terça-feira, 22 de dezembro de 2015

"The New York Times" pede mudanças na política de imigração dos EUA para Cuba


                                                                          

O jornal americano influente apelou às autoridades de seu país para mudar as leis e as políticas seletivas que promovem a imigração ilegal de cubanos


Photo: AP

WASHINGTON.— O jornal americano influente The New York Times pediu às autoridades de seu país para mudar a lei e as políticas seletivas que promovem a imigração ilegal de cubanos.

“O Congresso deveria revogar a Lei de Ajuste Cubano, de 1966, que criou um mecanismo expedito para apoiar os cubanos em uma época em que os EUA estavam tentando minar um aliado soviético”, disse um editorial publicado segunda-feira, 21 de dezembro.

O documento também defende a eliminação da política de ‘pés molhados-pés secos’, que permite que os cubanos uma rota rápida para conseguir a residência, independentemente das formas que eles usam para atingir o território norte-americano.

O jornal também critica a persistência do programa Parole para profissionais médicos cubanos, implementado pelo governo do republicano George W. Bush, com o objetivo de promover as deserções do pessoal de saúde da Ilha.

O jornal acredita que essa legislação e essas políticas são “uma relíquia da Guerra Fria que estão impedindo a normalização das relações entre Washington e Havana”.

Também explica que este sistema é uma bênção para os traficantes de pessoas na América Latina e um fardo para os países desde o Equador até o México, por onde os imigrantes e as redes de traficantes se movem.

Atualmente, na Costa Rica, há mais de cinco mil cubanos à espera de continuar sua passagem para os Estados Unidos, o que provocou uma situação complexa na região.

O jornal sublinha que um dos motivos que provocou a disparada do fluxo migratório é o medo de que Washington acabe com o “tratamento especial” que recebem os imigrantes da Ilha, especialmente após o restabelecimento das relações diplomáticas.

A situação atual na América Central colocou em foco o "absurdo" da política norte-americana, diz o editor.

Acrescenta que a exceção no tratamento dos cubanos é difícil de justificar e contrasta com o tratamento dado aos centro-americanos, incluindo crianças, que deixam seus países de origem para salvar a vida.

Além disso, a prática atual tem impedido às autoridades norte-americanas a realização de uma exaustiva investigação, tal como a que recebem os imigrantes de outras nacionalidades.

OPÇÕES DE PRESIDENTE

Embora o New York Times admita que é da responsabilidade do Congresso dos EUA mudar a Lei de Ajuste Cubano, afirma que o presidente pode tomar medidas executivas para mudar o cenário atual.

O Times enfatiza que Obama tem várias opções, e até mesmo a própria lei dá a faculdade ao Poder Executivo de admitir os cubanos que chegam, mas que não obriga a que o governo realmente o faça.

A administração Obama deveria negociar “um novo acordo com o governo cubano para fazer com que a emigração ordenada seja a norma", indica o jornal. E propõe que “aqueles cubanos que chegam nos Estados Unidos sem autorização sejam devolvidos, a menos que demonstrem um medo credível de perseguição”.

A Lei de 1966, assinada durante a Guerra Fria, foi para desestabilizar a jovem Revolução, mas ocultou suas intenções com o suposto objetivo de proteger os cubanos que ‘fugiam’ da Ilha, dando a todos eles a categoria de refugiados políticos.

No entanto, a maioria dos cidadãos que beneficia atualmente desta legislação visita seu país de origem várias vezes por ano e reconhece que sua principal motivação para a migração era econômica.

O jornal norte-americano sugere que, em troca de revogar leis existentes e políticas atuais, Washington poderia tratar com Havana o assunto dos cidadãos cubanos que permanecem nos EUA com ordens de deportação.

O editorial esclarece que, com apenas um ano de mandato, o governo de Obama “parece não estar disposto a descartar a política que dá a cada cubano que atinge o território dos EUA o direito automático para se estabelecer nesse país e solicitar a cidadania em alguns anos”.

Entre as preocupações da atual administração, também seriam as possíveis consequências no fluxo migratório, caso forem alteradas a lei e as políticas vigentes.

Na trilha dos acordos migratórios em vigor, os Estados Unidos devem conceder 20 mil vistos anuais em sua embaixada em Havana.

O editorial conclui que o governo dos EUA poderia continuar admitindo grande número de migrantes cubanos que procuram a permissão de saída mediante os canais legais, dando prioridade àqueles que têm “direitos legítimos” ou parentes nos Estados Unidos. (Com o Granma)

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