ao racismo, à  LGBTfobia, ao machismo, ao extermínio e à violência contra as mulheres.  Lutamos contra o genocídio do povo negro e contra o genocídio dos povos indígenas. Demarcamos com o reformismo, o peleguismo e o gabinetismo de movimentos, ONGs, organizações políticas, partidos, setores ditos de esquerda que insistem em se manter atrelados ao Estado, aos governos, ao parlamento, aos editais e ao aparato repressivo. Não estamos com os que prezam a governabilidade, a hierarquia ou a democracia representativa. Nossa luta é no chão da rua. Participamos também em conjunto e em unidade com outras entidades em movimentos externos ao nosso.

Ao longo deste ano de 2015, o processo de institucionalização da barbárie no Brasil – que é de longa duração – segue seu curso.  Vigora no país um Estado de exceção permanente, pessimamente chamado Estado democrático de direito. Seu nome verdadeiro é Estado penal. 

Seus instrumentos principais são: a guerra generalizada contra os pobres; a política de encarceramento em massa; o genocídio sistêmico do povo negro; a criminalização da luta dxs trabalhadorxs e do movimento popular; a violência contra as mulheres e a comunidade LGBT; o extermínio cotidiano dos povos originários e de milhões de moradores das periferias e favelas; a permanência da tortura, das execuções e do desaparecimento forçado como sólidas instituições. 

O aparato repressivo da ditadura se manteve e tem sido reforçado.  As Unidades de Polícia Pacificadora/UPPs e a naturalização da ocupação das favelas e comunidades pela Polícia Militar, pelas Forças Amadas e pela Força Nacional de Segurança Pública são exemplos gritantes da carnificina institucionalizada. A Polícia Militar é a mais violenta do mundo – a que executa o maior número de pessoas entre todos os países do planeta.

 O mercado total engendrado pelo neoliberalismo – ou totalitarismo de mercado – aprofunda a prática do domínio total onde tudo é possível: radicaliza-se o terror como política de Estado.  Constitui terrível exemplo desta a maior destruição socioambiental da história mundial resultante de rompimento de barragem de minério, provocada pela ação criminosa da Samarco, da Companhia Vale do Rio Doce, da Billiton e dos governos municipal de Mariana (Duarte Júnior/PPS), estadual (Fernando Pimentel/PT) e federal (Dilma Rousseff /PT, PCdoB, PMDB). 

Aprofundam-se também a militarização e a fascistização do Estado e de seus aparatos jurídico e repressivo, do aparato midiático, das instituições e da sociedade.  O povo negro, as comunidades indígenas e a classe trabalhadora constituem os alvos principais do terror de Estado. Lembremos que as mulheres negras são triplamente fustigadas: por causa do gênero, da classe e da etnia.

O ano de 2015 abriu-se com a chacina na Vila Moisés, Estrada das Barreiras, região do Cabula, Salvador/BA (6 de fevereiro): 13 jovens negros foram mortos pela Polícia Militar baiana com marcas de tortura e evidências insofismáveis de execução. 

No dia 24 de julho, todos os 10 policiais que participaram da chacina do Cabula foram absolvidos em rito sumário pela juíza Marivalda Almeida Moutinho. Alegou-se legítima defesa: mais uma vez os nefastos autos de resistência se colocam como tentativa de legitimação/legalização de carnificinas cometidas por agentes do Estado.

No mês de abril, 4 pessoas foram mortas pela Polícia Militar do Rio de Janeiro – entre elas  Eduardo de Jesus Ferreira (10 anos), executado com um tiro de fuzil na cabeça e Elizabete de Moura Francisco (41 anos). No dia 29 de novembro, a polícia civil do Rio isentou os PMs da responsabilidade da morte do garoto alegando também legítima defesa (???) – mais um auto de resistência. 

No final de novembro, 5 jovens negros foram trucidados com mais de 100 tiros na comunidade Complexo da Pedreira, em Costa Barros/Rio de Janeiro por policiais do 41º BPM, considerado o mais violento batalhão da mais violenta polícia do mundo.

Além disso, existem atualmente em todo o Brasil centenas de indiciados e perseguidos por participarem das jornadas de 2013 (Copa das Confederações) e 2014 (Copa do Mundo).  No Rio, são 23 processados.  Entre eles Rafael Braga, condenado a 5 anos de prisão por ser  negro e pobre  e ter sido flagrado portando material de limpeza (desinfetante e água sanitária) durante uma manifestação. 

Em Belo Horizonte, no dia 12 de agosto deste ano, a mando do governo Fernando Pimentel, a PM reprimiu violentamente a manifestação contra o aumento das passagens de ônibus, o que resultou em 63 prisões e abertura de processo de investigação contra os manifestantes.  A criminalização dos movimentos sociais e das lutas dxs trabalhadorxes, como vimos, é outra característica deste Estado de exceção permanente em vigor.

Esta situação de barbárie se aprofunda no Congresso Nacional, que apresenta a composição mais iníqua e reacionária desde os tempos da ditadura militar.  A bancada BBB/Bíblia, Boi e Bala domina o congresso e é composta por fundamentalistas cristãos, ruralistas, empresários, policiais e militares dos seguintes partidos:  PSDB, DEM, Solidariedade, PSC, PRB e PMDB (de Eduardo Cunha e Renan Calheiros ,presidentes da Câmara e do Senado).  

Aí o processo de fascistização é levado às máximas consequências. Implementa-se uma busca frenética  de aniquilar conquistas históricas dos trabalhadores e dos movimentos sociais com as seguintes iniciativas: redução de maioridade penal de 18 para 16 anos (PEC 171/1993); tentativas hidrófobas de retirada de direitos das mulheres  e da comunidade LGBT; obstáculos e recuos em relação à demarcação das terras indígenas (PEC 215/2000); projeto pela terceirização do trabalho (PL 4330/2004), que significaria a liberação geral da exploração dos trabalhadores; projeto de lei antiterrorismo (PL 499/2013), de iniciativa do governo federal, que institucionaliza definitivamente a criminalização dos movimentos sociais.

O grande alento em meio a toda esta situação de barbárie foi a magnífica lição de cidadania, combatividade, radicalidade, independência e autogestão dada pelos estudantes dos ensinos fundamental e médio da rede estadual de São Paulo ao ocuparem cerca de 200 escolas, a partir de 9 de novembro de 2015. 

Os estudantes foram vitoriosos e conseguiram barrar a desastrosa proposta de reorganização escolar do governo Alckmin (PSDB), que considera a educação como mais uma commodity do seu balcão de negócios.  A luta dos estudantes paulistas reforça a nossa certeza de que só há uma maneira de combater a extrema violência estatal, policial e institucional à qual estamos submetidxs: com combatividade, radicalidade e independência em relação ao Estado, aos governos, às empresas, aos patrões e àqueles que têm interesses eleitorais e que vão nos movimentos no intuito de cooptação.
                                                                                                                            
- Abaixo o terror do Estado e do capital!                                                      

- Pelo fim de todo o aparato repressivo!

- Pelo fim do genocídio do Povo Negro!
- Pelo fim do genocídio dos Povos Indígenas!
- Pelo fim do extermínio e da violência contra as mulheres! Abaixo o machismo! Pelo direito ao aborto gratuito e seguro!
- Abaixo a homofobia, a lesbofobia, a transfobia, o extermínio e a violência contra a comunidade LGBT!
- Pelo fim do extermínio dos jovens e moradorxs de periferias, vilas, favelas e ocupações!
- Pelo fim das chacinas no campo cometidas pelo latifúndio e o agronegócio.
- Abaixo as empresas Samarco/Vale do Rio Doce/BHP Billiton! Pela punição destas empresas e dos governos municipal, estadual e federal, responsáveis pela maior destruição socioambiental da história de Minas Gerais!  Abaixo suas políticas neoliberais e suas práticas de privatização! Todo apoio para xs trabalhadorxs e para xs moradorxs das comunidades atingidas por esta gravíssima violação dos direitos humanos!
- Por memória, verdade e justiça!
 INSTITUTO HELENA GRECO DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
         
 Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania / I.H.G. 
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Diários Associados oferecem migalhas e não garantem pagamento integral do 13º, diz a Oposição Sindical do SJPMG

                                                                    



Pagamento integral do 13º salário! É pelo cumprimento de um direito consagrado na CLT que lutam bravamente os trabalhadores dos Diários Associados. Não pelas migalhas dos banquetes dos patrões que a empresa insiste em impor aos seus funcionários, como o pagamento de 25% do 13º Salário, oferecido pela a empresa durante a reunião realizada na TV Alterosa, nesta terça-feira (22/12).

Pressionados, os patrões estendem uma mão com o porrete na outra. Pois na mesma reunião na qual anunciou o pagamento dos 25%, a empresa comunicou que até o dia 15 de janeiro decidirá quantas e como serão as demissões na TV Alterosa. Ora, isso é chantagem! Uma clara tentativa de intimidar o movimento vitorioso dos trabalhadores da notícia, que se fortalece a cada dia, e que obrigou os Diários Associados a recuar, mesmo que lançando mão de uma nova manobra para tentar enrolar seus funcionários. Dinheiro há! E o pagamento de 25% do benefício é mais uma prova disso.

A decisão já está tomada. Ou paga ou para! Essa é a palavra de ordem dos trabalhadores que decidiram paralisar todas as suas atividades no dia 28 (segunda-feira) de dezembro, caso o 13º salário não seja pago integralmente. Chega de enrolação! Chega de exploração! Todos às assembleias do dia 28! Não vai ter jornal! Não vai ter programas de TV! Não vai ter notícias no portal! Ou paga ou para! ", diz a Oposição Sindical.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Jornalistas do "Estado de Minas" e da TV Alterosa optam pela greve dia 28 caso não recebam salários na íntegra

                                                                

Os jornalistas e radialistas da TV Alterosa decidiram também não trabalhar no dia 28/12, caso a empresa não pague integralmente o 13º Salário. A mesma decisão já tinha sido tomada pelos trabalhadores do jornal Estado de Minas. O anúncio feito pela direção dos Diários Associados, quem mantém os dois veículos, de que ainda nesta terça-feira seriam pagos 25% do 13º não mudou a disposição dos trabalhadores.

Assim como tinha acontecido no turno da manhã, pelo segundo dia consecutivo, os jornalistas e radialistas da TV Alterosa paralisaram o trabalho a partir das 16h e concentraram-se na porta da empresa. Portando faixas, eles ocuparam a Avenida Assis Chateaubriand e distribuíram boletins à população informando sobre sua luta para receber o pagamento do 13º Salário e outros passivos trabalhistas. Em assembleia decidiram que não trabalhar no próximo dia 28, caso o pagamento não tenha sido feito até este dia.

A mobilização do turno da manhã se estendeu até o começo da tarde, pondo em risco o funcionamento normal da emissora, e só terminou quando o diretor Zeca Teixeira da Costa reuniu-se com os trabalhadores e prometeu pagar ainda hoje 25% do 13º Salário. A disposição de parar no dia 28, porém, juntamente com os trabalhadores do jornal Estado de Minas, permanece.

Passivo trabalhista

Os trabalhadores da TV Alterosa e do jornal Estado de Minas paralisaram o trabalho pela primeira vez ontem, segunda-feira, 21/12. Os jornalistas e radialistas da TV Alterosa pararam às 10h e às 16h, concentraram-se na porta da emissora e fizeram assembleias. Os jornalistas e empregados na administração do Estado de Minas paralisaram o trabalho também ontem às 13h. Eles também fizeram assembleias em frente a empresa, na Avenida Getúlio Vargas.

As paralisações aconteceram porque os veículos dos Diários Associados não pagaram o 13º Salário. Em boletim distribuído à população hoje os trabalhadores chamaram atenção para o fato de que tanto o Estado de Minas quanto a TV Alterosa veicularam notícias recentes denunciando que os governos do estado e do município não pagariam o 13º dos servidores. No entanto, os salários foram pagos e quem não pagou foram os Diários Associados.

Além disso, a empresa tem um passivo trabalhista referente a não pagamento de férias e tíquete alimentação, não recolhimento de FGTS e Previdência. Os sindicatos dos jornalistas, dos empregados na administração, dos gráficos e dos radialistas fizeram 39 reuniões de mediação no Ministério do Trabalho tentando negociar com a empresa, a última delas na segunda 21/12. 

Os representantes dos Diários Associados não apresentaram nenhuma proposta concreta e não se comprometeram sequer a pagar o 13º. (Com o Sindicato dos Jornalistas)


"The New York Times" pede mudanças na política de imigração dos EUA para Cuba


                                                                          

O jornal americano influente apelou às autoridades de seu país para mudar as leis e as políticas seletivas que promovem a imigração ilegal de cubanos


Photo: AP

WASHINGTON.— O jornal americano influente The New York Times pediu às autoridades de seu país para mudar a lei e as políticas seletivas que promovem a imigração ilegal de cubanos.

“O Congresso deveria revogar a Lei de Ajuste Cubano, de 1966, que criou um mecanismo expedito para apoiar os cubanos em uma época em que os EUA estavam tentando minar um aliado soviético”, disse um editorial publicado segunda-feira, 21 de dezembro.

O documento também defende a eliminação da política de ‘pés molhados-pés secos’, que permite que os cubanos uma rota rápida para conseguir a residência, independentemente das formas que eles usam para atingir o território norte-americano.

O jornal também critica a persistência do programa Parole para profissionais médicos cubanos, implementado pelo governo do republicano George W. Bush, com o objetivo de promover as deserções do pessoal de saúde da Ilha.

O jornal acredita que essa legislação e essas políticas são “uma relíquia da Guerra Fria que estão impedindo a normalização das relações entre Washington e Havana”.

Também explica que este sistema é uma bênção para os traficantes de pessoas na América Latina e um fardo para os países desde o Equador até o México, por onde os imigrantes e as redes de traficantes se movem.

Atualmente, na Costa Rica, há mais de cinco mil cubanos à espera de continuar sua passagem para os Estados Unidos, o que provocou uma situação complexa na região.

O jornal sublinha que um dos motivos que provocou a disparada do fluxo migratório é o medo de que Washington acabe com o “tratamento especial” que recebem os imigrantes da Ilha, especialmente após o restabelecimento das relações diplomáticas.

A situação atual na América Central colocou em foco o "absurdo" da política norte-americana, diz o editor.

Acrescenta que a exceção no tratamento dos cubanos é difícil de justificar e contrasta com o tratamento dado aos centro-americanos, incluindo crianças, que deixam seus países de origem para salvar a vida.

Além disso, a prática atual tem impedido às autoridades norte-americanas a realização de uma exaustiva investigação, tal como a que recebem os imigrantes de outras nacionalidades.

OPÇÕES DE PRESIDENTE

Embora o New York Times admita que é da responsabilidade do Congresso dos EUA mudar a Lei de Ajuste Cubano, afirma que o presidente pode tomar medidas executivas para mudar o cenário atual.

O Times enfatiza que Obama tem várias opções, e até mesmo a própria lei dá a faculdade ao Poder Executivo de admitir os cubanos que chegam, mas que não obriga a que o governo realmente o faça.

A administração Obama deveria negociar “um novo acordo com o governo cubano para fazer com que a emigração ordenada seja a norma", indica o jornal. E propõe que “aqueles cubanos que chegam nos Estados Unidos sem autorização sejam devolvidos, a menos que demonstrem um medo credível de perseguição”.

A Lei de 1966, assinada durante a Guerra Fria, foi para desestabilizar a jovem Revolução, mas ocultou suas intenções com o suposto objetivo de proteger os cubanos que ‘fugiam’ da Ilha, dando a todos eles a categoria de refugiados políticos.

No entanto, a maioria dos cidadãos que beneficia atualmente desta legislação visita seu país de origem várias vezes por ano e reconhece que sua principal motivação para a migração era econômica.

O jornal norte-americano sugere que, em troca de revogar leis existentes e políticas atuais, Washington poderia tratar com Havana o assunto dos cidadãos cubanos que permanecem nos EUA com ordens de deportação.

O editorial esclarece que, com apenas um ano de mandato, o governo de Obama “parece não estar disposto a descartar a política que dá a cada cubano que atinge o território dos EUA o direito automático para se estabelecer nesse país e solicitar a cidadania em alguns anos”.

Entre as preocupações da atual administração, também seriam as possíveis consequências no fluxo migratório, caso forem alteradas a lei e as políticas vigentes.

Na trilha dos acordos migratórios em vigor, os Estados Unidos devem conceder 20 mil vistos anuais em sua embaixada em Havana.

O editorial conclui que o governo dos EUA poderia continuar admitindo grande número de migrantes cubanos que procuram a permissão de saída mediante os canais legais, dando prioridade àqueles que têm “direitos legítimos” ou parentes nos Estados Unidos. (Com o Granma)

Relatório do Dieese aponta crescimento de greves

                                                                             

O ano de 2013 foi realmente intenso e, muito provavelmente, um núcleo de movimentação que influencia até os dias de hoje as lutas dos trabalhadores. Em pesquisa divulgada pelo Dieese, com base nos dados do SAG (Sistema de Acompanhamento de Greves), de 2012 para 2013 houve um aumento de 134% das greves no país, com 2050 paralisações no total. Em 2012, foram 877 greves.

Este que foi o maior número de toda a série histórica, tem como um dos destaques as mobilizações nas empresas estatais, com crescimento expressivo de 372%. Foram 29 greve em 2012 e 137 em 2013.

A pesquisa apresentou dados da esfera pública e privada, além das ações conjuntas entre estes dois setores. No setor privado, foram 464 greves ocorridas em 2012 e 1106 no ano de 2013. As campanhas conjuntas tiveram um aumento de 266,7% e o funcionalismo público, com 381 greves em 2012 e 796 em 2013, teve aumento de 109%.

Vale destacar o número de horas paradas, que é o maior desde o ano de 1990. Foram 111.342 horas paradas em 2013, considerando um importante avanço nas estatais, que tiveram aumento de 184% de horas paradas de 2012 para 2013.


Perfil das greves

Duração – Em 2012, ocorreram 646 greves deflagradas por tempo indeterminado, enquanto em 2013 os trabalhadores se colocaram mais combativos e fizeram o número subir para 1322.

As greves de advertência aumentaram de 24% para 35% nestes dois anos e as de um dia foram mais frequentes no setor de serviços.

Além do aumento das greves por categoria, paralisações no âmbito empresa/unidade cresceram de 503 em 2012 para 1289 em 2013.

Motivações das greves e resultados

A pesquisa avaliou as reivindicações dos movimentos, categorizando como greves propositivas – por novas conquistas ou ampliação das conquistas – e defensivas – em defesa de condições mínimas de trabalho, saúde, segurança ou como denúncia de descumprimento de acordos. 

Uma característica importante na avaliação deste período é que as mobilizações de caráter propositivo teve queda de 64% para 57%, enquanto as defensivas tiveram um aumento de 67% para 75%. No setor de serviços privados, em 2013, o pagamento de salário atrasados abrangeu 37% das reivindicações dos trabalhadores.

Em 2013, 80% das paralisações avaliadas (47% do total delas) tiveram algum êxito no atendimento de suas reivindicações. Na indústria privada, a maioria dos movimentos (56%) foi deflagrada por metalúrgicos, seguido por trabalhadores da construção (23%), químicos (7%) e do setor de alimentação (6%).

Esse resultado revela a grave e crescente precarização nas condições de trabalho e nos direitos mais básicos durante o período analisado. O Dieese descreve a avaliação como um “desbordamento” com a ação mais comum de categorias que habitualmente se mobilizam influenciando também segmentos menos organizados.

2013, um ano de mobilizações

Além de uma expressiva Marcha à Brasília e de um Dia Nacional de Luta, a CSP-Conlutas participou ativamente de diversas ações que sacudiram o ano de 2013, incluindo as manifestações populares contra os Crimes da Copa.

Durante 2013, sobretudo em meados do ano em questão, estiveram em luta, em campanhas, paralisações e protestos professores, metalúrgicos, estudantes, metroviários, petroleiros e outras categorias.

A Construção civil foi um importante exemplo de organização de luta com uma campanha salarial unificada. Os petroleiros demonstraram solidariedade aos jovens que reivindicaram a revogação do aumento da tarifa do transporte público. 

A repressão e a criminalização das lutas tiveram destaque nas discussões dos movimentos sociais e sindicais e foram ingredientes importantes para a unidade dos trabalhadores que se mantiveram firmes contra a intransigência do governo e os golpes da patronal.
  
Paulo Barela, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-CONLUTAS, fez uma breve análise dos resultados desse estudo. Confira, na íntegra, a opinião do dirigente:

“O ano de 2012 marcou o ensaio de uma retomada mais ampla das lutas em nosso país. A poderosa greve do funcionalismo federal colocou Dilma-PT na parede e levou à queda de mais de 10 pontos percentuais em sua popularidade, as mobilizações dos operários da construção civil em Belo Monte, Pecem e Suape foram a antessala para jornadas de junho de 2013, além do crescente e expressivo número de lutas contidos neste relatório.

Os resultados desse estudo não nos surpreende e revela o amplo processo de ascenso das lutas em nosso país. Se, por um lado, Dilma-PT e a burguesia atacam os trabalhadores, por outro, a classe reage com mais e mais lutas. 

Não apenas por suas reivindicações corporativas, como bem mostra o estudo do DIEESE, mas também por ações mais globais em unidade de vários setores contra os ajustes fiscais e a retirada de direitos.

São lutas para além do conteúdo econômico e se revestem em verdadeiras ações políticas contra os planos dos patrões e dos governos diante de uma crise econômica de amplas proporções.

Devemos destacar também o importante crescimento das lutas no setor privado, segmento que não tem a mesma proteção ao emprego como no setor público. Embora esse crescimento se apresente, em sua maioria, como ações defensivas, demonstra a coragem da classe em enfrentar os patrões apesar do desemprego crescente, ameaças de lay-off e férias coletivas.

Não é à toa que em 2015, o início do ano foi marcado com resistência às demissões e a palavra de ordem que mais emplacou entre os setores da produção foi: “Demitiu, parou!”.

2013 abriu uma nova situação política no país, com aprofundamento dos conflitos entre capital e trabalho e aumento da disposição da classe trabalhadora em lutar por seus direitos e conquistas. 

Apesar das ações da burocracia governista e de direita (CUT, CTB, Força Sindical etc), que se esforçam para evitar as greves e mobilizações da classe, a tendência é que esses números se ampliem quando os estudos de 2014 e 2015 vierem à tona.

A CSP-CONLUTAS esteve e seguirá sempre à frente dos principais enfrentamentos e apostando na luta direta, unidade e mobilização dos trabalhadores para lutar contra o governo, os patrões e pela construção de uma sociedade justa e igualitária. Não daremos trégua ao capital e seu lacaios da burocracia sindical brasileira e seguiremos tentando construir uma Greve Geral no país para barrar os ajustes fiscais e os planos “anti-trabalhador” de Dilma-PT, seus aliados da burguesia e da direita tradicional de Aécio Neves-PSDB.

Mais do que nunca: Basta de Dilma-PT; Temer, Cunha e Renan-PMDB e Aécio-PSDB!”

Acesse o conteúdo completo do estudo: DIEESE EST PESQ 79 greves 2013 vf-1 (Com a Conlutas)

"Yanni: O Concerto Sonhado" (O espetáculo, com canhões de luzes, é belíssimo)

                                                              

O compositor de origem grega Yiannis Chryssomallis (Yanni) oferecerá um concerto ao pé das pirâmides de Giza, Egito, em março de 2016.

De acordo com meios de imprensa locais especializados, a apresentação chamada "Yanni: O Concerto Sonhado - ao vivo da Grande Pirâmide" será em frente à Esfinge, que faz parte do conjunto de monumentos mais famoso do Egito.

Os direitos de transmissão ao vivo foram concedidos pelo artista ao canal estadunidense PBS, como várias de suas apresentações anteriores em espetáculos abertos desde 1993, na Acrópolis, de sua Grécia natal.

Espera-se que o concerto constitua uma recriação de sua primeira atuação no Egito, realizada em outubro de 2015, nesse mesmo palco.

A presença deste artista renomeado é esperada por muitos neste país, especialmente pelo Ministério de Turismo, pois é previsível que ela se reverta em um impulso necessário para atrair visitantes estrangeiros, cujo número caiu abruptamente desde a chamada revolução de 2011.

Na ocasião de sua apresentação anterior, muitos egípcios expressaram seu descontentamento com o alto preço das entradas, que tornou o espetáculo proibitivo para setores da população de menor renda.

Yanni é considerado um dos compositores mais prolíficos e virtuosos da tendência New Age, que tenta trazer uma dimensão espiritual a suas apresentações. (Com Prensa Latina)

Economia cubana cresce 4% este ano, apesar do embargo econômico dos EUA


                                                               
Foto de tgraham (CC by-nc/2.0/) - Um trabalhador cubano em operações de manutenção em prédios da Havana Vieja.

A reunião do órgão máximo de governo analisou o comportamento da economia, a implementação da Resolução nº 17 e o impacto da seca no país

O Produto Interno Bruto (PIB) de Cuba, cresceu 4%, apesar dos efeitos do bloqueio dos Estados Unidos e as restrições financeiras, informou o ministro da Economia Marino Murillo Jorge, na reunião do Conselho de Ministros, como é habitual para desta vez, analisado o comportamento da economia em 2015.

Este resultado foi possível, disse ele, porque era possível ter avanços de dinheiro, contratação de empréstimos concedidos e execução, e foi uma tendência de queda nos preços das importações.

Na produção material explica que aumenta sua participação percentual no PIB de 59,3 em 2014, para 61,1 no ano de 2015.

"Todos os setores produtivos cresceram em relação ao ano anterior, enquanto a agricultura, a indústria de açúcar, construção, transportes, armazenagem e comunicações violaram o que foi planejado."

No caso da agricultura, pecuária e silvicultura, soube-se que cresceu 3,1%, no entanto, ficou abaixo do plano em 2%, principalmente devido à produção de produtos hortícolas, tabaco, leite e arroz.

A indústria do açúcar aumentou em 16,9%, embora viole as disposições do 5,3%, devido aos baixos rendimentos e à utilização da capacidade industrial, motivada, entre outras coisas, por deficiências organizacionais.

Sobre a atividade de construção foi informado de que cresceu 11,9%, mas não cumpriu o plano em 8%, entre os seus motivos, a deficiência de preparação técnica dos investimentos estavam.

A reunião do Plano de Economia para o próximo ano também foi adotada, que está prevista para maximizar as reservas internas da economia; recursos diretos para aquelas atividades que garantem exportações e substituição de importações; priorizar investimentos de continuidade e crescimento do setor produtivo para gerar renda estrangeira, infraestrutura e setores estratégicos.

Oçamento do Estado

O Ministro das Finanças e Preços, Lina Pedraza Rodríguez, apresentou o comportamento durante o ano fiscal, o déficit é estimado em 5,7% do PIB, de 6,2% previsto na Lei do Orçamento 2015.

Segundo informou, as receitas e despesas deram respostas aos níveis de atividade que demandou a economia, sem tensões orçamentarias.

As receitas fiscais tiveram uma resposta positiva na maioria dos impostos sobre as empresas e pessoas fisicas, embora continuem presente a indisciplina fiscal.

Ele disse que em 2015 as mudanças feitas em impostos relacionados com a comercialização por atacado, o financiamento da cesta familiar racionada, e a eliminação de subsídios sobre os insumos agrícolas, ajustes de preços para coleção

Os membros do Conselho de Ministros analisaram também o projeto do Orçamento de Estado para 2016, que também será aprovado no Parlamento nos próximos dias.

Formas de pagamento no sistema empresarial

Uma avaliação sobre a implementação de novas formas de pagamento no sistema de negócios foi apresentada pelo Ministro do Trabalho e da Segurança Social, Margarita González Fernández. Mais de um ano e meio de implementação, a Resolução nº 17 tem favorecido o aumento dos salários dos trabalhadores associados ao aumento da eficiência, o uso do tempo de trabalho e diminuição de custos e despesas.

Na conclusão dos primeiros seis meses de 2015, a produtividade do trabalho aumentou 30% em comparação com o planejado. Enquanto isso, o salário mensal por trabalhador ascendeu a 696 pesos, representando um crescimento de 12% em relação ao plano.

Além disso, as empresas com perdas foram reduzidas de 245 no final de 2014, para 64 no primeiro semestre deste ano, e a tendência continua a diminuir no número de empresas que pagam salários sem suporte produtivo, de 238 em 2014, para 99 em no primeiro semestre de 2015.

Ele salientou que, uma vez recebido informações sobre algumas preocupações sobre a implementação do sistemas de pagamento, em especial dos trabalhadores do turismo, uma análise com as agências, as organizações superiores de gestão de negócios (OSDE) com a administração envolvida ocorreu.

A nova abordagem do tema mostrou que os problemas estavam associados, acima de tudo, a falta de indicadores de gestão, deficiências na elaboração do plano, erros no planejamento do fundo de salários, atraso na chegada das matérias-primas, equipamentos e breaks a não aplicação do que está regulamentado para paralisações trabalhistas.

Neste ponto, o General de Exército sublinhou a necessidade de medir com precisão o impacto que podem ter medidas estratégicas, como o caso dos trabalhadores assalariados. Devemos levar em conta a diversidade das questões, porque o que está aprovado é para ser implementado em todo o país, e não apenas o que acontece em um território ou outro.

"As instruções não podem ficar apenas nos de cima. Temos de chegar à base, tocando as mãos, insatisfação, ouvir opiniões e não esperar que os problemas nos surpreender" disse.

Reiterou a importância da capacitação dos envolvidos em qualquer medida tomada, para a qual deve dedicar todo o tempo necessário.

O Gabinete ratifica manter a despesa salarial em peso do valor acrescentado bruto, como indicador de limite máximo para vincular os salários aos resultados.

Entre outras alterações, uma alteração foi aprovada para a proteção dos trabalhadores, quando os indicadores de gestão sejam violados, até o limite da escala salarial.

No caso de empresas que excepcionalmente são autorizadas a trabalhar com perdas, aplicar o pagamento por tempo, exceto para empregados cobertos por um sistema de produção por peça.

Enquanto isso, as empresas que obtiveram lucros e perdas no plano, aplicar as deduções que chegam ao limite da escala salarial.

Impacto da seca

Dado o forte impacto da seca, um fenômeno que se tornou mais frequente e generalizada desde 1960, o mais alto órgão do governo cubano adotou uma série de medidas para mitigar o seu impacto sobre a economia, a sociedade e o meio ambiente.

Como foi explicado pelo presidente do Instituto Nacional de Recursos Hidráulicos (INRH), Inés María Chapman Waugh, "ao contrário de outros períodos, a corrente afeta significativamente o abastecimento de água à população e ao sector agrícola em todo o país."

No final da primeira quinzena de dezembro, os dados mostram que em 47% do território nacional registrou baixos níveis de receptação de água. As províncias mais afetadas foram Artemis, Mayabeque e Havana. Até o momento, 137 municípios foram declarados seca, 37 em seca moderada, severa seca 50 e 50 em seca extrema.

Reservatórios acumularam 4810 milhões de m3, o que representa 53% da capacidade total

A ministra destacou a ineficiência da distribuição de água, com perdas anuais estimadas em 3400 milhões de metros cúbicos, dos quais 55% na agricultura, 29% nos arquedutos (incluindo as perdas dentro do invólucro) e 15% no canal principal.

Diante desses problemas, foi anunciado entre as medidas tomadas a curto prazo: os recursos hídricos utilizáveis e disponíveis de atualização a partir do impacto das alterações climáticas; fornecer financiamento para a campanha de chuva artificial a partir de abril de 2016; instalação de sistemas de irrigação eficiência de 85% inicialmente em bacias que estão em condição crítica e desfavorável; reorganizar o serviço de distribuição de água por caminhões-tanque com a qualidade sanitária necessária.

As ações aprovadas incluem continuar reduzindo as perdas de água bombeadas pelo abastecimento de água, do condutor e reabilitação de redes de distribuição, casas e dentro das entidades estaduais.

Além disso, progressivamente aumenta hidrométrica cobertura (medição de água), utilizando a taxa para a medição do setor estatal e residencial como ferramentas para regular o uso eficiente do recurso.

Assinalou Chapman Waugh que continuará a construção de transferências; será investido em estações de tratamento de água; água do mar desalinizada é utilizando energia renovável; e as águas subterrâneas profundas serão capturadas, a partir de estudos na Serra de Cubitas na província de Camagüey; Los Arroyos, localizado em Holguin; no Vale do Cauto e na área de Maisi, Guantanamo.

No longo prazo (2017-2020), será aumentada a capacidade de investimentos construtivos associados com a implementação de novas transferências, barragens, redes e sistemas de irrigação. Ele também irá aumentar a capacidade de poços e perfuração para o setor agrícola.

Durante esse período, a presidente do INRH disse que, deve estar pronto 29 reservatórios que são subutilizados e 11 outros problemas técnicos.

Estas ações, concluiu ela, são parte de um plano nacional de água, para os próximos cinco anos. (Com o Granma, tradução do Diário Liberdade)